Quando era garoto e vivia em Santos, nos anos 50, Luiz Inácio da Silva tinha o sonho de ser motorista de caminhão. “Acabou dirigindo o Brasil, um enorme caminhão carregado de abacaxis que ele vem descascando com jeito e felicidade. É isso mesmo, presidente?” perguntou o professor Jacinto Guerra, de Brasília (DF), em uma das questões publicadas na coluna O Presidente Responde desta terça-feira (27/12). O presidente Lula gostou da comparação, “porque o abacaxi é uma das frutas mais saborosas que eu conheço”. O Brasil, disse Lula, realmente é um caminhão carregado de coisas muito boas, positivas, “cercadas de outras negativas”.
“Felizmente, nós estamos conseguindo iniciar o processo de retirada das cascas e dos espinhos, ou seja, de começar a eliminar as desigualdades sociais e regionais, de acabar com o complexo de vira-latas, de retirar da situação de pobreza dezenas de milhões de pessoas. Estamos impulsionando o que é bom, que é o crescimento econômico e a geração de empregos, e eliminando o que é ruim, que é a exclusão de milhões de pessoas dos benefícios do progresso. E meu governo conseguiu avançar porque contou com o apoio, paciência e aprovação do povo brasileiro. E contei com as críticas construtivas também. Isso foi muito importante. Por isso, quero agradecer a todo brasileiro e, em especial, a leitores como você, Jacinto, que me acompanharam neste espaço semanalmente.”
O presidente lembrou que respondeu a 234 perguntas feitas por leitores de jornais de todo o País e publicadas em 78 colunas O Presidente Responde. “Foram muitos os abacaxis e só posso agradecer a cada um de vocês”, disse ele.
A pergunta do administrador Rafael Soares, de Cuiabá (MT) foi sobre a expectativa que muitos brasileiros têm em relação ao governo da presidente eleita Dilma Rousseff, que toma posse no próximo sábado (1/1). “O senhor disse que o Brasil iria se surpreender com o governo da Dilma Rousseff. Em que sentido serão as surpresas?”, quis saber o leitor. Lula respondeu lembrando que Dilma tem grande capacidade de comandar, produzir, fazer as coisas andarem e acontecerem.
O presidente lembrou ainda que a presidente eleita já demonstrou sua capacidade nos últimos oito anos, quando foi ministra de Minas e Energia e também da Casa Civil, e também durante a campanha eleitoral, em que se saiu vitoriosa:
“Era um campo absolutamente novo, pelo qual ela nunca tinha passado e, no entanto, superou concorrentes de grande experiência, que tinham se dedicado a fazer política durante toda a vida. Ela tem uma grande capacidade de aprender e de se adaptar a situações novas e extraordinárias. Sua fibra é impressionante. Ainda jovem, enquanto muita gente se recolhia ou se dobrava, ela teve a coragem de colocar a vida em risco e enfrentar a ditadura e as torturas. Mais recentemente enfrentou e venceu um inimigo ainda mais perigoso e traiçoeiro, o câncer. Nós temos, felizmente, à frente dos destinos do nosso país uma pessoa preparada para vencer os mais diferentes desafios. Inclusive o principal, que é fazer mais e melhor do que foi feito nestes últimos oito anos.”
Já o autônomo Valdivino de Almeida, de Goiânia (GO), perguntou se Lula deixará de fazer política ao deixar a Presidência da República. “Não, essa hipótese de abandonar a polítiac não existe”, afirmou o presidente. “Deixar de fazer política, para mim, seria o mesmo que deixar de me alimentar ou respirar.” Se o fizesse, afirmou, seria como “jogar pela janela” a experiência acumulada de um governo de sucesso. O presidente afirmou que pretende levar o caso brasileiro para países pobres da América Latina e África, por ser um modelo que combina crescimento econômico com políticas de transferência de renda.
