O estranhamento é inevitável: em 21 anos, será a primeira vez que seu nome não constará da cédula de votação numa eleição presidencial. Mas o ânimo continua em alta, afirmou o presidente Lula em entrevista exclusiva à emissora TV Tem, de São Paulo. O motivo?
O governo tem candidata à sucessão e estamos preparados para eleger a Dilma presidenta da República. Pelos bons momentos que vive a economia brasileira, Dilma tem condições de encarnar o que está acontecendo no Brasil, porque é altamente qualificada, coordenou o PAC e o Minha Casa, Minha Vida.
Lula concedeu a entrevista momentos antes de participar, em Sorocaba (SP), da inauguração da empresa Case New Holland (CNH), fábrica de equipamentos agrícolas do grupo Fiat, que voltou à atividade cinco anos depois de fechar as portas. O caso é, segundo o presidente, reflexo da confiança que a economia brasileira desperta no mundo.
Temos muitos investimentos diretos no Brasil hoje, sobretudo na agricultura. Por isso eu peço a Deus que tenha cada vez mais chinês comendo, indiano comendo, africano comendo, latino-americano comendo, porque quanto mais tiver gente comendo, mais o Brasil vai ter que produzir, porque não existem nenhum país no mundo que tenha a nossa quantidade de terras agricultáveis.
Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida à TV Tem:
O presidente Lula negou ainda, durante a entrevista, o aumento das ocupações de terra no País, afirmando que o dado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) se refere somente a São Paulo, que concentra no Pontal do Paranapanema (SP). Nos outros 26 estados da federação, afirmou, as ocupações diminuíram 50%. Além disso, mais de 45 milhões de hectares foram desapropriados até hoje – o que significa que mais de 50% de tudo o que foi desapropriado no Brasil foi realizado por este governo, para que haja paz no campo.
“O Brasil precisa do agronegócio e da agricultura familiar e cabe ao governo trabalhar para que os dois segmentos convivam em harmonia”, disse Lula.
O Brasil voltou a acreditar no Brasil. E mais do que isso: está trabalhando como nunca tornar essa confiança em desenvolvimento para o País. Em entrevista concedida ao programa Pampa Boa Noite, da TV Pampa Porto Alegre (RS), e veiculada na noite de sexta-feira (5/2), o presidente Lula conversou durante cerca de meia hora sobre os projetos que estão mudando a cara do Brasil e dando cada vez mais projeção ao País no cenário internacional. A chave do sucesso, segundo o presidente, é a parceria com governadores e prefeitos e a firme decisão de se investir em áreas estratégicas como infraestrutura e educação.
Falou também da crise de hipertensão que o fez cancelar viagem a Davos, onde receberia um prêmio, e da importância do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A entrevista foi dividida em quatro partes. Veja abaixo os vídeos, com um resumo de cada trecho.
Parte 1
No início da entrevista, Lula contou detalhes da noite (27/1) em que se sentiu mal em Recife (PE), pouco antes de viajar para Davos (Suíça), onde receberia o prêmio Estadista Global 2009 no Fórum Econômico Mundial. Garantiu que sua saúde está em perfeita ordem e que continuará trabalhando. Conversou também sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os empregos e renda que vem gerando pelo País.:
Na verdade ele permitiu que o governo assumisse outra vez a responsabilidade de gerenciar os investimentos de infraestrutura no Brasil. Nós tivemos um período de investimento em infraestrutura no governo Juscelino Kubitschek, depois tivemos um outro no governo Geisel, depois tivemos quase que uma paralisia de investimentos em infraestrutura, ou seja, ficava por conta do potencial do Estado ou ficava às vezes por conta de um dinheiro que sobrava no governo federal. Mas não tinha, depois do governo Geisel, um planejamento em infraestrutura. E nós então resolvemos fazer o PAC que era para gente assumir um compromisso público com o Brasil, assumir compromisso de governo e nós então lançamos o PAC em janeiro de 2007.
Parte 2
A conversa nesta segunda parte da entrevista abordou iniciativas na educação, como a construção de universidades e escolas técnicas e criação de programas como o Prouni, e a importância de se manter investimentos nos estados para evitar que sofram retrocesso em seu desenvolvimento.
Parte 3
Neste trecho da entrevista, Lula falou sobre segurança pública, a necessária boa relação com governadores e prefeitos, e os investimentos feitos na Petrobras, que permitiram que fossem encontradas jazidas de petróleo na camada Pré-sal. Comentou também o bom momento do País e como isso tem ajudado no fortalecimento da auto-estima do brasileiro, que já fala de igual para igual com qualquer outra nação do mundo.
Lula relembrou um episódio ocorrido em uma reunião do G8 na cidade francesa de Evian, como exemplo da nova postura adotada pelo Brasil diante de outros países:
Quando eu fui a primeira vez a Evian (França) [em reunião do G8], estavam sentados o Celso Amorim (ministro das Relações Exteriores), o (então) secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e eu. Eu tinha chegado, fui na mesa, tinha cumprimentado todo mundo que estava lá, e fui sentar. Aí quando chegou o Bush, todo mundo levantou. Aí eu falei para o Celso (Amorim): ‘A gente não vai levantar. E ele vai vir aqui do mesmo jeito. Ele cumprimentou todo mundo que estava em pé e foi lá na nossa mesa, cumprimentou e sentou lá. Um gesto pequeno mas é um gesto que você tem que fazer para mostrar que você não é subalterno, você não é inferior. Você é igual. Você é chefe de um estado igual o Bush é, igual o Sarkozy (presidente da França) é, a Angela Merkel (chanceler da Alemanha) é, o Zapatero (primeiro ministro da Espanha) é.
Parte 4
O intenso trabalho feito para trazer os Jogos Olímpicos de 2016 para o Brasil foi um dos temas desta última parte da entrevista. “O Brasil vai ganhando as coisas porque trabalha”, afirmou o presidente Lula. “O Brasil voltou a acreditar no Brasil.” Lula falou também sucessão presidencial e para o governo estadual no Rio Grande do Sul. Mais uma vez ressaltou a importância de se trabalhar em parceria com estados e municípios:
Pergunte para qualquer governador. Pergunte para o José Serra (SP), pergunte para o Eduardo Braga do Amazonas, escolha… o Jarbas Vasconcelos (PE), que é minha oposição no Senado e foi governador durante quatro anos, se em algum momento faltou dinheiro para eles. (…) Se o governo federal continuar com essa prática de trabalhar junto com os estados, eu digo o seguinte: em dez anos a gente muda definitivamente a cara desse País. Aí o Brasil será quinta potência mundial, a quarta. Daqui há 20 anos a gente vai ouvir falar muito deste País. E eu espero estar vivo para ver tudo isso acontecer.
Certo de que o cidadão comum vai se idenficar com o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no filme Lula, o filho do Brasil, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, conversou com exclusividade com o Blog do Planalto. Segundo Nobre, Lula é muito maior que a região do ABC. Para o líder sindical, o filme de Fábio Barreto, baseado no livro homônimo de Denise Paraná, vem num momento muito especial.
“Lamentamos que setores da mídia e da elite avaliem o filme como sendo eleitoral. Lula não é candidato a nada em 2010. Lula tem uma vida muito interessante. O mundo tem a aprender com a trajetória dele. Mesmo você sendo pobre, a partir de sua realidade, pode se transformar numa grande liderança. É justo que o presidente Lula tenha a sua trajetória consagrada. O Lula é fruto do movimento sindical organizado”, afirmou.
O filme entra em cartaz em janeiro de 2010. Para o sindicalista, assim como a Índia cultua Manhatman Gandhi, e o povo da África do Sul, Nelson Mandela, o Brasil tem o direito de vislumbrar em Lula um ídolo. Ele explicou que com o objetivo de permitir que o trabalhador brasileiro assista ao filme, alguns ingressos serão custeados pelos sindicatos. “Nada mais justo que o trabalhadores tenham acesso de modo mais barato. Lula é importante para o Brasil, para a América Latina e para o mundo”, assegurou.
O futuro da economia brasileira depende da capacidade de trabalho da sociedade, que está madura e sabe fazer as escolhas certas. Foi assim que o País enfrentou e superou a crise econômica mundial, afirmou o presidente Lula em entrevista exclusiva concedida por escrito publicada nesta sexta-feira no jornal Metro (edição São Paulo e ABC). E a manutenção e o aprofundamento desse rumo serão defendidos durante a campanha eleitoral de 2010:
(…) Esperamos contar com a solidariedade dos eleitores, que aprovam o que fizemos, apóiam nossa luta diária pela eliminação da fome, pela erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais, pelo crescimento com distribuição de renda. Todas as nossas iniciativas sempre se pautaram pela necessidade de crescer para gerar riquezas para todos e pela necessidade de retirar milhões de brasileiros da situação de carência e abandono.
O presidente falou também sobre as diferenças do seu governo em relação à gestão anterior, lembrando que antes o Estado era considerado um entrave para o desenvolvimento do País:
O governo anterior achava que o Estado atrapalhava o desenvolvimento do País, e fez tudo para desmontá-lo. Para eles, o mercado era um deus. A crise financeira internacional, que nós superamos com elogios do mundo inteiro, mostrou que estávamos certos ao recuperar a capacidade do Estado ser um indutor e organizador do desenvolvimento.
Questionado sobre o andamento das obras do PAC, Lula afirmou que seu governo foi o que mais investiu em infraestrutura (logística, energética e social e urbana) e que os projetos do programa estão espalhados por todo o País, beneficiando todas as regiões. Destacou as obras das usinas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira, na região amazônica, “a maior obra de engenharia dos últimos 22 anos no Brasil”, lembrando que o complexto será um dos maiores do mundo.
A maioria das obras do PAC ficará pronta até o final do nosso mandato. E nós já tomamos a decisão de não parar por aqui. Vamos deixar muitos projetos engatilhados para que o próximo governo possa iniciar as obras já no seu primeiro ano. Se outros tivessem feito isto antes de nós, hoje o país estaria num estágio muito mais avançado do que está.
O maior exemplo de governança você não pega num livro, pega numa mãe. Ela vai sempre tratar daquele que está mais debilitado. (…) Eu te confesso que eu governo o País com espírito de mãe. Nós temos que cuidar das pessoas mais pobres. O rico não precisa do Estado.
A TV pública argentina (Canal 7) e o canal Encuentro já começaram a veicular a série de documentários Presidentes da América Latina, feitos a partir de longas entrevistas com os presidentes dos países da região.
O primeiro programa da série é com o presidente Lula. Gravado em agosto passado, traz entrevistas com o presidente brasileiro, imagens raras de sua atuação no sindicalismo brasileiro e na formação do Partido dos Trabalhadores (PT), além de depoimentos de familiares e amigos.
Enquanto o processo de paz no Oriente Médio tiver a liderança apenas dos Estados Unidos não se alcançará o acordo entre os países envolvidos nos constantes conflitos naquela região. A avaliação foi feita pelo presidente Lula nesta sexta-feira (20/11) em entrevista às emissoras de rádio Excelsior AM e Metrópole FM, em Salvador. Para o presidente, é preciso que a ONU participe deste processo de paz. Na sua avaliação, a ONU tem que ter uma posição que contemple o pensamento do ano de 2010 e não ficar com postura de 1940, quando foi criada.
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
Na entrevista, Lula falou sobre a liderança do Brasil em movimentos internacionais, destacou as ações do governo para que o País superasse a crise financeira mundial e defendeu a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. O presidente explicou que o embate com as lideranças sindicais que defendem o fim do fator previdenciário vai ser resolvido por meio de acordo.
Lula disse que ao término do mantado irá atuar em movimentos que visem melhorias aos países daAmérica Latina e do continente africano. O presidente lembrou ainda das obras tocadas pelo governo federal e comentou a disputa para o governo da Bahia em 2010.
Tem uma parte da elite política apodrecida deste País que não estava acostumada com a alternância de poder. E eu sou a alternância de poder. E eles sabem disso.
Em entrevista franca e reveladora veiculada neste domingo (15/11) no programa É Notícia, da RedeTV!, o presidente Lula conversou com o jornalista Kennedy Alencar e falou um pouco sobre sua infância em Caetés (PE) e em Santos (SP), da imagem que guarda da família e, principalmente, de sua mãe, dona Lindu, das dificuldades que passou quando criança, do sindicalismo e de política, além de temas atuais -- como as críticas que sofreu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a crise econômica mundial.
Um dos momentos mais fortes da entrevista foi quando Lula se emocionou ao lembrar da morte em 1971 de Maria de Lourdes, sua primeira mulher, que estava grávida de seu primeiro filho:
O presidente comentou as três eleições que perdeu (1989, 1994 e 1998) e lembrou que nunca passou por sua cabeça perder as de 2002 e 2006. Disse que a emoção de vencer em 2002 deve ter sido um pouco o que o presidente americano Barack Obama sentiu ao chegar à Casa Branca e revelou que passou algum tempo no Palácio do Alvorada perguntado para a primeira-dama: “Será que nós estamos aqui mesmo?”
Lula disse ainda que em vez de reclamar por ter sido derrotado em três eleições, dá graças a Deus, porque chegou à Presidência quando tinha que chegar, com mais experiência e estrutura partidária e política adequada.
Tem uma hora na tua vida que você é todo ‘principista’ e tem uma hora que você, sem abdicar de seus princípios, você tem que fazer a política real. E você só pode mudar a política real se você participar dela. De fora você não muda. Então eu acho que nós chegamos no tempo certo, para fazer as coisas que precisavam ser feitas no Brasil.
Sobre o suposto o mensalão, afirmou que essa história ainda vai ser esclarecida, “a gente ainda vai desvendar esse mistério”, e afirmou que o caso foi “a maior armação já feita contra um governo”, mas que não tiveram a coragem de levar adiante. O presidente Lula afirmou que sempre esteve tranquilo durante a crise e disse que tem muita coisa para falar sobre o que houve, mas que só o fará quando deixar a Presidência da República. “Pode ficar certo de que eu tenho coisa para falar -- e vou falar.”
