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Em sua primeira edição organizada fora da Europa, o Fórum Aliança das Civilizações leva para o Rio de Janeiro a oportunidade de aproximar ainda mais os países da América do Sul, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, em ‘briefing’ concedido nesta quarta-feira (26/5) em Brasília. O 3º Fórum Aliança das Civilizações contará com a participação do presidente Lula e será palco de reuniões bilaterais com os primeiros-ministros José Luiz Zapatero, da Espanha, e José Sócrates, de Portugal.

Entre os assuntos a serem tratados com os dirigentes europeus está a crise econômica enfrentada pelos países europeus:

Além de explicar detalhes sobre o Fórum Aliança das Civilizações, Baumbach respondeu ainda questões sobre a reunião que o presidente Lula terá na quinta-feira (27/5) com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. O porta-voz afirmou que o Brasil continuará trabalhando para evitar que “as portas se fechem” para as negociações por um acordo em relação ao programa nuclear do Irã. Brasil e Turquia negociaram em Teerã os termos de um acordo para que o Irã possa apresentar garantias à comunidade internacional.

Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida por Marcelo Baumbach:

Baumbach informou que o presidente brasileiro encaminhou carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, e mensagens aos presidentes Nicolas Sarkozy (França), Dimitri Medvedev (Rússia) e Felipe Calderón (México), além de integrandes da Unasul. “O Brasil pretende continuar no esforço para fomentar o diálogo”, assegurou o porta-voz.


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Viagens internacionaisNo voo de volta ao Brasil, conversamos com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre o acordo firmado na segunda-feira (17/5) entre Irã, Brasil e Turquia para o enriquecimento do urânio iraniano com fins pacíficos. O ministro está convicto de que o acordo dá as condições necessárias para se evitar novas sanções ao Irã e comemorou a vitória da diplomacia sobre a pressão. “Capacidade de persuasão do Brasil e da Turquia foi mais eficiente do que a linguagem da pressão”, disse Amorim.

Para o chanceler brasileiro, os parágrafos do acordo que dizem respeito à troca do urânio iraniano -- depósito de 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido na Turquia e recebimento, até um ano depois, de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% -- são os mais importantes, por ser “um instrumento fundamental para a criação de confiança e abrir o diálogo”.

Celso Amorim frisou ainda que o acordo prevê a continuação das negociações e faz questão de destacar que é a primeira vez que o Irã aceita depositar seu urânio num terceiro país (no caso, a Turquia) e assumir por escrito seus compromissos com a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA).

Eu acho que não há fundamento algum para novas sanções à luz do acordo. Não sou dono da cabeça de ninguém, mas eu acho que estão dadas as condições para a solução do caso do programa nuclear iraniano.

Leia aqui a íntegra do acordo.

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Viagens internacionais
O presidente Lula acaba de confirmar que houve acordo sobre a questão da energia nuclear do Irã. Durante reunião de que participou com presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, em Teerã, ficou decidido, entre outras questões, que o Irã entregará 1.200 quilos de urânio à Turquia e receberá 120 quilos do produto enriquecido com monitoramento de organismos internacionais.

“Aqueles que querem construir acordos e paz sempre vencerão. É mais difícil e mais demorado fazer acordo. Todos nós nos sacrificamos. O que estamos fazendo hoje é a demonstração de que vale a pena acreditar na diplomacia, na negociação”, disse o presidente brasileiro.

Dentro das próximas horas as autoridades dos três países divulgarão mais detalhes dos 10 pontos do acordo, uma das questões mais aguardadas pelas lideranças mundiais. O desejo de equacionar a questão da energia nuclear do Irã mobilizou o presidente Lula que, nos últimos meses, travou conversas com as mais diferentes lideranças no Oriente Médio, Europa e América do Norte.

Dois principais pontos do acordo firmado em Teerã nesta segunda-feira:

Baseado no que precede, de forma a facilitar a cooperação nuclear mencionada acima, a República Islâmica do Irã concorda em depositar 1200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) na Turquia. Enquanto estiver na Turquia, esse urânio continuará a ser propriedade do Irã. O Irã e a AIEA poderão estacionar observadores para monitorar a guarda do urânio na Turquia.

O Irã notificará a AIEA por escrito, por meio dos canais oficiais, a sua concordância com o exposto acima em até sete dias após a data desta Declaração. Quando da resposta positiva do Grupo de Viena (EUA, Rússia, França e AIEA), outros detalhes da troca serão elaborados por meio de um acordo escrito e dos arranjos apropriados entre o Irã e o Grupo de Viena, que se comprometera especificamente a entregar os 120 quilos de combustível necessários para o Reator de Pesquisas de Teerã.

Leia aqui a íntegra do acordo.

