Se no passado a Amazônia pareceu uma barreira que separava Brasil e Colômbia, hoje é símbolo de comunicação e intercâmbio. Segundo afirmou o presidente Lula nesta quarta-feira (1/9), durante almoço com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, é preciso pensar a Amazônia em conjunto, compreender a riqueza e a complexidade dos ecossistemas florestais da região para saber como explorá-los de forma saudável. O caminho para isso, disse o presidente brasileiro, passa pelo fortalecimento da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, tornando-a instrumento efetivo de ação.
Lula ressaltou ainda a importância da cooperação no campo da energia renovável. Para ele, no futuro o mundo se dividirá entre países e sociedades capazes de gerar energia própria, com tecnologias adaptadas ao meio ambiente e os relegados a consumir combustível em condições de dependência extrema. O presidente afirmou, ainda, que é possível trabalhar com a Colômbia na área da defesa, em pesquisas e desenvolvimento na indústria aeronáutica, naval e terrestre.
Ouça aqui a íntegra da declaração do presidente Lula:
Sobre a questão de segurança nas fronteiras e o enfrentamento ao crime organizado, Lula afirmou que é preciso promover uma forte integração das ações, privilegiando a geração de trabalho e renda, e investimentos em saúde e educação. Lula e Juan Manuel Santos assinaram durante o encontro um acordo entre a Polícia Nacional da Colômbia e a Polícia Federal brasileira, que contempla esforços de ocupação cidadã nas divisas, em contraposição ao tráfico de drogas e armas.
Em entrevista coletiva após o almoço, Lula defendeu a Receita Federal, considerando-a uma instituição de muita credibilidade. O presidente disse ainda que, antes de fazer acusações precipitadas e pré-julgamentos, é preciso apurar todos os fatos sobre vazamento de informações sigilosas da Receita.
Não vamos dizer que a Receita perdeu credibilidade antes de a gente saber o que aconteceu. É importante a gente não crucificar uma instituição que tem sido pautada pela seriedade, pelo sigilo, sendo quase uma guardiã de todos nós. Eu confio muito na seriedade da Receita e na Polícia Federal, e se tiver alguém que causou um dano, podem estar certos que virá a público.
O presidente da Colômbia Juan Manuel Santos Calderón acertou em cheio ao escolher o Brasil como sua primeira visita ao exterior, pois assim pode ser o primeiro chefe de Estado estrangeiro a participar de uma solenidade oficial no recém reformado Palácio do Planalto -- reaberto no dia 25 de agosto após 15 meses de reforma. Juan Santos foi recebido com honras de Chefe de Estado na Praça dos Três Poderes, onde passou em revista as tropas do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP). Após subir a rampa do Planalto, Santos foi cumprimentado pelo presidente Lula e levado ao parlatório para assistir ao desfile das tropas e a salva de canhões.
O Blog do Planalto acompanhou a movimentação na rampa do Palácio desde os primeiros momentos do dia. Os minutos que antecederam o desebarque do presidente colombiano foram dedicados ao ensaio dos Dragões de Independência -- 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (1º RCG) -- e soldados do BGP. Próximo ao meio-dia, o comboio do presidente colombiano chegou à via de acesso da Praça dos Três Poderes, onde Santos desembarcou e passou em revista as tropas que se posicionavam em frente à praça.
Ao pé da rampa, o colombiano foi recebido pelo chefe do cerimonial do Itamaraty, Jorge Prata, e pelo chefe do cerimonial da Presidência da República, embaixador Marcos Raposo. Dali, o presidente colombiano foi conduzido até a entrada do Planalto para os cumprimentos de praxe do presidente Lula, que assistiu ao desfile das tropas ao lado de Santos.
No deslocamento para o gabinete, Lula e Santos conversaram com a coordenadora pedagógica da Casa de Ismael, Diana de Cássia Nascimento e Silva, que abriga crianças abandonadas pelas famílias ou que foram vítimas de maus tratos. Os dois presidentes foram saudados por 37 crianças com idade de cinco a dez anos. Após a retirada de Lula e Santos, Diana conversou com o Blog do Planalto, explicando o trabalho feito pela entidade.
O nosso maior problema tem sido com aquelas crianças que permanecem na entidade por mais tempo que o necessário. Os candidatos têm preferência por crianças recém-nascidas. Quando passam de determinada idade, percebemos maior difiuldade para serem recebidas em outros lares.
Depois da entrevista, o grupo seguiu para um outro salão do Palácio do Planalto onde foi servido um lanche. Já os presidente Lula e Santos, após reunião bilateral, concederam declaração à imprensa. À tarde, o presidente colombiano foi recebido por Lula, no Palácio itamaraty, para um almoço.
Presidente Lula durante cerimônia de cumprimentos ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos Calderón. Foto: Ricardo Stuckert
O novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos Calderón, confirmou neste sábado (7/8) que visitará o Brasil no próximo dia 1º de setembro. A viagem do presidente eleito colombiana foi tratada pelos ministros das Relações Exteriores Celso Amorim (Brasil) e María Ángela Holguín (Colômbia) durante reunião na residência oficial do embaixador do Brasil na Colômbia, Valdemar Carneiro Leão Neto. O presidente Lula chegou a Bogotá na noite de sexta-feira (6/8) para participar do jantar oferecido pelo ex-presidente Álvaro Uribe a chefes de Estado e também para a cerimônia de posse de Juan Manuel Santos. Nas últimas duas semanas, Lula esteve também nas fronteiras do Brasil com Uruguai e Paraguai, em San Juan (Argentina) para reunião do Mercosul e com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em Caracas.
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Antes de participar da cerimônia de posse do presidente da Colômbia, Lula teve reunião bilateral com o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, num hotel em Bogotá. Foto Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula avaliou como sendo importante o atual momento político vivido na América do Sul. Segundo ele, os países vizinhos estão descobrindo a importância do bom convívio. O presidente brasileiro fez as considerações no contexto dos entendimentos que estão em curso entre a Venezuela, a Colômbia e o Equador. Lula afirmou que a participação do presidente equatoriano, Rafael Correa, e do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, são indicativos da volta à normalidade na região. Dezessete chefes de Estado ou de Governo estão em Bogotá para a cerimônia de posse do presidente eleito Juan Manuel Santos Calderón.
“A tese que o Brasil tem defendido é que a América do Sul não pode jogar fora o século 21 como se jogou o século 20. Quando nós, ao invés de discurtirmos o desenvolvimento da América do Sul, a parceria entre nós, a unificação de empresas, os investimentos recíprocos, ficamos sempre achando que viria da Europa ou dos Estados Unidos a riqueza que nós precisaríamos para sermos uma grande nação. E agora descobrimos que tudo que vier para nos ajudar é importante. Mas, o mais importante será tudo aquilo que a gente puder construir a partir das nossas possibilidades, da nossa realidade. E eu acredito que tanto a Colômbia quanto a Venezuela têm clareza de que é preciso voltar à normalidade. E eu estou otimista com relação a essa realidade.”
Ouça abaixo a íntegra da entrevista do presidente Lula.
Lula iniciou a entrevista com jornalistas brasileiros explicando que enquanto Álvaro Uribe permaneceu na Presidência da Colômbia manteve o melhor relação com o governante. Tanto é assim que fez questão de comparecer, ontem à noite, ao jantar oferecido por Uribe aos chefes de nações que vieram para a cerimônia de transmissão de cargo na Casa de Nariño – sede do governo local. Neste momento, Uribe transfere o comando da Colômbia para o presidente Santos, em evento que ocorre na Praça Bolívar, na capital colombiana.
“Eu não tenho e nunca tive nenhum problema com o presidente Uribe. A relação entre Colômbia e Brasil sempre foi dentro do mais alto nível de respeito e colaboração. Quem me conhece sabe que jamais, por qualquer desentendimento ou malentendido, a gente viria a ter problema com a Colômbia. É o país que tem um fronteira importante com o Brasil e nós queremos continuar com essa boa amizade de progresso e desenvolvimento com a Colômbia. Por isso fiz questão de vir no jantar do presidente Uribe e vir à posse do presidente Santos.”
Diante da insistência do estabelecimento de paz entre os países sul-americano, Lula explicou que a partir desta data as questões referentes aos dois países passam a ser tratadas pelos presidentes Santos e Hugo Chávez. Neste sentido, o presidente brasileiro explicou que ontem (6/8), manteve uma conversa com Chávez na companhia do secretário-geral da Unasul [União das Nações Sulamericanas], Néstor Kirchner, quando percebeu sinais de que as questões devem ser resolvidas a curto prazo.
“Vai ter um novo governo. Daqui a pouco vai ter uma conversa. Daqui a pouco vem outra. Daqui a pouco todo mundo está ficando bem outra vez. E isso é muito importante para a América do Sul. Para a América Latina. E é sobretudo para a Colômbia e a Venezuela. Todo mundo tem pressa. As pessoas precisam comer todo dia. Trabalhar todo dia. Se desenvolver todo dia. Como tem um novo governo, uma nova equipe econômica, sabe, as pessoas pensam diferente.”
Os jornalistas pediram também que o presidente Lula fizesse uma avaliação do desempenho de alguns candidatos que concorrem à sua sucessão no debate promovido pela Rede Bandeirantes. Em tom de brincadeira, ele afirmou ter ficado triste pelo fato de ser a primeira campanha que não participa como candidato à Presidência da República. Em seguida, destacou que o debate foi marcado pela cordialidade dos postulantes e esclareceu que aquilo que contribui para o melhor desempenho deste ou daquele concorrente é a pergunta feita pelo adversário.
O presidente brasileiro também voltou a ser indagado sobre a manifestação de grupos internacionais para que ele não desista de buscar o sinal do Irã que venha encerrar o processo de punição a Sakineh Mohammadi Ashtiani condenada a morrer por apedrejamento por denúncia de adultério. Ele informou que todas as ações que deveriam ser feitas estão em curso, mas aguarda resposta do governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Lula disse também que intercedeu em outras ocasiões por cidadãos brasileiros que estão em cárcere ou condenados à morte no exterior. Porém, esclareceu as legislações de cada país devem ser respeitadas.
“Eu estou virando um apelador para qualquer coisa”.
Após a entrevista, Lula seguiu para a cerimônia de posse. Neste sábado, o presidente brasileiro recebeu em reunião bilateral o presidente da Guatemala, Álvaro Colom.
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Presidente Lula participou da cúpula América do Sul - África, em Caracas (Venezuela). Foto Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula participou, nesta sexta-feira (6/8), em Caracas (Venezuela), da reunião América do Sul-África. Lula voltou a insistir na aproximação dos países sul-americanos com as nações da África. O secretário-geral da Unasul, Néstor Kirchner, ex-presidente da Argentina, também integrou a cúpula. Em seguida, o presidente brasileiro se reuniu com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seguido de assinatura de atos.
Lula acena ladeado por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e o secretário-geral da Unasul, Néstor Kichner. Foto Ricardo Stuckert/PR
De Caracas, o presidente segue para Bogotá (Colômbia) onde comparece, nesta noite, a jantar oferecido pelo presidente Álvaro Uribe, na Casa de Nariño – palácio do governo. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia está concentrando as principais informações da cerimônia de posse do presidente eleito Juan Manuel Santos.
A transmissão de cargo ocorre neste sábado (7/8), às 15h (17h pelo horário de Brasília), na Praça Bolívar. Em seguida, o presidente Santos recebe os cumprimentos dos presidentes das nações que estão na capital colombiana para a cerimônia.
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Presidente Lula participou da cúpula América do Sul - África, em Caracas (Venezuela). Foto Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula participou, nesta sexta-feira (6/8), em Caracas (Venezuela), da reunião América do Sul-África. Lula voltou a insistir na aproximação dos países sul-americanos com as nações da África. O secretário-geral da Unasul [União das Nações Sul-americanas], Néstor Kirchner, ex-presidente da Argentina, também integrou a cúpula. Em seguida, o presidente brasileiro se reuniu com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seguido de assinatura de atos.
Lula acena ladeado por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e o secretário-geral da Unasul, Néstor Kichner. Foto Ricardo Stuckert/PR
De Caracas, o presidente segue para Bogotá (Colômbia) onde comparece, nesta noite, a jantar oferecido pelo presidente Álvaro Uribe, na Casa de Nariño – palácio do governo. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia está concentrando as principais informações da cerimônia de posse do presidente eleito Juan Manuel Santos.
A transmissão de cargo ocorre neste sábado (7/8), às 15h (17h pelo horário de Brasília), na Praça Bolívar. Em seguida, o presidente Santos recebe os cumprimentos dos presidentes das nações que estão na capital colombiana para a cerimônia.
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O presidente Lula disse, em entrevista coletiva no Palácio Itamaraty, após a visita do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que a Oi permanecerá sendo uma empresa nacional. Ele fez esta afirmação ao ser indagado sobre o processo de negociação envolvendo a operadora de telefonia e o grupo Portugal Telecom. No entanto, o presidente brasileiro explicou que o governo não pretende interferir nesta etapa dos entendimentos pois deve-se respeitar a soberania das empresas.
O que posso garantir é que enquanto for presidente a Oi será uma empresa nacional.
Lula explicou que setores do governo, como por exemplo o BNDES, acompanham o desenrolar dos entendimentos. O banco tem participação acionária na empresa. “Depende se for feito um bom negócio para o Brasil”, disse Lula ao enfatizar por diversas vezes que o momento é deixar que os grupos conversem e que ele não pretende emitir qualquer tipo de sinal em função das empresas terem papéis negociados nas bolsa de valores.
O estremecimento das relações entre a Venezuela e a Colômbia foi outro tema abordado pelos jornalistas. O presidente explicou que não enxerga qualquer conflito entre os dois países. Lula disse que, na próxima semana, estará na Venezuela, quando pretende conversar com o presidente Hugo Chávez, e no dia seguinte comparecerá à posse do nove presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Além disso, ele vai se reunir com Alvaro Uribe, atual presidente colombiano.
Temos que ter paciência. Temos que esperar que o presidente Santos tome posse. Venezuela e Colômbia são duas grandes potências econômicas. O tempo é de paz e não de guerra.
Lula também foi indagado sobre a dificuldade de empresários que tiveram prejuízos com as chuvas nos estados de Pernambuco e Alagoas de obterem empréstimos. Lula disse que soube do fato e imediatamente solicitou providências ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao BNDES. Ele enfatizou que não faltará dinheiro para recuperar os estragos causados naqueles dois estados. O presidente cometou também sobre a convocação feita pelo treinador da seleção brasileira, Mano Menezes, e o processo de renovação do futebol brasileiro.
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