“Sinto-me com bastante energia para continuar atuando no sentido de contribuir para a construção de nações prósperas, com povos que vivam em liberdade e com justiça social. Pretendo também atuar dentro do meu partido e em aliança com vários outros para viabilizar as reformas Política e Tributária. Essas são questões urgentes e mais afetas aos partidos e ao Congresso do que ao governo federal. Pretendo ainda viajar por esse país, repetindo, de certa maneira, as caravanas da cidadania realizadas entre 1991 e 1994, quando percorri 91 mil quilômetros de Brasil. Quero verificar o que nós construímos nestes oito anos de mandato, divulgar o que é pouco divulgado, mostrar esse novo Brasil pujante, de gente que passou a se alimentar, que foi integrada à cidadania, esse Brasil que acredita no amanhã.”
Ciente que para permitir o desenvolvimento econômico do país é necessário investir em obras de infraestrutura, o presidente Lula disse, nesta quinta-feira (23/12), em Petrolina de Goiás, que o Brasil, em seu governo, deu impulso ao setor ferroviário brasileiro, colocado num segundo plano pelos governos anteriores. Lula participou de cerimônia que assinatura de ordem de serviço para a construção de mais 667 quilômetros de malha da ferrovia Norte-Sul, que interligará Ouro Verde (GO) a Estrela D’Oeste (SP), cortando uma região produtora de grãos.
Lula lembrou que em seu governo esta ferrovia ganhou impulso. Ele relatou que entre os governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, foram construídos cerca de 300 quilômetros da malha. Porém, nos últimos oito anos, a Norte-Sul saiu de Açailândia (MA) e chega em Anápolis (GO) com cerca de 1,1 mil quilômetros. O presidente reconheceu que as obras sofreram atrasos em função de exigências fixadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
“As obras estão concluídas em 90%. Até abril a presidenta Dilma [Rousseff] estará aqui entregando o trecho até Palmas (TO)…”
Ouça aqui a íntegra do discurso:
O presidente informou também que o modal ferroviário na região Centro-Oeste permite o transporte de passageiros. Deste modo, segundo explicou, há expectativa por parte do governo sobre a possibilidade de grupos econômicos virem a investir neste meio de transporte. O Blog do Planalto, na série especial sobre ferrovias (ver aqui), informou que a Valec -- estatal para o segmento ferroviário -- promeve estudos de sobre a questão.
Para o presidente, as obras em ferrovias no país permitem o aquecimento do setor de construção de vagões e locomotivas. Conforme destacou, a indústria nacional está produzindo cerca de 100 vagões por ano. Antes da cerimônia houve a exibição de vídeo que ressalta a importância do governo Lula em alavancar o setor ferroviário.
O presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, e o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que antecederam o presidente Lula em discursos, informaram que as obras das ferrovias permitem a contratação de mão de obra local. Isso possibilita o aquecimento econômico regional. Juquinha explicou, por exemplo, que os macacões dos operários de uma construtora foram confeccionados na região. O ministro realçou o volume de recursos de sua pasta, bm como o fato do governo estar pagando em dia pelas obras concluídas.
Na coluna O Presidente Responde desta semana, os temas abordados foram o acesso a financiamento da casa própria para trabalhadores que recebem salário acima da média, crítica ao horário de verão como forma de economizar energia e a necessidade de se investir em educação ambiental nas escolas do País. As perguntas vieram de leitores de Goiás e São Paulo.
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O funcionário público federal Otaci Silva, de Goiânia (GO), pergunta porque trabalhadores que recebem acima da méida não têm acesso a financiamento da casa própria. “Neste país é 8 ou 80, ou é pobre ou é rico, não se pode subir para a classe média?”, questionou.
O presidente Lula respondeu que o País conta com uma linha de crédito imobiliário para todas as faixas de renda, o que muda são as condições de financiamento, que dependem da renda familiar. Os maiores subsídios são para famílias que têm renda até R$ 1.395,00 – para essa faixa, explicou o presidente, as prestações são de apenas 10% da renda familiar, com um valor mínimo de R$ 50,00, pelo período máximo de 10 anos.
