O presidente Lula retornou do jantar oferecido pelo presidente de Moçambique, Armando Eduardo Guebuza, e conversou com jornalistas que o aguardavam no saguão do hotel. O tema central a entrevista foi a reunião do G20 que ocorre esta semana em Seul, na Coreia. Num primeiro momento, Lula explicou que irá levar para o encontro a experiência adotada pelo governo brasileiro durante a crise financeira mundial ocorrida no último trimestre de 2008. O presidente brasileiro descartou que apresentará proposta para o encontro com os chefes de Estado e de Governo das 20 potências.
“Primeiro, no G20 a gente não leva proposta. O G20 não é um congresso em que a gente leva tese para ser aprovada, mas ideias para serem debatidas. Nós estamos desde que começou a crise mundial em 2008 dizendo que só existe uma possibilidade de resolver a crise que é evitar o protecionismo entre as nações que fazem comércio mundial. Cada país precisa fazer política anticiclica que nós fizemos. Como os países ricos habitualmente tentavam dar lições, seria importante aprender o que nós fazemos para adotar políticas iguais.”
Ouça abaixo a íntegra da entrevista concedida pelo presidente Lula em Maputo.
Lula citou exemplos como a solução adotada pelo governo brasileiro para equacionar a crise no setor automobilístico. Segundo ele, as ações do governo federal permitiram equacionar o problema em poucas semanas. Enquanto isso, as maiores potências econômicas demandaram mais tempo. Com relação à questão do crédito, que no Brasil foi resolvida em dois meses, o presidente explicou que existem países que convivem com estas dificuldades até os dias atuais.
O presidente brasileiro argumentou também que as contantes guerras cambiais devem ser debatidas, bem como a criação de um mecanismo que permita a fiscalização do sistema financeiro mundial. Lula lembrou que certos países – em especial os considerados mais ricos – sempre davam palpites quando os problemas eram com nações economicamente inferiores.
“Então estou dando um palpite. Façam como se faz no Brasil que as coisas ficam mais fáceis”, disse.
Na entrevista, o presidente foi questionado também sobre aumentos de salários que estão sendo autorizados pelo Congresso Nacional para os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Segundo ele, em 2002, quando foi eleito para o primeiro mandato, o Legislativo aprovou reajuste para todos os escalões, mas exclui o presidente da República. Ele lembrou que na ocasião recebeu indicação de uma brecha, mas preferiu não se benficiar. Porém, no momento atual, ele acha importante que a decisão seja tomada.
O presidente explicou que encerrou por Moçambique a sua última etapa como presidente do Brasil porque existiam questões que precisavam ser resolvidas, como a fábrica que produzirá remédios para tratamento de cidadãos infectados pelo vírus da Aids e a implantação do pólo de ensino à distância. Lula conclui a vista a Moçambique nesta quarta-feira (10//11), com visita às instalações da fábrica de antirretrovirais.
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O presidente Lula, em discurso direto do plenário do Centro de Convenções Bella Center, onde ocorre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15), em Copenhague (Dinamarca), enfatizou que os países não devem ficar a espera de decisões de outros parceiros sob risco de “descobrir que é tarde demais”. Segundo o presidente brasileiro, “a mudança do clima é dos problemas mais graves que enfrenta a humanidade”.
“O combate à mudança do clima não pode fundamentar-se na perpetuação da pobreza. A mitigação é essencial. Mas a adaptação é um desafio prioritário para países em desenvolvimento, sobretudo para as pequenas ilhas e países sujeitos à desertificação, especialmente na África. É inaceitável que os países menos responsáveis pela mudança do clima sejam suas primeiras e principais vítimas. A Convenção estabeleceu a obrigação dos países desenvolvidos de oferecer apoio financeiro e tecnológico para os países em desenvolvimento. Será muito difícil aprofundar as iniciativas de mitigação ou reforçar a capacidade de adaptação, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis, sem que os fluxos financeiros tenham forte componente de financiamento público. Mecanismos de mercado podem ser úteis, mas nunca terão a magnitude ou a previsibilidade necessárias para a transformação que queremos.”
Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Lula.
Lula disse que os mecanismos de mercado para obtenção de recursos para a mitigação “podem ser úteis, mas nunca terão a magnitude ou a probabilidade ou a previsibilidade necessárias para a transformação que queremos”. Para o presidente, “será muito difícil aprofundar as iniciativas de mitigação ou reforçar a capacidade de adaptação, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis, sem que os fluxos financeiros tenham forte componente de financiamento público”.
No pronunciamento oficial, o presidente lembrou que o Brasil precisará de US$ 160 bilhões até 2020 para alcançar as metas de redução dos gases do efeito estufa. Além disso, Lula destacou que o país dispõe de uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 85% da energia gerada proveniente de recursos hídricos. Ressaltou também o compromisso na redução, até 2020, do desmatamento na Amazônia em 80%.
“O Congresso Brasileiro aprovou meu Projeto de Lei que contém um conjunto de ações envolvendo combate ao desmatamento, agricultura, energia e siderurgia. Essas medidas deverão reduzir o crescimento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. Esse esforço nos custará 160 bilhões de dólares”, destacou.
“O Brasil participa desta Conferência com a determinação de obter resultados ambiciosos. Mas essa ambição tem de ser compartilhada por todos. As fragilidades de uns não podem servir de pretexto para recuos ou vacilações de outros. Não é politicamente racional, nem moralmente justificável, colocar interesses corporativos e setoriais acima do bem comum da humanidade. A hora de agir é esta. O veredito da história não poupará os que faltarem a suas responsabilidades neste momento.”
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