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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

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No Palácio Itamaraty, presidente Lula discursa em homenagem a Vinicius de Moraes. Foto Ricardo Stuckert/PR

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Promover o diplomata, poeta e compositor Vinícius de Moraes ao cargo de Ministro de Primeira Classe (embaixador) é um processo de reparação obrigatória, que não precisa de agradecimento algum por parte da família, disse o presidente Lula durante cerimônia realizada nesta segunda-feira (16/8) no Palácio Itamaraty. Emocionado, Lula disse que “possivelmente, quem teve a atitude de propor a cassação de Vinicius não tenha lido o poema Operário em Construção. Porque se ele tivesse lido, tal como o operário ele havia aprendido a dizer ‘não’ e não teria cumprido a aberração que foi colocar fim à carreira diplomática do Vinicius de Moraes”.

Vinícius foi aposentado compulsoriamente durante a ditadura militar, por meio do Ato Institucional n.º 5 (AI-5), em 1968. A lei sancionada por Lula em junho passado assegura aos atuais dependentes do poeta os benefícios da pensão correspondente ao cargo.

Lula ressaltou a preocupação de seu governo em reparar erros históricos e lembrou do brilhantismo de Vinicius como pessoa, poeta e diplomata:

“Eu tenho dito aos meus companheiros de governo que muitas vezes, no Brasil, nós esquecemos as pessoas que a gente gosta, deixamos de exaltar as pessoas que foram vítimas do período do autoritarismo. Aos poucos, a gente vai esquecendo de transformar os nossos heróis em heróis, porque nós não falamos deles”.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Durante o evento, a cantora Miúcha interpretou canções de Vinicius ao lado da filha do poeta, Georgiana de Moraes, e da neta Mariana de Moraes, que lembrou emocionada o encontro do presidente com seu avô, 31 anos atrás (1979), quando Vinicius leu, a convite do então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio da Silva, o poema Operário em Construção -- veja aqui trecho de documentário que mostra a cena.

O poema foi lido durante a cerimônia de hoje pelo professor Eucanaã Ferraz, confira:

Em seu discurso, o presidente ressaltou aos familiares do diplomata que estavam presentes as qualidades de Vinicius não só como poeta e diplomata, mas também em sua vida particular. “Não sabia que era possível um ser humano saber viver como ele soube. Vinicius era um ser superior, e um ser superior, mesmo cassado, continua crescendo. Para mim, ele era sublime”, disse.


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O então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva, e o poeta e compositor Vinícius de Moraes, nas comemorações do Primeiro de Maio de 1979, quando Vinícius leu o poema Operário em Construção a pedido de Lula.

Quem já passou por essa vida e não viveu; Pode ser mais, mas sabe menos do que eu; Porque a vida só se dá pra quem se der -- Vinícius de Moraes

Aos olhos atentos de uma multidão de trabalhadores, políticos e intelectuais, Vinícius de Moraes leu, emocionado, o poema “Operário em Construção”, de sua autoria, a convite do então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva. “Os seus irmãos que morreram, por outros que viverão, uma esperança sincera cresceu no seu coração…”. Assim como o trecho da poesia lida na missa realizada no Dia do Trabalhador (1° de maio) de 1979, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, foi marco histórico da luta pela democracia no Brasil.

Neste trecho do filme ABC da Greve, de Leon Hirszman, traz o momento exato em que Lula e Vinícius chegam para o evento:

Trinta e um anos depois, o presidente Lula homenageia o poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata brasileiro Vinícius de Moraes, em cerimônia no Palácio Itamaraty, nesta segunda-feira (16/8), com a promoção post mortem ao cargo de Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata (embaixador). Vinícius fora aposentado compulsoriamente com o Ato Institucional n.º 5 (AI-5), em 1968. A lei sancionada por Lula assegura aos atuais dependentes do poeta os benefícios da pensão correspondente ao cargo.

Veja aqui o poeta Taiguara recitando o poema Operários em Construção, de Vinícius de Moraes:

Vinícius ingressou na carreira diplomática em 1943. Em 1946, assumiu seu primeiro posto diplomático, o de vice-cônsul do Brasil em Los Angeles, nos Estados Unidos, seguindo depois para outras missões. Em 1964, quando eclodiu a crise em que os militares assumiram o poder no Brasil, Vinícius retornou ao país. Em 1969, foi exonerado.

Eucanaã Ferraz, poeta, professor de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso da obra de Vinícius, afirma que o ato simboliza uma correção de rumos: “Vinícius foi um grande embaixador, elevou a uma dimensão gigantesca a imagem do Brasil no exterior e é amado pelos brasileiros.” Para Eucanaã, que fará uma homenagem ao poeta na cerimônia desta segunda, ninguém pode tomar o que já era dele. Como o próprio poeta endossou em sua poesia, “não podes dar-me o que é meu”.

Após a cerimônia, será aberta a exposição fotográfica “Vinícius – Embaixador do Brasil”, com fotos de sua atuação como diplomata.


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