Presidenta Dilma Rousseff durante sua chegada a Ancara na Turquia. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff desembarcou esta noite (6/10) em Ancara, para visita oficial à Turquia entre os dias 6 e 8 de outubro. No país, ela se encontrará com o presidente Abdullah Gül e com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, e participará de Seminário Empresarial Brasil–Turquia.
Em maio de 2010, Brasil e Turquia adotaram o Plano de Ação para Parceria Estratégica, que envolve iniciativas nas áreas de energia, defesa, cooperação agrícola, ciência e tecnologia e promoção cultural. Segundo o Itamaraty, o diálogo político entre os dois países tem se intensificado nos últimos anos, convergindo em entendimento bilateral na defesa do multilateralismo, soluções diplomáticas para tensões internacionais, melhor representatividade nas instituições de governança global e respeito à diversidade.
O intercâmbio comercial Brasil e Turquia triplicou desde 2005, atingindo US$ 1,7 bilhão no final de 2010. Em agosto de 2011, a corrente de comércio já ultrapassou o montante de US$ 1,6 bilhão. Encontra-se em negociação a criação de uma área de livre-comércio entre o Mercosul e a Turquia, cujo Acordo-Quadro foi firmado em 2008.
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Reunião ampliada Brasil e Kuaite realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A busca da paz no Oriente Médio e as oportunidades de investimentos entre empresas do Brasil e do Kuaite marcaram a reunião, nesta quinta-feira (22/7), entre o presidente Lula e o primeiro-ministro kuaitiano, Xeque Nasser al Sabah, em Brasília. Na reunião ampliada, que contou também com a participação de ministros dos dois países, o presidente Lula enfatizou que “o Brasil não vai desistir, junto com a Turquia, de construir a paz” naquela região do planeta.
Eu continuo convencido de que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) erraram e um dia vão reconhecer isso publicamente.
Depois, em discurso por ocasião de almoço oferecido ao primeiro-ministro do Kuaite, o presidente brasileiro voltou a enfatizar o tema. Segundo ele, o Brasil tem muito a colaborar na pacificação dos povos. Lula aposta no diálogo como instrumento para construir a paz.
Devo dizer que os interesses brasileiros no Oriente Médio vão muito além dos aspectos comerciais. Encontram-se legitimamente fundamentados em nosso desejo de paz e estabilidade regional. Para a consecução desse fim, o Brasil tem a oferecer sua capacidade de contribuição construtiva. O bom diálogo que mantemos com ambos os lados do conflito e a numerosa comunidade de descendentes árabes no Brasil são importantes ativos de que dispomos para ajudar nas negociações.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Lula deu ênfase também aos laços comerciais entre Brasil e Kuaite. Segundo ele, o comércio bilateral deu um salto significativo passando de US$ 87 milhões, em 2002, para US$ 650 milhões em 2008. O presidente destacou ainda o empenho do governo brasileiro na promoção da Cúpula América do Sul e Países Árabes (ASPA), onde o comércio no âmbito destes dois blocos econômicos já alcança os US$ 20 bilhões. Por isso, Lula informou que em outubro uma missão de empresários brasileiros, sob liderança do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, visitará o Kuiaite como forma de
ampliar os negócios entre os dois países.
O presidente abriu caminho para que empresas kuaitianas invistam no Brasil, sobretudo, nos empreedimentos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na Copa do Mundo 2014, nos Jogos Olímpicos em 2016 e na exploração do petróleo no pré-sal.
As companhias brasileiras terão interesse em explorar com empresas kuaitianas as oportunidades criadas pelo programa “Kuwait Vision 2035”. Queremos que saiba, por outro lado, que os investimentos kuaitianos encontrarão segurança jurídica e estímulo adequado no meu país. O Brasil é e continuará sendo um grande canteiro de obras nos próximos anos. O Programa de Aceleração do Crescimento, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 oferecem novas oportunidades de investimento e parcerias que devem ser aproveitadas em benefício mútuo.
As novas sanções contra o Irã, aprovadas nesta quarta-feira (9/6) pelo Conselho de Segurança da ONU, são uma vitória de Pirro (aquela que é obtida a um custo muito alto) ”de quem não queria negociar e acha que a força resolve tudo”, afirmou o presidente Lula em entrevista coletiva concedida hoje em Natal (RN). O presidente classificou a aprovação das sanções de “birra” e disse ainda que elas serão praticamente inócuas, não tendo implicação alguma para o Irã. Lula reafirmou sua preferência pelo diálogo, lembrando que em política, a melhor forma de resolver um conflito é gastar o máximo de tempo possível conversando.
