Deixar a Presidência da República e continuar morando no mesmo apartamento que tinha antes, em São Bernardo do Campo (SP), à mesma distância do sindicato que o projetou na política e das empresas em que trabalhou e liderou greves é motivo de orgulho, afirmou o presidente Lula neste sábado (1/5) durante comemoração do Dia do Trabalhador promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Memorial da América Latina, na capital paulista. Chorando muito, disse que vai poder encontrar um trabalhador na rua e dizer: “Bom dia, companheiro! Porque eu fui leal àquilo que fizemos nesse País.”

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Lula aproveitou a festa para fazer um balanço das políticas de seu governo, destacando o fortalecimento do Mercosul e das relações estabelecidas com países da América Latina e Africa.

O fato de a CUT ter marcado este ato como latinoamericano me obriga a dizer para vocês que quando tomamos posse em 2003 eu fui ao Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e de lá saí para Davos. Já naquela época eu era o único presidente que podia participar do Fórum Econômico em Davos e do Fórum Social, no Brasil. Eu disse a Celso Amorim (ministro das Relações Exteriores), na viagem (a Davos), que nós tínhamos que mudar a geografia mundial. Não é possível que o comércio mundial coloque todos os países subordinados a América do Norte e Europa. É preciso que tenhamos uma outra lógica na nossa relação comercial.

O presidente brasileiro reafirmou que o Brasil tem uma dívida com a África e que ela deve ser paga com solidariedade e amizade. Por isso, disse, o governo levou a Embrapa para lá, para transferir tecnologia e dar aos africanos o mesmo desenvolvimento agrícola que temos no Brasil. Lula criticou autoridades que sempre demonstraram “vergonha da nossa origem (africana) e se esqueciam que a beleza do povo brasileiro é a mistura de índio, de negro e de europeu. É essa salada de fruta de raças que produziu esse povo maravilhoso, que joga, dança e ri como ninguém”.


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