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O primeiro-ministro indiano Manmohan Singh, o presidente Lula e o presidente sulafricano Jacob Zuma se reuniram em Brasília para a IV Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). Foto: Ricardo Stuckert/PR

O primeiro-ministro indiano Manmohan Singh, o presidente Lula e o presidente sulafricano Jacob Zuma se reuniram em Brasília para a IV Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Selo do Bric e Ibas 2010

Para problemas cada vez mais globais é preciso ter respostas igualmente universais, baseadas na solidariedade, cooperação e diálogo, defendeu o presidente Lula na abertura da plenária da 4ª Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), realizada na tarde desta quinta-feira (15/4), no Palácio Itamaraty, em Brasília. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro da Índia, Manmohah Singh, também participaram do encontro.

O presidente Lula afirmou que o grupo é uma resposta “a uma ordem internacional desigual e injusta, incapaz de resolver antigos problemas, como a pobreza extrema e a fome de milhões”, e também não oferece respostas adequadas a novas ameaças como a degradação ambiental e a insegurança alimentar e energética. Como alternativa aos desafios de um mundo interdependente, o Ibas propõe mais cooperação e mais solidariedade, afirmou o presidente Lula, além de ajudar a moldar um século 21 livre de conflitos, miséria e medo.

Somos três grandes democracias multiétnicas do mundo em desenvolvimento, unidas para propor e construir. Sem antagonismos. Com firmeza e continuidade de propósitos. Nossa vocação democrática nos ensinou a apostar na transparência e legitimidade das decisões multilaterais. Para problemas cada vez mais globais, precisamos de respostas igualmente universais.

Lula afirmou ainda que pretende realizar ainda este ano, no Brasil, um encontro de líderes empresariais dos três países.

E em seu discurso de encerramento, o presidente Lula afirmou:

Esta Cúpula é a culminação de uma longa caminhada e o começo de uma jornada ainda mais promissora. Índia, Brasil e África do Sul já têm uma história conjunta e certamente terão, cada vez mais. um futuro comum. Pessoalmente, me despeço do IBAS. E o faço com o sentimento do dever cumprido, com orgulho e felicidade de ver que nossa idéia prosperou. Com a alegria de ter compartilhado com indianos e sul-africanos esta extraordinária e promissora aventura. Desafiamos a geografia e a inércia – e vencemos.

Ouça a íntegra do discurso do presidente na abertura do encontro:

Ouça a íntegra do discurso do presidente no encerramento do evento:

O presidente brasileiro lembrou dos esforços de Brasil, Índia e África do Sul em concluir a Rodada de Doha de forma mais equilibrada, garantindo assim que o comércio internacional seja uma “alavanca para os países mais pobres”, permitindo a eles que desenvolvam o seu potencial agrícola. Citou ainda a atuação dos três países no Conselho de Direitos Humanos e nas negociações sobre mudanças no clima, defendendo o meio ambiente sem que isso interfira no direito ao desenvolvimento, e defendeu mais uma vez a reforma da ONU:

Estamos juntos nessas inúmeras frentes. Mas os países em desenvolvimento não consolidarão uma voz mais ativa sem a reforma da ONU e a ampliação do Conselho de Segurança. Temos credibilidade e estamos dispostos a assumir responsabilidades. Por isso defendo a participação de novos atores nas negociações sobre o Oriente Médio. Não temos histórico colonial nem interesses particulares na região. Podemos ajudar a desobstruir os impasses. Nosso único interesse naquela parte do mundo é o de contribuir para a paz.

Lula prestou homenagem aos primeiro-ministro Singh e ao presidente Zuma pelo compromisso assumido com a iniciativa da Estratégia de Desenvolvimento Social do IBas, que tem como seus principais pilares a cooperação, o diálogo e a solidariedade. Os primeiros frutos já começaram a aparecer: o lançamento de dois satélites do grupo, que trará benefícios nas áreas de navegação e agricultura, entre outras.

