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O próximo presidente da República encontrará um Brasil mais sólido, justo e democrático do que o País era no dia 1º de janeiro de 2003, afirmou Lula em entrevista aos jornais Brasil Econômico e O Dia, publicada nas edições desta sexta-feira (23/7). “O Brasil está muito mais preparado para continuar dando um salto de qualidade”, disse o presidente, acrescentando que o País ganhou mais respeitabilidade internacional e autoestima interna. Esse é o seu maior legado para o próximo governo.

O maior desafio do Brasil para o futuro, afirmou Lula, é recuperar o tempo perdido na educação e em investimentos em pesquisa e tecnologia, e para isso espera que o Congresso Nacional tenha bom senso na discussão do novo marco regulatório do Pré-sal. Disse ainda que o próximo presidente brasileiro vai encontrar um País mais exigente, “porque o povo aprendeu a reivindicar”:

“Essa, essa, para mim, é a coisa extraordinária da democracia e da conquista da sociedade: ela está sempre querendo mais, sempre querendo mais, sempre querendo mais.”

Lula revelou que a sua maior frustração foi não ter conseguido fazer as reformas tributária e política no País. O presidente conversou também sobre seu futuro como ex-presidente, a nova politica externa adotada pelo Brasil, dando mais ênfase a países da América Latina e África, a paz no Oriente Médio, as contas públicas e segurança pública.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista. Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

Legado para o próximo presidente

Eu tenho a convicção de que nós vamos entregar um Brasil, no dia 1º de janeiro, infinitamente mais sólido, infinitamente mais justo, mais democrático, do que o país que eu recebi no dia 1º de janeiro de 2003. Do ponto de vista econômico, a situação está infinitamente melhor, o Brasil está estável, a economia está crescendo, nós temos reservas suficientes para enfrentar qualquer crise, tipo crise russa, tipo crise da Malásia, tipo crise do México, e mesmo a crise do subprime nós tivemos solidez para suportar essa crise. Os salários dos trabalhadores estão crescendo, ou seja, nesses oito anos de governo, todos os acordos salariais de 90% das categorias tiveram ganhos reais de aumento de salário. As classes D e E deram um salto de qualidade, cresceu muito a classe C no Brasil. A educação tem melhorado substancialmente, sobretudo…

A pobreza tem diminuído muito no Brasil. E, sobretudo, o Brasil ganhou respeitabilidade internacional e ganhou muita autoestima interna. Então, o Brasil está muito mais preparado para continuar dando um salto de qualidade. A minha tese é que se o Brasil continuar no ritmo em que ele está nos próximos seis ou oito anos, o Brasil estará entre as cinco maiores economias do mundo, já em 2016, por conta das Olimpíadas.

Brasil mais exigente

Quem chegar aqui, depois de mim, vai pegar um país com mais tranquilidade. Agora, vai pegar um país mais exigente, porque o povo aprendeu a reivindicar. Ontem, eu fiz uma reunião, ontem, eu fiz uma reunião… Vocês sabem que neste país presidente da República, nem ministro da Educação, nunca se reuniram com os reitores, nunca. De medo, porque eles imaginavam que os reitores vinham aqui para reivindicar, para pedir a autonomia das universidades. Eu, faz oito anos que presido o Brasil, e todo ano eu me reúno com todos os reitores do Brasil. Ontem, eu fiz a última reunião do ano para dar a autonomia universitária, que era o último compromisso que eu tinha com eles. Dei a autonomia universitária. Quando eu pensei que não ia ter mais reivindicação para apresentar, eles me apresentaram uma nova pauta de reivindicações. Essa, essa, para mim, é a coisa extraordinária da democracia e da conquista da sociedade: ela está sempre querendo mais, sempre querendo mais, sempre querendo mais. E vocês percebem isso no jornal de vocês. Vocês dão aumento de salário, vocês acham que o cara que pegou o aumento está feliz? Ele está feliz no primeiro mês, no segundo mês; no terceiro mês, ele já acha que aquilo já acabou, ele quer mais.

Desafios para o futuro

Veja, nós temos muitos problemas porque nós temos um século de atraso, na questão da educação. Por isso é que no Pré-sal a minha primeira proposta foi criar um Fundo para que a gente invista na educação, para que a gente aproveite o Pré-sal e a gente recupere o atraso do Brasil na área educacional e, sobretudo, na área de investimento em pesquisa e tecnologia. Ou seja, ciência e tecnologia, para nós, é condição sine qua non para o Brasil dar o salto de qualidade que nós precisamos.

