Entries tagged with “”.


Desde ontem (24/2), o Brasil passou a ser o primeiro país não integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a comandar a Força Tarefa Marítima (MTF, sigla em inglês), missão membro da Força Interina das Nações Unidas do Líbano (Unifil). Com a aceitação do convite feito pela ONU para liderar uma missão naval no exterior, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir ao máximo as tensões entre Líbano e Israel, além de buscar a manutenção da paz na região.

O contra-almirante Luiz Henrique Caroli, líder da operação, e mais oito militares brasileiros foram escalados para cumprir a tarefa que contará com oito embarcações e 800 militares originários de 33 países diferentes. Os militares já se encontram em solo libanês desde o último dia 15.

Com essa nova missão, o Brasil passou a ocupar a 12ª posição no ranking dos maiores países contribuintes de tropas. Segundo o Ministério da Defesa, o sucesso de diversas missões de paz realizadas por tropas brasileiras em todo o mundo contou muito para que a ONU tomasse essa decisão, a exemplo da mais recente delas: a operação de paz no Haiti.

A Unifil, criada em 1978 pelo Conselho de Segurança da ONU, conta com um orçamento anual de U$ 519 milhões para realização da missão e seu contingente contempla 11.961 militares, 330 funcionários civis internacionais e 657 nacionais. Em seu primeiro mandado, as Nações Unidas determinaram à Unifil a missão de garantir a paz no território libanês até que as tropas israelenses deixassem o país. Em 2006, essa orientação foi substituída pelo monitoramento do controle de hostilidade, acompanhamento das forças libanesas, incluindo as fronteiras de disputa entre os países; apoio ao acesso de assistência humanitária à população civil e o retorno de populações deslocadas.


Comente!

Selo do programa 7 anos em 7 minutosSe todo o trabalho do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) tivesse que ser resumido em uma palavra apenas, a escolhida seria ‘prevenção’. Todas as atividades desenvolvidas pela instituição tem esse objetivo, da segurança do presidente da República, vice-presidente, seus familiares e ministros, ao trabalho de inteligência e segurança da informação de comunicações, afirma Jorge Félix, titular do GSI, no programa 7 Anos em 7 Minutos que o Blog do Planalto publica nesta quarta-feira (5/5).

No trabalho de garantir a segurança do presidente, Félix afirma que foi preciso uma adaptação de ambos os lados:

Tanto o presidente se adapta às regras e normas e às exigências da segurança, como também a segurança tem que se adaptar ao jeito de ser do presidente. Isso vem acontecendo e esse trabalho vem sendo aprimorado ao longo desses sete anos de governo. (…) Hoje nós somos um modelo de segurança presidencial. Temos sido procurados por muitos governos de países amigos, para tratar de segurança de chefes de Estado, de chefes de Governo, de proporcionar cursos, estágios. Hoje nós podemos dizer que somos um modelo de segurança presidencial respeitado em todo o mundo.

Jorge Félix destaca as “radicais modificações” que sofreu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), subordinada ao GSI. Segundo ele, as modificações ocorreram tanto na carreira do servidor como em toda a área de inteligência, que deve culminar na Política Nacional de Inteligência. Entre as principais atribuições da Abin hoje estão a proteção do conhecimento e da tecnologia desenvolvida no País, além de assessorar o presidente para facilitar suas decisões.

O GSI também protege as redes governamentais de comunicação e as infraestruturas críticas do Brasil -- energia, comunicações, transportes e finanças. O Gabinete também atua na proteção do País contra acidentes nucleares.

Um dos destaques do GSI no governo Lula, afirma Félix, foi a atuação de seu gabinete de crises, que participou de ações importantes nos últimos anos como o levantamento dos efeitos e conseqüências da Guerra do Iraque (2003) para o Brasil, tanto do ponto de vista político como econômico e comercial, apoio a cidadãos em tragédias naturais, no Brasil e no exterior, como as enchentes no Nordeste, incêndio em Roraima, tsunami na Ásia e terremoto no Haiti, além de atuar na evacuação de brasileiros no Líbano.

O GSI também tem contribuído para fazer o levantamento de dois milhões de quilômetros quadrados na Amazônia e elaboração de política de inteligência contra a biopirataria na região. Também faz parte do Gabinete a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), “um dos grandes desafios de nosso tempo”, afirma Félix.

