
Presidente Lula, entre o ministro José Gomes Temporão (Saúde) e o prefeito Luiz Marinho na inauguração da UPA. Foto Ricardo Stuckert/PR
Quem for a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) não vai sair com receita e sim com o remédio nas mãos, afirmou o presidente Lula, nesta sexta-feira (10/9), na inauguração da UPA Vila União, em São Bernardo do Campo(SP).
“Muitas vezes as pessoas morrem com a receita de baixo do travesseiro porque não têm dinheiro para comprar o remédio. Quem for a uma UPA vai sair de lá com o remédio que necessita para se tratar”, disse.
Ouça abaixo a íntegra do discurso do presidente Lula.
O presidente lembrou também do programa do governo federal Farmácia Popular, que disponibiliza à população carente medicamentos com preços mais em conta.
Lula ressaltou também a importância de se levar atendimento médico de qualidade à periferia, onde os moradores muitas vezes têm dificuldade de acesso aos hospitais nas regiões centrais das cidades.
“O problema é que a parte mais pobre da população vai tendo cada vez mais dificuldade de ter acesso aos serviços públicos. O povo pobre sofre. Então quando resolvemos fazer a UPA em uma região como essa, a gente está dizendo para vocês que nós ainda vamos ter os 200 milhões de cidadãos e cidadãs tratados como de primeira categoria”, afirmou.
A UPA Vila União tem capacidade para até 250 atendimentos diários e beneficiará 95 mil habitantes. A estrutura abriga quatro consultórios, sendo dois de clínica médica e dois de pediatria, além de laboratório de análises, eletrocardiograma, exames radiológicos, salas de medicação e nebulização. A unidade conta com 15 leitos, sendo quatro pediátricos, nove para adultos e duas salas com equipamentos de UTI. O investimento na obra e em equipamentos foi de R$ 5,3 milhões, sendo R$ 2 milhões do governo federal.
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O presidente Lula, em entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio, de Porto Alegre (RS), publicada nesta sexta-feira (5/2), afirmou que o seu governo passou “a cuidar dos dois terços da população que nunca eram levados em conta na hora de se formular as políticas públicas”. Segundo o presidente, “governos anteriores estavam voltados apenas para um terço dos brasileiros, os da faixa superior de renda”. No entendimento de Lula, “é possível combinar crescimento econômico com distribuição de renda, ou seja, com a redução das desigualdades sociais”.
“Os êxitos que o Brasil vem colecionando nesse campo [cenário internacional] são a maior demonstração de que estabilidade macroeconômica, crescimento e combate à pobreza são mais do que compatíveis. Na verdade, elas se reforçam mutuamente. Em nosso governo, passamos a cuidar dos dois terços da população que nunca eram levados em conta na hora de se formular as políticas públicas. Governos anteriores estavam voltados apenas para um terço dos brasileiros, os da faixa superior de renda, e se lixavam para o restante. Ao ampliar a renda e, portanto, o poder aquisitivo dos segmentos mais pobres da sociedade, não estamos apenas fazendo justiça social e estendendo os direitos básicos de cidadania a todos os brasileiros. Estamos também simultaneamente ampliando o mercado consumidor para a produção nacional. A demanda resultante do maior poder aquisitivo da população movimentou o comércio de bens e serviços no País. Estamos trabalhando nos marcos do sistema dentro do qual fomos eleitos e comprovando, pela primeira vez, que é perfeitamente possível combinar crescimento econômico com distribuição de renda, ou seja, com a redução das desigualdades sociais.”
Leia aqui a íntegra da entrevista.
Lula também respondeu à questões sobre o tamanho da dívida pública brasileira, a política econômica adotada pelo governo, a inserção de milhões de cidadãos aos mercados de trabalho e de consumo, bem como a aquisição de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB):
“Eu penso que o resultado do enfrentamento da crise mostra que tomamos as decisões corretas. No ano mais agudo da crise, 2009, tivemos a criação de quase 1 milhão de novos empregos com carteira assinada, enquanto vários outros países perderam postos de trabalho. Aliás, quando a crise chegou, nós já estávamos mais bem preparados, com um sistema bancário sólido, um excelente volume de reservas e um mercado interno forte, proporcionado pelas nossas políticas sociais. Mesmo nessa situação confortável, tomamos várias medidas adicionais, centradas em três linhas. Em primeiro lugar, trabalhamos para reduzir o impacto da retração do crédito, com várias medidas: aumentamos em R$ 100 bilhões o volume de recursos do BNDES para empréstimos, diminuímos os compulsórios dos bancos, reduzimos os juros dos bancos públicos, promovemos a redução da alíquota do Imposto de Renda e do IPI de vários setores da economia. Em segundo lugar, em vez de reduzir os investimentos nas obras do PAC, nós ampliamos o volume de recursos de R$ 504 bilhões para R$ 646 bilhões até 2010. Além do volume inédito de recursos que estamos injetando na economia, ainda estamos eliminando os gargalos de infraestrutura que atravancavam o desenvolvimento. Em terceiro lugar, procuramos aprimorar as políticas sociais, mantendo e ampliando o Bolsa Família que hoje beneficia 12,4 milhões de famílias brasileiras, além de continuar com a política de valorização do salário mínimo, que já cresceu mais de 60% acima da inflação, desde 2003. E, por sabermos que num cenário de crise, o fator psicológico tem um grande peso, nós trabalhamos para evitar o pânico, injetando confiança nos atores econômicos e estimulando a população a continuar consumindo. E o povo brasileiro reagiu de forma espetacular. Não se deixou levar pelos alarmistas e manteve a roda da economia girando. Como os resultados foram mais do que satisfatórios, tanto para as empresas quanto para os trabalhadores, temos aí um roteiro pronto do que fazer diante de uma crise.”
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