O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em nota à imprensa divulgada na tarde desta quinta-feira (2/6), diz que recebeu com estranheza a notificação russa sobre a suspensão temporária dos estabelecimentos produtores de carne localizados nos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
“Pela segunda vez, a notificação chega sem nem mesmo ter sido enviado ao governo brasileiro o relatório técnico das inspeções russas feitas no Brasil”, destaca o secretário de Defesa Agropecuária, Francisco Jardim.
De acordo com o secretário, a SDA enviou nesta quinta-feira, 2 de junho, correspondência às autoridades russas reiterando o pedido de envio do relatório técnico. Jardim anunciou ainda que o Ministério da Agricultura promoverá, na próxima segunda-feira (6), reunião com os presidentes de todas as empresas exportadoras de carne do Brasil e respectivas associações – (ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, UBABEF – União Brasileira de Avicultura e Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos, ABRAFRIGO – Associação Brasileira de Frigoríficos e ABIPECS – Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína) – com a participação de representantes do ministério das Relações Exteriores, para avaliar o impacto da medida.
“Causa estranheza o fato de as medidas terem sido anunciadas sem consistência técnica, repetindo argumentos anteriormente já esclarecidos”, diz o secretário. Isso reforça, diz ele, a sensação de que existem outras motivações para a decisão russa, além das questões técnicas alegadas.
O secretário lembrou que durante reunião em Moscou entre a SDA e o Rosselkhoznadzor, em maio, foram apresentadas ao governo russo todas as informações técnicas solicitadas, bem como todas as providências adotadas, com a garantia de todas as correções. As mesmas informações já haviam sido fornecidas no Brasil por ocasião da reunião final da missão de inspeção feita pelos russos. Além disso, ficou acertada na ocasião entre as partes nova reunião, em Moscou, para a segunda quinzena de junho, dando prosseguimento aos entendimentos.
Com referência à declaração do porta-voz do serviço de Inspeção Sanitária Agrícola da Rússia (Isar), Alexéi Alexéyenko, sobre a suposta presença de bactérias e parasitas na carne brasileira, o secretário considera a afirmação “completamente destituída de fundamentos científicos”.
“São alegações jamais apresentadas oficialmente ao governo brasileiro pelas autoridades russas e sem nenhum relatório de análise nesse sentido”, destacou.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ao lado do ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores), assinou acordo de cooperação com bancos de desenvolvimento dos países do BRICS, em Sanya, China. Foto: Elza Fiúza/ABR-Arquivo
A proposta de fortalecer a cooperação financeira entre os bancos de desenvolvimento do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) contida no plano de ação da “Declaração de Sanya” começa a surtir efeito. O BNDES divulgou, nesta quinta-feira (14/4), no Rio de Janeiro, informação sobre assinatura de acordo para cooperações financeiras pelos presidentes dos bancos de desenvolvimentos dos cinco países. Segundo a assessoria do banco brasileiro a “iniciativa ampliará investimentos e comércio entre potências emergentes”.
O fato ocorreu no âmbito da III Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo dos BRICS, em Sanya, China, que teve participação da presidenta Dilma Rousseff, dos presidentes da China, Hu Jintao; da África do Sul, Jacob Zuma; e da Rússia, Dmitri Medvedev, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que acompanha a presidenta Dilma nesta conferência, assinou o acordo pelo lado brasileiro. Na ocasião, também foi firmado um protocolo de acesso que formalizará a adesão do banco de desenvolvimento da África do Sul ao grupo.
Ainda segundo a assessoria do banco, o acordo de cooperação terá prazo de vigência de cinco anos e prevê o fortalecimento da cooperação financeira entre as instituições signatárias e o desenvolvimento do relacionamento econômico e comercial entre os países dos BRICS.
Vídeo: ministro Antonio Patriota avalia resultados da III Cúpula BRICS
Para dar andamento ao processo, será formado um grupo de estudos integrado por representantes das cinco instituições – BNDES, China Development Bank (CDB), Bank for Development and Foreign Economic Affairs (Vnesheconombank, Rússia), Export-Import Bank of India (Eximbank, Índia) e Development Bank of Southern Africa (DBSA).
O objetivo do grupo é propor, em 2012, duas medidas básicas: a criação de instrumentos que permitam a efetiva atuação conjunta das instituições, a fim de fomentar as relações comerciais entre os países, e mecanismos financeiros e operacionais que facilitem o apoio a projetos de interesse comum.
