A briga pela nova fábrica de fertilizantes da Petrobras no jornal O Estado, o presidente afirmou que a cidade de Três Lagoas (MS) parece ser o local mais adequado para a implantação da nova fábrica, por critérios técnicos e logísticos. A obra vem sendo disputada por vários outros estados brasileiros.
Lula afirmou ainda na entrevista que, ao contrário do governo passado, que pouco investiu no Mato Grosso do Sul, a sua administração está atenta às necessidades locais, promovendo investimentos para recuperar o tempo perdido. Só em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são R$ 8 bilhões em obras de infraestrutura até o final de 2010 – como a construção do Anel Rodoviário de Campo Grande, o Contorno de Cuiabá, a Travessia de Dourados e a dragagem e sinalizaçao da hidrovia Paraná-Paraguai.
No setor energético, os recursos são de R$ 4,4 bilhões, em vários empreendimentos para a geração de energia elétrica – entre outras, usinas hidrelétricas, termelétricas a biomassa, termelétricas a gás natural, além de linhas de transmissão.
O presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira (19/2), que em seu governo não há discriminação partidária quando uma reivindicação é apresentada, seja o prefeito ou governador da base aliada ou não. A explicação do presidente foi dada a jornalistas em entrevista coletiva concedida logo após seu discurso na fábrica de papel e celulose Fibria/Votorantim, em Três Lagoas (MS).
“Você acha estranho que o Presidente da República esteja andando com um prefeito de um partido e um governador de outro? O Presidente da República, no exercício de suas funções, não tem partido. Não tem amigos ou inimigos. Trata da relação institucional com todo mundo. Da forma mais republicana possível. Acabou o tempo da mesquinharia política em que um governador, por ser de um partido político, ia numa cidade e não se encontrava com o prefeito por ser de outro partido político. Um Presidente da República ia num estado e não ia visitar o governador ou não conversava com o prefeito por serem de outros partidos políticos. Esse comportamento levou o Brasil a um atraso quase secular. Não é essa a minha postura. Quando os entes federados trabalham juntos, o resultado é extremamente positivo para o povo. Quando a gente permite a mesquinhez política, o prejudicado é o povo.
Ouça a íntegra da entrevista:
Lula comentou também a aliança política que vem montando com o PMDB. Segundo ele, trata-se de um entendimento político definitivo a nível nacional. Porém, ele reconheceu algumas dificuldades regionais e explicou que, se as questões não forem equacionadas, não subirá em mais de um palanque naquele estado onde existirem divergências partidárias. O presidente acredita que há tempo suficiente para que as direções regionais e nacionais possam resolver as pendências existentes.
O presidente afirmou que a Telebrás -- holding que comandou as companhias estatais de telefonia fixa e móvel no Brasil -- será recuperada. A empresa esteve em processo de liquidação após a privatização das companhias telefônicas em 1998, mas segundo Lula será fortalecida no processo do Plano Nacional de Banda Larga.
O presidente voltou a explicar que não emitirá opinião sobre a questão política do Distrito Federal. Segundo ele, como o assunto vem sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) “o Presidente da República não pode dar palpite”. Ele enfatizou que não comenta nada sobre hipóteses.
Sobre a construção de uma unidade de fertilizantes da Petrobras naquele município, Lula explicou que não tinha condições de comentar o assunto, pois deveria ser motivo de análise da estatal e, por tanto, uma manifestação iria causar reflexo inclusive no mercado acionário internacional. Lula voltou a afirmar que continuará percorrendo o País inaugurando obras até o último minuto do último dia do seu governo. “Se, em algum momento da história, o Presidente da República não viajava porque não tinha obra para inaugurar, era problema dele. Eu vou continuar andando”, disse.
Em visita nesta sexta-feira (19/2) ao complexo industrial de papel e celulose recém inaugurado em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul -- que gerou cerca de 1.200 empregos diretos -, o presidente Lula comemorou os dados de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registrou número recorde de geração de empregos -- 181.419 novas vagas formais -- ver mais detalhes aqui.
Lula lembrou em seu discurso que o mês de janeiro é atípico na geração de empregos e que pelo bom resultado apresentado na quinta-feira (18/2) pelo Caged, está convicto de que o Brasil vai ter recorde histórico de emprego em 2010.
Para ouvir o áudio da íntegra do discurso, clique aqui:
“Eu tenho muita sorte sim, mas trabalho muito para as coisas acontecerem”, afirmou Lula, respondendo aos que consideram que as conquistas de seu governo são fruto apenas de sorte. O presidente disse que a construção da nação depende de uma série de fatores, que permitirão ao País sair do atraso a que foi submetido há décadas.
Lula afirmou estar orgulhoso de ver uma grande fábrica como essa de papel e celulose em operação no Mato Grosso do Sul porque ela permitirá o desenvolvimento do estado e garantir a formação profissional dos trabalhadores.
O presidente Lula cumpre agenda de trabalho, na manhã desta sexta-feira (19/2), em Três Lagoas (MS). Lula visita as instalações da fábrica de celulose branqueada de eucalipto da Fibria/Votorantim. Em seguida, ele visita a fábrica de papel da International Paper do Brasil.
Às 14h, o presidente retorna a Brasília e, no gabinete provisório do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), recebe em audiência do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e, às 18h, o vereador de Goiânia e jogador do Botafogo (DF) Túlio Humberto Pereira Costa, o Túlio Maravilha.
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