Acho que foi um equívoco a tomada de decisão, acho que às vezes me dá a impressão daquele pai duro, que às vezes é obrigado a querer dar uma palmada no filho mesmo que o filho não mereça, para dizer que é o pai. Eu acho que o Conselho de Segurança jogou fora uma oportunidade histórica de negociar tranquilamente o programa nuclear iraniano e ao mesmo tempo discutir com mais profundidade a desativação dos países que tem armamento nuclear.
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
Lula negou que a aprovação de novas sanções ao Irã trará algum prejuízo ao Brasil, que fez o que tinha que fazer: dar uma chance à negociação. “Mas eles (países do Conselho de Segurança) provaram que não queriam negociar”, lamentou o presidente brasileiro, que aponta o episódio como emblemático da necessidade de se reformar o Conselho de Segurança da ONU:
Nós estamos reformá-lo há mais de 17 anos, porque ele não representa mais a atualidade política do mundo, ele representa uma correlação de forças existente em 1948, quando foi criada a ONU, e que portanto a geografia política e econômica do mundo mudou e nós queremos que a ONU tenha mais representatividade, que tenha gente da América Latina, que tenha gente da África, a Índia, que tenha outros países, e os senhores que são donos do Conselho não querem abrir mão porque não querem levar ninguém para sentar numa mesa e democratizar de verdade o Conselho de Segurança da ONU.
Foto oficial dos participantes do III Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Na cerimônia de abertura do III Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, que teve o pronunciamento oficial do presidente Lula, contou também com discursos do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, do ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, Miguel Angel Moratinos Cuyaube, do alto representante para Aliança de Civilização, Jorge Sampaio, e da Xeica Mozah do Catar. O fórum aconteceu no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio.
O Blog do Planalto editou trechos dos discursos destas autoridades e as reproduz como forma de mostrar os mais diversos temas enfocados pelos palestrantes. O secretário-geral da ONU, entre outras questões, diz que os jovens são uma solução global e narrou a visita que fez à favela Babilônia, no Rio. Erdogan enfatizou que “a história da humanidade não é apenas para um grupo de pessoas” e alfinetou os críticos do atual momento político, quando fechou parceria com o presidente Lula como forma de equacionar a questão de energia nuclear do Irã.
O ministro espanhol Miguel Cuyaube tratou da crise econômica mundial e defendeu uma governança global eficaz. O português Jorge Sampaio destacou a importância dos Estados Unidos entrarem na Aliança das Civilizações e enfatizou que “a Aliança não dispõe de divisões”. A Xeica Mozah do Catar, anfitriã da próxima ediça do Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, deu foco ao conflito no Oriente Médio que envolve Israel e a Autoridade Palestina.
Trecho do discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.
Parte do pronunciamento do primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan.
O ministro espanhol Miguel Cuyaube também discursou.
Jorge Sampaio diz que a Aliança de Civilizaes não tem divisões.
O conflito no Oriente Médio mereceu destaque da Xeica Mozah do Catar.
Durante discurso por ocasião da abertura do III Fórum da Aliança de Civilizações, nesta sexta-feira (28/5), no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio, o presidente Lula enfatizou que “a energia nuclear deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento, não uma ameaça”. Segundo ele, “são absurdas as teses sobre uma suposta fratura de civilização no mundo, que conduziria inexoravelmente a conflitos. Essas teorias são criminosas quando utilizadas como pretexto para ações bélicas ditas “preventivas””.
O Brasil aposta no entendimento, que faz calar as armas. Investe na esperança, que supera o medo. Faz da democracia política, econômica e social sua única arma. Minha experiência como líder sindical ensinou-me que posições inflexíveis só ajudam a confrontação e afastam a possibilidade de soluções de paz, que as maiorias aspiram. Com esses princípios viajei a Tel Aviv e Ramalá buscando paz. Com esse propósito o primeiro-ministro Erdogan [Turquia]e eu fomos a Teerã buscar, com o presidente Ahmadinejad, uma solução negociada para um conflito que ameaça muito mais do que a estabilidade de uma região importante do planeta.
Ouça aqui a íntegra do pronunciamento do presidente Lula:
Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Lula.
Lula iniciou o pronunciamento oficial do III Fórum da Aliança de Civilizações dando as boas vindas aos participantes do encontro mundial. Ele afirmou que “essa Aliança foi a resposta de um expressivo grupo de nações à ofensiva obscurantista daqueles que pretenderam dividir a humanidade a partir de um suposto “choque de civilizações”. Nossa adesão a esse projeto está em sintonia com os princípios universalistas que regem o Estado brasileiro e sua política externa. Mas também reflete o que foi a construção de nossa identidade nacional”.
