Foto oficial dos chefes de Estado e Governo da União Sul-Americana de Nações (Unasul). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Após marcar presença na cerimônia de posse do presidente do Peru, Ollanta Humala, a presidenta Dilma Rousseff participou da reunião de cúpula da União Sul-Americana de Nações (Unasul), ontem (28/7), em Lima. Em seu discurso, a presidenta defendeu a integração sul-americana sem que nenhum país “se imponha sobre os demais pelas dimensões do território, de sua população ou pelo tamanho do seu Produto Interno Bruto”.
Dilma Rousseff salientou a necessidade de crescimento com inclusão e chamou a atenção dos demais países para a priorização dos segmentos mais vulneráveis das sociedades. Ela apresentou dados de estudo elaborado pela Cepal, com o apoio da Unasul, que demonstra as taxas mais reduzidas de pobreza e de indigência desde 1990 nos países do bloco: 32,13%. Segundo a presidenta, o fato atribui-se à presença de “governos mais democráticos e representativos das camadas menos favorecidas” e ilustra que avanços foram conquistados, apesar da necessidade crescente de investimentos. Nesse ponto, a presidenta brasileira citou o Plano Brasil sem Miséria, que visa retirar da pobreza extrema 16,2 milhões de pessoas.
“Nós, que temos um compromisso com o combate à pobreza extrema, sabemos que isso requer vultosos investimentos na área social, tendo como objetivo a universalização de serviços essenciais, como os de saúde, educação e previdência. Esse desígnio, eu tenho certeza, orienta as ações dos governos e dos países da região”, disse.
Dilma Rousseff defendeu a realização de reuniões periódicas da Unasul para tratar do enfrentamento da nova etapa da situação internacional, que, segundo ela, “se caracteriza pela não superação, pelos países desenvolvidos, da crise de 2008, de políticas econômicas e de políticas de disputa que colocam o mundo à beira de situações muito precárias”. Ela frisou que os países sul-americanos têm que se defender do “mar de liquidez” que se dirige sobre as economias dos países em desenvolvimento.
“Não podemos incorrer no erro de comprometer tudo o que conquistamos, não porque quiséssemos ou por erros que cometêssemos, mas por conta dos efeitos de uma conjuntura internacional desequilibrada que estamos enfrentando.”
Ouça abaixo íntegra do discurso da presidenta Dilma Rousseff:
Unasul - O bloco é formado por 12 países e tem como objetivo promover a integração regional, política, econômica e social do continente. O encontro no Peru foi a primeira reunião de cúpula da Unasul desde a entrada em vigor do tratado constitutivo do bloco, em março de 2011.
Até agora, dez países já aprovaram a adesão ao bloco em seus parlamentos nacionais: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. O Brasil foi o décimo país a fazer a adesão, em julho; a constituição formal do bloco aconteceu automaticamente quando ocorreu a aprovação pelo nono país. Colômbia e Paraguai ainda não aprovaram.
Além da presidenta Dilma, mandatários de outros nove países estiveram presentes. Entre os integrantes do bloco, não participaram apenas os presidentes Hugo Chávez e Fernando Lugo, da Venezuela e Paraguai, respectivamente.
Em junho deste ano, a presidenta Dilma Rousseff recebeu o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/Arquivo/PR
A presidenta Dilma Rousseff embarca nesta quarta-feira (27/7) para Lima, no Peru, onde participará, na quinta-feira, das cerimônias de posse do presidente Ollanta Humala. No dia 9 de junho deste ano, Humala foi recebido pela presidenta brasileira apenas quatro dias após ser eleito.
“O Brasil foi o primeiro país a ser visitado pelo presidente eleito, em clara sinalização da importância que confere às relações com o Brasil”, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Rodrigo Baena.
Ao final do encontro em junho, Humala afirmou que o Brasil é um exemplo exitoso de governo a ser seguido e citou a estabilidade econômica e os projetos de inclusão social e combate à miséria. Ao longo da campanha presidencial, ele afirmou, em diversos momentos, ter o Brasil como referência em matéria de desenvolvimento econômico com redução da desigualdade social.
Desde 2003, Brasil e Peru têm trabalhado para a aproximação dos dois países. Naquele ano, foi assinado o Acordo de Complementação Econômica Mercosul-Peru (ACE-58), além do início da cooperação no Sistema de Vigilância da Amazônia e das negociações para o financiamento da Rodovia Interoceânica.
