Em sua primeira edição organizada fora da Europa, o Fórum Aliança das Civilizações leva para o Rio de Janeiro a oportunidade de aproximar ainda mais os países da América do Sul, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, em ‘briefing’ concedido nesta quarta-feira (26/5) em Brasília. O 3º Fórum Aliança das Civilizações contará com a participação do presidente Lula e será palco de reuniões bilaterais com os primeiros-ministros José Luiz Zapatero, da Espanha, e José Sócrates, de Portugal.
Entre os assuntos a serem tratados com os dirigentes europeus está a crise econômica enfrentada pelos países europeus:
Além de explicar detalhes sobre o Fórum Aliança das Civilizações, Baumbach respondeu ainda questões sobre a reunião que o presidente Lula terá na quinta-feira (27/5) com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. O porta-voz afirmou que o Brasil continuará trabalhando para evitar que “as portas se fechem” para as negociações por um acordo em relação ao programa nuclear do Irã. Brasil e Turquia negociaram em Teerã os termos de um acordo para que o Irã possa apresentar garantias à comunidade internacional.
Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida por Marcelo Baumbach:
Baumbach informou que o presidente brasileiro encaminhou carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, e mensagens aos presidentes Nicolas Sarkozy (França), Dimitri Medvedev (Rússia) e Felipe Calderón (México), além de integrandes da Unasul. “O Brasil pretende continuar no esforço para fomentar o diálogo”, assegurou o porta-voz.
Munido de dados sobre a economia retirados do noticiário brasileiro das últimas semanas, o presidente Lula defendeu nesta segunda-feira (4/5), durante solenidade em comemoração aos 10 anos do jornal Valor Econômico, a política de seu governo de dar ênfase às relações Sul-Sul e ao comércio regional, que vem garantindo aumento nas exportações e fortalecendo o País contra crises econômicas como a que recentemente atingiu todo o mundo.
Lula destacou que as exportações em abril cresceram quase 20% em relação ao mesmo período do ano passado e que, mesmo com a política externa adotada, as vendas para os Estados Unidos cresceram mais do que a expansão alcançada por economias que têm acordos de livre comércio com os americanos. O Brasil, disse, desbravou uma nova geografia comercial e isso não pode ser ignorado.
Ao mesmo tempo, porém, o comércio com a África passou de U$ 6 bilhões para US$ 17 bilhões anuais. No Mercosul, saltamos de US$ 11 bilhões em 2002 para US$ 29 bilhões. O que esses dados mostram é que a ênfase Sul-Sul e o comércio regional não cabem mais no espaço pequeno do preconceito ideológico, nem podem ser tratados superficialmente numa gincana de retórica eleitoral. A participação dos países em desenvolvimento em nossas exportações cresceu de 42% para mais de 54% em números brutos. Esses números não são números frios. Estamos falando de receitas, empregos e incentivos. Qualquer analista razoavelmente isento admite que a crise consolidou uma nova geografia comercial, pioneiramente desbravada pelo Brasil desde 2003.
O presidente citou ainda outras conquistas de seu governo, como a queda no desemprego nas regiões metropolitanas brasileiras, que é o menor dos últimos 12 anos, e a taxa recorde de expansão da indústria paulista no primeiro trimestre do ano – 18,2%. “Repito, não se trata de propaganda eleitoral: todas essas informações foram coletadas do noticiário econômico das últimas semanas”, disse.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Segundo Lula, as notícias sobre o Brasil mudaram porque o País se tornou hoje um dos que mais crescem no mundo. A sustentabilidade e durabilidade de um ciclo de crescimento não se deve a um “automatismo de mercado” nem a uma “fórmula aritmética”, afirmou, mas sim ao “papel efetivo da democracia” que tem a capacidade de aperfeiçar e corrigir os rumos da sociedade.
Os veteranos do jornalismo econômico talvez tenham a lembrança de algum outro momento de convergência tão favorável de indicadores e perspectivas. Mas dificilmente terão na memória um outro ciclo de desenvolvimento mais equilibrado do que o atual
Lula lembrou ainda que o Brasil terá colheita recorde em 2010, com 145 milhões de toneladas, tornando o País a terceira agricultura mais produtiva do planeta e o terceiro maior exportador de alimentos do mundo. Com o crescimento do País, será preciso investir em energia limpa, barata e segura, afirmou o presidente, e por isso o governo decidiu fazer a hidrelétrica de Belo Monte, “com todas as cautelas ambientais desejáveis”.
Um dos grandes desejos do presidente Lula, para quando deixar a Presidência no Brasil, é viajar pelo continente africano de ônibus, conhecendo a realidade local, conversando com as pessoas e os governantes, procurando soluções para os seus principais problemas. Seria quase uma reedição das Caravanas da Cidadania que promoveu no Brasil em 1993 e 1994, quando era candidato à Presidência. A revelação foi feita semana passada em entrevista concedida à TV libanesa LBC.