Vida de ex-presidente

O Felipe González conta uma história que eu acho fantástica… ele acha que quando você é presidente, você é que nem vaso chinês: você coloca sempre no lugar mais bonito, para todo mundo ver. Quando você vira ex-presidente, você não sabe o que fazer com um vaso chinês. Ninguém sabe o que fazer com um ex-presidente, ninguém sabe. Ele pode virar um incômodo, ele pode virar um chato, ele pode virar um cara que lamenta a vida, ele pode ficar magoado, rançoso, pode ficar… Eu trabalho com a minha cabeça que eu quero ser o melhor ex-presidente do mundo. Eu não quero dar palpite em quem estiver governando, eu acho que é responsabilidade de quem governar pelos seus erros e pelos seus acertos. E aí, quando eu estiver na minha reflexão, certamente eu vou descobrir muita coisa que eu deveria ter feito e não fiz. Muita coisa.

Frustrações

Por exemplo, eu não consegui fazer a reforma tributária, e mandei dois projetos para o Congresso Nacional. Eu mandei… tem um inimigo oculto da reforma tributária dentro do Congresso Nacional, porque a primeira reforma tributária que eu mandei, eu mandei junto com 27 governadores de estado, foi no mês de abril de 2003. Eu fui ao Congresso Nacional entregar, junto com os 27 governadores. A última, que o ministro Guido Mantega foi entregar, tinha a concordância dos empresários, a concordância das lideranças políticas, a concordância do movimento sindical, a concordância dos empresários. Eu pensei que ia chegar lá e que ia ser votada em três meses. Até hoje não foi votada, porque deve ter um milhão de modelos de política tributária na cabeça de cada pessoa. Então, eu tenho essa frustração de não ter votado a política tributária, e também de não ter conseguido votar a reforma política. Eu sei que não era uma coisa do Poder Executivo, mas eu tenho um compromisso com a minha consciência.

A partir de 1º de janeiro eu não serei mais presidente da República, serei um militante do meu partido, e eu vou trabalhar muito neste país, junto aos partidos, para que a gente possa fazer uma reforma política necessária para fortalecer os partidos políticos, para acabar com a corrupção eleitoral, para evitar caixa-dois, para evitar, sabe…? Que as coisas sejam transparentes, que o Estado… que o financiamento da campanha seja público, transparente, que se decida quanto vale cada voto: é um real, são dois reais, são três reais, e cada partido vai receber proporcionalmente ao que teve e vai ter controle para fiscalizar isso. Então, eu tenho essa frustração de não ter conseguido, apesar de ter mandado também duas propostas para o Congresso Nacional, que não foram apreciadas, que não foram votadas. Então, essas são duas frustrações que eu tenho. Eu posso ter muitas outras e que eu vou… com o tempo é que a gente vai descobrindo as frustrações, das coisas que a gente não fez.

Nova política externa

Nós não podemos virar as costas para esses países e ficar olhando para a Europa, sem enxergar a África; ficar olhando para os Estados Unidos, sem enxergar o Oriente Médio, ou sem enxergar a América Central. Vamos estabelecer uma outra política. E aí, eu tenho orgulho de que eu fui o primeiro presidente a visitar quase todos os países árabes; o primeiro presidente, depois de dom Pedro, a visitar vários países, como o Líbano. Eu já visitei… é a oitava viagem minha à África. Nós saímos de 5 bilhões de balança comercial para 26 bilhões de balança comercial com a África. Isso porque o Brasil ainda tem uma política tacanha. O Brasil pode ser mais ousado com a África e, não o sendo, a China será, e não o sendo, a China será. E o Brasil tem facilidade, o Brasil tem mais carinho, tem mais apego, tem mais semelhança, tem… falamos a mesma língua em muitos países africanos.

Portanto, o Brasil tem que aproveitar esse potencial extraordinário de um continente que tem 800 milhões, e que estão aprendendo a viver na democracia, e que tem países crescendo a 7%, a 19%, a 8%. Ou seja, em vez de ficarmos preocupados com aquele que ainda está em guerra, vamos nos preocupar em consolidar aqueles que já estão construindo a democracia. Depois eu visitei… acho que eu sou o único presidente brasileiro que visitou todos os países da América Central, todos, sem distinção.

