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Um ano após terremoto, haitianos ainda lutam para reconstrução do país. Foto: Marcello Casal/ABr arquivo

Há exato um ano, no dia 12 de janeiro de 2010, o mundo inteiro se impressionava com as imagens do maior desastre natural dos últimos 30 anos: o terremoto no Haiti, o país mais pobre das Américas, que deixou cerca 220 mil mortos, 300 mil feridos, incluindo milhares de pessoas que tiveram membros amputados, e 1,5 milhão de cidadãos desabrigados. Dentre os mortos, 18 militares brasileiros, a presidente da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e o representante adjunto da ONU para o Haiti, Luiz Carlos da Costa

Desde então, o país iniciou seu processo de reconstrução, enfrentando ainda muitos problemas de infraestrutura, saúde pública, alimentação e saneamento básico. Apenas parte dos escombros foi removida e o Haiti agora enfrenta uma epidemia de cólera. Além da destruição, entretanto, o mundo pôde testemunhar uma inédita mobilização global em prol do Haiti e de seu povo, que luta para recomeçar a vida e reerguer o Estado, praticamente aniquilado pelo terremoto de magnitude 7 que destruiu a capital haitiana, Porto Príncipe.

O Brasil, que lidera a missão de paz da ONU naquele país, continua empenhando esforços na promoção de ações de assistência humanitária e de segurança alimentar e nutricional. Destaque para o Programa Nacional de Cantinas Escolares (PNCS), que contempla a capacitação de profissionais haitianos e a implantação de cozinhas escolares. Nos últimos dois anos, o Brasil destinou recursos da ordem de US$ 244 mil para o fortalecimento do Programa. Desde agosto de 2010, o Brasil apoia com custeio as missões técnicas de transferência de tecnologia indiana de produção de fogões especiais “ORKA”, movidos a dejetos sólidos. Atualmente, o Haiti importa os fogões especiais da Índia para atender às necessidades das cantinas escolares do PNCS.

Veja galeria de imagens:

O coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores, Milton Rondó Filho, explica que o objetivo é que os projetos ao longo do tempo sejam sustentáveis social, econômico e ambientalmente.

“Você não pode ver a criança isolada do contexto da família e da comunidade. Se a gente distribuir alimento para a criança e se esse alimento for industrializado, importado de algum lugar distante, e a família não tiver como vender esse alimento, mais dia, menos dia eles vão terminar em uma favela. Então é muito importante a gente buscar o desenvolvimento local.”


O próximo passo é a instalação do Projeto de Compras Locais da Agricultura Familiar para Alimentação Escolar no Haiti, por intermédio da FAO [Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação] e do PMA [Programa Mundial de Alimentos], que já conta com crédito extraordinário brasileiro aprovado de US$ 5,5 milhões. O projeto é inspirado no PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] brasileiro e contempla apoio aos Ministérios de Educação e de Agricultura haitianos para estabelecimento da compra de derivados do leite e arroz produzidos por organizações de pequenos e médios agricultores e destinados à alimentação escolar. Serão beneficiadas cerca de 6 mil famílias de agricultores familiares, que fornecerão alimentos para 20 mil estudantes.

O Brasil tem contribuído, ainda, para a recuperação do setor agrícola haitiano – prejudicado por desastres naturais e pelo restrito acesso à terra – por intermédio de organizações de sociedade civil como a Via Campesina, que mantém equipe de agentes de desenvolvimento agrícola no Haiti, e atua na distribuição de cisternas que beneficiam grupos de agricultores familiares e escolas.

Outro exemplo de parceria junto à sociedade civil foi a contribuição voluntária, em agosto passado, à ONG Viva Rio, no valor de US$ 252 mil, para apoio a atividades do Centro Comunitário que a ONG mantém em Porto Príncipe e que abriga programas educacionais diversos – inclusive de prevenção da violência – para cerca de 700 crianças e adolescentes diariamente. A iniciativa brasileira previu a coordenação entre a Viva Rio e o Programa Nacional de Cantinas Escolares (PNCS) haitiano.

Também está em negociação o projeto de atenção à saúde pública do Haiti, a ser executado pela Associação Lar São Francisco de Assis, por intermédio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A partir do apoio financeiro do governo brasileiro, no valor aproximado de US$ 1,5 milhão, o projeto possibilitará a restauração de um centro de saúde e a implementação de serviços ambulatoriais.

Quem esteve no país nos dias seguintes ao terremoto vivenciou momentos de tristeza, dor, mas de solidariedade. A diplomata Maria Luiza de França, da Coordenação-Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome, conta que uma das coisas que mais a surpreendeu foi a capacidade de mobilização internacional e do povo haitiano.

“Eu fiquei comovida com a paciência deles, com uma certa resignação, com a solidariedade que eles cultivavam (…). A gente percebe o desejo dos haitianos em batalhar para melhores condições de vida, para receber ajuda, mas também ser agente da assistência.”

