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Numa rápida entrevista coletiva concedida após a cerimônia de lançamento do programa de produção do óleo de palma, o presidente Lula defendeu a mobilização nacional para industrializar o Pará. Segundo Lula, a proposta passa pelo processo inverso daquele ocorrido nas últimas décadas do século 20, quando ocorreu a exploração desordenada da madeira e do minério de ferro.

Lula explicou que a construção da usina hidrelétrica Belo Monte é um processo sem volta. O presidente acredita que a população paraense deseja o empreendimento. Explicou também que uma das questões consideradas polêmicas sobre o tamanho do lago de Belo Monte já foi esclarecida. Ou seja, o lago ocupará espaço menor do que o previsto no projeto original. Além disso, acrescentou que o governo promoveu todas as audiências com as entidades e populares envolvidas para esclarecer o empreendimento. Saiba mais sobre o projeto de Belo Monte aqui.

“Estou convencido que a maioria do povo do Pará quer a hidrelétrica”, afirmou.

O presidente foi indagado pelos jornalistas sobre as alianças partidárias para as eleições deste ano. Segundo ele, o ideal é que os partidos que integram a base do governo tenham candidatos únicos à Presidência da República e aos governos estaduais. Porém, ele acredita que em alguns estados, como por exemplo, Pernambuco, tal situação não será possível. “Temos estados em que o PMDB é radicalmente contra. Espero que situação seja resolvida mais adiante”, explicou.

Durante quase duas horas em que permaneceu no município de Tomé-Açu, distante 193 quilômetros de Belém (PA), Lula manteve contatos com as lideranças locais. Na companhia da governadora Ana Julia Carepa, o presidente fez questão de enfatizar, em diversas oportunidades, o programa de extrativismo do óleo de palma e o emprego na produção de biodiesel. A Petrobras Biocombustível irá investir R$ 330 milhões em dois empreendimentos na região. O presidente destacou a importância da parceria com a empresa portuguesa Galp Energia.

“Quando é, prefeito Carlos Vinicios, que o município de Tomé-Açu teria estes investimentos? Serão gerados aqui na cidade dois mil novos postos de trabalho”, afirmou numa conversa com políticos.

De Tomé-Açu, o presidente seguiu para Belém. Ele terá um almoço privado com a governadora seguido de audiência a lideranças políticas. Ainda hoje, a comitiva segue para o Recife. Amanhã (7/5), entre as atividades previstas, tem a entrega do navio João Cândido no estaleiro Atlântico Sul. A embarcação integrará a frota da Transpetro, braço da Petrobras.


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Não adianta ficar apenas criticando e perseguindo quem desmata a floresta amazônica com madeireiras clandestinas, é preciso oferecer oportunidades de trabalho em outras áreas para a população local, e esse é um dos principais trunfos do Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma lançado nesta quinta-feira em Tomé-Açu, no Pará, afirmou o presidente Lula, que participou da cerimônia. Lula fez questão de frisar que o projeto vai “oferecer oportunidade de trabalho para que o povo não aceite trabalhar em madeireiras clandestinas” e promover a recuperação de áreas já desmatadas da região. “Vocês vão perceber que vai ser proibido cortar uma árvore sequer para plantar a palma”, disse Lula. Segundo o presidente, a palma será plantada apenas em áreas já desmatadas e trará desenvolvimento para o Pará.

A grande procura pelo óleo de palma no mundo tem gerado preocupação em diversos países, porque em alguns deles a plantação da oleaginosa provocou desmatamentos de florestas. No caso brasileiro, o Zoneamento Agroecológico da palma só permite a plantação em áreas que já foram desmatadas antes de 2008, afirmou Lula em seu discurso. Mas o Brasil está preparado para conciliar o desenvolvimento proposto pelo programa de produção de óleo de palma com a proteção ambiental, disse o presidente.

Vamos evitar que sequer um hectare de mata nativa da Amazônia, ou de qualquer outro bioma, seja derrubado para dar lugar à palma. Da mesma forma, não terão licenciamento ambiental nem crédito oficial qualquer indústria que utilize óleo de palma produzido fora dos padrões definidos pelo governo. Além disso, como o cultivo da palma pode ser muito rentável, ele dá viabilidade econômica à recuperação, com vegetação nativa, das áreas de reserva legal. Ou seja, além de não derrubar a floresta, a palma será um instrumento para que áreas há muito tempo já transformadas em pasto voltem a ter suas características originais.

Além da recuperação das áreas degradadas da região, o plantio da palma também contribuirá na redução de emissão de gases do efeito estufa -- cada hectare da cultura de palma, quando as árvores já estão adultas, seqüestra mais de 26 toneladas de carbono.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Além da sua sustentabilidade ambiental e poder de geração de emprego e renda, o programa de produção de óleo de palma lançado hoje no Pará também tem muita força comercial, porque o óleo de palma é hoje uma das ‘commodities’ mais valorizadas no mundo. Segundo o presidente Lula, seu consumo mundial passou de 21 para 45 milhões de toneladas na última década, representando hoje um terço do mercado mundial de óleos vegetais. O Brasil, no entanto, ainda tem uma produção incipiente no setor: apenas 67 mil hectares cultivados, respondendo a apenas 0,5% da produção mundial.

Isso faz com que hoje precisemos importar metade de tudo o que consumimos (450 mil toneladas em 2009), apesar de sermos um dos países com melhores solo e clima para a plantação do dendê. Não há justificativas para que continuemos produzindo tão pouco.