Em seguida, explicou o fato de o Brasil acolher as mais diversas religiões e culturas, bem como o fato de o país ter em sua população cidadãos dos mais diversos povos, como por exemplo, “milhões de africanos que para aqui vieram forçados para o trabalho escravo”. Lula lembrou também que “abriga sucessivas levas de imigrantes europeus e asiáticos. Aqui convivem pacificamente milhões de árabes com centenas de milhares de judeus”.
O Brasil tem uma enorme dívida para com os povos de quase todo o mundo que ajudaram a construir nossa riqueza material mas, sobretudo, são responsáveis pela construção de nosso patrimônio cultural. Todos eles – sem exceção – fazem parte do que chamamos de civilização brasileira. Aprendemos com nossa própria história que a tolerância e a igualdade de oportunidades são fundamentais para um ambiente de concórdia e de paz. Ela nos ensinou que a exclusão, o pré-conceito e a pobreza alimentam cenários de tensão e de conflito. Fomentam situações de dominação e de injustiça que impedem povos e nações de construírem um futuro digno e pacífico.
Para o presidente brasileiro “não haverá encontro fraternal de civilizações enquanto não forem enfrentadas as raízes profundas dos conflitos. Enquanto houver fome e desemprego. Mas também enquanto persistir a intolerância étnica, religiosa, cultural e ideológica”. Segundo ele, “a promoção de uma cultura de paz deve ser um dos pilares centrais desse Fórum”. E dá a receita: “Para tanto, precisamos renovar mentalidades. Mas para renová-las é necessário oferecer oportunidades de crescimento econômico, com justiça social, aos milhões de homens e mulheres que vivem nas margens da humanidade -- humilhados e ofendidos -- sem esperança”.
Na sequência do pronunciamento, o presidente Lula disse que “a promoção da aliança de civilizações requer criatividade para forjar novos laços entre regiões e continentes. Reduzimos distâncias físicas, aproximando visões de mundo, integrando povos e culturas”. Ainda no discurso, informou que “na América Latina e Caribe estamos consolidando um projeto de integração regional que vai além da criação de um espaço econômico continental. Queremos que nossa diversidade seja um fator de multiplicação de nossa força, não o pretexto para dissolver nossos objetivos comuns. Foi a perspectiva de ampliação de um diálogo de civilizações que nos levou a realizar duas reuniões cúpula entre países da América do Sul com os países árabes e outras duas com os países africanos”.
Ele frisou também que “a crise financeira que se abateu sobre todos mostrou o quão necessário será contar com organizações multilaterais vigorosas, à altura de um mundo cada vez mais diverso, multipolar. Mas constatamos grande resistência à mudança. Incapazes de assumir seus próprios erros, alguns governantes buscam transferir o ônus da crise para os mais fracos. Adotam medidas protecionistas, que oneram bens e serviços exportados por países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que se mostram lenientes com os paraísos fiscais, responsabilizam imigrantes pela crise social”.
Lula defendeu uma imediata reação da comunidade internacional como forma de combater “as manifestações de xenofobia e de racismo é tarefa inadiável. O Brasil continua um país aberto e solidário para aqueles que vêm buscar aqui trabalho digno e vida melhor”. E acrescentou: “No momento em que a recessão ceifava milhares de empregos em nossa economia, não hesitamos em regularizar a situação de dezenas de milhares de migrantes.”
A última etapa do pronunciamento, o presidente Lula destacou a impotância dos jovens para o mundo. Segundo o presidente brasileiro, “os jovens constituem um dos grupos mais vulneráveis ãs influências do fanatismo e da intolerância”, mas, ao mesmo tempo, estes jovens, conforme assinalou, “são a melhor promessa para o futuro, sempre que orientados para o conhecimento do outro e para o respeito às diferenças”.
O presidente afirmou ser “imprescindível um forte investimento na educação”. Para Lula, “o conhecimento e a informação histórica e cultural sobre diferentes civilizações são essenciais para a promoção de um ambiente naturalmente tolerante. Por isso estamos implementando o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras”. E acrescentou: “Povos sem conhecimento de sua história e de sua cultura não têm como avaliar o presente e serão incapazes de fazer as melhores opções para a construção do seu próprio futuro.”
Esse III Fórum confirma que não nos deixamos vencer nem pela distância nem pelo ceticismo dos que duvidavam de nossa capacidade de trabalharmos juntos. Aqui prevalece a determinação de romper paradigmas para aperfeiçoar um diálogo pioneiro entre Estados e sociedades que desejam construir um mundo à imagem de suas melhores tradições de entendimento e de solidariedade. É essa a mensagem que nossa Cúpula lança. O Brasil ajudará a solidificar cada vez mais essa ponte de amizade e cooperação que estamos construindo entre nossos povos.