A Caixa Econômica Federal abriu no dia 30 de dezembro de 2010 uma conta para quem quiser contribuir para a reconstrução do Haiti. A conta corrente 664-8, agência 0647, operação 003 está em nome do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


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Presidente Lula compareceu ao velório de Zilda Arns, no Palácio das Araucárias, em Curitiba (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Presidente Lula compareceu ao velório de Zilda Arns, no Palácio das Araucárias, em Curitiba (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Bastante consternado com a morte da médica Zilda Arns, da Pastoral da Criança, o presidente Lula compareceu na noite desta sexta-feira (15/1), ao velório no Palácio das Araucárias, sede do governo do Paraná. Após quase uma hora de permanência, ele deixou o local e manifestou, num pronunciamento aos jornalistas, a dor pelo acontecido: “Acho que foi uma perda muito grande para a Nação. Uma perda grande para o mundo.”

Ouça aqui a íntegra da conversa do presidente Lula com jornalistas ao deixar o Palácio das Araucárias, em Curitiba (PR):

Lula desembarcou em Curitiba vindo de Bacabeira (MA). Ele seguiu de imediato ao palácio do governo local. Durante cerca de 40 minutos, o presidente conversou com familiares de Zilda Arns num local reservado. Em seguida, adentrou ao salão e permaneceu cerca de 10 minutos ao lado do caixão com o corpo de Zilda.

“Olha, companheiros, vocês sabem que o momento não é fácil. Não é fácil o que aconteceu ao Haiti, como o que aconteceu ao povo do Haiti, pelo o que está acontecendo ainda, porque é muita gente soterrada ainda e não sabemos se tem vivos ou não. Pela quantidade de gente que nós já sabemos que morreu. Pelos 14 soldados brasileiros que morreram, e certamente os quatro que estão desaparecidos podem estar mortos também, pelo representante do Brasil nas Nações Unidas… E toda essa gente que morreu está simbolizada na nossa querida Zilda Arns. Eu penso que quem viveu no Brasil nessas duas décadas e meia e que lutou pela conquista da democracia, lutou pela conquista dos direitos humanos, lutou pela melhoria da qualidade de vida das pessoas, pelas crianças, pelos idosos, sabe que se a gente fechasse os olhos e fosse imaginar uma pessoa, nós iríamos ver o rosto da dona Zilda”, disse o presidente.

Lula lembrou que ela morreu “num momento em que estava cumprindo uma das coisas mais sagradas que ela fazia que era visitar as pessoas pobres, não apenas no Brasil, mas em vários países do mundo. Eu disse a família que, nesse momento, todo mundo vai chorar, mas o que é importante que a gente tenha em mente que as ideias que ela pregou nesse País, durante muito tempo, espero que esteja encarnado na mente, no coração e na alma de cada brasileiro e cada brasileira e que a partir do exemplo dela sejamos mais solidários, sejamos humanistas e olhamos com mais carinho para o próximo. Às vezes, com um pequeno gesto a gente pode ajudar. Eu não poderia deixar de vir aqui e prestar a minha solidariedade”.

O presidente afirmou que se Zilda Arns pudesse voltar à vida faria tudo o que fez, inclusive retornaria ao Haiti. “Ela era uma pessoa assim e Deus queira que surjam outras pessoas assim”, concluiu.


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Cerca de 70 haitianos são medicados na base brasileira em Porto Príncipe (foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)

Cerca de 70 haitianos são medicados na base brasileira em Porto Príncipe (foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)

O presidente do Haiti, René Préval, agradeceu a ajuda do Brasil neste instante em que aquele país passa por dificuldades em função do terremoto que devastou a capital Porto Príncipe na última terça-feira (12/1). A manifestação de Préval ocorreu durante reunião entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, autoridades do governo do Peru, no Batalhão Brasileiro (Brabatt), na capital haitiana. Na ocasião, Jobim informou os cinco pontos do plano emergencial divulgado no fim da manhã desta quinta-feira (14/1) pelo Ministério da Defesa.

No mesmo encontro, o ministro brasileiro confirmou a chegada, nesta sexta-feira (15/1), do hospital de campanha da Aeronáutica, com capacidade de atender 300 pacientes. Tão logo o equipamento seja desembarcado, iniciará a operação de socorro às vítimas. Outro ponto em questão diz respeito ao sepultamento dos corpos. Há uma preocupação quanto à demora para a realização dos enterros, em especial, por causa de epidemias.

Um relato exclusivo ao Blog do Planalto confirmou que tão logo aconteceu a tragégia, dezenas de pessoas buscaram abrigo no batalhão brasileiro. Pelo menos 70 cidadãos daquele país estão sendo atendidos numa garagem que foi improvisada de pronto-socorro. Imagens divulgadas pela Agência Brasil mostram os militares procedendo curativos nos feridos. Além do hospital, desembarcam em Porto Princípe os militares do Corpo de Bombeiros do Rio e do Distrito Federal com equipamentos especiais para localização de vítimas nos escombros.

