Presidenta Dilma Rousseff participa da cerimônia do início do desvio do rio Madeira para a Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
“A Usina Hidrelétrica Santo Antonio representa a retomada dos investimentos na geração de eletricidade no país”. Assim comemorou a presidenta Dilma Rousseff, nesta terça-feira (5/7), ao discursar na cerimônia do início do desvio do rio Madeira para a Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (RO). Segundo destacou, a obra representa “um momento histórico para o Brasil” que levará ao crescimento e ao desenvolvimento econômico do país. Ela recordou também a importância do ex-presidente Lula para que os projetos de Santo Antonio e Jirau ganhassem forma.
“Esse é um momento histórico, porque estamos vendo que as águas começaram a turbilhonar. Se concretiza um projeto da mais importante relevância para o Brasil, que é a volta do investimento em usina hidrelétrica. Santo Antonio reflete um momento no Brasil em que voltamos a pensar no nosso desenvolvimento e ver que não é um desenvolvimento qualquer. Vai levar a crescimento econômico. Que está baseado na visão de que temos de ter no Brasil uma economia forte, e esse processo só será verdadeiramente grande e consistente se incluir a população brasileira.”
A presidenta Dilma lembrou que no passado o país crescia de forma desigual, onde “muitas pessoas ficaram muito pobres e poucas pessoas ficaram muito ricas”. Dilma Rousseff mencionou também os recentes estudos apresentados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que mostram que 39,5 milhões de brasileiros foram alçados à classe média. Ela destacou que essa quantidade de cidadãos representam quase que a população da Argentina e duas vezes e meia a população do Chile.
Dilma Rousseff destacou a importância da usina Santo Antonio para geração de empregos. Contou também que o governo vem apostando em empreendimentos hidrelétricos porque trata-se de uma energia limpa, sem causar danos ao meio ambiente. A presidenta lembrou que em países europeus, assim como nos Estados Unidos, esgotaram o potencial de geração de energia por meio das hidrelétricas.
“Essa usina faz parte de uma visão de desenvolvimento regional equilibrado. Rondônia tem potencial. Riquezas minerais. Possibilidade de uma produção de grãos. Pesca, madeira. É fundamental que Rondônia tenha energia firme e de qualidade. A energia é feita para usar aqui em Rondônia. Para demonstrar que nós de fato podemos ter nessa parte do Brasil. Nesse grande interior. Demonstrar que aqui somos capazes de termos um desenvolvimento muito próprio.”
Ouça abaixo a íntegra do discurso.
O desvio do rio Madeira para a construção da Usina Santo Antônio será executado em duas fases. Na primeira fase, o rio será desviado do leito para o vertedouro principal, na margem esquerda (o vertedouro é um sistema de segurança usado nas barragens). A operação de fechamento do rio se dará com o lançamento de um cordão de enrocamento (conjunto de blocos de rocha usado para construir barragens e fazer contenção), com progressiva transferência do fluxo de água para o vertedouro. Após a conclusão dessa operação, começará a segunda fase do desvio, quando o rio permanecerá escoando pelo vertedouro principal (e eventualmente pelo complementar), sendo as atividades de construção no leito protegidas por ensecadeiras (diques).
Usina Hidrelétrica de Santo Antonio -- A usina hidrelétrica de Santo Antônio faz parte do PAC e conta com investimentos de R$ 16 bilhões. Ao todo, serão instaladas 44 turbinas com capacidade, cada uma, de 71,6 megawatts. As turbinas são do tipo bulbo, usadas quando a força do próprio rio gera energia contínua, sem necessidade de grandes quedas d’água nem de reservatórios extensos. Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá potência instalada de aproximadamente 3.150,4 megawatts e capacidade para abastecer 11 milhões de residências, o equivalente a 40 milhões de pessoas. As obras foram iniciadas em setembro de 2008 e, até agora, já geraram cerca de 20 mil empregos. O início da operação comercial está previsto para dezembro deste ano, com pleno funcionamento até dezembro de 2015. O município de Porto Velho e o estado de Rondônia deverão receber anualmente R$ 67 milhões pelos “royalties da água”, segundo a Eletrobras Furnas.
A concessionária responsável pela usina é a Santo Antônio Energia, formada pelas empresas Eletrobras Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP), Banco Banif e FI-FGTS.