É um trabalho permanente, tem começo, tem meio, mas jamais terá fim. Nós trabalhamos fazendo levantamento para conhecer a situação e capacitar as pessoas que lidam diretamente com o jovem ou com as comunidades -- educadores, lideranças comunitárias, indígenas e religiosas, pessoal da área de saúde, do trabalho, das empresas. Procuramos preparar essas pessoas para reconhecerem o problema, saber como abordar, como orientar a família, como orientar aqueles que usam ou abusam das drogas -- sejam legais ou ilegais -, e temos sido muito bem sucedidos, a ponto de os nossos cursos estão sendo traduzidos para o espanhol, para o inglês e estamos também adaptando esses cursos para toda a comunidade dos países de língua portuguesa.


Comente!

Um dos grandes desejos do presidente Lula, para quando deixar a Presidência no Brasil, é viajar pelo continente africano de ônibus, conhecendo a realidade local, conversando com as pessoas e os governantes, procurando soluções para os seus principais problemas. Seria quase uma reedição das Caravanas da Cidadania que promoveu no Brasil em 1993 e 1994, quando era candidato à Presidência. A revelação foi feita semana passada em entrevista concedida à TV libanesa LBC.

Pretendo dedicar um pouco do meu aprendizado para ver se presto um serviço à África. É só sonho, por enquanto, não tenho nada construído, mas eu por exemplo sonho em pegar um ônibus num país africano e atravessar a África, conversando com as pessoas e conversando com os governantes. Vamos ver se há condições de fazer.

Também falou sobre a popularidade de seu governo, a sucessão presidencial deste ano, o combate à corrupção e à fome, a paz no Oriente Médio e a nova ordem econômica mundial, entre outros temas.

Para ver a íntegra da entrevista em vídeo, clique aqui (divido em 6 partes).

Ao ser convidado pelo entrevistador a dar uma mensagem ao povo brasileiro, o presidente Lula se emocionou ao afirmar que, ao deixar a Presidência, sabe que vai encontrar muitos companheiros e amigos “porque eu não perdi a minha relação com meus companheiros”.

Com lágrimas nos olhos, disse:

Eu sei o quanto nós sofremos para chegarmos na Presidência da República, eu sei o quanto nós fomos atacados, eu sei depois o quanto as pessoas mentiram a respeito do nosso governo. Tinha gente que pensava que a gente tinha acabado para a política. E nós vamos chegar ao final do nosso governo com uma performance eu diria inusitada na história política desse País. Isso me dá muito orgulho. Eu, se não fizer mais nada, se eu morresse agora, o povo brasileiro teria aprendido uma lição. Sabe aquela frase do Obama ‘Nós podemos’? Aquela frase é do povo brasileiro: Nós podemos. E quando o povo quer, o povo pode fazer muito mais. Eu sou apenas isso, eu sou a cara do que é possível um cidadão, que acredita na luta, fazer.

Ouça aqui a íntegra da entrevista:

Para ler sua transcrição também na íntegra, clique aqui.

Para ler os principais trechos, clique no link abaixo.

SEGREDO DA POPULARIDADE

O segredo da nossa popularidade são os acertos das políticas públicas, das políticas sociais e da política econômica que estamos colocando em prática no Brasil. Eu tinha muita clareza de que quando o Brasil elegeu um torneiro mecânico para ser presidente da República, o Brasil tinha que dar certo porque se não desse certo iria demorar mais 100 anos para um trabalhador, um operário chegar à Presidência da República. Então eu trabalho todo esse tempo com a cabeça muito firme, com uma convicção de que o Brasil tem que dar certo, que o povo tem melhorar de vida, para que a gente possa provar à sociedade brasileira, aos trabalhadores, aos intelectuais, aos empresários, ao mundo, que um operário saído de dentro de uma fábrica pode governar um país do tamanho do Brasil. E as coisas deram certo.

ELEIÇÕES 2010/SUCESSÃO

Eu tenho uma candidata. E essa candidata obviamente que me ajudou a elaborar o programa e portanto é co-participante do sucesso que o governo vive no momento. Eu a indiquei porque é uma pessoa da maior capacidade, uma pessoa com capacidade de gerenciamento extraordinária, uma pessoa de uma lealdade fantástica e uma pessoa que está gabaritada para dar continuidade, aprimorar, melhorar e fazer mais do que nós fizemos nesses oito anos. Por que? Porque o paradigma que ela tem para começar a trabalhar é diferente do que tive para começar a trabalhar em 2003. O Brasil está melhor – está melhor na educação, está melhor na saúde, está melhor no emprego, está melhor no salário, na distribuição de renda, a economia brasileira está melhor, o Brasil é mais respeitado no mundo hoje. Então, a pessoa que vier depois de mim vai pegar um Brasil muito mais estruturado, muito mais preparado do que o Brasil que eu herdei. E eu estou convencido de que, quem quer que seja que ganhe as eleições para presidente no Brasil, vai pegar um Brasil muito melhor e portanto pode fazer mais. E eu tenho também a convicção que é a minha candidata quem vai ganhar as eleições.

