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Brasileiro viajou mais de avião em 2010. Praias do Nordeste são as mais procuradas. Foto: Antonio Cruz/ABr

Há algum tempo, viajar de avião deixou de se privilégio de poucos. Mas, mais recentemente, impulsionado pelas ações do governo federal, valorização do real frente ao dólar americano e, principalmente, pelo aumento do poder aquisitivo das famílias, o povo brasileiro aderiu de vez às viagens aéreas. No acumulado de janeiro a dezembro de 2010, a demanda por transporte aéreo no Brasil avançou 23,47% no segmento doméstico e 20,38% nas rotas internacionais operadas pelas empresas brasileiras.

Apenas em dezembro de 2010, a demanda por transporte aéreo apresentou um crescimento de 18,62% nos trechos nacionais e 17,66% no segmento internacional. Naquele mês houve 13,2 milhões embarques e desembarques em voos domésticos, o que representa dois milhões a mais que em dezembro de 2009. No ano passado, foram mais de 154 milhões de embarques e desembarques, contra pouco mais de 128 milhões no ano anterior, segundo dados da Infraero.

Esse novo perfil brasileiro refletiu diretamente nos meios de transportes utilizados para se fazer turismo, seja para passeio, férias ou de negócios. O avião está cada vez mais substituindo o ônibus, e os aeroportos deixaram de ser lugares estranhos à maioria da população. Um exemplo disso é a classe C, famílias com renda mensal entre R$ 1.115 a R$ 4.807, que está viajando mais, e utilizando a via aérea para chegar ao destino. A rapidez na locomoção, facilidades de pagamento e preços acessíveis estão entre os principais motivos para essa troca.

Em pesquisa mensal de dezembro de 2010, divulgada pelo Ministério do Turismo (MTUR), quase 56% das famílias entrevistadas disseram que pretendem usar o avião em suas viagens turísticas nacionais. Já o ônibus aparece com 11,2% da preferência dos viajantes.

A entrada de novos consumidores, nos últimos anos, no mercado de turismo fez aumentar a procura por passagens aéreas e pacotes turísticos. De acordo com a pesquisa mais recente sobre os Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro, de 2009, divulgada pelo MTUR, quando perguntados: “Qual o tipo de lugar que você mais gosta de visitar em suas viagens turísticas?”, quase 65% das pessoas escolheram as praias como roteiro preferido, principalmente as da região Nordeste.

Para tratar de negócios e eventos, São Paulo continua sendo a cidade mais visitada pelos turistas, e chega a receber anualmente o equivalente à sua população (11,2 milhões de habitantes). Cerca de 11 milhões de visitantes visitam todos os anos a cidade, que acaba de comemorar 457 anos. Distrito Federal, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador completam a lista das cinco cidades mais visitadas.

Liderança aérea

Segundo a ANAC, a liderança do setor em 2010 foi mantida pelo Grupo TAM (formado pelas empresas TAM e Pantanal), com 42,81% de participação no mercado doméstico em 2010. Em seguida está a Gol/Varig, com 39,51%. As duas empresas registraram percentuais semelhantes de aumento de demanda no ano passado, de 16,31% e 16,99%, respectivamente.

Já as companhias de menor porte tiveram crescimento mais acelerado no ano, como a Azul, com demanda 103,53% superior a de 2009 e a terceira maior participação de mercado, 6,05%. A Webjet cresceu 64,10% de janeiro a dezembro e encerrou 2010 com uma fatia de 5,87% do segmento doméstico. A Avianca – que até abril de 2010 operava sob a marca OceanAir – ficou com 2,59% de participação no ano, com demanda 27,05% maior do que ano anterior. Embora no acumulado do ano a Avianca continue como quinta maior empresa brasileira, no mês de dezembro ela foi ultrapassada pela Trip. Em 2010, a demanda da Trip foi 82,64% maior do que em 2009 e ela encerrou o ano com 2,21% do mercado nacional.

A ocupação do setor nos voos domésticos foi de 68,81% em 2010, ante 65,76% do ano anterior. Entre as seis maiores empresas aéreas nacionais, a que obteve maior ocupação no ano foi a Azul, com 79,6%. No segmento internacional, as empresas brasileiras passaram de uma ocupação de 69,16% em 2009 para 76,38% no ano passado.


