Viagens internacionaisUm acordo assinado neste domingo (16/5) em Teerã durante seminário empresarial Brasil-Irã prevê o financiamento de empresas brasileiras e iranianas que queiram exportar seus produtos nos respectivos países. No caso brasileiro, o valor é de 200 milhões de euros por ano, durante cinco anos, para a venda de alimentos no Irã. Os recursos virão do Programa de Crédito à Exportação (Proex). Os empresários iranianos também terão 200 milhões de euros por ano de seu governo, mas não foi divulgada a lista dos produtos a serem exportados.

O presidente Lula destacou a assinatura do acordo durante o seu discurso no encerramento do seminário em Teerã, que contou também com a participação do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Segundo Lula, o acordo é importante porque dinamiza as relações comerciais entre ambos os países sem depender de terceiros.

Não alcançaremos nossas ambições sem um mecanismo ágil e ambicioso de financiamento e de operações comerciais. Não faz sentido que os negócios entre empresas iranianas e brasileiras dependam de crédito e da boa vontade de bancos estrangeiros. Esse foi um tema central da recente troca de missões técnicas entre nossos países. Vamos colocar em prática alternativas capazes de sustentar um intercâmbio crescente e mais equilibrado. É esse o objetivo do memorando de entendimento para concessão de linha de crédito que acabamos de firmar.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

O Irã é hoje um grande parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio, já aparecendo entre os três maiores mercados da região para as empresas exportadoras brasileiras. Em 2009, 450 companhias brasileiras exportaram para o Irã e os números de 2010 são promissores, afirmou Lula:

No primeiro trimestre do ano, as exportações brasileiras para o Irã cresceram 77%, e as importações brasileiras cresceram 125%. O agronegócio oferece um desafio especial. O Irã já é um dos cinco maiores mercados do Brasil neste setor, sobretudo para açúcar, carne e soja. Com o apoio da Embrapa, a expressiva transferência tecnológica, queremos ajudar o Irã a aumentar sua independência alimentar.

Lula destacou ainda em seu discurso a importância da renovação da matriz energética por meio dos biocombustíveis e convidou uma missão técnica iraniana a ir ao Brasil para conhecer a nossa experiência com os motores flex. Aos 60 empresários brasileiros que participaram do seminário em Teerã, Lula pediu que prestassem atenção ao “espaço inexplorado” em áreas de bens de capital e serviços em setores estratégicos como telefonia, energia e indústria do petróleo.

Ao final de seu discurso, o presidente brasileiro deu ao ministro de Indústrias e Minas do Irã, Ali Akbar Mehbarian, uma edição em farsi do livro Como Exportar, do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, “numa demonstração que o Brasil não quer apenas vender, nós queremos também ajudar a produzir aqui e a comprar aqui os produtos fabricados. Na minha opinião, o bom comércio é aquele que tem equilíbrio no fluxo da balança comercial”, disse.

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