A presidenta Dilma Rousseff manifestou, por meio de mensagem por ocasião do transcurso de um ano do terremoto que devastou o Haiti, “nossa determinação de ajudar na reconstrução desse país”. Há um ano, um terremoto que atingiu grau 7 na escala Richter, arrasou Porto Príncipe, capital haitiana.
“Reafirmo nossa determinação de ajudar na reconstrução desse país, cujo povo não se rende diante das adversidades e tem dado provas de grande coragem e vontade de viver. O Brasil e a MINUSTAH vão perseverar, pois sabemos que os haitianos não desistirão.”
Leia abaixo a íntegra da mensagem da presidenta Dilma Rousseff.
Mensagem da Presidenta da República, Dilma Rousseff, por ocasião do transcurso de um ano do terremoto no Haiti.
“O terremoto que devastou o Haiti, ceifando centenas de milhares de vidas, completa hoje exatamente um ano. Quero me associar aos que participam, em todo o mundo, de cerimônias rememorativas dessa imensa tragédia que se abateu sobre aquele povo irmão. Esse é um momento de reflexão, de lembrarmos as vítimas, e de conclamarmos a comunidade internacional para um renovado esforço em prol da recuperação do país, que ainda vive uma situação de extrema gravidade.
Quero também enaltecer o trabalho dos nossos soldados que participaram da Missão das Nações Unidas (MINUSTAH), lutando incansavelmente para a estabilização e colaborando para a recuperação da infraestrutura do país. Lembro, e presto uma homenagem aos 18 militares brasileiros, à médica e humanista Zilda Arns e ao Representante Adjunto da ONU para o Haiti, Luiz Carlos da Costa, que estavam em missão de solidariedade e lamentavelmente perderam a vida durante o terremoto.
Reafirmo nossa determinação de ajudar na reconstrução desse país, cujo povo não se rende diante das adversidades e tem dado provas de grande coragem e vontade de viver. O Brasil e a MINUSTAH vão perseverar, pois sabemos que os haitianos não desistirão.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil”
Um ano após terremoto, haitianos ainda lutam para reconstrução do país. Foto: Marcello Casal/ABr arquivo
Há exato um ano, no dia 12 de janeiro de 2010, o mundo inteiro se impressionava com as imagens do maior desastre natural dos últimos 30 anos: o terremoto no Haiti, o país mais pobre das Américas, que deixou cerca 220 mil mortos, 300 mil feridos, incluindo milhares de pessoas que tiveram membros amputados, e 1,5 milhão de cidadãos desabrigados. Dentre os mortos, 18 militares brasileiros, a presidente da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e o representante adjunto da ONU para o Haiti, Luiz Carlos da Costa
Desde então, o país iniciou seu processo de reconstrução, enfrentando ainda muitos problemas de infraestrutura, saúde pública, alimentação e saneamento básico. Apenas parte dos escombros foi removida e o Haiti agora enfrenta uma epidemia de cólera. Além da destruição, entretanto, o mundo pôde testemunhar uma inédita mobilização global em prol do Haiti e de seu povo, que luta para recomeçar a vida e reerguer o Estado, praticamente aniquilado pelo terremoto de magnitude 7 que destruiu a capital haitiana, Porto Príncipe.
O Brasil, que lidera a missão de paz da ONU naquele país, continua empenhando esforços na promoção de ações de assistência humanitária e de segurança alimentar e nutricional. Destaque para o Programa Nacional de Cantinas Escolares (PNCS), que contempla a capacitação de profissionais haitianos e a implantação de cozinhas escolares. Nos últimos dois anos, o Brasil destinou recursos da ordem de US$ 244 mil para o fortalecimento do Programa. Desde agosto de 2010, o Brasil apoia com custeio as missões técnicas de transferência de tecnologia indiana de produção de fogões especiais “ORKA”, movidos a dejetos sólidos. Atualmente, o Haiti importa os fogões especiais da Índia para atender às necessidades das cantinas escolares do PNCS.