Oriente Médio

Quem é que disse que o Oriente Médio é um problema para os americanos cuidarem? Onde é que está escrito? Está na Bíblia? Está na Declaração Universal dos Direitos Humanos? Tem algum documento da ONU que diz que são os americanos que têm que cuidar do Oriente Médio? Não. É preciso construir um grupo de países que tenham a confiança de todos os que estão envolvidos na guerra, porque o problema não é o presidente Abbas e o Primeiro-Ministro de Israel, esses são duas personalidades. Mas quem vai cuidar do Hamas? Quem vai cuidar do Rezbollah? Quem vai conversar com a Síria? Quem vai conversar com o Ahmadinejad? Quem vai conversar com o Emir do Catar que, de um lado, é parceiro americano – tem até base americana lá – e, de outro lado, é aliado do Hamas? Quem é que vai colocar toda essa gente à mesa para tentar, a partir daí, encontrar a solução? Não é uma relação de um clube de amigos, em que o Presidente americano se reúne com o Primeiro-Ministro de Israel, e se reúne com o Primeiro-Ministro da Autoridade Palestina, e está resolvido o problema. Não está, porque para ser resolvido o problema é preciso saber se o Hamas concorda com um acordo de paz.

Liberdade democrática no Brasil

Quem é que pode se queixar que no Brasil não tem liberdade democrática? Quem é que pode? Vocês conhecem o mundo, vocês… Eu duvido que tenha lugar do mundo que a imprensa é mais livre do que no Brasil, duvido. Entretanto, nós fizemos uma conferência de comunicação, e grande parte da imprensa não compareceu porque achou que era uma coisa autoritária que o governo queria se meter. Quando um dirigente faz crítica a um jornal, é censura, não é crítica. É como se fosse o cidadão da imprensa o único que não pudesse receber nenhuma crítica no mundo porque são perfeitos. Tem até uma coisa engraçada. Nesses dias, um cidadão de uma instituição estrangeira aí (SIP) me fez uma crítica, ele tinha acabado de mandar uma carta para mim, para me homenagear, como o “democrata das Américas”. Ele deve ter esquecido que mandou a carta.

Conferências nacionais

O Brasil está tranquilo com relação à democracia. Já está provado, por atos e coisas, que este Estado é altamente democrático, e isso é um bem para o Brasil. Eu acho que esse é outro legado importante. Veja, eu fiz 70 conferências nacionais, eu fiz 70 conferências nacionais. Eu fiz conferência de segurança pública, eu fiz conferência de imprensa, eu fiz conferência de portadores de deficiência, eu fiz conferência de catadores de papel, eu fiz conferência de moradores de rua, eu fiz conferência de criança e adolescente, eu fiz conferência de aposentado, eu fiz conferência de índio, eu fiz conferência de negro, eu fiz conferência de mulher, eu fiz conferência do GLTB. Não tem um segmento da sociedade que eu não fiz conferência, para que a gente pudesse expressar o ponto de vista e dar subsídio para a construção das políticas públicas do nosso governo.

Microeconomia

Nós falamos muito de macroeconomia, não é? Quando a gente discute, quando o Guido Mantega vai a Nova Iorque, ou quando o Guido Mantega… o Meirelles vai a Basiléia, ou quando… Todos nós falamos da macroeconomia, da macroeconomia, mas no Brasil nós criamos uma coisa que caminha paralela à macroeconomia, chamada microeconomia, que é o que toca uma parte das coisas no Brasil, que muitas vezes, não aparecem nos meios de comunicação. Por exemplo, quando nós chegamos ao governo, nós tínhamos R$ 380 bilhões de crédito para o Brasil inteiro – isso em 2003 – R$ 380 bilhões de crédito. Hoje nós temos R$ 1,5 trilhão de crédito. Nós criamos o crédito consignado que ninguém acreditava. Eu nunca tinha visto um economista falar em crédito consignado. Nós criamos o crédito consignado dando como garantia para o banco a folha de pagamento do trabalhador.

Contas públicas

Tem duas coisas que eu queria que vocês soubessem que eu levo muito a sério, muito a sério: primeiro, as contas públicas. Eu sou casado há 36 anos e eu nunca fiz uma dívida na minha vida que eu não pudesse pagar. Eu, muitas vezes, eu fui acho que um dos últimos brasileiros modernos a ter uma televisão em cores, porque eu só comprei quando eu pude comprar e pagar. Eu só pude ter o meu carro quando eu tinha consciência de que eu não ia me apertar para pagar. E isso, assim, eu faço com o Brasil, Ricardo. Eu digo sempre para os meus amigos: eu não quero governar o Brasil, eu quero cuidar do Brasil. Cuidar, cuidar como eu cuido da minha família, cuidar como eu cuido do meu filho, não deixar a coisa desandar. Se, de vez em quando, você precisar apertar em um lugar, você aperta; mas se for preciso você desapertar em outro, você desaperta.