FALTA DE EXPERIÊNCIA DA CANDIDATA DILMA ROUSSEF

É o que falavam de mim. ‘O Lula nunca governou’, ‘O Lula não tem experiência’, ‘O Lula não fala inglês’, ‘O Lula não tem diploma universitário’, falaram isso de mim durante 12 anos. Até que um dia o povo falou ‘deixa eu dar uma chance para esse brasileiro’ e me deu a chance. E era o que eu precisava para provar que nós estávamos preparados para montar uma boa equipe e estávamos preparados para fazer uma boa governança no Brasil. (…) Acho que a ministra Dilma já venceu muitos preconceitos, a doença dela não existe mais, descobriu no começo e resolveu o problema, e ela está do ponto de vista intelectual e do ponto de vista gerencial, do ponto de vista administrativo ela está perfeita para governar o Brasil. E eu acho que ela é a grande possibilidade que nós temos de dar continuidade. Não é que eu tenho certeza de que ela vai ser eleita, porque primeiro eu tenho que respeitar a vontade do povo brasileiro no dia das eleições. Eu tenho a convicção de que ela pelo fato de ter as melhores condições de governar o Brasil, pelo fato de ela ter as melhores condições de dar continuidade ao que nós estamos fazendo, ela tem mais chances de ganhar as eleições.

COMBATE À CORRUPÇÃO

A certeza que o povo brasileiro tem é que nunca na história do Brasil um governo trabalhou tanto para apurar as denúncias de corrupção como o nosso governo. Nunca. Antigamente era fácil não aparecer muita corrupção no jornal porque você ficava jogando ela para debaixo do tapete. Nós simplesmente duplicamos o número de policiais federais, duplicamos o orçamento do Ministério da Justiça, para que a gente pudesse investir em inteligência, para que a gente pudesse investigar. Nós melhoramos e qualificamos a Controladoria-Geral da República e 90% das denúncias são feitas pelo governo. É a CGU quem faz a investigação em cada Ministério, em cada obra, que manda para o Tribunal de Contas da União (TCU) e que manda para a Polícia Federal. Portanto grande parte das denúncias de corrupção elas são feitas por nós.

LEI DE ANISTIA

O problema não é ser contra ou ser a favor. O problema é garantir que este País tenha sua história contada da forma mais verdadeira possível. Ninguém quer fazer caça às bruxas, ninguém quer ficar remoendo o passado. Agora, é muito difícil você querer que uma mãe, que perdeu seu filho e não sabe onde ele está, não queira encontrar o corpo de seu filho para enterrar. Então é por isso que estamos propondo a Comissão da Verdade, que vai ser aprovada pelo Congresso Nacional da forma mais democrática possível. Nós não queremos mexer na lei da Anistia, ela foi aprovada por consenso no Congreso Nacional, o que nós queremos apenas é contar ao Brasil o que aconteceu da forma mais verdadeira possível. Ninguém efetivamente tem que ter medo da Comissão da Verdade, ninguém tem que ter medo da verdadeira história – quem errou, pagou. É assim que a gente consolida a democracia no País. Eu não quero morrer num País em que sua história tenha sido contada pela metade, eu quero que sua história seja contada em seu todo.

IRÃ E PAZ NO ORIENTE MÉDIO

Eu acho que a guerra não conduz a nada, conduz a destruição, e eu sou um homem de paz. Como eu acredito que nós temos que ter argumento para mostrar ao mundo, com muita autoridade moral, aquilo que o Brasil fez. O Brasil é o único país do mundo que tem na sua Constituição a proibição de armas nucleares. O que eu quero para o Irã é o mesmo que eu quero para o Brasil. Eu quero dizer para o presidente Ahmadinejad que ele deveria concordar com a proposta da Agência (Internacional de Energia Atômica – AEIA), que propôs a ele um determinado rito de enriquecimento de urânio, que eu acho que era mais importante. Até para que a gente possa continuar avançando no mundo diplomático.

Qual é a minha preocupaçao? A minha preocupação é que o bloqueio ou as sanções que a ONU quer impor não vai trazer nenhuma solução. Vai apenas trazer radicalização. Como eu acredito na política, como eu acredito no diálogo, eu vou ao Irã conversar com o presidente Ahmadinejad. Conversamos com o primeiro-ministro da Turquia que tem a mesma posição política nossa, conversamos com Israel, com Palestina. (…) Por isso eu quero conversar com todos os interlocutores, porque também não pode ser primazia desse ou daquele país cuidar da paz. Se há 20, 30 ou 40 anos, os interlocutores que estão negociando não conseguem a paz, eu acho que é preciso colocar mais interlocutores, colocar gente nova, outros discursos, outras propostas, para que a gente possa chegar a um acordo. É nisso que o Brasil acredita. (…) Parece que tem gente que tem ciúmes que o Brasil esteja interessado em participar de conversas porque entendemos que temos argumentos sobretudo pela harmonia em que vivem no meu País árabes e judeus. Esse país é exemplo de convivência harmônica da comunidade árabe e da comunidade judaica. Esse exemplo eu quero levar para o mundo.

REFORMA DA ONU

O Brasil tem brigado para que se faça uma reforma no Conselho de Segurança da ONU. O Conselho de Segurança da ONU hoje representa, sobretudo os membros permanentes do Conselho de Segurança, a geografia política de 1948. Não representa a geografia política de 2010. É preciso que a África esteja representada, o Brasil esteja representado – e outros países da América Latina -, a Índia esteja, a Alemanha esteja, o Japão, que a África possa ter três representantes, para que você tenha gente que possa representar dignamente a nova geopolítica do mundo.

ATUAÇÃO BRASILEIRA NO EXTERIOR

O Brasil não tem vocação imperialista. O Brasil tem uma vocação de construir parcerias nas suas relações bilaterais e nas suas relações internacionais. Nós acreditamos no funcionamento das instituições multilaterais e por isso eu digo sempre que não adianta o Brasil crescer se os países vizinhos não crescerem. É preciso que a gente cresça junto. É preciso que cresça o Brasil, mas cresça a Argentina, o Paraguai, o Uruguai, a Venezuela, a Bolívia, a Colômbia, o Equador, o Chile, todos crescendo, todos terão o que distribuir para seu povo. É assim que nós trabalhamos e é por isso que o Brasil tem um forte investimento em infraestrutura em toda a América do Sul, porque nós queremos fazer um processo de integração com rodovias, ferrovias, telecomunicações, energia, para que a gente possa ser um continente forte e um continente rico.

NOVA ORDEM MUNDIAL

Quando foi feita a primeira reunião do G20, todos os países estavam de acordo de que era preciso discutir uma nova ordem econômica mundial, de que era preciso controlar o sistema financeiro, de que era preciso acabar com os paraísos fiscais, de que era preciso fazer um certo ordenamento na política cambial para que todos os países pudessem ter um certo equilíbrio. Que a gente defendesse a liberdade de um livre comércio de verdade, que a gente mudasse a forma de ser do FMI e do Banco Mundial, com uma nova organização, mais países participando. Tudo isso ainda não aconteceu. O meu ministro estará participando nesses próximos dias da reunião do G20 financeiro e eu estarei no Canadá para discutir a reunião do G20 político. E aí é que nós vamos fazer um balanço, o que aconteceu efetivamente? O Brasil fez a lição de casa. O Brasil praticou o livre comércio. Por isso que a economia brasileira cresceu, porque em vez de fechar a economia, nós abrimos crédito, os bancos públicos brasileiros têm uma importância muito grande, no financiamento de casa, no financiamento de carro, no financiamento de empresa.

COMBATE À FOME E À POBREZA

Eu estou muito orgulhoso porque certamente o Brasil vai cumprir todas as Metas do Milênio determinadas pela ONU. Isso para mim é motivo de orgulho. Segundo, porque o que nós estamos fazendo poderia ter sido feito há 50 anos. Veja uma coisa interessante: em 100 anos a elite brasileira fez apenas 140 escolas técnicas profissionais. Eu em oito anos vou fazer 214. Ou seja, em oito anos eu vou fazer uma vez e meia o que eles fizeram em um século. Nós estamos fazendo 14 universidades novas, nós criamos um programa chamado ProUni que já colocou na universidade este ano 726 mil alunos pobres da periferia, fazendo universidade. Já fizemos 105 extensões universitárias. Portanto o Brasil nunca teve a quantidade de jovens com perspectiva de estudar e se formar como está tendo agora. É por isso que eu acredito que a próxima geração será altamente mais qualificada que a minha geração. E isso me deixa muito feliz porque significa que o Brasil se encontrou com o seu caminho e acho que o povo brasileiro merece o que está acontecendo no País.

LIÇÕES DA POLÍTICA

Aprendi muito com as minhas três derrotas em eleições (presidenciais). E agora aqui no governo eu consegui o meu doutorado. Porque o que eu aprendi aqui no governo vai me permitir poder não só ajudar outras pessoas, mas eu quero viajar o continente africano, a América Latina, os países mais pobres, tentando colocar a nossa experiência, o sucesso da economia brasileira para que outros países sigam um caminho parecido. Porque muitas vezes os dirigentes ficam discutindo que não tem dinheiro, mas o problema não é só dinheiro. O problema é o seguinte: o pouco dinheiro que você tem, como é que você distribui ele de forma justa. Como é que você faz com que esse dinheiro chegue na mão de todos? Quando eu criei o Bolsa Família no Brasil, a elite brasileira dizia que era esmola. Quando veio a crise econômica, quem sustentou o Brasil foi o povo pobre que consumiu mais do que a classe A/B. As classes D e E consumiram mais do que as classes A e B. Ou seja, enquanto os mais ricos se acovardaram, o povo pobre foi ao shopping e segurou a economia brasileira.

VIDA PÓS-PRESIDÊNCIA

Eu não sei o que vou fazer. Uma coisa eu digo para você que eu gostaria de fazer: visitar o Líbano sem ser presidente da República. Para conhecer o Líbano sem o aparato de segurança, conhecer todas as cidades, comer um bom ‘charuto’, um bom kibe, quem sabe eu faça isso? Mas eu pretendo dedicar um pouco do meu aprendizado para ver se presto um serviço à África. É só sonho, por enquanto, não tenho nada construído, mas eu por exemplo sonho em pegar um ônibus num país africano e atravessar a África de ônibus, conversando com as pessoas, e conversando com os governantes. Vamos ver se há condições de fazer. Quando eu terminar o mandato, eu já estarei com 65 anos. E quando a gente vai ficando depois dos 60, cada ano vai diminuindo um pouco o ímpeto da gente em fazer as coisas. A idade vai pesando. Mas eu me considero ainda com muita energia para fazer muita coisa. Eu sou político por natureza, não vou parar de fazer política, a única coisa que eu não quero é ficar dando palpite no governo aqui no Brasil. Quem ganhou vai governar, eu vou cuidar de outras coisas.

Rei morto, rei posto. Não existem exemplos na história de um ex-presidente ficar dando palpite na vida do novo presidente. Não dá certo.

O QUE DIRÁ AO POVO NA DESPEDIDA

Eu diria o seguinte: o meu maior orgulho ao deixar a Presidência da República, ao descer a rampa do Palácio do Planalto, chamar todas as pessoas que estarão lá de companheiros. Tenho consciência de que vou voltar para onde eu saí. Eu tenho consciência de quem são os meus amigos verdadeiros, quem são os meus amigos do mandato – se bem que alguns amigos do mandato se tornaram amigos verdadeiros -, mas eu sei onde está meu mundo. Esse é o maior legado meu. É poder encontrar um companheiro e falar ‘Boa tarde’ ou ‘Boa noite, companheiro’ e ser tratado como companheiro. E eu acho que vou conseguir isso, porque eu não perdi a minha relação com os meus companheiros. (lágrimas nos olhos). É porque sempre uma coisa difícil, eu sei o quanto nós sofremos para chegarmos na Presidência da República, eu sei o quanto nós fomos atacados, eu sei depois o quanto as pessoas mentiram a respeito do nosso governo. Tinha gente que pensava que a gente tinha acabado para a política. E nós vamos chegar ao final do nosso governo com uma performance eu diria inusitada na história política desse País. Isso me dá muito orgulho. Eu, se não fizer mais nada, se eu morresse agora, o povo brasileiro teria aprendido uma lição. Sabe aquela frase do Obama ‘Nós podemos’? Aquela frase é do povo brasileiro: Nós podemos. E quando o povo quer, o povo pode fazer muito mais. Eu sou apenas isso, eu sou a cara do que é possível um cidadão, que acredita na luta, fazer.


[8] Comentários

Ao anunciar nesta quinta-feira (22/4) que o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) viaja hoje a Teerã para preparar sua visita ao Irã em maio, o presidente Lula afirmou que está confiante num acordo do país persa com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que dirá ao mundo e ao Irã que “o limite é manter a paz. Queremos ter um só discurso, uma só voz e uma só paz”.

“O Brasil defende a tese que o Irã pode produzir energia nuclear para fins pacíficos. O Brasil defende para o Irã o mesmo que está na sua Constituição”, assegurou o presidente durante entrevista à imprensa após almoço com o presidente do Líbano, Michel Sleiman, no Palácio Itamaraty. Ao ser perguntado se sua biografia poderia ficar manchada devido à posição adotada em relação ao Irã, Lula rebateu: “O risco maior seria eu me omitir.”

Ouça a íntegra da entrevista:

Sobre as garantias que o Irã oferece ao mundo de que não usará a energia nuclear para outros fins que não os pacíficos, o presidente Lula afirmou que isso estaria firmado em documento, lembrando ainda que outras potências, como China, Estados Unidos e Rússia, também produzem energia nuclear mas não asseguram seu uso exclusivo para fins pacíficos.

“É por isso que estamos fazendo esforço para tentar uma saída negociada entre o Irã e a Conselho de Segurança das Nações Unidas”, disse.

Lula também falou sobre o leilão da usina Belo Monte, que será construída no rio Xingu, no Pará:

Eu esses dias fiquei analisando as notícias sobre Belo Monte. Às vezes compreendia e às vezes não compreendia. Faz 30 anos que se critica todos os governos por não fazer Belo Monte. Todos os governos que vieram antes de mim foram criticados porque não fizeram a usina. Nós conseguimos no maior processo de democratização possível, derrotamos liminares, e agora, o argumento dos contra é dizer que o preço foi barato. Achei fantástico. De repente a menor oferta ganha e estão dizendo que foi empresa pequena. Há um imenso equívoco. É preciso que as pessoas conheçam o projeto.


Comente!

O Brasil quer ter o Líbano como porta privilegiada para o ingresso de empresários brasileiros no mercado árabe e também como importante parceiro na busca pela paz no Oriente Médio, em negociações com os países vizinhos (Síria, Israel, Jordânia) e também o Irã. Essa foi a tônica do discurso do presidente Lula em almoço oferecido nesta quinta-feira (22/4) ao presidente libanês Michel Sleiman no Palácio Itamaraty, em Brasília. Lula reafirmou sua confiança no diálogo e disse que voltou de viagem ao Oriente Médio, em março (ver aqui), convencido de que é possível alcançar um acordo de paz – e é com essa confiança que viajará ao Irã, em maio.

Sua liderança se inspira na trajetória do saudoso companheiro Rafik Hariri, que sacrificou sua vida à causa que estava mais próxima de seu coração. Fazer do Líbano um exemplo de tolerância e prosperidade para todo o Oriente Médio. As visitas que Vossa Excelência fez a Damasco é passo indispensável nessa marcha. Essa é a agenda de paz e reconciliação que nossos países estão levando ao Conselho de Segurança. Não haverá reconciliação na região sem um Líbano vivendo em harmonia com seus vizinhos. Nem haverá conforto para o sofrido povo libanês enquanto perdurar o conflito árabe-israelense, a questão dos refugiados palestinos e as indefinições do programa nuclear iraniano. Estive recentemente no Oriente Médio e pude ver de perto a esperança nos olhos das crianças. Estou convencido de que a paz está ao nosso alcance. É com a mesma confiança no diálogo que irei em maio a Teerã.

Ouça a íntegra do discurso:

Para ler a transcrição do discurso, clique aqui.

Para incrementar os negócios entre empresários brasileiros e libaneses, Lula afirmou que seu governo está empenhado em reativar a conexão aérea direta entre os dois países. Lembrou que o comércio bilateral triplicou desde 2003, chegando a US$ 300 milhões, e que o desafio agora é equilibrar esse comércio, com a diversificação da pauta de exportações libanesas.

Este foi um dos objetivos da recente missão empresarial que o Ministro Miguel Jorge comandou a Beirute. À frente de 61 empresas brasileiras, também identificou oportunidades de investimentos para acelerar a reconstrução da infra-estrutura do país. Na oportunidade, foi assinado um Memorando de Entendimento sobre Comércio e Investimento, que vai multiplicar os resultados que já estamos colhendo.

Lula lembrou ainda que este ano se comemora no Brasil os 130 anos da imigração libanesa e que os descendentes brasileiros do país árabe se descataram em diversas áreas de atuação, estando representandos na solenidade no Palácio Itamaraty pelos ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Fernando Haddad (Educação) e Jorge Hage (CGU).


Comente!