Outro ponto importante destacado pelo presidente em seu discurso foi os benefícios que o programa lançado trará aos agricultores familiares do Pará. Lula frisou que a palma produz o ano inteiro e pode gerar uma renda mensal de até R$ 2 mil para as famílias produtoras -- hoje, na Amazônia, a média de renda é de R$ 415 reais. Além disso, as plantações de palma geram, em média, 1 emprego a cada 10 hectares – uma média 3 vezes superior à encontrada geralmente no campo.

Entre as ações do programa que já estão em andamento, com investimentos garantidos, Lula destacou a parceria da Petrobras com o grupo português Galp Energia, em um projeto de mais de R$ 500 milhões que vai gerar cinco mil empregos diretos. Esse projeto envolverá agricultores familiares na cadeia de produção do biodiesel -- plantação de 50 mil hectares de palma, produção de 300 mil toneladas anuais de óleo de palma e sua exportação para Portugal, onde será transformado em biodiesel em usina que tem a Petrobras como sócia.

Os agricultores familiares interessados em ingressar na cadeia produtiva poderão se beneficiar do Pronaf Eco, que permite empréstimos de até R$ 65 mil reais, com juros anuais de 2 por cento, carência de 6 anos e prazo de pagamento de 14 anos. O diferencial desta linha é que, durante o prazo em que o agricultor familiar espera a palma produzir – o que pode durar até 5 anos – ele conta com a remuneração pela sua mão-de-obra. O crédito só será fornecido aos produtores que já tiverem firmado contrato com empresas processadoras de óleo de palma.

Estou certo de que este conjunto de ações que anunciamos hoje é um grande passo para continuarmos garantindo um futuro sustentável. E para cumprirmos o nosso compromisso maior, que é seguir protegendo a Amazônia e combatendo o desmatamento. Ao garantir renda, recuperar áreas degradadas e ordenar de forma cada vez mais racional a ocupação do solo, este programa contribui para transformar o que um dia foi chamado de Arco do Desmatamento em um verdadeiro Cinturão de Proteção da Amazônia. E este é um dos maiores legados que podemos deixar para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos.


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A produção de biodiesel no Pará a partir da palma (também conhecida como dendê) ganha força nesta quinta-feira (6/5) com a participação do presidente Lula nesta quinta-feira (6/5) de uma grande festa no município de Tomé-Açu, a 193 quilômetros de Belém (PA), para o lançamento do Programa Nacional de Estímulo à Produção de Óleo de Palma acontece no Parque de Exposição da Associação Agropecuária do Vale do Acará (AAVA).

Tomé-Açu recebeu em 1945, durante o governo Getúlio Vargas, migrantes japoneses vindos do Sudeste brasileiro, é atualmente o maior pólo de cultura da palma.

Em meios aos preparativos para o evento, o secretário de Extrativismo Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Egon Krakhecke, explicou ao Blog do Planalto que “o óleo de palma teve um crescimento vertiginoso nos últimos 12 anos, com sua produção triplicando no período. Krakhecke explica a vantagem do modelo brasileiro em relação ao desenvolvido na Malásia e Tailândia, por sua sustentabilidade em termos econômicos e ambientais.

Segundo o secretário de Projetos Estratégicos do Pará, Marcílio Monteiro, o projeto será realizado no Pará “porque o estado construiu uma base sólida para isso”. Segundo Monteiro, na cerimônia desta quinta-feira, a governadora Ana Júlia Carepa vai entregar mil certificados a pequenos produtores rurais da região. A estimativa do governo paraense é de efetivar 30 mil certificados num período de três meses.

Na mesma oportunidade, a Petrobras lança dois projetos de produção de biodiesel a partir do óleo de palma. Uma usina de biodiesel -- projeto Biodiesel Pará -- e a produção de biodiesel em Portugal, sendo em parceria com o grupo português Galp Energia -- o projeto Belém. O presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rosseto, explicou que o Biodiesel Pará prevê implantação de usina biodiesel com capacidade de produção de 120 milhões de litros de biodiesel por ano. Serão investidos R$ 330 milhões, sendo R$ 237 milhões na área agrícola e R$ 93 milhões na industrial.

“O projeto contempla ainda a instalação de dois complexos industriais de extração do óleo de palma, incluíndo, esmagadoras e unidade de cogeração de energia elétrica”, explicou Rosseto.


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Hajime Yamada chegou com seus pais à região de Água Branca, no interior do Pará, em 1929. Tinha dois anos. A família desembarcou juntamente com diversos outros imigrantes japoneses convocados pela Companhia Nipônica Plantação do Brasil com uma missão: cultivar arroz e mandioca. Hajime cresceu e ganhou também um nome brasileiro, José, para facilitar a comunicação com a população nativa local. Hoje, com 83 anos, José Hajime Yamada continua na região e conversou com o Blog do Planalto.

Encontramos Yamada nos fundos de uma casa de material de construção, enquanto regava sua horta. Corpo esguio, ele fez uma única exigência antes do início da conversa: vestir uma camisa mais limpa. Hajime está muito feliz com a vinda do presidente Lula, a quem entregará um presente na festa que marca o início do programa de óleo de palma para a produção de biocombustível na cidade, que desde 1959 passou a se chamar Tomé-Açu.

“A lavoura de arroz e mandioca não foi muito longe”, disse, recordando dos velhos tempos. “Naquela época, brasileiro não comia arroz, só farinha.” Em 1945, começaram a plantar pimenta do reino, a partir de 20 mudas trazidas da Indonésia. Duas delas vingaram e se espalharam ao longo dos anos. Hoje a comunidade nipônica na região, que conta com 300 famílias (pouco mais de 1,2 mil pessoas), investe no cultivo do cacau, cupuaçu e açaí. E agora chega a palma de óleo. “Acho que isso vai ter grande futuro”, diz José Hajime.


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