O Guido Mantega tem feito um trabalho extraordinário, o Meirelles tem feito um trabalho extraordinário. Eu tenho dito para eles: Não tem mágica na economia, e não tem política na economia. Não adianta, porque tem eleição: “Ah, não vai aumentar juros porque tem eleição, ou não vai fazer tal coisa porque tem eleição”. A eleição, para mim, é uma coisa muito passageira. Este país é eterno. E eu sei o que custa um país arrumado, porque eu estava dentro de uma fábrica quando este país estava desarrumado e eu tinha a inflação a 80% ao mês. Então, eu sei o que isso pesava no meu salário.

Segurança pública

Se tudo fosse resolvido criando um ministério, nós não teríamos problemas no Brasil. Os tucanos têm experiência de governar vários estados importantes e pouca experiência de cuidar de segurança, pouca experiência. Então, acho muito pobre que um candidato diga “eu vou criar um ministério”. Segundo, é importante – e eu não tenho os números aqui – mas o Franklin pode arrumar para vocês… a Maya pode arrumar para vocês, o que nós fizemos no Ministério da Justiça, o que significam as políticas que nós adotamos nos últimos três anos para ajudar os estados a reduzir o problema da crise com a segurança pública. Posso te dizer, sem ver… a Maya pode te dar. Não tem momento na história em que o governo federal colocou a quantidade de dinheiro que colocou nos estados para ajudar a segurança pública.

Pronasci e UPPs

Quando nós criamos o Pronasci, a gente fez uma revolução no conceito de segurança pública; quando a gente instituiu as Mães da Paz a gente criou uma outra revolução, que é fazer com que nas comunidades… Eu vou dar um exemplo: no bairro de Santo Amaro, em Pernambuco, que era o bairro mais violento, a violência diminuiu 70%. Porque o que é o Pronasci? O Pronasci, você chega lá, com as Mães da Paz, que são mulheres da própria comunidade, que vão tentar trabalhar os meninos que estão em área de risco. Você tem praça de esportes, você tem biblioteca, você tem, às vezes tem até 19 ações do governo federal em um único bairro. Você tem a polícia comunitária, que tem ajudado muito, mas muito a resolver o problema da segurança; e temos feito convênios com todos os estados. E esses dados, depois a Maya ou Franklin pode dar para vocês.

A segunda coisa que eu acho é que as UPP’s do Sérgio Cabral têm dado certo e é um modelo importante, é um modelo importante. Da mesma forma que é importante a chamada… Eu não sei como é o nome, mas, por exemplo, no Ceará também tinha uma ajuda do governo federal, aquela polícia comunitária que toma conta de um bairro.


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Reunião ampliada Brasil e Kuaite realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A busca da paz no Oriente Médio e as oportunidades de investimentos entre empresas do Brasil e do Kuaite marcaram a reunião, nesta quinta-feira (22/7), entre o presidente Lula e o primeiro-ministro kuaitiano, Xeque Nasser al Sabah, em Brasília. Na reunião ampliada, que contou também com a participação de ministros dos dois países, o presidente Lula enfatizou que “o Brasil não vai desistir, junto com a Turquia, de construir a paz” naquela região do planeta.

Eu continuo convencido de que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) erraram e um dia vão reconhecer isso publicamente.

Depois, em discurso por ocasião de almoço oferecido ao primeiro-ministro do Kuaite, o presidente brasileiro voltou a enfatizar o tema. Segundo ele, o Brasil tem muito a colaborar na pacificação dos povos. Lula aposta no diálogo como instrumento para construir a paz.

Devo dizer que os interesses brasileiros no Oriente Médio vão muito além dos aspectos comerciais. Encontram-se legitimamente fundamentados em nosso desejo de paz e estabilidade regional. Para a consecução desse fim, o Brasil tem a oferecer sua capacidade de contribuição construtiva. O bom diálogo que mantemos com ambos os lados do conflito e a numerosa comunidade de descendentes árabes no Brasil são importantes ativos de que dispomos para ajudar nas negociações.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Lula deu ênfase também aos laços comerciais entre Brasil e Kuaite. Segundo ele, o comércio bilateral deu um salto significativo passando de US$ 87 milhões, em 2002, para US$ 650 milhões em 2008. O presidente destacou ainda o empenho do governo brasileiro na promoção da Cúpula América do Sul e Países Árabes (ASPA), onde o comércio no âmbito destes dois blocos econômicos já alcança os US$ 20 bilhões. Por isso, Lula informou que em outubro uma missão de empresários brasileiros, sob liderança do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, visitará o Kuiaite como forma de
ampliar os negócios entre os dois países.

