Presidente Lula (de macacão laranja) acompanha o trabalho de solda que deu início às obras do alcoolduto São Sebastião/Paulínia/Ribeirão Preto/Uberaba no terminal terrestre da Transpetro. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula criticou nesta terça-feira (23/11), em Ribeirão Preto (SP), a sobretaxa que alguns países criam para o etanol brasileiro e o recuo destes nos seus respectivos programas de mistura do etanol no combustível. Segundo Lula, os países desenvolvidos demonstram incoerência entre discurso e ações. “Não é possível falar em livre comércio e criar sobretaxa para o etanol brasileiro quando não se cria sobretaxa para outros produtos”, afirmou o presidente, que participou da cerimônia de início das obras do alcoolduto São Sebastião/Paulínia/Ribeirão Preto/Uberaba no terminal terrestre da Transpetro e, em seguida, conferiu os resultados das ações governamentais para o setor sucroenergético (período 2003-2010), em solenidade realizada no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.
A disputa no setor, afirmou o presidente, está ficando mais concreta e o Brasil precisa se preparar para competir nesse cenário mais agressivo. Daí a importância dos investimentos da Petrobras no setor.
Em entrevista concedida aos jornalistas após os eventos em Ribeirão Preto (SP), Lula afirmou que é preciso tornar o etanol brasileiro cada vez mais competitivo e, para isso, é fundamental que seu preço não fique acima de 70% do preço da gasolina:
Quando o preço do etanol ultrapassa 70% do preço da gasolina, fica mais econômico usar a gasolina, e todo mundo sabe disso. Então, é importante que a gente crie condições do etanol ficar competitivo, porque é combustível limpo, gerador de empregos e o Brasil precisa mostrar ao mundo que é imbatível na produção desse combustível renovável.
Também falou sobre o conflito armado entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, ocorrido nesta terça-feira, afirmando que condena qualquer tentativa de ataque por parte dos norte-coreanos, mas frisou que havia desencontro de informações, porque a Coreia do Norte alegava ter sido atacada primeiro. Por isso, disse que precisava se informar melhor sobre o caso.
Olhe, por enquanto, por enquanto, a minha palavra é de condenação a qualquer tentativa de ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul. A Coreia do Norte está dizendo que foi atacada primeiro, provocada primeiro. Eu estou há quatro horas sem informações, porque estava ali ouvindo discursos, vocês ouviram bem quantos discursos eu ouvi hoje, mas eu vou me informar agora com o Itamaraty. Mas, de qualquer forma, a posição do Brasil é ser contra qualquer ataque a um outro país. Nós temos que respeitar a soberania de cada país e não permitiremos, em hipótese alguma, que haja qualquer tentativa de transgredir a soberania de outro país.
O presidente creditou o bom momento que o País vive à ação conjunta de governo, empresários e trabalhadores nos diversos setores da economia, que vem beneficiando a sociedade como um todo.
O Brasil entra naquele momento de conquistar o século 21 para ser o século do Brasil. Eu dizia no começo do meu mandato: o século 19 foi da Europa, o século 20 foi dos Estados Unidos – e uma parte da China -, e o século 21 pode ser da China, pode ser da Índia, mas será também do Brasil.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente em Ribeirão Preto:
Para ouvir a íntegra da entrevista concedida após os eventos, clique aqui:
Na entrevista aos jornalistas, Lula falou também sobre a formação da equipe ministerial da presidente eleita Dilma Roussef, reafirmando que não está defendendo o nome de ninguém para o novo governo:
“Eu defendo o seguinte: quem está comigo tem garantia de ficar até o dia 31 de dezembro de 2010. A partir daí, a bola está com a nossa presidente Dilma. Ela indica quem ela quiser, pro cargo que ela bem entender. Então, não cabe a um ex-presidente ficar defendendo quem vai ficar no governo. Ela conhece todo mundo, ela conhece porque ela está junto comigo há oito anos, ela conhece todo mundo.