A atuação e peso dos BRICS na economia mundial têm sido cada vez maiores. A crise financeira internacional de 2008 mostrou o potencial destes países na sustentação do crescimento global, o que aumentou as perspectivas de que essas nações possam ampliar sua influência também na dinâmica sociopolítica do planeta.
Por essa razão, o intercâmbio de experiências e a reflexão conjunta sobre os possíveis caminhos para a realização desse potencial de desenvolvimento econômico e social têm significativas implicações sobre os referenciais e os modelos de política vigentes.
Nesse cenário, o BNDES surge como um dos agentes de desenvolvimento dotados de uma crescente relevância. Em 2010, o banco desembolsou o equivalente a US$ 96,3 bilhões, cifra superior ao de outras instituições internacionais de fomento, como o Banco Mundial, que liberou US$ 18,6 bilhões; o Banco Interamericano de Desenvolvimento, US$ 11,4 bilhões; e a CAF -- Corporação Andina de Fomento -, US$ 4,6 bilhões.
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O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, o presidente Rússia, Dmitri Medvedev, o presidente da China, Hu Jintao, a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da da África do Sul, Jacob Zuma, durante foto oficial da 3ª Cúpula dos BRICs. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff; da Rússia, Dmitri Medvedev; da China, Hu Jintao; da África do Sul, Jacob Zuma; além do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, participam da III Cúpula BRICS – bloco de países emergentes – que ocorre em Sanya, situada a sul de província de Hainan, China. Após foto oficial, os mandatários se encontraram em reunião privada, norteada por quatro assuntos principais: situação político-econômica internacional, quadro econômico mundial pós-crise, cooperação inter BRICS e papel dos países deste bloco na governança internacional
Segundo agenda divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), após a reunião privada acontecerá reunião ampliada no Hotel Sheraton Sanya Resort.
Por volta de 11h25 (aos 25 minutos de quinta-feira, 14/4, pela hora oficial de Brasília) haverá cerimônia de assinatura de atos e declaração à imprensa. Em seguida, os participantes da reunião serão recebidos para um almoço oferecido pelo presidente chinês, Hu Jintao, e logo após audiências individuais com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma; o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh; e o primeiro-Ministro da Ucrânia, Mykola Azarov.
Na sexta-feira (15/4), na cidade de Bo’Ao, a presidenta Dilma comparece à cerimônia de abertura do Forum de Bo’Ao. No início da tarde (pelo horário local) segue para Xi’an.
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O BRIC -- Brasil, Rússia, Índia e China -- vai ganhar um S de South Africa, ou melhor, África do Sul para os brasileiros, e passa a se chamar BRICS. A partir da III Cúpula, que acontece na cidade de Sanya, uma ilha chinesa, nesta quinta-feira (13/4), o país africano passa a integrar o bloco de países emergentes. A chegada de mais um participante será comemorada pelo Brasil que, para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, dá boas-vindas a este mais novo sócio.
“Seguramente o Brasil vai dar as boas-vindas a África do Sul, já que nos coordenamos no IBAS (Índia, Brasil e África do Sul). A África do Sul é um país que estamos bastante familiarizado”, antecipou Patriota ao explicar que a reunião tratará também de temas como G20 e rodada de Doha. E há uma outra vertente neste grupo de países: todos participam atualmente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Antes de acompanhar a presidenta Dilma Rousseff na viagem para Sanya, quando acontecerá a segunda etapa da visita à China, o chanceler Antonio Patriota concedeu entrevista a repórter Ana Gabriella Sales, da TVNBR -- a emissora do governo federal. Durante pouco mais de seis minutos, Patriota avaliou a viagem da presidenta Dilma a este país da Ásia.
“Fui um resultado que só pode ser considerado muito positivo”, iniciou o chanceler ao destacar a participação dos empresários e o interesse do governo chinês pelo incremento do fluxo comercial Brasil-China. Patriota também anunciou que uma delegação de empresários da China virá ao Brasil no próximo mês, com o objetivo de dar continuidade aos acordos comerciais. Isso tudo sem contar com os investimentos de empresas no mercado brasileiro em setores de aviação comercial, ciência e tecnologia da informação.