Desvio do Madeira testado em Modelo Reduzido da Hidrelétrica -- Segundo informações da Eletrobrás Furnas, para auxiliar nos cálculos da construção e na definição de parâmetros para a usina, foi construído na Subestação São José de Furnas, em Belford Roxo (RJ), o Modelo Reduzido da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Com cerca de 4.000 m² de área construída, um dos maiores do país, o modelo foi projetado nas condições de semelhança mecânica da usina, e reproduz todo o arranjo das estruturas hidráulicas do empreendimento, representando uma extensão de 8,7 km da calha do rio Madeira, além de todo o arranjo da hidrelétrica, em uma escala de 1:80.
Os trabalhos estão sob a responsabilidade do Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos de Furnas (LAHE.E), divisão do Departamento de Engenharia Civil de Furnas. Entre outubro de 2010 e março de 2011, o LAHE.E estudou diversas alternativas para a operação de fechamento do rio. Nesses ensaios foram avaliados os diâmetros de rocha necessários, os volumes utilizados e as possíveis perdas de material por carreamento. As informações foram disponibilizadas para a obra, determinando a melhor sequência de lançamento e a posição para execução do fechamento final, tornando o processo mais eficiente.
Outros estudos implementados no Modelo Reduzido mostraram a possibilidade de redução do comprimento de muros e de diques de proteção do rio Madeira, mudanças já realizadas no projeto de construção da usina. Os ensaios resultaram na diminuição das escavações junto ao canal de fuga da margem direita do rio, onde o traçado foi alterado para permitir a melhor distribuição do escoamento da água e do desempenho da entrada do sistema de transposição de peixes.
Para os testes de reprodução da cheia do rio, foi criado um sistema de abastecimento com capacidade de bombeamento de aproximadamente 2.100 litros/s, vazão suficiente para abastecer uma cidade de 400 mil habitantes. Todo o sistema de abastecimento funciona em circuito fechado, sendo a água armazenada em um reservatório subterrâneo de 3.500 m³. Depois de finalizados os estudos de desvio do rio Madeira, começam a ser realizados os ensaios de definição das regras operativas da usina.
Eletrobras Furnas -- Principal acionista da Sociedade de Propósito Específico Santo Antônio Energia, com 39% das ações, a Eletrobras Furnas também é responsável pelos estudos de inventário e viabilidade do empreendimento de Santo Antônio, e pela chamada Engenharia do Proprietário, isto é, a fiscalização de projetos, obras civis, fornecimento e montagem eletromecânica dos equipamentos. Furnas também faz o Controle Tecnológico, ou estudo dos materiais de construção, solo e concreto, além dos serviços de Gestão Fundiária no entorno do reservatório e a operação e manutenção da usina.
A inaguração simultânea de novos institutos federais e campi de universidades federais, a eclusa da usina hidrelétrica de Tucuruí e a redução do desmatamento na Amazônia foram os temas do programa Café com o Presidente desta segunda-feira (6/12), transmitido por rede de emissoras de rádio no País.
Lula afirmou que há “boas notícias sob todos os aspectos” na área de educação e lembrou que semana que vem o governo receberá resultados de estudos que mostrarão que o Brasil “começa a ter melhora substancial no ensino fundamental”:
Esse é um passo extremamente importante porque vai colocando o povo brasileiro numa confiança de que nós poderemos dar os passos que nós não demos nas décadas passadas. Só para você ter ideia, nós temos 704 mil alunos no ProUni, o que é uma revolução a quantidade de jovens que eu encontro, que estão estudando no ProUni. Com o Reuni nós, praticamente, mais do que duplicamos a renovação de estudantes na rede federal. A gente tinha uma renovação de 113 mil alunos por ano. Nós, agora, passamos a ter 229 mil alunos por ano, ou seja, é mais do que o dobro. E com a inauguração dessas universidades – são 14 universidades federais novas, 126 extensões – mais as escolas técnicas, a gente está dando um salto de qualidade para colocar o Brasil num outro patamar. Eu estou convencido de que a companheira Dilma vai continuar esse processo, porque todos nós já descobrimos há muito tempo que é através da educação, é através de muito investimento em educação e em ciência e tecnologia que a gente vai colocar o Brasil no patamar dos países altamente desenvolvidos.
Ouça aqui a íntegra do programa:
O presidente Lula abordou também a inauguração da primeira eclusa da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Ele lembrou que a obra teve início há quase 30 anos. Ela demorou para sair por falta de recursos, mas ao ser incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ganhou os investimentos necessários -- R$ 1 bilhão nas obras que ainda resultarão em mais outra eclusa que, quando pronta, permitirá o transporte de 40 milhões de toneladas de carga por ano.