Já o Fundo IBAS permite que haja significativos avanços em pesquisa agrícola, formação técnico-profissional, saúde e desenvolvimento de fontes renováveis de energia nos três países.

Com o Fundo IBAS, estamos provando que não é preciso ser rico para ser solidário. Que é possível ajudar sem ingerência nos assuntos internos de outras nações. Estamos provando também que solidariedade não escolhe hora.


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Presidente durante a II Cúpula América do Sul - África em Isla Margarita, na Venezuela. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente durante a II Cúpula América do Sul - África em Isla Margarita, na Venezuela. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Uma das grandes lições da crise econômica que o mundo enfrentou no último ano é que os países emergentes, principalmente da América do Sul e da África, não podem mais ficar à margem das discussões globais de temas relevantes como a própria crise. Outros desafios, como as mudanças climáticas e a insegurança energética e alimentar, também devem ter a participação efetiva de todos, afirmou o presidente Lula em seu discurso durante a II Cúpula América do Sul-África, que vem sendo realizada neste fim de semana na Isla Margarita, na Venezuela. Segundo o presidente brasileiro, organizações políticas e econômicas multilaterais não podem mais prescindir do peso e da legitimidade conferida pelos países em desenvolvimento:

Somos 65 países, com mais de 1 bilhão de pessoas que querem ser ouvidas. Nosso amadurecimento institucional no fortalecimento da paz e segurança é prova de que temos o que dizer e contribuir. (…) O século XXI nos encontra cada vez mais unidos. Não há desafio global que não possa ser enfrentado, conjuntamente, pela África e pela América do Sul. E não há desafio global que possa ser enfrentado sem a América do Sul e a África. A integração regional, o multilateralismo e a cooperação Sul-Sul são nossas armas na construção de um mundo mais justo.

Confira aqui a íntegra do discurso do presidente Lula na II Cúpula América do Sul – África. Para ouvir o discurso, clique abaixo:

A Cúpula se encerra neste domingo – acompanhe ao vivo pela TeleSur aqui.. Após almoço, Lula terá encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e participará em seguida de cerimônia de assinatura de atos.

Lula afirmou que a comunidade internacional precisa reagir para resolver de vez a crise econômica. A prioridade, disse, não deve ser salvar os bancos falidos, mas sim dar respostas a milhões de pessoas que perderam empregos. É preciso manter as medidas de estímulo ao consumo e à produção, e o combate à pobreza e à fome. E para isso, o papel do Estado é fundamental:

Não podemos ser complacentes com sinais do retorno à especulação desenfreada. A mão visível do Estado deve preencher o vácuo regulatório deixado pela mão invisível do mercado. Não há melhor resposta à crise que a integração. A aposta que fizemos no eixo Sul-Sul foi vitoriosa. Graças ao crescimento das trocas entre América do Sul e África, nossos países sofreram menos com a retração da demanda nos países ricos.

Para Lula, é preciso retomar a Rodada de Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), para eliminar distorções no comércio agrícola, única forma de os países mais pobres promoverem seu desenvolvimento, e voltou a enfatizar a importância de se reformar o Conselho de Segurança da ONU para dar direito aos países em desenvolvimento de se posicionarem nas grandes questões da agenda internacional.

O presidente brasileiro destacou a consolidação da aliança entre América do Sul e África nos últimos anos, lembrando que o comércio entre as duas regiões aumentou seis vezes nos últimos seis anos – de US$ 6 bilhões para US$ 36 bilhões.

Queremos fazer da cooperação um fator de emancipação técnica e tecnológica. Compartilhamos experiências bem-sucedidas em matéria de saúde, agricultura e energia. Acreditamos no poder de transformação de uma parceria entre regiões que vivem realidades semelhantes e enfrentam problemas comuns. O Brasil e a América do Sul apostam nos 800 milhões de africanos que querem realizar a promessa de um continente com vastas riquezas naturais e sólidas perspectivas de crescimento.


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