O ministro brasileiro também contou que os contatos políticos foram bem vistos pelo governo brasileiro. Segundo ele, as audiências com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Wu Bangguo, e com o primeiro-ministro Wen Jiabao reforçam a política de parceria defendida pelo governo brasileiro. Além disso, Patriota destacou a declaração conjunta assinada pela presidenta Dilma e o colega chinês Hu Jintao, na reunião ocorrida no dia anterior.
Até a próxima sexta-feira, a agenda a presidenta Dilma contempla os fóruns BRICS e Boao. Devem ocorrer também encontros da presidenta com os presidentes Dmitri Medvedev (Rússia) e Jacob Zuma (África do Sul), além do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.
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Com os atletas paraolímpicos e dirigentes do CPB, a presidenta Dilma destacou a importância do esporte para o país. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
O encontro da presidenta Dilma Rousseff com atletas e dirigentes que participaram do Campeonato Mundial Paraolímpico de Atletismo, na Nova Zelândia, foi marcado pela emoção. Em seu discurso, com a voz embargada, a presidenta Dilma destacou a importância e o esforço da equipe que conquistou 30 medalhas (12 de ouro, 10 de prata e oito de bronze) e terminou a competição na terceira colocação, atrás apenas de China e Rússia, no quadro geral de medalhas. Dilma explicou também que o programa “Bolsa Atleta”, do governo federal, é oportunidade para que os competidores possam se preparar para as futuras competições.
“É o orgulho para o Brasil que vocês dão a cada um dos cidadãos deste país. Vocês foram lá e conquistaram este prêmio”, disse a presidenta.
Ouça abaixo a íntegra do discurso da presidenta Dilma Rouseff na cerimônia com atletas paraolímpicos.
Ao término da cerimônia, a presidenta Dilma sugeriu que fosse feita uma foto coletiva como forma de marcar o encontro e, ainda emocionada, disse que as medalhas eram as “moedas da cidadania”. Durante o encontro, o ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou que a Caixa Econômica Federal, que iniciou patrocínio ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPO), em 2004, com R$ 1 milhão, assegurou recursos da ordem de R$ 21 milhões para o período 2011/2012. Somente no ano passado, a Caixa destinou R$ 9 milhões ao esporte paraolímpico.
A presidenta Dilma entrou na sala de audiência e fez questão de cumprimentar os principais atletas. De início, abraçou a velocista Terezinha Guilhermina e trocou afagos. Terezinha ganhou quatro medalhas de ouro, bateu dois recordes mundiais nas modalidades 200m e 400m e obteve outro recorde da competição. A atleta não perdeu tempo e entregou o bicho de pelúcia “kiwi” -- ave símbolo da Nova Zelândia. A presidenta disse que guardaria o presente “que vai dar muita sorte para mim também”.
Ao lado do presidente do CPB, Andrew Parsons, a presidenta Dilma foi apresentada aos competidores. Em seguida, o ministro Orlando Silva, em discurso, realçou o esforço do grupo que enfrentou horas de voo até Brasília para ser recebido no Palácio do Planalto. “Que essa experiência no campeonato mundial sirva de motivação para todos vocês”, afirmou o ministro.
Orlando Silva também agradeceu o patrocínio que a Caixa tem dado ao esporte paraolímpico. Segundo o ministro, com o aporte financeiro tem sido possível fazer dos atletas paraolímpicos “um grande exemplo para o Brasil”. A aposta agora é os Jogos Olímpicos 2012 que ocorrerá em Londres.
Parsons enfatizou que a presença da delegação brasileira tinha como único objetivo agradecer ao governo federal. Ele atribuiu ao planejamento os resultados conquistados na Nova Zelândia. Andrew Parsons explicou que o trabalho que vem sendo feito pelo CPB pode ser comparado ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do esporte paraolímpico nacional.
Em seu discurso, a presidenta explicou que fazia uma saudação especial a atleta Terezinha Guilhermina. Antes, Terezinha, num gesto simbólico, colocou no pescoço da presidenta as quatro medalhas de ouro que conquistou na competição. Depois, a presidenta Dilma devolveu-as e informou que o gesto de Terezinha a deixou emocionada e, por este motivo, as medalhas ficariam guardadas no coração.