O que eu acho importante é que vai atender, além do estado do Pará e a região de Tucuruí, vai atender Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Vai baratear o custo do Brasil dos produtos que a gente vai mandar para os Estados Unidos e para União Europeia. É uma obra gigantesca. Eu, que só conhecia o Canal do Panamá, eu fiquei muito feliz porque era uma obra que estava muito amarrada, ou seja, ela ficou parada praticamente 30 anos, até que nós conseguimos inaugurar. Eu acho que a partir de agora nós tomamos consciência de que outras eclusas precisam ser feitas para que a gente possa tirar proveito dos nossos rios, além de cuidar deles com muito carinho, não permitir que haja assoreamento, que haja degradação dos nossos rios.
A redução do desmatamento na amazônia, divulgada na semana passada, reforça a posição do governo brasileiro com o cumprimento das metas colocadas na COP 15, em Copenhague (Dinamarca). “Quando nós fomos a Copenhague no ano passado e nós levamos uma proposta de diminuir as emissões de gases de efeito estufa em 39% até 2020, e nós também nos comprometemos em diminuir o desmatamento da Amazônia em 80%, muita gente achava que era impossível”, disse o presidente Lula.
Na medida em que o governo federal envolve prefeitos e governadores, e na medida em que o governo federal coloca à disposição de prefeitos e governadores ajuda para que esses estados possam se desenvolver sem precisar o desmatamento – e se houver desmatamento, que seja uma coisa feita de forma bem cuidada, com o manejo correto da floresta – a gente percebe que todo mundo participa e a gente percebe que os resultados são mais extraordinários do que apenas proibir ou perseguir. O governo resolveu conversar e eu acho que isso é extremamente importante. Eu quero dar os parabéns à nossa ministra do Meio Ambiente, a Izabella, pelo sucesso da diminuição do desmatamento.
Presidente Lula durante visita às obras da usina hidrelétrica de Estreito para início do enchimento do lago. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Brasil inaugurou maior ciclo de desenvolvimento e crescimento de sua história nas áreas de bioenergia, ferroviária, energética, agroecológica e comercial sem deixar de ter o foco na sustentabilidade e preservação do meio ambiente, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (30/11) em discurso após visitar às obras da usina hidrelétrica de Estreito (MA) para início do enchimento do lago.
Segundo o presidente, uma obra da magnitude da hidrelétrica que está sendo construída no município maranhense deve trazer benefícios para um grande número de pessoas mas, ao mesmo tempo, levar em conta o desenvolvimento da região e da população local, que não pode ter a moradia e a atividade de subsistência afetadas pelas obras e pela implantação do projeto. Disse ainda que o início da obra só foi possível graças ao trabalho da presidente eleita Dilma Rousseff, que durante sua atuação como ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil trabalhou para mudar o marco regulatório do setor energético no Brasil.
É importante que a gente saia daqui convencido de que essa obra só foi possível ser feita por causa de uma mulher chamada Dilma Rousseff, que mudou o marco regulatório da questão energética do país. Tudo o que eu espero é que ela faça mais e melhor do que eu fiz, porque ela me ajudou a construir o que eu construir, ela sabe como fazer e ela conhece o País como pouca gente conhece.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Diante de um público entusiasmado, o presidente Lula ressaltou que chegou o momento de investir no crescimento das regiões Norte e Nordeste. É o que o governo vem fazendo, frisou, lembrando de projetos como as refinarias de petróleo que estão sendo feitas em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará e as ferrovias Transnordestina, Norte-Sul e Oeste-Lese, que ligarão o Norte e Nordeste ao restante do País. Citou ainda os portos das regiões que estão sendo construídos e modernizados.
Nós queremos transferir para o Norte e para o Nordeste uma parte do desenvolvimento do Brasil. Nós não queremos tirar nada do Sudeste, nós queremos que São Paulo continue crescendo, que o Rio de Janeiro continue crescendo, que o Sul continue crescendo, mas nós achamos que o século XXI é a vez do Nordeste e do Norte deste país começar a crescer.
O município de Estreito tem hoje o terceiro maior empreendimento de geração de energia elétrica em construção no país, e a operação comercial da primeira unidade geradora está prevista para abril de 2011. A usina contará com potência instalada de 1.087 MW e 641,8 MW médios de energia assegurada distribuídas em oito unidades geradoras acionadas por turbinas tipo Kaplan, de 135,875 MW cada. A usina está com 92,5% das obras realizadas e o empreendimento, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), promoveu a criação de 22 mil empregos no pico das obras, com 5.500 empregos diretos e 16.500 indiretos.
A Mitsubishi não tem previsão para produzir ou vender o seu carro elétrico MiEV no Brasil, mas não será por falta de energia, afirmou o presidente Lula ao ser apresentado ao veículo no Palácio do Planalto, lembrando que ontem mesmo inaugurou uma hidrelétrica em Catalão (GO), cidade onde a empresa tem sua fábrica no País. “O Brasil é quase invencível nessa disputa”, disse. O MiEV vem sendo produzido no Japão e três mil unidades do modelo foram exportadas para a França em setembro. A partir do ano que vem será comercializado nos Estados Unidos. O MiEV estará em exposição, na próxima semana, no Salão Internacional do Automóvel, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.
O presidente da Mitsubishi no Brasil, Eduardo Souza Ramos, informou a Lula que o grupo investirá R$ 1,1 bilhão, nos próximos cinco anos, para ampliar e modernizar a fábrica no município de Catalão (GO). Lula gostou do carro -- “é muito silencioso” -- mas preferiu não dirigir, porque estava sem a carteira de habilitação, brincou.
“É muito bom. É muito silecioso”, disse o presidente Lula ao batalhão de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas. Ele afirmou não assimiu a direção do carro porque estava sem a carteira de habilitação.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que acompanhou a visita dos executivos da montadora ao presidente Lula, enfatizou a importância do volume de recursos a serem investidos no Brasil, bem como a geração de novos postos de trabalho. Serão oferecidos mais 1,2 mil novos empregos. A área da fábrica será ampliada em um terço. A produção passará de 50 mil unidades para 100 mil carros por ano.
Durante o evento, o presidente Lula conversou com jornalistas, lembrando que o País vive um de seus melhores momentos e que por isso agradece à montadora japonesa por investir ainda mais. “A Mitshubishi está de parabéns. Agradecemos os investimentos que geram mais salários e renda e mais consumidores”, disse ele.
Em diversos momentos, Lula mostrou confiança nas políticas adotadas pelo governo que permitiram, por exemplo, o enfrentamento da crise econômica. Segundo ele, os ministros têm total liberdade de propor quaisquer medidas que façam frente às demandas atuais no mercado interno. Um exemplo, disse, é a valorização do real frente ao dólar. O presidente entende que a queda da moeda norte-americana ocorre em diversos mercados.
“Vamos discutir isso na reunião do G-20″, afirmou.
O Brasil não pode parar em ano eleitoral, porque senão sobra pouco tempo para trabalhar e entregar as obras que o País precisa, afirmou o presidente Lula nesta quinta/feira (16/9) durante cerimônia em Belém (PA) de divulgação de editais para recuperação de rodovias no estado. “As coisas precisam acontecer”, disse Lula, lembrando que a cada dois anos há eleições e assim, num mandato de quatro anos, sobram apenas dois anos úteis para trabalhar. Por isso tomou a decisão de não permitir que o processo eleitoral parasse o trabalho do governo:
“Num ano eleitoral, normalmente no Brasil, representante do Poder Executivo fica um pouco amarrado, porque a partir de julho não pode fazer convênio com cidade, estado, fica um pouco paralisado de fazer qualquer coisa. Eu tomei a decisão de não permitir que o processo eleitoral parasse o trabalho do governo. Uma coisa é as pessoas que disputam as eleições e outra coisa é a atuação do prefeito, do governador, do presidente da República.
Lula lembrou ainda durante seu discurso as muitas dificuldades que existem para se tocar obras no País. Da apresentação do projeto à execução e conclusão da obra, vai um longo caminho, de muitas interrupções por variados motivos – a ferrovia Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e a usina hidrelétrica de Belo Monte são alguns dos exemplos de projetos que penaram durante anos até finalmente verem suas obras engrenarem.
A culpa, disse o presidente, não é de ninguém individualmente. Cada instituição envolvida no processo de uma obra, do governo federal ao TCU, passando pelas prefeituras, Ministério Público, etc, interpreta a lei de seu jeito, contribuindo para paralisar tudo. “A culpa é de todos nós.” Nos últimos 25 anos, no entanto, a culpa foi da atrofia em investimentos em infraestrutura que o País sofreu, mas isso faz parte do passado. Hoje, o País tem dinheiro para as obras necessárias, e elas estão sendo tocadas.
Quem vier depois de nós vai ter muito mais facilidade de governar este País, porque o caminho está ‘picado’.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente em Belém (PA):
Tão logo deixou o Palácio do Planalto, onde participou de cerimônia de assinatura do decreto de concessão para construir a usina de Belo Monte, no rio Xingu, a prefeita de Altamira (PA), Odileida Maria de Souza Sampaio (PSDB), iniciou mobilização com setores da indústria e do governo do Pará para qualificação profissional dos moradores do município. O empenho tem razão de ser: a obra da hidrelétrica vai gerar 18 mil postos de trabalho diretos na região.
“Vamos correr contra o tempo. É importante que a Norte Energia contrate operários de Altamira e demais municípios da região”, contou Odileida ao reforçar discurso do presidente Lula neste mesmo sentido.
Outra questão que preocupava a prefeita era a transferência de quatro mil famílias que habitam igarapés no município. Do presidente da Norte Energia, Carlos Raimundo Nascimento, ela recebeu a informação que a população ribeirinha será transferida para uma localidade com moradias de qualidade a serem construídas pelo consórcio.
Odileida aposta também no aquecimento da economia local. A disputa por profissionais vai permitir o aumento da renda per capita na região. Na prática, a circulação de dinheiro alavancará a venda no comércio e demais setores, como por exemplo construção civil, aumentando também a procura por moradias. Altamira é o maior município no mundo em extensão territorial. De acordo com o IBGE, a cidade ocupa 159.696 quilômetros quadrados e tem 58.750 habitantes.
Durante cerca de 25 anos, o engenheiro José Antonio Muniz acompanhou estudos, preparou documentos e liderou movimento pela construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Hoje, na condição de presidente da Eletrobrás -- holding do setor elétrico que comandará o projeto -, Muniz traça os planos para que o empreendimento comece a funcionar, gerando energia que permitirá o desenvolvimento econômico na região de Altamira (PA) e ajudará no suprimento de eletricidade para o Brasil.
Muniz chegou cedo ao Palácio do Planalto nesta quinta-feira (26/8), onde ocorre cerimônia de assinatura da concessão do aproveitamento da usina para o consórcio Norte Energia, vencedor do leilão. Ele conversou com o Blog do Planalto e revelou que o empreendimento terá a participação das mais diversas construtoras do País. Isso, segundo ele, ocorrerá porque as obras de Belo Monte não estarão restritas a um único canteiro.
“Hoje é um dia histórico para o setor elétrico brasileiro. A usina Belo Monte será fundamental para o desenvolvimento do país”, disse Muniz na entrevista. Confira:
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (13/8), durante visita ao canteiro de obras da hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO), que vai prestigiar a formatura de 510 alunos do programa Acreditar Junior, do consórcio de empresas que toca o projeto. “Ter uma profissão é uma coisa sagrada para mim”, disse o presidente em seu discurso, lembrando aos jovens do programa que o Brasil tem gerado muitos empregos e que as boas oportunidades surgirão para quem estiver bem preparado.
Quando essas turbinas começarem a produzir energia, vocês vão ver a quantidade de empresas que virão para cá. Então vocês tratem de se preparar. (…) Porto Velho e Rondônia vão sofrer uma transformação que vocês não têm noção. (…) O que vai garantir o futuro certo de vocês é a boa formação profissional que vocês tiverem.
A usina tem potência instalada de aproximadamente 3,2 mil megawatts e capacidade para abastecer 11 milhões de residências, o que beneficiará cerca de 40 milhões de pessoas.
Ouça a íntegra do discurso:
O programa Acreditar Junior é destinado a filhos dos que participam da obra da hidrelétrica, entre 14 e 17 anos, que estejam cursando no mínimo o 6º ano do ensino fundamental. Os participantes recebem meio salário mínimo, FGTS, férias remuneradas, 13º salário, vale transporte e seguro de vida. Ao final do programa, os alunos estão qualificados para o mercado de trabalho. O programa atende à lei do Jovem Aprendiz e o curso compreende os módulos Teórico e Prático, com duração de um ano.
O presidente reafirmou a importância de se manter a matriz energética brasileira limpa, investindo em hidrelétricas, lembrando que hoje o Brasil está mais preparado para construir usinas sem agredir ao meio ambiente, graças à tecnologia. Disse ainda que projetos como o da usina de Santo Antônio são importantes para a geração de empregos e o desenvolvimento do País.
As obras da usina já geram mais de 11 mil empregos e contam com investimento de R$ 13,5 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões serão aplicados até 2010. A previsão é de que a usina entre em pleno funcionamento em novembro de 2015. O empreendimento é considerado referência em hidrelétricas sustentáveis por utilizar tecnologia com melhor eficiência energética e menor impacto ambiental.
Com 85% de sua energia produzida de forma limpa, o Brasil é hoje referência mundial no quesito desenvolvimento econômico com sustentabilidade mundial, e vai mostrar a todos que é possível fazer uma hidrelétrica de grande porte, que produza 3.300 megawatts de energia, sem prejudicar o meio ambiente, afirmou o presidente Lula durante visita nesta sexta-feira (13/8) às obras da usina de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.
Em seu discurso, Lula lembrou o desafio de utilizar o potencial hídrico do País para produzir energia, além de gerar emprego e renda à parcela mais pobre da população. “Nós não podemos mais fazer hidrelétrica como se fazia nas décadas de 40 e 50, em que se prometia um monte de coisas e não se cumpria. É preciso ter energia para ter desenvolvimento”, afirmou.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
O presidente disse ainda que “o Brasil não vai abrir mão de ter autossuficiência em energia, e de preferência energia limpa, não poluente”. Para ele, é importante garantir aos trabalhadores a manutenção do emprego. “Tenho esperança de que, daqui para frente, quando acabar uma obra dessas, os milhares de trabalhadores que se aperfeiçoaram, se prepararam, não ficarão parados, porque há outras grandes hidrelétricas que pretendemos fazer e vamos aproveitar essa mão de obra qualificada”.
As obras da Hidrelétrica Jirau têm previsão de conclusão em abril de 2013. Para o leitor conhecer um pouco mais sobre a hidrelétrica, reproduzimos aqui reportagem da TV NBR. As obras da usina estão orçadas em R$ 10 bilhões e mobilizam 16 mil operários. Quando concluída, a hidrelétrica vai gerar 3,3 mil MW de energia que será transportada pelo sistema interligado até São Paulo.
Durante sua visita a Doha (Catar), realizada sábado (15/5), o presidente Lula concedeu entrevista exclusiva à rede de televisão Al Jazeera na qual falou sobre a infância, a educação que recebeu dos pais, sua entrada na política na década de 1970, o sucesso de seu governo, a política externa brasileira e o relacionamento com os países vizinhos da América do Sul, entre outros temas.
Confira abaixo alguns dos principais pontos da entrevista, que foi veiculada no programa Talk To Al Jazeera.
Eu acho que essa minha experiência de vida forjou a concepção que eu tenho hoje, como Presidente da República. Embora eu tenha consciência de que sou o presidente de 190 milhões de brasileiros, eu tenho consciência de que como chefe de Estado, eu tenho que priorizar os mais pobres, os mais necessitados, que são as pessoas que mais precisam do Estado. Com pouco dinheiro, você ajuda muita gente pobre e, às vezes, com muito dinheiro, você não contenta uma pessoa muito rica. Então, é uma questão de definição. Eu fui formado assim, depois aprendi no sindicato, e eu tento, na Presidência da República, retratar um pouco daquilo que eu vivi na minha vida.
Entrada na política
Eu, em [19]78, não gostava de política e não gostava de quem gostava de política. Aí, o governo militar tentou fazer uma lei que proibia que professor fizesse greve, que bancário fizesse greve, quem trabalhava em posto de gasolina enchendo tanque não podia fazer greve. Aí, eu fui a Brasília conversar com os deputados. Chegando em Brasília, eu descobri que não tinha nenhum deputado trabalhador. Aí eu falei: bom, nós temos que criar um partido. E aí começamos a trabalhar a criação do Partido dos Trabalhadores que, graças a Deus, em pouco tempo virou o maior partido de esquerda da América Latina.
Sucesso como presidente
Olha, eu acho que nós estamos colhendo o resultado de um trabalho sério que nós estamos fazendo. Quando, no dia 10 de dezembro de 2002 – eu já estava eleito presidente da República –, eu fui à Casa Branca conversar com o presidente Bush, e ele estava obsessivo com a Guerra do Iraque. Eu disse ao presidente Bush: a minha preocupação, Presidente, não é o Iraque. A minha preocupação é a fome do meu povo. Eu tenho mais de 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Como é que eu vou me preocupar com o Iraque?