Trocas comerciais – Em 2010, o comércio bilateral atingiu a marca de US$ 2,92 bilhões, com superávit brasileiro. Neste ano, entre janeiro e junho, a balança comercial alcançou a marca de US$ 1,79 bilhão, o que representa um aumento de 42,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os Brasil tem exportado para o Peru, principalmente, óleos crus de petróleo, veículos diesel e produtos semimanufaturados de ferro e aço. Os principais produtos da pauta exportadora do Peru para o Brasil são os cátodos de cobre, minérios de zinco e prata.
Nesta quarta-feira (27/7), a agenda de trabalho da presidenta Dilma Rousseff é aberta com despacho interno. Em seguida, a presidenta concede audiência à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
Ainda pela manhã, é a vez do ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reunir com a presidenta.
À tarde, Dilma Rousseff recebe o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
No início da noite, na Base Aérea de Brasília, a presidenta parte para Lima, capital do Peru.
Presidenta Dilma Rousseff recebe o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Um país estratégico e importante. Assim o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, classificou o Brasil, nesta quinta-feira (9/6), após reunir-se com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Humala explicou que o Brasil foi o primeiro país a ser visitado por causa daquilo que ele representa na América do Sul. Antes da entrevista, o porta-voz da Presidência da República, Rodrigo Baena, informou que a presidenta Dilma confirmou que irá à posse do peruano, em 28 de julho, em Lima.
“Os dois conversaram sobre alguns programas desenvolvidos aqui no Brasil, como por exemplo o Brasil sem Miséria, o ProUni e o Bolsa Família”, contou o porta-voz.
Entrevista do presidente eleito do Peru, Ollanta Humala
Em seguida, o presidente eleito do Peru explicou que a reunião também serviu para assegurar o fortalecimento da integração entre os dois países. Conforme explicou, durante a campanha eleitoral ele assumiu compromissos de implantar programas que estão sendo desenvolvidos no Brasil que dizem respeito à inclusão social.
Além disso, Humala contou também sobre a importância de fortalecer o combate ao narcotráfico. “Estamos satisfeitos com essa nossa reunião. O Brasil é um sócio estratégico e importante para o Peru”, afirmou Humala, que segue viagem ainda hoje para São Paulo onde deve se encontrar com o ex-presidente Lula.
Após a entrevista do presidente eleito, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, informou que na reunião a presidenta Dilma repassou ao colega peruano detalhes do Plano Estratégico de Fronteiras, lançado ontem (8/6), em Brasília. Segundo Marco Aurélio, houve grande receptividade por parte do líder peruano.
Entrevista do assessor Marco Aurélio Garcia
Marco Aurélio contou também que o Brasil irá ajudar o governo peruano na implantação dos programas sociais, mas limitando-se à assistência técnica. O assessor informou que o governo brasileiro não está preocupado em ter influência na América do Sul. Segundo ele, a presença do Brasil no mundo passa necessariamente pela relação com os países do continente sul-americano.
A presidenta Dilma Rousseff inicia a agenda de trabalho, nesta quinta-feira (9/6), recebendo em audiência o presidente eleito do Peru Ollanta Humala. A reunião acontece agora pela manhã no Palácio do Planalto.
No início da tarde a presidenta embarca na Base Aérea de Brasília com destino a Navegantes (SC). De lá, a comitiva segue para Blumenau (SC) para solenidade de entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.
De acordo com a agenda, a presidenta retorna para Brasília às 17h com desembarque na base aérea da capital federal previsto para 18h50.
Marco Aurélio Garcia é assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidenta da República. Foto: arquivo pessoal
No terceiro post da série “Relações Exteriores”, o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidenta da República, Marco Aurélio Garcia, falou sobre a III Reunião de Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e de Países Árabes (Aspa), que será realizada no próximo dia 16/2, em Lima/Peru, e sobre a questão nuclear do Irã. Para ver os outros posts da série clique no selinho ao lado.
Num momento em que o Egito enfrenta grave crise política interna e que a Tunísia sofreu intensas mudanças em seu governo, a Aspa será uma oportunidade – disse Marco Aurélio – para os países sul-americanos e árabes estreitarem a aproximação já iniciada em um processo “irreversível”. Na opinião do assessor da presidenta, se a dinâmica de democratização no mundo árabe continuar ganhando corpo e se aprofundar, as condições de interlocução com a América do Sul, em especial com o Brasil, serão facilitadas.
“Nós esperamos evidentemente que, até a realização da Aspa, muitas dessas situações já estejam resolvidas, cristalizadas, de tal maneira que garanta, entre outras coisas, uma presença mais expressiva de dirigentes árabes”, afirmou.