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Agenda presidencial

O presidente Lula está na Bahia. Lula desembarcou à noite no aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus. Agora pela manhã, ele concede entrevista as rádios Difusora, de Itabuna (BA), e Santa Cruz, de Ilhéus, num hotel da cidade. Depois, cumpre agenda em Itabuna, na cerimônia de inauguração do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene).

À tarde, em Ilhéus, o presidente participa de cerimônia de lançamento dos editais para licitação da Ferrovia Oeste-Leste e assinatura de contratos no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida para municípios da Bahia,

À noite, Lula embarca para São Paulo. Ele permanece o fim de semana em São Bernardo do Campo.


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Agenda presidencial

O trecho Colinas-Guaraí da Ferrovia Norte-Sul será inaugurado, nesta terça-feira (23/3), pelo presidente Lula. De acordo com a agenda de trabalho, Lula seguiu para o estado do Tocantins e visita, agora pela manhã, o canteiro de obras da Norte-Sul, em Miracema (TO). No fim da manhã, o presidente segue em viagem inaugural do trecho entre os municípios de Colinas e Guaraí.

A cerimônia que marca a inauguração daquele trecho e do Pádio Multimodal de Guaraí-Tupirama está previsto para 12h15. Às 15h, a comitiva do presidente Lula retorna para Brasília, com decolagem do Aeroporto brigadeiro Lysias Rodrigues.

Às 20h30, no Palácio da Alvorada, Lula oferece jantar ao rei e rainha da Suécia Carl Gustaf e Silvia.

ALTERAÇÃO: Por causa da chuva intensa em Tocantins, as atividades naquele Estado foram canceladas. O presidente Lula retornou para Brasília onde mantém agenda de trabalho. O jantar aos reis da Suécia está mantido.


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Sirlena Ronchi emocionou o presidente Lula ao contar sua história de persistência pelo trabalho e pelo estudo. (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Sirlena Ronchi emocionou o presidente Lula ao contar sua história de persistência pelo trabalho e pelo estudo. (foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Lula previu, na noite desta sexta-feira (13/3), em Londrina, que o Brasil será “exportador de inteligência e conhecimento”. Segundo ele, por este motivo, se faz necessário que os brasileiros invistam nos estudos, sejam nas universidades ou nos institutos federal que oferecem cursos técmnicos. Lula enfatizou também que, se o século 19 foi dos países europeus e o século 20 foram dos Estados Unidos, “o século 21 será do Brasil, da China, da Índia e dos países pobres”. O presidente foi a Londrina para a cerimômnia de assinatura de contratos para construção de residências no âmbito do programas Minha Casa, Minha Vida e da inauguração da central de atendimento da Dedic GPTI, emprego do grupo Portugal Telecom.

Nas duas cerimônias, que acontceram no prédio da empresa de call center, Lula foi surpreendido com a funcionária Sirlena Fratoni Ronchi. Ela roubou a cena ao discursar para as autoridades. O depoimento emocionou a todos. Ela explicou que não tinha perspectiva de vida. Cuidava do lar. Porém, por iniciativa do marido resolveu entrar no mercado de trabalho : “Fiz um teste aqui e fui reprovada, pois catava milho”. Mas adiante recebeu outra oportunidade na empresa e, deste modo, trabalha e estuda. “Vou me formar e trabalhar no setor de recursos humanos da empresa”, disse para em seguida agradecer ao presidente Lula.

“Foi por causa do seu governo que consegui financiar meu apartamento e o meu marido manter a empresa dele. Gostaria muito de poder de abraçá-lo”, destacou.

Sensibilizado, Lula dedicou parte do discurso a Sirlena. Ele disse que exemplos como o da família da funcionária da Dedic GPTI deveriam ser apresentados aos brasileiros para que a sociedade conheça “as coisas boas que acontecem em nosso país”. Lula afirmou que é para olhar na cara das pessoas que tem deixado o gabinete em Brasília e viajado pelo Brasil. “Estou vendo a alegria das pessoas que estão vencendo na vida”, explicou.