Em sua primeira edição organizada fora da Europa, o Fórum Aliança das Civilizações leva para o Rio de Janeiro a oportunidade de aproximar ainda mais os países da América do Sul, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, em ‘briefing’ concedido nesta quarta-feira (26/5) em Brasília. O 3º Fórum Aliança das Civilizações contará com a participação do presidente Lula e será palco de reuniões bilaterais com os primeiros-ministros José Luiz Zapatero, da Espanha, e José Sócrates, de Portugal.
Entre os assuntos a serem tratados com os dirigentes europeus está a crise econômica enfrentada pelos países europeus:
Além de explicar detalhes sobre o Fórum Aliança das Civilizações, Baumbach respondeu ainda questões sobre a reunião que o presidente Lula terá na quinta-feira (27/5) com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. O porta-voz afirmou que o Brasil continuará trabalhando para evitar que “as portas se fechem” para as negociações por um acordo em relação ao programa nuclear do Irã. Brasil e Turquia negociaram em Teerã os termos de um acordo para que o Irã possa apresentar garantias à comunidade internacional.
Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida por Marcelo Baumbach:
Baumbach informou que o presidente brasileiro encaminhou carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, e mensagens aos presidentes Nicolas Sarkozy (França), Dimitri Medvedev (Rússia) e Felipe Calderón (México), além de integrandes da Unasul. “O Brasil pretende continuar no esforço para fomentar o diálogo”, assegurou o porta-voz.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (24/5), após reunião de coordenação realizada em Brasília, que a conversa do presidente Lula com o presidente iraniano Ahmadinejad foi “uma vitória da diplomacia do diálogo, quando os chefes de estado se dispõem a conversar diretamente, para além dos mecanismos usuais”. Padilha citou ainda a libertação da professora francesa Clotilde Reiss no Irã ocorreu logo após a chegada do presidente brasileiro ao Irã, como nova demonstração importante do sucesso do diálogo.
Veja aqui entrevista que o ministro Celso Amorim concedeu ao Blog do Planalto explicando a negociação feita com o Irã.
“A ação articulada entre Brasil e Turquia era o que a comunidade internacional queria que acontecesse há muito tempo e não estava obtendo sucesso”, disse o ministro, frisando que o governo iraniano entregou hoje carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) detalhando o acordo firmado em Teerã juntamente com Turquia e Brasil. Os próximos passos, conforme o ministro, devem ocorrer no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.
A reunião de coordenação do governo realizada hoje tratou ainda da economia do País. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil está preparado para passar por qualquer crise econômica, porque tem menor vulnerabilidade externa e tem crédito em relação ao mundo. Agora é importante manter a política de responsabilidade fiscal, o controle das contas públicas e a estabilidade econômica para que o ritmo de crescimento do País não seja abalado. Mantega, além dos ministros do Planejamento (Paulo Bernardo) e Previdência Social (Carlos Eduardo Gabas), sugeriram o veto ao reajuste de 7,7% para aposentadorias superioes a um salário mínimo – aprovado pelo Congresso -, porque segundo eles as contas públicas não suportam um reajuste superior a 6,4%. O presidente ficou de analisar o assunto, afirmou Padilha, antes de tomar a decisão, que deve ser tomada o quanto antes, disse o ministro.
(Trecho em vídeo do programa Café com o Presidente, em que Lula comemora os números de abril do Caged, que revelam a criação de 305 mil novos empregos no período. Vídeo: Ricardo Stuckert/PR)
A negociação de um acordo de segurança nuclear com o Irã, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelam que o Brasil criou quase 1 milhão de empregos até 30 de abril deste ano, e o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas foram os temas abordados pelo presidente Lula em seu programa de rádio Café com o Presidente, veiculado nesta segunda-feira (24/5) pela rádio Nacional.
Lula frisou que o Brasil não foi negociar um acordo nuclear com o Irã, mas sim tentar convencer o país asiático a aceitar uma proposta feita pela Turquia e pelo Brasil para sentar à mesa de negociações. “E isso nós conseguimos”, afirmou o presidente, lembrando que o Irã entregará hoje à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) uma carta explicando os termos da negociação feita.