O presidente abriu caminho para que empresas kuaitianas invistam no Brasil, sobretudo, nos empreedimentos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na Copa do Mundo 2014, nos Jogos Olímpicos em 2016 e na exploração do petróleo no pré-sal.

As companhias brasileiras terão interesse em explorar com empresas kuaitianas as oportunidades criadas pelo programa “Kuwait Vision 2035”. Queremos que saiba, por outro lado, que os investimentos kuaitianos encontrarão segurança jurídica e estímulo adequado no meu país. O Brasil é e continuará sendo um grande canteiro de obras nos próximos anos. O Programa de Aceleração do Crescimento, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 oferecem novas oportunidades de investimento e parcerias que devem ser aproveitadas em benefício mútuo.


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Viagens internacionaisInstigadas pelo presidente Lula a atuarem no mercado africano, as indústrias brasileiras estão fincando pé ou colhendo os melhores negócios na viagem por seis países da África. Da última sexta-feira (2/7), quando o presidente brasileiro iniciou o périplo, empresários nacionais participaram de seminários na Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e encerram a rodada de comércio hoje (9/7), na África do Sul, último país a ser visitado por Lula nesta 27ª visita ao continente africano.

E nesta negociação com os empresários ou governo locais, a Vale e a Embraer já revelaram resultados importantes. O diretor de Marketing e Vendas da Embraer, Antonio Carlos Neubarth, informou ao Blog do Planalto que dentro de dois meses uma delegação da Guiné Euqatorial desembarcará no Brasil para conhecer a fábrica da empresa, em São José dos Campos (SP). A pedido do presidente Lula, Neubarth apresentou ao presidente da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, o avião Embraer 190, que integra a frota da Força Aérea Brasileira (FAB).

“O presidente Lula tem um papel fundamental no incentivo às empresas brasileiras. Isso é muito importante. Se os presidentes de outros países, como por exemplo, Estados Unidos fazem o mesmo, temos no presidente brasileiro um incentivador do produto nacional”, contou Neubarth.

Além dos negócios abertos na Guiné Equatorial, o diretor da Embraer conseguiu fechar outro pacote na visita ao Quênia. Em Nairóbi, capital queniana, 22 aviões F-5 passarão por processo de substituição de equipamentos eletrônicos feitos pela Embraer. Neubarth aposta em concluir a viagem na África do Sul com a abertura de mais oportunidades para a companhia.

Equanto isso, a Vale que já deve iniciar, em janeiro de 2011, a operação do carvão siderúrgico em Moçambique, conforme disse ao Blog do Planalto o presidente da empresa, Roger Agnelli, anunciou investimentos de US$ 400 milhões na ampliação da mina na Zâmbia. No mesmo país, a Marcopolo irá instalar um centro de manutenção de ônibus.

O governo brasileiro também busca fechar com os países africanos a implantação do modelo nipo-brasileiro de tv digital. André Barbosa Filho, assessor da Casa Civil, disse ao Blog do Planalto que além das conversas com o governo da Guiné Equatorial, manteve conversas com representates dos governos dos demais países visitados pela comitiva brasileira. Além disso, a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] tem diversos acordos com os governos africanos para desenvolvimento de produtos na região denominada savana africana.

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Viagens internacionaisO presidente Lula aposta que a Copa de 2014 será um “cartão postal” para o mundo enxergar o Brasil “como uma grande economia”. Dizendo-se feliz porque o país “vive um momento excepcional”, com crescimento econômico, do emprego e da renda, o presidente espera que em 2014 aconteça com o Brasil o que ele entende que ocorreu com o anfitrião da Copa deste ano. Para ele, a África do Sul encantou o mundo e deixa uma imagem positiva, de um povo alegre, criativo e, ao contrário do muita gente pensava, com grande capacidade de organização.

Na visita oficial que faz à África do Sul, Lula foi convidado pelo presidente Jacob Zuma a ir à final da Copa no próximo domingo. Depois da reunião deles, em pronunciamento conjunto à imprensa, o brasileiro contou aos jornalistas que explicou a Zuma porque não irá. Disse que está há dez dias fora do Brasil em visita a seis países africanos e que “problemas graves” no Brasil, como as enchentes em Pernambuco e Alagoas, que le acompanhou por telefone mesmo durante a viagem.