“É um momento que a gente se comove. Quando se ganha uma medalha, mostra que com a persistência tudo é possível”, disse a presidenta, ressaltando que para os atletas paraolímpicos as competições são mais difíceis se comparadas com atletas que não tenham deficiência física.
Ao término da cerimônia, Terezinha Guilhermina era só felicidade. Contou ao Blog do Planalto que ficou emocionada com a celebração e afirmou que “quando crescer quero ser a presidenta Dilma”, concluiu segurando as medalhas.
O presidente Lula acaba de chegar ao aeroporto de Mehrabad, em Teerã (Irã) (meia-noite, horário local, sete horas e meia a mais do que o horário de Brasília), após cumprir agenda em Doha (Catar) e Moscou (Rússia), e ficará na capital iraniana até segunda-feira (17/5) para se encontrar com as principais lideranças do país. É a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao Irã. Na pauta da visita estão a cooperação e o fluxo do comércio entre os dois países em áreas como turismo, esportes, energias renováveis (biocombustíveis) e agricultura, o programa nuclear iraniano e a agenda internacional, com destaque para as questões relativas ao Oriente Médio.
Na manhã de domingo, Lula tem encontro privado com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (às 9h10 de domingo) e, ao meio-dia, reunião com Ahmadinejad e o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Na parte da tarde, o presidente brasileiro se encontrará com o presidente da Assembléia Consultiva Islâmica, Ali Larijani.
Na segunda-feira (17/5), antes de viajar para Madri (Espanha), o presidente Lula participará da abertura da XIV Cúpula do G15.
Infográfico: Thiago Melo
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Durante reunião com Dimitri Medvedev, Lula apostou num acordo com o presidente do Irã. Foto Ricardo Stuckert/PR
A visita que fará a Teerã, no próximo domingo, foi o assunto principal para os jornalistas que acompanham a viagem do presidente Lula a Moscou. Durante declaração de imprensa, no Kremlin, com o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, a jornalista Tânia Monteiro, do jornal O Estado de S. Paulo, indagou sobre qual a nota – de zero a dez – que dariam sobre as chances de Lula ser bem sucedido no encontro que terá com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O presidente russo apostou em 30%. Lula disse que Medvedev estava muito pessimista e afirmou que as chances de sair-se bem sucedido seriam de 99,9%.
“Irei a Teerã, nos próximos dias, confiante no poder do diálogo e da persuasão. Mas a paz que desejamos só será duradoura se forjarmos uma ordem econômica internacional justa e equitativa”.
O encontro com Medvedev foi o terceiro compromisso de agenda do presidente Lula em Moscou. Durante o almoço oferecido pelo governo russo, Lula presenteou o ex-goleiro Lev Yashin, conhecido como “Aranha Negra”, com uma camisa da seleção brasileira. Ele explicou que, apesar de a Rússia não ter jogadores conhecidos mundialmente, Yashin é o grande nome do esporte russo. Ele se destacou pelas defesas arrojadas.
No discurso, proferido por ocasião do comunicado à imprensa, Lula destacou que nesta semana comemoram-se os 65 anos do fim da Segunda Guerra mundial e que sua visita à Russia ocorre num momento muito especial. “Soldados russos e brasileiros derrotaram as forças da barbárie e da destruição. Mas a humanidade nunca esquecerá a amplitude do sacrifício e a coragem do povo russo naquele momento decisivo da história”, destacou.
Mais adiante, o presidente brasileiro assegurou que estava em Moscou também para celebrar aquilo que classificou como “uma nova aliança entre os nossos países”. “Rússia e Brasil compartilham a aspiração de construir um mundo de paz e democracia, com oportunidade de crescimento econômico e justiça social. Sabemos que, para atingir esses objetivos, necessitamos uma governança global à altura dos desafios de um mundo multilateral e multipolar. Mas, para superar dogmas e temores que dificultam o convívio entre as nações, reduzem os espaços de cooperação e colocam riscos inaceitáveis, é preciso forjar novas realidades e novas mentalidades”, afirmou.
Lula lembrou que no cenário mundial atual as ameaças se multiplicam, como o aquecimento global, a insegurança energética e o terrorismo transnacional. Além disso, como enfocou, as velhas mazelas ainda persistem como a pobreza extrema, a violência, a intolerância. Isso leva à necessidade “de termos organizações multilaterais vigorosas. Mas o que vemos é inércia e resistência a mudança”.