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O coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores, Milton Rondó Filho, explica que o objetivo é que os projetos ao longo do tempo sejam sustentáveis social, econômico e ambientalmente.
“Você não pode ver a criança isolada do contexto da família e da comunidade. Se a gente distribuir alimento para a criança e se esse alimento for industrializado, importado de algum lugar distante, e a família não tiver como vender esse alimento, mais dia, menos dia eles vão terminar em uma favela. Então é muito importante a gente buscar o desenvolvimento local.”
O próximo passo é a instalação do Projeto de Compras Locais da Agricultura Familiar para Alimentação Escolar no Haiti, por intermédio da FAO [Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação] e do PMA [Programa Mundial de Alimentos], que já conta com crédito extraordinário brasileiro aprovado de US$ 5,5 milhões. O projeto é inspirado no PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] brasileiro e contempla apoio aos Ministérios de Educação e de Agricultura haitianos para estabelecimento da compra de derivados do leite e arroz produzidos por organizações de pequenos e médios agricultores e destinados à alimentação escolar. Serão beneficiadas cerca de 6 mil famílias de agricultores familiares, que fornecerão alimentos para 20 mil estudantes.
O Brasil tem contribuído, ainda, para a recuperação do setor agrícola haitiano – prejudicado por desastres naturais e pelo restrito acesso à terra – por intermédio de organizações de sociedade civil como a Via Campesina, que mantém equipe de agentes de desenvolvimento agrícola no Haiti, e atua na distribuição de cisternas que beneficiam grupos de agricultores familiares e escolas.
Outro exemplo de parceria junto à sociedade civil foi a contribuição voluntária, em agosto passado, à ONG Viva Rio, no valor de US$ 252 mil, para apoio a atividades do Centro Comunitário que a ONG mantém em Porto Príncipe e que abriga programas educacionais diversos – inclusive de prevenção da violência – para cerca de 700 crianças e adolescentes diariamente. A iniciativa brasileira previu a coordenação entre a Viva Rio e o Programa Nacional de Cantinas Escolares (PNCS) haitiano.
Também está em negociação o projeto de atenção à saúde pública do Haiti, a ser executado pela Associação Lar São Francisco de Assis, por intermédio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A partir do apoio financeiro do governo brasileiro, no valor aproximado de US$ 1,5 milhão, o projeto possibilitará a restauração de um centro de saúde e a implementação de serviços ambulatoriais.
Quem esteve no país nos dias seguintes ao terremoto vivenciou momentos de tristeza, dor, mas de solidariedade. A diplomata Maria Luiza de França, da Coordenação-Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome, conta que uma das coisas que mais a surpreendeu foi a capacidade de mobilização internacional e do povo haitiano.
“Eu fiquei comovida com a paciência deles, com uma certa resignação, com a solidariedade que eles cultivavam (…). A gente percebe o desejo dos haitianos em batalhar para melhores condições de vida, para receber ajuda, mas também ser agente da assistência.”
A Caixa Econômica Federal abriu no dia 30 de dezembro de 2010 uma conta para quem quiser contribuir para a reconstrução do Haiti. A conta corrente 664-8, agência 0647, operação 003 está em nome do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Presidente Lula homenageia militar morto no Haiti com a Medalha do Pacificador com Palma. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Há momentos em que as palavras se tornam frágeis diante da brutalidade dos fatos
Cada um dos militares mortos no Haiti devido ao intenso terremoto que atingiu a ilha na semana passada reafirmou a vocação pacífica e solidária do Brasil durante sua vida e atuou com firmeza e coragem para combater a violência e criminalidade no país caribenho, sabendo conviver harmoniosamente com a população local, afirmou o presidente Lula durante cerimônia em homenagem aos militares realizada nesta quinta-feira (21/1) na Base Aérea de Brasilia.
O soldado brasileiro nunca foi confundido com invasores estrangeiros. Muito pelo contrário: foi a sua mão amiga que criou a confiança mútua entre a Força de Paz das Nações Unidas e os justos anseios da sociedade haitiana.
