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Presidenta Dilma Rousseff recebe no Palácio do Planalto o presidente do Senado Federal, José Sarney, e o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A reforma política foi pauta central do encontro entre a presidenta da República, Dilma Rousseff, e os presidentes do Senado Federal, José Sarney, e da Câmara dos Deputados, Marco Maia, nesta terça-feira (8/2), no Palácio do Planalto. Na oportunidade, tanto Sarney quanto Maia comentaram ainda a mensagem encaminhada ao Congresso Nacional na semana passada pela presidenta Dilma. As informações são do deputado Marco Maia, que concedeu entrevista coletiva após a audiência.

“Nós viemos aqui fazer uma visita à presidenta Dilma e ao mesmo tempo nos colocar à disposição para a discussão e para o debate dos temas de interesse do governo na Câmara e no Senado. Tratamos um pouco da reforma política, que é uma das questões que foi apresentada pela presidenta Dilma Rousseff na Mensagem Presidencial”, disse.

Segundo Marco Maia, há um entendimento por parte dos deputados e senadores de que a reforma política é uma matéria que precisa ser tratada com celeridade, que precisa ser debatida, “discutida à exaustão e construídos os consensos necessários para sua aprovação”. Ele também informou que tanto o Senado quanta a Câmara estão instituindo comissões para trabalhar a reforma política, para que no segundo semestre de 2011 já seja possível votar uma proposta consensual.

O presidente da Câmara informou que o tema ‘salário mínimo’ não foi tratado no encontro com a presidenta, mas que “o importante é que o debate do parlamento com as posições tomadas pelo governo e pela sociedade levem a duas direções: aprovar o salário mínimo que seja melhor para o Brasil e que esteja de acordo com as reivindicações da sociedade, mas que ao mesmo tempo seja capaz de produzir o equilíbrio econômico e fiscal (…) que dê ao Brasil condição de continuar crescendo e se desenvolvendo”.

Na entrevista, Marco Maia disse ainda que o orçamento 2011 não foi objeto de discussão e lembrou que a Câmara já aprovou o orçamento atual. Entretanto – continuou o presidente – o orçamento tem que estar necessariamente relacionado à capacidade de arrecadação do Estado brasileiro para este ano.

“Eu acredito, aí é uma opinião minha, pessoal, que nós teremos um belo ano, com crescimento econômico, com uma arrecadação melhor dos tributos. É o que vai permitir que gradativamente o governo possa ir liberando mais recursos”, concluiu o deputado.


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EntrevistasNuma extensa entrevista concedida à revista The Economist, publicada na edição que nesta semana, o presidente Lula falou sobre a força da Petrobras na exploração de petróleo na camada pré-sal e descartou comparações com o acidente ocorrido no Golfo do México, afirmando que o caso serviu de lição para o Brasil ser ainda mais exigente em relação aos procedimentos de segurança.

Porque eu aprendi, aqui no Brasil, que o barato sai caro. Ela tentou, da forma mais barata possível e mais rápida, tirar petróleo, sem nenhum cuidado elementar que ela deveria ter tido. Aqui no Brasil nós somos muito mais rígidos e a gente também aproveitou a lição do que aconteceu no Golfo para ser muito mais exigente.

Durante a entrevista, Lula falou também sobre eleições, economia e programas sociais. Explicou à revista britânica os motivos que impediram o avanço das reformas trabalhista, tributária e política nos últimos anos, bem como os obstáculos que um governante enfrenta para tocar uma obra no Brasil.

Para ler a íntegra, clique aqui.

Ouça o áudio da entrevista:

Abaixo, trechos da entrevista concedida pelo presidente Lula.

25 anos sem obras

É difícil fazer obra também por conta… pelo fato de o Brasil ter ficado 25 anos sem fazer absolutamente quase nenhuma obra de infraestrutura. Eu digo sempre o seguinte: o último momento de investimento em infraestrutura foi no governo Geisel, que se endividou demais e, por conta da dívida, o Brasil, que fez uma dívida em dólar quando os juros eram 3%, e o Paul Volcker, para resolver o problema do déficit fiscal americano, elevou o juro para 21%, e, portanto, a dívida ficou impagável, e nós passamos esses outros 20 anos tentando resolver o problema da dívida. Foram duas décadas e meia em que o Brasil não tinha capacidade de fazer nenhum investimento em infraestrutura. Então, foi desmontado… Só para você ter ideia, nós tínhamos, em 1989, 1989, nós tínhamos, no Brasil, por volta de 50 mil escritórios de engenharia de projetos. Quando eu tomei posse, nós tínhamos apenas 8 mil escritórios de engenharia. Foi desmontado. As universidades não formavam mais engenheiros. Os engenheiros que eram formados iam ser analistas do sistema financeiro, não iam trabalhar mais de [como] engenheiros. E tudo isso nós estamos recuperando, para que a indústria brasileira volte a adquirir a capacidade de fazer as grandes obras que o Brasil precisa.

Reforma trabalhista

Eu reuni os empresários, reuni os trabalhadores e reuni o governo, coloquei na mesa e falei: vocês me apresentem uma proposta de reforma trabalhista. Porque qual é o problema no Brasil? Qual é o problema do Brasil? De um lado, você tem os empresários que falam em reforma trabalhista e querem anular todos os direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo de tempo. É impossível. De outro lado, você tem os trabalhadores que falam que é preciso fazer reforma sindical e trabalhista, mas querem ficar com todos os direitos que estão garantidos na CLT. Ou seja, assim não é possível, não é possível. Eu criei grupo de trabalho para fazer reforma sindical, para fazer reforma trabalhista e para fazer reforma na Previdência Social. Nós conseguimos fazer a reforma na Previdência pública, mas não conseguimos fazer reforma na Previdência privada, nem na questão trabalhista. Possivelmente, porque seja um processo de amadurecimento. Essas coisas, essas coisas…

Prioridade para o próximo governo

Olha, seria presunção da minha parte dar palpite sobre a prioridade que o novo governo vai definir. Eu penso que quando terminar as eleições no dia 3 de outubro, se terminar no primeiro turno, ou se tiver segundo turno, eu penso que quem for eleito vai pensar em começar a discutir o seu governo a partir do processo eleitoral. Eu penso que qualquer que for o governo que ganhe as eleições – e eu estou convencido de que a minha candidata ganhará as eleições, estou convencido –, vai ter que dar continuidade e aperfeiçoar as coisas que estão acontecendo no Brasil. O que nós fizemos no Brasil não foi pouca coisa. O que nós fizemos no Brasil foi muita coisa e, certamente, ainda falta muito por fazer, porque isso aqui foram 500 anos de esquecimento de uma parte da população. É importante que a gente não perca nunca de vista que entre 1950 e 1980 a economia brasileira foi a economia que mais cresceu no mundo, ela cresceu, quase 30 anos, em média 7% ao ano, e essa riqueza não foi distribuída de forma justa entre a população. Então, ficou um fosso entre gente muita rica e gente muito pobre.