Ela vai escolher livremente quem ela quiser, vocês sabem da minha tese: a minha tese é que a Dilma tem que montar o governo que seja a cara e a semelhança dela. Porque você só pode indicar para ministro ou para um cargo de uma empresa pública, quem você pode tirar. Se você indicar alguém porque é amigo do ex-presidente e depois você fica preocupado em mexer porque foi o ex-presidente quem indicou, vai criar dificuldade para quem governa. Então, da minha parte, a companheira Dilma sabia disso antes da campanha, sabe agora, de que ela está livre para montar o governo e eu apoiarei qualquer que seja a decisão dela.
O presidente afirmou ainda que ao deixar a presidência pretende ‘desencarnar’ do cargo para ser ‘um cidadão brasileiro’. “Não tem nada pior do que um jogador de bola parar de jogar e pensar que ainda está jogando”, disse Lula, afirmando que vai surpreender muita gente porque pretende andar muito pelo País.
O meu papel vai ser de um cidadão comum, mas eu quero desencarnar do cargo, quero fazer uma limpeza do cargo para voltar a agir dentro da mais primorosa normalidade de um ser humano. Apenas isso. Aí depois que eu desencarnar da presidência é que eu vou pensar no que vou fazer. Também não quero ficar tomando medidas precipitadas e me arrepender… não, vamos parar. Ficar em casa tranquilo e depois pensar no que fazer.
Presidente Lula e cantora Miúcha tendo ao fundo o petroleiro Sergio Buarque de Holanda. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Rio de Janeiro vai continuar tendo destaque na distribuição de investimentos públicos e a receber “tudo aquilo que tem direito” no governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. A afirmação foi feita pelo presidente Lula, nesta sexta-feira (10/11), na cerimônia de batismo e lançamento ao mar do navio “Sérgio Buarque de Holanda”, num estaleiro no município de Niterói, na região metropolitana do Rio. Uma das questões ainda em discussão, que tem recebido destaque na imprensa brasileira, é a partilha de royalties do petróleo na chamada camada do Pré-sal.
“Embora o presidente tenha que cuidar de todos os estados brasileiros, nós temos que lembrar que o Rio de Janeiro perdeu muito quando a capital saiu daqui. E eu acho que nós temos no Rio de Janeiro o melhor cartão postal desse país e tudo o que a gente puder fazer pelo Rio de Janeiro… Sérgio [Cabral], você pode ter certeza de que a companheira Dilma vai tratar você melhor do que eu tratei e o Rio de Janeiro vai continuar recebendo tudo aquilo que ele tem direito”, declarou.
Em entrevista após a cerimônia, o presidente Lula foi abordado sobre a participação do estado do Rio na distribuição dos royalties de petróleo. Ele reafirmou que o estado não será prejudicado no que depender do governo federal e que a presidente eleita, Dilma Rousseff, compartilha da mesma opinião, uma vez que ela, enquanto ministra-chefe da Casa Civil, participou de toda a fase de negociações deste assunto.
“O Rio de Janeiro sabe, o Sérgio Cabral sabe e o Brasil precisa saber o seguinte: eu construí uma proposta do acordo em que participou o governo, o governo do estado, deputados e líderes. O que aconteceu depois é que, quando chegou na Câmara [dos Deputados], resolveram transformar aquilo em uma bobagem eleitoral, achando que ia ganhar voto. Nós temos de fazer com seriedade um acordo em que a gente não tire do Rio o que ele tem direito e que a gente partilhe com os outros estados aquilo que será a riqueza do pré-sal”.
Lula disse ainda que não acredita que o Congresso Nacional tenha tempo hábil para votar o tema ainda este ano, uma vez que o Legislativo federal só funcionará até o próximo dia 17 de dezembro.
Ouça abaixo a íntegra do discurso do presidente Lula no estaleiro Mauá.
Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Lula.
Em seu discurso, o presidente lembrou que recuperação do setor naval brasileiro representou importante força na criação de novos empregos e no crescimento da economia brasileira e que a modernização da indústria naval permitiu – o que em sua opinião é de extrema relevância para o País – a entrada de mulheres em um mercado, até então, com mão de obra exclusivamente masculina, como a de soldadoras, por exemplo.
Lula ressaltou ainda o fato de o Brasil ter criado, em dez meses, cerca de 2,5 milhões de empregos em uma época em que os Estados Unidos e importantes países da Europa enfrentam grave crise de desemprego. Em sua opinião, isso é resultado de uma mudança na postura do governo, “que deixou de ser intelectualmente e politicamente subordinado a outros interesses”.
