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Foto oficial dos participantes do III Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Na cerimônia de abertura do III Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, que teve o pronunciamento oficial do presidente Lula, contou também com discursos do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, do ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, Miguel Angel Moratinos Cuyaube, do alto representante para Aliança de Civilização, Jorge Sampaio, e da Xeica Mozah do Catar. O fórum aconteceu no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio.

O Blog do Planalto editou trechos dos discursos destas autoridades e as reproduz como forma de mostrar os mais diversos temas enfocados pelos palestrantes. O secretário-geral da ONU, entre outras questões, diz que os jovens são uma solução global e narrou a visita que fez à favela Babilônia, no Rio. Erdogan enfatizou que “a história da humanidade não é apenas para um grupo de pessoas” e alfinetou os críticos do atual momento político, quando fechou parceria com o presidente Lula como forma de equacionar a questão de energia nuclear do Irã.

O ministro espanhol Miguel Cuyaube tratou da crise econômica mundial e defendeu uma governança global eficaz. O português Jorge Sampaio destacou a importância dos Estados Unidos entrarem na Aliança das Civilizações e enfatizou que “a Aliança não dispõe de divisões”. A Xeica Mozah do Catar, anfitriã da próxima ediça do Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, deu foco ao conflito no Oriente Médio que envolve Israel e a Autoridade Palestina.

Trecho do discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

Parte do pronunciamento do primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan.

O ministro espanhol Miguel Cuyaube também discursou.

Jorge Sampaio diz que a Aliança de Civilizaes não tem divisões.

O conflito no Oriente Médio mereceu destaque da Xeica Mozah do Catar.


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Durante discurso por ocasião da abertura do III Fórum da Aliança de Civilizações, nesta sexta-feira (28/5), no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio, o presidente Lula enfatizou que “a energia nuclear deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento, não uma ameaça”. Segundo ele, “são absurdas as teses sobre uma suposta fratura de civilização no mundo, que conduziria inexoravelmente a conflitos. Essas teorias são criminosas quando utilizadas como pretexto para ações bélicas ditas “preventivas””.

O Brasil aposta no entendimento, que faz calar as armas. Investe na esperança, que supera o medo. Faz da democracia política, econômica e social sua única arma. Minha experiência como líder sindical ensinou-me que posições inflexíveis só ajudam a confrontação e afastam a possibilidade de soluções de paz, que as maiorias aspiram. Com esses princípios viajei a Tel Aviv e Ramalá buscando paz. Com esse propósito o primeiro-ministro Erdogan [Turquia]e eu fomos a Teerã buscar, com o presidente Ahmadinejad, uma solução negociada para um conflito que ameaça muito mais do que a estabilidade de uma região importante do planeta.

Ouça aqui a íntegra do pronunciamento do presidente Lula:

Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Lula.

Lula iniciou o pronunciamento oficial do III Fórum da Aliança de Civilizações dando as boas vindas aos participantes do encontro mundial. Ele afirmou que “essa Aliança foi a resposta de um expressivo grupo de nações à ofensiva obscurantista daqueles que pretenderam dividir a humanidade a partir de um suposto “choque de civilizações”. Nossa adesão a esse projeto está em sintonia com os princípios universalistas que regem o Estado brasileiro e sua política externa. Mas também reflete o que foi a construção de nossa identidade nacional”.

Em seguida, explicou o fato de o Brasil acolher as mais diversas religiões e culturas, bem como o fato de o país ter em sua população cidadãos dos mais diversos povos, como por exemplo, “milhões de africanos que para aqui vieram forçados para o trabalho escravo”. Lula lembrou também que “abriga sucessivas levas de imigrantes europeus e asiáticos. Aqui convivem pacificamente milhões de árabes com centenas de milhares de judeus”.

O Brasil tem uma enorme dívida para com os povos de quase todo o mundo que ajudaram a construir nossa riqueza material mas, sobretudo, são responsáveis pela construção de nosso patrimônio cultural. Todos eles – sem exceção – fazem parte do que chamamos de civilização brasileira. Aprendemos com nossa própria história que a tolerância e a igualdade de oportunidades são fundamentais para um ambiente de concórdia e de paz. Ela nos ensinou que a exclusão, o pré-conceito e a pobreza alimentam cenários de tensão e de conflito. Fomentam situações de dominação e de injustiça que impedem povos e nações de construírem um futuro digno e pacífico.

Para o presidente brasileiro “não haverá encontro fraternal de civilizações enquanto não forem enfrentadas as raízes profundas dos conflitos. Enquanto houver fome e desemprego. Mas também enquanto persistir a intolerância étnica, religiosa, cultural e ideológica”. Segundo ele, “a promoção de uma cultura de paz deve ser um dos pilares centrais desse Fórum”. E dá a receita: “Para tanto, precisamos renovar mentalidades. Mas para renová-las é necessário oferecer oportunidades de crescimento econômico, com justiça social, aos milhões de homens e mulheres que vivem nas margens da humanidade -- humilhados e ofendidos -- sem esperança”.

Na sequência do pronunciamento, o presidente Lula disse que “a promoção da aliança de civilizações requer criatividade para forjar novos laços entre regiões e continentes. Reduzimos distâncias físicas, aproximando visões de mundo, integrando povos e culturas”. Ainda no discurso, informou que “na América Latina e Caribe estamos consolidando um projeto de integração regional que vai além da criação de um espaço econômico continental. Queremos que nossa diversidade seja um fator de multiplicação de nossa força, não o pretexto para dissolver nossos objetivos comuns. Foi a perspectiva de ampliação de um diálogo de civilizações que nos levou a realizar duas reuniões cúpula entre países da América do Sul com os países árabes e outras duas com os países africanos”.

Ele frisou também que “a crise financeira que se abateu sobre todos mostrou o quão necessário será contar com organizações multilaterais vigorosas, à altura de um mundo cada vez mais diverso, multipolar. Mas constatamos grande resistência à mudança. Incapazes de assumir seus próprios erros, alguns governantes buscam transferir o ônus da crise para os mais fracos. Adotam medidas protecionistas, que oneram bens e serviços exportados por países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que se mostram lenientes com os paraísos fiscais, responsabilizam imigrantes pela crise social”.

Lula defendeu uma imediata reação da comunidade internacional como forma de combater “as manifestações de xenofobia e de racismo é tarefa inadiável. O Brasil continua um país aberto e solidário para aqueles que vêm buscar aqui trabalho digno e vida melhor”. E acrescentou: “No momento em que a recessão ceifava milhares de empregos em nossa economia, não hesitamos em regularizar a situação de dezenas de milhares de migrantes.”

A última etapa do pronunciamento, o presidente Lula destacou a impotância dos jovens para o mundo. Segundo o presidente brasileiro, “os jovens constituem um dos grupos mais vulneráveis ãs influências do fanatismo e da intolerância”, mas, ao mesmo tempo, estes jovens, conforme assinalou, “são a melhor promessa para o futuro, sempre que orientados para o conhecimento do outro e para o respeito às diferenças”.

O presidente afirmou ser “imprescindível um forte investimento na educação”. Para Lula, “o conhecimento e a informação histórica e cultural sobre diferentes civilizações são essenciais para a promoção de um ambiente naturalmente tolerante. Por isso estamos implementando o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras”. E acrescentou: “Povos sem conhecimento de sua história e de sua cultura não têm como avaliar o presente e serão incapazes de fazer as melhores opções para a construção do seu próprio futuro.”

Esse III Fórum confirma que não nos deixamos vencer nem pela distância nem pelo ceticismo dos que duvidavam de nossa capacidade de trabalharmos juntos. Aqui prevalece a determinação de romper paradigmas para aperfeiçoar um diálogo pioneiro entre Estados e sociedades que desejam construir um mundo à imagem de suas melhores tradições de entendimento e de solidariedade. É essa a mensagem que nossa Cúpula lança. O Brasil ajudará a solidificar cada vez mais essa ponte de amizade e cooperação que estamos construindo entre nossos povos.


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Em sua primeira edição organizada fora da Europa, o Fórum Aliança das Civilizações leva para o Rio de Janeiro a oportunidade de aproximar ainda mais os países da América do Sul, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, em ‘briefing’ concedido nesta quarta-feira (26/5) em Brasília. O 3º Fórum Aliança das Civilizações contará com a participação do presidente Lula e será palco de reuniões bilaterais com os primeiros-ministros José Luiz Zapatero, da Espanha, e José Sócrates, de Portugal.

Entre os assuntos a serem tratados com os dirigentes europeus está a crise econômica enfrentada pelos países europeus:

Além de explicar detalhes sobre o Fórum Aliança das Civilizações, Baumbach respondeu ainda questões sobre a reunião que o presidente Lula terá na quinta-feira (27/5) com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. O porta-voz afirmou que o Brasil continuará trabalhando para evitar que “as portas se fechem” para as negociações por um acordo em relação ao programa nuclear do Irã. Brasil e Turquia negociaram em Teerã os termos de um acordo para que o Irã possa apresentar garantias à comunidade internacional.

Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida por Marcelo Baumbach:

Baumbach informou que o presidente brasileiro encaminhou carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, e mensagens aos presidentes Nicolas Sarkozy (França), Dimitri Medvedev (Rússia) e Felipe Calderón (México), além de integrandes da Unasul. “O Brasil pretende continuar no esforço para fomentar o diálogo”, assegurou o porta-voz.


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