Papel do Estado na economia

Primeiro, o Estado tem que ser o indutor. Se não fosse o presidente Roosevelt, não existiria nos Estados Unidos o desenvolvimento no Vale do Tennessee. Ou seja, significa que o Estado tomou a iniciativa de propor que algum lugar precisaria de mais apoio do que outro. Aqui no Brasil, aqui no Brasil nós tomamos como decisão fazer com que o Estado fosse indutor de um modelo de desenvolvimento que tentasse tornar o Brasil mais equânime. O Brasil não poderia ter toda a sua… Por exemplo, na questão da cultura. Na questão da cultura, todo o dinheiro da cultura era quase para o eixo Rio-São Paulo. Ora, era preciso levar um pouco desse dinheiro para o Amazonas, para o Acre, para Pernambuco, para a Paraíba, para o Rio Grande do Norte. O dinheiro da Comunicação, o dinheiro de publicidade do governo federal era levado todo para o eixo Rio-São Paulo. Aí você tem que lembrar que tem rádio pequena no Brasil inteiro, que tem outros canais de televisão, e que nós precisamos, então, fazer com que esse dinheiro chegue a todo mundo. Esse é o papel do Estado.

Ou seja, o Estado, ele precisa governar o país para os setores que mais precisam do Estado. Tem gente que não precisa do Estado. Tem gente que pode ter plano médico, tem gente que não precisa de casa, não precisa… já mora em lugar asfaltado, com esgoto, com tratamento. Ou seja, essa pessoa não precisa do Estado. O Estado precisa garantir que ela não perca o que tem. Mas o Estado precisa atender aquela parte que menos tem. Então, é por isso que nós fizemos uma opção de induzir um desenvolvimento econômico maior nas regiões Norte e Nordeste do país, para que o Brasil possa crescer, não assim: uma região dessa altura e outra região lá embaixo, mas tentar equilibrar e todo mundo viver mais ou menos em igualdade de condições. Então, é isso que nós estamos fazendo. Então, esse é o papel do Estado, o de ser um indutor e, ao mesmo tempo, o fiscalizador.

Crise financeira mundial

A lição da crise é a lição de que o Estado tem que estar preparado, para quando for exigido ele ter capacidade de fazer intervenção. Porque você imagine uma coisa: se o presidente Bush, em julho de 2008, tivesse colocado US$ 60 bilhões no Lehman Brothers, possivelmente ele não tivesse quebrado e a gente não tivesse que ter US$ 1 trilhão, depois, injetado no mercado financeiro. Se os alemães tivessem tomado a atitude correta, no tempo certo, na crise de Grécia, a gente não teria a crise que se espalhou por outros países. Então, o Estado tem que estar preparado para tomar decisão. Eu não quero um Estado empresário. Eu não quero um Estado empresário, eu não quero um Estado com intervenção, mas eu quero um Estado com capacidade de regular e as pessoas saberem que o Estado pode fazer. As pessoas saberem que o Estado está preparado para fazer, embora não faça, possa deixar os empresários privados fazerem. Mas na hora que for necessário, para cumprir os interesses da população, o Estado tem que estar pronto. É assim que eu penso do Estado, é assim que eu penso. É um Estado indutor, um Estado fiscalizador, regulador, melhor, e um Estado que não se meta a ser um Estado empresário, mas que esteja preparado para poder fazer obra.

O papel do Brasil

Olhe, na verdade, o Brasil é um país… Por si só, ele tem um papel de liderança, pela sua grandeza, pelo seu território, pela sua população. O que nós defendemos, de fato, é que a governança mundial precisa passar por uma reforma muito forte, a governança mundial. O Conselho de Segurança, os membros permanentes não podem ser resultado de uma geopolítica de 60 anos atrás. O mundo mudou, os países mudaram, a geopolítica mundial mudou, a Guerra Fria acabou. Então, agora, o que nós precisamos é adequar o Conselho de Segurança às novas realidades. O que é que explica um país do tamanho do Brasil não estar no Conselho de Segurança? O que explica a África do Sul, ou a Nigéria ou o Egito não estarem representando o continente africano? O que explica a Índia estar fora? O que explica o Japão estar fora ou a Alemanha estar fora? Por que a China não quer ou por que a Itália não quer que a Alemanha entre? Por que não pode ter dois países da América Latina? Se você tivesse um mundo mais equilibrado representado nas Nações Unidas, como membro permanente, você teria mais respeitabilidade nas decisões. A quem interessa uma ONU enfraquecida?

A quem tem o poder de tomar decisão unilateral. Ou seja, se um pai e uma mãe não conseguem coordenar sua casa, qualquer filho se sente no direito de fazer o que bem entender, e ninguém respeita ninguém. Então, por exemplo, eu não acredito em paz no Oriente Médio, enquanto apenas os Estados Unidos sejam tutores da paz. Eu não acredito. E digo isso porque acreditei muito. Muito antes de eu ser presidente, na década de 90, eu estive com o Arafat, eu estive com o Rabin, que foi o melhor momento da construção da paz. Hoje, nós não temos nem Rabin e nem… Nem Shimon Peres tem a força que tinha antes, e menos Arafat.

Os Estados Unidos na América Latina

Acho que os Estados Unidos, muitas vezes, olham para a América Latina como olhavam nos anos 70, em que só veem luta armada. Luta armada não sei onde, luta armada… Acabou! Eu peguei o telefone, liguei para o presidente Obama e falei: Obama, você precisa convidar o Mauricio Funes para conversar com ele. Ele é uma chance de consolidar a democracia em El Salvador. Então, eu acho que os Estados Unidos teriam que ter um papel mais importante na América Latina, um papel de parceria. Quando nós fizemos a reunião em Trinidad e Tobago, toda a América do Sul com o Obama, eu achei que ali tinha começado um novo tempo, mas não aconteceu nada depois daquilo, não aconteceu nada. Eu propus ao Obama que convocasse uma reunião por ocasião da ONU, com os presidentes da América do Sul, para distensionar. As coisas não acontecem, não acontecem porque cada um tem outros afazeres.


[173] Comentários

EntrevistasO presidente Lula lançou um desafio em entrevista ao portal Terra Magazine, publicada nesta quinta-feira (23/9): “eu duvido que exista um país na face da Terra com mais liberdade de comunicação do que este País, da parte do governo.” Segundo Lula, grupos familiares “dominam toda a comunicação do país, a verdade é essa”, e ocorreram muitos descontentamentos da mídia pelo fato de o governo ter dividido a verba publicitária “para o Brasil inteiro”.

Hoje um jornalzinho do interior recebe uma parcela da publicidade do governo, nós fazemos propaganda regional e a televisão regional recebe um pouco de dinheiro do governo. Quando nós distribuímos o dinheiro da Cultura… Por que só o eixo Rio-São Paulo e não (incompreensível), e não Amazonas, e não Pernambuco, e não Ceará, receberem um pouquinho? Então, os “homens da casa grande” não gostam que isso aconteça.

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Críticas

Olha, primeiro, na nossa passagem pela Terra – não pelo “Terra”, pela Terra –, a gente ouve coisas absurdas que a gente gosta e que a gente não gosta. Veja, qualquer pessoa neste país tem o direito de me acusar de qualquer coisa, é livre. Aliás, foi o PT que, no congresso de São Bernardo do Campo, decidiu que era proibido proibir. Isso é um slogan do PT, no congresso de 1991. O que acontece concretamente é o seguinte: muitas vezes, uma crítica que você recebe é tida como democrática; uma crítica que você faz é tida como antidemocrática, como se determinados setores da imprensa fossem acima de Deus, e que ninguém pudesse ser criticado, ou seja, escreveu, está dito, acabou e é sagrado, como se fosse a Bíblia Sagrada. Não é verdade, não é verdade. A posição de um presidente é tomada como ser humano, um jornalista escreve como ser humano, o juiz julga como ser humano, ou seja, todos nós temos um padrão de comportamento e de julgamento.