“Não tem nada que dê mais orgulho a um homem ou a uma mulher do que saber que tem a garantia do emprego. O Brasil só será uma grande nação não apenas quando o povo acreditar no Brasil, mas quando os governantes acreditarem no seu país”, disse.
O navio “Sérgio Buarque de Holanda” – homenagem ao historiador, jornalista e crítico literário, autor do clássico “Raízes do Brasil” – destina-se ao transporte de produtos derivados claros de petróleo, com capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto e 183 metros de comprimento, equivalente a dois campos de futebol. Na cerimônia, a embarcação teve como madrinha Maria da Penha Maia Fernandes – biofarmacêutica brasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Com 60 anos e três filhas, hoje ela é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica. Ela acionou um botão que lançou ao casco uma garrafa de champagne.
Esse é o terceiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro, que já gerou mais de 15 mil empregos diretos, com previsão de chegar a 40 mil. Em suas duas primeiras fases, o Promef prevê a construção de 49 navios no Brasil, dos quais 46 já foram contratados, com investimento de US$ 4,8 bilhões.
O presidente Lula destacou o sentimento de orgulho de todos os brasileiros e a “emoção” dele, em especial, pelo lançamento, em Pernambuco, na última sexta-feira (7), do primeiro navio petroleiro do Brasil em 13 anos. A declaração foi feita hoje (10/5) em seu programa de rádio Café com o Presidente.
Ele lembrou que, na década de 70, o País era o segundo maior produtor de navios do mundo, atrás apenas do Japão, e tinha 50 mil trabalhadores na indústria naval. Mas, “de repente”, disse Lula, o setor foi “desmontado”, e no ano 2000 havia somente 1,9 mil trabalhadores no setor.
Ouça a íntegra do programa:
A reativação da indústrial naval, por meio de iniciativas como o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), de 2004, fez com que, hoje, 45 mil pessoas trabalhem no setor. Para o presidente, “é muito importante” que a construção do navio tenha sido feita inteiramente em solo brasileiro, porque significa não apenas geração de emprego e renda, mas também consumo de matéria-prima local (aço) e estímulo à atividade econômica em geral.
“Eu fiquei muito orgulhoso porque os trabalhadores que trabalharam em Pernambuco foram trabalhadores que trabalhavam cortando cana, pessoas que não tinham nenhuma profissão, pessoas que eram considerados brasileiros de terceira categoria. Depois do estaleiro, nós formamos essa gente, profissionalizamos essa gente, e eles viraram cidadãos, ou seja, passaram a ter uma profissão, passaram a ter um salário, e quando eles viram que eles colocaram no mar aquele navio daquele tamanho, eu acho que todos eles vão passar muito tempo sem dormir, imaginando do que eles são capazes. Precisou apenas dar uma oportunidade para que eles pudessem dar uma demonstração de que quando um ser humano tem vontade, não existe limite para a competência e para a capacidade humana”.
Hoje, além do estaleiro em Pernambuco, há também no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, aonde o presidente pretende ir breve inaugurar um dique seco. E mais dois estão em construção: na Bahia e no Ceará. “Nós estamos construindo uma poderosa estrutura para termos uma poderosa indústria naval neste país. Nós queremos ser exportadores de sondas, de plataformas e de navios”, disse Lula.
O presidente fez questão de destacar a homenagem a João Cândido, cujo nome batizou o navio. Marinheiro, João Cândido foi perseguido e mandado embora da Marinha, por ter se rebelado contra a prática de punições com chibatadas. Morreu na miséria. “Nós colocamos o nome do João Cândido em homenagem a um homem que merece ser lembrado.”
Durante a cerimônia de lançamento no Porto de Suape (PE) do primeiro navio petroleiro do Brasil em 13 anos, o ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira, explicou a homenagem feita ao marinheiro João Cândido, que dá nome à embarcação. Tendo ao lado o filho do marinheiro que liderou a Revolta da Chibata em 1910, contra os maus tratos impostos aos marinheiros brasileiros, Eloi Ferreira agradeceu ao presidente Lula por ter aceito o desafio de batizar o navio com o nome de João Cândido, uma sugestão do movimento negro brasileiro. “É uma figura que tem uma importância histórica para todos os trabalhadores brasileiros”, afirmou o ministro.