Bem, o dado concreto é que hoje, passados sete anos, nós elevamos 31 milhões de brasileiros à classe média e tiramos 24 milhões de brasileiros da extrema pobreza. Essa é uma coisa muito importante para mim, me deixa muito feliz, e eu acho que há o reconhecimento do mundo, porque nós vamos cumprir todas as Metas do Milênio bem antes do prazo. Qual é a coisa importante? É que eu não sou um homem de ficar procurando encrenca, eu não gosto de encrenca. Eu quero gastar a minha energia tentando pensar numa coisa positiva, tentando pensar em ajudar alguém, tentando construir a paz. Não é possível você governar procurando inimigo, querendo uma guerra. Você tem que governar para o seu povo, pensando em fazer o melhor e tentando dialogar com todo mundo.
Então, eu acho que nós vamos deixar no Brasil um legado de comportamento republicano que o Brasil não conhecia: tratar todo mundo com respeito – os líderes internacionais – mas também exigir um tratamento respeitoso, e não um tratamento de segunda classe.
Política externa brasileira
Olha, eles estão falando isso porque, no dia 27 de janeiro de 2003, eu fui a Davos. Eu saí do Fórum Social, em Porto Alegre, no Brasil, e fui a Davos, e, na volta, eu disse ao meu ministro de Relações Exteriores: eu acho que nós temos que mudar a geografia comercial do mundo. Não é possível um país, do tamanho do Brasil, ficar dependendo apenas de dois grandes blocos: de um lado os Estados Unidos, de outro lado a Europa. Nós precisamos diversificar as nossas relações comerciais. Priorizamos a América Latina, priorizamos a África, priorizamos o Oriente Médio. Eu visitei sete… oito Países Árabes e visitamos, também, uma parte do Mundo Asiático. O que aconteceu, de fato? Com o Mundo Árabe, de 2005 para cá, a nossa balança comercial cresceu cinco vezes. O Brasil era muito dependente da União Europeia e dos Estados Unidos, e eu achava que, pela dimensão do Brasil e pela potencialidade do Brasil, nós tínhamos que diversificar e não ficar dependendo de ninguém, mas ter boas relações com todo mundo. Hoje a América Latina é nosso maior parceiro comercial; hoje a China é o nosso maior parceiro comercial individual. Na África, nós temos hoje um fluxo de balança comercial acima de US$ 20 bilhões, e antes a gente não tinha nada, porque a elite política brasileira só olhava para a Europa e para os Estados Unidos, para a Europa… Não via nem a América do Sul, não via a África e não via o Oriente Médio. As autoridades brasileiras que viajaram para o Líbano, foi em 1876. Não é possível!
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
Olhe, eu estou há oito anos brigando por isso. É engraçado, é engraçado: todo mundo é favorável ao Brasil, todo mundo. Todo mundo concorda que o Brasil deva ter uma cadeira no Conselho de Segurança, mas ninguém quer abrir mão do poder que tem. É como se fosse um baile, em que tem cinco pessoas, numa festa bonita, e não querem deixar os outros entrarem. Veja, a geografia política de 2010 é muito diferente da geografia política de 1945, muito diferente. É só olhar o mapa da Rússia para ver como mudou. É só olhar o que aconteceu com a China, o que aconteceu com a Índia, o que aconteceu com o Brasil, é só olhar para o continente africano. Então, o que nós queremos? Que o mundo esteja representado no Conselho de Segurança. Não importa que seja um ou que sejam três da África. Não importa que seja um ou dois da América Latina. Como é que explica a Índia não estar no Conselho de Segurança? Como é que explica a China estar e o Japão não estar? Então, o que é que nós queremos? É abrir o clube e permitir que outras pessoas entrem. Você imagina, hoje, se tivesse uns dois ou três países no Conselho de Segurança como membros permanentes, que não têm bomba nuclear. Seria muito mais fácil negociar os acordos sobre não proliferação de armas nucleares.
Relação com os vizinhos sulamericanos
Eu trabalho muito com a América do Sul porque nós temos fronteira com dez países, só não temos fronteira com o Chile e com o Equador. Então, o Brasil, que é a maior economia, [tem] mais desenvolvimento econômico, [tem] mais tecnologia, [tem] mais população, o Brasil tem mais responsabilidade. Portanto, nós temos que cuidar com carinho. E nós trabalhamos para tentar tirar proveito da similaridade que existe entre os países da América Latina, pela proximidade de língua. Tenho tentado trazer o México mais para a América do Sul, para que a economia do México não fique apenas dependendo de uma potência econômica excepcional, como os Estados Unidos ou como o Canadá, que têm que se espraiar para ajudar os países da América Central. No fundo, no fundo, o que eu quero é que a gente tenha um continente mais justo e mais democrático.