O ministro Jobim e as demais autoridades que integram a comitiva retornam nesta sexta-feira para Brasília. O corpo de Zilda Arns também seguirá neste voo até a capital brasileira. Da Base Aérea de Brasília, o caixão viajará até Curitiba (PR), onde ficará em velório no palácio do governo paranaense. Já os corpos dos 14 militares brasileiros deverão permanecer no Haiti por mais dois dias. Por questões de indenizações das Nações Unidas, há necessidade do cumprimento de questões burocráticas. Mas, um avião se encontra no Haiti para trazê-los ao Brasil tão logo sejam liberados para os sepultamentos.


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Militares brasileiros socorrem moradores de Porto Príncipe (fotos: Roosewelt Pinheiro/ABr)

Militares brasileiros socorrem moradores de Porto Príncipe. Abaixo, ministro Jobim chega à base brasileira no Haiti (fotos: Roosewelt Pinheiro/ABr)

Com a chegada do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Porto Príncipe (Haiti), o governo brasileiro começa a definir o plano de emergência para enfrentar os cinco problemas mais graves naquele país atingido por terremoto na última terça-feira: sepultamento dos mortos; socorro médico aos feridos; remoção de destroços; reforço da segurança nas operações; e distribuição de suprimentos, principalmente água e comida.

jobimportoprincipeDe acordo com o Ministério da Defesa, o plano foi traçado em reuniões do ministro Jobim e representantes de órgãos do governo brasileiro que integram sua comitiva em viagem ao Haiti, com o general brasileiro Floriano Peixoto, que comanda a Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), a Minustah, formada por aproximadamente sete mil homens de diversos países. Deste total, 1.266 formam o Batalhão Brasileiro (Brabatt), comandado pelo coronel João Batista Carvalho Bernardes.

A Agência Brasil já divulgou, nesta quainta-feira (14/1), as primeiras imagens do atendimento de vítimas do terremoto por militares em locais improvisados na capital do Haiti.


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Presidente Lula observa documento apresentado pelo governador do Rio, Sergio Cabral, no CCBB (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Presidente Lula observa documento apresentado pelo governador do Rio, Sergio Cabral, no CCBB (foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo federal poderá aumentar o volume de recursos para Estados e municípios atingidos por enchentes nos últimos meses. A informação é do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que participou, na tarde desta quarta-feira (13/1), de reunião com o presidente Lula, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O encontro teve a participação do governador do Rio, Sergio Cabral, e prefeitos de cidades fluminenses.


De acordo com o ministro, na próxima segunda-feira (18/1), será promovido levantamento com o objetivo de apurar demanda por recursos em outros estados brasileiros. Segundo Geddel, há manifestações para se obter linhas de crédito em São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. Ele informou, por exemplo, que o governador Cabral apresentou um programa de recuperação de encostas e outros pontos de risco que totaliza R$ 600 milhões.

“Na próxima semana vamos ver as demandas. Existem possibilidades de remanejamento de recursos. O pedido do governador Cabral refere-se a investimentos estruturantes”, explicou.

Geddel disse também que, por determinação do presidente Lula, colocará à disposição do governo do Haiti os equipamentos necessários para ajudar as vítimas do terremoto que atingiu 7.0 graus na escala Richter. O ministro informou que um técnico de sua pasta seguiu no voo liderado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e tão logo envie relatório da demanda o Ministério da Integração Nacional irá proceder com a ajuda necessária.

O ministro comentou também o falecimento de Zilda Arns, da Pastoral da Criança: “Ela morreu como viveu, ou seja, defendendo a crença na justiça social. Ela morreu em combate.”


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Presidente Lula comanda reunião de emergência no CCBB sobre o terremoto no Haiti (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Presidente Lula comanda reunião de emergência no CCBB sobre o terremoto no Haiti (foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo brasileiro vai doar 14 toneladas de alimentos e US$ 10 milhões ao Haiti (atualização: a doação é de US$ 15 milhões). O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (13) pela assessoria do Ministério das Relações Exteriores no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O presidente Lula comandou há pouco reunião com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), Nelson Jobim (Defesa), Jorge Felix (Gabinete da Segurança Institucional), secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, João Santana, e o assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia.

Durante a reunião ficou decidido que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decola por volta das 11h de hoje da Base Aérea de Brasília com destino a Porto Príncipe, capital do Haiti. No voo seguem o ministro Jobim e o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, que se encontra no Brasil.

Após reunião, o ministro Celso Amorim, em entrevista no CCBB, confirmou a morte de Zilda Arns, da Pastoral da Criança, e mais quatro militares. O terremoto atingiu 7.0 graus na escala Richter.

O governo brasileiro confirmou que o prédio da embaixada em Porto Príncipe teve a estrutura danificada e os funcionários estão trabalhando num centro cultural. Ao mesmo tempo, para permitir o atendimento aos brasileiros que se encontram naquela região, o Itamaraty está reforçando a equipe de funcionários na Embaixada do Brasil na República Dominicana, país vizinho ao Haiti.


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