Sobre o jogo entre Holanda e Espanha, Lula não demonstrou entusiasmo – “não diria que são os melhores” -, nem arriscou palpite. Para ele, a Espanha, apesar de ter um bom time, talvez o melhor da história daquele país, não apresentou um futebol convincente nos seis jogos anteriores. Já a Holanda, que “todo mundo sabia que ia longe”, não empolgou também.

Lula manifestou mais uma vez decepção com a eliminação do Brasil, contra a Holanda. Para ele, na derrota de virada por dois a um, o time teve falhas individuais do volante Felipe Melo e do goleiro Julio Cesar, no primeiro gol, e da defesa como um todo no segundo. Contudo, não há motivo para procurar culpados. Nem o técnico Dunga, bastante criticado. “Mas 2010 já faz parte do passado. Já estou pensando na Copa de 2014 e para o Brasil não fazer o fiasco de 1950”, disse.

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Cerimônia oficial realizada na chegada do presidente Lula a Pretória, na África do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Viagens internacionaisNa visita de Estado à África do Sul, que encerra uma jornada que começou por Cabo Verde e passou por seis países africanos no total, o presidente Lula declarou nesta sexta-feira (09/07) que o continente “é mostrado ao mundo com uma carga de preconceito incomensurável”, mas que está quebrando esse mesmo preconceito. Falando à imprensa ao lado do presidente sul-africano, Jacob Zuma, Lula fez questão de dizer que o Brasil tem hoje uma política externa que reconhece a importância do continente, e que não foi por outra razão que ele já visitou 27 nações da região, durante seu mandato, mais do que todos os outros presidentes brasileiros juntos.

A atual política externa brasileira, que estimula a relação no hemisfério sul, afirmou o presidente, não vira as costas para a África e não quer dependência dos países ricos. Um sinal da importância do diálogo Sul-Sul para o Brasil foi assinatura, na visita oficial de Lula ao Union Buildings, a sede do Poder Executivo sul-africano, de uma declaração na qual os dois países estabelecem uma “parceria estratégica”. O documento foi assinado pelos ministros das relações exteriores dos dois países.

Presidente Jacob Zuma recebe o presidente Lula em Pretória, na África do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR

“Com essa declaração, nós dizemos que não podemos mais perder tempo. Brasil e África do Sul podem ser economias complementares, podem trocar experiências”, disse Lula. Para Zuma, as relações entre os dois países estão se reforçando e, com a parceria, “há grande potencial para continuar crescendo”.

Ouça a íntegra da declaração à imprensa feita pelo presidente Lula:

O acordo contém um plano de ações envolvendo áreas como ciência e tecnologia, direitos humanos, saúde, educação, cultura e diplomacia, entre outros. Lula citou dois exemplos de negócios que podem ser decorrentes da nova relação com a África do Sul. Na agricultura, há possibilidade de contribuição da Embrapa, que já possui um escritório no continente. E na área de defesa e tecnologia, o presidente mostrou interesse em aviões não tripulados produzidos na África do Sul, que poderiam ser usados para defender o Pré-sal na costa brasileira.

Lula afirmou ainda que gostaria que a África do Sul adotasse o padrão brasileiro de TV digital – neste momento, o governo local está debatendo o assunto internamente para decidir qual tecnologia adotará. O presidente propôs que neste ano ou no próximo haja uma reunião de empresários brasileiros e sul-africanos em cada país, para descobrir mais possibilidades de negócios entre os dois lados Atlântico Sul.

Presidente Lula coloca flores no memorial a personalidades africanas que lutaram pela liberdade. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Depois da reunião no Union Building, Lula, acompanhado de Zuma, fez uma rápida visita a um memorial a personalidades africanas que lutaram pela liberdade, chamado Freedom Park.

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Viagens internacionaisAo deixar a cerimônia de apresentação do logo oficial da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, ocorrida em Johannesburgo, na África do Sul, o presidente Lula deu uma série de pequenas entrevistas para dezenas de jornalistas que estavam no local. O presidente brasileiro lembrou que o Brasil já sediou uma Copa, há 60 anos, e que hoje está mais experiente e preparado para realizar outra.

Lula voltou a defender Dunga, afirmando que o ex-técnico da Seleção Brasileira fez um bom trabalho e conquistara vários títulos antes. O presidente lamentou que nenhuma seleção do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) tenha chegado à final da Copa da África do Sul.

