O Brasil não quer mais ser apenas exportador de barris de petróleo, já avisou por diversas vezes o presidente Lula. O País quer cada vez mais transformar esse ‘ouro negro’ em produtos com maior valor agregado, e para isso precisa investir em capacitação profissional, na ciência, na tecnologia e nas indústrias de transformação. É o que o governo vem fazendo na região de Ipojuca-Suape, em Pernambuco, que contará com uma refinaria (Abreu e Lima, em obras) para transformar a matéria-prima (petróleo), um gasoduto (para trazer a energia necessária às indústrias) e empresas como a Petroquímica Suape, de fios de políester, produto muito valorizado pela indústria têxtil.
O presidente Lula visitou os empreendimentos em andamento na região nesta sexta-feira (27/8) e gostou do que viu. O gasoduto Pilar-Ipojuca, inaugurado hoje, vai aumentar em mais de duas vezes a capacidade de transporte de gás natural para não só Pernambuco, como também Rio Grande do Norte e Paraíba, garantindo a energia necessária aos projetos existentes e os que virão. A fábrica de fios de poliéster poderá ajudar no desenvolvimento da indústria têxtil da região. E a refinaria Abreu e Lima, cujas obras estão a todo vapor, vai garantir o refino de petróleo necessário ao Complexo Petroquímico Suape. Isso tudo gera emprego, renda e desenvolvimento:
As duas novas plantas que vão entrar em funcionamento aqui até março de 2011, uma produzirá 700 mil toneladas ano de PTA, a principal matéria-prima do poliéster, e a outra produzirá 450 mil toneladas-ano de resina PET, utilizada em diversos produtos. Foram investidos cerca de R$ 4 bilhões para construir o complexo (petroquímico), que faz parte do PAC. Hoje, mais de 7 mil pessoas estão trabalhando no empreendimento. No pico das obras, em novembro próximo, esse número superará a oito mil trabalhadores. Em sua capacidade plena, o complexo deverá ter um faturamento anual de R$ 4 bilhões, e com a substituição de importações, nós podemos economizar US$ 1 bilhão.
Gera também uma coisa muito cara ao presidente: a qualificação dos trabalhadores locais. Lula revelou em seu discurso que a prefeitura, o Senai e a empresa Petroquímica Suape formaram parceria para implantar a primeira escola técnica do País capaz de formar profissionais especializados no segmento de fibras sintéticas -- desde a produção de fios até o setor de moda. Isso é importante para atrair mais empresas, frisou o presidente.
O presidente Lula reafirmou nesta segunda-feira (19/7) no programa Café com o Presidente, a importância do Pré-sal para o futuro do Brasil e comemorou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na semana passada, que colocam o País como um dos maiores geradores de emprego no mundo hoje. “Nós colhemos aquilo que nós plantamos”, disse.
Lula destacou os dois setores da economia que vêm crescendo acima da média nacional e ajudando a gerar empregos: construção civil e de serviços, e afirmou que os dados do Caged mostram que foram acertadas as medidas tomadas pelo governo para enfrentar a crise econômica mundial, como desoneração de impostos, incentivos à produção de determinados setores. E a economia cresceu tanto que o governo teve que tomar outras medidas este ano, desta vez para conter um pouco a atividade no País.
É verdade, Luciano, e é importante a gente dizer, que nós tomamos medidas para conter um pouco o crescimento da economia porque a economia estava crescendo de forma muito forte, e quando a economia cresce muito, que a demanda fica muito forte e que as pessoas começam a comprar mais do que aquilo que a gente tem capacidade de produzir, a gente tem de volta uma coisa chamada inflação, que nós não queremos que volte, no Brasil, e nós precisamos controlar. Daí porque nós começamos a tomar medidas, já no mês de março deste ano, para conter um pouco o crescimento econômico. De qualquer forma, eu acho que nós estamos num momento bom, e nós colhemos aquilo que nós plantamos.
O presidente Lula também conversou sobre sua ida ao Espírito Santo, onde foi conferir a extração do primeiro óleo da produção do Pré-sal, no campo Baleia Franca, e reafirmou que a descoberta de jazidas de petróleo da camada pré-sal é a grande chance do Brasil dar um salto em seu desenvolvimento, aproveitando os recursos da exploração em águas profundas da costa brasileira para investir no parque industrial do País, na educação, ciência e tecnologia, saúde, meio ambiente e cultural. “Não é apenas você tirar petróleo e vender petróleo”, afirmou.
Nós queremos tirar petróleo, queremos refinar o petróleo aqui no Brasil, e queremos vender os subprodutos do petróleo, ou seja, nós queremos vender, na verdade, derivados de petróleo com alto valor agregado: gasolina de qualidade, óleo diesel de qualidade, ter uma grande indústria petroquímica no Brasil para que a gente possa ganhar muito dinheiro. Nós queremos que o dinheiro do petróleo novo, encontrado pela Petrobras, não seja jogado no ralo da economia normal, para pagar salário, para pagar custeio dos governantes. O que nós queremos é fazer investimento no futuro: investir em educação, investir em ciência e tecnologia, investir na questão da saúde, investir na questão cultural, investir na questão ambiental. Nós precisamos preparar o Brasil para que os nossos netos, os nossos bisnetos vivam uma vida muito mais digna do que aquela que nós estamos vivendo hoje.
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