Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, discutiu com o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim a melhor forma de lidar com o Irã e seu embrionário programa nuclear. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O ministro de Relações Exteriores Celso Amorim defendeu a posição brasileira de não pressionar o Irã com sanções, após reunião com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, nesta quarta-feira (3/3) no Palácio Itamaraty, em Brasília:
Cada país tem que pensar com a sua própria cabeça. Nós pensamos com a própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares e certamente onde não exista proliferação. A questão é de saber qual é o melhor caminho para chegar lá.
Para Clinton, Estados Unidos e Brasil estão de acordo que é necessário evitar que o Irã desenvolva armas nucleares. “Nós debatemos o valor central da não proliferação e o nosso comprometimento comum de fazer com que o Irã não tenha armas nucleares”, disse ela. Após o encontro com o ministro Celso Amorim, Hillary Clinton se encontrou com o presidente Lula no gabinete provisório da Presidência da República instalado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.
Segundo Amorim, o Brasil ainda não se manifestou sobre seu voto no Conselho de Segurança da ONU quanto à questão iraniana. “Nunca disse como o Brasil vai votar no Conselho, mas acreditamos que seria bom colocar um pouco de ar fresco nas negociações. Queremos chamar os líderes do projeto nuclear do Irã para uma conversa”.
No encontro entre Amorim e Clinton, também foram tratados temas como mudança do clima, promoção da igualdade racial, negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC), cooperação com o Haiti e países africanos, e reforma da Organização das Nações Unidas (ONU).
Presidente Lula participa de homenagem às vítimas do holocausto na Segunda Guerra Mundial em sinagoga no Recife (PE). Foto: Ricardo Stuckert/PR
No dia em que as vítimas das atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial foram homenageadas em cerimônia realizada nesta quarta-feira (27/1) na sinagoga mais antiga das Américas, localizada em Recife (PE), o presidente Lula fez questão de lembrar a tragédia no Haiti e fazer uma veemente defesa da democracia e do respeito aos direitos humanos. Citou também em seu discurso a contribuição do Brasil para encontrar a paz duradoura que tantos almejam para o Oriente Médio.
Lula elogiou a solidariedade brasileira em favor do povo haitiano, que conta com apoio fundamental também da comunidade judaica, por meio por exemplo do Hospital Israelita Albert Einstein, e lembrou com pesar a morte de 20 brasileiros, entre militares e civis, que trabalhavam pela reconstrução do Haiti.
Lula homenageou também a embaixatriz Roseana Aben-Athar Kipman, neta de judeu, que dedicou sua vida aos doentes de hanseníase:
Ao aconchegar crianças feridas e, em muitos momentos, até mesmo expor sua vida para salvá-las, Roseana expressa o papel que a nossa presença no Haiti tem desde antes do terremoto: compaixão, solidariedade e convicção de que os haitianos podem um dia erguer uma nação que eles mesmos sustentarão.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente em Recife:
O presidente Lula reiteirou que o extermínio em massa promovido pelos nazistas só foi possível porque antes a democracia e o respeito aos direitos humanos também foram progressivamente aniquilados.
Sempre faço questão de reafirmar que a democracia é um bem do qual não podemos abrir mão. Nunca. E nesta ocasião quero também dizer que a democracia política, social e econômica é a nossa principal arma contra a discriminação e a intolerância. O povo brasileiro me deu a honra de governar um país já democrático e tolerante. E chegando ao fim do meu mandato, me orgulho de ter contribuído para o fortalecimento das instituições, para a liberdade de imprensa, para a expansão das políticas públicas a todos os setores e comunidades de nossa sociedade e, especialmente, para a ampliação da participação social.
