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O casal Nelson e Seli Parizotto mostra a produção de leite em Francisco Beltrão (PR). Foto: Rafael Alencar/PR

Em cada município brasileiro há, em média, duas mil pequenas propriedades de agricultura familiar. Em Francisco Beltrão, situado no Sudoeste do Paraná, esse número chega a 19.588 chácaras ou sítios. São famílias que herdaram dos primeiros colonos da década de 1960 o gosto pelo trabalho na terra. Nelson Parizotto, 50 anos, é um dos muitos exemplos. Tinha cinco anos quando aportou nesta região, deixando a gaúcha Carazinho.

“O Rio Grande do Sul tinha terra fraca e o Paraná era mato. As estradas eram abertas no braço quando viemos”, lembra.

A fixação dos colonos no Sudoeste do Paraná e no Oeste de Santa Catarina abriu caminho para a agricultura familiar no Brasil. Uma experiência que deu origem à expressão e serviu de modelo para a atividade no país. Em Francisco Beltrão, 88% das propriedades são voltadas para a agropecuária e se enquadram no perfil dos agricultores familiares. Juntas, ocupam uma área de 277.868 hectares. De lá, os pequenos trabalhadores rurais conseguem o sustento com o comércio do leite, frango, suínos, trigo, soja, feijão, frutas e hortaliças, entre outros.

Dono de um sítio de nove hectares, onde são criadas 16 vacas, Nelson Parizotto e a mulher Seli retiram 300 litros de leite de dois em dois dias. Cada litro é comercializado por R$ 0,65. Com a ajuda dos recursos do Pronaf, o casal adquiriu um equipamento de resfriamento do leite e duas ordenhadeiras. Uma realidade bem diferente de quando começaram a trabalhar na terra, há mais de 20 anos. Tinham de ordenhar as vacas à mão e plantar sementes esperando que tudo desse certo.

“Antes, a gente pegava a semente e plantava ao Deus dará. Eu tinha de ir trabalhar por dia para sobreviver”, revela ele. “Por isso que eu digo que um homem dura muito e que o trabalho não mata ninguém”, completa.

A produção leiteira é o forte da região, assim como a organização em cooperativas, outra referência de Francisco Beltrão. Para se ter ideia, 200 agricultores integram a Cooperativa de Leite da Agricultura Familiar. Juntas, as ordenhadeiras retiram de 150 mil a 200 mil litros de leite por mês, que são vendidos in natura para a indústria que, por sua vez, produz queijo e iogurte ou comercializa com a rede de ensino para uso na merenda escolar. Nesta região paranaense, 27 cooperativas de leite estão organizadas em 27 cidades. Todo mês, essa união resulta em seis milhões de litros de leite.

Jovens no campo – O casal Parizotto é organizado e econômico. Todos os recursos que buscam junto ao Pronaf têm como destino a compra de sementes e a preparação da terra para o plantio. Nelson e Seli investem na lavoura de milho e outros grãos que seguem para a ração dos animais. A cada ano, destinam R$ 2,5 mil. “Hoje é muito fácil. Pego o dinheiro no banco e pago no ano seguinte. Três dias depois de pagar, já tenho o dinheiro de novo na conta”, detalha.

No passado, disse, era tanta burocracia para ter acesso à linha de financiamento, que até desanimava. O agricultor só lamenta que o apego que ele e a mulher têm pela terra não é o mesmo que o dos dois filhos. Diz que os jovens não querem seguir o caminho. “Quem vai plantar depois de nós?”, indaga.

Manter os filhos dos herdeiros dos colonos no campo é a missão da agricultora familiar Daniela Celuppi, 28 anos. Formada em Pedagogia, ela trocou de profissão. Mora com os pais numa propriedade que produz frutas e sete mil litros de leite por mês. Quer ensinar os filhos a amar a terra. “Hoje a situação das famílias é boa, os juros do Pronaf são baixos, não há burocracia”, diz ela.

Antes do Pronaf, a família tinha de usar os ganhos da propriedade e qualquer mudança climática acabava com a produção. “Com o Pronaf, tem até dinheiro para o seguro. Tua safra fica assegurada”, comemora. Daniela revela que aguarda com ansiedade a visita da presidenta Dilma à cidade. É a primeira vez que um presidente vem a Francisco Beltrão. “É uma honra grande. Tenho a esperança de chegar um pouquinho perto dela”, contou.