TV pública

Agora estão dizendo: “Porque a TV Pública é a TV do Lula”. Nunca disseram que a TV Pública de São Paulo é do governador de São Paulo, que as outras são dos outros governadores. Agora, uma TV, para um presidente que está terminando o mandato daqui a três meses, é TV Lula. Esse carregamento de composto de muita, de muita… eu diria, de muito preconceito, ou de muita… eu diria, até, às vezes, ódio, demonstra o quê? O pessoal… O velho Frias me dizia: “Lula, o pessoal do andar de cima não vai permitir você subir lá”. Quem me dizia isso era o velho Frias, repetidas vezes: “Lula, cuidado, que o pessoal do andar de cima não vai permitir você chegar naquele andar”. Então, o pessoal se comporta como se o pessoal da senzala estivesse chegando à “casa grande”, e ficam transmitindo uma coisa absurda. Nesse momento do Brasil, falar em falta de liberdade de comunicação, nesse momento do Brasil! Eu duvido, duvido…

Não corremos o risco do México

Olhe, eu acho que, sinceramente, as pessoas deveriam olhar para o Brasil e olhar para outros países, e todo mundo deveria agradecer a Deus o Brasil ser do jeito que ele é, o Brasil ter o governo que ele tem e ter o povo que tem. Eu lembro que o João Roberto Marinho, o João Roberto Marinho, quando voltou da eleição do México passada, em uma conversa que ele teve comigo, ele disse: “Ô Presidente, eu estava no México, e foi de lá que eu aprendi a valorizar a democracia no Brasil. Porque, aqui tem o resultado eleitoral, todo mundo acata o resultado. Lá no México, eu vi um milhão de pessoas na rua contra o resultado eleitoral”. Aqui no Brasil, nós não corremos esse risco, porque este país tem um outro jeito de exercitar a democracia, e a democracia, ela só será exercitada… Vocês estão lembrados quando eu dizia… quando eu era dirigente sindical ainda: democracia não é o povo ter o direito de gritar que está com fome. Democracia é o povo ter o direito de comer. E nós estamos chegando lá, nós estamos chegando lá. Então, as pessoas que talvez tenham problemas de… ideológicos, problemas de preconceito, que não admitem…

A capitalização da Petrobras na Bovespa

Depois de amanhã eu vou à Bovespa. A Bovespa, que tinha ódio de mim. E quando tinha medo de mim, ela tinha apenas 11 mil pontos. Hoje, ela já chegou a 72, já chegou a 68, ou seja, está acima dos 60 mil pontos, e vai exatamente um presidente da República, que tanta gente tinha medo, fazer a maior capitalização da história da Humanidade. Aí eu vou dizer: nunca antes na história do planeta Terra houve uma capitalização da magnitude que vai acontecer na sexta-feira, com a minha presença.

Tirar os sapatos nos EUA

Eu, quando eu tomei posse, eu disse para os meus ministros: se alguém tirar o sapato – se eu souber, também, não vou saber porque não estou com eles –, mas se alguém chegar lá para tirar o sapato, é melhor vir embora, porque eu mando embora. Então, a única coisa que eu acho que vai acontecer lá é o seguinte: o Brasil vai sair mais honrado desse processo, o Brasil vai sair mais forte, e não vai ser o Lula que vai ganhar, o Lula está fora disso em dezembro, meu filho.

Resposta a FHC

Eles não sabem o que é popular porque eles nunca estiveram perto do povo. Essa gente, essa gente que não gosta de mim, eles, na época das eleições, até sorriem para os pobres, até fazem promessa para os pobres. Mas, depois das eleições, um pobre não passa perto deles um quilômetro. Então, isso é uma confusão maluca entre o populismo e o popular. O que é o populismo? É um cara que não tem nada a ver com ninguém e que aparece fazendo promessas, aparece fazendo política demagógica. Não é o nosso caso. Todas as políticas minhas são decididas, Bob… Já foram 72 conferências nacionais – setenta e duas –, conferências que começam lá no município, vão para o estado e vêm para cá. Em algumas conferências participaram 300 mil pessoas até chegar à conferência nacional, e aí nós decidimos as políticas públicas. Então, eles… Realmente, eu acho que tem muita gente incomodada, e eu não tenho culpa, eu não tenho culpa. Tem muita gente… Tiradentes incomodou muita gente no Brasil. A Coroa Portuguesa, durante muito tempo, ficou incomodada com todos aqueles que diziam que era preciso mudar. Ficaram incomodados até com Dom Pedro quando ele quis mudar. Por que não ficar comigo?

Reforma política não é coisa do presidente

Olha, porque a reforma política não é uma coisa do Presidente da República. A reforma política é uma coisa dos partidos políticos. Veja… e do jeito que os partidos se comportam, parece que a gente tem um monte de partidos e todos criticando a legislação que regulamenta a política no Brasil, todo mundo quer uma reforma política, mas ninguém mexe, e do jeito que mexe agradaa muita gente. Então, veja, eu mandei duas propostas de reforma, de coisas que precisariam mudar para poder melhorar a política brasileira.

Os partidos políticos pós-eleições

Agora, eu acho que… eu não concordo com o Lembo que não tem partido político. O PT é um grande partido político. Nas pesquisas de opinião pública, o PT aparece com 30% de preferência em qualquer pesquisa que se faça, demonstração de que esse é um partido como poucas vezes no mundo você teve um partido assim. Você teve o PRI itali… o Partido Comunista mexicano, que era extremamente forte, e aí sim era populismo; você tinha o Partido Comunista italiano, que tinha 30% dos votos, e era um baita de um partido na Itália, embora nunca tenha chegado ao poder; você tinha a social-democracia, que revezava o poder em uma parte da Europa; você tinha os socialistas franceses, que revezavam; e você tem, no Brasil, o PT, que é um partido organizado nacionalmente, e muito forte.

O candidato Tiririca

Eu acho, eu acho… Não, não sei se é voto de protesto. Ele pode surpreender. Eu acho legal o Romário estar entrando na política, acho legal o Bebeto estar entrando na política, o Marcelinho, porque, veja, antigamente a política o que era, gente? Antigamente a política era advogado, professor, funcionário público e empresário. Ora, se você tem jogador de futebol, se você tem movimento indígena, se você tem… todo mundo tem que se apresentar, e o Congresso estará melhor representado. Se as pessoas trabalharem corretamente, serão valorizadas. Se as pessoas não trabalharem corretamente, no próximo mandato cairão fora, como já provou a história da Humanidade aqui neste país. Então, eu estou tranquilo com relação à necessidade da reforma política. A cada dia uma pessoa sonha e cria um partido político. É democrático também. Agora, na época de disputar eleição, aí você precisa normatizar quem é que participa no que, porque, quando nós fomos criados em [19]80, nós tínhamos que legalizar o partido em 15 estados e, dentro de cada estado, em 20% dos municípios; era um trabalho imenso, e ter 3% de voto…

