Em mensagem deixada para os brasileiros antes do Natal, no programa de rádio Café com o Presidente desta segunda-feira (20/12), o presidente Lula pediu que cuidem da família e aproveitem o final do ano com responsabilidade nas compras, “para não atropelar a esperança e o futuro de todos nós” e agradeceu o carinho que todos tiveram com ele nos últimos anos. No programa, o presidente também falou da queda na taxa de desemprego do País e da Cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu (PR), semana passada.
“Que as pessoas aproveitem e comprem o que quiserem comprar, mas com muita responsabilidade para não se endividarem, porque o mês de janeiro é sempre muito pesado. Então, é importante que a gente não perca o senso de responsabilidade nas nossas compras. Comprar, fazer a dívida necessária, mas sabendo que a gente precisa ter um 2011 tranquilo. Portanto, não vamos passar 2011 apenas pagando o que a gente gastou em 2010. Vamos gastar o suficiente para não atropelar a esperança e o futuro de todos nós. Dizer a vocês muito obrigado pelo carinho, muito obrigado por tudo que vocês fizeram por mim, pela compreensão, e que Deus permita que vocês, no dia 25… à meia-noite do dia 24 ou no dia 25, que vocês estejam realmente de bem com a vida, de bem com a família.”
Ouça aqui a íntegra do programa:
Para ler a transcrição da entrevista, clique aqui.
Sobre os números do emprego no Brasil, o presidente Lula lembrou que como dirigente sindical, brigou durante muito tempo contra o desemprego e que, por isso, estava especialmente feliz com os dados divulgados pelo IBGE, que apontam um padrão de pleno emprego no País. O índice de 5,7% na taxa de desemprego -- em algumas capitais, como Porto Alegre, chega a 3,7% -- “significa que nós estamos nos padrões de pleno emprego, que era considerado para os países europeus e para os Estados Unidos. Isso é uma coisa extraordinária”.
“Vamos terminar o ano com, praticamente, com 2,6 milhões de empregos novos criados em apenas 11 meses, o que é um dado inusitado, extraordinário para o povo brasileiro. E isso tende a continuar crescendo, porque como o governo já planejou o PAC 2, já planejou o Minha Casa Minha Vida nº 2, já planejou todos os investimentos da Petrobras, já planejou os estaleiros, já planejou os navios, as estradas estão contratadas, as refinarias estão contratadas, eu penso que daqui para a frente deverá continuar aumentando a oferta de emprego no Brasil, e eu penso que, por isso, os números irão diminuir ainda mais com relação ao desemprego. Eu estou feliz porque eu estou terminando o mandato, a companheira Dilma está assumindo, é continuar trabalhando com seriedade.”
Já a reunião plenária da 40ª Cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR), foi muito importante porque mostrou o sucesso do bloco econômico, em que há hoje “convergência em 99% das relações entre os países”. Hoje o Mercosul é uma “realidade plena”, afirmou Lula.
“Só para você ter ideia, o fluxo de comércio entre nós, em 2008, chegou a quase US$ 86 bilhões, saindo de um patamar de US$ 10 bilhões em 2002, numa demonstração de que nós encontramos o caminho de desenvolver os países do Mercosul, de mostrar que é correto a gente acreditar no potencial de relação comercial, relação política, relação cultural entre nós, e há uma afinidade plena. Quando eu assumi a Presidência, eu lembro que os países menores achavam que o Mercosul não valia nada, que não valia a pena, que era preciso procurar outro espaço para comercializar, e hoje está todo mundo convencido de que o Mercosul é o nosso espaço. É a partir do Mercosul que nós temos que fortalecer o nosso acordo com a União Europeia, é a partir do Mercosul que nós temos que fortalecer o acordo com os Estados Unidos, é a partir do Mercosul que nós temos que concluir a Rodada de Doha, brigando fortemente na OMC, e eu tenho certeza que a Dilma vai brigar muito. E é isso que conta. O Mercosul vai bem, muito obrigado!”
A divergência entre os países que integram o Mercosul é a própria razão de existir do bloco econômico, que analisa conjuntamente o interesse soberano apresentado por cada país e faz concessões aqui e ali, “para que a gente possa construir um consenso comum de interesse coletivo de todos os países”, afirmou o presidente Lula em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17/12) após sessão plenária da 40ª Cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR). Sempre haverá um país com interesses diferentes do outro, disse Lula ao responder pergunta da repórter Tânia Monteiro, do jornal O Estado de S. Paulo sobre a intenção da Argentina em sobretaxar alguns produtos brasileiros.
“O Mercosul não é um convento. Isso aqui não é um encontro de freiras. Isso aqui é um encontro de chefes de Estado, de países soberanos, que sempre vão ter divergências. Sempre haverá um país com interesses diferentes do outro, tentando não prejudicar o outro, mas defender a sua soberania, os seus interesses de desenvolvimento, os seus interesses de se industrializar, os seus interesses de ter acesso a ciência e tecnologia. Sempre vai haver.”
Lula reafirmou que a relação entre os países do Mercosul é bem sucedida e certamente melhor do que a dos Estados Unidos com a China ou da Alemanha com a França. “Aqui no Mercosul somos muito mais unidos e muito mais compreensivos e temos muito mais necessidades. A divergência faz parte do processo democrático do Mercosul”, disse o presidente brasileiro, que participou da coletiva ao lado do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que assumiu hoje a presidência Pro-Tempore do Mercosul.
O presidente Lula pediu desculpas aos presentes pela pressa, porque tinha que voltar logo a Brasília (DF) para participar da cerimônia de diplomação da presidente eleita Dilma Rousseff. Ele ainda respondeu outra pergunta, sobre a indicação de seu nome para a direção da ONU, feita pelo presidente Evo Morales, da Bolíva. Lula agradeceu a lembrança e disse que só poderia ver a indicação “como um gesto de cortesia”, reafirmando sua posição contra a ideia:
“Eu só posso compreender a indicação como um gesto de cortesia do meu companheiro Evo Morales (Bolívia). Essa coisa a gente não reivindica, não pede, a gente não articula. Eu acho que a ONU precisa ser dirigida por algum técnico competente da ONU, não pode ter um político forte na ONU porque ele não pode ser maior que os presidentes dos países, e eu fico meio preocupado porque se virar moda presidente de país presidir a ONU, daqui a pouco os Estados Unidos está disputando além do Conselho de Segurança também o controle da ONU, e aí tudo ficará mais difícil.”
A divergência entre os países que integram o Mercosul é a própria razão de existir do bloco econômico, que analisa conjuntamente o interesse soberano apresentado por cada país e faz concessões aqui e ali, “para que a gente possa construir um consenso comum de interesse coletivo de todos os países”, afirmou o presidente Lula em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17/12) após sessão plenária da 40ª Cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR). Sempre haverá um país com interesses diferentes do outro, disse Lula ao responder pergunta da repórter Tânia Monteiro, do jornal O Estado de S. Paulo sobre a intenção da Argentina em sobretaxar alguns produtos brasileiros.
“O Mercosul não é um convento. Isso aqui não é um encontro de freiras. Isso aqui é um encontro de chefes de Estado, de países soberanos, que sempre vão ter divergências. Sempre haverá um país com interesses diferentes do outro, tentando não prejudicar o outro, mas defender a sua soberania, os seus interesses de desenvolvimento, os seus interesses de se industrializar, os seus interesses de ter acesso a ciência e tecnologia. Sempre vai haver.”
Lula reafirmou que a relação entre os países do Mercosul é bem sucedida e certamente melhor do que a dos Estados Unidos com a China ou da Alemanha com a França. “Aqui no Mercosul somos muito mais unidos e muito mais compreensivos e temos muito mais necessidades. A divergência faz parte do processo democrático do Mercosul”, disse o presidente brasileiro, que participou da coletiva ao lado do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que assumiu hoje a presidência Pro-Tempore do Mercosul.
O presidente Lula pediu desculpas aos presentes pela pressa, porque tinha que voltar logo a Brasília (DF) para participar da cerimônia de diplomação da presidente eleita Dilma Rousseff. Ele ainda respondeu outra pergunta, sobre a indicação de seu nome para a direção da ONU, feita pelo presidente Evo Morales, da Bolíva. Lula agradeceu a lembrança e disse que só poderia ver a indicação “como um gesto de cortesia”, reafirmando sua posição contra a ideia:
“Eu só posso compreender a indicação como um gesto de cortesia do meu companheiro Evo Morales (Bolívia). Essa coisa a gente não reivindica, não pede, a gente não articula. Eu acho que a ONU precisa ser dirigida por algum técnico competente da ONU, não pode ter um político forte na ONU porque ele não pode ser maior que os presidentes dos países, e eu fico meio preocupado porque se virar moda presidente de país presidir a ONU, daqui a pouco os Estados Unidos está disputando além do Conselho de Segurança também o controle da ONU, e aí tudo ficará mais difícil.”
Mais do que apenas promover trocas comerciais, os países que integram o Mercosul compartilham de um valor maior, que é o desenvolvimento com justiça social. “Essa é a marca do Mercosul que estamos construindo”, afirmou o presidente Lula nesta sexta-feira (17/12) em declaração na sessão plenária da 40ª Cúpula do bloco econômico, em Foz do Iguaçu (PR). “E temos muito do que nos orgulhar.”
Em 20 anos de Mercosul, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai conseguiram desenvolver um histórico processo de integração política, econômica e social na América do Sul, disse o presidente brasileiro, destacando que as conquistas foram obtidas em ambiente de paz e cooperação. Como resultado, os países do bloco vivem um momento extraordinário de dinamismo econômico e social. Enquanto os países do Mercosul apresentam consistente crescimento de suas economias, bem acima da média mundial, países desenvolvidos enfrentam a estagnação, desemprego e endividamento.
“Nosso modelo de integração sustenta um dos mais altos índices mundiais de crescimento do pós-crise. Enquanto as economias centrais se defrontam com problemas de estagnação e altas taxas de endividamento e desemprego, de acordo com numeros da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o Paraguai deverá terminar o ano com o maior crescimento de toda a America Latina e Caribe -- 9,7%. Seguido do Uruguai (9%), Argentina (8,4%) o Brasil (estimado em 7,7%), deverá ser o quinto pais em crescimento aqui na America do Sul.”
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula em Foz do Iguaçu:
O presidente aproveitou a oportunidade para voltar a criticar a forma como os países desenvolvidos tem procurado enfrentar a crise, penalizando trabalhadores e premiando “a imprevidência de especuladores mal sucedidos”. Enquanto isso, argentinos, brasileiros, uruguaios e paraguaios reiteram sua determinação em consolidar o Mercosul, persistindo no caminho de sua convergência com outros processos na América Latina, Caribe e outras regiões -- a reunião de Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu atraiu altos representantes de países como Austrália, Nova Zelândia, Cuba, Palestina, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Marrocos, Egito, Índia, Coreia do Sul, Indonésia e Malásia.
“Nosso bloco tornou-se realidade inquestionável. O comércio no Mercosul cresceu oito vezes em 17 anos. Fomos uma das últimas regiões do planeta a sentir os efeitos da crise, e uma das primeiras a sair delas. Nossas políticas de crescimento com inclusão social e integração protegeram-nos dos efeitos mais adversos e prolongados da crise. Sempre insisti em defender o Mercosul dentro da política externa brasileira e tive a fortuna de encontrar muitos líderes com a mesma visão.”
Presidente Lula participa, juntamente com outros chefes de Estado e de Governo do Mercosul e de Países Associados, do encerramento da reunião da Cúpula Social do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Depois de tudo que foi conquistado no Mercosul, governos e sociedade civil não podem recuar, porque ainda falta muito para conquistar. Em seu discurso no encerramento da 10ª Cúpula Social do Mercosul, realizada nesta quinta-feira (16/12) em Foz do Iguaçu (PR), o presidente Lula conclamou os movimentos sociais a continuarem gritando, protestando e levantando suas bandeiras, para que os líderes da América do Sul jamais se esqueçam deles, e pediu para que mantenham sua cooperação com os governos sem perder autonomia. “Os movimentos sociais não podem ser correia de transmissão nem de governo nem de partido, mas dos interesses da sociedade civil que vocês tão bem representam”, afirmou Lula.
Após ler seu discurso institucional, em que elogiou a iniciativa brasileira de reunir presidentes sul-americanos e movimentos sociais – algo que, lembrou, é muito difícil de acontecer em outras cúpulas, como a do G20, por exemplo -, e reafirmou sua vontade de ver o Mercosul cada vez mais “democrático, cidadão e solidário”, o presidente brasileiro pediu licença aos convidados presentes para “dar umas duas palavrinhas” de improviso.
Ouça aqui a íntegra dos discursos (institucional e de improviso) do presidente Lula:
Destacou que muito já foi conquistado pelo bloco econômico, principalmente se não perdermos de vista as coisas como elas eram há oito, dez anos, em que havia muita dependência da região aos países europeus e aos Estados Unidos:
“Somente quando tivemos coragem de dizer que nós queríamos ser donos de nossas decisões, é que conseguimos vencer alguns obstáculos que pareciam intransponíveis.”
Lula lembrou a todos que muitos queriam ver o Mercosul “na lata do lixo”, dando preferência à Alca, que seria a salvação da América do Sul por ter uma potência econômica como os Estados Unidos como referência. Foram poucos que tiveram coragem de levantar a voz contra a Alca na época, apontou Lula, denunciando que o acordo não beneficiaria o conjunto dos países sul-americanos.
O presidente brasileiro exaltou a relação política estabelecida entre os países do Mercosul, faltando apenas que se criem mecanismos de decisões para arbitrar as controvérsias. “Mas avançamos de forma extraordinária”, afirmou. Os números não mentem: em meio à crise econômica mundial, a América do Sul demonstra dinamismo econômico e social, com alto crescimento de suas economias e grande geração de emprego e renda.
“Chegamos ao fim de 2010 com taxas de crescimento especialmente altas para os países membros do Mercosul, que deverão variar, segundo a CEPAL, de 7,7% para o Brasil, até 9,7 % para o Paraguai.
A América Latina e Caribe crescerá 6% em seu conjunto, bem acima da média mundial, que deverá rondar os 3,6%. Estima-se que esse bom desempenho seja mantido nos próximos anos. Ao mesmo tempo, alcançamos nível de maturidade política que nos tem permitido avançar na consolidação da democracia em nossas sociedades. À integração regional — com o Mercosul no centro desse processo — devemos, em grande medida, nossa maior autonomia econômica em relação aos grandes centros capitalistas. Ela nos tem protegido da crise. Mas o bom desempenho econômico estará sempre sujeito às oscilações da conjuntura internacional. Mesmo que seja a face mais visível da integração, não será, necessariamente, a mais duradoura.”
Todas as conquistas do Mercosul só foram possíveis, disse Lula, porque há um “clima de entendimento, de confiança e de verdadeira fraternidade entre nós”. A solidariedade e a justiça social são importantes para que a prosperidade e a liberdade politica promovam novos tempos na região.
“É com esses valores que estamos construindo um novo Mercosul, o Mercosul dos Povos.”
Os carros do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai terão chapa única. A decisão foi aprovada na 40ª Cúpula de Presidente dos Estados partes do Mercosul e Estados Associados, hoje (16/12), em Foz do Iguaçu (PR). O anúncio coube ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista coletiva que teve por objetivo divulgar os mais importantes resultados da conferência. A placa 001 será de um ônibus híbrido – que funciona com etanol e eletricidade – que será apresentado aos chefes de Governo e de Estado, além de autoridades dos governos, no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), após término da 10ª Cúpula Social do Mercosul.
Amorim informou que numa primeira etapa do processo, as placas dos carros que circulam nas cidades da tríplice fronteira – Foz do Iguaçu, Puerto Iguassu (Argentina) e Cidad de Leste (Paraguai) – terão as idenficações únicas. Depois, o processo será ampliado para a frota dos carros dos quatro países membros do Mercosul. Na avaliação do ministro brasileiro, trata-se de um avanço no que diz respeito à integração regional.
Durante a entrevista, o chanceler destacou a importância da aproximação dos povos destas nações por meio do programa de cidadania do Mercosul. A reunião de Foz do Iguaçu aprovou também de um alto representante para o bloco econômico. Porém, o ministro foi enfático ao descartar que tal decisão daria o posto ao presidente Lula. “Ele é muito maior que isso”, explicou Amorim deixando claro tratar-se de um conceito pessoal.
Outro ponto levantado pelos jornalistas foi a ausência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, à cúpula e se isso poderia ser um indicativo da contrariedade do venezuelano diante da demora do parlamento paraguaio em aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul. Amorim respondeu negativamente e atribuiu a ausência de Chávez à necessidade dele ter que permanecer em seu país vítima de enchentes.
A cúpula de Foz do Iguaçu abriu caminho para a retomada de parceria comercial com Cuba, fato considerado importante pelo chanceler, bem com produziu acordos quadros com Síria e Palestina que, no futuro serão acordos de livrre comércio e com os Emirados Árabes se retomou o acordo quadro com os Emirados Árabes.
“Estamos fazendo avanços importantes no Mercosul”, disse.
O chanceler destacou também outras três importantes decisões da 40ª Cúpula: conograma para eliminação da Tarifa Externa Comum (TEC); a aprofundamento dos acordos de serviços e o programa de cidadania do Mercosul. Segundo Amorim, as decisões tomadas ao longo desta quinta-feira vão ser submetidas aos presidentes das nações do bloco econômico, mas dificilmente haverá algo contrário. O ministro destacou a importância da consolidação do Mercosul como principal articulador regional com outros blocos mundiais.
A 40ª Cúpula de Presidentes dos Estados Partes do Mercosul e Estados Associados, que acontece em Foz do Iguaçu (PR), teve uma decisão importante na manhã desta quarta-feira (15/12). Durante reunião dos integrantes da comissão de negociadores do Sistema Geral de Preferências Comerciais (SGPC) foi fechado acordo de redução de tarifas de importação de 47 mil produtos.
A medida vale de imediato e implicará no maior fluxo de produtos dos países em desenvolvimento. O anúncio do acordo do Protocolo São Paulo – que reúne 22 países da América do Sul, Ásia e África – foi feito pelo representante permanente do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevedo, e pelo presidente do Comitê de Negociação, embaixador Alberto Dumont, representante da Argentina na OMC.
“O mais importante nesta decisão é que a redução de tarifa se dará na aduana. Nós, em Genebra, conseguimos tirar todas as dúvidas que ainda existiam sobre a questão. No entanto, ainda não temos o cálculo preciso daquilo que representará o acordo explicou o embaixador brasileiro ao Blog do Planalto.
De acordo com o embaixador Azevedo, 11 países já concordaram com o protocolo. A outra parcela irá definir mais adiante. Pelo acordo, por exemplo, entram na lista até 70% dos produtos de cada país. Os 30% permanecem com o sistema de tarifa em vigor de acordo com definições de cada país. No caso do Brasil, por exemplo, foram excluídos produtos agrícolas, texteis, eletroeletrônicos, automóveis e bens de capital.
O objetivo principal, segundo autoridades envolvidas na negociação, é abrir novas oportunidades de comércio para os produtos deste bloco. O negociador brasileiro na OMC disse que na noite deste quarta-feira (15/12), durante reunião ministerial do (SGPC), será oficializado o acordo. Azevedo explicou que dentro dos próximos 24 meses os países poderão rever a lista, incluíndo novos produtos. “Essas margens de preferência entram em vigor de imediato. Depois haverá um processo de revisão que pode levar ao aprofundamento da lista. O mais importante é que essa foi uma rodada viabilizadora”, comemorou.
O embaixador da Argentina mostrou-se satisfeito com o resultado do acordo. Segundo Alberto Dumont, a iniciativa permite abrir novos nichos de mercado. Azevedo e Dumont deram ênfase ao fato de que caberá a cada signatário do acordo definir os produtos. A ampliação da lista de produtos vem sendo ajustada desde 1988. Naquela época, era considerado apenas um marco político, fato que chegou anos depois a um sistema de preferência 651 produtos. Porém, com a rodada São Paulo este universo atingiu 47 mil produtos.
Os 20 anos do bloco econômico Mercosul e Estados Associados serão debatidos durante a X Cúpula Social que começa nesta terça-feira (14/12), no interior da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR). A cidade situada na fronteira com Argentina e Paraguai se preaparou para receber cerca de 700 integrantes de movimentos sociais que participarão do fórum. O presidente Lula e outros chefes de estado e governo da América do Sul também participarão do evento.
A X Cúpula é promovida pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com redes e plataformas sociais sul-americanas e a Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila). Além das plenárias dos movimentos sociais, serão realizados o Seminário “20 Anos do Mercosul”, a Mesa Redonda “Universidade e Integração”, o lançamento do programa Amizade Sem Fronteiras: A Turma da Mônica no Mercosul, e o lançamento de uma edição especial, em espanhol, do livro “Formação Econômica do Brasil”, do economista Celso Furtado.
De acordo com a agenda divulgada pela organização do evento, estão confirmadas as presenças de intelectuais, políticos e líderes sociais de destaque na América do Sul, como Marilena Chauí (Universidade de São Paulo); Aldo Ferrer (Universidade de Buenos Aires); Marcos Costa Lima, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs); Jorge Brovetto, ex-ministro da Educação do Uruguai; José Graziano, representante da América Latina junto à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); e Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
A participação do presidente Lula acontecerá no encerramento do congresso, quinta-feira (16), às 19 horas, no antigo Cine Barrageiro, situado no Parque Tecnológico Itaipu. Participam também outros chefes de Estado da região.
As Cúpulas Sociais tiveram início na presidência pro tempore brasileira do Mercosul, em 2006. Desde então, nove edições foram realizadas nos Estados-Partes e, em virtude de sua crescente representatividade, as Cúpulas Sociais foram reconhecidas como evento oficial do Mercosul. Elas constituem um espaço institucional de participação da sociedade civil e ocorrem duas vezes ao ano, sempre durante as reuniões presidenciais do Bloco.
Quando são realizadas no Brasil, as Cúpulas Sociais têm o apoio da Secretaria-Geral da Presidência da República e do Ministério das Relações Exteriores. As organizações sociais que integram o Conselho Brasileiro do Mercosul Social e Participativo são responsáveis pelo programa e pela indicação das organizações sociais convidadas. Participam da X Cúpula Social do Mercosul redes e plataformas regionais de organizações sociais representativas do movimento sindical, trabalhadores rurais, juventude, mulheres, imigrantes, educação e academia, entre outros.
Mais do que cumprir seu papel acadêmico, o que se espera da nova Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) é que ela seja uma caixa de ressonância dos anseios dos povos da América Latina, sendo ouvida e respeitada como um centro avançado de referência da inteligência dos países da região, afirmou o presidente Lula durante a aula inaugural que deu na instituição, em Foz do Iguaçu (PR). Citando o economista Celso Furtado, Lula disse aos alunos da primeira turma da Unila que a integração regional tem que criar novas estruturas para funcionarem como alavancas de uma nova lógica de desenvolvimento. “Esse é o espírito que deve orientar a Unila”, afirmou Lula. “Esse é o protagonismo estratégico que esperamos dela, como caixa de ressonância de um novo e auspicioso capítulo da unidade regional.”
Na primeira parte de sua fala, o presidente Lula leu um discurso em que falou da importância de se desenvolver a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, oferecendo crescimento econômico, empregos, educação, saúde, lazer e urbanismo, para garantir a segurança da região, porque toda fronteira é na verdade uma grande sala de visitas de um país para o outro. Não há segurança sem cidadania, frisou o presidente brasileiro.
“Quem acha possível haver segurança sem cidadania esquece que as fronteiras representam também o espaço onde começa um país. Ela forma de fato uma espécie de sala de visita da sociedade, a síntese daquilo que somos, daquilo que estamos construído, daquilo que queremos ser. (…) Para que as nossas fronteiras possam representar dignamente o país, com respeito a nossos vizinhos e a nós mesmos, estamos assinando hoje o decreto de criação da Comissão Permanente de Desenvolvimento e Integração da Faixa da Fronteira.”
Reafirmou o compromisso brasileiro em promover a integração latino-americana em que todos os países tenham chances iguais de se desenvolver e em que a solidariedade fale mais alto do que as duras normas do comércio exterior. “Uma integração efetiva não se faz apenas com trocas comerciais”, observou.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
A segunda parte de sua apresentação foi dedicada às lembranças de sua trajetória política, os movimentos latino-americanos de esquerda e o longo caminho que percorreram até chegarem ao poder em diversos países da região. O presidente falou, por exemplo, sobre sua desilusão com a política após ter ficado em terceiro lugar nas eleições para governador de São Paulo, em 1982, e lembrou que foi o então presidente de Cuba, Fidel Castro, que o reanimou em 1985, ao perguntar: “Você conhece, na história da humanidade, algum operário que tenha recebido 1 milhão e 250 mil votos?”
O Brasil vai erradicar a desigualdade de gênero com troca de experiências e o incessante debate de alternativas, mudando assim a consciência e a prática desse equívoco, tanto nos governos como em toda a sociedade, afirmou o presidente Lula nesta quarta-feira (1/9) em discurso na abertura da Conferência “Gênero, Desenvolvimento e Poder”, realizado em Foz do Iguaçu (PR).
As conquistas das mulheres brasileiras até hoje representam um grande avanço para toda a sociedade, lembrou o presidente, mas ainda há muito caminho para ser trilhado. Uma lei não resolve tudo, mas “começa a resolver” – o que resolve, disse Lula é “o processo de maturidade de evolução política da consciência da sociedade”.
Lula afirmou estar honrado por ver tantas organizações reunidas em torno do programa Pro-Equidade de Gênero, da Secretaria de Políticas para as Mulheres – 72 empresas públicas e privadas, além de instituições governamentais, que juntas empregam quase 140 mil mulheres em todo o País. A partir desse programa, as mulheres estão mostrando, afirmou o presidente, que é possível fortalecer a igualdade de gênero, e estão sendo um grande exemplo para todo mundo:
Não é justo portanto que a mulher continue ganhando menos que o homem, realizando o mesmo trabalho tão bem ou melhor do que ele. Ou que continue a encontrar no dia a dia das empresas entraves muitas vezes injustificaveis à ascenção profissional.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
O presidente lembrou aos presentes que todas as conquistas das mulheres são possíveis graças ao novo momento da democracia brasileira, em que existe uma nova relação entre o Estado e a sociedade – no caso da igualdade de gênero, essa relação começou a ficar mais evidente com a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, em 2003, uma antiga reivindicação dos movimentos sociais, “que encontraram espaços inéditos de participação na elaboração e no acompanhamento das políticas para o setor”.
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