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Ao inaugurar três obras simultaneamente nesta quinta-feira (30/12) em cerimônia realizada no Palácio do Planalto em Brasília (DF) -- uma agência do INSS em Caetés (PE), sua cidade natal; a terceira cascata de enriquecimento de urânio da INB em Resende (RJ) e a hidrelétrica Foz de Chapecó (SC-RS) -- ver mais detalhes aqui -, o presidente Lula aproveitou para celebrar três grandes conquistas de seu governo: a produção de energia limpa, a excelência dos serviços da Previdência Social no País e o recorde nas exportações. Com isso, disse, o Brasil será entregue à presidente eleita Dilma Rousseff preparado para os desafios que virão.

“Nós estamos terminando o ano e entregando para a companheira Dilma a Presidência do Brasil num momento muito bom da história do País. Por isso que eu acho que a companheira Dilma vai fazer um extraordinário governo, o Brasil tem qe se preparar para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, o Brasil tem que se preparar para ser a quinta economia logo.”

Sobre a cascata de enriquecimento de urânio, Lula afirmou que o País já debateu o suficiente com a sociedade sobre a necessidade de se fazer investimentos para se ter autossuficiência no processo e para construir o que for necessário estrategicamente para o Brasil manter o ritmo de seu desenvolvimento. E o País tem hoje, disse o presidente, autoridade moral e política na questão energética, porque sua produção é limpa como em nenhum outro lugar.

Depois de conversar com um aposentado de Caetés (PE) por meio de um link ao vivo (vídeo acima), Lula apontou algumas importantes vitórias no campo da previdência no País, como o fim das filas nos postos de atendimento e na maior agilidade existente hoje para dar informações e garantir a aposentadoria dos trabalhadores. Lembrou que pelo telefone 135 é possível, de qualquer lugar do País, obter informações variadas e também marcar consultas. Aproveitou o evento também para criticar os peritos contratados pela Previdência Social, que segundo o presidente, foram ingratos ao fazerem greve logo após conseguirem aumento salarial. “Eu fiquei muito chateado, é importante terminar o mandato dizendo que fiquei chateado, porque ganhavam quase nada, nós levamos para 14 mil e o agradecimento foi fazer uma greve pedindo mais”, afirmou.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:

Para ler a transcrição do discurso, clique aqui.

A Agência da Previdência Social (APS) de Caetés (PE) contou com recursos de R$ 611,1 mil e vai beneficiar mais de 40 mil pessoas -- tanto em Caetés como também em Capoeiras, cidade próxima. A unidade terá capacidade para atender a cerca de 500 segurados por mês e realizar uma média de 50 perícias mensais. Esta será a 57ª agência inaugurada pelo Plano de Expansão da Rede de Atendimento (PEX), que tem como objetivo reforçar o atendimento e facilitar o acesso de 30,8 milhões de pessoas de todo o país aos serviços previdenciários. Apenas em Pernambuco, está prevista a criação de 59 novas APS.

A inauguração da terceira cascata de enriquecimento de urânio, em Resende (RJ), torna a INB a única fabricante de combustível nuclear no mundo com enriquecimento e fabricação no mesmo sítio. A instalação de cascatas faz parte do processo de implantação da Unidade de Enriquecimento Isotópico da INB que, quando concluída, permitirá a consolidação do domínio tecnológico da principal etapa industrial do ciclo de produção do combustível nuclear, o enriquecimento de urânio por ultracentrifugação. A primeira cascata entrou em operação em 2006 e a segunda em 2009. Com a inauguração da terceira cascata, a INB terá capacidade para enriquecer cerca de 10% do total de urânio produzido.

A Usina Hidrelétrica (UHE) Foz de Chapecó está localizada no rio Uruguai, na divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A obra, que integra o plano de metas do PAC, foi iniciada em 2006 e contou com investimentos de R$ 2,2 bilhões. Até o final da construção da usina, prevista para 2011, serão aportados mais R$ 54 milhões, segundo o Ministério de Minas e Energia.

A construção da usina de Chapecó gerou cerca de 7 mil empregos no pico das obras, sendo 4 mil diretos e 3 mil indiretos. Um trecho de 150 km de estrada também foi criado durante a construção da usina, 95 km no Rio Grande do Sul e 55 km em Santa Catarina. Ao todo, 19 pontes também foram erguidas. Hoje, Chapecó é o quarto maior empreendimento em geração de energia elétrica no país, ficando atrás apenas de Jirau, Santo Antônio e Estreito.