Conheça um pouco mais da história de João Cândido e da Revolta da Chibata neste clipe especial, que traz a música Mestre Sala dos Mares, de João Bosco. A letra que aparece no vídeo é a versão oficial da música, que foi modificada por exigência da censura à época de seu lançamento.
Confira também Os Reclamantes, uma cançoneta de Eduardo das Neves composta em 1910, que conta toda a história da Revolta da Chibata: o pânico nas ruas, a correria, o medo da ameaça de bombardeio do Rio de Janeiro pelos revoltosos. Ainda assim a música revela a simpatia do povo carioca pelos “reclamantes”, apresentados como os “chefes da Armada”.
Letra de Os Reclamantes:
Neste Rio de Janeiro
Fêz-se grande confusão
Soldado marinheiro
Fez uma revolução.
Eram os chefes reclamantes
Da maruja amotinada
Por eles o grito incessante
Era a Marinha revoltada
Houve grande correria
Todo o povo no receio
Por toda parte dizia
Vai haver um bombardeio
Durante aqueles três dias
De …………. e amargor
Viu-se tudo em correria
Só dominava o terror
O comércio fecha a porta
Quando vê o caso sério
Ficando a cidade morta
Parecia um cemitério
E soldado e armamento
Nosso Rio de bloqueio
Só à espera do momento
Do falado bombardeio
Cão com sorte não ladra
Do desgosto não espanta
Tive que aturar a sogra
Num ataque de “demência”
No chão atirou um cinzeiro
A tomar agudos ais
Vou morrer no bombardeio
Do ……. Minas Gerais
Com os raios, ouvi da sogra
Com essa revolução
Imaginem uma sogra
Com receio de canhão
João Cândido de fama
Marujo de opinião
Mandou um radiograma
Para o chefe da Nação
E o nosso presidente
Ganhou logo simpatia
Um decreto baixa urgente
Concedendo anistia
Tudo volta a seus lugares
Já ninguém mais tem receio
Muito embora …………..
Já não haja bombardeio
Tudo foi e acabou-se
Não há nada mais a temer
A revolta já findou-se
Vamos todos …………
Viva o povo, viva a Pátria
Do auriverde pendão
Viva os chefes de Armada
Viva o chefe da Nação
Presidente Lula e o navio petroleiro João Cândido lançado no estaleiro Atlântico Sul, no Porto de Suape (PE). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Quando o estaleiro Atlântico Sul, criado em 2005 e localizado no Porto de Suape, em Pernambuco, anunciou que iria construir um navio petroleiro, muitos duvidaram e disseram que a missão era impossível. A indústria naval brasileira estava ressurgindo após anos de abandono e a última embarcação do tipo havia sido entregue no País em 1997. Hoje, no entanto, o “impossível” se tornou realidade: o estaleiro pernambucano lançou o primeiro navio petroleiro do País em 13 anos em cerimônia realizada no Porto de Suape com a participação do presidente Lula, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e autoridades locais. O navio fará parte da frota da Transpetro.
Lula afirmou estar orgulhoso por ver o projeto concluído e também por ver a cara de felicidade dos trabalhadores do estaleiro. Lembrou que ao ser eleito, afirmou que iria primeiro fazer o necessário, depois o possível e quando terminasse seu governo, o impossível.
E aconteceu exatamente isso: construir esse navio era tido por alguns especialistas do outro lado como impossível.
A entrega do navio petroleiro é uma coisa que tem que ser levada muito a sério, afirmou Lula, porque ela representa a recuperação da indústria naval, que volta a gerar empregos e renda no País, além de contribuir para a autoafirmação de um povo que durante muito tempo foi esquecido, o nordestino. Disse ainda estar feliz por homenagear o marinheiro João Cândido, um dos heróis brasileiros ainda pouco conhecido pela população, e revelou que o próximo navio a ser entregue no País será batizado em homenagem ao economista Celso Furtado.
Lula disse ainda que uma nação não se mede pelo tamanho do seu território, quantidade de árvores ou água, mas sim pela qualidade do povo e a autoestima que ele tem. E o Brasil está aprendendo isso, afirmou. Não há mais espaço no País para a turma que pensava ser o Brasil um país de segunda categoria, onde nada prestava e que estava satisfeita em vez o País exportando apenas café e minério de ferro, criticou o presidente.