A ONU queria fazer sanções exatamente porque o Irã não queria sentar para negociar. Então, o Irã vai sentar para negociar. Aliás, é extremamente importante porque exatamente hoje será entregue, em Viena, para o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a carta que o presidente do Irã se comprometeu a entregar. Então, tudo aquilo que foi acordado conosco está começando a ser cumprido agora. Depois da carta, vem as conversas com a Agência, vem o depósito do urânio na Turquia, e depois, aí, o prazo para que o Irã receba, já, o urânio enriquecido. Então, se isso acontecer, é o cumprimento da primeira parte do nosso acordo, e isso está tudo escrito lá. Obviamente que esse plano é a abertura para começar as negociações. Então, eu penso que foi dado um passo importante. Acho que nós precisamos falar mais em paz do que em desavenças, mais em paz do que em guerras. O dia em que nós, dirigentes políticos, compreendermos que existe 1 milhão de razões para a gente falar de paz e não existe nenhuma razão para a gente falar de guerra, a gente vai construir a paz.
Ouça aqui a íntegra do programa:
O presidente Lula comemorou também os dados divulgados pelo Caged, que mostram que o Brasil criou 962 mil novos empregos no País até o dia 30 de abril. Foram 305 mil novos postos de trabalho somente em abril. O País deve fechar o ano de 2010 com 2 milhões de empregos criados, afirmou Lula.
Se o Brasil continuar assim, eu penso que nós daremos um salto de qualidade extraordinária para ser um dos países do mundo com o menor índice de desemprego. Todo mundo perdeu muito, muito posto de trabalho durante a crise, e nós, graças a Deus, aumentamos os postos de trabalho. Por isso eu estou feliz e vamos continuar trabalhando para a economia continuar crescendo, a inflação controlada, porque o Brasil não vai jogar fora as oportunidades do século XXI.
Outro assunto do programa Café com o Presidente desta segunda-feira foi a parceria firmada entre o governo federal e os governos estaduais e as prefeituras para o combate ao crack. Segundo Lula, a idéia é formar especialistas para aprender a lidar com o crack e encontrar soluções para o problema, com recursos da ordem de R$ 410 milhões. Mais do que simplesmente reprimir a venda e o consumo da droga, o plano tem como foco o tratamento dos usuários.
O plano vai envolver treinamento de profissionais na rede pública de saúde e assistência social para atender, sobretudo os usuários e a família. Por isso que é importante trabalhar toda a rede pública municipal, estadual e federal, todas as polícias, para que a gente possa reprimir, mas, ao mesmo tempo, você ter como objetivo principal o tratamento de usuários. Além disso, vamos trabalhar com a reinserção social e ocupacional. Então, é um compromisso novo do governo, que nós vamos trabalhar com muita força para que isso dê certo.
O presidente Lula cumpre o última dia da viagem à Espanha participando de seminário sobre investimentos espanhóis no Brasil. Promovido pelos jornais El País e Valor Econômico, o encontro é a oportunidade de uma avaliação dos recursos destinados por grupos locais no território brasileiro. Antes, Lula se encontrou com diretores e editores do grupo Prisa, que publica El País, para uma conversa durante café da manhã.
No fim da tarde, a delegação brasileira viaja para Lisboa, onde cumpre agenda até amanhã (20/5). A passagem por Madri foi muito bem avaliada pela equipe do presidente brasileiro. Ontem (18/5), Lula teve encontros bilaterais com os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Grécia, Carolos Papoulias, e com o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, um dos responsáveis pelo acordo de produção de energia nuclear com o Irã.
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No voo de volta ao Brasil, conversamos com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre o acordo firmado na segunda-feira (17/5) entre Irã, Brasil e Turquia para o enriquecimento do urânio iraniano com fins pacíficos. O ministro está convicto de que o acordo dá as condições necessárias para se evitar novas sanções ao Irã e comemorou a vitória da diplomacia sobre a pressão. “Capacidade de persuasão do Brasil e da Turquia foi mais eficiente do que a linguagem da pressão”, disse Amorim.
Para o chanceler brasileiro, os parágrafos do acordo que dizem respeito à troca do urânio iraniano -- depósito de 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido na Turquia e recebimento, até um ano depois, de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% -- são os mais importantes, por ser “um instrumento fundamental para a criação de confiança e abrir o diálogo”.
Celso Amorim frisou ainda que o acordo prevê a continuação das negociações e faz questão de destacar que é a primeira vez que o Irã aceita depositar seu urânio num terceiro país (no caso, a Turquia) e assumir por escrito seus compromissos com a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA).
Eu acho que não há fundamento algum para novas sanções à luz do acordo. Não sou dono da cabeça de ninguém, mas eu acho que estão dadas as condições para a solução do caso do programa nuclear iraniano.
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