Lula citou os encontros que teve recentemente no Brasil com os presidentes Shimon Peres, de Israel, e Mahmud Abbas, da Autoridade Palestina, e as conversas mantidas em defesa da paz duradoura no Oriente Médio e sobre os obstáculos que impedem que ela seja obtida. Em março, lembrou, terá novos encontros com ambos, desta vez em seus respectivos países:
E mais uma vez, em nome do povo brasileiro, levarei até lá nossa mensagem de tolerância e de paz. Uma mensagem que é baseada não em uma utopia, mas na realidade de uma nação onde as mais diversas comunidades convivem. Todos nós, governo e sociedade, podemos trabalhar para que se aproxime o dia em que israelenses e palestinos vivam em segurança em seus respectivos Estados. Um dia no qual a paz e o respeito serão os pilares de um novo Oriente Médio, próspero e com justiça social. E no qual todos os conflitos que existem hoje passem a aparecer apenas nos livros de História.
A Terra Santa é uma referência não apenas para as três grandes religiões que ali nasceram, mas para toda Humanidade. E cabe a todos ajudar os povos que ali habitam a encontrarem o caminho que levará a um futuro melhor.
Durante reunião com autoridades do Catar, nesta quarta-feira (20/1), no Palácio Itamaraty, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse que aquele país dispõe de US$ 60 bilhões para obras de infraestrutura em portos, ferrovias e saneamento básico. Em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto, o ministro informou também que há interesse do Catar em investir em empresas brasileiras adquirindo parcitipação acionária nos setores de petróleo, bancos e mineração.
O ministro previu também que a balança comercial brasileira, em 2010, deve ter um saldo entre US$ 25 bilhões e US$ 20 bilhões. Segundo ele, as exportações de produtos manufaturados e semimanufaturados começam a crescer. “Sou bastante otimista com relação a balança comercial”, afirmou.
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Fonte: Secretária de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)
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(*) Os dados referentes às importações 2009 e 2008 englobam o período janeiro a novembro. O MDIC não informou até o momento os números fechados do ano passado.
O Brasil espera contar com a influência do Catar para buscar alternativas ao conflito no Oriente Médio, afirmou o presidente Lula nesta quarta-feira (20/1) ao se encontrar com o xeque Hamad Bin Khalifa Al Thani, emir do país árabe, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Segundo o presidente brasileiro, a visita de Al Thani ao Brasil é uma “oportunidade histórica”, já que ambos os países estão unidos “pela busca de respostas solidárias aos desafios de um mundo cada vez mais interdependente”.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula:
Lula reafirmou a posição brasileira de defender um Estado Palestino viável e a existência de Israel “em condições de segurança”. Além disso, lembrou a influência do Catar não só na questão palestina mas também nos esforços de paz em Darfur, no Sudão, assim como na estabilização política no Líbano. Sendo assim, Brasil e Catar podem contribuir decisivamente para os esforços de reconciliação entre palestinos e israelenses, acredita o presidente Lula.
Segundo o líder do Catar, alguns países Oriente Médio concordam com a idéia de que o mundo inteiro tem que ajudar na construção do Estado da Palestina. Lula disse que só haverá paz naquela região quando a ONU for reformulada.
O presidente brasileiro pediu ajuda ao emir nos esforços empreendidos no Haiti. O mundo, disse Lula, precisa tratar o Haiti com mais responsabilidade. Defendeu também que a ONU assuma o papel de coordenação na ajuda humanitária. Al Thani concordou e afirmou que toda ajuda será coordenada junto com o Brasil. “O que importa para o Catar é que o Brasil tenha um papel mundial”, disse o emir.
O presidente brasileiro afirmou também que os acordos de cooperação econômica e comercial assinados hoje entre os dois países “estendem as potencialidades que unem duas economias dinâmicas e complementares”. O emir explicou que seu país tem interesse em investir em empresas brasileiras e atrair companhias para participarem em obras de infraestrutura em portos, ferrovias e saneamento básico no Catar.
Segundo Lula, desde 2003 o comércio Brasil-Catar cresceu substancialmente, ultrapassando os US$ 440 milhões em 2008, mas ainda assim o país árabe permanece um destino pouco conhecido dos exportadores brasileiros. Lula no entanto acredita que a missão empresarial trazida agora pelo emir Al Thani ao Brasil poderá atrair maior interesse dos empresários brasileiros. Lula espera também apoio do Catar para a conclusão do tratado de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo.