“Nessa Copa, eu tinha convicção de que o Brasil podia ser campeão”, afirmou Lula, explicando que não ficará para o jogo final da Copa da África do Sul, a ser realizado neste domingo (11/7), porque precisa descansar – ainda mais depois de uma viagem pelo continente africano que começou no dia 2 de julho e já passou por outros cinco países antes de chegar à África do Sul.

Ouça a entrevista coletiva concedida pelo presidente Lula:

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Viagens internacionaisO presidente Lula desembarcou nesta quinta-feira (8/07) na África do Sul para uma visita de Estado que encerrará uma jornada por seis países africanos. E se o continente tem tido importância crescente na política externa brasileira – como mostra, além deste giro, o aumento de 16 para 34 embaixadas na região desde 2003 -, a África do Sul terá ainda mais daqui em diante.

“É a porta de entrada da África para as empresas brasileiras”, afirmou José Vicente Pimentel, embaixador brasileiro na África do Sul, em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto. “Qualquer presidente do Brasil terá de dar uma atenção especial à África em sua política externa porque a verdade é que o Brasil é o maior país africano fora da África”, explicou.

É um país africano com quem nós podemos construir satélites juntos, a Embraer pode construir um avião junto com a África do Sul. Podemos tranquilamente trazer para cá o nosso modelo de TV digital, podemos fazer coisas importantes em termos de ciência e tecnologia com esse país.

Na visita de Lula, os governos brasileiro e sul-africano vão assinar uma declaração que elevará formalmente a relação entre os dois países ao nível de “parceria estratégica”. No documento, as nações reconhecem a existência de valores democráticos e sociedades multiétnicas e multiculturais comuns e, diante disso, decidem intensificar e aprofundar as relações bilaterais em áreas como comércio, tecnologia, educação e agricultura.

A declaração também diz que os dois países vão buscar adotar posições comuns em questões regionais e globais. No texto, já defendem, por exemplo, a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), para que o organismo reflita a realidade internacional do século 21, tenha mais membros permanentes e aumente a participação dos países em desenvolvimento.

A parceria estratégica será firmada nesta sexta-feira (9/07) no Union Buildings, a sede do governo sul-africano, que se localiza na capital Pretória – o país tem outras duas capitais: Johannesburgo, onde fica o parlamento, e Bloemfonteim, que abriga a sede do Poder Judiciário. Haverá ainda a assinatura de um memorando de entendimento pelo qual os dois países vão estabelecer uma cooperação específica na área de relações intergovernamentais. Depois da visita oficial ao Union Buildings, o presidente Lula vai para Johannesburgo, onde participa, à tarde, de um seminário com empresários brasileiros e sul-africanos e do lançamento de uma campanha internacional de promoção do Brasil no exterior, chamada “O Brasil te chama. Celebre a vida aqui”, produzida pelo cineasta Fernando
Meirelles.

À noite, Lula retorna a Pretória, onde o presidente Jacob Zuma lhe oferecerá um jantar, no Presidential Guest House.

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Viagens internacionaisOs presidentes Lula e Jakaya Mrisho Kikwete (Tanzânia) conheceram nesta quarta-feira o projeto Moatize, da Vale. Implementado em Moçambique, onde a empresa começa a produzir carvão a partir de janeiro de 2011, o projeto tem como objetivo suprir o mercado siderúrgico brasileiro com a matéria-prima.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, que integra a comitiva do governo brasileiro, afirmou que a África é uma oportunidade enorme para os empresários brasileiros:

Em 10 anos será um continente diferente. O mundo vai precisar da África. A África está no meio dos dois mundos. Oriente e Ocidente. As empresas brasileiras têm que vir para cá e investir. A África é o futuro em recursos naturais, assim como o Brasil e a América do Sul são o presente.

Agnelli afirmou ainda que a participação do presidente Lula no incentivo para que grupos brasileiros invistam no mercado africano tem sido de enorme importância. Ele citou como exemplo o fato de o presidente brasileiro ter intercedido junto ao governo da Tanzânia para que a Vale possa explorar uma mina de ferro que será colocada em licitação. A Vale também irá ampliar seus negócios na Zâmbia.

O projeto Moatize teve início em 2009. Num primeiro momento, segundo Agnelli, a empresa retirou os moradores do local onde existe a mina e os abrigou numa vila especialmente construída pela Vale. O projeto prevê investimentos no valor de US$ 1,3 bilhão e, quando estiver em operação, terá capacidade de produzir 11 milhões de toneladas de carvão por ano.