As mudanças na comunicação brasileira

Deixa eu contar uma coisa para vocês. Eu acho que as pessoas não estão compreendendo ainda o que aconteceu na comunicação neste país. Eu digo pelos meus filhos, ou seja, lá em casa, lá em casa ninguém compra mais jornal. Lá em casa a molecada toda lê o que tiver que ler pela internet, em tempo real. Você não tem que esperar… ah,, vamos ver o que vai acontecer amanhã ou depois de amanhã. Você entrou ali, pegou. Então, as pessoas, são 68 milhões de brasileiros que acessam a internet, ou seja, um quarto das residências brasileiras que já têm computador. A tendência natural é isso ir crescendo de uma forma tão rápida… Com a questão da Banda Larga. Porque você sabe que no Brasil é assim, né? De vez em quando todo mundo fala que vai resolver o problema mas todo mundo só quer cuidar daquele que tem rentabilidade. Então, vamos fazer as coisas em São Paulo, vamos fazer as coisas no Rio de Janeiro, vamos fazer as coisas nas capitais, nas cidades grandes. Mas aí quando vai…

Cidadania nas comunidades das UPAs

Mas vamos levar cidadania. Eu quero que vocês vejam o que está acontecendo com a implantação das UPAs nas favelas, com a geração de emprego, com a geração de oportunidade, e essas coisas a gente só vê se a gente for. Se a gente quiser fazer jornalismo sentado em um gabinete e não sair para ver o que está acontecendo pelo Brasil, nós podemos cometer o erro das pessoas que foram exiladas, voltaram e não se deram conta de que o Brasil tinha mudado. Ficaram achando que o Brasil era o Brasil de 64. Então é preciso arejar a cabeça para ver o que está acontecendo no Brasil: o povo está feliz, o povo está
percebendo que tem futuro, e eu não sei se isso incomoda algumas pessoas… tem gente que não gostaria que tivesse sido assim, não é? Tem gente que acha que: “Bom, mas tem muita gente bem. Esse governo vai terminar o seu mandato com mais de 80% de bom e ótimo. Onde que existe isso?”. Porque as pessoas estão vendo que as coisas estão acontecendo. Eu acho normal e não fico com raiva quando um cidadão de classe média, em um bar, seja no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em Belo Horizonte, tomando o seu uísque com os amigos, critique o Bolsa Família de assistencialista. Eu acho normal. Ele dá de gorjeta o Bolsa Família.

Investimentos em educação

Às vezes, no fundo, no fundo, é falta de conhecimento do problema, é falta de focar o problema, priorizar aquele problema e determinação. Se eu fosse ficar discutindo se a gente tinha dinheiro ou não, para sair de 20 bilhões na Educação para 70 bilhões, eu não saía. Se eu fosse sair, da Educação… se eu fosse discutir se eu tinha dinheiro para sair de 2 bilhões para 16 bilhões, do Pronaf, eu não saía. Ou seja, porque… É sempre, o papel do tesoureiro é sempre dizer: “Não tem dinheiro, não tem dinheiro, não tem dinheiro”. E o papel do administrador é dizer: “Nós precisamos fazer isso, nós precisamos fazer isso, nós precisamos fazer isso”. Quando você chega a um ponto de acordo, aí a coisa flui. Por isso é que o Brasil está vivendo este momento extraordinário de reconhecimento de toda a imprensa internacional, de reconhecimento de todos os empresários brasileiros e, sobretudo, dessa combinação fantástica entre aquilo que vê a classe mais rica do país e aquilo que vê a classe mais pobre. Todos estão ganhando e todos estão se aproximando. Quando o pobre deixa de ser menos pobre, quem é que ganha? A classe média e a classe empresarial. Quando os pobres ficam mais pobres, quem perde? O Brasil inteiro.


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EntrevistasApós deixar a Presidência, em 2011, o presidente Lula pretende ajudar a aprovar as tão sonhadas reformas política e tributária no País, além de trabalhar com países africanos e sul-americanos, levando a eles a experiência brasileira de combate à fome e à pobreza. Em entrevista ao jornal O Estado do Paraná, publicada nesta quinta-feira (2/9), Lula garantiu no entanto que, até lá, se dedicará ao trabalho e à cobrança de realizações dos seus auxiliares.

A minha preocupação principal no momento não é com o meu futuro pessoal, e sim com o presente e o futuro do nosso país. Quero continuar trabalhando e cobrando realizações dos meus auxiliares até o último segundo do meu mandato, pois para isso é que eu fui eleito presidente. (…) Sobre o meu futuro pessoal, penso em trabalhar, através do PT e outros partidos, para finalmente aprovarmos a Reforma Política e a Reforma Tributária. Essas são questões mais afetas ao parlamento que à Presidência. Vou tentar também trabalhar com países africanos e sul-americanos que ainda lutam contra a extrema pobreza e a fome, levando a experiência bem-sucedida que tivemos nesses oito anos no Brasil. É preciso que esses países se tornem fortes do ponto de vista econômico e social e que sejam grandes parceiros do Brasil. Temos plena consciência de que não é preciso que outros países percam para que nós possamos ganhar. Nosso intercâmbio será mais intenso e lucrativo quando todos tiverem um bom nível de desenvolvimento econômico e social. Mas eu pretendo cuidar do meu futuro efetivamente quando tiver todo o tempo do mundo para planejar, ou seja, a partir do dia 1º de janeiro.

Lula disse ainda que o governo pretende sim investir na construção de metrôs mas sempre pensando na melhoria do transporte urbano para a mobilidade e conforto da população, e não apenas tendo em vista a Copa do Mundo de 2014. O presidente lembrou que o PAC da Copa não contemplou projetos de metrô porque outros modais de transportes foram priorizados, por serem mais rápidos de executarem, como a construção de corredores para ônibus e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), monotrilhos e obras viárias. Ainda assim, Curitiba poderá contar com recursos para a construção do seu metrô, por meio de recursos previstos no PAC 2.

O PAC 2, por exemplo, prevê investimentos de R$ 18 bilhões para projetos de mobilidade urbana a serem executados a partir de 2011. A chamada pública para a apresentação formal de projetos está prevista para breve e algumas cidades, entre elas Curitiba, já manifestaram interesse à Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades.

Leia a íntegra da entrevista aqui.


[149] Comentários

Construir uma ampla frente pela reforma política no País e trabalhar pela exportação dos bons resultados das políticas sociais brasileiras para países da América Latina, Caribe e África são duas das prioridades do presidente Lula para quando deixar o governo, a partir de janeiro de 2011, segundo o próprio revelou em entrevista exclusiva à revista IstoÉ publicada na edição desta semana. Lula voltou a negar que pretenda se candidatar a um cargo na ONU ou no Banco Mundial, e afirmou ainda que o principal legado que leva dos oito anos que comandou o País é a relação que estabeleceu com os movimento sociais.

Todas as políticas públicas que nós colocamos em prática é resultado de milhares de pessoas participando nos municípios, nos estados, até chegar aqui. Então, esse é o legado que eu acho que nós vamos deixar, que nenhum presidente vai ter coragem de mudar, nenhum presidente.