O presidente Lula deixou a Medalha do Pacificador com Palma em cada um dos caixões dos militares mortos na missão de paz no Haiti, acompanhado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o comandante do Exército, general Enzo Peri.
Lula fez questão de agradecer nominalmente cada um dos militares que perderam sua vida no Haiti e cumprimentar seus familiares presentes à cerimônia. O presidente lembrou ainda dos dois civis brasileiros também mortos na tragédia: Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança, e o diplomata Luiz Carlos da Costa, vice-chefe da missão de paz da ONU no Haiti.
O sacrifício não será em vão, muito menos a dor das famílias, afirmou Lula. O Brasil está construindo uma trincheira de amizade no Haiti e, desde o terremoto do dia 12 de janeiro, de solidariedade também. “É desta trincheira que nos chegam os corpos dos heróis aqui homenageados”, afirmou, lembrando que eles são motivo de orgulho:
Brasileiros que nos orgulham e nos emocionam porque tombaram na linha de frente da mais nobre e desafiadora tarefa do nosso tempo: efetivar a cooperação internacional para o desenvolvimento. Que é fazer com que a solidariedade – e não mais a exploração – se torne o principal condutor da história dos povos das Américas.
Presidente Lula compareceu ao velório de Zilda Arns, no Palácio das Araucárias, em Curitiba (foto: Ricardo Stuckert/PR)
Bastante consternado com a morte da médica Zilda Arns, da Pastoral da Criança, o presidente Lula compareceu na noite desta sexta-feira (15/1), ao velório no Palácio das Araucárias, sede do governo do Paraná. Após quase uma hora de permanência, ele deixou o local e manifestou, num pronunciamento aos jornalistas, a dor pelo acontecido: “Acho que foi uma perda muito grande para a Nação. Uma perda grande para o mundo.”
Ouça aqui a íntegra da conversa do presidente Lula com jornalistas ao deixar o Palácio das Araucárias, em Curitiba (PR):
Lula desembarcou em Curitiba vindo de Bacabeira (MA). Ele seguiu de imediato ao palácio do governo local. Durante cerca de 40 minutos, o presidente conversou com familiares de Zilda Arns num local reservado. Em seguida, adentrou ao salão e permaneceu cerca de 10 minutos ao lado do caixão com o corpo de Zilda.
“Olha, companheiros, vocês sabem que o momento não é fácil. Não é fácil o que aconteceu ao Haiti, como o que aconteceu ao povo do Haiti, pelo o que está acontecendo ainda, porque é muita gente soterrada ainda e não sabemos se tem vivos ou não. Pela quantidade de gente que nós já sabemos que morreu. Pelos 14 soldados brasileiros que morreram, e certamente os quatro que estão desaparecidos podem estar mortos também, pelo representante do Brasil nas Nações Unidas… E toda essa gente que morreu está simbolizada na nossa querida Zilda Arns. Eu penso que quem viveu no Brasil nessas duas décadas e meia e que lutou pela conquista da democracia, lutou pela conquista dos direitos humanos, lutou pela melhoria da qualidade de vida das pessoas, pelas crianças, pelos idosos, sabe que se a gente fechasse os olhos e fosse imaginar uma pessoa, nós iríamos ver o rosto da dona Zilda”, disse o presidente.
Lula lembrou que ela morreu “num momento em que estava cumprindo uma das coisas mais sagradas que ela fazia que era visitar as pessoas pobres, não apenas no Brasil, mas em vários países do mundo. Eu disse a família que, nesse momento, todo mundo vai chorar, mas o que é importante que a gente tenha em mente que as ideias que ela pregou nesse País, durante muito tempo, espero que esteja encarnado na mente, no coração e na alma de cada brasileiro e cada brasileira e que a partir do exemplo dela sejamos mais solidários, sejamos humanistas e olhamos com mais carinho para o próximo. Às vezes, com um pequeno gesto a gente pode ajudar. Eu não poderia deixar de vir aqui e prestar a minha solidariedade”.
