Durante sua visita a Doha (Catar), realizada sábado (15/5), o presidente Lula concedeu entrevista exclusiva à rede de televisão Al Jazeera na qual falou sobre a infância, a educação que recebeu dos pais, sua entrada na política na década de 1970, o sucesso de seu governo, a política externa brasileira e o relacionamento com os países vizinhos da América do Sul, entre outros temas.
Confira abaixo alguns dos principais pontos da entrevista, que foi veiculada no programa Talk To Al Jazeera.
Eu acho que essa minha experiência de vida forjou a concepção que eu tenho hoje, como Presidente da República. Embora eu tenha consciência de que sou o presidente de 190 milhões de brasileiros, eu tenho consciência de que como chefe de Estado, eu tenho que priorizar os mais pobres, os mais necessitados, que são as pessoas que mais precisam do Estado. Com pouco dinheiro, você ajuda muita gente pobre e, às vezes, com muito dinheiro, você não contenta uma pessoa muito rica. Então, é uma questão de definição. Eu fui formado assim, depois aprendi no sindicato, e eu tento, na Presidência da República, retratar um pouco daquilo que eu vivi na minha vida.
Entrada na política
Eu, em [19]78, não gostava de política e não gostava de quem gostava de política. Aí, o governo militar tentou fazer uma lei que proibia que professor fizesse greve, que bancário fizesse greve, quem trabalhava em posto de gasolina enchendo tanque não podia fazer greve. Aí, eu fui a Brasília conversar com os deputados. Chegando em Brasília, eu descobri que não tinha nenhum deputado trabalhador. Aí eu falei: bom, nós temos que criar um partido. E aí começamos a trabalhar a criação do Partido dos Trabalhadores que, graças a Deus, em pouco tempo virou o maior partido de esquerda da América Latina.
Sucesso como presidente
Olha, eu acho que nós estamos colhendo o resultado de um trabalho sério que nós estamos fazendo. Quando, no dia 10 de dezembro de 2002 – eu já estava eleito presidente da República –, eu fui à Casa Branca conversar com o presidente Bush, e ele estava obsessivo com a Guerra do Iraque. Eu disse ao presidente Bush: a minha preocupação, Presidente, não é o Iraque. A minha preocupação é a fome do meu povo. Eu tenho mais de 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Como é que eu vou me preocupar com o Iraque?
Bem, o dado concreto é que hoje, passados sete anos, nós elevamos 31 milhões de brasileiros à classe média e tiramos 24 milhões de brasileiros da extrema pobreza. Essa é uma coisa muito importante para mim, me deixa muito feliz, e eu acho que há o reconhecimento do mundo, porque nós vamos cumprir todas as Metas do Milênio bem antes do prazo. Qual é a coisa importante? É que eu não sou um homem de ficar procurando encrenca, eu não gosto de encrenca. Eu quero gastar a minha energia tentando pensar numa coisa positiva, tentando pensar em ajudar alguém, tentando construir a paz. Não é possível você governar procurando inimigo, querendo uma guerra. Você tem que governar para o seu povo, pensando em fazer o melhor e tentando dialogar com todo mundo.
Então, eu acho que nós vamos deixar no Brasil um legado de comportamento republicano que o Brasil não conhecia: tratar todo mundo com respeito – os líderes internacionais – mas também exigir um tratamento respeitoso, e não um tratamento de segunda classe.
Política externa brasileira
Olha, eles estão falando isso porque, no dia 27 de janeiro de 2003, eu fui a Davos. Eu saí do Fórum Social, em Porto Alegre, no Brasil, e fui a Davos, e, na volta, eu disse ao meu ministro de Relações Exteriores: eu acho que nós temos que mudar a geografia comercial do mundo. Não é possível um país, do tamanho do Brasil, ficar dependendo apenas de dois grandes blocos: de um lado os Estados Unidos, de outro lado a Europa. Nós precisamos diversificar as nossas relações comerciais. Priorizamos a América Latina, priorizamos a África, priorizamos o Oriente Médio. Eu visitei sete… oito Países Árabes e visitamos, também, uma parte do Mundo Asiático. O que aconteceu, de fato? Com o Mundo Árabe, de 2005 para cá, a nossa balança comercial cresceu cinco vezes. O Brasil era muito dependente da União Europeia e dos Estados Unidos, e eu achava que, pela dimensão do Brasil e pela potencialidade do Brasil, nós tínhamos que diversificar e não ficar dependendo de ninguém, mas ter boas relações com todo mundo. Hoje a América Latina é nosso maior parceiro comercial; hoje a China é o nosso maior parceiro comercial individual. Na África, nós temos hoje um fluxo de balança comercial acima de US$ 20 bilhões, e antes a gente não tinha nada, porque a elite política brasileira só olhava para a Europa e para os Estados Unidos, para a Europa… Não via nem a América do Sul, não via a África e não via o Oriente Médio. As autoridades brasileiras que viajaram para o Líbano, foi em 1876. Não é possível!
Reforma do Conselho de Segurança da ONU
Olhe, eu estou há oito anos brigando por isso. É engraçado, é engraçado: todo mundo é favorável ao Brasil, todo mundo. Todo mundo concorda que o Brasil deva ter uma cadeira no Conselho de Segurança, mas ninguém quer abrir mão do poder que tem. É como se fosse um baile, em que tem cinco pessoas, numa festa bonita, e não querem deixar os outros entrarem. Veja, a geografia política de 2010 é muito diferente da geografia política de 1945, muito diferente. É só olhar o mapa da Rússia para ver como mudou. É só olhar o que aconteceu com a China, o que aconteceu com a Índia, o que aconteceu com o Brasil, é só olhar para o continente africano. Então, o que nós queremos? Que o mundo esteja representado no Conselho de Segurança. Não importa que seja um ou que sejam três da África. Não importa que seja um ou dois da América Latina. Como é que explica a Índia não estar no Conselho de Segurança? Como é que explica a China estar e o Japão não estar? Então, o que é que nós queremos? É abrir o clube e permitir que outras pessoas entrem. Você imagina, hoje, se tivesse uns dois ou três países no Conselho de Segurança como membros permanentes, que não têm bomba nuclear. Seria muito mais fácil negociar os acordos sobre não proliferação de armas nucleares.
Relação com os vizinhos sulamericanos
Eu trabalho muito com a América do Sul porque nós temos fronteira com dez países, só não temos fronteira com o Chile e com o Equador. Então, o Brasil, que é a maior economia, [tem] mais desenvolvimento econômico, [tem] mais tecnologia, [tem] mais população, o Brasil tem mais responsabilidade. Portanto, nós temos que cuidar com carinho. E nós trabalhamos para tentar tirar proveito da similaridade que existe entre os países da América Latina, pela proximidade de língua. Tenho tentado trazer o México mais para a América do Sul, para que a economia do México não fique apenas dependendo de uma potência econômica excepcional, como os Estados Unidos ou como o Canadá, que têm que se espraiar para ajudar os países da América Central. No fundo, no fundo, o que eu quero é que a gente tenha um continente mais justo e mais democrático.
Papel do Brasil na nova ordem mundial
Olha, eu, sinceramente, acho que vai depender muito do comportamento de quem estiver dirigindo o Brasil. Você sabe que em política as pessoas não reconhecem você com líder, ou seja, você tem que ocupar o seu espaço, você tem que lutar, você tem que brigar. Eu fico muito feliz quando eu vejo as revistas do mundo inteiro enaltecendo a seriedade da política econômica brasileira, a seriedade do crescimento brasileiro, como nós enfrentamos a crise econômica, o controle que o Banco Central brasileiro tem do sistema financeiro brasileiro, eu fico muito feliz, não pense que eu não fico, eu fico muito feliz.
Desmatamento na Amazônia
Nós assumimos o compromisso, em Copenhagen, de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80%, até 2020. Nós assumimos o compromisso de diminuir o gás de efeito estufa em 39%. Foi a melhor proposta feita em Copenhagen. E não pedi dinheiro para ninguém, não, vamos fazer por responsabilidade. Então, veja, o Brasil tem noção exata de que é o país que tem a matriz energética mais limpa do mundo, de que tem o combustível, para os nossos carros, mais limpo do mundo.
Belo Monte
Esse projeto está sendo discutido há 30 anos. Nós diminuímos o lago em 60 %, são R$ 3,5 bilhões para cuidar da questão ambiental e para cuidar da questão social. É por isso que nós vamos fazer a usina de Belo Monte, porque nós não vamos jogar fora a oportunidade de construir a hidrelétrica mais moderna e mais limpa do mundo. O problema é que, às vezes, as pessoas se acham no direito de dar palpites sobre coisas que não conhecem.
O Brasil, o Brasil, veja, o Brasil tem 190 milhões de habitantes. E nós, nós vamos cuidar agora, no dia 2 de junho eu tenho uma reunião com a comunidade indígena, no Brasil, para discutir Belo Monte, porque nós já fizemos todas as reuniões públicas possíveis, e nós vamos garantir que as pessoas que tiverem que mudar de local vão ser tratadas condignamente, e a floresta será respeitada. Nós estamos, agora, criando um sistema de construir hidrelétrica no Brasil, chamado hidrelétrica-plataforma. Nós iremos construí-la, iremos fechar a mata e, para chegar lá, só de helicóptero, para evitar que haja crescimento de cidade em volta da floresta.
Então, nós queremos dar exemplo ao mundo sobre energia limpa. Nessa área, ninguém ensina o Brasil. Ou é isso ou é termelétrica a carvão, ou é termelétrica a óleo diesel, ou é energia nuclear. Entre tudo isso, eu prefiro as hidrelétricas, limpas.
Pré-sal e acidente no Golfo do México
Há muita preocupação. Eu, inclusive, já disse ao Presidente da Petrobras, primeiro, oferecer toda a ajuda que a gente puder oferecer aos Estados Unidos para ajudar a conter o vazamento de óleo. Segundo, para que a gente faça uma reparação na manutenção da Petrobras, para que a gente não permita que aconteça o que aconteceu no Golfo. Você sabe que tem problema, porque tem que fazer um novo furo, um novo poço e tamponar lá por baixo. Isso demora. Então, eu acho que esse acidente que aconteceu nos Estados Unidos deve alertar todas as empresas de petróleo do mundo a serem mais responsáveis, porque o prejuízo será enorme para a Humanidade na questão ambiental.
Copa do Mundo de 2014
Olhe, eu pedi para o meu Ministro do Esporte responder à Fifa. A Fifa fique tranquila, não venha com aquela mentalidade eminentemente europeia, sem conhecer a América do Sul e [sem] conhecer o Brasil. Nós vamos fazer uma Copa do Mundo melhor do que eles fizeram, mais alegre do que eles já fizeram, só corremos o risco de o Brasil ser campeão outra vez! Mas nós estamos preparados para a Copa do Mundo e preparados para as Olimpíadas. Nós sabemos o que isso significa para o Brasil, nós sabemos o que significa para a imagem do Brasil.
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Em entrevista exclusiva concedida ao jornal Diário do Pará, o presidente Lula disse hoje (6) que Belo Monte “não nasceu da noite para o dia” e destacou que “não há qualquer imposição do projeto à sociedade”. Fruto de estudos desenvolvidos há mais de 30 anos, com a participação da sociedade, o projeto original foi “profundamente” alterado, no sentido de minimizar as interferências ambientais. O presidente deu como exemplo a área alagada pelo reservatório, que seria de 1225 km² e foi reduzida para 516 km.
O presidente Lula explicou que, de 2007 a 2009, foram realizadas 12 consultas públicas e 10 oficinas com comunidades, além de 15 fóruns técnicos (quatro deles em Belém) e reunião com gestores públicos da região do Xingu. Em complementação ao trabalho de comunicação, agentes de interação fizeram visitas a 5.328 famílias, 61 reuniões com 2.100 pessoas presentes e realizaram 10 palestras em escolas do ensino fundamental e médio, para cerca de 530 alunos.
“Quero chamar a atenção, sobretudo dos críticos da usina, incluindo de outros países, para o fato de que, no Brasil, 74% da energia elétrica consumida provém da hidreletricidade, que é mais barata e muito menos poluente”. E citou o Japão, onde a hidreletricidade contribui com 8% e os Estados Unidos, com apenas 7% – o restante, (a quase totalidade), é obtida com a queima de gás, óleo, carvão, entre outros.
Na entrevista, Lula deu especial destaque às audiências públicas realizadas em Altamira, que contaram com a presença de seis mil participantes e foram realizadas antes da emissão da licença prévia pelo Ibama. E explicou a advertência feita pela Advocacia-Geral da União (AGU):
A Advocacia-Geral da União (AGU) apenas advertiu funcionários, inclusive do Ministério Público, que poderiam responder por atos que excedessem suas atribuições legais. Da mesma forma que o MP adiantou que iria à Justiça, a AGU também poderia questionar seus atos na Justiça. Estamos falando de ações dentro dos marcos da legalidade. Portanto, não há qualquer imposição do projeto à sociedade.
A usina de Belo Monte vai gerar 18,6 mil empregos diretos e recursos anuais de R$ 121 milhões de ISS (durante a construção da usina) e de R$ 203 milhões de ICMS após a implantação de todas as máquinas e durante todo o período de operação da usina. Os municípios com áreas afetadas pelo reservatório vão receber R$ 88 milhões por ano de compensação financeira e o Pará também receberá a mesma quantia anualmente. Além disso, o consórcio vencedor vai investir na área R$ 3,3 bilhões em obras de compensação ambiental e social e em ações de fomento ao desenvolvimento regional. Isso representa mais de 17% do valor total do empreendimento.
Sobre a implantação da base da segunda esquadra da Marinha no Norte ser no Maranhão ou no Pará, Lula disse que o que vai determinar a localização é a viabilidade técnica. Ele espera a conclusão dos estudos da Marinha para, então, discutir os resultados com o ministro da Defesa. “Então, vamos avaliar e tomar a decisão final.”
O presidente informou ainda que não visitará Serra Pelada amanhã (7) porque faltavam alguns detalhes que impediam a assinatura da Portaria de Lavra que que reabrirá garimpo 20 anos depois que ele foi fechado.
“Queremos ter certeza de que os garimpeiros serão os verdadeiros beneficiados com essa concessão. O processo de entendimento só foi concluído na terça-feira à noite, quando a minha agenda já havia sido alterada, com o cancelamento da viagem”, afirmou. O ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, representará o presidente no encontro de Curionópolis com os garimpeiros, quando será assinada a Portaria de Lavra, para exploração mecanizada, de uma área de 100 hectares. Também participará do encontro com os garimpeiros o senador Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia, identificado com a causa dos garimpeiros desde os anos 70.
Com o imenso potencial hídrico que possui, seria “insano” o Brasil desperdiçá-lo, o que levaria o País a usar termelétricas a óleo diesel para gerar energia, prejudicando todo o esforço brasileiro em defesa do clima. Por isso é necessário que se construam hidrelétricas, mas sempre respeitando o meio ambiente e a população brasileira, e Belo Monte tem tudo para ser um modelo para o País, afirma o presidente Lula em seu programa de rádio Café com o Presidente desta segunda-feira (26/4).
Nós estamos cuidando da preservação de mais áreas indígenas. Arara da Volta Grande, Xingu e Paquiçamba, que antes seriam atingidas, não vão ser mais atingidas. Há previsão de realocação de 16 mil pessoas. Portanto, nós estamos pensando em fazer uma hidrelétrica que seja modelo, que seja exemplo de que o Brasil vai continuar fazendo a hidrelétrica, mas, sobretudo, o Brasil vai continuar dando importância ao povo brasileiro: cuidar dos nossos índios, cuidar dos nossos produtores rurais, cuidar dos nossos ribeirinhos. As pessoas não terão prejuízo, pelo contrário, o que nós queremos é que a hidrelétrica signifique um ganho para essas pessoas, uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas.
Lula lembra que o projeto inicial de Belo Monte já mudou muito desde que a usina começou a ser discutida há 30 anos -- a área ocupada pelo reservatório da usina, por exemplo, já foi reduzido em 60%. Após décadas de discussões sobre a obra -- só a licença prévia ambiental levou cinco anos de estudos para ser concedida -- chegou o momento de se tocar o projeto, já que o País está crescendo e vai precisar de muita energia nos próximos anos. Belo Monte, afirma Lula, teve um tratamento “qualificado, envolvendo todo o segmento da sociedade num debate”. E sua energia é uma das mais baratas do mercado:
É importante a gente fazer uma comparação para o povo saber o que nós estamos falando: a usina Belo Monte, ela vai. custar R$ 78,00 o megawatt/hora; uma usina eólica custa R$ 150,00 o megawatt/hora; e uma usina a gás, mais ou menos R$ 200,00 o megawatt/hora. Portanto, a energia hídrica ainda é a mais barata. O que nós precisamos é trabalhar com muito cuidado para fazer as hidrelétricas da forma mais cuidadosa possível, causar o menor impacto ambiental possível, e é por isso que eu estou muito feliz, porque depois de 30 anos finalmente Belo Monte vai sair.
O presidente Lula falou também sobre a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, lembrando que desde 2003 já foram homologadas 81 terras indígenas no País.
Hoje são 663 terras indígenas homologadas, declaradas, delimitadas, em estudo, somando 107 milhões e 618 mil hectares, ou seja 12,5% do território nacional já está praticamente preservado e cuidado para os índios. Nós demos um passo definitivo para reconhecer os índios como cidadãos brasileiros, donos da sua cultura, homens livres que podem exercitar da forma que quiserem toda a sua cultura, e cabe agora ao governo garantir mais. Nós temos que garantir possibilidade de produção de qualidade, de educação de qualidade, de saúde de qualidade, para que os índios sintam-se verdadeiramente brasileiros e que a gente tenha orgulho deles serem brasileiros, e eles tenham orgulho do nosso País.
A maior parte das críticas que a usina Belo Monte recebe hoje estão baseadas no antigo projeto, ignorando-se os muitos avanços feitos para minimizar os impactos da sua construção no rio Xingu, no Pará. A avaliação é do presidente Lula, que explicou isso inclusive para as lideranças indígenas com as quais se reuniu na última segunda-feira (19/4) na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Lula disse ainda que levaria o assunto para a reunião da Comissão Nacional de Política Indígena (CNPI) que será realizada em maio em Brasília.
(vídeo institucional sobre a usina Belo Monte)
O grande problema, diz o presidente, é que muitos criticam Belo Monte baseando-se no projeto antigo, sem saber que há melhorias significativas, como a redução de 60% na área ocupada pelo reservatório da usina (o lago previsto hoje é de 516 quilômetros quadrados). Além da área a ser inundada ser bem menor, o novo projeto também prevê a preservação das terras indígenas Arara da Volta Grande, Xingu e Paquiçamba, que antes seriam atingidas pela formação do lado da hidrelétrica. Há também a previsão de realocação de mais de 16 mil pessoas (4.362 famílias), que hoje vivem em palafitas nos igarapés de Altamira (PA). Outras 2.822 pessoas (824 famílias) serão reassentadas em área rural.
Após o leilão de terça-feira (20/4) da licença para a construção da usina Belo Monte, o ministro Marcio Zimmermann (Minas e Energia) concedeu entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde tirou algumas dúvidas sobre o assunto:
O governo entrará ainda nesta segunda-feira (19/4) com recurso contra a liminar concedida contra o leilão da usina de Belo Monte, garantindo a sua realização, afirmou o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. “O texto do recurso já está pronto e será apresentado nas próximas horas”, disse, confirmando a realização do leilão da hidrelétrica nesta terça-feira (20/4), às 10 horas.
Segundo Adams, “o processo de licenciamento ambiental de Belo Monte já dura mais de um ano, sempre com solitações de novas documentações, que são fornecidas e, em algum momento, tem de tomar a decisão, de acontecer ou não acontecer. E a decisão é de se fazer o leilão, e ela (a decisão) está ocorrendo de acordo com a lei”.
Adams lembra que já foram realizadas audiências públicas prévias com a comunidade local, em Altamira (PA), que contaram com a participação de cerca de 5 mil pessoas, e elas foram aceitas pelo Tribunal Regional Federal como suficientes ao processo.
O presidente Lula classificou de levianas as notícias publicadas na imprensa afirmando que o deputado federal Geddel Vieira Lima, quando exercia o cargo de ministro da Integração Nacional, liberou mais recursos para a Bahia, para obras preventivas contra enchentes, do que para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
“O que eu acho pobre é as pessoas esperarem acontecer uma tragédia para fazer leviandade. Primeiro, devemos ser solidários com o povo do Rio. Quando cessar as chuvas vamos ajudar as vítimas”, afirmou Lula após almoço oferecido ao presidente de Mali, Amadou Toumani Touré, no Palácio Itamaraty. O presidente brasileiro enfatizou que o ex-ministro Geddel tem que “chamar o cidadão” que espalhou a notícia e obrigá-lo a provar o que disse. Lula confirmou também que a Casa Civil prepara medida provisória com liberação de R$ 200 milhões para o estado do Rio.
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
O presidente comentou ainda o leilão que o governo prepara para a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Ele afirmou que o leilão acontecerá e quem apostar diferente vai perder. Lula comentou também o fato de alguns consórcios terem se retirado da disputa, em função do preço da energia elétrica. Para o presidente “teremos o preço justo e não o preço que alguém quer nos impôr”.
Lula também falou sobre a proposta de reajuste das pensões e aposentadorias dos cidadãos que ganham mais de um salário mínimo. Segundo Lula, um acordo foi fechado com as centrais sidicais e, qualquer índice de reajuste diferente daquilo que foi acordado, será preciso que os parlamentares apontem de onde o governo tirará recursos para fazer garantir o aumento.
A briga pela nova fábrica de fertilizantes da Petrobras no jornal O Estado, o presidente afirmou que a cidade de Três Lagoas (MS) parece ser o local mais adequado para a implantação da nova fábrica, por critérios técnicos e logísticos. A obra vem sendo disputada por vários outros estados brasileiros.
Lula afirmou ainda na entrevista que, ao contrário do governo passado, que pouco investiu no Mato Grosso do Sul, a sua administração está atenta às necessidades locais, promovendo investimentos para recuperar o tempo perdido. Só em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são R$ 8 bilhões em obras de infraestrutura até o final de 2010 – como a construção do Anel Rodoviário de Campo Grande, o Contorno de Cuiabá, a Travessia de Dourados e a dragagem e sinalizaçao da hidrovia Paraná-Paraguai.
No setor energético, os recursos são de R$ 4,4 bilhões, em vários empreendimentos para a geração de energia elétrica – entre outras, usinas hidrelétricas, termelétricas a biomassa, termelétricas a gás natural, além de linhas de transmissão.
O Ministério de Minas e Energia se inspirou na produção de petróleo ‘off-shore’ para encontrar a solução para a geração de energia elétrica em plena floresta amazônica, no Pará. Os cinco projetos hidrelétricos do Complexo Tapajós, que serão leiloados em 2011 e terão capacidade de produzir eletricidade equivalente a uma usina de Itaipu, ocuparão o menor espaço físico possível, reduzindo o seu impacto ambiental. São as hidrelétricas-plataforma, conforme explica o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, com exclusividade ao Blog do Planalto:
A Eletrobrás está concluindo estudo de viabilidade do aproveitamento hidrelétrico no Complexo Tapajós. Vencida essa etapa, os leilões das usinas serão realizados. A expectativa é que o país possa contar com essa energia a partir de 2016.
Na última sexta-feira (12/2), o presidente Lula falou sobre o projeto das hidrelétricas-plataforma, durante inauguração em Goiânia da Barragem do Ribeirão João Leite:
E vamos também apresentar ao Brasil uma coisa chamada hidrelétrica-plataforma, que é um novo modelo de hidrelétrica em que a gente vai apenas fazer o desmatamento para construir a hidrelétrica. Depois vai fechar o desmatamento, não vai permitir a entrada de ninguém para não ter casa, não ter nada, e os trabalhadores que forem trabalhar na hidrelétrica, eles vão trabalhar como se fossem trabalhar numa plataforma da Petrobrás, em alto mar. Eles vão de helicóptero, descem lá na hidrelétrica, trabalham, ficam um certo tempo e voltam para casa, sem ter estrada, sem ter nada na hidrelétrica.
Esse é um modelo que a gente vai apresentar, que eu acho que a gente vai deixar o mundo boquiaberto de conhecer o que é o nosso projeto plataforma para fazer hidrelétrica. E aí, fazer o debate com a sociedade, fazer as audiências públicas que tiver que fazer, discutir com os nossos companheiros ambientalistas para que a gente, democraticamente, consiga convencer a sociedade brasileira de que não tem volta para o Brasil. Este país vai se transformar numa grande potência econômica nos próximos anos. É por causa do pré-sal, é por causa da Amazônia, é por causa da descoberta da biodiversidade, é pelo aproveitamento das coisas que a gente tem.
Um vídeo institucional produzido pelo governo federal dá a dimensão do empreendimento. A busca por alternativas energéticas para assegurar o abastecimento no País começou, segundo Zimermann, em 2004, quando ele comandava a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia. Por recomendação da ministra Dilma Rousseff, que naquela ocasião comandava a pasta de Minas e Energia, foi elaborado estudo com o objetivo de ampliar a capacidade de geração energética. Desse estudo saiu a idéia da usina-plataforma.
Os setores da sociedade que defendiam um Estado fraco, frágil e omisso “quebraram a cara”, afirmou o presidente Lula em entrevista concedida às emissoras de rádio Globo e Transamérica, logo ao chegar a Governador Valadares (MG). Segundo Lula, o mercado não atende às pessoas mais pobres do País, cabendo ao Estado suprir essa demanda.
Durante quase uma hora de conversa, o presidente comentou as medidas tomadas pelo governo para enfrentar, com sucesso, a crise financeira mundial, lembrando que houve demissões em massa nos Estados Unidos e Europa, enquanto que o Brasil terminou 2009 gerando quase um milhão de postos de trabalho.
Par ouvir a íntegra da entrevista, clique aqui:
Segundo Lula, o Brasil encontrou seu caminho, investindo pesadamente em infraestrutura – recuperação de portos, ferrovias e rodovias, além de usinas hidrelétricas e gasodutos. Falou também sobre obras de unidades habitacionais e reurbanização de comunidades carentes, e deu destaque aos investimentos feitos no setor educacional.
“Estamos fazendo uma revolução no ensino médio brasileiro”, afirmou o presidente, lembrando que em seus oito anos de governo construirá mais escolas técnicas (214) do que todas feitas 1909 e 2002 (140). Lula voltou a defender o PAC, afirmando que o programa foi “a salvação da lavoura”, e disse que irá comprometer o Orçamento da União com o PAC 2, que vai de 2011 a 2015. Ele enfatizou que seguirá viajando País afora até o último minuto de 2010 inaugurando obras ou vistoriando os empreendimentos em construção no território nacional.
Na conversa, Lula queixou-se dos partidos de oposição que, por falta de propostas concretas, “não têm como competir”. Segundo o presidente, “ficam tentando impedir que o outro time jogue”. O presidente acha que os opositores “ficaram felizes” quando ele teve crise de hipertensão por acreditarem que diminuiria o ritmo de trabalho. “Vou continuar viajando até o último minuto. Até lá a festa é minha. Na manhã do dia seguinte penso passar o cargo para quem de direito. Vou fazer força para ‘fazer’ a minha sucessora”, disse ao explicar que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o acompanhará nas viagens enquanto puder pois ela é a responsável pelas obras em curso no país.
Na entrevista, o presidente afirmou que, na medida do possível, manterá os secretários executivos como substitutos dos ministros que deixarão o governo para se candidatarem em 2010. Segundo Lula, trata-se de uma solução mais viável para permitir a continuidade do funcionamento da máquina administrativa. Para o presidente, colocar no cargo alguém que não esta familiarizado com as respectivas pastas poderia dificultar os avanços dos projetos em curso no âmbito do governo federal.
O governo federal vai adiar por 30 dias o leilão de concessão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (18/11) pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, ao deixar o gabinete provisório da Presidência da República, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. “O leilão de Belo Monte é viável para janeiro de 2010″, afirmou Zimmermann.
Zimmermann participou de reunião que discutiu as obras de usinas incluídas no PAC do setor elétrico. A usina de Belo Monte, com previsão de gerar 11.233 megawatts de energia, é o principal empreendimento desse programa.
Segundo Zimmermann, o atraso de 30 dias do leilão – inicialmente previsto para 21 de dezembro deste ano – pode ser compensado com o ritmo das obras a ser desenvolvido pelas empresas que vencerem a disputa. Além disso, antes da licitação de Belo Monte, o governo poderá colocar em leilão outros empreendimentos do setor elétrico.
Zimmermann explicou que o problema ficou por conta da licença a ser concedida pelo Ibama, etapa crucial para o lançamento do edital de concorrência. Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não foi estabelecido prazo para liberar a licença. “O prazo é quando tudo estiver direito explicou o ministro do Meio Ambiente. “Será o mais rápido possível”, completou.
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