Este é o maior investimento em carvão da empresa no mundo e deve gerar cerca de três mil empregos em Moçambique na fase de construção, a maioria de trabalhadores locais, e 1,5 mil postos de trabalho quando começar a operar.

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Viagens internacionaisUm dos pontos altos da viagem do presidente Lula à África tem sido a receptividade com que vem sendo recebido em cada país visitado. No desembarque no Aeroporto Internacional Julius Nyerere, em Dar es Salaam, capital da Tanzânia, a delegação brasileira despertou a curiosidade e alegria da população. Lula chegou à Tanzânia num feriado local e assim as ruas foram tomadas de pessoas, que se aglomeravam por onde o presidente brasileiro passava.

Lula cumprimenta populares em sua chegada à Dar es Salaam, capital da Tanzânia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ao chegar ao Palácio do Governo, onde se reuniu com o presidente Jakaya Mrisho Kikwete, a comitiva passou por um corredor coberto por tapete vermelho. Nas laterais, populares em trajes nas cores verde e amarela saudavam os integrantes da delegação brasileira. Na porta principal do palácio, o presidente Lula ergueu o braço de Kikwete. Em seguida, tocou um tambor típico do país.

Lula toca tambor típico na Tanzânia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Da Tanzânia, o presidente brasileiro seguiu para Lusaca, capital da Zâmbia, sendo recebido pelo presidente Rupiah Bwezani Banda. Novamente, foi recepcionado com mais festa e danças tribais. Na quinta-feira (8/7), Lula tem encontro bilateral no Palácio Presidencial em Lusaca, com assinatura de atos. Depois será agraciado com a Ordem Águia da Zâmbia. Após a cerimônia, Lula e comitiva voltarão para o hotel, para participar do encerramento do seminário empresarial Brasil-Zâmbia.

No final do dia, Lula seguirá para a África do Sul.

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Viagens internacionaisO presidente Lula anunciou, durante visita à Tanzânia, que o governo brasileiro irá agilizar os entendimentos para o perdão da dívida de US$ 246 milhões deste país, contraída nos anos 80. A notícia, divulgada em discurso do presidente brasileiro feito na abertura da Feira Internacional de Comércio de Dar es Salaam, capital do país, foi bem recebida pelo presidente Jakaya Mrisho Kikwete. Para Kikwete, essa dívida adquirida pela Tanzânia teve por finalidade construir uma rodovia.

Outro país a ter a dívida com o Brasil perdoada foi Cabo Verde – US$ 5,1 milhões – ver aqui. “Se o Brasil pode emprestar dinheiro para o FMI, o Brasil pode perdoar a dívida da Tanzânia”, afirmou o presidente brasileiro.

Presidente Lula discursa na abertura do seminário empresarial Brasil-Tanzânia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Durante o seminário empresarial Brasil-Tanzânia, Lula afirmou que as indústrias devem investir na Tanzânia, mas contratando mão-de-obra local. A Vale, que já atua em diversos países africanos, tem projeto que exploração de uma mina de carvão e a Petrobras assinou acordo de produção do etanol. Lula considera estratégica a localização da Tanzânia na África, o que facilitaria a atuação do Brasil em outros países da região.

Num mundo globalizado, a disputa é cada vez mais acirrada. É necessário bater de porta em porta. E a Tanzânia tem demonstrado segurança jurídica para os investidores. O século 21 será o século dos países que não creceram no século 20. Será o século da América Latina e Caribe. Será também o século da África.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Para Lula, é fundamental para o Brasil criar novos mercados e a África se apresenta como um mercado extraordinário. Lula citou como exemplo a participação das classes D e E no aquecimento do consumo brasileiro. Segundo frisou, foram os mais pobres das regiões Norte e Nordeste brasileiras que impulsionaram as vendas da indústria não deixando o país entrar na crise financeira mundial de 2008 iniciada pelo mercado imobiliário dos Estados Unidos.

Já na Feira Internacional de Comércio em Dar es Salaam, Lula afirmou que há uma excelente oportunidade de produção de alimentos no continente africano. A Embrapa, por exemplo, vem fazendo importante trabalho no sentido de transferir tecnologia para alguns países do continente, melhorando assim a produção local.

“Quando o mundo necessitar de alimentos, a África será a resposta. E o Brasil esta disposto a ajudar”, afirmou Lula, que da Feira Internacionlal seguiu para o Palácio do Governo, onde se reuniu com o presidente Kikwete e participou de cerimônia de assinatura de atos sobre formação de diplomatas e a parceria entre os dois países na produção de etanol.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula na feira:

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