Sobre a possibilidade de o Brasil continuar intermediando o diálogo com o Irã no tocante aos assuntos nucleares, Marco Aurélio Garcia explicou que o Brasil optou, conjuntamente com a Turquia, por mediar a questão que, naquele momento, apontava riscos à paz mundial. Entretanto, enfatizou, é preciso que se esclareça que o Brasil não possui qualquer tipo de relacionamento privilegiado com o Irã, nem de apoio ao formato político-institucional do país.
“É importante dizer que não houve uma preocupação do Brasil de estabelecer uma aliança privilegiada com o Irã. Nós temos relações com o Irã como nós temos com outros países do mundo, e naquele momento nós entendíamos que o tema da nuclearização para fins pacíficos ou não do Irã era um tema que tinha uma reverberação muito importante sobre a paz mundial (…). Os resultados não foram tanto na direção que nós gostaríamos que fossem, mas a política nem sempre produz resultados imediatos”, explicou.
Marco Aurélio lembrou, ainda, que apesar de o Brasil não ter sido favorável às medidas internacionais aplicadas ao Irã pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, já que “sanções não fortalecem a paz, pelo contrário, elas dificultam o relacionamento”, seguirá as orientações do Conselho da ONU, mesmo tendo votado contra elas.
Brasil, Peru e Bolívia vão intensificar ações conjuntas em suas fronteiras para combater o tráfico de armas e drogas, num trabalho que deverá no médio e longo prazo incluir também demais países da América do Sul, afirmou o ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça), após reunião nesta segunda-feira (29/11) com o ministro de Governo da Bolívia, Sacha Llorenty, em Brasília (DF). “A América do Sul deve buscar em conjunto soluções para esse problema. E a melhor de fazer isso é com cooperação, intercâmbio de informações, é com operações conjuntas”, disse ele.
No próximo mês de dezembro serão realizadas reuniões entre equipes brasileiras e bolivianas para a apresentação do Vant, veículo aéreo não-tripulado que o Brasil comprou para fazer a vigilância de suas fronteiras, principalmente na região amazônica, e também discutir um plano conjunto de segurança da fronteira. Na pauta de cooperação também está o combate à lavagem de dinheiro, em que o Brasil vem obtendo sucesso – a ideia é passar à Bolívia os mecanismos e instrumentos usados para o combate financeiro a organizações criminosas, afirmou Barreto.
O ministro da Justiça brasileiro reafirmou que a fronteira do Brasil com a Bolívia – bem como com os demais países da América do Sul – se caracteriza por ser uma fronteira de integração, onde as pessoas têm o direito de ir e vir, “mas não podemos permitir que essa integração também facilite o trânsito da atividade criminosa transnacional”.
O governo, disse o ministro, poderá editar uma medida provisória para liberar recursos ao Rio de Janeiro, a serem usados no combate à violência. O valor ainda será definido.
Lula e Alan García responderam a quatro perguntas da imprensa após discurarem sobre o encontro bilateral que tiveram em Manaus (AM) na tarde desta quarta-feira (16/6). Os brasileiros mais uma vez ignoraram os temas propostos (parceria energética, desenvolvimento regional/sulamericano, acordos assinados) e se concentraram em temas políticos e eleitorais brasileiros, ao contrário dos colegas peruanos, que focaram suas perguntas nos temas da agenda bilateral. A primeira pergunta, da repórter da Folha de S. Paulo, foi sobre a sanção presidencial ao reajuste de 7,7% concedido aos aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo.
Lula lembrou que a proposta original do governo previa reajuste de 6,14%, mas o Congresso aprovou 7,7%. Após conversar com sua equipe econômica, o presidente brasileiro ficou convencido de que é possível recurar parte do dinheiro do reajuste, graças ao consumo que os aposentados terão nos próximos meses. Além disso, a equipe econômica garantiu que é possível fazer um corte no orçamento equivalente à quantia que vamos dar de reajuste.
O que nós precisamos é dizer à nação brasileira que nós vamos continuar com uma rigidez fiscal, que vamos continuar controlando as contas públicas, que nós vamos diminuir o gasto com custeio, para gente poder garantir que uma parte pobre da população tenha mais poder de consumo neste País.
Negou ainda ter ‘contrariado’ a equipe econômica, conforme afirmou a jornalista em sua pergunta. “Num regime presidencialista, quem decide é o presidente. As equipes me dão orientação, me dizem as alternativas, e eu tomo a decisão. É assim que funciona o Brasil no governo Lula e em qualquer regime presidencialista”, disse.
Ouça aqui a íntegra da entrevista coletiva, que tratou também das alianças nos estados para a eleição presidencial deste ano e detalhes sobre os acordos bilaterais assinados:
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