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Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Blechior (Planejamento, Orçamento e Gestão) durante entrevista que anunciaram o contingenciamento do orçamento da União. Foto: Renato Araújo/ABr

A programação orçamentária 2011 prevê uma redução de gastos de R$ 50 bilhões, em consonância com a política de aumento na eficiência orçamentária defendida pela presidenta Dilma Rousseff desde o início do governo. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (9/2) pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, que enfatizaram que a maior parte do ajuste será em custeio e que não haverá redução ou paralisação nos investimentos de programas sociais, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo.

Mantega explicou que a redução dos gastos é resultado de uma reversão dos estímulos à economia do ciclo 2009/2010, feitos em decorrência da crise financeira internacional, mas que apesar do contingenciamento o governo irá garantir a expansão dos investimentos. Além disso, explicou o ministro, a medida irá facilitar a redução de juros e, no momento oportuno, refletirá na queda da inflação.

A redução da despesa para o superávit primário é resultado da diferença entre as despesas primárias consolidadas e o montante previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). O total aprovado pelo Congresso Nacional foi de R$ 769,9 bi; já o valor das despesas primárias consolidado para 2011 ficou em R$ 719,9 bi, resultando no corte de R$ 50 bi anunciado pelo governo.

“Todo o corte visa a redução de gastos de custeio, aumentar a eficiência dos gastos, preservar os programas sociais, aumentar os investimentos e incitar a redução dos juros. Ao mesmo tempo, vamos exigir o aumento da eficiência do gasto. Com menos recursos, realizar as mesmas ou mais atividades”, afirmou Mantega. “Todos os ministérios serão atingidos. Haverá um esforço, eu diria até mesmo um sacrifício por parte dos ministérios”, completou.

O ministro afirmou que o Brasil dará continuidade ao crescimento sustentável, com a meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% -- o que corresponde a um PIB nominal de R$ 4,056 trilhões -- inflação controlada, solidez fiscal e redução do déficit nominal, da dívida líquida e da taxa de juros. Além disso, enfatizou Mantega, o salário mínimo definido para o período está fixado R$ 545,00, “não mais do que isso”. E acrescentou que a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) depende da negociação do reajuste do salário mínimo.

Coube à ministra Miriam Belchior explicar como se dará a redução dos gastos de custeio. Segundo ela, os principais cortes se refletirão na folha de pagamento, item que será objeto de intensa fiscalização por parte do governo, e nos gastos administrativos como diárias, passagens, aluguel de imóveis e aquisição de veículos. Haverá ainda, segundo a ministra do Planejamento, um processo permanente de eficiência dos gastos administrativos, ordem expressa da presidenta Dilma Rousseff.

“Nós vamos fazer da eficiência no gasto público um mantra”, concluiu.

Miriam Belchior disse que o decreto com a distribuição da redução dos gastos nos ministérios será divulgado até o fim da próxima semana. Ela explicou também que a partir de agora todo o governo tem conhecimento do volume global de recursos a ser contingenciado do orçamento.

Após a apresentação, os ministros concederam entrevista coletiva. Confira abaixo os principais trechos:

PAC e despesas de custeio

A primeira coisa: não haverá nenhum corte no PAC nem adiamento. É o mesmo valor que está no orçamento. Essa é a única coisa que nós podemos dizer neste momento. A maior parte da redução de despesa será no custeio, nós continuaremos centrando nisso. Só saberemos quanto será em cada ministério após essa rodada que faremos, portanto na semana que vem vocês terão essa informação, afirmou Miriam Belchior.

Tabela do Imposto de renda

Em relação ao possível reajuste da tabela, depende ainda de uma negociação com os trabalhadores que não se consumou, pelo menos não terminou. Nós não concordamos em atualizar a tabela sem uma definição sobre a concordância deles sobre o salário mínimo de R$ 545,00 para 2011. O que nós propomos é repetir o acordo que havia sido firmado em 2007, para que houvesse uma fórmula de reajuste para o salário mínimo combinada também com o reajuste de 4,5% da tabela. Os dois estão no mesmo acordo (…). Se houvesse uma correção da tabela, nós teríamos um ônus ou uma renúncia fiscal de 2,2 bi, caso o reajuste fosse de 4,5%, disse Guido Mantega

Concursos públicos e novas contratações

Eu pedi um levantamento completo da situação de todos os concursos para a gente poder avaliar caso a caso. Em princípio as chamadas estão suspensas. Em princípio estão suspensas, até [que saia] essa análise bastante criteriosa da real necessidade nesse ano de 2011. Evidentemente que nós vamos analisar caso a caso, mas o tom geral é de a gente ver com bastante cuidado qualquer nomeação neste ano, frisou a ministra.

Resultado fiscal

Gastos do Estado estão diminuindo, portanto exercerão uma pressão menor sobre a demanda. Nesse momento em que há uma pressão inflacionária que vem principalmente das commodities, que vem de fora, você vai ajudar a diminuir um pouco a demanda do setor público e isso se dá na veia. Vocês poderão ver isso pelo resultado fiscal desses meses. A diferença é essa: isso não é uma promessa para dezembro de 2011; isso aqui é uma ação mensal do governo, que vocês poderão ver no resultado fiscal. Vocês vão poder verificar o primário aumentando mês a mês, afirmou o ministro da Fazenda.

Salário mínimo

Em relação ao salário mínimo, aquilo que está em negociação não são os 545 [reais]; o que está em negociação com os trabalhadores é se vamos ou não firmar um acordo que define uma política de valorização do salário mínimo. Se for firmado esse acordo, significa validar a metodologia que define qual é o salário mínimo, que para 2011 será de 545 [reais], defendeu o ministro.


Inflação para 2011

Eu não sei qual é a viabilidade de se cumprir a meta [inflacionária]. A regra não diz que tem que cumprir o centro da meta, diz que deve perseguir o centro da meta. Porém, em havendo choques de oferta, dificuldades de oferta no mercado internacional e outras perturbações, nós temos uma margem de 2% para cima e para baixo, que poderão ser utilizada em casos excepcionais, disse Mantega.


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Com uma defesa macroecômica muito bem postada, um ataque social forte, com o Bolsa Família, e tendo na nova classe média o seu Pelé, o Brasil chegará a 2014 com um grande time, tendo incorporado mais do que uma ‘França’ de cidadãos às classes A, B e C -- 68 milhões de pessoas. Nos últimos oito anos, o Brasil incluiu 32 milhões de pessoas. O panorama foi dado nesta quinta-feira (17/6) pelo economista Marcelo Cortes Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), realizada em Brasília.

Segundo dados apresentados por Neri, a renda do brasileiro vem crescendo 5,3% ao ano e houve uma queda de 43% do total de miseráveis do País num período de cinco anos -- entre 19 e 20 milhões de brasileiros.

Fizemos muito em pouco tempo e acho que essa agenda procura elencar um conjunto de políticas. Nossa defesa macroeconômica está muito bem postada e nosso ataque social está muito forte, que é o Bolsa Família. O nosso Pelé é a nova classe média. Estamos falando de uma França a ser incorporada ao mercado e à cidadania. Isso é possível. Ou seja, crescimento com redução de desigualdade.

Para que os bons resultados obtidos no País até aqui sejam confirmados, é preciso que o Brasil invista em educação -- um dos principais pontos da agenda proposta pelo Conselho.

Se no passado o Brasil era o mais ‘envergonhado’ dos Bric (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China), agora estamos no mesmo nível, afirma Neri. E para que esse processo tenha sustentabilidade, é preciso investir em educação, reiteirou o economista.

A agenda de futuro é econômica, é social. O Brasil não é um país previsível. Temos revoluções acontecendo que só de vez enquanto nos damos conta. A dificuldade brasileira é jogar junto. E esse Conselho está conseguindo fazer que todos atuem juntos.


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Selo do programa 7 anos em 7 minutosA história do Ministério do Turismo ainda é breve -- foi criado em 2003 -- mas já está entre as mais produtivas do governo. Por abranger diversos segmentos da economia nacional, o setor turístico ganhou autonomia no governo Lula para poder planejar estrategicamente as ações e prioridades de investimentos, obtendo excelentes resultados até aqui. O futuro, afirma o ministro Luiz Barretto no programa 7 Anos em 7 Minutos dedicado à sua pasta, é promissor:

Os resultados que alcançamos até agora serão multiplicados pelas oportunidades que a Copa do Mundo e as Olimpíadas trazem ao País.

Segundo Barreto, ao ganhar status de Ministério, o setor turístico brasileiro ganhou reconhecimento de sua importância para o desenvolvimento socioeconômico do País. O ministro lembra que as atividades ligadas ao turismo têm enorme capacidade de gerar empregos, renda e investimentos, nacionais e estrangeiros, contribuindo para reduzir a desigualdade regional e social.

Hoje trabalhamos com 65 destinos indutores, definidos com base em pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2010 vamos destinar R$ 400 milhões para cobrir as contrapartidas dos estados e municípios que participam do Prodetur, que é o programa de Desenvolvimento do Turismo. Somando os recursos do nosso orçamento, do Prodetur e os US$ 600 milhões da linha de crédito da corporação andina de fomento, teremos quase US$ 2 bilhões somente para infraestrutura.

O ministro do Turismo aproveitou para destacar a força do mercado interno para o setor. Com a população empregada e ganhando melhor, graças às políticas públicas do governo, mais ela está viajando. Nos últimos dois anos houve um aumento de 83% no número de pessoas que viajaram entre destinos brasileiros. O turismo está mais acessível a todos, diz Barretto, e o seu desenvolvimento ganhou força com a aprovação da Lei Geral do Turismo. Os dados comprovam: o setor vem crescendo há sete anos e, em 2008, chegou à primeira posição no setor de serviços da balança comercial. Emprega mais de 2 milhões de trabalhadores e tem investido pesado na capacitação e reciclagem profissional, além de ações que viam incluir no mercado de trabalho os beneficiários do programa Bolsa Família.


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José Maria Neves, primeiro-ministro do Cabo Verde, e o presidente Lula conversam em encontro realizado em Brasília nesta terça-feira. Foto: Ricardo Stuckert/PR

José Maria Neves, primeiro-ministro do Cabo Verde, e o presidente Lula conversam em encontro realizado em Brasília nesta terça-feira. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula se encontrou na tarde desta terça-feira, em Brasília, com o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, para discutir a negociação da dívida do país africano e também acordos de cooperação e comércio bilaterais. O governante cabo-verdiano terá nos próximos dias encontros com os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e de São Paulo, José Serra, além de reuniões com representantes de empresas brasileiras que atuam em seu país.

José Maria Neves, que fica no Brasil até o próximo dia 17 de outubro, também se encontrará com representantes da comunidade estudantil de Cabo Verde no Rio de Janeiro e com a diretoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, onde se formou.


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