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EntrevistasApós deixar a Presidência, em 2011, o presidente Lula pretende ajudar a aprovar as tão sonhadas reformas política e tributária no País, além de trabalhar com países africanos e sul-americanos, levando a eles a experiência brasileira de combate à fome e à pobreza. Em entrevista ao jornal O Estado do Paraná, publicada nesta quinta-feira (2/9), Lula garantiu no entanto que, até lá, se dedicará ao trabalho e à cobrança de realizações dos seus auxiliares.

A minha preocupação principal no momento não é com o meu futuro pessoal, e sim com o presente e o futuro do nosso país. Quero continuar trabalhando e cobrando realizações dos meus auxiliares até o último segundo do meu mandato, pois para isso é que eu fui eleito presidente. (…) Sobre o meu futuro pessoal, penso em trabalhar, através do PT e outros partidos, para finalmente aprovarmos a Reforma Política e a Reforma Tributária. Essas são questões mais afetas ao parlamento que à Presidência. Vou tentar também trabalhar com países africanos e sul-americanos que ainda lutam contra a extrema pobreza e a fome, levando a experiência bem-sucedida que tivemos nesses oito anos no Brasil. É preciso que esses países se tornem fortes do ponto de vista econômico e social e que sejam grandes parceiros do Brasil. Temos plena consciência de que não é preciso que outros países percam para que nós possamos ganhar. Nosso intercâmbio será mais intenso e lucrativo quando todos tiverem um bom nível de desenvolvimento econômico e social. Mas eu pretendo cuidar do meu futuro efetivamente quando tiver todo o tempo do mundo para planejar, ou seja, a partir do dia 1º de janeiro.

Lula disse ainda que o governo pretende sim investir na construção de metrôs mas sempre pensando na melhoria do transporte urbano para a mobilidade e conforto da população, e não apenas tendo em vista a Copa do Mundo de 2014. O presidente lembrou que o PAC da Copa não contemplou projetos de metrô porque outros modais de transportes foram priorizados, por serem mais rápidos de executarem, como a construção de corredores para ônibus e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), monotrilhos e obras viárias. Ainda assim, Curitiba poderá contar com recursos para a construção do seu metrô, por meio de recursos previstos no PAC 2.

O PAC 2, por exemplo, prevê investimentos de R$ 18 bilhões para projetos de mobilidade urbana a serem executados a partir de 2011. A chamada pública para a apresentação formal de projetos está prevista para breve e algumas cidades, entre elas Curitiba, já manifestaram interesse à Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades.

Leia a íntegra da entrevista aqui.


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EntrevistasCom as obras de infraestrutura tocadas pelo governo federal, o Nordeste brasileiro vive um período de ouro. A avaliação foi feita pelo presidente Lula, nesta terça-feira (17/8), durante entrevista a emissoras de rádio de estados nordestinos. Para o presidente, as oportunidades criadas nos nove estados do Nordeste permitirão que dentro dos próximos dez anos a região esteja transformada. Lula apontou também um outro fenômeno: o processo de migração dos nordestinos para as regiões Sul e Sudeste se inverte. Agora, os nordestinos estão retornando para suas cidades de origem e, com isso, buscam investir em negócios.

Instigados pelos radialistas, o presidente respondeu a questões como críticas de políticos de oposição o governo federal sobre investimentos na região. Segundo Lula, um levantamento comparativo com os últimos 30 anos irá concluir que o seu governo destinou mais recursos para a região se somados os recursos destinados por seus antecessores. Atualmente, além da Ferrovia Transnordestina, estão em curso o canal do rio São Francisco, a Ferrovia Norte-Sul, dentre outros empreendimentos. Na próxima sexta-feira, a Petrobras deve concluir as negociações para as obras da refinaria no Ceará. Lula defendeu também um estaleiro para aquele estado.

Ouça aqui a íntegra da entrevista:

No Piauí, Lula acredita na possibilidade de uma reserva de gás igual a encontrada no Maranhão. O presidente informou que o rio Parnaíba deve contar com a construção de usinas hidrelétricas. “Eu acho que as coisas estão indo bem. Nos próximos 10 anos, quem vier para o NE não vai reconheçe-lo de tão bonito que ele vai ficar”, disse.

O presidente queixou-se do aparelho fiscalizador do Estado que impede a realização de obras [por parte do governo federal e informou que após as eleições irá trabalhar na conclusão de um marco regulatório. Segundo ele, se o então presidente Juscelino Kubstichek viesse a construir Brasília nos dias atuais enfrentaria problemas para tocar as obras.

Na mesma entrevista, Lula acusou a oposição de acabar com a CPMF como vingança. “O nosso adversário está com dificuldades. As vezes fica tentando dizer coisa. Na área de saúde, essas pessoas esquecem para se vingar não de mim, mas do povo pobre acabaram com a CPMF. Tiraram por pura vingança”, disse.

Em seguida, afirmou que durante seus dois mandatos deu o mesmo tratamento para governantes de situação e de oposição. Depois, comentou que desde os anos 80, quando atuou como dirigente sindical na região do ABC paulista até os dias atuais nunca verificou placas nas empresas anunciando contratação de mão de obra. “O Brasil está se consolidando com economia estável e crescente. É um processo que não tem retorno. Não tem volta”, afirmou.

Após a entrevista, Lula seguiu para Salgueiro, no sertão pernambucano. Lá, ele visita canteiro de obras da Ferrovia Transnordestina e fábrica de dormentes e brita, além de inaugurar campus do Instituto Federal do Sertão de Pernambuco. No início da noite, Lula retorna a Petrolina para inaugurações de prédios da Univasf  (Universidade Federal do Vale do São Francisco).


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bom dia, MinistroA conservação da biodiversidade é essencial para um novo modelo de economia, baseada em segurança energética, alimentar e climática, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (12/8). Ela aproveitou para anunciar a assinatura do primeiro lote de conversão da dívida externa para criação do fundo da Mata Atlântica e dos biomas brasileiros.

Estamos assinando hoje a primeira iniciativa com o governo americano de conversão da dívida brasileira. O Brasil tem uma divida externa com os Estados Unidos, que vem pagando regularmente, e um mecanismo possibilitou que nós pudéssemos converter esta dívida para projetos ambientais no Brasil. São recursos da ordem de US$ 21 milhões.

Ouça aqui a íntegra do programa:

Izabella explicou ainda que a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê o fim dos lixões, traz um conjunto de ações inovadoras e instrumentos públicos que dependem do engajamento conjunto do poder público e da sociedade civil. “Para organizar esses instrumentos – como o mercado de carbono, geração de energia, reciclagem e reaproveitamento – nós precisamos ter planos de gestão de acordo com o porte da economia de cada município. O MMA trabalha com a regulamentação de todo este arranjo de instrumentos, mas todos vão ter que cuidar das soluções”, defendeu a ministra.

A ministra do Meio Ambiente apontou a reciclagem como um dos caminhos para solucionar a questão dos resíduos sólidos no País. “O Ministério fez um estudo que estimula o mercado da reciclagem. O Brasil poderia hoje estar ganhando com reciclagem R$ 8,5 bilhões por ano, segundo o IPEA”. Para ela, “a nova lei traz os catadores como um dos elos que asseguram o desenvolvimento sustentável“.