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Encontro dos presidentes Lula e Mahmoud Ahmadinejad com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Encontro dos presidentes Lula e Mahmoud Ahmadinejad com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Viagens internacionaisO primeiro compromisso da agenda do presidente Lula em Teerã (Irã) neste domingo (16/5) foi um encontro pela manhã com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, realizado no Palácio Presidencial, onde posaram para fotos, passaram as tropas em revista e seguiram para uma reunião privada, que durou aproximadamente uma hora. Em seguida, ambos os presidentes foram se encontrar com o líder supremo religioso do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Após almoço oferecido pelo presidente Ahmadinejad, Lula visitou a Assembléia Consultiva Islâmica, onde se reunião com o presidente Ali Larijani.

Os presidentes Mahmoud Ahmadinejad e Lula passam em revista as tropas iranianas durante solenidade de boas-vindas ao presidente brasileiro realizada no Palácio Presidencial em Teerã. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os presidentes Mahmoud Ahmadinejad e Lula passam em revista as tropas iranianas durante solenidade de boas-vindas ao presidente brasileiro realizada no Palácio Presidencial em Teerã. Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Viagens internacionaisO Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo (mais de 4 milhões de barris diários), tem tecnologia avançada em exploração de jazidas em águas ultraprofundas e distantes da costa e precisa de equipamentos e serviços de engenharia para desenvolver sua indústria. O Brasil tem esses equipamentos e empresas de serviços de engenharia e está se credenciando para se tornar um dos principais produtores de petróleo do mundo graças às jazidas encontradas na região do Pré-sal, que vão demandar investimentos cada vez maiores e especializados. Uma parceria entre os dois países é mais do que natural e foi com isso em vista que o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, veio a Teerã esta semana para se encontrar com representantes da indústria petrolífera iraniana -- e as perspectivas são animadoras, revelou em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto.

“Na pauta dos produtos que fazem parte do comércio bilateral Brasil-Irã, o item petróleo/gás natural/biocombustíveis é desprezível, há muito espaço para avançar”, afirmou o diretor da ANP, após ter se reunido com três importantes representantes iranianos do setor: o ministro do Petróleo Masoud Mik-Kazemi, o vice-presidente do Irã Aga Mohammadi e diretores da empresa iraniana North Drilling Corporation, especializada em exploração em terra e ‘off-shore’. Segundo Haroldo Lima, as conversas foram muito boas e resultaram num memorando de entendimento que será assinado para fortalecer a troca de experiência, elaboração de estudos e formação de mão-de-obra de ambos os países. Um encontro entre empresários brasileiros e iranianos do setor está sendo agendado para ainda este ano no Brasil.

“Eles têm boa experiência em exploração de petróleo em lâminas d’água de 1.800 metros a cerca de 200 quilômetros da costa (no Mar Cáspio), que são mais ou menos as mesmas condições que temos na região do Pré-sal”, explica Haroldo Lima, que vê no entendimento com os iranianos uma excelente oportunidade para as empresas brasileiras se internacionalizarem. “Muitas empresas européias tem se afastado do Irã por causa das sanções e, com isso, a China está ocupando quase todo o espaço no país, construindo refinarias por exemplo. Acho que a gente deveria ocupar esse espaço também. A indústria brasileira está preparada e tem todas as condições de atender às demandas iranianas”, disse. Há interesse do Irã também na produção do biocombustível (etanol), setor em que o Brasil tem destaque internacional.

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Viagens internacionaisO presidente Lula acaba de chegar ao aeroporto de Mehrabad, em Teerã (Irã) (meia-noite, horário local, sete horas e meia a mais do que o horário de Brasília), após cumprir agenda em Doha (Catar) e Moscou (Rússia), e ficará na capital iraniana até segunda-feira (17/5) para se encontrar com as principais lideranças do país. É a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao Irã. Na pauta da visita estão a cooperação e o fluxo do comércio entre os dois países em áreas como turismo, esportes, energias renováveis (biocombustíveis) e agricultura, o programa nuclear iraniano e a agenda internacional, com destaque para as questões relativas ao Oriente Médio.

Na manhã de domingo, Lula tem encontro privado com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (às 9h10 de domingo) e, ao meio-dia, reunião com Ahmadinejad e o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Na parte da tarde, o presidente brasileiro se encontrará com o presidente da Assembléia Consultiva Islâmica, Ali Larijani.

Na segunda-feira (17/5), antes de viajar para Madri (Espanha), o presidente Lula participará da abertura da XIV Cúpula do G15.