O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, conversou com o Blog do Planalto para contar como foi a reunião desta manhã no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) com o subsecretário norte-americano de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela. A conversa girou em torno da situação política de Honduras e dos caminhos para combater os problemas do Oriente Médio. Marco Aurélio reafirmou a posição do governo brasileiro referente à crise em Honduras, defendendo a saída de Roberto Micheletti e a concessão de um salvo conduto para que o presidente afastado Manuel Zelaya possa sair do país. Confira:
Qual a importância de se dialogar com líderes do Oriente Médio? Qual o papel do Brasil na região? O que pode render as conversas promovidas pelo governo brasileiro nas últimas semanas com os líderes de Israel (Shimon Peres), Autoridade Palestina (Mahmoud Abbas) e Irã (Mahmoud Ahmadinejad)? Essas e outras questões foram analisadas pelo embaixador Roberto Jaguaribe, da Subsecretaria-Geral Política II do Ministério das Relaçõs Exteriores, que conversou com exclusividade com o Blog do Planalto.
Jaguaribe, que trata diariamente com questões de política exterior com os países da África, da Ásia e Oceania e do Oriente Médio, explica na entrevista acima que o Brasil está trabalhando para encontrar soluções em parceria com outros países em desenvolvimento, cada vez mais importantes no cenário internacional. O Brasil, diz o diplomata, não acredita no isolamento ou no atrito como caminho para resolver as diferenças, e sim no diálogo e na persuasão.
O aumento do comércio entre Brasil e Irã passa pelo esforço dos governos para o incremento de novos negócios comerciais. A avaliação é do ministro Norton de Andrade Mello Rapesta, do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores (ver vídeo acima). Para ele, o fluxo de comércio entre os dois países deve alcançar, em três anos, o montante de US$ 3 bilhões. No ano passado, o Brasil exportou US$ 1,1 bilhão ao Irã e importou US$ 78 milhões.
O Irã, no entanto, aposta numa balança comercial mais robusta. O chefe da delegação iraniana, K. F. Kermanshahi, que está no Brasil para o III Encontro Empresarial Brasil-Irã juntamente com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acredita que os dois países possam chegar a US$ 10 bilhões na relação comercial num horizonte de cinco anos. O encontro acontece nesta segunda-feira (23/11) no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Em março de 2010 uma delegação empresarial do Brasil irá a Teerã prospectar novos negócios. O ministro Norton de Andrade explicou que essas missões são o mais importante instrumento para o incremento comercial.
“O nosso principal interesse é estreitar as relações com o sistema bancário brasileiro para que se estabeleçam as garantias de pagamentos”, afirmou Kermanshahi, lembrando que os empresários iranianos esperam a formalização de um acordo com o Banco Central do Brasil para que se permita a instalação de um escritório bancário do Irã no Brasil e um similar em Teerã. A delegação iraniana tem a expectativa de levar na bagagem um compromisso da autoridade monetária brasileira nesse sentido.
(Trecho do programa de rádio veiculado nesta segunda-feira em que o presidente Lula fala de sua futura agenda de visita a países do Oriente Médio. Vídeo: Ricardo Stuckert/PR)
Nos últimos 15 dias, o Brasil teve o privilégio de receber os principais líderes do Oriente Médio -- os presidentes Shimon Peres de Israel, Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina e Mahmoud Ahmadinejad do Irã, que chegou ao Brasil nesta segunda-feira (23/11). Nas conversas com esses líderes, a mensagem que o presidente Lula tem passado é sempre a do diálogo:
Aquelas pessoas estão cansadas de guerra, estão cansadas de morte, estão cansadas de ataques. Então, é preciso encontrar um jeito. Não adianta alguém ficar pensando que é melhor do que o outro, não adianta ninguém ficar acusando ninguém. É preciso olhar um pouco o passado, mas pensar no futuro, e o futuro tem que ser de paz.
Segundo o presidente, é preciso encontrar um caminho do meio para fazer a paz, envolvendo outros países e negociadores para discutir o assunto. Para Lula, quem deveria estar negociando é a ONU:
É preciso que a gente encontre um ponto de equilíbrio que possa permitir que haja paz no Oriente Médio. Eu acho que quem deveria estar negociando eram as Nações Unidas. A ONU deveria estar negociando, estabelecer com os países qual é o critério, qual é a base para fazer o acordo e fazer o acordo, e viver tranquilo porque o mundo precisa de paz, o Oriente Médio precisa de paz.
Lula e o Mahmoud Abbas, no Museu da Misericórdia, em Salvador Foto: Ricardo Stuckert/PR
Uma das mais fortes características culturais do Brasil é a mistura, a miscigenação do povo. Historicamente gente dos quatro cantos do mundo convive bem aqui no País. Agora, aproveitando essa qualidade, o Brasil vai ajudar a construir pontes entre os povos do Oriente Médio, derrubando os muros existentes.
Em declaração conjunta nesta sexta-feira (20/11) após encontro com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, no Museu da Misericórdia, em Salvador, Lula defendeu que a paz entre palestinos e israelenses depende da criação de um Estado Palestino forte e sem restrições. Ele está certo de que o entendimento não virá com exclusão e isolamento, como acontece hoje, e afirmou que o Brasil sempre estará ao lado de quem quer dialogar em busca de soluções.
Para Lula, a paz no Oriente Médio interessa a todos, e é uma minoria radical, baseada em dogmas seculares, quem fomenta os desentendimentos entre os povos do Oriente Médio. Não é preciso encontrar soluções mágicas para resolver o conflito. Segundo o presidente brasileiro, o caminho já é conhecido: contra o radicalismo é preciso investir no desenvolvimento da região. Lula lembrou que o Brasil sempre apostou nisso e tem feito esforços para investir mais na região e levar outros países a fazerem o mesmo, lembrando a Cúpula da Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA), criada em 2005.
Lula reafirmou que o governo brasileiro defende a interrupção imediata de qualquer novo assentamento por parte de Israel no território palestino. Sobre o tema, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, explicou que há uma série de resoluções da ONU que rege essa questão, mas lamentou o desrespeito por parte de Israel. Abbas tratou também para que a facção Hamas assine o acordo proposto pelo Egito.
O presidente Lula também destacou o simbolismo da recepção de Mahmoud Abbas, defensor dos direitos palestinos, acontecer no Dia Nacional da Consciência Negra, que também celebra a tolerância. Lembrou que a relação entre árabes e brasileiros é de longa data, sustentada por vínculos humanos, traços afetivos de cooperação e amizade. Durante o encontro foi assinado acordo de cooperação técnica entre Brasil e Palestina.
Enquanto o processo de paz no Oriente Médio tiver a liderança apenas dos Estados Unidos não se alcançará o acordo entre os países envolvidos nos constantes conflitos naquela região. A avaliação foi feita pelo presidente Lula nesta sexta-feira (20/11) em entrevista às emissoras de rádio Excelsior AM e Metrópole FM, em Salvador. Para o presidente, é preciso que a ONU participe deste processo de paz. Na sua avaliação, a ONU tem que ter uma posição que contemple o pensamento do ano de 2010 e não ficar com postura de 1940, quando foi criada.
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
Na entrevista, Lula falou sobre a liderança do Brasil em movimentos internacionais, destacou as ações do governo para que o País superasse a crise financeira mundial e defendeu a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. O presidente explicou que o embate com as lideranças sindicais que defendem o fim do fator previdenciário vai ser resolvido por meio de acordo.
Lula disse que ao término do mantado irá atuar em movimentos que visem melhorias aos países daAmérica Latina e do continente africano. O presidente lembrou ainda das obras tocadas pelo governo federal e comentou a disputa para o governo da Bahia em 2010.
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