Papel do Brasil na nova ordem mundial
Olha, eu, sinceramente, acho que vai depender muito do comportamento de quem estiver dirigindo o Brasil. Você sabe que em política as pessoas não reconhecem você com líder, ou seja, você tem que ocupar o seu espaço, você tem que lutar, você tem que brigar. Eu fico muito feliz quando eu vejo as revistas do mundo inteiro enaltecendo a seriedade da política econômica brasileira, a seriedade do crescimento brasileiro, como nós enfrentamos a crise econômica, o controle que o Banco Central brasileiro tem do sistema financeiro brasileiro, eu fico muito feliz, não pense que eu não fico, eu fico muito feliz.
Desmatamento na Amazônia
Nós assumimos o compromisso, em Copenhagen, de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80%, até 2020. Nós assumimos o compromisso de diminuir o gás de efeito estufa em 39%. Foi a melhor proposta feita em Copenhagen. E não pedi dinheiro para ninguém, não, vamos fazer por responsabilidade. Então, veja, o Brasil tem noção exata de que é o país que tem a matriz energética mais limpa do mundo, de que tem o combustível, para os nossos carros, mais limpo do mundo.
Belo Monte
Esse projeto está sendo discutido há 30 anos. Nós diminuímos o lago em 60 %, são R$ 3,5 bilhões para cuidar da questão ambiental e para cuidar da questão social. É por isso que nós vamos fazer a usina de Belo Monte, porque nós não vamos jogar fora a oportunidade de construir a hidrelétrica mais moderna e mais limpa do mundo. O problema é que, às vezes, as pessoas se acham no direito de dar palpites sobre coisas que não conhecem.
O Brasil, o Brasil, veja, o Brasil tem 190 milhões de habitantes. E nós, nós vamos cuidar agora, no dia 2 de junho eu tenho uma reunião com a comunidade indígena, no Brasil, para discutir Belo Monte, porque nós já fizemos todas as reuniões públicas possíveis, e nós vamos garantir que as pessoas que tiverem que mudar de local vão ser tratadas condignamente, e a floresta será respeitada. Nós estamos, agora, criando um sistema de construir hidrelétrica no Brasil, chamado hidrelétrica-plataforma. Nós iremos construí-la, iremos fechar a mata e, para chegar lá, só de helicóptero, para evitar que haja crescimento de cidade em volta da floresta.
Então, nós queremos dar exemplo ao mundo sobre energia limpa. Nessa área, ninguém ensina o Brasil. Ou é isso ou é termelétrica a carvão, ou é termelétrica a óleo diesel, ou é energia nuclear. Entre tudo isso, eu prefiro as hidrelétricas, limpas.
Pré-sal e acidente no Golfo do México
Há muita preocupação. Eu, inclusive, já disse ao Presidente da Petrobras, primeiro, oferecer toda a ajuda que a gente puder oferecer aos Estados Unidos para ajudar a conter o vazamento de óleo. Segundo, para que a gente faça uma reparação na manutenção da Petrobras, para que a gente não permita que aconteça o que aconteceu no Golfo. Você sabe que tem problema, porque tem que fazer um novo furo, um novo poço e tamponar lá por baixo. Isso demora. Então, eu acho que esse acidente que aconteceu nos Estados Unidos deve alertar todas as empresas de petróleo do mundo a serem mais responsáveis, porque o prejuízo será enorme para a Humanidade na questão ambiental.
Copa do Mundo de 2014
Olhe, eu pedi para o meu Ministro do Esporte responder à Fifa. A Fifa fique tranquila, não venha com aquela mentalidade eminentemente europeia, sem conhecer a América do Sul e [sem] conhecer o Brasil. Nós vamos fazer uma Copa do Mundo melhor do que eles fizeram, mais alegre do que eles já fizeram, só corremos o risco de o Brasil ser campeão outra vez! Mas nós estamos preparados para a Copa do Mundo e preparados para as Olimpíadas. Nós sabemos o que isso significa para o Brasil, nós sabemos o que significa para a imagem do Brasil.
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