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Construir uma ampla frente pela reforma política no País e trabalhar pela exportação dos bons resultados das políticas sociais brasileiras para países da América Latina, Caribe e África são duas das prioridades do presidente Lula para quando deixar o governo, a partir de janeiro de 2011, segundo o próprio revelou em entrevista exclusiva à revista IstoÉ publicada na edição desta semana. Lula voltou a negar que pretenda se candidatar a um cargo na ONU ou no Banco Mundial, e afirmou ainda que o principal legado que leva dos oito anos que comandou o País é a relação que estabeleceu com os movimento sociais.

Todas as políticas públicas que nós colocamos em prática é resultado de milhares de pessoas participando nos municípios, nos estados, até chegar aqui. Então, esse é o legado que eu acho que nós vamos deixar, que nenhum presidente vai ter coragem de mudar, nenhum presidente.

Na entrevista, que ganhou a capa da revista, o presidente Lula falou ainda de sua popularidade, de eleições presidenciais, Irã, Oriente Médio e reforma da ONU. Selecionamos alguns dos principais trechos da íntegra da entrevista, confira:

Frente ampla para reforma política

Quando eu deixar a Presidência eu vou ter 65 anos, eu ainda tenho muita contribuição para dar, ainda tenho muita contribuição para dar ao país. Eu sonho na construção de uma frente ampla no Brasil, juntar forças políticas aqui, construir um programa comum, fazer reforma partidária, que eu acho que é condição sine qua non para a gente poder mudar em definitivo o Brasil. Nós temos que ter uma reforma partidária, e isso não é coisa, não é coisa de presidente da República, isso é coisa dos partidos políticos. E eu pretendo, de fora, ajudar o meu partido a organizar, com os outros partidos políticos, a ideia da reforma política.

Popularidade e vida pós-governo

Eu não estou pensando isso ainda. Eu tenho me recusado a discutir o que eu vou fazer e como vou fazer depois que eu deixar o mandato, porque eu não sei o que eu vou sentir. O meu medo, o meu medo é tomar uma atitude precipitada do que eu vou fazer, montar alguma coisa, e depois de seis meses eu descobrir que não era aquilo que eu queria fazer. Então, eu acho que quem deixa um mandato como eu vou deixar, numa situação, graças a Deus, muito confortável, tem que dar um tempo de maturação. Eu preciso de um tempo, quem sabe, quatro, cinco ou seis meses.

Legado

Olha, eu acho que o legado mais importante que eu vou deixar foi a relação que eu estabeleci com a sociedade. Eu, no meu governo, fiz 72 conferências nacionais. Fiz conferência de GLBT, fiz conferência de política, fiz conferência de comunicação, conferência de portador de deficiência física, conferência de hanseniano, conferência de negro, conferência de índio, conferência de tudo que você possa imaginar; conferência das cidades, conferência dos sem-teto, conferência de catador de papel. Todas as políticas públicas que nós colocamos em prática é resultado de milhares de pessoas participando nos municípios, nos estados, até chegar aqui. Então, esse é o legado que eu acho que nós vamos deixar, que nenhum presidente vai ter coragem de mudar, nenhum presidente.

Tem muitas coisas que me emocionam, porque foi um processo educativo, de a gente teimar que era possível fazer e a gente poder provar o seguinte: o Palácio de um governo não é apenas para receber príncipe, rainha ou presidente, é para receber do pé descalço ao cara que está de sapato alto. E essa foi a coisa rica do governo, ou seja, os sem-teto entrarem lá dentro e chorar, os cegos entrarem lá dentro, aprovar aposentadoria para hansenianos, que ficaram mais de 30 anos em colônia, e beijar cada um, e eles chorarem, porque nunca um presidente tinha encostado perto deles, possivelmente de nojo. Então, eu acho que esse é o grande legado.

Ouça aqui o áudio da íntegra da entrevista:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Exportar políticas sociais

O acúmulo de acertos nas políticas sociais que nós tivemos no Brasil precisa ser socializado. E eu quero socializá-las com quem? Eu quero socializá-las com os países da América do Sul e da América Latina, quero socializá-las com os países do Caribe, quero socializá-las com os países africanos – eu já tenho muitos convites de países africanos para ir lá mostrar a ideia, o que nós fizemos.

Cargo na ONU

Tem companheiros que falam: “Olha, Lula, você… é preciso ir para a ONU”. Eu tenho uma ideia diferente: eu acho que a ONU é uma instituição que tem ser dirigida por um burocrata, que tenha consciência de que ele é subordinado aos presidentes dos países, porque se você coloca alguém lá que, por coincidência, tenha mais força que alguns presidentes, fica, no mínimo, uma anomalia. Você fica com uma instituição criada para servir os países, com gente mandando mais… Aí, imagine se a moda pega e os ex-presidentes americanos resolvem ser secretários-gerais da ONU! Não dá certo!

Ancinav

Eu vou te contar uma história, como é que a gente… Governar é uma coisa engraçada. Uma vez, o Gilberto Gil propôs criar a Ancinav. Era uma proposta, era uma proposta e, de repente, a gente estava tomando porrada de todos os lados. De todos os lados a gente estava tomando bordoada. Então, eu reuni todos os ministros envolvidos naquilo – Justiça, Fazenda, Indústria e Comércio, Cultura –, e tinha mais uns três ou quatro – Secom, Comunicação – em uma mesa, esta mesa aqui – lá no Alvorada. Eu falei, companheiros, olha, eu estou vendo pela imprensa essa proposta da Ancinav aí, nós estamos apanhando muito e eu quero saber o seguinte: se todos nós estamos de acordo com a proposta que está na mesa. Foi fantástico. Nenhum ministro concordava com a proposta.

Jornalista: Nem o Gil?

Não, porque era uma proposta para debate, era uma proposta para debate, e surgiu como se fosse uma proposta acabada do governo. Então, eu falei: pelo amor de Deus, gente, alguém tem que comunicar à imprensa que está retirada a proposta. Se ninguém está defendendo a proposta, por que ela vai continuar? Então, isso são coisas de governo que ou você toma a decisão rapidamente ou você é engolido rapidamente.

Irã

O Ahmadinejad veio aqui, nós conversamos mais de duas horas, aí eu falei: se você… se for possível a gente avançar, eu mando o Celso Amorim ir muitas vezes lá. Como a Turquia também estava tentando, então, nós fomos. O Celso Amorim e o Ministro das Relações Exteriores da Turquia começaram a conversar, e a conversar com o Primeiro-Ministro do Irã, preparando a nossa ida lá. (…) Bem, aí foi chegando próximo de ir ao Irã, o Celso foi várias vezes lá, eu falei: Celso, é preciso dizer para o Ahmadinejad que eu não posso fazer uma viagem inútil.

(…) Eu nasci na política, meu filho, eu nasci. Eu, toda a minha vida, desde os anos [19]69, a minha vida foi negociar; perdi muita coisa, ganhei muita coisa, mas negociar é a arte maior de fazer política.

Novo Conselho de Segurança da ONU

O problema é o seguinte: se a ONU continuar fraca do jeito que está, vai prevalecer o unilateralismo, ou seja, a posição unilateral dos americanos vai continuar prevalecendo. Quando nós propusemos fortalecer a ONU, não é a entrada do Brasil, é a entrada do Brasil, é a entrada da Índia, é a entrada da Alemanha, é a entrada de dois ou três países africanos. É, uma coisa, uma coisa para que tenha mais representatividade. Você imagina o continente africano, com 53 países, não tem ninguém! E quantos tem, europeus? E, agora, tem mais a Alemanha, convidada especial. Ou seja, aquilo não é um clube de amigos.

Paz no Oriente Médio

No Oriente Médio, veja, no Oriente Médio, eu vou terminar dizendo isso, no Oriente Médio, na minha opinião, não haverá paz enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz! Porque não vai haver? Porque ali você tem que saber o seguinte: quem é que tem força no Hezbollah? Quem é que tem força no Hamas? Qual é o papel do Irã? Qual é o papel do Catar, que é aliado dos americanos de um lado, e ajuda o Hamas de outro? Qual é o papel do Presidente da Síria? Ou você tem uma instituição que congregue todos esses países juntos, e essas organizações estabeleçam um ponto mínimo de acordo, ou nunca haverá paz.


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Café com o presidente

O presidente Lula pediu nesta segunda-feira (2/8), no programa de rádio Café com o Presidente, que os brasileiros recebam bem os pesquisadores do IBGE que começaram a fazer esta semana pelo País levantamento para o Censo 2010. “Se puder, ofereça até um cafezinho para o companheiro”, disse o presidente, que recebeu os ministros Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Paulo Bernardo (Planejamento) para a entrevista. Outro tema do programa foram os investimentos de R$ 41 bilhões em inovação tecnológica.

Lula afirmou que responderá ao Censo na tarde de hoje com a primeira-dama Marisa Letícia no Palácio da Alvorada, e reforçou a importância de se responder às questões com sinceridade:

Cada palavra sua é que vai dar o retrato fiel do que será o país daqui a uns dois anos, quando estiver tudo elaborado, tudo pronto e for divulgado.

Ouça aqui a íntegra do programa:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Quer mais informações sobre o Censo 2010? Clique aqui e veja nosso infográfico.

O ministro Paulo Bernardo lembrou que o Censo é a única pesquisa realizada em todos os 5.565 municípios brasileiros, servindo para que os governos federal, estaduais e municipais façam o planejamento de suas políticas políticas.

O presidente Lula falou ainda sobre a medida provisória que reduz impostos para empresas que investirem em inovação tecnológica. Segundo ele, o Brasil é hoje o segundo país do mundo na promoção de incentivos fiscais ao setor, perdendo apenas para os Estados Unidos.

A medida provisória permite que, mesmo que o produto desenvolvido no País custe um pouco mais caro, possa ganhar uma licitação, pois será desonerado de impostos. “Com isso, nós temos hoje no Brasil um leque de apoio do governo para que as empresas sejam estimuladas, contudo, é muito importante que os empresários se arrisquem mais e façam da inovação parte do seu processo produtivo”, afirmou o ministro Rezende.


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O próximo presidente da República encontrará um Brasil mais sólido, justo e democrático do que o País era no dia 1º de janeiro de 2003, afirmou Lula em entrevista aos jornais Brasil Econômico e O Dia, publicada nas edições desta sexta-feira (23/7). “O Brasil está muito mais preparado para continuar dando um salto de qualidade”, disse o presidente, acrescentando que o País ganhou mais respeitabilidade internacional e autoestima interna. Esse é o seu maior legado para o próximo governo.

O maior desafio do Brasil para o futuro, afirmou Lula, é recuperar o tempo perdido na educação e em investimentos em pesquisa e tecnologia, e para isso espera que o Congresso Nacional tenha bom senso na discussão do novo marco regulatório do Pré-sal. Disse ainda que o próximo presidente brasileiro vai encontrar um País mais exigente, “porque o povo aprendeu a reivindicar”:

“Essa, essa, para mim, é a coisa extraordinária da democracia e da conquista da sociedade: ela está sempre querendo mais, sempre querendo mais, sempre querendo mais.”

Lula revelou que a sua maior frustração foi não ter conseguido fazer as reformas tributária e política no País. O presidente conversou também sobre seu futuro como ex-presidente, a nova politica externa adotada pelo Brasil, dando mais ênfase a países da América Latina e África, a paz no Oriente Médio, as contas públicas e segurança pública.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista. Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

Legado para o próximo presidente

Eu tenho a convicção de que nós vamos entregar um Brasil, no dia 1º de janeiro, infinitamente mais sólido, infinitamente mais justo, mais democrático, do que o país que eu recebi no dia 1º de janeiro de 2003. Do ponto de vista econômico, a situação está infinitamente melhor, o Brasil está estável, a economia está crescendo, nós temos reservas suficientes para enfrentar qualquer crise, tipo crise russa, tipo crise da Malásia, tipo crise do México, e mesmo a crise do subprime nós tivemos solidez para suportar essa crise. Os salários dos trabalhadores estão crescendo, ou seja, nesses oito anos de governo, todos os acordos salariais de 90% das categorias tiveram ganhos reais de aumento de salário. As classes D e E deram um salto de qualidade, cresceu muito a classe C no Brasil. A educação tem melhorado substancialmente, sobretudo…

A pobreza tem diminuído muito no Brasil. E, sobretudo, o Brasil ganhou respeitabilidade internacional e ganhou muita autoestima interna. Então, o Brasil está muito mais preparado para continuar dando um salto de qualidade. A minha tese é que se o Brasil continuar no ritmo em que ele está nos próximos seis ou oito anos, o Brasil estará entre as cinco maiores economias do mundo, já em 2016, por conta das Olimpíadas.

Brasil mais exigente

Quem chegar aqui, depois de mim, vai pegar um país com mais tranquilidade. Agora, vai pegar um país mais exigente, porque o povo aprendeu a reivindicar. Ontem, eu fiz uma reunião, ontem, eu fiz uma reunião… Vocês sabem que neste país presidente da República, nem ministro da Educação, nunca se reuniram com os reitores, nunca. De medo, porque eles imaginavam que os reitores vinham aqui para reivindicar, para pedir a autonomia das universidades. Eu, faz oito anos que presido o Brasil, e todo ano eu me reúno com todos os reitores do Brasil. Ontem, eu fiz a última reunião do ano para dar a autonomia universitária, que era o último compromisso que eu tinha com eles. Dei a autonomia universitária. Quando eu pensei que não ia ter mais reivindicação para apresentar, eles me apresentaram uma nova pauta de reivindicações. Essa, essa, para mim, é a coisa extraordinária da democracia e da conquista da sociedade: ela está sempre querendo mais, sempre querendo mais, sempre querendo mais. E vocês percebem isso no jornal de vocês. Vocês dão aumento de salário, vocês acham que o cara que pegou o aumento está feliz? Ele está feliz no primeiro mês, no segundo mês; no terceiro mês, ele já acha que aquilo já acabou, ele quer mais.

Desafios para o futuro

Veja, nós temos muitos problemas porque nós temos um século de atraso, na questão da educação. Por isso é que no Pré-sal a minha primeira proposta foi criar um Fundo para que a gente invista na educação, para que a gente aproveite o Pré-sal e a gente recupere o atraso do Brasil na área educacional e, sobretudo, na área de investimento em pesquisa e tecnologia. Ou seja, ciência e tecnologia, para nós, é condição sine qua non para o Brasil dar o salto de qualidade que nós precisamos.

Vida de ex-presidente

O Felipe González conta uma história que eu acho fantástica… ele acha que quando você é presidente, você é que nem vaso chinês: você coloca sempre no lugar mais bonito, para todo mundo ver. Quando você vira ex-presidente, você não sabe o que fazer com um vaso chinês. Ninguém sabe o que fazer com um ex-presidente, ninguém sabe. Ele pode virar um incômodo, ele pode virar um chato, ele pode virar um cara que lamenta a vida, ele pode ficar magoado, rançoso, pode ficar… Eu trabalho com a minha cabeça que eu quero ser o melhor ex-presidente do mundo. Eu não quero dar palpite em quem estiver governando, eu acho que é responsabilidade de quem governar pelos seus erros e pelos seus acertos. E aí, quando eu estiver na minha reflexão, certamente eu vou descobrir muita coisa que eu deveria ter feito e não fiz. Muita coisa.

Frustrações

Por exemplo, eu não consegui fazer a reforma tributária, e mandei dois projetos para o Congresso Nacional. Eu mandei… tem um inimigo oculto da reforma tributária dentro do Congresso Nacional, porque a primeira reforma tributária que eu mandei, eu mandei junto com 27 governadores de estado, foi no mês de abril de 2003. Eu fui ao Congresso Nacional entregar, junto com os 27 governadores. A última, que o ministro Guido Mantega foi entregar, tinha a concordância dos empresários, a concordância das lideranças políticas, a concordância do movimento sindical, a concordância dos empresários. Eu pensei que ia chegar lá e que ia ser votada em três meses. Até hoje não foi votada, porque deve ter um milhão de modelos de política tributária na cabeça de cada pessoa. Então, eu tenho essa frustração de não ter votado a política tributária, e também de não ter conseguido votar a reforma política. Eu sei que não era uma coisa do Poder Executivo, mas eu tenho um compromisso com a minha consciência.

A partir de 1º de janeiro eu não serei mais presidente da República, serei um militante do meu partido, e eu vou trabalhar muito neste país, junto aos partidos, para que a gente possa fazer uma reforma política necessária para fortalecer os partidos políticos, para acabar com a corrupção eleitoral, para evitar caixa-dois, para evitar, sabe…? Que as coisas sejam transparentes, que o Estado… que o financiamento da campanha seja público, transparente, que se decida quanto vale cada voto: é um real, são dois reais, são três reais, e cada partido vai receber proporcionalmente ao que teve e vai ter controle para fiscalizar isso. Então, eu tenho essa frustração de não ter conseguido, apesar de ter mandado também duas propostas para o Congresso Nacional, que não foram apreciadas, que não foram votadas. Então, essas são duas frustrações que eu tenho. Eu posso ter muitas outras e que eu vou… com o tempo é que a gente vai descobrindo as frustrações, das coisas que a gente não fez.

Nova política externa

Nós não podemos virar as costas para esses países e ficar olhando para a Europa, sem enxergar a África; ficar olhando para os Estados Unidos, sem enxergar o Oriente Médio, ou sem enxergar a América Central. Vamos estabelecer uma outra política. E aí, eu tenho orgulho de que eu fui o primeiro presidente a visitar quase todos os países árabes; o primeiro presidente, depois de dom Pedro, a visitar vários países, como o Líbano. Eu já visitei… é a oitava viagem minha à África. Nós saímos de 5 bilhões de balança comercial para 26 bilhões de balança comercial com a África. Isso porque o Brasil ainda tem uma política tacanha. O Brasil pode ser mais ousado com a África e, não o sendo, a China será, e não o sendo, a China será. E o Brasil tem facilidade, o Brasil tem mais carinho, tem mais apego, tem mais semelhança, tem… falamos a mesma língua em muitos países africanos.

Portanto, o Brasil tem que aproveitar esse potencial extraordinário de um continente que tem 800 milhões, e que estão aprendendo a viver na democracia, e que tem países crescendo a 7%, a 19%, a 8%. Ou seja, em vez de ficarmos preocupados com aquele que ainda está em guerra, vamos nos preocupar em consolidar aqueles que já estão construindo a democracia. Depois eu visitei… acho que eu sou o único presidente brasileiro que visitou todos os países da América Central, todos, sem distinção.

Oriente Médio

Quem é que disse que o Oriente Médio é um problema para os americanos cuidarem? Onde é que está escrito? Está na Bíblia? Está na Declaração Universal dos Direitos Humanos? Tem algum documento da ONU que diz que são os americanos que têm que cuidar do Oriente Médio? Não. É preciso construir um grupo de países que tenham a confiança de todos os que estão envolvidos na guerra, porque o problema não é o presidente Abbas e o Primeiro-Ministro de Israel, esses são duas personalidades. Mas quem vai cuidar do Hamas? Quem vai cuidar do Rezbollah? Quem vai conversar com a Síria? Quem vai conversar com o Ahmadinejad? Quem vai conversar com o Emir do Catar que, de um lado, é parceiro americano – tem até base americana lá – e, de outro lado, é aliado do Hamas? Quem é que vai colocar toda essa gente à mesa para tentar, a partir daí, encontrar a solução? Não é uma relação de um clube de amigos, em que o Presidente americano se reúne com o Primeiro-Ministro de Israel, e se reúne com o Primeiro-Ministro da Autoridade Palestina, e está resolvido o problema. Não está, porque para ser resolvido o problema é preciso saber se o Hamas concorda com um acordo de paz.

Liberdade democrática no Brasil

Quem é que pode se queixar que no Brasil não tem liberdade democrática? Quem é que pode? Vocês conhecem o mundo, vocês… Eu duvido que tenha lugar do mundo que a imprensa é mais livre do que no Brasil, duvido. Entretanto, nós fizemos uma conferência de comunicação, e grande parte da imprensa não compareceu porque achou que era uma coisa autoritária que o governo queria se meter. Quando um dirigente faz crítica a um jornal, é censura, não é crítica. É como se fosse o cidadão da imprensa o único que não pudesse receber nenhuma crítica no mundo porque são perfeitos. Tem até uma coisa engraçada. Nesses dias, um cidadão de uma instituição estrangeira aí (SIP) me fez uma crítica, ele tinha acabado de mandar uma carta para mim, para me homenagear, como o “democrata das Américas”. Ele deve ter esquecido que mandou a carta.

Conferências nacionais

O Brasil está tranquilo com relação à democracia. Já está provado, por atos e coisas, que este Estado é altamente democrático, e isso é um bem para o Brasil. Eu acho que esse é outro legado importante. Veja, eu fiz 70 conferências nacionais, eu fiz 70 conferências nacionais. Eu fiz conferência de segurança pública, eu fiz conferência de imprensa, eu fiz conferência de portadores de deficiência, eu fiz conferência de catadores de papel, eu fiz conferência de moradores de rua, eu fiz conferência de criança e adolescente, eu fiz conferência de aposentado, eu fiz conferência de índio, eu fiz conferência de negro, eu fiz conferência de mulher, eu fiz conferência do GLTB. Não tem um segmento da sociedade que eu não fiz conferência, para que a gente pudesse expressar o ponto de vista e dar subsídio para a construção das políticas públicas do nosso governo.

Microeconomia

Nós falamos muito de macroeconomia, não é? Quando a gente discute, quando o Guido Mantega vai a Nova Iorque, ou quando o Guido Mantega… o Meirelles vai a Basiléia, ou quando… Todos nós falamos da macroeconomia, da macroeconomia, mas no Brasil nós criamos uma coisa que caminha paralela à macroeconomia, chamada microeconomia, que é o que toca uma parte das coisas no Brasil, que muitas vezes, não aparecem nos meios de comunicação. Por exemplo, quando nós chegamos ao governo, nós tínhamos R$ 380 bilhões de crédito para o Brasil inteiro – isso em 2003 – R$ 380 bilhões de crédito. Hoje nós temos R$ 1,5 trilhão de crédito. Nós criamos o crédito consignado que ninguém acreditava. Eu nunca tinha visto um economista falar em crédito consignado. Nós criamos o crédito consignado dando como garantia para o banco a folha de pagamento do trabalhador.

Contas públicas

Tem duas coisas que eu queria que vocês soubessem que eu levo muito a sério, muito a sério: primeiro, as contas públicas. Eu sou casado há 36 anos e eu nunca fiz uma dívida na minha vida que eu não pudesse pagar. Eu, muitas vezes, eu fui acho que um dos últimos brasileiros modernos a ter uma televisão em cores, porque eu só comprei quando eu pude comprar e pagar. Eu só pude ter o meu carro quando eu tinha consciência de que eu não ia me apertar para pagar. E isso, assim, eu faço com o Brasil, Ricardo. Eu digo sempre para os meus amigos: eu não quero governar o Brasil, eu quero cuidar do Brasil. Cuidar, cuidar como eu cuido da minha família, cuidar como eu cuido do meu filho, não deixar a coisa desandar. Se, de vez em quando, você precisar apertar em um lugar, você aperta; mas se for preciso você desapertar em outro, você desaperta.

O Guido Mantega tem feito um trabalho extraordinário, o Meirelles tem feito um trabalho extraordinário. Eu tenho dito para eles: Não tem mágica na economia, e não tem política na economia. Não adianta, porque tem eleição: “Ah, não vai aumentar juros porque tem eleição, ou não vai fazer tal coisa porque tem eleição”. A eleição, para mim, é uma coisa muito passageira. Este país é eterno. E eu sei o que custa um país arrumado, porque eu estava dentro de uma fábrica quando este país estava desarrumado e eu tinha a inflação a 80% ao mês. Então, eu sei o que isso pesava no meu salário.

Segurança pública

Se tudo fosse resolvido criando um ministério, nós não teríamos problemas no Brasil. Os tucanos têm experiência de governar vários estados importantes e pouca experiência de cuidar de segurança, pouca experiência. Então, acho muito pobre que um candidato diga “eu vou criar um ministério”. Segundo, é importante – e eu não tenho os números aqui – mas o Franklin pode arrumar para vocês… a Maya pode arrumar para vocês, o que nós fizemos no Ministério da Justiça, o que significam as políticas que nós adotamos nos últimos três anos para ajudar os estados a reduzir o problema da crise com a segurança pública. Posso te dizer, sem ver… a Maya pode te dar. Não tem momento na história em que o governo federal colocou a quantidade de dinheiro que colocou nos estados para ajudar a segurança pública.

Pronasci e UPPs

Quando nós criamos o Pronasci, a gente fez uma revolução no conceito de segurança pública; quando a gente instituiu as Mães da Paz a gente criou uma outra revolução, que é fazer com que nas comunidades… Eu vou dar um exemplo: no bairro de Santo Amaro, em Pernambuco, que era o bairro mais violento, a violência diminuiu 70%. Porque o que é o Pronasci? O Pronasci, você chega lá, com as Mães da Paz, que são mulheres da própria comunidade, que vão tentar trabalhar os meninos que estão em área de risco. Você tem praça de esportes, você tem biblioteca, você tem, às vezes tem até 19 ações do governo federal em um único bairro. Você tem a polícia comunitária, que tem ajudado muito, mas muito a resolver o problema da segurança; e temos feito convênios com todos os estados. E esses dados, depois a Maya ou Franklin pode dar para vocês.

A segunda coisa que eu acho é que as UPP’s do Sérgio Cabral têm dado certo e é um modelo importante, é um modelo importante. Da mesma forma que é importante a chamada… Eu não sei como é o nome, mas, por exemplo, no Ceará também tinha uma ajuda do governo federal, aquela polícia comunitária que toma conta de um bairro.


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Em entrevista que em foi ao ar ontem à noite (21/7) no Jornal da Record (TV Record), o presidente fez uma breve avaliação de seu governo, muitas vezes se emocionando ao falar do carinho do povo e do bom momento do País, e revelou que não pensa em dizer ‘adeus’ quando acabar seu mandato, no dia 31 de dezembro deste ano. “Porque eu vou andar muito pelo Brasil. Eu tenho planos, vou voltar a viajar o Brasil inteiro”, disse ele. A intenção, afirmou o presidente, é reeditar a Caravana da Cidadania pelo Brasil, “para ver o que aconteceu nas coisas”.

Uma coisa é certa: eu aprendi a conviver com esse povo durante tantos anos, que eu utilizava “eu não governo, eu cuido desse povo com o carinho que eu cuido da minha família”.

O presidente Lula se emocionou quando falou do bom momento que o País vive e do orgulho que sentiu quando participou de cerimônia de assinatura de empréstimo do BNDES para uma cooperativa de catadores de papel, em São Paulo. Ao lembrar da reunião que promoveu no Palácio do Planalto com portadores de deficiência visual, chorou:

Eu fiz uma reunião no Palácio do Planalto com os moradores de rua, porque esse Palácio não é só para príncipes, não é só para banqueiros. Eu lembro o dia em que eu trouxe os portadores de deficiência física, porque tinha um debate no Brasil se os cães-guia poderiam entrar em igreja, se os cães-guia poderiam entrar em shopping, se os cães-guia poderiam entrar no metrô, um absurdo! O cão-guia é o olho do cego. Como é que alguém pode deixar o seu olho do lado de fora do shopping ou da igreja? Então, para demonstrar que eles podiam entrar, o que eu fiz? Eu fiz uma reunião dentro do Palácio, com mais de mil pessoas portadoras de deficiência com os seus cachorros. Nenhum cachorro fez nenhum xixi e nenhum cocô dentro do Palácio. Foram embora tranquilamente, guiando os seus donos. Depois, quando eu fiz com os moradores de rua, o discurso deles, o que era? “Presidente, nós não queremos reivindicar nada. Nós só queremos dizer o seguinte: a maior conquista nossa é o fato de a gente estar dentro do Palácio”, coisa que eles jamais pensaram em entrar. (choro emocionado). Acho que eu estou ficando velho…

Para ler a íntegra da transcrição, clique aqui.

Ouça o áudio da íntegra da entrevista:

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Boas lembranças

Nessa semana toda, a lembrança que vem à minha mente foi o encontro que eu tive com os quase 400 estudantes da periferia, do ProUni que se formaram em Medicina. Você não imagina o… Eu cheguei em casa, eu quase que não conseguia dormir, de ver meninas e meninos pobres da periferia, que jamais poderiam estudar Medicina, por conta do ProUni se formaram, e no ano que vem, se Deus quiser, já estarão fazendo a sua Residência e trabalhando. Foi… se eu morresse naquele dia, para mim já teria valido a pena ter passado pela Terra.

Popularidade

Ora, eu penso que é a relação que eu tenho com o povo. Eu acho que a minha história de vida ajudou muito, e acho que o resultado do que nós estamos fazendo. Uma coisa, Adriana, você sabe, você é jornalista, que se dependesse de alguns jornais, se dependesse de algumas televisões e se dependesse de algumas rádios – eu estou falando “algumas” para não generalizar – eu teria zero na pesquisa.

Relação com a imprensa

Eu não me acho perseguido, nunca. Eu agradeço sempre à imprensa porque eu sou presidente, também, por causa da imprensa. Mesmo quando ela me criticava, ela falava o meu nome. Mas, mas, como jornalista, você sabe que nós não somos tratados, na minha opinião, até com o respeito que deveríamos ser tratados, muitas vezes, e eu nunca me queixei. Nunca, nunca trouxe aqui na minha sala um dono de televisão, de rádio ou de jornal para me queixar.

(…) Aliás, eu duvido que este país já tenha vivido um momento de democracia, como ele vive hoje. E o governo, muitas vezes, é ofendido, a figura do presidente é ofendida, a figura do vice é ofendida, a figura de ministro é ofendida. E eu digo: Oh, ninguém deve assimilar o ódio, porque se a gente tiver o mesmo ódio que eles têm de nós, a gente vai ter azia, vai ter gastrite, a gente não vai dormir. Deixa eles ficarem com insônia, e vamos nós continuar trabalhando. Então, quando as políticas públicas dão resultado, Adriana, não tem jeito.

Vida pós-mandato

Eu só não quero participar de mais reunião de partido político. Pelo amor de Deus! Eu estraguei tantos sábados da minha vida fazendo reunião. Sábado de sol, que eu saía para a reunião do PT; sábado de sol que eu saía para reunião da CUT; sábado de sol que eu saía para a reunião do sindicato, minha mulher, em casa com as crianças: “Vamos não sei para onde, vamos para a represa, vamos para a praia, vamos não sei para onde”, e eu não fui. Então, isso eu não faço mais. Eu, agora, posso participar, até dia de semana, de reunião, mas pelo amor de Deus, não me convoquem mais para uma reunião de domingo, não.

Momento do adeus

Então deixa eu te contar uma coisa: eu não penso em dizer adeus. Porque eu vou andar muito pelo Brasil. Eu vou… eu tenho planos, eu vou voltar a viajar o Brasil inteiro. Ou seja, cada estado deste país eu vou voltar a visitar. Eu tenho vontade de voltar a fazer caravana para ver o que aconteceu nas coisas. Ou seja, eu quero voltar a andar. Uma coisa é certa: eu aprendi a conviver com esse povo durante tantos anos, que eu utilizava “eu não governo, eu cuido desse povo com o carinho que eu cuido da minha família.

O bom momento do Brasil

Eu acho que o Brasil, hoje, se encontrou consigo mesmo. De quem é a responsabilidade? Eu acho que é do povo brasileiro, das pessoas que acreditaram, das pessoas que trabalharam, das pessoas que tiveram fé. Eu fui apenas o encarregado, muitas vezes, de tornar prática aquilo que eu aprendi nas 70 conferências nacionais que eu fiz. Eu fiz conferência com tudo o que você possa imaginar, neste país. O orgulho do dia em que embaixo daquela ponte, lá no Glicério, eu vi o BNDES assinar o empréstimo de R$ 200 milhões para a cooperativa de catadores de papel, aí eu falei: agora sim, este país (choro emocionado).

(…) Eu acho que é o… é o clima do reconhecimento de que as pessoas passaram a perceber que o Brasil é delas. Eu fiz uma reunião no Palácio do Planalto com os moradores de rua, porque esse Palácio não é só para príncipes, não é só para banqueiros. Eu lembro o dia em que eu trouxe os portadores de deficiência física, porque tinha um debate no Brasil se os cães-guia poderiam entrar em igreja, se os cães-guia poderiam entrar em shopping, se os cães-guia poderiam entrar no metrô, um absurdo! O cão-guia é o olho do cego. Como é que alguém pode deixar o seu olho do lado de fora do shopping ou da igreja? Então, para demonstrar que eles podiam entrar, o que eu fiz? Eu fiz uma reunião dentro do Palácio, com mais de mil pessoas portadoras de deficiência com os seus cachorros. Nenhum cachorro fez nenhum xixi e nenhum cocô dentro do Palácio. Foram embora tranquilamente, guiando os seus donos. Depois, quando eu fiz com os moradores de rua, o discurso deles, o que era? “Presidente, nós não queremos reivindicar nada. Nós só queremos dizer o seguinte: a maior conquista nossa é o fato de a gente estar dentro do Palácio”, coisa que eles jamais pensaram em entrar. (choro emocionado). Acho que eu estou ficando velho…

Maior erro

Eu acho que o meu maior erro foi o meu maior acerto, ou seja, eu errei na campanha de [19]89, sobretudo naquele último debate. Eu passei praticamente 28 horas sem dormir antes do debate, o que era um crime para qualquer debatedor minimamente experiente, e eu perdi aquelas eleições. Eu agradeço a Deus de não ter ganhado em 89 e ter ganhado somente em 2002, porque eu estava mais maduro, mais calejado, mais preparado, eu estava mais no ponto, possivelmente, se eu tivesse vindo tão cedo, eu não tivesse tido condições de fazer tudo que nós fizemos agora.

Serra e as Farc

Jornalista: O senhor gostaria de falar com o candidato José Serra sobre essa
afirmação que ele fez da ligação do PT com as Farc?

Presidente: Eu estou falando via você. Espero que ele ouça.

Jornalista: Pessoalmente?

Presidente: Espero que ele tenha abertura suficiente para ver outro canal de televisão. Espero que ele utilize o controle remoto e mude de canal, para ele ver que tem coisa acontecendo, que ele está equivocado, ele está muito equivocado. Eu tenho acompanhado algumas críticas dele, que eu acho que ele não pensa aquilo, eu acho que ele não acredita naquilo. E se ele tem algum assessor orientando ele, esse assessor não é tão amigo dele, porque está no caminho errado.

Receita Federal e quebra de sigilo

A Receita Federal é intocável. Até para o presidente da República, a Receita Federal é tão intocável que, se eu pedir a declaração do meu pior inimigo, a Receita precisa me denunciar. Somente assim a gente vai garantir a manutenção do processo democrático deste país. A Receita Federal não pode estar a serviço de A, B ou C. A Receita Federal tem que estar a serviço do sigilo que este país precisa sobre as declarações das pessoas.

(…) Eu posso te garantir uma coisa, Adriana – é como se eu estivesse falando para a minha mulher, para o meu filho ou para a minha mãe, que é a pessoa que eu mais adoro: se eu tiver informação de que alguém da Receita Federal vazou a declaração do Eduardo Jorge ou a de qualquer outra pessoa neste país, esse cidadão será exonerado a bem do Serviço Público, uma hora antes. Porque, senão, a gente não garante a democracia neste país. E todo mundo que me conhece sabe, inclusive os meus adversários sabem: eu posso ter todo o defeito do mundo. Agora, tem uma coisa que eu não abro mão, que é a lealdade no meu comportamento em relação às pessoas. É isso.

Preconceito

Eu não era Presidente, uma vez eu estava em um bar em São Paulo, eu fui entrando para jantar, aí eu passei em uma mesa, uma mulher falou para a outra assim: “Não sei por que ele diz que é representante dos trabalhadores e vem comer aqui”. Aí, um amigo meu que estava atrás perguntou para a mulher: “É a senhora que vai pagar?” Ela falou: “Não”. “Então não se incomode”. O preconceito é uma doença. Então, eu sou agradecido ao povo brasileiro por não ter tido preconceito com relação a mim, sabe. Eu sou agradecido a todos aqueles que um dia acreditaram que era possível a gente chegar ao estágio em que nós estamos, conquistar as Olimpíadas.

Comparação com FHC

Eu reconheço que teve a ajuda da Era Getúlio Vargas, da Era dom Pedro… Todo mundo fez um pouco neste país. Alguns jogaram fora o que fizeram, alguns jogaram fora. Eu até… até… eu não gosto mais de fazer comparação com a Era do Fernando Henrique Cardoso, porque ele sofre demais. Acho que nem os governadores dele vão colocar ele defendendo a Era dele na televisão, nem isso eles vão fazer. Porque eu topo discutir qualquer número, mostrar na televisão os números: o que era o Banco do Brasil, o que é hoje; o que era a Caixa Econômica, o que é hoje; o que era o BNDES, o que é hoje; o que era o crédito; o que era a agricultura familiar, o que é hoje… Sabe? Nós podemos discutir qualquer coisa, qualquer coisa, qualquer coisa. Por quê? Porque eu acho que nós tomamos como decisão incluir mais gente na cidadania brasileira. O Brasil não poderia continuar sendo governado para 35 milhões de pessoas.

(…) Então, eu acho que o Fernando Henrique Cardoso teve um momento importante, o primeiro mandato do Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real foi importante, a URV, que nós, equivocadamente… eu falei mal, fiz uma campanha falando mal. Mas onde foi o suicídio político? O suicídio político foi, primeiro, a tese da reeleição e, segundo, não se dar conta do câmbio, não fazer a mudança do câmbio, por conta da eleição de [19]98. E este que vos fala não deixará de tomar nenhuma medida, por mais que ela seja dura para mim mesmo, por causa de uma eleição. A nação vale mais do que uma eleição. A eleição é uma coisa passageira e a nação é eterna.

Multas da Justiça eleitoral

Olha, veja, eu acho que a Justiça deve ter suas razões para entender que eu desrespeito a Lei quando eu falo o nome de um candidato. E, outro dia, eu culpei o próprio Congresso Nacional, que precisava definir melhor as regras do processo eleitoral. Eu vou lhe contar um episódio, para não ficar falando de pessoas. Quando eu criei a Olimpíada de Matemática, em 2005, foi um sucesso, se inscreveram 10 milhões de pessoas. No ano de 2006 tinha eleição presidencial. Ora, eu não estava fazendo propaganda minha, eu estava fazendo propaganda, que era um cartaz dizendo: “Matricule-se para participar da Olimpíada de Matemática”. A Justiça, simplesmente, proibiu aquilo.

Lei eleitoral

Eu não acho que a Lei é rígida, o juiz interpreta a lei que é feita pelo Congresso Nacional. Eu acho que quem tem que ser mais claro é o Congresso Nacional, e eu tenho conversado muito com os deputados sobre isso. Veja, eu jamais, jamais, até porque eu sei da responsabilidade que eu tenho como Presidente da República, e eu sei o exemplo que eu devo ser para a nação brasileira, eu jamais iria fazer qualquer coisa para desrespeitar a lei. Ou seja, eu tenho tentado me portar dentro do limite daquilo que eu recebo orientação dos meus advogados: “Isso pode, isso não pode”, e falar. E, muitas vezes, mesmo aquilo que dizem que eu posso, eu não posso, no entendimento de um juiz. Quando ele toma a decisão, nós entramos com recurso e vamos julgar, para ver o que acontece. Eu, jamais me passou pela cabeça, nem quando eu não era Presidente, muito menos como Presidente, desrespeitar a Lei Eleitoral, até porque se eu der esse exemplo eu vou garantir que ninguém mais queira respeitar coisa nenhuma neste país. E eu acho que o Poder Judiciário é um dos pilares, um dos sustentáculos da garantia democrática deste país.

Juros

Nós colocamos meta de inflação. Nós temos como instrumento de controlar a inflação, quando ela começa a dar sinais de crescimento, você diminuir um pouco a demanda. Então, você tem que aumentar um pouco a taxa de juros. Se a gente não gostar disso, você tem que mudar. E até agora, nós achamos que deu certo no Brasil, que não precisa mudar, porque… O que é engraçado, no Brasil, é que você tem mais de 60% dos juros do mercado não está por conta da taxa Selic. Você pega todo o dinheiro que o BNDES tem para emprestar, da Caixa Econômica Federal, toda a agricultura, ninguém é financiado pela taxa Selic, é tudo juro muito mais barato. E a economia está dando certo. Então, eu tenho confiança no Banco Central, tenho confiança no Meirelles, e acho que ele tem que ter autonomia para tomar as decisões corretas. E nesses oito anos, a verdade é que nós acertamos mais que erramos. Quando alguém pergunta para mim: “O juro está alto?” Eu pergunto: Meu Deus do céu, quando eu cheguei aqui esse juro estava em quase 26%. Ele está bem menos do que estava naquela época, e eu acho que ele pode cair mais. Mas para ele cair mais, nós precisamos estabilizar mais a economia e garantir o fim da cultura inflacionária no Brasil.

Sucessor de Dunga

Eu tenho quatro pessoas que eu respeito e gosto: Eu tenho o Felipão, que é o que nos traz a imagem de maior saudade, porque foi campeão em 2002; eu tenho o Luxemburgo, que eu acho sempre um grande técnico brasileiro; tem o Muricy, que ganhou tantos títulos pelo São Paulo e está agora recuperando o Fluminense; e tem o Mano Menezes, do meu Coringão, que eu não gostaria que ele deixasse o Coringão agora.

(…) hoje, eu, sinceramente, votaria no Felipão. Agora, o Felipão está com um problema, que ele tem contrato com o Palmeiras até 2012, e a Seleção não pode ficar esperando, porque tem que ter um técnico já, porque tem que formar a Seleção de 2014. Nós precisamos começar a convocar meninos de 21 anos, de 20, de 19, de 22, para quando chegar à Copa ele estar com 25, 26 anos, estar maduro e preparado. Então, a gente não pode… Tem muitos jogadores que disputaram essa Copa que estarão com a chuteira pendurada, já em 2014. Então, o técnico que for chamado agora será… ele não vai convocar, ele vai formar a Seleção brasileira. É diferente. Então, ele tem que ser menos mandão e mais líder, porque é diferente. O cara mandão é aquele cara que você tem medo, o líder é aquele cara que você respeita. Então, eu acho que o Felipão ficaria bem.

Custo da Copa 2014

O governo federal tem investimentos em mobilidade urbana, em saneamento básico, em quase tudo que for de infraestrutura o governo federal quer ter uma participação muito forte; o governo do estado também, e o governo federal. Ainda nesta semana foi assinado entre os entes federados – todas as cidades
que vão ter a Copa do Mundo e todos os estados – um pacto, um compromisso do que cada um vai ter de responsabilidade, porque dessa vez a gente quer fazer uma coisa que seja exemplar para o Brasil. Aquilo que for necessário gastar, nós vamos gastar para fazer a melhor Copa do Mundo que o mundo já viu, sem precisar, sem precisar fazer nada que seja “elefante branco”. Fazendo apenas as coisas necessárias para dar seriedade, sobretudo a qualidade dos
campos de futebol.

Investimentos em infraestrutura

Duvido que nos últimos 30 anos as grandes empresas brasileiras tiveram 50% do que têm de obra, hoje, neste país. Com um agravante: recebem em dia. Eu vou lhe dar um número, apenas. Quando eu cheguei aqui, o Ministério dos Transportes tinha apenas 1 bilhão por ano. Sabe quanto nós temos neste ano, fora o PAC? Treze bilhões. Você sabe quantos quilômetros foram feitos, da Ferrovia Norte-Sul, em 17 anos? Duzentos e quinze. Só no meu governo nós vamos fazer 1.300 quilômetros. Agora estamos fazendo a Transnordestina, que são 1.900 quilômetros. Vamos, ainda neste ano, lançar a pedra fundamental da Oeste-Leste, ligando Ilhéus à Ferrovia Norte-Sul. Vamos terminar até Palmas a Ferrovia Norte-Sul, e vamos levar até Estrela d’Oeste, em São Paulo, para que a gente possa interligar do Porto de Itaqui, no Maranhão, ao Porto de Santos. Nunca, depois do Geisel, que foi o último presidente a fazer investimento em infraestrutura e endividou o Brasil porque teve que tomar dinheiro emprestado, e tomou dinheiro emprestado a 3% de juros ao ano/dólar, e depois o Paul Volcker, para arrumar a economia americana elevou o dólar para 21% de juros, e aí o Brasil quebrou. Depois do governo Geisel, nenhum presidente, mais,
conseguiu infraestrutura, do que nós estamos fazendo neste momento.


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O jornal A Gazeta, do Espírito Santo, publicou nesta quinta-feira (15/7) uma entrevista exclusiva realizada com o presidente Lula, na qual trata dos projetos de lei enviados ao Congresso para determinar o novo marco regulatório do petróleo brasileiro, a possibilidade de se construir uma refinaria e uma fábrica de fertilizantes no estado e o atraso nas obras do aeroporto de Vitória e na Rodovia do Contorno. Confira abaixo os principais trechos da entrevista (para ler na íntegra, clique aqui):

Novo marco regulatório do petróleo e royalties

Com as descobertas do pré-sal e seu potencial extraordinário para o desenvolvimento econômico e social do nosso país, coube ao governo propor o marco regulatório, o que foi feito por meio de quatro projetos de lei encaminhados ao Congresso. Veja que em nenhum deles nós tratamos da questão da divisão dos royalties. Achávamos, e continuamos achando, que uma questão como essa deveria ser tratada mais adiante, depois das eleições, com mais tranqüilidade, quando a caça ao voto já teria terminado e as paixões partidárias já estariam serenadas. Mas os deputados, por decisão própria, decidiram incluir o assunto nos projetos. Nós não tratamos da matéria e ainda negociamos no Senado um substitutivo que excluía a questão dos royalties, que havia sido introduzida e aprovada pela Câmara. Mas, da mesma forma que na Câmara, os senadores reintroduziram o tema nos projetos. Como eu já disse outras vezes, e repito agora, começaram a dividir o pirão antes mesmo da pescaria. Continuo defendendo que essa questão não deve ser definida à luz de interesses eleitorais episódicos, mas levando em conta os interesses nacionais permanentes.

Investimentos da Petrobras

O corpo técnico da Petrobras, que é de elevada e reconhecida competência, está estudando as possibilidades de instalação de novas unidades no País para beneficiamento dos volumes de petróleo e gás que virão, tanto do pós-sal como do pré-sal, e vai oferecer, para decisão superior, as áreas que se mostrarem mais atraentes do ponto de vista técnico. As análises levam em conta, além da disponibilidade de insumos, as facilidades logísticas, as perspectivas de mercado e os benefícios tanto para a economia nacional como para a regional. Na minha opinião, o Estado tem grandes chances de vir a ser apontado pelos estudos técnicos como o mais indicado para sediar os empreendimentos.

Aeroporto de Vitória

Já começou a ser instalado um Módulo Operacional Provisório (MOP) que ampliará a área do terminal de passageiros. É obra para ser concluída nos próximos meses, pois a estrutura é pré-moldada e a instalação é bem mais rápida que a do terminal definitivo. Isso significa que no segundo semestre deste ano o Aeroporto de Vitória já terá capacidade para receber mais 800 mil passageiros por ano. Será uma área nova, de 2 mil metros quadrados, com o conforto e as facilidades de um terminal convencional, como ar-condicionado, banheiros, informações sobre voos, etc. Estamos investindo R$ 5,3 milhões nesse módulo. E também estamos avançando na retomada das obras definitivas, tanto no terminal de passageiros quanto dos sistemas de acessos viários, estacionamento, pátio, segunda pista, Torre de Controle, seção contra incêndios, etc. A engenharia do Exército está se preparando para assumir o que for possível dessas obras. Estamos apenas aguardando  o resultado de uma perícia nas obras, que foi encomendada ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT/USP).

Rodovia do Contorno

As obras do Contorno Rodoviário de Vitória estão inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O empreendimento é indispensável para a redução do movimento de veículos pesados pelo centro da cidade e atende especialmente ao transporte de cargas até os portos do Espírito Santo. O trecho, que pertence à rodovia BR-101, é também ligação entre os estados do Nordeste e do Sudeste/Sul do país. O tráfego chega a cerca de 30 mil veículos por dia, o que causa certas dificuldades para a execução das obras, que estão divididas em dois lotes.

O primeiro, com 19,3 km de extensão, foi iniciado em fevereiro de 2008 e já está com 12 km concluídos. A conclusão de todo esse lote está prevista para o próximo mês de outubro, cumprindo o cronograma. O segundo lote de obras, com a extensão de 6,2 km, foi iniciado no mês passado. Esse trecho, também em área de concentração urbana, apresenta uma alta complexidade em sua execução e tem conclusão prevista para junho de 2011.


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As obras do aeroporto de Vitória e o novo modelo de divisão de royalties do petróleo do Pré-sal, que está em discussão no Congresso Nacional, foram os temas centrais da entrevista que o presidente Lula concedeu à rádio capixaba Litoral FM logo ao chegar a Vitória (ES) nesta quinta-feira (15/7). Lula criticou a paralisação das obras do aeroporto na capital capixaba, mas afirmou que ainda assim está otimista, prevendo que até agosto o Exército começará parte das obras, principalmente na pista de pouso e decolagem. O presidente lembrou, no entanto, que o atraso não ocorreu apenas no aeroporto de Vitória, outros também tiveram suas obras paralisadas – muitas vezes sem razão de ser. Lula chegou a sugerir que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) faça um estudo para verificar o tamanho do prejuízo causado ao País pela paralisação da obra.

Quando uma obra como essa fica paralisada quase quatro anos, seria interessante trazer a FGV aqui para fazer um estudo pra ver o que significou de prejuízo para o País. E quem vai pagar isso?

Ouça aqui a íntegra da entrevista:

Sobre a discussão dos royalties do petróleo do Pré-sal, o presidente afirmou que ela nasceu fora de hora, já que há outros temas mais importantes para serem discutidos agora, como o modelo de partilha, a capitalização da Petrobras, a criação da empresa que vai gerenciar o Pré-sal e o Fundo que canalizará o dinheiro arrecadado para os setores essenciais do País (educação, ciência e tecnologia, saúde, meio ambiente).

É preciso que a gente não jogue no ralo todo o dinheiro que o País vai ganhar com o Pré-sal, é preciso que a gente jogue esse dinheiro no futuro desse País.

O presidente Lula também conversou durante a entrevista sobre a viagem que fez à África, a importância do continente africano para as empresas brasileiras e os grandes eventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos, como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016.


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bom dia, MinistroA Política Nacional sobre Drogas foi o tema central da participação do ministro Jorge Armando Felix, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (8/7). Na entrevista a rádios de todo o País, Felix falou também sobre o I Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool e Tabaco e outras Drogas entre Universitários Brasileiros e o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado recentemente pelo governo federal. O ministro conversou ainda sobre a Política Nacional de Inteligência e os esforços do governo em ajudar as vítimas das enchentes em Pernambuco e Alagoas.

O programa Bom Dia, Ministro é produzida e coordenada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República e transmitida ao vivo pela TV NBR e via satélite, das 8 às 9 horas.

O levantamento nacional sobre uso de drogas por universitários, feito pelo governo federal, revelou que quase metade dos estudantes brasileiros já fez uso de alguma substância ilícita e que 80% dos entrevistados menores de 18 anos afirmaram já ter consumido algum tipo de bebida alcoólica. Os dados, afirmou o ministro durante a entrevista, são preocupantes e exigem ação coordenada dos governos federal, estaduais e municipais, além de toda a sociedade civil organizada.

Ouça a íntegra do programa com o ministro Jorge Felix:


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