“Um segundo segmento, que tem poder de compra um pouco maior – renda familiar entre R$ 1.395,00 e R$ 2.790,00 – recebe um subsídio para complementar a capacidade de pagamento, que pode chegar a R$ 23 mil, além de taxas de juros subsidiadas (6,0% ao ano). As famílias com renda entre R$ 2.790,00 e R$ 4.900,00, além de taxas de juros subsidiadas (8,16% ao ano), podem obter financiamento para até 100% do valor do imóvel, desde que o prazo de financiamento não ultrapasse 20 anos. Considerando que os recursos públicos são limitados, o governo concede subsídios diretamente até o teto de renda familiar de R$ 4.900,00. A partir desse valor, o atendimento se dá via regras de mercado. Mesmo assim o governo subsidia indiretamente quem compra imóveis de até R$ 500 mil, independentemente da renda. A União isenta de impostos os rendimentos da poupança e ao mesmo tempo obriga que grande parte dos recursos captados pelos bancos, em cadernetas, seja aplicada em financiamentos imobiliários a taxa de juros tabelada.”
O contador Adriano Lima, também de Goiânia (GO), critica o horário de verão, que segundo ele sacrifica trabalhadores e estudantes. Ele afirma que há outras formas de se economizar energia, “mais eficazes e menos desgastantes”.
Lula respondeu lembrando que com a adoção do horário de verão, a população economiza energia e há um menor carregamento de energia nas linhas de transmissão, nas subestações e nos sistemas de distribuição. Com isso, é reduzido o risco de sobrecarga “numa época do ano em que, em várias regiões do País, o sistema é normalmente submetido às mais severas condições operacionais, por ser este o período de carga máxima”.
“Com o horário de verão, é possível operar o sistema com maior segurança e confiabilidade nas horas mais críticas, diminuindo a necessidade de investimentos em geração de energia elétrica. Se a medida não fosse adotada, o Brasil teria de construir várias usinas térmicas ao custo de R$ 1 bilhão, capazes de suprir a necessidade de energia de uma cidade de 6 milhões de habitantes.”
Já o servidor público Adailton Paulo de Araújo, de São Bernardo do Campo (SP), pede investimento em profissionais qualificados e implantação da educação ambiental nas escolas brasileiras, já que o meio ambiente é tão importante para todos. O presidente Lula concordou e revelou que o Ministério da Educação já atua no desenvolvimento da educação ambiental nas escolas, sugerindo a introdução do tema nos currículos escolares e desenvolvendo atividades extracurriculares, por meio de encontros, ações, projetos e programas.
“No ano que vem, o Conselho Nacional de Educação vai colocar em consulta pública diretrizes específicas e atualizadas para a educação ambiental em todos os níveis e todas as modalidades de ensino. Desde 2004, o MEC investiu, através de educação a distância, R$ 14,3 milhões na formação de um total de 47 mil professores. Como exemplo de atividades extraclasses, cito as três edições da Conferência Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente – Vamos Cuidar do Brasil, realizadas em 2003, 2006 e 2009 pelo MEC e Ministério do Meio Ambiente. Cada conferência mobilizou, em média, 3,6 milhões de alunos e 180 mil professores, de 12.800 escolas. Muitos participantes tornam-se uma espécie de agentes multiplicadores de educação ambiental nas suas escolas, locais de trabalho e de moradia.”
A coluna O Presidente Responde desta terça-feira (7/12) traz questões enviadas por leitores de Goiás, Piauí e Espírito Santo sobre investimentos no sistema carcerário brasileiro, as dificuldades de se encontrar um doador de medula óssea no Brasil e benefícios previdenciários para donas-de-casa de baixa renda.
A pergunta sobre o sistema carcerário foi feita pelo estudante Rodrigo Gomes da Paixão, de Goiânia (GO): “Quais são as medidas do seu governo para o sistema carcerário, que se mostra cada vez mais ineficaz? De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional, hoje são gastos R$ 600 milhões por mês com os presos. Esse gasto não seria suficiente para lhes dar um tratamento minimamente digno?”
O presidente Lula informou que praticamente todos os presídios do País são de responsabilidade dos estados e que, mesmo assim, o governo federal financia e apoia a modernização dessas unidades por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Entre 2003 e 2009, o Depen repassou R$ 1,2 bilhão para serem aplicados em construção, reforma e ampliação de estabelecimentos penais nos estados, com objetivo de acabar com a superlotação das unidades.
O Departamento também financia equipamentos de segurança, ações relacionadas a penas e medidas alternativas e reintegração social. A União é responsável direta apenas pelas penitenciárias de segurança máxima, localizadas em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN). A finalidade dessas unidades é afastar dos presídios estaduais os principais líderes de facções que comandavam rebeliões dentro dos presídios e que continuavam articulando a prática de ações criminosas dentro e fora dos presídios. Essas transferências contribuem também para reduzir os problemas e para desafogar os presídios estaduais. A construção da quinta Penitenciária Federal, em Brasília, será iniciada no próximo ano.
A leitora Neuma Café, diretora do Hemopi em Teresina (PI), pergunta quando o seu estado terá um banco de sangue de cordão umbilical e placentário para facilitar a localização de doadores de medula óssea, ao que o presidente responde que para atender a toda a população, não é preciso implantar tais unidades em todas as cidades do País, “nem mesmo em todas as capitais”.
No Nordeste, já existem duas unidades em funcionamento, em Recife e Fortaleza, e mais duas planejadas, para São Luís e Salvador. As quatro unidades são suficientes para atender toda a Região, incluindo o Piauí. A escolha dessas cidades se deu por terem as populações mais miscigenadas, o que permite obter características genéticas mais variadas. Temos também incentivado o aumento de doadores de medula óssea. Resultado: em 2000, apenas 10% dos transplantes eram realizados com doadores nacionais, e hoje, esse índice subiu para 64%. No mesmo período, o número de inscritos como doadores de medula óssea saltou de 12 mil para 1,8 milhão. Em junho, com a inauguração de uma unidade em Belém (PA), todas as regiões do Brasil passaram a contar com esses bancos, que formam a Rede de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical (Rede BrasilCord), criada em 2004.
Já a leitora Nilza Rocha, dona de casa de Viana (ES), diz que é casada há 41 anos, tem cinco filhos e nunca trabalhou fora de casa – e por conta disso, nunca pagou INSS. “Gostaria de saber se não existe a possibilidade de remuneração para pessoas na minha situação, até para a compra de remédios”, perguntou ela. Em sua resposta, Lula afirmou que a regulamentação da Emenda Constitucional nº 47, de 2006, “já proporciona os benefícios previdenciários a donas de casa de baixa renda, atráves de contribuiçòes de 11% do salário minimo”.
As donas de casa adquirem o direito a salário-maternidade depois de dez meses de contribuição, direito a auxílio-doença e aposentadoria por invalidez depois de doze meses, e direito à aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo, depois de 180 contribuições. Entretanto, mesmo quem nunca contribuiu pode ter direito ao Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC-LOAS). Este benefício, que é de um salário mínimo mensal, é para quem tenha mais de 65 anos de idade e para pessoas com deficiência. Os idosos precisam comprovar que não recebem nenhum benefício previdenciário, ou de outro regime de previdência, e que a renda mensal familiar por pessoa é inferior a ¼ do salário mínimo.
A Mitsubishi não tem previsão para produzir ou vender o seu carro elétrico MiEV no Brasil, mas não será por falta de energia, afirmou o presidente Lula ao ser apresentado ao veículo no Palácio do Planalto, lembrando que ontem mesmo inaugurou uma hidrelétrica em Catalão (GO), cidade onde a empresa tem sua fábrica no País. “O Brasil é quase invencível nessa disputa”, disse. O MiEV vem sendo produzido no Japão e três mil unidades do modelo foram exportadas para a França em setembro. A partir do ano que vem será comercializado nos Estados Unidos. O MiEV estará em exposição, na próxima semana, no Salão Internacional do Automóvel, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.
O presidente da Mitsubishi no Brasil, Eduardo Souza Ramos, informou a Lula que o grupo investirá R$ 1,1 bilhão, nos próximos cinco anos, para ampliar e modernizar a fábrica no município de Catalão (GO). Lula gostou do carro -- “é muito silencioso” -- mas preferiu não dirigir, porque estava sem a carteira de habilitação, brincou.
“É muito bom. É muito silecioso”, disse o presidente Lula ao batalhão de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas. Ele afirmou não assimiu a direção do carro porque estava sem a carteira de habilitação.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que acompanhou a visita dos executivos da montadora ao presidente Lula, enfatizou a importância do volume de recursos a serem investidos no Brasil, bem como a geração de novos postos de trabalho. Serão oferecidos mais 1,2 mil novos empregos. A área da fábrica será ampliada em um terço. A produção passará de 50 mil unidades para 100 mil carros por ano.
Durante o evento, o presidente Lula conversou com jornalistas, lembrando que o País vive um de seus melhores momentos e que por isso agradece à montadora japonesa por investir ainda mais. “A Mitshubishi está de parabéns. Agradecemos os investimentos que geram mais salários e renda e mais consumidores”, disse ele.
Em diversos momentos, Lula mostrou confiança nas políticas adotadas pelo governo que permitiram, por exemplo, o enfrentamento da crise econômica. Segundo ele, os ministros têm total liberdade de propor quaisquer medidas que façam frente às demandas atuais no mercado interno. Um exemplo, disse, é a valorização do real frente ao dólar. O presidente entende que a queda da moeda norte-americana ocorre em diversos mercados.
“Vamos discutir isso na reunião do G-20″, afirmou.
O desenvolvimento do setor energético – com a construção de usinas hidrelétricas e linhas de transmissão –, a rodovia Norte-Sul e grandes investimentos na área de habitação, saneamento básico, saúde e projetos públicos de irrigação farão do estado de Goiás um grande entroncamento logístico, com imensas vantagens competitivas no mercado interno e no comércio exterior. Foi o que garantiu o presidente Lula nesta terça-feira (19/10), em Catalão (GO), em cerimônia de inauguração simultânea de seis usinas hidrelétricas.
Não é todo dia que temos a feliz oportunidade de inaugurar empreendimentos do porte destas seis usinas hidrelétricas. Afinal, estamos falando de obras do PAC que receberam, juntas, investimentos de R$ 2,9 bilhões e que vão suprir a demanda de energia de mais de um milhão de pessoas. Essas obras estão sendo inauguradas em um momento em que o Brasil voltou a investir pesadamente em geração e transmissão de energia elétrica. Com isso, Goiás se tornará um grande entroncamento logístico.
O presidente afirmou que após um profundo levantamento do potencial hidrelétrico, o Brasil modernizou o marco regulatório para o setor e devolveu ao Estado a capacidade de planejar a longo prazo, além de criar uma grande carteira de projetos na área de energia. Os investimentos estatais e privados em geração e transmissão de energia elétrica em todo o País chegaram, afirmou Lula, a R$ 48,6 bilhões entre 2007 e 2010.
A segunda etapa do PAC prevê investimentos totais de R$ 136,6 bilhões. Apenas em usinas hidrelétricas serão investidos R$ 116 bilhões de reais, na construção de dez usinas de modelo plataforma e mais 44 hidrelétricas convencionais – 12 delas no estado de Goiás.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Na área de transmissão, segundo Lula, estão previstos investimentos totais de R$ 37,4 bilhões, com a construção de mais de 36 mil quilômetros de redes para grandes interligações, linhas e reforços regionais. O PAC 2 também prevê novidades no quesito preservação ambiental, como a instalação de aquecimento solar para o banho em residências.
As seis usinas hidrelétricas inauguradas em Goiás são: Serra do Facão (Catalão e Davinópolis), Barra dos Coqueiros (Cachoeira Alta e Caçu), Caçu (Cachoeira Alta e Caçu), Salto do Rio Verdinho (Itarumã e Caçu), Foz do Rio Claro (São Simão e Caçu), e Salto (Itarumã e Caçu). As novas usinas terão, ao todo, 645 MW de potência instalada e 445,6 MW médios de energia assegurada ao sistema elétrico.
O Brasil mudou nos últimos anos porque há no País uma nova forma de governar, ouvindo a sociedade e prestando contas. Segundo afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (21/9) durante a inauguração do trecho Colinas do Tocantins-Palmas, da ferrovia Norte-Sul, e dos pátios multimodais de Palmas/Porto Nacional e Guaraí/Tupirama, o povo aprendeu seu papel de cobrar e participar das decisões. Já o governo pretende registrar em cartório tudo que foi feito como uma maneira de prestar contas:
Quando eu terminar o governo a gente vai poder fazer planos. Eu já pedi uma novidade que nós vamos criar no país: cada ministro vai ter que fazer uma prestação de contas, registrada em cartório, para que todo mundo que quiser saber o que foi feito de 2003 a 2010 tenha acesso ao que aconteceu e cada canto deste país. Porque a sociedade está mais sabida, mais esperta e vai cobrar mais.
Para Lula, não há possibilidade do País retornar ao passado, para o tempo das obras inacabadas e paralisadas, da falta de projetos. O povo, comemorou, “não é mais massa de manobra como era o povo de 30 anos atrás”:
Já não podem colocar alguém para mentir achando que o povo vai acreditar É preciso perceber que o povo está sabendo que quando escrevem uma coisa errada é mentira, que quando falam coisas erradas é mentira. Não tem mais aquele negócio de que deu na televisão é verdade – acabou. É verdade quando é verdade, mas o povo sabe quando é mentira.
Ouça a íntegra do discurso do presidente:
O presidente fez questão de falar sobre liberdade de imprensa, lembrando que sempre foi um de seus maiores defensores, por acreditar ser esta uma questão sagrada para a fortalecer a democracia. Mas ressaltou, porém, que a liberdade de imprensa significa “informar corretamente a opinião pública para fazer críticas políticas, e não liberdade para inventar coisas o dia inteiro”.
O trecho da ferrovia Norte-Sul, que liga os pátios multimodais de Colinas do Tocantins e de Palmas/Porto Nacional, tem extensão de 256 quilômetros e contou com investimentos de R$ 1,1 bilhão. Além do trecho concluído, o presidente entregou os pátios multimodais de Palmas/Porto Nacional e o de Guaraí/Tupirama para exploração comercial.
A ferrovia Norte-Sul foi projetada para promover a integração nacional, minimizando os custos de transporte de longa distância e interligando as regiões Norte e Nordeste às Sul e Sudeste. A integração ferroviária das regiões brasileiras contribuirá para a uniformização do crescimento autossustentável no país, na medida em que possibilitará a ocupação econômica e social do cerrado brasileiro e fortalecerá a infraestrutura de transporte necessária ao escoamento da produção agropecuária e agroindustrial.
Em cerimônia improvisada realizada na divisa de Goiás e Tocantins, o presidente Lula anunciou, de cima de uma cadeira – para que ele e o público pudessem “se ver e se conhecer” – que a ferrovia Norte-Sul chegará até Belém (PA) e que na próxima semana serão lançadas as obras da ferrovia Oeste-Leste, em um projeto que visa interligar todo o país por meio do sistema ferroviário.
Para mim é quase a realização de um sonho a gente ver uma ferrovia da magnitude da Norte-Sul prestes a acabar o seu primeiro trecho histórico. Essa obra foi lançada em 1987 e, em 17 anos, andou apenas 215 km. Quando eu assumi a Presidência, eu disse que era necessário a gente retomar as ferrovias existentes, tentar arrumar aquelas que foram privatizadas e que não estavam em uso e, ao mesmo tempo, tentar fazer um traçado para fazer novas ferrovias no Brasil.
Segundo Lula, a partir de 20 de dezembro, a Norte-Sul dará forma ao que ele chama de “espinha de peixe”, uma malha ferroviária que atravessa todo o País, com várias ferrovias ligando a Norte-Sul a outros estados. “Significa quase 6 mil quilômetros de ferrovia que nós pretendemos até 2012, 2013 terminar no Brasil”, afirmou.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Presidente Lula durante visita à fábrica de dormentes da Triunfo Iesa Infraestrutura S/A (TIISA) (Ferrovia Norte-Sul/TO) Foto: Ricardo Stuckert/PR
Para Lula, o investimento em ferrovias vai baratear o custo da produção nacional, vai beneficiar os empresário e vai “significar desenvolvimento, mais empregos, mais salário e mais poder de compra e a melhoria da qualidade de vida da população”.
Antes da cerimônia, o presidente fez um passeio de trem de Talismã (TO) até Goiás, onde participou da inserção dos trilhos de ligação da divisa entre os dois estados, ligados pela ferrovia Norte-Sul.
Presidente Lula quer incentivos para a retomada do mercado cinematográfico brasileiro. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Os empresários brasileiros de entretenimento foram incentivados nesta quarta-feira (23/6) pelo presidente Lula a investir na construção de novas salas de cinema para ajudar no processo de desconcentração dessas salas nas periferias das cidades ou fora dos grandes centros urbanos, durante lançamento do projeto “Cinema perto de você”, do Ministério da Cultura e da Agência Nacional de Cinema (Ancine). A cerimônia ocorreu no município de Luziânia (GO), distante 70 quilômetros de Brasília porque, segundo Lula, a cidade tem o perfil exato daquilo que o governo federal pretende alcançar com o programa. Na cerimônia, o presidente assinou uma Medida Provisória (MP) que assegura incentivos para a expansão dos cinemas país afora.
“É preciso fazer um mapeamento para identificar as causas que levaram a este problema sem ar de lamentação.”
Lula explicou ser necessário que o poder público sinalize aos investidores a importância de oferecer mais salas de projeções sem a cobrança de ISS e ICMS, e que os cinemas possam ser um ponto de atração para o público, motivando o cidadão a deixar sua casa, enfrentar o transporte e pagar pelo ingresso para assistir ao filme.
Lula contou que o filme “Cinema Paradiso” espelhou um pouco sua história. Nos anos 60, assistia fitas projetadas nas paredes de pequenos comércios e o áudio tinha pouca qualidade. “Quando assisti ao filme Cinema Paradiso, eu chorei. A história daquele menino era um pouco a minha história”, explicou.
Naquela época, conforme contou, ia ao cinema de terno e gravata que era emprestado pelo amigo Cláudio. Lula tratava o amigo com carinho, pois acreditava que se ele ficasse zangado pegaria a roupa de volta.
O presidente acredita que a televisão foi outro fator que tirou o público das salas de projeções. Para o cidadão, o conforto da casa com um aparelho de televisão à frente assistindo novela ou outro programa é incentivo para não ir ao cinema. E, conforme assinalou, o controle remoto diminuiu ainda mais as chances de uma pessoa assistir filmes nos telões. Porém, Lula aposta na inversão dessa situação – para isso confia na na aprovação ainda este ano da MP a ser encaminhada ao Congresso Nacional.
Todo mundo quer se divertir no carnaval mas também quer voltar para casa são e salvo na Quarta-Feira de Cinzas. Por isso é preciso ter muita responsabilidade durante os festejos, principalmente quando estiver na estrada. O recado foi dado pelo presidente Lula na edição desta semana de seu programa de rádio Café com o Presidente, em que falou também sobre a visita que fez a Goiânia, onde inaugurou uma barragem, uma escola municipal e casas populares.
Para ouvir a íntegra do áudio do programa, clique aqui:
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