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Ao entregar nesta quarta-feira (27/10) a última fase das obras de reconstrução do cais do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, o presidente Lula afirmou que tem consciência do que fez durante seu governo, do que falta fazer e de que, por mais que a gente faça, sempre haverá um pouco a ser feito. A razão é simples, disse ele:

Na hora que o povo vai conquistando as coisas, o povo vai gostando de conquistar e cada vez mais vai querendo mais coisas. Não existe possibilidade do povo se contentar com o que tem. Haverá sempre espaço para que a gente queira um pouco mais.

Lula explicou que exigiu que a obra no porto, seriamente atingido por fortes chuvas em 2008, fosse de qualidade e não ‘meia-boca’ como fora feito em outras oportunidades. Com a obra, afirmou, foi retirada toda a sujeira e entulho que da região do cais, para evitar que uma próxima chuva cause os mesmos problemas. “Missão cumprida, o porto está recuperado”, disse.

Antes de iniciar o discurso, Lula pediu aos presentes que homenageassem o senador Romeu Tuma, que morreu ontem em São Paulo, com um minuto de silêncio, e em seguida lembrou como fora bem tratado por Tuma em 1980, ao ser preso por conta das greves de metalúrgicos do ABC paulista. O então delegado Tuma tirava Lula da prisão à noite para visitar a mãe, que estava doente com câncer. Permitiu também que o líder metalúrgico saísse da prisão para ir ao enterro de dona Lindu.

Ouça a íntegra do discurso do presidente:

Durante a cerimônia, o presidente Lula pediu ao ministro Paulo Bernardo (Planejamento) que promovesse em novembro uma reunião com todos os prefeitos de Santa Catarina que tiveram suas cidades atingidas pelas chuvas para saber se a ajuda de R$ 1,2 bilhão chegou até eles. “Porque muitas vezes o dinheiro disponibilizado é utilizado para outras coisas e não para a finalidade que a gente destinou”, explicou Lula, acrescentando:

A gente disponibiliza uma quantidade de dinheiro sempre achando que os projetos apresentados foram corretos e honestos. Nós não podemos permitir que as pessoas se aproveitem da desgraça dos outros para fazer política menor e depois ficar jogando a culpa de que o dinheiro não veio do governo federal, não liberou o dinheiro. Foi liberado cada centavo que foi pedido e foi liberado cada centavo das pessoas que apresentaram projeto.


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Presidente Lula visita obras na BR-101 na região de Criciúma (SC). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Entre fazer um projeto e entregar a obra pronta, vai um longo caminho de dificuldades muitas vezes ignorado por quem está fora do governo. Por isso o presidente Lula fez questão de ir a Criciúma (SC) nesta segunda-feira (13/9) entregar quatro lotes de obras de duplicação da rodovia BR-101 (Rio Araçatuba-Itapirubá, Sangão-Criciúma, Criciúma-Araranguá e Sombrio-Divisa), além de assinar autorização do Projeto de Ampliação da Capacidade e Modernização da BR-101 Sul 1, por considerá-las grandes vitórias do Ministério dos Transporte e do povo catarinense. Os investimentos do governo federal em estradas no estado já somam mais de R$ 2 bilhões, frisou Lula, e cada obra entregue deve ser muito comemorada “porque não depende só do dinheiro e da vontade do governo, depende de outras coisas”, afirmou.

Há grande diferença entre a teoria e a prática, disse o presidente:

Fazer obra neste País é exatamente assim. Entre a gente fazer o projeto executivo de uma obra, a gente conseguir licença ambiental, a gente fazer o processo de licitação, a gente aguentar os processos judiciais da empresa que perde e abre contra a empresa que ganha, brigar na Justiça contra o TCU que muitas vezes levanta suspeita… e as suspeitas às vezes são verídicas e às vezes são infundadas, e ninguém arca com a responsabilidade de você paralisar uma obra por um ano.

Lula lembrou o caso da obra de um túnel da BR-101 no Rio Grande do Sul que ficou parada por cerca de seis meses por conta da possibilidade de existir na região uma perereca que estaria em extinção. “Depois descobriu-se que não estava em extinção, e a obra foi retomada”, disse o presidente, que pretende comparecer à inauguração do túnel mesmo que seja durante as festas de fim de ano.

Ouça a íntegra do discurso:

Para ler a transcrição, clique aqui.