O presidente brasileiro lembrou também que, em 2010, são comemorados os 182 anos do estabelecimento do marco diplomático Brasil-Rússia. “Isso explica porque a primeira Escola do Teatro Bolshoi no exterior esteja no Brasil”. Lula deu ênfase à proposta de atingir, em 2010, um fluxo comercial de US$ 10 bilhões.
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Presidente Lula discursa durante Fórum Empresarial Brasil-Rússia (Moscou, Rússia, 14/05/2010) Foto: Ricardo Stuckert/PR
O uso das moedas brasileiras e russas no comércio entre os dois países consiste num importante desafio do século 21. A posição foi apresentada pelo presidente Lula durante discurso de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Rússia. Para uma plateia de cerca de 300 empresários, Lula explicou que tal proposta se faz necessária para que “não estejamos tão vulneráveis”. Ele enfatizou que a recente crise financeira na Grécia mostrou que as medidas adotadas pelas grandes potências não foram suficientes para impedir que outros países ainda sejam afetados.
Além disso, o presidente brasileiro defendeu que Brasil e Rússia, seja em qualquer fórum mundial -- como exemplo G-20 ou Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) -, façam prevalecer o setor produtivo em relação ao setor financeiro. Explicou também que o setor financeiro deve ter por função destinar recursos ao segmento produtivo. Lula contou a experiência do Brasil, onde os bancos públicos tiveram papel fundamental no momento da crise econômica mundial que se alastrou no último trimestre de 2008.
“No Brasil, se não fossem os bancos públicos BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal teríamos dificuldades para enfrentar a crise”, explicou. Ele enfatizou que “no Brasil não teve mágina na economia”, mas o que prevaleceu foi a seriedade das autoridades locais no enfrentamento do problema.
Outro desafio lançado pelo presidente Lula foi exatamente a operação aérea direta Brasil-Rússia. Segundo explicou, a inexistência de voo ligando Moscou a outra capital brasileira é algo inexplicável para os dois países que desejam ampliar as relações comerciais. Lula destacou também as oportunidades que estão sendo apresentadas pelo Brasil. Conforme explicou, o momento brasileiro, que se prepara para a Copa 2014 e os Jogos Olímpicos 2016, permite que os investidores russos se voltem para o mercado nacional.
Ao propor um fluxo comercial de US$ 10 bilhões ainda este ano, Lula lembrou que no passado o Brasil dava prioridade aos blocos econômicos da Europa e do Estados Unidos. No entanto, em sua gestão, passou a valorizar o comércio com países das Américas do Sul e Latina, com o continente africano, além do fortalecimento das relações com os países árabes e asiáticos.
Antes de participar do fórum empresarial, Lula compareceu à cerimônia de deposição de oferenda floral no túmulo do soldado desconhecido da II Guerra Mundial. À tarde, o presidente reúne-se com o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, e com o primeiro-ministro, Vladimir Putin. Em seguida, Lula embarca para Doha (Catar), o segundo país a ser visitado no périplo internacional. Até a próxima semana, ele passará por Teerã (Irã), Madri (Espanha) e Lisboa (Portugal).
Infográfico: Thiago Melo
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Responsável pelo preparo do almoço para 300 empresários brasileiros e russos, o chefe executivo Rodrigo Sanches concedeu entrevista exclusiva ao Blog do Planalto. Da cozinha do hotel cinco estrelas, em Moscou, onde ocorreu o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, Sanches explicou a experiência de atravessar o Oceano Atlântico para dar um toque especial às carnes bovina e suína e ao frango brasileiro. Aleḿ disso, o estrogonofe ao molho de caipirinha foi criteriosamente elaborado para conquistar o paladar dos investidores russos.
A ideia inovadora do governo brasileiro tem por objetivo aumentar a participação das carnes do Brasil no mercado da Rússia e, deste modo, permitir o incremento das exportações para outros países do continente asiático. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o intercâmbio comercial entre o Brasil e a Rússia evoluiu de US$ 1,68 bilhão, em 2002, para US$ 4,3 bilhões, em 2009. Este valor é inferior à cifra recorde de quase US$ 8 bilhões obtida em 2008. A queda pode ser atribuída aos efeitos da crise financeira internacional, uma vez que o intercâmbio bilateral já cresceu 63,8% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
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