Presidente Lula em sobrevoo às obras do canal de transposição das águas do rio São Francisco. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O sertão não quer mais ser motivo de estudos sociais para medir fome e miséria, quer é ser uma região desenvolvida, sem que isso signifique tirar recursos ou desenvolvimento de qualquer outra região do País. E essa nova realidade do Nordeste está em construção, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (14/12) em evento realizado em Salgueiro (PE) para entrega de casas às famílias atingidas pela transposição das águas do rio São Francisco. A obra do Canal do rio São Francisco, aliás, é um dos projetos que estão turbinando o crescimento no Nordeste, juntamente com a ferrovia Transnordestina, refinarias, estaleiros, universidades, escolas técnicas.
Em seu discurso, o presidente lembrou que tanto a construção da ferrovia Transnordestina como o Canal do São Francisco são sonhos antigos para a região, e que só agora houve vontade política e os recursos necessários para serem tocados. Esses e os demais projetos que vem sendo feitos no Nordeste estão gerando empregos, renda e dando maior dignidade ao povo local. E se tudo der certo, Lula espera voltar à região em 2012 para ver tudo funcionando:
Eu fico imaginando quando estiver tudo funcionando. O trem passando, a água passando, o povo trabalhando, o Brasil crescendo, a nossa vida melhorando e o sertão nunca mais voltará a ser motivo de estudos sociais para medir a fome e a miséria. O sertão vai fazer parte do Brasil desenvolvido.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
O presidente Lula voltou a criticar quem trabalhou contra o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, afirmando que só quem “nasceu abrindo uma torneira ou uma geladeira” poderia atacar a obra, que vai levar água e desenvolvimento a milhões de nordestinos. “Nós vencemos a batalha e, se Deus quiser, em 2012 estaremos aqui ajudando a companheira Dilma a inaugurar a transposição definitiva das águas do rio São Francisco”, disse ele, para garantir que todos possam ter o direito “de beber sem pedir licença, sem pedir favor, sem ser humilhado”.
O principal objetivo da transposição é, segundo o presidente, favorecer os pequenos agricultores e cooperativas da região, para dar uma chance no século 21 a pessoas que não tiveram chance no século 20.
Presidente Lula e o ministro Fernando Haddad visitam as instalações do Instituto Federal do Sertão de Pernambuco, Salgueiro (PE). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Sempre elogiando muito o ministro Fernando Haddad (Educação) e sua dedicação por incluir cada vez pessoas na educação fundamental, média e universitária e melhorar a qualidade do ensino oferecido, o presidente Lula fez um apelo aos jovens para que estudem e se qualifiquem profissionalmente, porque as oportunidades estão surgindo no País. Em discurso durante inauguração do campus Salgueiro do Instituto Federal do Sertão de Pernambuco, disse ainda que quanto mais qualidade, formação e informação tiver o povo, mais poderosa e importante será a nação. “Não há razão para jovem ter preguiça ou desanimar”, afirmou.
Quero que os filhos dos pobres tenham no século 21 as chances que eu não tive no século 20. Quero que este País seja um País em que ninguém deixe de estudar porque não tem dinheiro. Aonde ninguém deixe de estudar porque é pobre, porque é negro, porque está desempregado. É obrigação do estado brasileiro de garantir a todos os seus jovens o direito de estudar, de se formar, e construírem uma vida tranquila.
O presidente, que lembrou aos presentes ter triplicado os recursos do Ministério da Educação (de R$ 20 bilhões para R$ 60 bilhões) lamentou o fato de os governantes anteriores não terem dado a devida atenção à educação, porque é o “investimento mais rentável possível, o que dá retorno mais rápido”. Um povo educado não exporta apenas matérias-primas como suco de laranja e minério de ferro, mas também conhecimento e inteligência, disse Lula.
Com isso em mente, afirmou, foi preciso mudar muita coisa no País, como por exemplo a lei criada em 1998 que proibia o governo federal de assumir a responsabilidade da educação por ensino técnico. O resultado não poderia ser melhor: com o fim da lei, o governo pode criar 214 escolas técnicas no País em oito anos – de 1909 a 2002, foram criadas 140.
O que está criado no Brasil é um paradigma. Antes entrava um governante, não fazia nada; entrava outro, não fazia nada. Antes não tinha referencial. Agora todos tem um referencial.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
Todo o investimento em educação, associado a obras importantes como a transposição do rio Sao Francisco, a refinaria Abreu e Lima e a ferrovia Transnordestina, vai desenvolver o Nordeste como já deveria estar sendo feito há anos. “A gente está preparando o povo brasileiro e desenvolvendo as regiões que precisam”, afirmou Lula, citando outro dado importante que reflete o bom momento vivido pela região atualmente: a formação de doutores:
Quando chegamos ao governo, apenas 1,3% dos doutores formados no Brasil eram do Nordeste. Agora já são 9,5% dos doutores do Nordeste. A coisa mais importante é que este ano a maioria das pessoas formadas doutores foram mulheres – 51% contra 49% dos homens. Entao isso demonstra que começa a haver uma mudança no Brasil. Eu acho que vocês vão colher isso, leva pelo menos mais uns 10 anos para gente mudar radicalmente, talvez até um pouco mais. Nós começamos e não tem retorno.
Para fazer frente à crescente demanda por mão de obra, o Instituto Federal do Sertão Pernambucano preparou o curso de edificações de olho nas obras da Ferrovia Transnordestina, empreendimento de 1.728 quilômetros que passará pelos estados de Pernambuco, Piauí e Ceará. O objetivo do instituto é dar uma profissão aos jovens de Salgueiro, um dos municípios mais carentes do interior pernambucano.
O ponto de partida será dado na terça-feira (17/8), quando o presidente Lula inaugura o campus do instituto, visita o canteiro de obras da Aliança Transnordestina e da maior fábrica de dormentes da América Latina. Pela manhã, no Aeroporto de Petrolina – distante 270 quilômetros de Salgueiro – Lula concede entrevista para emissoras de rádio locais e no fim da tarde, na mesma cidade, inaugura um prédio da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
O reitor do instituto federal, Sebastião Rildo, conversou com o Blog do Planalto, explicando o processo de expansão dos cursos técnicos no estado. Ele disse que há cinco anos, o instituto tinha 650 alunos. Atualmente, 3.680 cidadãos buscam aprender uma profissão nas salas da institutição. A procura pelos cursos técnicos, segundo Rildo, permitirá a construção de mais três campi na região.
Se por uma lado, jovens e adultos estão buscando aperfeiçoamento profisional, por outro, os dados divulgados por técnicos do governo sobre a ampliação da malha ferroviária impressionam. Os analistas Marcelo Calado e Bruno Marques, do Ministério dos Transportes, informaram que somente a Transnordestina oferecerá 10 mil empregos. De acordo com estudos da Sudene, ao longo dos 123 municípios de três estados, a ferrovia irá gerar 550 mil oportunidades de trabalho diretas e indiretas.
Além disso, o governo tem um plano para ampliar a malha ferroviária dos atuais 28 mil quilômetros para 50 mil quilômetros até o ano 2025. Em setembro, sairá o edital para a construção da Ferrovia Oeste-Leste. Existem também as obras da Ferrovia Norte-Sul. Todos os empreeendimentos permitirão a interligação com portos brasileiros, reduzindo o custo do transporte, atualmente com forte influência no modal rodoviário.
A Vila Junco é a primeira de um total de 18 que serão entregues à população reassentada por conta das obras no rio São Francisco. Foto: Maiana Diniz
O presidente Lula encerrou na tarde desta sexta-feira (16/10) sua viagem de inspeção das obras de revitalização e integração do rio São Francisco, que durou três dias pelo sertão nordestino, entregando casas populares na recém-construída Vila Produtiva Rural da Fazenda Junco, próxima à cidade de Salgueiro (PE). Em vez de discursar, Lula fez o sorteio de algumas unidades da nova vila entre as pessoas que compareceram ao evento.
ATUALIZAÇÃO: Após a visita à Vila Junco, o presidente Lula seguiu de helicóptero para Mauriti, no Ceará, onde visitou as obras do Eixo Norte na cidade. Depois foi para Juazeiro do Norte, sobrevoando a ferrovia Transnordestina, retornando para Brasília no final do dia.
O Blog do Planalto conheceu na última terça-feira o Núcleo Habitacional Fazenda Junco, a primeira de 18 Vilas Produtivas Rurais previstas no Projeto São Francisco. Veja o que são elas:
A vila foi construída para ser o novo lar de famílias que foram reassentadas devido à construção do Eixo Leste do Projeto São Francisco. Para viabilizar as obras dos Eixos Leste e Norte, 100 metros das margens dos canais construídos foram desapropriados. Com isso cerca de 790 famílias vão mudar de endereço para viver em condições iguais ou melhores as que viviam anteriormente, garante o Ministério da Integração Nacional.
Na Fazenda Junco já foram construídas 55 casas, escola, centro comunitário e uma praça. Além das casas, cada família terá uma área para produzir alimentos para subsistência -- principalmente cebola, milho e feijão -- e sistema de irrigação. Os agricultores também receberão apoio de assistentes sociais para que formem cooperativas e vendam conjuntamente os excedentes da produção.
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