O presidente afirmou que se Zilda Arns pudesse voltar à vida faria tudo o que fez, inclusive retornaria ao Haiti. “Ela era uma pessoa assim e Deus queira que surjam outras pessoas assim”, concluiu.
Presidente Lula lidera um minuto silêncio pelas vítimas do terremoto que destruiu o Haiti (foto: Ricardo Stuckert/PR)
Governadores brasileiros foram convidados nesta quarta-feira (13/1), pelo presidente Lula, a participar do gabinete de crise coordenado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, para discutir formas de se ajudar o Haiti, que sofreu na noite de ontem um grande terremoto responsável pela morte de milhares de pessoas, entre as quais 12 brasileiros (11 militares e a coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns).
O convite foi feito durante cerimônia de assinatura de acordos de cooperação com as 12 cidades-sede da Copa de 2014, realizada no Palácio Itamaraty em Brasília. O presidente afirmou que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, ofereceu o hospital de campanha usado para cuidar das vítimas dos deslizamentos em Angra dos Reis e também efetivos do Corpo de Bombeiros do Estado que participaram do resgate às vítimas das enchentes.
Lula disse ainda que vai telefonar ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda nesta quarta-feira (13/1) para discutir a mobilização de vários países para ajudar o Haiti.
Antes de iniciar seu discurso, o presidente Lula pediu que os presentes à solenidade se levantasse e fizessem um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto no Haiti e também das enchentes ocorridas em São Paulo e Rio de Janeiro.
Presidente Lula observa documento apresentado pelo governador do Rio, Sergio Cabral, no CCBB (foto: Ricardo Stuckert/PR)
O governo federal poderá aumentar o volume de recursos para Estados e municípios atingidos por enchentes nos últimos meses. A informação é do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que participou, na tarde desta quarta-feira (13/1), de reunião com o presidente Lula, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O encontro teve a participação do governador do Rio, Sergio Cabral, e prefeitos de cidades fluminenses.
De acordo com o ministro, na próxima segunda-feira (18/1), será promovido levantamento com o objetivo de apurar demanda por recursos em outros estados brasileiros. Segundo Geddel, há manifestações para se obter linhas de crédito em São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. Ele informou, por exemplo, que o governador Cabral apresentou um programa de recuperação de encostas e outros pontos de risco que totaliza R$ 600 milhões.
“Na próxima semana vamos ver as demandas. Existem possibilidades de remanejamento de recursos. O pedido do governador Cabral refere-se a investimentos estruturantes”, explicou.
Geddel disse também que, por determinação do presidente Lula, colocará à disposição do governo do Haiti os equipamentos necessários para ajudar as vítimas do terremoto que atingiu 7.0 graus na escala Richter. O ministro informou que um técnico de sua pasta seguiu no voo liderado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e tão logo envie relatório da demanda o Ministério da Integração Nacional irá proceder com a ajuda necessária.
O ministro comentou também o falecimento de Zilda Arns, da Pastoral da Criança: “Ela morreu como viveu, ou seja, defendendo a crença na justiça social. Ela morreu em combate.”
A Presidência da República divulgou nesta quarta-feira (13/1) uma nota de pesar pela tragédia ocorida no Haiti, transmitindo pesar e solidariedade ao povo haitiano e à família de brasileiros, em especial à de Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.
Leia abaixo a íntegra da nota:
Nota de pesar do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião do terremoto no Haiti
Profundamente consternado com a tragédia que atingiu o Haiti, ao qual nos sentimos vinculados fraternalmente em razão da presença da Força de Paz liderada pelo Brasil, transmito meu pesar e minha total solidariedade ao povo haitiano e à família das vítimas brasileiras, civis e militares, em especial à de Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa e conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Que Deus dê conforto a todos nesse momento doloroso.
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
ATUALIZAÇÃO: O presidente Lula acaba de assinar decreto no qual fixa três dias de luto no País pelos brasileiros mortos no Haiti, vitimas de terremoto que atingiu 7.0 graus na escala Richter e devastou o país na terça-feira (12/1).
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