O presidente criticou a “indústria de fiscalização” que existe hoje no País, em que muitas vezes se paralisa uma obra por conta de uma suspeita infundada, gerando prejuízos ao governo, às empresas e à população, sem que ninguém se responsabilize por isso. E reafirmou o compromisso do seu governo em combater as possíveis irregularidades:

Quando tem roubo, a gente pega. Vocês viram o que aconteceu agora no Amapá. Só tem um jeito de um bandido não ser preso neste País: é ele não ser bandido. Porque se for bandido, e a gente descobrir, a gente pega. Houve um tempo que não era assim. Houve um tempo em que era mais fácil levantar o tapete e jogar para baixo. Agora não!


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bom dia, MinistroA ajuda do governo federal no valor de R$ 550 milhões para os estados de Pernambuco e Alagoas, para o socorro e a reconstrução das cidades atingidas pelas chuvas, foi abordada nesta quinta-feira (1/07) pelo ministro das Cidades, Márcio Fortes, em entrevista ao programa de rádio Bom Dia, Ministro. Fortes fez também um balanço das contratações do programa Minha Casa, Minha Vida e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A ampliação de radares tem sido discutida, para minimizar os danos das chuvas. No caso de Pernambuco e Alagoas, houve sim um alerta, quando se detectou uma formação imensa de umidade no Oceano Atlântico, que se deslocava rapidamente até o agreste pernambucano. As mudanças climáticas têm surpreendido a todos. Por isso vamos investir mais ainda em radares. Temos exemplos em Belo Horizonte, onde eu estava ontem, com sistema montado pela prefeitura; já existe rede de radares, o que nós queremos é coordenar tudo isso no âmbito da defesa civil, aperfeiçoando esses alertas.

Márcio Fortes disse ainda que quando visitou as cidades atingidas teve a impressão de que estava vendo uma área atingida pela bomba de Hiroshima ou o tsunami da Indonésia: “Por onde a água passou, destruiu.

No Nordeste, assim como foi em Santa Catarina, a preocupação agora é encontrar áreas seguras para abrigar a população e reconstruir as cidades. “Nós colocamos pessoal técnico especializado do Ministério das Cidades acompanhando os trabalhos em Santa Catarina e estamos colocando à disposição de Pernambuco e Alagoas para ajudar. O clima está mudando e a quantidade de chuva que tem caído é fora do normal. O que pode parecer seguro hoje, amanhã pode não ser, então temos que ter pareceres de geólogos e meteorologistas sobre a segurança das áreas”.

Ouça aqui a íntegra do programa:

Em Alagoas, 26.618 mil pessoas estão desabrigadas, 47.897 mil desalojadas e ocorreram 37 óbitos. Em Pernambuco: 26.966 mil desabrigados, 55.643 mil desalojados, e 20 óbitos. O Ministério das Cidades vai repassar ainda R$ 150 milhões para reconstruir moradias nos municípios que foram atingidos por chuvas e enchentes em todo o país. Receberão recursos cidades de 21 estados. Em junho do ano passado, o ministério selecionou projetos de drenagem em 109 municípios brasileiros, que receberão R$ 4,7 bilhões para prevenir novas enchentes.

Perguntado sobre a entrega de obras do PAC no Rio Grande do Sul, o ministro informou que muitas delas estão com os cronogramas de entrega adiantados, graças às parcerias do governo federal com os estados e as prefeituras.

Quanto ao programa Minha Casa, Minha Vida, que em um ano já contratou mais de 500 mil unidades habitacionais, com investimento de R$ 32 bilhões, Fortes informou que a meta é reduzir o déficit habitacional do País em 14% – hoje está em 7,2 milhões de unidades. O investimento total estimado para o programa é da ordem de R$ 60 bilhões. No PAC 2, o Minha Casa, Minha Vida vai investir R$ 71,7 bilhões entre 2011 e 2014, na construção de 2 milhões de unidades habitacionais.


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O Ministério da Integração Nacional liberou R$ 26 milhões nesta terça-feira para a realização de obras emergenciais nos municípios atingidos pelas chuvas em Santa Catarina. Desta forma, o Governo Federal, em colaboração com o governo do estado de Santa Catarina, tenta minimizar o sofrimento da população e reestabelecer assim que possível os serviços básicos e as atividades produtivas e geradoras de emprego nas áreas atingidas. Desde novembro do ano passado, o Governo Federal já repassou por volta de R$ 2,7 bilhões para ajudar o Estado a se recuperar.

Luiz Henrique da Silveira, governador de Santa Catarina, e a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti, falaram à imprensa após a cerimônia de sanção ao projeto de lei que criou a Universidade Federal da Fronteira Sul, e comentaram a ajuda prestada pelo governo federal ao Estado.


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