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Nem os países do norte são tão grandes quando imaginavam, nem os países do sul são tão pequenos. O mapa mundi está mais igual e o Brasil vem conquistando cada vez mais espaço nas decisões globais. Isso cria ciumes em muita gente, mas para os novos diplomatas brasileiros, formandos da turma 2007/2009 do Instituto Rio Branco, deve gerar é muito orgulho, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (20/4) durante cerimônia realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.

O Brasil, afirmou Lula, não é mais coadjuvante nas decisões globais, o País cresceu e ganhou importância no cenário internacional, o que pode ser comprovado pela atuação brasileira em grandes eventos como as reuniões do G8, G20 e COP 15, entre outras. O presidente brasileiro fez questão de elogiar muito o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), “o melhor diplomata em ação que conheço”.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:

Lula reafirmou a importância da diversificação da relação do Brasil com outros países e disse que se o País é mais respeitado hoje é porque “está colocando o pé em espaços que outrora não colocava” e porque tem políticas importantes. Aconselhou aos formandos do Itamaraty que mantenham em alta não só a excelência da diplomacia brasileira mais também a sua autoestima perante os negociadores dos países europeus e americanos. “Eles podem ser mais ricos do que a gente, mas a nossa terra é tão importante quanto a deles.”

Para ilustrar o novo comportamento do Brasil no exterior, o presidente Lula contou algumas histórias aos novos diplomatas, como as da reunião do G8 realizada em Evian, na Suíça, em 2003, quando acabara de assumir o cargo no Brasil, e da reunião da ONU em Copenhague (COP 15), em dezembro de 2009, mostrando que o Brasil não precisa e não pode mais baixar a cabeça -- e justamente por adotar essa nova postura, vem sendo mais respeitado no mundo. Lula falou também das críticas que o País sofreu por preferir negociar com seus vizinhos em questões delicadas, como o gás natural da Bolívia ou o pagamento ao Paraguai pela energia de Itaipu, do que impor decisões à força.

“O Brasil precisa ser mais generoso, que estende a mão, que ajuda”, disse Lula. “Temos que tratar melhor os nossos vizinhos. O nosso crescimento tem que servir para eles crescerem também.”


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Países da América do Sul e da África foram vítimas da falta de regulação do sistema financeiro e da especulação dos países ricos, justamente no momento em que vivam um “momento de ouro” de crescimento, afirmou o presidente Lula em entrevista exclusiva concedida à BBC.

Lula afirmou ainda que a crise econômica foi uma lição para todo mundo de que o Estado tem um papel importante no equilíbrio das relações econômicas.

O sistema financeiro não pode deixar de ter uma regulação. O Estado não pode deixar de ter uma papel importante de indutor e regulador da economia dos países. Aquela tese do Consenso de Washington de que o Estado tem de ser mínimo, de que o Estado não pode nada, de que o Estado atrapalha, e que o mercado podia tudo, acabou, Acabou porque quando o sistema financeiro quebrou, quem era o “paizão” que tinha de ajudar? Era o Estado.

Confira no vídeo abaixo:

O presidente também comentou o papel do G-20 na busca por soluções para a crise econômica. Segundo ele, após as discussões, o grupo passa a ser um fórum importante e mais reuniões são necessárias para dar mais dinamismo ao G-20:

Estou convencido de que nós precisamos mudar a arquitetura mundial. É preciso que o G-20 tenha uma maior densidade de funcionamento. (…) Temos de discutir não só a crise, mas temos de discutir desenvolvimento.

Lula contou ainda que o momento em que os impactos da crise no Brasil se tornaram mais preocupantes foi quando a Petrobrás, uma empresa com patrimônio de R$ 220 bilhões, entrou com pedido de empréstimo na Caixa Econômica Federal, já que não conseguia crédito fora.


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