Na entrevista, que ganhou a capa da revista, o presidente Lula falou ainda de sua popularidade, de eleições presidenciais, Irã, Oriente Médio e reforma da ONU. Selecionamos alguns dos principais trechos da íntegra da entrevista, confira:

Frente ampla para reforma política

Quando eu deixar a Presidência eu vou ter 65 anos, eu ainda tenho muita contribuição para dar, ainda tenho muita contribuição para dar ao país. Eu sonho na construção de uma frente ampla no Brasil, juntar forças políticas aqui, construir um programa comum, fazer reforma partidária, que eu acho que é condição sine qua non para a gente poder mudar em definitivo o Brasil. Nós temos que ter uma reforma partidária, e isso não é coisa, não é coisa de presidente da República, isso é coisa dos partidos políticos. E eu pretendo, de fora, ajudar o meu partido a organizar, com os outros partidos políticos, a ideia da reforma política.

Popularidade e vida pós-governo

Eu não estou pensando isso ainda. Eu tenho me recusado a discutir o que eu vou fazer e como vou fazer depois que eu deixar o mandato, porque eu não sei o que eu vou sentir. O meu medo, o meu medo é tomar uma atitude precipitada do que eu vou fazer, montar alguma coisa, e depois de seis meses eu descobrir que não era aquilo que eu queria fazer. Então, eu acho que quem deixa um mandato como eu vou deixar, numa situação, graças a Deus, muito confortável, tem que dar um tempo de maturação. Eu preciso de um tempo, quem sabe, quatro, cinco ou seis meses.

Legado

Olha, eu acho que o legado mais importante que eu vou deixar foi a relação que eu estabeleci com a sociedade. Eu, no meu governo, fiz 72 conferências nacionais. Fiz conferência de GLBT, fiz conferência de política, fiz conferência de comunicação, conferência de portador de deficiência física, conferência de hanseniano, conferência de negro, conferência de índio, conferência de tudo que você possa imaginar; conferência das cidades, conferência dos sem-teto, conferência de catador de papel. Todas as políticas públicas que nós colocamos em prática é resultado de milhares de pessoas participando nos municípios, nos estados, até chegar aqui. Então, esse é o legado que eu acho que nós vamos deixar, que nenhum presidente vai ter coragem de mudar, nenhum presidente.

Tem muitas coisas que me emocionam, porque foi um processo educativo, de a gente teimar que era possível fazer e a gente poder provar o seguinte: o Palácio de um governo não é apenas para receber príncipe, rainha ou presidente, é para receber do pé descalço ao cara que está de sapato alto. E essa foi a coisa rica do governo, ou seja, os sem-teto entrarem lá dentro e chorar, os cegos entrarem lá dentro, aprovar aposentadoria para hansenianos, que ficaram mais de 30 anos em colônia, e beijar cada um, e eles chorarem, porque nunca um presidente tinha encostado perto deles, possivelmente de nojo. Então, eu acho que esse é o grande legado.

Ouça aqui o áudio da íntegra da entrevista:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Exportar políticas sociais

O acúmulo de acertos nas políticas sociais que nós tivemos no Brasil precisa ser socializado. E eu quero socializá-las com quem? Eu quero socializá-las com os países da América do Sul e da América Latina, quero socializá-las com os países do Caribe, quero socializá-las com os países africanos – eu já tenho muitos convites de países africanos para ir lá mostrar a ideia, o que nós fizemos.

Cargo na ONU

Tem companheiros que falam: “Olha, Lula, você… é preciso ir para a ONU”. Eu tenho uma ideia diferente: eu acho que a ONU é uma instituição que tem ser dirigida por um burocrata, que tenha consciência de que ele é subordinado aos presidentes dos países, porque se você coloca alguém lá que, por coincidência, tenha mais força que alguns presidentes, fica, no mínimo, uma anomalia. Você fica com uma instituição criada para servir os países, com gente mandando mais… Aí, imagine se a moda pega e os ex-presidentes americanos resolvem ser secretários-gerais da ONU! Não dá certo!

Ancinav

Eu vou te contar uma história, como é que a gente… Governar é uma coisa engraçada. Uma vez, o Gilberto Gil propôs criar a Ancinav. Era uma proposta, era uma proposta e, de repente, a gente estava tomando porrada de todos os lados. De todos os lados a gente estava tomando bordoada. Então, eu reuni todos os ministros envolvidos naquilo – Justiça, Fazenda, Indústria e Comércio, Cultura –, e tinha mais uns três ou quatro – Secom, Comunicação – em uma mesa, esta mesa aqui – lá no Alvorada. Eu falei, companheiros, olha, eu estou vendo pela imprensa essa proposta da Ancinav aí, nós estamos apanhando muito e eu quero saber o seguinte: se todos nós estamos de acordo com a proposta que está na mesa. Foi fantástico. Nenhum ministro concordava com a proposta.

Jornalista: Nem o Gil?

Não, porque era uma proposta para debate, era uma proposta para debate, e surgiu como se fosse uma proposta acabada do governo. Então, eu falei: pelo amor de Deus, gente, alguém tem que comunicar à imprensa que está retirada a proposta. Se ninguém está defendendo a proposta, por que ela vai continuar? Então, isso são coisas de governo que ou você toma a decisão rapidamente ou você é engolido rapidamente.

Irã

O Ahmadinejad veio aqui, nós conversamos mais de duas horas, aí eu falei: se você… se for possível a gente avançar, eu mando o Celso Amorim ir muitas vezes lá. Como a Turquia também estava tentando, então, nós fomos. O Celso Amorim e o Ministro das Relações Exteriores da Turquia começaram a conversar, e a conversar com o Primeiro-Ministro do Irã, preparando a nossa ida lá. (…) Bem, aí foi chegando próximo de ir ao Irã, o Celso foi várias vezes lá, eu falei: Celso, é preciso dizer para o Ahmadinejad que eu não posso fazer uma viagem inútil.

(…) Eu nasci na política, meu filho, eu nasci. Eu, toda a minha vida, desde os anos [19]69, a minha vida foi negociar; perdi muita coisa, ganhei muita coisa, mas negociar é a arte maior de fazer política.

Novo Conselho de Segurança da ONU

O problema é o seguinte: se a ONU continuar fraca do jeito que está, vai prevalecer o unilateralismo, ou seja, a posição unilateral dos americanos vai continuar prevalecendo. Quando nós propusemos fortalecer a ONU, não é a entrada do Brasil, é a entrada do Brasil, é a entrada da Índia, é a entrada da Alemanha, é a entrada de dois ou três países africanos. É, uma coisa, uma coisa para que tenha mais representatividade. Você imagina o continente africano, com 53 países, não tem ninguém! E quantos tem, europeus? E, agora, tem mais a Alemanha, convidada especial. Ou seja, aquilo não é um clube de amigos.

Paz no Oriente Médio

No Oriente Médio, veja, no Oriente Médio, eu vou terminar dizendo isso, no Oriente Médio, na minha opinião, não haverá paz enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz! Porque não vai haver? Porque ali você tem que saber o seguinte: quem é que tem força no Hezbollah? Quem é que tem força no Hamas? Qual é o papel do Irã? Qual é o papel do Catar, que é aliado dos americanos de um lado, e ajuda o Hamas de outro? Qual é o papel do Presidente da Síria? Ou você tem uma instituição que congregue todos esses países juntos, e essas organizações estabeleçam um ponto mínimo de acordo, ou nunca haverá paz.


[195] Comentários

Quatro anos de mandato presidencial é muito pouco para se fazer uma obra estruturante no País e, por isso, o presidente Lula mudou de opinião em relação à reeleição e hoje a defende. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, publicada nesta quarta-feira (21/4), Lula fala também sobre as eleições presidenciais e estaduais deste ano, o aniversário de 50 anos de Brasília, a atual situação institucional e política da capital federal, obras de saneamento e dragagem na periferia das grandes cidades, PAC 2 e ONU, entre outros temas.

Selecionamos alguns trechos principais da entrevista:

REELEIÇÃO

Olha, eu era contra a reeleição. Agora, eu quero que tenha a reeleição, mesmo se você ganhar, porque em quatro anos você não consegue fazer nenhuma obra estruturante neste país. Nenhuma, nenhuma. Entre você pensar uma grande obra, fazer projeto básico, projeto executivo, tirar licença ambiental, enfrentar o Poder Judiciário, enfrentar o Tribunal de Contas da União e vencer todos esses obstáculos, termina o teu mandato e você não começa a obra.

SUCESSÃO

Não é uma questão de honra. Porque em política a gente nunca coloca questão de honra porque fica muito difícil. É uma questão de pragmatismo político. E você tem razão. Eu estou muito mais animado com a campanha da Dilma do que com a minha. Porque eu passei muito tempo relutando com o segundo mandato. Quem me conhece, quem conviveu comigo, sabe que eu tinha muitas preocupações com o segundo mandato. O PAC surgiu exatamente por conta da minha preocupação com o segundo mandato. Qual era a minha preocupação? Se eu chegar ao segundo mandato, ficar como alguns que só iam trabalhar de tarde, e repetir a mesmice do primeiro mandato, seria uma coisa enfadonhosa. Então, eu pensei o PAC em outubro de 2006 e não utilizei ele naquela campanha porque chegamos a conclusão que não era necessário utilizar na campanha. Então nós lançamos o PAC em fevereiro de 2007. Ele é que me deu o gás todo de ver as coisas, de andar pelo Brasil. A Dilma é a possibilidade. O meu governo já foi avaliado com a minha reeleição. Agora, ele será bi-reavaliado se eleger a Dilma. Daí porque a minha responsabilidade com a eleição da Dilma. É que ela será a continuidade do nosso governo aperfeiçoando, fazendo mais, fazendo melhor, fazendo coisas novas. Então, por isso que eu estou entusiasmado. Estou entusiasmado e acho que… vamos para as cabeças. Sempre respeitando o adversário, sempre sabendo que eleição a gente não ganha na véspera, ganha no dia. Até porque eu tenho muita experiência em eleição.

Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

Para ouvir o áudio da entrevista, clique aqui:

50 ANOS DE BRASÍLIA E A CRISE POLÍTICA

Estou convencido que o povo de Brasília tem que comemorar os 50 anos de Brasília. Não pode ser misturado o significado de Brasília para a sociedade brasileira, o significado de Brasília como capital da República, não pode ser confundido com os administradores que cometeram o absurdo de cometerem erros. Ou seja, muitas vezes os erros são cometidos porque as pessoas acham que são impunes, ou seja, são… não tem… ninguém vai saber.

E eu acho que Brasília, de um lado, tem que estar de luto, porque aconteceu essa barbaridade que aconteceu mas, ao mesmo tempo, tem que ter orgulho de Brasília. Brasília é uma cidade extraordinária, é uma cidade que tem crescido muito acima daquilo que foi previsto por Oscar Niemeyer, que foi previsto por Juscelino. E ela cresceu, eu diria, quase que um pouco desordenada, ou seja, acho que houve irresponsabilidade em alguns momentos da história de Brasília, em tentar trazer para cá, de forma desordenada, gente para morar em condições inadequadas, ou seja, se Brasília tivesse crescido como se pensou no início, ela seria muito mais humana. Porque Brasília é isso, Brasília tem um lado humano, que é o Plano Piloto, que são os centros das cidades-satélites, e tem o lado desumano, que são os entornos, onde as pessoas moram em situações totalmente adversas. Mas, ainda assim, eu acho que o povo tem que comemorar, porque foi uma epopeia o nosso Juscelino cumprir uma coisa que tinha sido pensada em 1823, e ele ter coragem de fazer. Porque não era fácil tirar a capital do Rio de Janeiro.

ELEIÇÕES EM SÃO PAULO

Eu disse ao Aloizio Mercadante: Como é que nós vamos ganhar São Paulo? Como é que nós vamos ganhar São Paulo? O PT não precisa provar para ninguém que tem 30% de votos em São Paulo. Agora, nós precisamos arrumar os outros 20 que faltam. Eu disse para o Aloizio Mercadante: “É preciso que você arrume o teu Zé Alencar”. Porque o Zé Alencar, para mim, teve uma importância que… Não era a importância da quantidade de votos que ele trouxe, só. A importância da quantidade de preconceito que ele quebrou. Porque ficava explícito: como é que um empresário que tinha mais de 15 mil trabalhadores na sua fábrica, a maior empresa têxtil do país, estava sendo o meu vice, e um cidadão que tinha dois empregados, e se achava o grande empregador do mundo, tinha medo do Lula?

Então, o discurso do José Alencar quebrou barragem maior do que Itaipu. De vez em quando eu falo para o Zé, ele muitas vezes não se dá conta disso. Ele quebrou barreiras imensas, preconceitos que vão sendo construídos e vão ficando que nem marisco, incrustados assim, na pedra. Ele quebrou. Então, eu acho que o PT de São Paulo precisa arrumar esse Zé Alencar. Ou seja, nós temos que ter um vice que não seja mais da esquerda do que o PT.

DILMA

A Dilma, primeiro, ela tem o cartão de crédito de oito anos de administração bem sucedida no Brasil, da qual ela foi uma gerente excepcional. Vocês, quando conversarem com a Dilma, vocês vão ter a mesma surpresa que eu tive com a Dilma.

Vocês vão ter a mesma surpresa. A Dilma virou minha ministra de Minas e Energia em uma reunião. E olha que eu tinha companheiros que trabalhavam comigo há dez anos. Alguns já tinham sido ministros paralelos do meu governo quando eu montei o governo paralelo. E em uma reunião eu conheci a Dilma. O Zé Dirceu já tinha, inclusive, feito acordo com o PMDB. Eu disse ao Zé Dirceu: “Zé Dirceu, o ministério de Minas e Energia, acabei de encontrar a minha ministra”. Pela objetividade com que ela se comportou na reunião e pela seriedade de tratar os assuntos. Então, a Dilma vai ter esse cacife. Obviamente que as pessoas estão sempre botando defeito, não é?

TEMER VICE

O Temer, eu acho que dá segurança de um homem que tem um a vida pública já de muito tempo, tem uma seriedade comprovada no Congresso Nacional, hoje está mais fortalecido dentro do PMDB e nós trabalhamos olhando também o pós-eleição. É melhor você construir a regra do jogo antes do que você deixá-la pra construir depois. Então eu acho que o Temer, se for ele o indicado pelo PMDB, se for ele o vice, ele dará à Dilma a tranquilidade de que nós não teremos problemas de governabilidade no país, que é sempre uma coisa de muita tensão.