Infográfico: Thiago Melo

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Viagens internacionaisQuando chegou a Teerã há cerca de dois anos para assumir a embaixada brasileira na capital iraniana, o embaixador Antonio Salgado se surpreendeu ao encontrar uma cidade grande (12 milhões de habitantes na Grande Teerã), muito urbanizada e com um povo muito culto, gentil e simpático. “A impressão que tive ao chegar foi muito positiva”, afirmou o embaixador em entrevista ao Blog do Planalto. Os iranianos, disse ele, têm uma imagem muito positiva do Brasil, que é visto não apenas como o País do futebol, mas também como exemplo de democracia, política externa independente e sociedade multiracial, sendo por isso muito respeitado.

Na entrevista, concedida em sua residência na capital iraniana, o embaixador Antonio Salgado afirmou que o Brasil tem muito interesse em aprofundar as relações com Irã, por sua importância econômica e política na região. Segundo ele, os setores petrolífero, de biocombustíveis e de fertilizantes são áreas que já revelam oportunidades interessantes, mas há outras em prospecção, que só dependem de uma solução plena para a questão nuclear iraniana para florescerem como devem. “Na medida que a situação internacional do Irã melhore, vai ser melhor para todo mundo”, avalia o diplomata brasileiro.

Dividimos a entrevista em três partes. Na primeira delas, Antonio Salgado fala sobre o interesse brasileiro em aprofundar as relações com o Irã. Na segunda parte, o embaixador explica em que a adoção de sanções pode afetar a relação bilateral Brasil-Irã. A terceira e última parte da entrevista é dedicada às impressões que Salgado teve da capital Teerã ao assumir a embaixada brasileira local há dois anos.

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

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Durante reunião com Dimitri Medvedev, Lula apostou num acordo com o presidente do Irã. Foto Ricardo Stuckert/PR

Durante reunião com Dimitri Medvedev, Lula apostou num acordo com o presidente do Irã. Foto Ricardo Stuckert/PR

Viagens internacionais

A visita que fará a Teerã, no próximo domingo, foi o assunto principal para os jornalistas que acompanham a viagem do presidente Lula a Moscou. Durante declaração de imprensa, no Kremlin, com o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, a jornalista Tânia Monteiro, do jornal O Estado de S. Paulo, indagou sobre qual a nota – de zero a dez – que dariam sobre as chances de Lula ser bem sucedido no encontro que terá com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O presidente russo apostou em 30%. Lula disse que Medvedev estava muito pessimista e afirmou que as chances de sair-se bem sucedido seriam de 99,9%.

“Irei a Teerã, nos próximos dias, confiante no poder do diálogo e da persuasão. Mas a paz que desejamos só será duradoura se forjarmos uma ordem econômica internacional justa e equitativa”.

O encontro com Medvedev foi o terceiro compromisso de agenda do presidente Lula em Moscou. Durante o almoço oferecido pelo governo russo, Lula presenteou o ex-goleiro Lev Yashin, conhecido como “Aranha Negra”, com uma camisa da seleção brasileira. Ele explicou que, apesar de a Rússia não ter jogadores conhecidos mundialmente, Yashin é o grande nome do esporte russo. Ele se destacou pelas defesas arrojadas.

No discurso, proferido por ocasião do comunicado à imprensa, Lula destacou que nesta semana comemoram-se os 65 anos do fim da Segunda Guerra mundial e que sua visita à Russia ocorre num momento muito especial. “Soldados russos e brasileiros derrotaram as forças da barbárie e da destruição. Mas a humanidade nunca esquecerá a amplitude do sacrifício e a coragem do povo russo naquele momento decisivo da história”, destacou.

Mais adiante, o presidente brasileiro assegurou que estava em Moscou também para celebrar aquilo que classificou como “uma nova aliança entre os nossos países”. “Rússia e Brasil compartilham a aspiração de construir um mundo de paz e democracia, com oportunidade de crescimento econômico e justiça social. Sabemos que, para atingir esses objetivos, necessitamos uma governança global à altura dos desafios de um mundo multilateral e multipolar. Mas, para superar dogmas e temores que dificultam o convívio entre as nações, reduzem os espaços de cooperação e colocam riscos inaceitáveis, é preciso forjar novas realidades e novas mentalidades”, afirmou.

Lula lembrou que no cenário mundial atual as ameaças se multiplicam, como o aquecimento global, a insegurança energética e o terrorismo transnacional. Além disso, como enfocou, as velhas mazelas ainda persistem como a pobreza extrema, a violência, a intolerância. Isso leva à necessidade “de termos organizações multilaterais vigorosas. Mas o que vemos é inércia e resistência a mudança”.

O presidente brasileiro lembrou também que, em 2010, são comemorados os 182 anos do estabelecimento do marco diplomático Brasil-Rússia. “Isso explica porque a primeira Escola do Teatro Bolshoi no exterior esteja no Brasil”. Lula deu ênfase à proposta de atingir, em 2010, um fluxo comercial de US$ 10 bilhões.

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