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A 40ª Cúpula de Presidentes dos Estados Partes do Mercosul e Estados Associados, que acontece em Foz do Iguaçu (PR), teve uma decisão importante na manhã desta quarta-feira (15/12). Durante reunião dos integrantes da comissão de negociadores do Sistema Geral de Preferências Comerciais (SGPC) foi fechado acordo de redução de tarifas de importação de 47 mil produtos.

A medida vale de imediato e implicará no maior fluxo de produtos dos países em desenvolvimento. O anúncio do acordo do Protocolo São Paulo – que reúne 22 países da América do Sul, Ásia e África – foi feito pelo representante permanente do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevedo, e pelo presidente do Comitê de Negociação, embaixador Alberto Dumont, representante da Argentina na OMC.

“O mais importante nesta decisão é que a redução de tarifa se dará na aduana. Nós, em Genebra, conseguimos tirar todas as dúvidas que ainda existiam sobre a questão. No entanto, ainda não temos o cálculo preciso daquilo que representará o acordo explicou o embaixador brasileiro ao Blog do Planalto.

De acordo com o embaixador Azevedo, 11 países já concordaram com o protocolo. A outra parcela irá definir mais adiante. Pelo acordo, por exemplo, entram na lista até 70% dos produtos de cada país. Os 30% permanecem com o sistema de tarifa em vigor de acordo com definições de cada país. No caso do Brasil, por exemplo, foram excluídos produtos agrícolas, texteis, eletroeletrônicos, automóveis e bens de capital.

O objetivo principal, segundo autoridades envolvidas na negociação, é abrir novas oportunidades de comércio para os produtos deste bloco. O negociador brasileiro na OMC disse que na noite deste quarta-feira (15/12), durante reunião ministerial do (SGPC), será oficializado o acordo. Azevedo explicou que dentro dos próximos 24 meses os países poderão rever a lista, incluíndo novos produtos. “Essas margens de preferência entram em vigor de imediato. Depois haverá um processo de revisão que pode levar ao aprofundamento da lista. O mais importante é que essa foi uma rodada viabilizadora”, comemorou.

O embaixador da Argentina mostrou-se satisfeito com o resultado do acordo. Segundo Alberto Dumont, a iniciativa permite abrir novos nichos de mercado. Azevedo e Dumont deram ênfase ao fato de que caberá a cada signatário do acordo definir os produtos. A ampliação da lista de produtos vem sendo ajustada desde 1988. Naquela época, era considerado apenas um marco político, fato que chegou anos depois a um sistema de preferência 651 produtos. Porém, com a rodada São Paulo este universo atingiu 47 mil produtos.


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No interior da UTE Euzébio Rocha, em Cubatão, presidente Lula pede a Barack Obama que sinalize para as negociações sobre decisão da OMC. (foto: Ricardo Stuckert/PR)

No interior da UTE Euzébio Rocha, em Cubatão, presidente Lula pede a Barack Obama que sinalize para as negociações sobre decisão da OMC. (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Do interior da UTE Euzébio Rocha, em Cubatão (SP), o presidente Lula pediu ao presidente dos EUA, Barack Obama, para que coloque “as pessoas para negociarem rapidamente, pois o Brasil não tem interesse em confrontação com os Estados Unidos”. Lula fez este apelo ao término do discurso que marcou a cerimônia da inauguração da térmica para explicar as notícias sobre as retaliações do governo brasileiro aos produtos norte-americanos importados por empresas nacionais.

“A decisão OMC permite ao Brasil criar dificuldades para determinados produtos americanos aqui no Brasil. Então, o que nós estamos fazendo não é uma política de retaliação. O que estamos fazendo é dizendo aos EUA que não importa o tamanho de cada um de nós. Somos soberanos e queremos ser respeitados e que a OMC seja respeitada”, explicou.


Lula enfatizou que há sete anos o Brasil vem atuando no âmbito da OMC para que sejam tomadas medidas contra os subsídios dados pelo governo norte-americano aos produtores de algodão daquele país. Para o presidente brasileiro, estes incentivos prejudicam os produtores africanos de colocarem o mesmo produto nos mercados dos EUA e da Europa. Segundo Lula, o Brasil tem um cenário favorável para produzir algodão e fazer com que o produto seja competitivo em relação os países como EUA, China e Alemanha, mas enfatizou que “está na hora de dar uma chance para um pequeno produtor africano”.

Assim, segundo o presidente, as instituições multilaterais serão respeitadas. Para Lula, se os Estados Unidos tivessem assinado a proposta de acordo na rodada de Doha, em 2008, esta situação não estaria acontecendo.”Estamos dizendo para os americanos: cumpram com suas obrigações que nós cumpriremos com as nossas”.


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