AÉCIO VICE

Eu acho que o Aécio está qualificado politicamente para ser o que ele quiser ser. Agora, se ele for vice, ele vai se desgastar muito.

Porque é só pegar o que o Estado de Minas escreveu, das divergências do Aécio com o Serra, só pegar os discursos todos feitos quando o Virgílio Guimarães era candidato à presidência da Câmara para a gente perceber que o Aécio vai colocar muita dúvida na cabeça do povo mineiro. Quem é o Aécio que quer ser vice?

Agora de qualquer forma, gente, eu também falo essas coisas, mas o Aécio tem cacife para ser o que ele quiser. Tem cacife e são do mesmo partido.

REAJUSTE PARA APOSENTADOS

Deixa eu contar uma coisa. É que eu acho que as pessoas começam a ter um comportamento um pouco estranho achando que a gente pode banalizar o mandato da gente, seja do Presidente, seja dos deputados, votando 7[%], 7,5[%], que isso vai fazer uma… sabe o que acontece? Você tem que conversar com o povo a realidade. A realidade, nua e crua, é que nós tínhamos feito um acordo com as Centrais Sindicais de dar seis ponto alguma coisa, 6,85[%], alguma coisa toda. Depois, as próprias Centrais Sindicais em um acordo lá, o pessoal achava que poderia ser 7[%]. Eu também não via grande diferença. Mas aí as pessoas acham que se aprovar 7,7[%] vai ser o máximo, que todo mundo vai ser reeleito. É bobagem. É bobagem. Nós temos que olhar, primeiro, as contas da Previdência. Aquele dinheiro não é individualmente de ninguém. Ele é coletivamente do povo trabalhador brasileiro e que, portanto, você tem que trabalhar com ele de forma adequada para você garantir que as pessoas tenham o que receber, sempre. E de que você não pode, você não pode entender que os aposentados podem, a vida inteira, ter aumento real de salário. Isso não existe no mundo.

(…) Então, vamos esperar o Congresso decidir. Quando decidir, virá para minha mesa. Eu vou analisar…

Veja, deixa chegar à minha mesa. Deixa chegar à minha mesa. Tem muita gente discutindo isso. Eu acho que 0,7% nem quebra a Previdência nem enriquece nenhum aposentado. Então, também não é um trauma, nem contra nem a favor. Deixa chegar na minha mesa que eu vou ver as contas direitinho. Vou ver o que é possível fazer. Eu tenho muita relação com o povo para conversar francamente com ele. Então se alguém pensa que é um problema para mim, está enganado.

BELO MONTE

Belo Monte, veja, há 30 anos nós estamos esperando para fazer Belo Monte. Depois que nós cumprimos todas as etapas, fizemos todas as audiências públicas possíveis, fizemos tudo, aparece mais uma liminar, dizendo que não foi debatido. Ora, se a gente for atender os que não querem que a gente construa… Sabe, o que é importante era a gente estar discutindo, nesse momento, qual o compromisso social que Belo Monte vai ter, porque essa é a grande discussão: qual é a contrapartida que o povo da região vai ter. Porque nós já diminuímos Belo Monte em 1/3. Hoje, o lago é 40% do lago… Que estava previsto originalmente.

REFORMA POLÍTICA

Eu acho que nós temos que fazer a reforma política. Ela não depende do governo federal. Na verdade, o governo federal tinha que ser o indutor. Mas o que eu noto é que os partidos políticos não querem. Nem o meu demonstra interesse, sabe? Parece que as pessoas preferem do que está aí. Eu acho que tem que fazer reforma política no país. Acho que tem que fazer reforma tributária. Eu mandei dois projetos de reforma tributária e nenhum foi votado no Congresso Nacional.

Então, eu penso que se a gente tivesse reforma política. Se a gente tivesse os partidos funcionando mais corretamente, se a gente tivesse uns partidos que decidissem e a base cumprisse com fidelidade partidária, a gente teria mais chance de fazer acordo entre os partidos e aprovar as coisas. Mas agora não, agora já não são mais os partidos, já não são mais as lideranças, agora são os grupos dentro de cada bancada. Então, essa é uma coisa que eu tenho frustração de não ter feito, a reforma política. Tem duas propostas nossas no Congresso Nacional, mas essa é uma coisa que depende do partido.

Uma coisa eu digo: quando eu deixar a Presidência eu vou, sabe, vou ser uma pedra no calcanhar do PT para que o PT coloque a reforma política como prioridade sua, 365 dias por ano falando de reforma política, procurando aliados para a gente fazer. Porque não é possível, sabe. E sobretudo porque eu acho que o fundo público para financiar as eleições e com a proibição de dinheiro privado seria uma possibilidade que a gente teria de moralizar o país.

REFORMA DA ONU

Esse negócio da ONU… vamos ter claro o seguinte: a ONU não pode ter, como secretário-geral, um político. Ela tem que ter um burocrata do sistema ONU. É, porque senão você entra em confronto com os outros presidentes. Quem manda na ONU são os presidentes representados na Assembleia da ONU. De repente, se você colocar um político… sabe? Você imagina se um presidente americano deixar a Presidência e quiser ser Secretário-Geral da ONU. Isso não é uma coisa…?

Então, eu acho que vamos melhorar a ONU, queremos a reforma, mas eu acho que a burocracia tem que continuar existindo nas Nações Unidas, para manter uma certa harmonia.

FIM DE GOVERNO

Não, não. Gente, eu só quero pensar agora em terminar o meu mandato. Eu tenho muita coisa para fazer. A minha preocupação é animar os meus ministros, porque vai chegando o final do mandato e, sabe aquele negócio? Vai dando duas horas da manhã, você está em um baile, já começa a procurar cadeira para sentar, já não quer mais dançar. Então, eu quero que todo mundo continue animado, que todo mundo continue dançando, porque nós temos que terminar muito bem, no dia 31 de dezembro. A imagem que eu quero deixar, minha, no governo, é a de que nós trabalhamos até a véspera do minuto que vai significar o dia primeiro. E, depois, sair tranquilo. Eu vou sair do governo com a consciência tranquila, vou continuar andando pelo Brasil muito, vou continuar andando pelo Brasil muito, vou continuar visitando os lugares deste país, vou ver o que eu fiz, o que eu não fiz, sabe?

(…) Eu vou mostrar, eu vou mostrar que um ex-presidente não pode ser mesquinho, não pode ficar torcendo pelo fracasso do outro, não pode ficar dando palpite, ou seja, tem que deixar… sabe? Saiu da Presidência, saiu…

PAC 2

O PAC 2 não foi lançado para a gente começar a fazer neste governo. Alguma coisa pode começar. Por que nós fizemos o PAC 2, gente? Porque se… E o PAC 2, eu estava vendo algum governador dizer, até o Aécio disse: “As obras prioridade de Minas, eu vou passar para o Serra”.

Veja, as obras prioritárias que nós vamos fazer em cada estado, elas são definidas pelo estado. Não é o governo federal que vai decidir qual é a rodovia, qual é a ferrovia que vai fazer. Por que eu tive que fazer o PAC 2? Para facilitar a vida de quem entrar depois de mim. Ou seja, se a pessoa não quiser fazer, não faça. Foi eleito presidente, tem o direito de pegar todo papel e falar: “Não vou fazer”. Mas o que eu quero?

