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Mais do que cumprir seu papel acadêmico, o que se espera da nova Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) é que ela seja uma caixa de ressonância dos anseios dos povos da América Latina, sendo ouvida e respeitada como um centro avançado de referência da inteligência dos países da região, afirmou o presidente Lula durante a aula inaugural que deu na instituição, em Foz do Iguaçu (PR). Citando o economista Celso Furtado, Lula disse aos alunos da primeira turma da Unila que a integração regional tem que criar novas estruturas para funcionarem como alavancas de uma nova lógica de desenvolvimento. “Esse é o espírito que deve orientar a Unila”, afirmou Lula. “Esse é o protagonismo estratégico que esperamos dela, como caixa de ressonância de um novo e auspicioso capítulo da unidade regional.”

Na primeira parte de sua fala, o presidente Lula leu um discurso em que falou da importância de se desenvolver a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, oferecendo crescimento econômico, empregos, educação, saúde, lazer e urbanismo, para garantir a segurança da região, porque toda fronteira é na verdade uma grande sala de visitas de um país para o outro. Não há segurança sem cidadania, frisou o presidente brasileiro.

“Quem acha possível haver segurança sem cidadania esquece que as fronteiras representam também o espaço onde começa um país. Ela forma de fato uma espécie de sala de visita da sociedade, a síntese daquilo que somos, daquilo que estamos construído, daquilo que queremos ser. (…) Para que as nossas fronteiras possam representar dignamente o país, com respeito a nossos vizinhos e a nós mesmos, estamos assinando hoje o decreto de criação da Comissão Permanente de Desenvolvimento e Integração da Faixa da Fronteira.”

Reafirmou o compromisso brasileiro em promover a integração latino-americana em que todos os países tenham chances iguais de se desenvolver e em que a solidariedade fale mais alto do que as duras normas do comércio exterior. “Uma integração efetiva não se faz apenas com trocas comerciais”, observou.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:

A segunda parte de sua apresentação foi dedicada às lembranças de sua trajetória política, os movimentos latino-americanos de esquerda e o longo caminho que percorreram até chegarem ao poder em diversos países da região. O presidente falou, por exemplo, sobre sua desilusão com a política após ter ficado em terceiro lugar nas eleições para governador de São Paulo, em 1982, e lembrou que foi o então presidente de Cuba, Fidel Castro, que o reanimou em 1985, ao perguntar: “Você conhece, na história da humanidade, algum operário que tenha recebido 1 milhão e 250 mil votos?”

Veja o vídeo (que foi dividido em três partes):


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Presidentes Lula e Raúl Castro após cerimônia em Havana de assinatura de atos bilaterais entre Brasil e Cuba. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidentes Lula e Raúl Castro após cerimônia em Havana de assinatura de atos bilaterais entre Brasil e Cuba. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Viagens internacionaisIncentivar empresas brasileiras a investirem em Cuba e em outros países da América Latina é parte da política do governo de apoio à competitividade e arrojo da iniciativa privada nacional na região, afirmou o presidente Lula em entrevista coletiva realizada em Havana (Cuba) ontem (quarta-feira, 24/2) com jornalistas brasileiros.

“Em Cuba, nós temos mais de 30 empresas trabalhando possibilidades -- uma delas é a do porto de Mariel, que poderá receber navios de grande tonelagem”, destacou Lula, antes do encontro com o presidente cubano Raúl Castro no Palácio da Revolução.

Ouça a íntegra da entrevista:

Para ler a transcrição da entrevista, clique aqui

Sobre o encontro com Fidel Castro, Lula se disse feliz por ver o líder cubano muito melhor do que da última vez que eu o visitou -- há dois anos. Segundo Lula, Fidel está fisica e mentalmente bem. E brincou:

“Minha reunião com ele (Fidel) foi mais uma reunião de velhos amigos, de velhos companheiros -- foi uma pequena conversa de duas horas e meia, onde nós trocamos muitas ideias, discutimos muitos assuntos: cana-de-açúcar, soja, leite, eletricidade, o que você possa imaginar, nós discutimos.”

Quanto à morte do preso político cubano que fazia greve de fome, o presidente declarou que “se procurassem a embaixada brasileira, o Ministério das Relações Exteriores, tentassem entrar em contato comigo, eu jamais deixaria de atendê-las. O que eu não posso é chegar em um país, me deparar com um artigo de pessoas que dizem que falaram comigo, quando não falaram.” Para o presidente esse não é o jeito correto de pedir solidariedade: “Quem me conhece sabe que essa alma aqui pode ser tudo, menos uma alma que não faça solidariedade.”

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Ministro Franklin Martins (Comunicação Social), Fidel Castro e o presidente de Cuba, Raúl Castro, em fotografia feita pelo presidente Lula. Foto: Luiz Inácio Lula da Silva

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