O petroleiro João Cândido faz parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), um dos principais projetos estruturantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outros 48 navios petroleiros e gaseiros de grande porte serão construídos no Brasil nos próximos anos. Em junho deste ano será entregue o segundo navio do programa, desta vez no estaleiro Mauá, em Niterói (RJ).
Numa rápida entrevista coletiva concedida após a cerimônia de lançamento do programa de produção do óleo de palma, o presidente Lula defendeu a mobilização nacional para industrializar o Pará. Segundo Lula, a proposta passa pelo processo inverso daquele ocorrido nas últimas décadas do século 20, quando ocorreu a exploração desordenada da madeira e do minério de ferro.
Lula explicou que a construção da usina hidrelétrica Belo Monte é um processo sem volta. O presidente acredita que a população paraense deseja o empreendimento. Explicou também que uma das questões consideradas polêmicas sobre o tamanho do lago de Belo Monte já foi esclarecida. Ou seja, o lago ocupará espaço menor do que o previsto no projeto original. Além disso, acrescentou que o governo promoveu todas as audiências com as entidades e populares envolvidas para esclarecer o empreendimento. Saiba mais sobre o projeto de Belo Monte aqui.
“Estou convencido que a maioria do povo do Pará quer a hidrelétrica”, afirmou.
O presidente foi indagado pelos jornalistas sobre as alianças partidárias para as eleições deste ano. Segundo ele, o ideal é que os partidos que integram a base do governo tenham candidatos únicos à Presidência da República e aos governos estaduais. Porém, ele acredita que em alguns estados, como por exemplo, Pernambuco, tal situação não será possível. “Temos estados em que o PMDB é radicalmente contra. Espero que situação seja resolvida mais adiante”, explicou.
Durante quase duas horas em que permaneceu no município de Tomé-Açu, distante 193 quilômetros de Belém (PA), Lula manteve contatos com as lideranças locais. Na companhia da governadora Ana Julia Carepa, o presidente fez questão de enfatizar, em diversas oportunidades, o programa de extrativismo do óleo de palma e o emprego na produção de biodiesel. A Petrobras Biocombustível irá investir R$ 330 milhões em dois empreendimentos na região. O presidente destacou a importância da parceria com a empresa portuguesa Galp Energia.
“Quando é, prefeito Carlos Vinicios, que o município de Tomé-Açu teria estes investimentos? Serão gerados aqui na cidade dois mil novos postos de trabalho”, afirmou numa conversa com políticos.
De Tomé-Açu, o presidente seguiu para Belém. Ele terá um almoço privado com a governadora seguido de audiência a lideranças políticas. Ainda hoje, a comitiva segue para o Recife. Amanhã (7/5), entre as atividades previstas, tem a entrega do navio João Cândido no estaleiro Atlântico Sul. A embarcação integrará a frota da Transpetro, braço da Petrobras.
Presidente Lula discursa para platéia de trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul, que deu início à montagem de seu primeiro navio petroleiro. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Pré-sal está dando uma força e tanto para indústria naval brasileira. É o que se vê, por exemplo, no Porto de Suape, em Ipojuca (PE), onde o maior estaleiro do Hemisfério Sul – o Atlântico Sul (EAS) – está prestes a entregar o seu primeiro navio de transporte de petróleo, um gigante de mais de 21 mil toneladas de aço com previsão de lançamento em janeiro de 2010.
A embarcação, a primeira também do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro (subsidiária da Petrobras no setor de logística e transporte de combustíveis), teve sua quilha batizada hoje pelo presidente Lula, em cerimônia que marca o momento de colocação da primeira peça da embarcação no dique seco, onde os últimos ajustes são feitos em terra antes do lançamento ao mar.
Outros sete navios foram encomendados pela Transpetro ao estaleiro, impulsionando não apenas a indústria naval como também a economia de Ipojuca e região.
O estaleiro Atlântico Sul é tido como peça fundamental no renascimento da indústria naval brasileira, que vem na esteira do crescimento do Pólo Industrial Nordestino e das demandas criadas pela futura exploração das reservas da camada Pré-sal.