Agora, eu quero deixar uma prateleira de projetos que eu não recebi. Eu quero deixar um conjunto de obras, sobretudo investimentos nas grandes periferias do país, que eu não recebi. Ora, se a pessoa entrar e quiser continuar, ótimo. Se a pessoa… Inclusive, algum dinheiro já vai estar no orçamento. Porque nós temos Copa do Mundo, nós temos Olimpíadas. Essas coisas você não pensa na véspera. Então, o que eu quis deixar foi a estrutura semeada. Quem entrar pode falar: “Bom, isso aqui é do governo passado, não me interessa mais, vou tirar tudo fora aqui, vou fazer novo”. Vai perder um ano e meio. O mandato é curto. Quatro anos é muito curto. Quatro anos é muito para a oposição, mas para a situação passa rapidinho.

OBRAS E CHUVAS

Nós vamos colocar mais dinheiro na periferia do que já foi colocado, para evitar essas coisas que aconteceram no Rio de Janeiro. Porque a gente fica culpando a chuva, mas quem era administrador há 20 anos atrás, há 30, quando deixou as pessoas irem morar no lixão? Quem eram os senhores governantes deste país, que deixaram as pessoas construírem suas casas à beira de córregos, nas encostas de morros? Então, a gente culpa a chuva… Obviamente que, se não fosse a chuva, a gente não veria isso. Mas o dado concreto é que todo mundo sabe que alguém que está morando na beira de um córrego vai sofrer uma enchente se chover demais. Alguém que está na beira do morro, vai ter desbarrancamento. Será que ninguém viu isso?

Nós estamos fazendo, com todo o dinheiro que nós estamos… E falo isso de coração para vocês. Peguem qualquer presidente que passou por este país, ou juntem todos, e vejam a somatória de dinheiro que eles investiram em dragagem e saneamento básico, se chega a 10% do que nós estamos fazendo.
Então, eu acho que nós estamos fazendo um processo de reparação neste país. Reparação da irresponsabilidade administrativa que foi feita no país. Deixar o povo, de forma desordenada, ocupar lugares inadequados, que todo mundo sabia que era inadequado. Só o coitado que foi morar lá que não sabia. Então, eu acho que nós estamos colocando muito dinheiro no PAC 2 para consertar isso. E vai demorar, eu diria, 20 anos para a gente poder consertar tudo. Porque, em alguns casos, é quase refazer. Uma coisa é você tirar dez famílias; outra coisa é você tirar 150 mil. Aí, é uma coisa maluca. Mas tem que fazer. Então, nós estamos começando.

DESPOLUIÇÃO DO RIO TIETÊ E DA BAÍA DE GUANABARA

Há quantos anos a gente ouve falar na despoluição do rio Tietê? Há quantos anos a gente ouve falar na despoluição da Baía de Guanabara? Agora, seria importante se vocês pudessem ir comigo fazer uma viagem na Baixada Fluminense, para ver o que a gente está fazendo lá. Você só vai consertar a Baía da Guanabara quando você consertar a Baixada Fluminense. Você tem que fazer coleta de esgoto, tratamento de esgoto. Aquele rio da Baixada Fluminense está negro, parece petróleo.

Aquilo está há dezenas, há décadas, ninguém nunca colocou um centavo lá. E ficavam prometendo: despoluir a Baía da Guanabara, despoluir o rio Tietê, e nunca fizeram. Então, nós estamos começando a fazer. E eu queria que vocês pegassem para ver quanto dinheiro nós passamos para São Paulo, para obras de saneamento básico. Não tem coloração partidária não. Nós queremos tentar resolver esse problema. E o governo federal, se Deus quiser, nos próximos 20 anos, quem vier e for colocando dinheiro, a gente pode sonhar com uma nova metrópole, nos próximos anos.

IMPRENSA

Eu acho que a imprensa brasileira, ela vai ter que tomar consciência de que o eleitor é o único que pode fazer julgamento, de que o telespectador é o único que pode fazer julgamento e de que o ouvinte é o único que pode fazer julgamento. Portanto, quando a gente escreve, fala, na televisão e no rádio, a gente tem que saber que tem alguém do lado de lá que tem inteligência e que essa pessoa vai perceber se a gente está sendo honesto, ou se não está sendo honesto. Essas pessoas percebem quando um jornal ou uma televisão carrega na tinta contra um e não contra o outro.


[15] Comentários

O presidente Lula defendeu a realização de uma Assembléia Constituinte específica para tratar das mudanças do modelo eleitoral brasileiro. Segundo o presidente, isso poderia acontecer após as eleições marcadas para outubro de 2010. Lula estranhou o fato de que os partidos políticos tenham vislumbrado mudar a legislação, mas no instante de elaborar as leis “alguma força invisível” impede que o processo deslanche.

“Isso merece uma outra discussão profunda, que eu penso que os partidos políticos deveriam estar defendendo nesse momento, depois das eleições de 2010, uma Constituinte específica para fazer uma legislação eleitoral para o Brasil. Eu acho que alguma coisa tinha que acontecer. Não é possível continuar do jeito que está”,  queixou-se.

Ouça a íntegra da entrevista concedida após encontro com o presidente da Ucrânia, na qual Lula voltou a comentar sobre a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que abalou a política do Distrito Federal nos últimos dias. Na oportunidade, o presidente enfatizou que não foi condescendente e nem incriminou ninguém:

“Eu, na verdade, nem fui condescendente e nem incriminei. Eu apenas disse que tem um fato que está em apuração, é importante que termine a apuração. A Polícia Federal está investigando, o Ministério Público está investigando. A Justiça é que autorizou a fazer a quebra do sigilo e a fazer a investigação. Ora, eu não posso, como Presidente da República, condenar alguém com a mesma facilidade que você pode em uma pergunta ou em uma entrevista. Ou seja, eu tenho que esperar o resultado para poder falar. A minha tese é de que as pessoas que fizeram as coisas erradas terão que pagar. Agora, tem um processo, e isso não é uma vontade do presidente Lula. Isso é de toda a legislação brasileira. Isso vale para mim e vale para qualquer um dos 190 milhões de brasileiros.”

Lula classificou as cenas que assistiu pela televisão, de políticos e empresários recebendo dinheiro, como sendo “deploráveis”:

“Eu acho que é deplorável. Eu acho que é deplorável para a classe política, porque nós já mandamos duas propostas de reforma política para o Congresso Nacional e as pessoas não se importam em votar, quando seria muito mais fácil a gente votar a reforma política, moralizar o funcionamento dos partidos políticos, moralizar o processo eleitoral”.


[21] Comentários

O presidente Lula defendeu uma reforma política para evitar o caixa dois em campanhas políticas. Segundo o presidente, o governo encaminhou ao Congresso Nacional projetos visando uma minirreforma, sendo que um dos pontos diz respeito ao financiamento público de campanha.

Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida pelo presidente ao deixar seu hotel em Portugal na noite de segunda-feira (30/11):

Na entrevista, Lula voltou a falar sobre eleições em Honduras e o reconhecimento do resultado pelo governo brasileiro. Segundo Lula, a situação em Honduras é diferente daquela que ocorreu no Irã, onde o processo seguiu a legislação do País. O presidente assegurou que é “uma questão de não pactuar com o vandalismo político na América Latina” e encerrou o assunto: “Não dá para fazer concessão a golpista.”


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