O presidente lamentou o fato de grupos de comunicação terem por costume divulgar com mais ênfase “a desgraça e o fracasso” o dia inteiro. Ele manifestou tristeza porque fatos bons não aparecem na mídia. Citou também que certo dia, em conversa com um excutivo do setor, recebeu como resposta que a divulgação, por exemplo, da oferta de postos de trabalho não é considerada notícia. “Por iso, venho aqui mostrar o outro lado da moeda. O lado do Brasil que funciona. O lado do Brasil que desperta para atrair investidores”, assegurou.

Lula destacou importantes avanços que vem conseguindo nestes sete anos de governo. Conforme explicou, quando lançou o programa Bolsa Família certos setores da sociedade torceram o nariz para a iniciativa. Mas, o tempo se encarregou de mostrar que estes setores estavam errados. O programa Luz Para Todos também foi colocado para a plateia como demonstração de que o governo investe o desenvolvimento social do país. O presidente apontou os avanços na área educacional com a criação de universidades e institutos federais que permitem a formação de qualidade para a população.


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Presidente Lula cumprimenta operários da refinaria da Petrobras, em Araucária (PR). foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula cumprimenta operários da refinaria da Petrobras, em Araucária (PR). foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula aproveitou a cerimônia de conclusão da primeira etapa das obras de ampliação e modernização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) e inauguração da Unidade de Propeno, no município de Araucária (PR), para comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado ontem (11/3) pelo IBGE e as repercussões do tema na mídia nacional. Segundo Lula, os números levaram os jornais a compará-los ao desempenho de outros governos.

“Ontem saiu o resultado PIB 2009. Alguns tinham a ponta de um sorriso. Finalmente nós pegamos o Lula porque o PIB dele não cresceu. Hoje, fazem comparação até com o marechal Deodoro da Fonseca. Eu queria dizer uma coisa para vocês: se tem um país em que o povo não vivenciou a crise foi esse aqui. O consumo por família cresceu 4,1%”, explicou o presidente.

Na avaliação do presidente Lula, o que prejudicou em parte esse crescimento econômico foi o fato de que “alguns setores industrias ficaram com medo e deram cavalo de pau em seus investimentos”. O setor automobilístico foi citado como exemplo pelo fato de ter recebido orientações das matrizes das montadoras no exterior para que promovessem enxugamentos nas fábricas no território brasileiro. Para o presidente, a população teve destaque ao compreender o chamamento
que fez em 22 de dezembro de 2008, quando pediu que mantivesse o nível de consumo.

Ainda no discurso, Lula destacou a atuação do governo para impedir que as obras em Araucária e em outras unidades da Petrobras fossem interrompidas como defendia os órgãos de fiscalização. Segundo o presidente, houve uma mobilização rápida junto aos parlamentares e aos governadores para assegurar a continuidade das obras e, desta forma, evitou-se a demissão de 27 mil trabalhadores.

O presidente também defendeu o direito de prossseguir nas viagens pelo Brasil, participando de cerimônias de inaugurações e vistorias de obras. Ele disse que outro dia, quando mencionou que havia político inaugurando até maquete de obras, não sabia que o governador de São Paulo, José Serra, tinha feitoo mesmo. Só depois percebeu o ocorrido. Mas, assegurou que tal fato é parte da cultura política brasileira.

Ainda no discurso, Lula destacou a importância dos investimemntos da Petrobras que tem alavancado a indústria naval brasileira. Ele enfatizou também que o país caminha para um momento especial com a camada do pré-sal, o que permitirá recursos para educação, meio ambiente, ciência e tecnologia e cultura. Ele pediu as autoridades de Araucária que mantivessem projetos de urbanização para evitar o surgimento de favelas e sugeriu que fosse apresentado projeto para a construção de moradias no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.

“Se não cuidarem do planejamento nascerão favelas. É importante cobinar o desenvolvimento econômico com os programas habitacionais. Cidades que estão tendo um grande pico de desenvolvimento podem ter problemas no futuro”, explicou.


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Presidente Lula com operários da UTE Euzébio Rocha, inaugurada nesta quarta-feira (10/3), em Cubatão (SP). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula com operários da UTE Euzébio Rocha, inaugurada nesta quarta-feira (10/3), em Cubatão (SP). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Num palanque montado no interior da Usina Termelétrica Euzébio Rocha (UTE), em Cubatão (SP), o presidente Lula conclamou aos investidores para que mantenham seus negócios no Brasil, pois o país terá energia suficiente para permitir o funcionamento do parque industrial brasileiro. A térmica inaugurada por Lula, segundo ele destacou, deveria estar funcionando há anos. Com investimentos da Petrobras, a unidade situada na Baixada Santista é prova que o país possui recursos energéticos para que as máquinas sigam no ritmo acelerado de produção. Conforme o presidente, tal fato reforça a tese de que o Brasil vive “um momento de quase estado de graça”.

O presidente frisou ainda que o marco regulatório do setor de petróleo e gás, inclusive com a exploração na camada do pré-sal, permitirá a obtenção de recursos suficientes para investimentos no desenvolvimento do país. E a produção extraída das águas profundas resultará em combustível com elevado valor agregado, permitindo como consequência, mais divisas aos cofres públicos.

“O Brasil está vivendo esse momento em que a Petrobras descobre o pre-sal. Só no Campo de Tupi teremos quantidade de reserva igual a que tínhamos antes. Porém, não queremos vender óleo cru. Queremos colocar valor agregado para que possamos ter mais dinheiro para investir na educação. Esse petróleo é para dar ao povo brasileiro aquilo que o Brasil deveria ter dado há muito tempo”, afirmou.

Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Lula.

Ouça a íntegra do discurso:


Lula explicou que as novas diretrizes do governo permitirão que as companhias que vierem a explorar os blocos de petróleo e gás tenham que repassar parcelas dos lucros aos cofres da União. Para administrar estes recursos, segundo sinalizou, o governo cria “uma empresa enxuta”. Numa outra linha de ação, conforme disse, o governo vem alavancando o setor da construção naval e assegurando produção suficiente de energia elétrica.

“Esse país não quer ser exportador de ferro, soja e suco de laranja. Estamos sinalizando para os investidores que podem vir fazer investimento no Brasil, pois vamos ter energia suficiente. Em 2001, tínhamos água sobrando no Sul e não tínhamos linha de transmissão. Agora, temos linha de tansmissão. Nunca mais a gente vai ter apagão. A não ser se houver as intempéries. Aí, com a zanga de Deus a gente baixa a cabeça e faz a coisa certa para não errar outra vez”, explicou.

No discurso, o presidente destacou também o fato de o país ter ficado, por mais de 20 anos, sem investimentos e os engenheiros que se formavam no Brasil buscavam trabalho no mercado financeiro. Lula lamentou que durante muito tempo as empresas não fixavam placas com ofertas de vagas para tais profissionais. Lula também questionou o fato de, nas últimas décadas, os governos e segmentos da sociedade defenderam e, em várias casos, conseguiram as privatizações de empresas estatais dos setores de telecomunicações, energia, siderurgia, portos e ferrovias. O presidente utilizou como exemplo a tentativa de se vender a Petrobras.

Lula lembrou também o período em que o país era subserviente ao FMI. Segundo ele, o cenário mudou. O país passou a ser credor do FMI e conta com reservas financeiras em dólar suficientes que permitiram atravessar a fase mais aguda da crise mundial de 2009. “Só chegamos ao dia de hoje porque em alguns momentos a gente teve coragem. Hoje não devemos nada ao FMI e eles nos devem US$ 14 bilhões e o Brasil tem reservas cambiais de US$ 241 bilhões. É por isso que vamos gerar mais dois milhões de empregos em 2010. E vamos fazer três refinarias. E a indústria automobilística faz mais carros e vende mais carro”, sinalizou.


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Presidente Lula, ladeado pela ministra Dilma Rousseff, o governador Jaques Wagner e os ministros Geddel Vieira Lima e Franklin Martins na inauguração do projeto Salitre, em Juazeiro (BA). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula, ladeado pela ministra Dilma Rousseff, o governador Jaques Wagner e os ministros Geddel Vieira Lima e Franklin Martins na inauguração do projeto Salitre, em Juazeiro (BA). Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil não é um país em que “um cara” governa 190 milhões de habitantes, mas um país de 190 milhões de caras governado por um presidente da República. Assim se manifestou o presidente Lula, nesta sexta-feira (5/3), em discursos por ocasião da inauguração das obras do projeto de irrigação Salitre, em Juazeiro (BA). Segundo o presidente, as mudanças que têm implantado no Brasil “incomodam muita gente” e, para comprovar isso, basta acompanhar os meios de comunicação. Por isso, segundo ele, o fato de ser nordestino, nascido em Caetés, interior pernambucano, e de ter passado pelas adversidades da vida, “não tenho medo de cara feia”. Mais uma vez Lula chamou a atenção para o que pode vir a ser o baixo nível da campanha eleitoral deste ano de 2010.

“O nosso país nunca foi tão respeitado como ele é hoje. E respeito agente não aprende só na universidade, mas dentro de casa, com o pai e a mãe da gente. O maior legado que recebi da minha mãe foi o de poder andar de cabeça erguida. Poder olhar nos olhos de cada um. Gosto de respeitar para ser respeitado. O que vai contar para a nossa história é tudo aquilo que a gente já fez”, disse.

Lula explicou que é necessário muito trabalho para poder recuperar aquilo que classificou de “500 anos de desmando” e, em seguida emendou que vem transformando o país porque nunca faltou com o respeito aos companheiros. Ele enfatizou que ao deixar a Presidência da República em 31 de dezembro de 2010 e retornar um dia a Juazeiro, espera ser tratado pelos habitantes da cidade baiana de “companheiro Lula”. Ainda numa alusão aos políticos que se sentem incomodados com sua administração, Lula foi enfático: “Se um Lulinha incomoda muita gente, uma Dilminha incomoda muito mais…”

Antes de iniciar o discurso, o presidente acionou o botão que ligou os equipamentos de irrigação do projeto Salitre. Segundo Lula, trata-se de um momento especial para Juazeiro, pois o projeto era uma antiga reivindicação dos agricultures daquele município. O presidente ainda brincou com o prefeito Issac de Carvalho que entregou uma lista de obras e alfinetou políticos locais que impediram a conclusão das obras de uma ponte entre Juazeiro e Petrolina (PE).

Ele informou também que até o final deste mês o governo federal fará a licitação para mais sete mil hectares de terra para a segunda etapa do projeto Salitre, além do abastecimento de água para dezenas de comunidades da região. Neste momento, o presidente chamou a atenção dos jornalistas para os números da irrigação de terras. Entre 2003 e 2009, foram destinados R$ 2,683 bilhões, e para este ano, mais R$ 730 milhões vão ser investidos em irrigação no Brasil.

Para os pequenos agricultores do Salitre, Lula afirmou que eles terão liberdade do plantio daquele produto que achar mais rentável e pediu que os bancos públicos, como por exemplo, o BNB, “tratem os agricultores com mais carinho”, pois eles são aqueles que mais necessitam de crédito se comparados com os produtores rurais de grande porte.

Lula lembrou também a luta do bispo Dom José Rodrigues de Souza, conhecido como o bispo dos excluídos, e atualmente aposentado. “Todos sabem o desejo que tinha do projeto Salitre. Ele organizou 72 mil pessoas desalojadas. Diria que foi quase um herói”, explicou. No discurso, o presidente ainda recordou da reunião com os representnates do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), quando assumiu o compromisso de equacionar os problemas em função da retirada de famílias em regiões do país que foram utilizadas para formação de lagos de usinas hidrelétricas.

Ouça aqui a íntegra do discurso.


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O presidente Lula foi veemente ao negar que vai se licenciar do cargo para participar da campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, à sua sucessão. “Não há hipótese de acontecer”, disse, em entrevista às emissoras rádio Rural AM e Juazeiro AM, nesta sexta-feira (5/3). Lula está em Juazeiro para inauguração das obras do projeto de irrigação Salitre, na zona rural da cidade baiana. Nessa etapa, serão destinados 255 pequenos lotes para agricultores familiares e 68 lotes para médias empresas. O projeto conta com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na ordem de R$ 251,5 milhões, entre 2007 e 2010. O valor do investimento total no projeto é de R$ 900 milhões.

A informação de que pretendia se licenciar, entre os meses de agosto e setembro, e que o presidente do Senado, José Sarney, assumiria temporariamente seu cargo foi publicada pelo jornal O Globo, na edição de ontem (4/3).

“Ficarei na Presidência da República até o dia 31 de dezembro. À meia-noite, ainda dormirei presidente do Brasil”, afirma Lula na entrevista.

Ouça aqui a íntegra da entrevista.

Ao analisar a possibilidade, Lula disse que “seria uma coisa vista de forma irresponsável com o mandato”. E prosseguiu: “Até porque, achar que eu me afastando posso ajudar mais um candidato, seria também diminuir o mandato. Se fosse assim, quem tem o mandato teria mais força política do que eu”.

“A ministra Dilma, quando chegar no mês de abril, vai se afastar para concorrer às eleições, cumprindo a legislação eleitoral. E eu ficarei na Presidência da República até o dia 31 de dezembro, à meia-noite, ainda dormirei presidente, e então eu passarei o mandato para quem for eleito presidente da República”.

Lula disse ainda que “neste país a democracia reina em todos os quadrantes e, dentre um dos pilares da democracia, a liberdade de imprensa tem sido praticada como em nenhum outro lugar do mundo, a ponto de alguém contar uma mentira, numa manchete de um jornal importante”.


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Agenda presidencial

O presidente Lula cumpre agenda de trabalho, nesta terça-feira (2/3), no Estado de São Paulo. Agora pela manhã, em Sorocaba, Lula visita a fábrica da Fiat e participa da cerimônia de inauguração da unidade industrial da Case New Holand (CNH) da montadora italiana. No início da tarde, o presidente embarca com destino a São Paulo. Lá, ele será recebido em almoço oferecido pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em seguida, o presidente comparece à cerimônia de encerramento do Encontro de Administradores do Banco do Brasil no Estado de São Paulo, no Transamérica Expocenter, em Santo Amaro. Às 18h10, Lula participa de reunião sobre o acordo recém-assinado entre o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF) e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) sobre terreno para projeto social na Vila Carioca (SP). O embarque para Brasília está previsto para as 20h.


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O presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira (19/2), que em seu governo não há discriminação partidária quando uma reivindicação é apresentada, seja o prefeito ou governador da base aliada ou não. A explicação do presidente foi dada a jornalistas em entrevista coletiva concedida logo após seu discurso na fábrica de papel e celulose Fibria/Votorantim, em Três Lagoas (MS).

“Você acha estranho que o Presidente da República esteja andando com um prefeito de um partido e um governador de outro? O Presidente da República, no exercício de suas funções, não tem partido. Não tem amigos ou inimigos. Trata da relação institucional com todo mundo. Da forma mais republicana possível. Acabou o tempo da mesquinharia política em que um governador, por ser de um partido político, ia numa cidade e não se encontrava com o prefeito por ser de outro partido político. Um Presidente da República ia num estado e não ia visitar o governador ou não conversava com o prefeito por serem de outros partidos políticos. Esse comportamento levou o Brasil a um atraso quase secular. Não é essa a minha postura. Quando os entes federados trabalham juntos, o resultado é extremamente positivo para o povo. Quando a gente permite a mesquinhez política, o prejudicado é o povo.

Ouça a íntegra da entrevista:

Lula comentou também a aliança política que vem montando com o PMDB. Segundo ele, trata-se de um entendimento político definitivo a nível nacional. Porém, ele reconheceu algumas dificuldades regionais e explicou que, se as questões não forem equacionadas, não subirá em mais de um palanque naquele estado onde existirem divergências partidárias. O presidente acredita que há tempo suficiente para que as direções regionais e nacionais possam resolver as pendências existentes.

O presidente afirmou que a Telebrás -- holding que comandou as companhias estatais de telefonia fixa e móvel no Brasil -- será recuperada. A empresa esteve em processo de liquidação após a privatização das companhias telefônicas em 1998, mas segundo Lula será fortalecida no processo do Plano Nacional de Banda Larga.

O presidente voltou a explicar que não emitirá opinião sobre a questão política do Distrito Federal. Segundo ele, como o assunto vem sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) “o Presidente da República não pode dar palpite”. Ele enfatizou que não comenta nada sobre hipóteses.

Sobre a construção de uma unidade de fertilizantes da Petrobras naquele município, Lula explicou que não tinha condições de comentar o assunto, pois deveria ser motivo de análise da estatal e, por tanto, uma manifestação iria causar reflexo inclusive no mercado acionário internacional. Lula voltou a afirmar que continuará percorrendo o País inaugurando obras até o último minuto do último dia do seu governo. “Se, em algum momento da história, o Presidente da República não viajava porque não tinha obra para inaugurar, era problema dele. Eu vou continuar andando”, disse.


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