O Promef tem se destacado entre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com a possibilidade de gerar 40 mil empregos diretos e outros 160 mil indiretos. O programa pretende entregar 49 navios – 26 na primeira fase, que terá investimentos de US$ 2,5 bilhões.
Só o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) deverá entregar 10 navios do tipo Suezmax e cinco Aframax, cada um com capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo. O Suezmax é a maior classe de navio que pode passar no estreito Canal de Suez. Cada um custa cerca de US$ 120 milhões.
Durante o seu discurso na cerimônia no Porto de Suape, o presidente Lula destacou a importância do estaleiro na geração de empregos na região e também na capacitação dos profissionais – os funcionários do EAS, por exemplo, fizeram cursos durante nove meses para desempenhar suas funções adequadamente.
Lula lembrou ainda o País decidiu dar ênfase na produção como forma de superar a crise econômica mundial. Por isso, afirmou, é preciso comemorar o renascimento da indústria naval brasileira.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente em Ipojuca (PE):
Presidente Lula visita o dique do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no Porto de Suape, em Pernambuco. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula chegou hoje pela manhã a Pernambuco, onde cumpre uma agenda diversificada, com várias inaugurações ao longo do dia.
Na parte da manhã Lula inaugurou o Cais V do Porto de Suape, que recebeu investimentos de R$ 125 milhões e gerou 800 empregos na região. Logo depois, ainda no Porto de Suape, Lula participou do batimento de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão de Frota (Promef) da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobrás na área de logística e transporte de combustíveis.
À tarde, o presidente inaugura o Moinho Suape, da Bunge Alimentos, localizado no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Ipojuca (PE). O moinho produzirá 825 mil toneladas anuais de farinha de trigo e pré-misturas destinadas a panificadoras e indústrias. A iniciativa gera 220 empregos diretos e mais de mil empregos indiretos.
Após inaugurar campi de escolas técnicas no Ceará, Lula entrega hoje outras duas, desta vez em Ipojuca (PE), ambas ligadas ao Instituto Federal de Pernambuco, e outra no município de Floresta, vinculada ao Instituto Federal do Sertão de Pernambuco. A cerimônia de inauguração será realizada em Ipojuca e será transmitida simultaneamente para o pessoal que comparecerá à inauguração em Floresta. Juntas, as duas unidades beneficiarão mais de 1,2 mil estudantes.
). O moinho produzirá 825 mil toneladas anuais de farinha de trigo e pré-misturas destinadas a panificadoras e indústrias. A iniciativa gera 220 empregos diretos e mais de mil empregos indiretos.
Após inaugurar campi de escolas técnicas no Ceará, a educação voltou a ser tema na pauta do governo federal no Nordeste. Hoje ainda o presidente inaugura simultaneamente (http://www.imprensa.planalto.gov.br/exec/inf_detalhehora.cfm?cod=52008) duas novas escolas técnicas em Pernambuco – uma em Ipojuca, ligada ao Instituto Federal de Pernambuco (http://www.ifpe.edu.br/), e outra no município de Floresta, vinculada ao Instituto Federal do Sertão de Pernambuco (http://www.cefetpet.br/). A cerimônia de inauguração será realizada em Ipojuca e será transmitida simultaneamente para o pessoal que comparecerá à inauguração em Floresta. Juntas, as duas unidades beneficiarão mais de 1,2 mil estudantes, atendendo às demandas da economia local. E tem mais escolas técnicas no estado de Pernambuco vindo por aí.
Mais à noite, o presidente visita (http://www.imprensa.planalto.gov.br/exec/inf_detalhehora.cfm?cod=52007) a biofábrica do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) (http://www.cetene.gov.br/), hoje considerada a maior da América Latina em volume de produção de mudas. Depois, o presidente inaugura a Unidade de Produção e Desenvolvimento de Radiofármacos do Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN) (http://www.crcn.gov.br/), em Recife (PE), que disponibilizará para toda a região o radiofármaco flúor-dexaglicose (FDG), usado para realização de exames em tomógrafo. O investimento federal na construção da Unidade é de R$ 18 milhões.
Todo o conteúdo desse blog é originalmente do Blog do Planalto e está licenciado sob a CC-by-sa-2.5, exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes.