Da sacada do hotel onde está hospedado, em Porto Príncipe, o ex-ditador Baby Doc acena para fotógrafos e jornalistas para mostrar que está bem. Foto: Marcelo Casal/ABr
A indefinição da política eleitoral no Haiti é apontada como principal entrave no processo de reconstrução do Haiti, país devastado por terremoto a um ano. A avaliação é do embaixador do Brasil naquele país, Igor Kipman, que também apresentou balanço das ações brasileiras em Porto Príncipe, capital haitiana. Segundo Kipman, nestes últimos doze meses ocorreram avanços, mas não na velocidade ideal.
“Na próxima semana, provavelmente, devemos ter o resultado das eleições e estimamos um segundo turno no dia 20 de março.”
Kipman explicou que haverá a fixação de um novo calendário eleitoral, com anúncios de prazos e da posse presidencial, que, em função dos impasses internos, não ocorrerá mais no dia 7 de fevereiro deste ano. Para o embaixador, esse conjunto de fatores prejudica o andamento de projetos de recuperação do mais pobre país das Américas. Segundo ele, uma das atividades em andamento é o combate ao colera.
“Quanto ao restante, existe apenas expectativa. Enquanto isso, fica tudo em ponto morto. Os projetos mais importantes geridos pela comissão de reconstrução estão aguardando continuidade.”
Sobre o possível retorno do ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, ao poder, Kipman diz que, nessa eleição em curso, o ex-ditador não pode ser candidato, mas não descarta a possibilidade de anulação do pleito.
“O Comite Eleitoral Provisório, diante de todos esses percalços e opiniões divergentes pode decidir anular as eleições e aí parte-se para um novo processo, com novas inscrições de candidatos. É uma possibilidade. Não é impossível, mas é uma possibilidade que eu acho muito remota”, disse o embaixador.
Apesar de o embaixador brasileiro achar pouco provável a entrada do ex-presidente na disputa eleitoral, o advogado de Baby Doc, Reynold George, sinalizou que seu cliente não deixará o país.
“Ele é um político e todo o político tem pretensões políticas. Ser novamente presidente do Haiti é um direito dele”, disse o advogado.
Reynold George apontou algumas tentativas de condenação de seu cliente, mas que não se concretizaram por inexistência de provas e também em função da prescrição destes crimes imputados a Baby Doc que esteve em exilio por 25 anos na França, antes de retornar ao Haiti, no último domingo (16/1). “Não conseguiram condená-lo na França e não vão conseguir aqui também”, previu.
A atuação da tropa de paz no Haiti sob liderança de militares brasileiros motivou o Ministério da Defesa a convidar jornalistas para conhecer de perto o trabalho desenvolvido. O Blog do Planalto participa desta visita que teve foco no ex-presidente haitiano em função do inesperado retorno dele ao país e da mobilização, nos últimos dias, em relação ao processo de validação do primeiro turno das eleições.
A presidenta Dilma Rousseff manifestou, por meio de mensagem por ocasião do transcurso de um ano do terremoto que devastou o Haiti, “nossa determinação de ajudar na reconstrução desse país”. Há um ano, um terremoto que atingiu grau 7 na escala Richter, arrasou Porto Príncipe, capital haitiana.
“Reafirmo nossa determinação de ajudar na reconstrução desse país, cujo povo não se rende diante das adversidades e tem dado provas de grande coragem e vontade de viver. O Brasil e a MINUSTAH vão perseverar, pois sabemos que os haitianos não desistirão.”
Leia abaixo a íntegra da mensagem da presidenta Dilma Rousseff.
Mensagem da Presidenta da República, Dilma Rousseff, por ocasião do transcurso de um ano do terremoto no Haiti.
“O terremoto que devastou o Haiti, ceifando centenas de milhares de vidas, completa hoje exatamente um ano. Quero me associar aos que participam, em todo o mundo, de cerimônias rememorativas dessa imensa tragédia que se abateu sobre aquele povo irmão. Esse é um momento de reflexão, de lembrarmos as vítimas, e de conclamarmos a comunidade internacional para um renovado esforço em prol da recuperação do país, que ainda vive uma situação de extrema gravidade.
Quero também enaltecer o trabalho dos nossos soldados que participaram da Missão das Nações Unidas (MINUSTAH), lutando incansavelmente para a estabilização e colaborando para a recuperação da infraestrutura do país. Lembro, e presto uma homenagem aos 18 militares brasileiros, à médica e humanista Zilda Arns e ao Representante Adjunto da ONU para o Haiti, Luiz Carlos da Costa, que estavam em missão de solidariedade e lamentavelmente perderam a vida durante o terremoto.
Reafirmo nossa determinação de ajudar na reconstrução desse país, cujo povo não se rende diante das adversidades e tem dado provas de grande coragem e vontade de viver. O Brasil e a MINUSTAH vão perseverar, pois sabemos que os haitianos não desistirão.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil”
O governo brasileiro encaminhará para Porto Príncipe, no Haiti, medicamentos, alimentos prontos e água engarrafada em voos que partem da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Já está restabelecida a ponte aérea Brasil-Haiti. A informação é do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Felix, coordenador do gabinete da crise instituído na última quarta-feira (13/1) por determinação do presidente Lula. Neste instante de dificuldades da população daquele país, os aviões somente transportarão donativos que forem pedidos pelas autoridades haitianas. Segundo o ministro Felix, as autoridades brasileiras tiveram experiências em outras tragédias quando encaminharam aos locais de atendimentos produtos desnecessários.
As doações dos brasileiros podem ser encaminhadas para três setores: 1 -- Medicamentos e ofertas de serviços médicos devem ser informados à coordenação geral de urgência e emergência do Ministério da Saúde. As instituições podem contatar pelo e-mail: missaodeajudasamu192@saude.gov.br ou pelo telefone 61 3315-3518. No caso do cidadão comum, o contato pode ser direto com o 192 da central SAMU da cidade ou do Estado. 2 -- Alimentos prontos e água engarrafada devem ser entregues à Defesa Civil. Saiba os endereços aqui. 3 -- Outras ofertas de serviços -- Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) pelo e-mail saci@planalto.gov.br ou pelo fax 61 3411-1297.
No início da tarde deste sábado, o general Jorge Félix; o subchefe de Comando de Controle do Estado Maior do Ministério da Defesa, contra-almirante Paulo Zuccaro, e o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores para a América do Sul, Antonio Simões, concederam entrevista coletiva para apresentar o balanço da primeira semana de ação do grupo do governo federal. As autoridades brasileiras asseguraram que, neste momento, a participação do Brasil no Haiti estará dividida entre a liderança da missão militar e a prestação da ajuda humanitária. O general Felix explicou que, em função das dificuldades de comunicação, foram enviados telefones celulares que operam por satélite.
Neste sábado, os voos militares para Porto Príncipe começam a decolar do Galeão, no Rio. Ontem (14/1), fechou-se entendimento entre os governos do Brasil, dos Estados Unidos e do Haiti para equacionar a questão do aeroporto da capital haitiana. O contra-almirante Zuccaro explicou que o controle interno do aeroporto permanece sob domínio dos americanos. A parte externa fica a cargo dos militares brasileiros que integram a tropa de paz naquele país. Zuccaro não descartou a possibilidade de o Brasil enviar mais batalhões para apoiar a segurança de distribuição dos donativos, bem como auxiliar na segurança interna do Haiti. Veja a entrevista aqui:
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do núcleo de atendimento aos brasileiros, recebeu informações que induziriam à conclusão de que 500 brasileiros civis estariam naquela região atingida pelo terremoto. Porém, Simões explicou que o número não é verdadeiro, pois além de duplicidade, existem pedidos de informações sobre militares em missão no Haiti. Oficialmente, o governo confirma que 14 militares e a médica Zilda Arns morreram em Porto Príncipe. Existem três militares e Luiz Carlos da Costa, principal funcionário brasileiro na ONU, desaparecidos.
O governo brasileiro encaminhará para Porto Príncipe, no Haiti, medicamentos, alimentos prontos e água engarrafada em voos que partem da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Já está restabelecida a ponte aérea Brasil-Haiti. A informação é do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Felix, coordenador do gabinete da crise instituído na última quarta-feira (13/1) por determinação do presidente Lula. Neste instante de dificuldades da população daquele país, os aviões somente transportarão donativos que forem pedidos pelas autoridades haitianas. Segundo o ministro Felix, as autoridades brasileiras tiveram experiências em outras tragédias quando encaminharam aos locais de atendimentos produtos desnecessários.
As doações dos brasileiros podem ser encaminhadas para três setores: 1 -- Medicamentos e ofertas de serviços médicos devem ser informados à coordenação geral de urgência e emergência do Ministério da Saúde. As instituições podem contatar pelo e-mail: missaodeajudasamu192@saude.gov.br ou pelo telefone 61 3315-3518. No caso do cidadão comum, o contato pode ser direto com o 192 da central SAMU da cidade ou do Estado. 2 -- Alimentos prontos e água engarrafada devem ser entregues à Defesa Civil. Saiba os endereços aqui. 3 -- Outras ofertas de serviços -- Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) pelo e-mail saei@planalto.gov.br ou pelo fax 61 3411-1297.
No início da tarde deste sábado, o general Jorge Félix; o subchefe de Comando de Controle do Estado Maior do Ministério da Defesa, contra-almirante Paulo Zuccaro, e o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores para a América do Sul, Antonio Simões, concederam entrevista coletiva para apresentar o balanço da primeira semana de ação do grupo do governo federal. As autoridades brasileiras asseguraram que, neste momento, a participação do Brasil no Haiti estará dividida entre a liderança da missão militar e a prestação da ajuda humanitária. O general Felix explicou que, em função das dificuldades de comunicação, foram enviados telefones celulares que operam por satélite.
Neste sábado, os voos militares para Porto Príncipe começam a decolar do Galeão, no Rio. Ontem (14/1), fechou-se entendimento entre os governos do Brasil, dos Estados Unidos e do Haiti para equacionar a questão do aeroporto da capital haitiana. O contra-almirante Zuccaro explicou que o controle interno do aeroporto permanece sob domínio dos americanos. A parte externa fica a cargo dos militares brasileiros que integram a tropa de paz naquele país. Zuccaro não descartou a possibilidade de o Brasil enviar mais batalhões para apoiar a segurança de distribuição dos donativos, bem como auxiliar na segurança interna do Haiti. Veja a entrevista aqui:
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do núcleo de atendimento aos brasileiros, recebeu informações que induziriam à conclusão de que 500 brasileiros civis estariam naquela região atingida pelo terremoto. Porém, Simões explicou que o número não é verdadeiro, pois além de duplicidade, existem pedidos de informações sobre militares em missão no Haiti. Oficialmente, o governo confirma que 14 militares e a médica Zilda Arns morreram em Porto Príncipe. Existem três militares e Luiz Carlos da Costa, principal funcionário brasileiro na ONU, desaparecidos.
Cerca de 70 haitianos são medicados na base brasileira em Porto Príncipe (foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)
O presidente do Haiti, René Préval, agradeceu a ajuda do Brasil neste instante em que aquele país passa por dificuldades em função do terremoto que devastou a capital Porto Príncipe na última terça-feira (12/1). A manifestação de Préval ocorreu durante reunião entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, autoridades do governo do Peru, no Batalhão Brasileiro (Brabatt), na capital haitiana. Na ocasião, Jobim informou os cinco pontos do plano emergencial divulgado no fim da manhã desta quinta-feira (14/1) pelo Ministério da Defesa.
No mesmo encontro, o ministro brasileiro confirmou a chegada, nesta sexta-feira (15/1), do hospital de campanha da Aeronáutica, com capacidade de atender 300 pacientes. Tão logo o equipamento seja desembarcado, iniciará a operação de socorro às vítimas. Outro ponto em questão diz respeito ao sepultamento dos corpos. Há uma preocupação quanto à demora para a realização dos enterros, em especial, por causa de epidemias.
Um relato exclusivo ao Blog do Planalto confirmou que tão logo aconteceu a tragégia, dezenas de pessoas buscaram abrigo no batalhão brasileiro. Pelo menos 70 cidadãos daquele país estão sendo atendidos numa garagem que foi improvisada de pronto-socorro. Imagens divulgadas pela Agência Brasil mostram os militares procedendo curativos nos feridos. Além do hospital, desembarcam em Porto Princípe os militares do Corpo de Bombeiros do Rio e do Distrito Federal com equipamentos especiais para localização de vítimas nos escombros.
O ministro Jobim e as demais autoridades que integram a comitiva retornam nesta sexta-feira para Brasília. O corpo de Zilda Arns também seguirá neste voo até a capital brasileira. Da Base Aérea de Brasília, o caixão viajará até Curitiba (PR), onde ficará em velório no palácio do governo paranaense. Já os corpos dos 14 militares brasileiros deverão permanecer no Haiti por mais dois dias. Por questões de indenizações das Nações Unidas, há necessidade do cumprimento de questões burocráticas. Mas, um avião se encontra no Haiti para trazê-los ao Brasil tão logo sejam liberados para os sepultamentos.
Militares brasileiros socorrem moradores de Porto Príncipe. Abaixo, ministro Jobim chega à base brasileira no Haiti (fotos: Roosewelt Pinheiro/ABr)
Com a chegada do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Porto Príncipe (Haiti), o governo brasileiro começa a definir o plano de emergência para enfrentar os cinco problemas mais graves naquele país atingido por terremoto na última terça-feira: sepultamento dos mortos; socorro médico aos feridos; remoção de destroços; reforço da segurança nas operações; e distribuição de suprimentos, principalmente água e comida.
De acordo com o Ministério da Defesa, o plano foi traçado em reuniões do ministro Jobim e representantes de órgãos do governo brasileiro que integram sua comitiva em viagem ao Haiti, com o general brasileiro Floriano Peixoto, que comanda a Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), a Minustah, formada por aproximadamente sete mil homens de diversos países. Deste total, 1.266 formam o Batalhão Brasileiro (Brabatt), comandado pelo coronel João Batista Carvalho Bernardes.
A Agência Brasil já divulgou, nesta quainta-feira (14/1), as primeiras imagens do atendimento de vítimas do terremoto por militares em locais improvisados na capital do Haiti.
Presidente Lula comanda reunião de emergência no CCBB sobre o terremoto no Haiti (foto: Ricardo Stuckert/PR)
O governo brasileiro vai doar 14 toneladas de alimentos e US$ 10 milhões ao Haiti (atualização: a doação é de US$ 15 milhões). O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (13) pela assessoria do Ministério das Relações Exteriores no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O presidente Lula comandou há pouco reunião com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), Nelson Jobim (Defesa), Jorge Felix (Gabinete da Segurança Institucional), secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, João Santana, e o assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia.
Durante a reunião ficou decidido que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decola por volta das 11h de hoje da Base Aérea de Brasília com destino a Porto Príncipe, capital do Haiti. No voo seguem o ministro Jobim e o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, que se encontra no Brasil.
Após reunião, o ministro Celso Amorim, em entrevista no CCBB, confirmou a morte de Zilda Arns, da Pastoral da Criança, e mais quatro militares. O terremoto atingiu 7.0 graus na escala Richter.
O governo brasileiro confirmou que o prédio da embaixada em Porto Príncipe teve a estrutura danificada e os funcionários estão trabalhando num centro cultural. Ao mesmo tempo, para permitir o atendimento aos brasileiros que se encontram naquela região, o Itamaraty está reforçando a equipe de funcionários na Embaixada do Brasil na República Dominicana, país vizinho ao Haiti.
Todo o conteúdo desse blog é originalmente do Blog do Planalto e está licenciado sob a CC-by-sa-2.5, exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes.