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Presidenta Dilma discursa durante a cerimônia de formatura da Turma 2009-2011 do Instituto Rio Branco. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A política externa brasileira será norteada pela defesa e promoção dos Direitos Humanos e pelo fortalecimento político, econômico e comercial da América do Sul. A afirmação é da presidenta Dilma Rousseff, proferida após cerimônia de imposição de insígnias e medalhas da Ordem de Rio Branco, em comemoração do Dia do Diplomata, e de formatura do Instituto Rio Branco, nesta quarta-feira (20/4), no Palácio Itamaraty, em Brasília (DF).

Em seu discurso, Dilma Rousseff assegurou que a América do Sul seguirá como prioridade da política externa e que sinalizou tal prioridade ao fazer na Argentina sua primeira viagem ao exterior. Segundo ela, não há espaço para discórdias e rivalidades do passado, uma vez que os países do continente “tornaram-se valiosos parceiros políticos e econômicos do Brasil”.

“Nós sabemos que os destinos da América do Sul e os nossos estão indelevelmente ligados. Nossa região, com um crescimento médio de 7,2% em 2010, transformou-se em um polo dinâmico do crescimento mundial”, frisou.

Ouça abaixo a íntegra do discurso da presidenta Dilma Rousseff no Itamaraty ou leia aqui a transcrição:

Outro pilar das relações exteriores, segundo a presidenta, é a defesa dos Direitos Humanos, “mais do que nunca no centro das preocupações de nossa política”. “Vamos promovê-los e defendê-los em todas as instâncias internacionais, sem concessões, discriminações ou seletividade, coerentemente com as preocupações que temos a respeito em nosso próprio país”, completou.

A presidenta salientou que a política externa de um país é mais do que sua projeção na cena internacional, por ser também um componente essencial de projetos nacionais de desenvolvimento. Nesse contexto, afirmou, a atenção que o Brasil tem despertado globalmente nos últimos anos é consequência da percepção e da valorização que a comunidade internacional passou a ter das transformações que país vem passando, como a recuperação da infraestrutura física, social, econômica e energética e a crescente distribuição de renda.

“Como país multiétnico, de grande diversidade cultural e com interesses globais, o Brasil busca a interação entre culturas e respeita a pluralidade de ideologias e sistemas políticos. Por essa razão também favorecemos a cooperação com os países desenvolvidos e em desenvolvimento de todas as regiões do mundo.”

A presidenta Dilma destacou, ainda, o fortalecimento das relações do Brasil com a África, Oriente Médio, Ásia e Estados Unidos e lembrou do papel brasileiro da reconstrução da democracia do Haiti. Ela fez também questão de frisar a importância da reformulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de outros organismos internacionais, e continuou:

“Sabemos que temos ainda inúmeros desafios pela frente. O mais importante deles é o de superar a pobreza extrema. E, mais, para sermos uma grande nação – próspera e democrática – precisamos também realizar um grande esforço para assegurar educação de qualidade para os jovens brasileiros, mobilizando todas as nossas capacidades para desenvolver a pesquisa científica e tecnológica e entrarmos no caminho da inovação em todas as áreas de nossa atividade. Esses são, sem dúvida, o nosso passaporte para a economia do conhecimento, permitindo que enfrentemos a dura competitividade econômica internacional. São, sobretudo, instrumentos para a construção de uma verdadeira cidadania.”

Alunos da Turma 2009-2011 do Instituto Rio Branco posam para foto ao lado da presidenta Dilma Rousseff e do ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Formatura – As comemorações ao Dia do Diplomata foram marcada com a formatura de 109 diplomatas da Turma 2009-2011 do Instituto Rio Branco. A turma escolheu como patrono o embaixador Paulo Nogueira Batista e, como paraninfo, o ex-presidente Lula, representado na cerimônia pelo assessor da área internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

O ingresso na carreira diplomática se dá mediante concurso público realizado pelo Instituto. Sendo aprovado, o candidato realiza um estágio de dois anos, nos moldes de um curso de mestrado, e ingressa na carreira diplomática. O treinamento durante a carreira capacita o diplomata a tratar de temas como paz e segurança até normas de comércio e relações econômicas e financeiras, passando por temas que diga respeito ao fortalecimento dos laços de amizade e cooperação do Brasil com seus parceiros externos.


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Agenda presidencial

A presidenta Dilma Rousseff participa, na manhã desta quarta-feira (20/4), de cerimônia comemorativa pelo Dia do Diplomata, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

Assim, a primeira atividade prevista na agenda de trabalho é a condecoração da Ordem de Rio Branco, prevista para iniciar às 11h. Em seguida, a presidenta participa da cerimônia de formatura da turma 2009-2011 do Instituto Rio Branco.

À tarde, a presidenta concede audiência ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e em seguida, comanda reunião com participação da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.


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Nem os países do norte são tão grandes quando imaginavam, nem os países do sul são tão pequenos. O mapa mundi está mais igual e o Brasil vem conquistando cada vez mais espaço nas decisões globais. Isso cria ciumes em muita gente, mas para os novos diplomatas brasileiros, formandos da turma 2007/2009 do Instituto Rio Branco, deve gerar é muito orgulho, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (20/4) durante cerimônia realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.

O Brasil, afirmou Lula, não é mais coadjuvante nas decisões globais, o País cresceu e ganhou importância no cenário internacional, o que pode ser comprovado pela atuação brasileira em grandes eventos como as reuniões do G8, G20 e COP 15, entre outras. O presidente brasileiro fez questão de elogiar muito o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), “o melhor diplomata em ação que conheço”.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:

Lula reafirmou a importância da diversificação da relação do Brasil com outros países e disse que se o País é mais respeitado hoje é porque “está colocando o pé em espaços que outrora não colocava” e porque tem políticas importantes. Aconselhou aos formandos do Itamaraty que mantenham em alta não só a excelência da diplomacia brasileira mais também a sua autoestima perante os negociadores dos países europeus e americanos. “Eles podem ser mais ricos do que a gente, mas a nossa terra é tão importante quanto a deles.”

Para ilustrar o novo comportamento do Brasil no exterior, o presidente Lula contou algumas histórias aos novos diplomatas, como as da reunião do G8 realizada em Evian, na Suíça, em 2003, quando acabara de assumir o cargo no Brasil, e da reunião da ONU em Copenhague (COP 15), em dezembro de 2009, mostrando que o Brasil não precisa e não pode mais baixar a cabeça -- e justamente por adotar essa nova postura, vem sendo mais respeitado no mundo. Lula falou também das críticas que o País sofreu por preferir negociar com seus vizinhos em questões delicadas, como o gás natural da Bolívia ou o pagamento ao Paraguai pela energia de Itaipu, do que impor decisões à força.

“O Brasil precisa ser mais generoso, que estende a mão, que ajuda”, disse Lula. “Temos que tratar melhor os nossos vizinhos. O nosso crescimento tem que servir para eles crescerem também.”


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