Pretendo dedicar um pouco do meu aprendizado para ver se presto um serviço à África. É só sonho, por enquanto, não tenho nada construído, mas eu por exemplo sonho em pegar um ônibus num país africano e atravessar a África, conversando com as pessoas e conversando com os governantes. Vamos ver se há condições de fazer.
Também falou sobre a popularidade de seu governo, a sucessão presidencial deste ano, o combate à corrupção e à fome, a paz no Oriente Médio e a nova ordem econômica mundial, entre outros temas.
Para ver a íntegra da entrevista em vídeo, clique aqui (divido em 6 partes).
Ao ser convidado pelo entrevistador a dar uma mensagem ao povo brasileiro, o presidente Lula se emocionou ao afirmar que, ao deixar a Presidência, sabe que vai encontrar muitos companheiros e amigos “porque eu não perdi a minha relação com meus companheiros”.
Com lágrimas nos olhos, disse:
Eu sei o quanto nós sofremos para chegarmos na Presidência da República, eu sei o quanto nós fomos atacados, eu sei depois o quanto as pessoas mentiram a respeito do nosso governo. Tinha gente que pensava que a gente tinha acabado para a política. E nós vamos chegar ao final do nosso governo com uma performance eu diria inusitada na história política desse País. Isso me dá muito orgulho. Eu, se não fizer mais nada, se eu morresse agora, o povo brasileiro teria aprendido uma lição. Sabe aquela frase do Obama ‘Nós podemos’? Aquela frase é do povo brasileiro: Nós podemos. E quando o povo quer, o povo pode fazer muito mais. Eu sou apenas isso, eu sou a cara do que é possível um cidadão, que acredita na luta, fazer.
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
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SEGREDO DA POPULARIDADE
O segredo da nossa popularidade são os acertos das políticas públicas, das políticas sociais e da política econômica que estamos colocando em prática no Brasil. Eu tinha muita clareza de que quando o Brasil elegeu um torneiro mecânico para ser presidente da República, o Brasil tinha que dar certo porque se não desse certo iria demorar mais 100 anos para um trabalhador, um operário chegar à Presidência da República. Então eu trabalho todo esse tempo com a cabeça muito firme, com uma convicção de que o Brasil tem que dar certo, que o povo tem melhorar de vida, para que a gente possa provar à sociedade brasileira, aos trabalhadores, aos intelectuais, aos empresários, ao mundo, que um operário saído de dentro de uma fábrica pode governar um país do tamanho do Brasil. E as coisas deram certo.
ELEIÇÕES 2010/SUCESSÃO
Eu tenho uma candidata. E essa candidata obviamente que me ajudou a elaborar o programa e portanto é co-participante do sucesso que o governo vive no momento. Eu a indiquei porque é uma pessoa da maior capacidade, uma pessoa com capacidade de gerenciamento extraordinária, uma pessoa de uma lealdade fantástica e uma pessoa que está gabaritada para dar continuidade, aprimorar, melhorar e fazer mais do que nós fizemos nesses oito anos. Por que? Porque o paradigma que ela tem para começar a trabalhar é diferente do que tive para começar a trabalhar em 2003. O Brasil está melhor – está melhor na educação, está melhor na saúde, está melhor no emprego, está melhor no salário, na distribuição de renda, a economia brasileira está melhor, o Brasil é mais respeitado no mundo hoje. Então, a pessoa que vier depois de mim vai pegar um Brasil muito mais estruturado, muito mais preparado do que o Brasil que eu herdei. E eu estou convencido de que, quem quer que seja que ganhe as eleições para presidente no Brasil, vai pegar um Brasil muito melhor e portanto pode fazer mais. E eu tenho também a convicção que é a minha candidata quem vai ganhar as eleições.
FALTA DE EXPERIÊNCIA DA CANDIDATA DILMA ROUSSEF
É o que falavam de mim. ‘O Lula nunca governou’, ‘O Lula não tem experiência’, ‘O Lula não fala inglês’, ‘O Lula não tem diploma universitário’, falaram isso de mim durante 12 anos. Até que um dia o povo falou ‘deixa eu dar uma chance para esse brasileiro’ e me deu a chance. E era o que eu precisava para provar que nós estávamos preparados para montar uma boa equipe e estávamos preparados para fazer uma boa governança no Brasil. (…) Acho que a ministra Dilma já venceu muitos preconceitos, a doença dela não existe mais, descobriu no começo e resolveu o problema, e ela está do ponto de vista intelectual e do ponto de vista gerencial, do ponto de vista administrativo ela está perfeita para governar o Brasil. E eu acho que ela é a grande possibilidade que nós temos de dar continuidade. Não é que eu tenho certeza de que ela vai ser eleita, porque primeiro eu tenho que respeitar a vontade do povo brasileiro no dia das eleições. Eu tenho a convicção de que ela pelo fato de ter as melhores condições de governar o Brasil, pelo fato de ela ter as melhores condições de dar continuidade ao que nós estamos fazendo, ela tem mais chances de ganhar as eleições.
COMBATE À CORRUPÇÃO
A certeza que o povo brasileiro tem é que nunca na história do Brasil um governo trabalhou tanto para apurar as denúncias de corrupção como o nosso governo. Nunca. Antigamente era fácil não aparecer muita corrupção no jornal porque você ficava jogando ela para debaixo do tapete. Nós simplesmente duplicamos o número de policiais federais, duplicamos o orçamento do Ministério da Justiça, para que a gente pudesse investir em inteligência, para que a gente pudesse investigar. Nós melhoramos e qualificamos a Controladoria-Geral da República e 90% das denúncias são feitas pelo governo. É a CGU quem faz a investigação em cada Ministério, em cada obra, que manda para o Tribunal de Contas da União (TCU) e que manda para a Polícia Federal. Portanto grande parte das denúncias de corrupção elas são feitas por nós.
LEI DE ANISTIA
O problema não é ser contra ou ser a favor. O problema é garantir que este País tenha sua história contada da forma mais verdadeira possível. Ninguém quer fazer caça às bruxas, ninguém quer ficar remoendo o passado. Agora, é muito difícil você querer que uma mãe, que perdeu seu filho e não sabe onde ele está, não queira encontrar o corpo de seu filho para enterrar. Então é por isso que estamos propondo a Comissão da Verdade, que vai ser aprovada pelo Congresso Nacional da forma mais democrática possível. Nós não queremos mexer na lei da Anistia, ela foi aprovada por consenso no Congreso Nacional, o que nós queremos apenas é contar ao Brasil o que aconteceu da forma mais verdadeira possível. Ninguém efetivamente tem que ter medo da Comissão da Verdade, ninguém tem que ter medo da verdadeira história – quem errou, pagou. É assim que a gente consolida a democracia no País. Eu não quero morrer num País em que sua história tenha sido contada pela metade, eu quero que sua história seja contada em seu todo.
IRÃ E PAZ NO ORIENTE MÉDIO
Eu acho que a guerra não conduz a nada, conduz a destruição, e eu sou um homem de paz. Como eu acredito que nós temos que ter argumento para mostrar ao mundo, com muita autoridade moral, aquilo que o Brasil fez. O Brasil é o único país do mundo que tem na sua Constituição a proibição de armas nucleares. O que eu quero para o Irã é o mesmo que eu quero para o Brasil. Eu quero dizer para o presidente Ahmadinejad que ele deveria concordar com a proposta da Agência (Internacional de Energia Atômica – AEIA), que propôs a ele um determinado rito de enriquecimento de urânio, que eu acho que era mais importante. Até para que a gente possa continuar avançando no mundo diplomático.
Qual é a minha preocupaçao? A minha preocupação é que o bloqueio ou as sanções que a ONU quer impor não vai trazer nenhuma solução. Vai apenas trazer radicalização. Como eu acredito na política, como eu acredito no diálogo, eu vou ao Irã conversar com o presidente Ahmadinejad. Conversamos com o primeiro-ministro da Turquia que tem a mesma posição política nossa, conversamos com Israel, com Palestina. (…) Por isso eu quero conversar com todos os interlocutores, porque também não pode ser primazia desse ou daquele país cuidar da paz. Se há 20, 30 ou 40 anos, os interlocutores que estão negociando não conseguem a paz, eu acho que é preciso colocar mais interlocutores, colocar gente nova, outros discursos, outras propostas, para que a gente possa chegar a um acordo. É nisso que o Brasil acredita. (…) Parece que tem gente que tem ciúmes que o Brasil esteja interessado em participar de conversas porque entendemos que temos argumentos sobretudo pela harmonia em que vivem no meu País árabes e judeus. Esse país é exemplo de convivência harmônica da comunidade árabe e da comunidade judaica. Esse exemplo eu quero levar para o mundo.
REFORMA DA ONU
O Brasil tem brigado para que se faça uma reforma no Conselho de Segurança da ONU. O Conselho de Segurança da ONU hoje representa, sobretudo os membros permanentes do Conselho de Segurança, a geografia política de 1948. Não representa a geografia política de 2010. É preciso que a África esteja representada, o Brasil esteja representado – e outros países da América Latina -, a Índia esteja, a Alemanha esteja, o Japão, que a África possa ter três representantes, para que você tenha gente que possa representar dignamente a nova geopolítica do mundo.
ATUAÇÃO BRASILEIRA NO EXTERIOR
O Brasil não tem vocação imperialista. O Brasil tem uma vocação de construir parcerias nas suas relações bilaterais e nas suas relações internacionais. Nós acreditamos no funcionamento das instituições multilaterais e por isso eu digo sempre que não adianta o Brasil crescer se os países vizinhos não crescerem. É preciso que a gente cresça junto. É preciso que cresça o Brasil, mas cresça a Argentina, o Paraguai, o Uruguai, a Venezuela, a Bolívia, a Colômbia, o Equador, o Chile, todos crescendo, todos terão o que distribuir para seu povo. É assim que nós trabalhamos e é por isso que o Brasil tem um forte investimento em infraestrutura em toda a América do Sul, porque nós queremos fazer um processo de integração com rodovias, ferrovias, telecomunicações, energia, para que a gente possa ser um continente forte e um continente rico.
NOVA ORDEM MUNDIAL
Quando foi feita a primeira reunião do G20, todos os países estavam de acordo de que era preciso discutir uma nova ordem econômica mundial, de que era preciso controlar o sistema financeiro, de que era preciso acabar com os paraísos fiscais, de que era preciso fazer um certo ordenamento na política cambial para que todos os países pudessem ter um certo equilíbrio. Que a gente defendesse a liberdade de um livre comércio de verdade, que a gente mudasse a forma de ser do FMI e do Banco Mundial, com uma nova organização, mais países participando. Tudo isso ainda não aconteceu. O meu ministro estará participando nesses próximos dias da reunião do G20 financeiro e eu estarei no Canadá para discutir a reunião do G20 político. E aí é que nós vamos fazer um balanço, o que aconteceu efetivamente? O Brasil fez a lição de casa. O Brasil praticou o livre comércio. Por isso que a economia brasileira cresceu, porque em vez de fechar a economia, nós abrimos crédito, os bancos públicos brasileiros têm uma importância muito grande, no financiamento de casa, no financiamento de carro, no financiamento de empresa.
COMBATE À FOME E À POBREZA
Eu estou muito orgulhoso porque certamente o Brasil vai cumprir todas as Metas do Milênio determinadas pela ONU. Isso para mim é motivo de orgulho. Segundo, porque o que nós estamos fazendo poderia ter sido feito há 50 anos. Veja uma coisa interessante: em 100 anos a elite brasileira fez apenas 140 escolas técnicas profissionais. Eu em oito anos vou fazer 214. Ou seja, em oito anos eu vou fazer uma vez e meia o que eles fizeram em um século. Nós estamos fazendo 14 universidades novas, nós criamos um programa chamado ProUni que já colocou na universidade este ano 726 mil alunos pobres da periferia, fazendo universidade. Já fizemos 105 extensões universitárias. Portanto o Brasil nunca teve a quantidade de jovens com perspectiva de estudar e se formar como está tendo agora. É por isso que eu acredito que a próxima geração será altamente mais qualificada que a minha geração. E isso me deixa muito feliz porque significa que o Brasil se encontrou com o seu caminho e acho que o povo brasileiro merece o que está acontecendo no País.
LIÇÕES DA POLÍTICA
Aprendi muito com as minhas três derrotas em eleições (presidenciais). E agora aqui no governo eu consegui o meu doutorado. Porque o que eu aprendi aqui no governo vai me permitir poder não só ajudar outras pessoas, mas eu quero viajar o continente africano, a América Latina, os países mais pobres, tentando colocar a nossa experiência, o sucesso da economia brasileira para que outros países sigam um caminho parecido. Porque muitas vezes os dirigentes ficam discutindo que não tem dinheiro, mas o problema não é só dinheiro. O problema é o seguinte: o pouco dinheiro que você tem, como é que você distribui ele de forma justa. Como é que você faz com que esse dinheiro chegue na mão de todos? Quando eu criei o Bolsa Família no Brasil, a elite brasileira dizia que era esmola. Quando veio a crise econômica, quem sustentou o Brasil foi o povo pobre que consumiu mais do que a classe A/B. As classes D e E consumiram mais do que as classes A e B. Ou seja, enquanto os mais ricos se acovardaram, o povo pobre foi ao shopping e segurou a economia brasileira.
VIDA PÓS-PRESIDÊNCIA
Eu não sei o que vou fazer. Uma coisa eu digo para você que eu gostaria de fazer: visitar o Líbano sem ser presidente da República. Para conhecer o Líbano sem o aparato de segurança, conhecer todas as cidades, comer um bom ‘charuto’, um bom kibe, quem sabe eu faça isso? Mas eu pretendo dedicar um pouco do meu aprendizado para ver se presto um serviço à África. É só sonho, por enquanto, não tenho nada construído, mas eu por exemplo sonho em pegar um ônibus num país africano e atravessar a África de ônibus, conversando com as pessoas, e conversando com os governantes. Vamos ver se há condições de fazer. Quando eu terminar o mandato, eu já estarei com 65 anos. E quando a gente vai ficando depois dos 60, cada ano vai diminuindo um pouco o ímpeto da gente em fazer as coisas. A idade vai pesando. Mas eu me considero ainda com muita energia para fazer muita coisa. Eu sou político por natureza, não vou parar de fazer política, a única coisa que eu não quero é ficar dando palpite no governo aqui no Brasil. Quem ganhou vai governar, eu vou cuidar de outras coisas.
Rei morto, rei posto. Não existem exemplos na história de um ex-presidente ficar dando palpite na vida do novo presidente. Não dá certo.
O QUE DIRÁ AO POVO NA DESPEDIDA
Eu diria o seguinte: o meu maior orgulho ao deixar a Presidência da República, ao descer a rampa do Palácio do Planalto, chamar todas as pessoas que estarão lá de companheiros. Tenho consciência de que vou voltar para onde eu saí. Eu tenho consciência de quem são os meus amigos verdadeiros, quem são os meus amigos do mandato – se bem que alguns amigos do mandato se tornaram amigos verdadeiros -, mas eu sei onde está meu mundo. Esse é o maior legado meu. É poder encontrar um companheiro e falar ‘Boa tarde’ ou ‘Boa noite, companheiro’ e ser tratado como companheiro. E eu acho que vou conseguir isso, porque eu não perdi a minha relação com os meus companheiros. (lágrimas nos olhos). É porque sempre uma coisa difícil, eu sei o quanto nós sofremos para chegarmos na Presidência da República, eu sei o quanto nós fomos atacados, eu sei depois o quanto as pessoas mentiram a respeito do nosso governo. Tinha gente que pensava que a gente tinha acabado para a política. E nós vamos chegar ao final do nosso governo com uma performance eu diria inusitada na história política desse País. Isso me dá muito orgulho. Eu, se não fizer mais nada, se eu morresse agora, o povo brasileiro teria aprendido uma lição. Sabe aquela frase do Obama ‘Nós podemos’? Aquela frase é do povo brasileiro: Nós podemos. E quando o povo quer, o povo pode fazer muito mais. Eu sou apenas isso, eu sou a cara do que é possível um cidadão, que acredita na luta, fazer.
O Brasil tem tamanho e grandeza para discutir conflitos mundiais como a questão nuclear do Irã e é com esse espírito que o presidente Lula vai a Teerã no próximo dia 16 de maio, para convencer o governo iraniano a aceitar um acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e países ocidentais como os Estados Unidos, que desconfiam das intenções do país asiático.
Em entrevista concedida a jornalistas após assinatura de atos de cooperação com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Lula disse que o assunto do Irã ainda não foi negociado suficientemente e reafirmou sua disposição de defender o direito dos iraniano desenvolverem pesquisa nuclear para fins pacíficos, a exemplo do Brasil. Para o presidente brasileiro, as sanções ao Irã não vão resolver “absolutamente nada”. Lula disse ainda não ver a menor possibilidade de os Estados Unidos invadirem o Irã.
Lula respondeu também questões sobre os crescentes conflitos verificados na fronteira com o Paraguai, alguns dos quais contariam com a participação de brasileiros, e afirmou ser uma “insanidade” imaginar que os governos brasileiro e paraguaio seriam amendrontados por atos de violência como o atentado realizado contra um senador do Paraguai na segunda-feira (26/4). O presidente brasileiro afirmou que conversará com o presidente Fernando Lugo, do Paraguai, para acertar meios conjuntos de combate à violência que ocorre na região.
Presidente Lula e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, se encontraram em Washington e assinaram acordos bilaterais. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula recebeu nesta segunda-feira (12/4), na embaixada do Brasil em Washington, os primeiros-ministros da Itália, Japão e Turquia para discutir a assinatura de acordos bilaterais e grandes projetos como o Trem de Alta Velocidade entre o Rio de Janeiro e Campinas (SP).
Com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foram assinados acordos bilaterais que envolvem cooperação jurídica, troca de tecnologia militar de defesa e cooperação nos setores do turismo, esporte, saúde e geração de energia.
Com o primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, a conversa foi sobre investimentos japoneses na malha ferroviária brasileira. Os japoneses demonstraram interesse na construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando o Rio de Janeiro a Campinas. O dia de trabalho do presidente Lula foi marcado também por reunião com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan.
Nesta terça-feira (13/4), na capital norte-americana, Lula participará da Cúpula de Segurança Nuclear, juntamente com 42 chefes de Estado e de Governo. O encontro é uma iniciativa do presidente americano, Barack Obama, e contará também com a participação de representantes de quatro organizações internacionais. A reunião discutirá a cooperação internacional na área de proteção física de material e instalações nucleares e de combate ao terrorismo nuclear.
Segundo nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o governo brasileiro considera a segurança nuclear fundamental para se impulsionar o uso pacífico da energia nuclear, concorrendo para sua aceitação pública, e para a prevenção de acidentes e atentados radiológicos.
O Brasil, lembra o MRE, tem “sólida legislação no campo da segurança nuclear e do combate ao terrorismo, sendo parte das principais convenções internacionais nas matérias”.
O presidente Lula embarca neste domingo (11/4) para Washington, nos Estados Unidos, para participar da Cúpula de Segurança Nuclear, onde defenderá o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos. Segundo informações passadas pelo porta-voz Marcelo Baumbach nesta sexta-feira (9/4), o Brasil vai condenar, durante o encontro, a proliferação nuclear e defender seu papel moderador nas discussões com o governo iraniano. O presidente Lula deve ir à Teerã em maio.
Participam da Cúpula representantes de 47 países e dirigentes da Agência Nacional de Energia Atômica (AIEA), Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ONU. Um dos principais temas do encontro é a adoção de medidas para se evitar o terrorismo nuclear e o acesso de agentes não-estatais a materiais que possam ser usados na produção de explosivos atômicos.
A posição do governo brasileiro, afirmou Baumbach, é de que a segurança nuclear está vinculada diretamente à proteção física do material nuclear, não apenas para a prevenção do terrorismo nuclear, mas principalmente, para a criação de um ambiente nacional, regional e global seguro que facilite e fortaleça a o uso pacífico da energia nuclear.
O Brasil acredita que a maneira mais eficaz de afastar os riscos decorrentes do uso de explosivos nucleares por agentes não-estatais é a eliminação total e irreversível de todos os arsenais nucleares.
Lula concederá audiências e terá reuniões bilaterais, na segunda-feira (12/4), com líderes presentes à Cúpula de Segurança Nuclear. À noite participa de recepção e jantar de trabalho oferecidos pelo presidente Barack Obama
Na terça-fera, o presidente Lula participará da primeira sessão plenária da Cúpula de Segurança Nuclear, quando estarão em debate as ações nacionais para a prevenção do terrorismo nuclear e proteção de materiais físseis. Ao meio-dia, em um almoço de trabalho, será analisado o papel da Agência Internacional de Energia Atômica na segurança nuclear. Lula retora ao Brasil no final do dia, devendo chegar a Brasília na madrugada de quarta-feira (14/4).
Em discurso para empresários brasileiros e jordanianos, presidente Lula destaca importância da parceria comercial entre os dois países. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Em discurso para empresários e autoridades do Brasil e da Jordânia, nessa quinta-feira (18/3), em Amã, o presidente Lula propôs que os dois países aproveitem “esse momento de tensão econômica que o mundo vive” para fazer aquilo que classificou como sendo “algo novo”. Deste modo, na avaliação do presidente brasileiro, vamos “descobrir o que cada um de nós pode oferecer para o outro na construção de um mundo solidário e mais fraterno”.
Lula lembrou que o Brasil terá eleições em outubro e, mesmo com a mudança do comando na Presidência da República, quatro condições fundamentais para que o país continue crescendo serão mantidas: estabilidade econômica, controle da inflação, financiamento público e distribuição de renda. Ao término, o presidente enfatizou a importância de mais encontros entre empresários brasileiros e jordanianos para consolidar as parcerias comerciais.
Com o encerramento do seminário empresarial Brasil-Jordânia, o presidente Lula concluiu a primeira viagem de um chefe de Estado brasileiro ao Oriente Médio. Do último domingo, quando desembarcou em Israel, passou pela Palestina e chegou à Jordânia, Lula manteve conversas políticas e econômicas com empresários e autoridades das nações visitadas.
Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula.
Ao deixar o local da reunião com empresários, o presidente brasileiro conversou com jornalistas que o acompanham na viagem ao Oriente Médio. Ouça abaixo a íntegra da entrevista:
Na Jordânia, o presidente destacou também a importância daquele país no papel de consolidação da paz na região. Segundo ele, a Jordânia é um país de paz e que procura cada vez mais crescer e se desenvolver. Lula disse que os governantes dos dois países estão fazendo “a nossa parte”, ou seja, de induzir e fomentar os investimentos, mas explicou que é necessário aos empresários que, com o ímpeto de descobridores, façam o restante.
“Essa crise econômica foi para nós a mesma coisa que foi a queda do muro de Berlim. A queda do muro de Berlim obrigou todo mundo a repensar a política. A crise da economia obrigou repensar a não ficarmos na mesmice”, disse.
Lula lembrou a ingerência do FMI nos países mais pobres, inclusive dando palpites, mas desconhecia o que se passava nas economias das grandes potencias mundiais. “Essa crise fez uma coisa maior: valorizar o papel do Estado. Não o Estado gerenciador, estatísta, empresarial, mas o Estado indutor e fiscalizador. Porque se o Estado tivesse cumprindo a sua função o Lehman Brother não teria chegado à situação que chegou e os bancos americanos não teriam vendido ilusão para o mundo inteiro sem produzir um único emprego ou produto”, afirmou.
A diversificação econômica foi papel crucial para que o Brasil estivesse mais preparado para a crise financeira mundial. Segundo Lula, em 2003, quando assumiu a Presidência da República, buscou direcionar a parceria comercial para outras regiões do planeta. Em vez de ficar estreitando os laços com a Europa e os Estados Unidos, o governo brasileiro apostou nos países árabes e africanos, sem contar com as parcerias na América do Sul.
O presidente pregou o otimismo ao dizer que as empresas brasileiras estão capacitadas para atuar em diferentes segmentos jordanianos, assim como o Brasil se abre para receber indústrias da Jordânia. Lula citou também números da economia como o crescimento do crédito para a população e a participação das classes mais pobres no mercado de consumo.
“O que fez o nosso país crescer foi a distribuição de renda. Levamos 30 milhões brasileiros para classe média. É extraordinário quando analisamos as pesquisas hoje e vemos que a parte mais pobre está consumindo mais alimento e material de limpeza., porque as pessoas tiveram contato com dinheiro e começaram comprar o essencial para a sobrevivência”, enfatizou.
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Sirlena Ronchi emocionou o presidente Lula ao contar sua história de persistência pelo trabalho e pelo estudo. (foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Lula previu, na noite desta sexta-feira (13/3), em Londrina, que o Brasil será “exportador de inteligência e conhecimento”. Segundo ele, por este motivo, se faz necessário que os brasileiros invistam nos estudos, sejam nas universidades ou nos institutos federal que oferecem cursos técmnicos. Lula enfatizou também que, se o século 19 foi dos países europeus e o século 20 foram dos Estados Unidos, “o século 21 será do Brasil, da China, da Índia e dos países pobres”. O presidente foi a Londrina para a cerimômnia de assinatura de contratos para construção de residências no âmbito do programas Minha Casa, Minha Vida e da inauguração da central de atendimento da Dedic GPTI, emprego do grupo Portugal Telecom.
Nas duas cerimônias, que acontceram no prédio da empresa de call center, Lula foi surpreendido com a funcionária Sirlena Fratoni Ronchi. Ela roubou a cena ao discursar para as autoridades. O depoimento emocionou a todos. Ela explicou que não tinha perspectiva de vida. Cuidava do lar. Porém, por iniciativa do marido resolveu entrar no mercado de trabalho : “Fiz um teste aqui e fui reprovada, pois catava milho”. Mas adiante recebeu outra oportunidade na empresa e, deste modo, trabalha e estuda. “Vou me formar e trabalhar no setor de recursos humanos da empresa”, disse para em seguida agradecer ao presidente Lula.
“Foi por causa do seu governo que consegui financiar meu apartamento e o meu marido manter a empresa dele. Gostaria muito de poder de abraçá-lo”, destacou.
Sensibilizado, Lula dedicou parte do discurso a Sirlena. Ele disse que exemplos como o da família da funcionária da Dedic GPTI deveriam ser apresentados aos brasileiros para que a sociedade conheça “as coisas boas que acontecem em nosso país”. Lula afirmou que é para olhar na cara das pessoas que tem deixado o gabinete em Brasília e viajado pelo Brasil. “Estou vendo a alegria das pessoas que estão vencendo na vida”, explicou.
O presidente lamentou o fato de grupos de comunicação terem por costume divulgar com mais ênfase “a desgraça e o fracasso” o dia inteiro. Ele manifestou tristeza porque fatos bons não aparecem na mídia. Citou também que certo dia, em conversa com um excutivo do setor, recebeu como resposta que a divulgação, por exemplo, da oferta de postos de trabalho não é considerada notícia. “Por iso, venho aqui mostrar o outro lado da moeda. O lado do Brasil que funciona. O lado do Brasil que desperta para atrair investidores”, assegurou.
Lula destacou importantes avanços que vem conseguindo nestes sete anos de governo. Conforme explicou, quando lançou o programa Bolsa Família certos setores da sociedade torceram o nariz para a iniciativa. Mas, o tempo se encarregou de mostrar que estes setores estavam errados. O programa Luz Para Todos também foi colocado para a plateia como demonstração de que o governo investe o desenvolvimento social do país. O presidente apontou os avanços na área educacional com a criação de universidades e institutos federais que permitem a formação de qualidade para a população.
O governo brasileiro encaminhará para Porto Príncipe, no Haiti, medicamentos, alimentos prontos e água engarrafada em voos que partem da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Já está restabelecida a ponte aérea Brasil-Haiti. A informação é do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Felix, coordenador do gabinete da crise instituído na última quarta-feira (13/1) por determinação do presidente Lula. Neste instante de dificuldades da população daquele país, os aviões somente transportarão donativos que forem pedidos pelas autoridades haitianas. Segundo o ministro Felix, as autoridades brasileiras tiveram experiências em outras tragédias quando encaminharam aos locais de atendimentos produtos desnecessários.
As doações dos brasileiros podem ser encaminhadas para três setores: 1 -- Medicamentos e ofertas de serviços médicos devem ser informados à coordenação geral de urgência e emergência do Ministério da Saúde. As instituições podem contatar pelo e-mail: missaodeajudasamu192@saude.gov.br ou pelo telefone 61 3315-3518. No caso do cidadão comum, o contato pode ser direto com o 192 da central SAMU da cidade ou do Estado. 2 -- Alimentos prontos e água engarrafada devem ser entregues à Defesa Civil. Saiba os endereços aqui. 3 -- Outras ofertas de serviços -- Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) pelo e-mail saci@planalto.gov.br ou pelo fax 61 3411-1297.
No início da tarde deste sábado, o general Jorge Félix; o subchefe de Comando de Controle do Estado Maior do Ministério da Defesa, contra-almirante Paulo Zuccaro, e o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores para a América do Sul, Antonio Simões, concederam entrevista coletiva para apresentar o balanço da primeira semana de ação do grupo do governo federal. As autoridades brasileiras asseguraram que, neste momento, a participação do Brasil no Haiti estará dividida entre a liderança da missão militar e a prestação da ajuda humanitária. O general Felix explicou que, em função das dificuldades de comunicação, foram enviados telefones celulares que operam por satélite.
Neste sábado, os voos militares para Porto Príncipe começam a decolar do Galeão, no Rio. Ontem (14/1), fechou-se entendimento entre os governos do Brasil, dos Estados Unidos e do Haiti para equacionar a questão do aeroporto da capital haitiana. O contra-almirante Zuccaro explicou que o controle interno do aeroporto permanece sob domínio dos americanos. A parte externa fica a cargo dos militares brasileiros que integram a tropa de paz naquele país. Zuccaro não descartou a possibilidade de o Brasil enviar mais batalhões para apoiar a segurança de distribuição dos donativos, bem como auxiliar na segurança interna do Haiti. Veja a entrevista aqui:
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do núcleo de atendimento aos brasileiros, recebeu informações que induziriam à conclusão de que 500 brasileiros civis estariam naquela região atingida pelo terremoto. Porém, Simões explicou que o número não é verdadeiro, pois além de duplicidade, existem pedidos de informações sobre militares em missão no Haiti. Oficialmente, o governo confirma que 14 militares e a médica Zilda Arns morreram em Porto Príncipe. Existem três militares e Luiz Carlos da Costa, principal funcionário brasileiro na ONU, desaparecidos.
O governo brasileiro encaminhará para Porto Príncipe, no Haiti, medicamentos, alimentos prontos e água engarrafada em voos que partem da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Já está restabelecida a ponte aérea Brasil-Haiti. A informação é do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Felix, coordenador do gabinete da crise instituído na última quarta-feira (13/1) por determinação do presidente Lula. Neste instante de dificuldades da população daquele país, os aviões somente transportarão donativos que forem pedidos pelas autoridades haitianas. Segundo o ministro Felix, as autoridades brasileiras tiveram experiências em outras tragédias quando encaminharam aos locais de atendimentos produtos desnecessários.
As doações dos brasileiros podem ser encaminhadas para três setores: 1 -- Medicamentos e ofertas de serviços médicos devem ser informados à coordenação geral de urgência e emergência do Ministério da Saúde. As instituições podem contatar pelo e-mail: missaodeajudasamu192@saude.gov.br ou pelo telefone 61 3315-3518. No caso do cidadão comum, o contato pode ser direto com o 192 da central SAMU da cidade ou do Estado. 2 -- Alimentos prontos e água engarrafada devem ser entregues à Defesa Civil. Saiba os endereços aqui. 3 -- Outras ofertas de serviços -- Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) pelo e-mail saei@planalto.gov.br ou pelo fax 61 3411-1297.
No início da tarde deste sábado, o general Jorge Félix; o subchefe de Comando de Controle do Estado Maior do Ministério da Defesa, contra-almirante Paulo Zuccaro, e o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores para a América do Sul, Antonio Simões, concederam entrevista coletiva para apresentar o balanço da primeira semana de ação do grupo do governo federal. As autoridades brasileiras asseguraram que, neste momento, a participação do Brasil no Haiti estará dividida entre a liderança da missão militar e a prestação da ajuda humanitária. O general Felix explicou que, em função das dificuldades de comunicação, foram enviados telefones celulares que operam por satélite.
Neste sábado, os voos militares para Porto Príncipe começam a decolar do Galeão, no Rio. Ontem (14/1), fechou-se entendimento entre os governos do Brasil, dos Estados Unidos e do Haiti para equacionar a questão do aeroporto da capital haitiana. O contra-almirante Zuccaro explicou que o controle interno do aeroporto permanece sob domínio dos americanos. A parte externa fica a cargo dos militares brasileiros que integram a tropa de paz naquele país. Zuccaro não descartou a possibilidade de o Brasil enviar mais batalhões para apoiar a segurança de distribuição dos donativos, bem como auxiliar na segurança interna do Haiti. Veja a entrevista aqui:
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do núcleo de atendimento aos brasileiros, recebeu informações que induziriam à conclusão de que 500 brasileiros civis estariam naquela região atingida pelo terremoto. Porém, Simões explicou que o número não é verdadeiro, pois além de duplicidade, existem pedidos de informações sobre militares em missão no Haiti. Oficialmente, o governo confirma que 14 militares e a médica Zilda Arns morreram em Porto Príncipe. Existem três militares e Luiz Carlos da Costa, principal funcionário brasileiro na ONU, desaparecidos.
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