Perguntado se alguma vez alguém sugeriu que ele renunciasse ou não concorresse à reeleição em 2006, Lula disse que uma vez disseram a ele para tomar cuidado porque estavam preparando o seu impeachment. Lula afirma ter dito ao interlocutor: “Olha, diga pra quem você quiser dizer, que na luta política eu aceito qualquer coisa, mas se mexer um milímetro na institucionalidade deste País, eles não sabem o que vai acontecer.”
O presidente Lula admitiu, porém, ter tido receio de se candidatar à reeleição, pelo fato de historicamente no Brasil o segundo mandato de um presidente ser pior que o primeiro. Mas ele teve certeza de que isso não aconteceria quando criou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Aí eu sabia que eu tinha começo, meio e fim para terminar meu mandato, era só tocar a bola pra frente.”
Ao comentar o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com pesadas críticas ao seu governo, Lula aconselhou que ele olhasse para o que fez em seu mandato. “Mas também não fico preocupado com as críticas do ex-presidente, porque eu sinto um poço de mágoa. Ele não fala mais com a inteligência, ele fala mais com o estômago, o fígado. Eu tenho coisa mais importante para fazer do que ficar perdendo tempo”, afirmou Lula, para quem o ex-presidente e outras pessoas não se conformam de ver um peão fazer mais do que ele na Presidência. “Isso é duro para um intelectual -- sobretudo se esse intelectual é vaidoso. É duro.”
Ao final da entrevista, Lula fez um pinga-fogo (perguntas e respostas) com o jornalista Kennedy Alencar, em que contou um pouco de suas preferências. Confira:
Revelando-se bem disposto e com a saúde em dia, o vice-presidente da República, José Alencar, aparece nesta segunda-feira (9/11) no jornal Folha de S. Paulo em entrevista concedida semana passada, no hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, na qual comenta a entrada da Venezuela no Mercosul, as eleições de 2010 e sua intenção de concorrer ao Senado no ano que vem, entre outros assuntos.
José Alencar, que receberá ainda hoje o título de Presidente Emérito da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), defende a entrada da Venezuela no Mercosul porque o país tem sua importância na América do Sul. Além disso, afirmou, a entrada da Venezuela no bloco econômico abre espaço para outras nações, como Colômbia e Equador:
É natural que o Brasil defenda a ampliação do Mercosul, isso aumenta a nossa influência regional. A Venezuela é um país, apesar de seu presidente, tem que ser vista como tal. Presidentes passam.
Durante a conversa, Alencar afirmou estar disposto a se candidatar a uma vaga no Senado em 2010 e falou sobre sua parceria com o presidente Lula.
A entrevista foi publicada na página do jornal na internet, mas está restrita a assinantes – ver aqui.
Presidente Lula concede entrevista a Kennedy Alencar e Alan Marques (fotógrafo), do jornal Folha de S. Paulo, em seu gabinete no Centro Cultural Banco do Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A crise econômica, as eleições presidenciais de 2010 e a política nacional foram os temas centrais da entrevista que o presidente Lula concedeu ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira.
(…) Nós discutimos no Brasil, com vários especialistas e com especialistas também de outras partes do mundo, que o Brasil sentiria muito pouco a crise, por algumas razões: porque a economia estava sólida, porque nós tínhamos diversificado as nossas exportações e porque os bancos brasileiros eram bancos que tinham muito maior solidez e muito maior controle do Banco Central.
(…) Porque nós tomamos medidas imediatas. Imediatamente, nós liberamos R$ 100 bilhões do compulsório, para irrigar o sistema financeiro. Logo em seguida, nós fizemos com que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal agilizassem ainda mais a liberação de crédito. Fizemos o Banco do Brasil comprar carteiras de bancos menores que estavam prejudicados, fizemos o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa, em São Paulo, e comprar 50% do Banco Votorantim. E por que nós fizemos isso? Porque era preciso que os bancos públicos entrassem em outra fatia do mercado. Eles não tinham expertise. Então, nós precisávamos comprar para começar a financiar, por exemplo, carro utilizado [usado].
Uma das coisas que eu tenho dito a minha inconformidade nos debates com os empresários – você já deve ter assistido – é que houve nos meses de novembro e dezembro uma parada brusca de alguns setores da economia, na minha opinião, desnecessária. Alguns setores empresariais resolveram colocar um breque de forma muito, mas muito rápida, sobretudo se você começar pelo setor automobilístico, que seguia orientação das matrizes, que estavam em uma situação muito delicada. Tinham um estoque razoável, nós estávamos em uma situação privilegiada de produção e de venda de carro, de repente, a indústria automobilística parou.
Ora, quando a indústria automobilística para, para uma cadeia produtiva que representa 24% do PIB industrial brasileiro e outros setores que tinham, inclusive, já empréstimos assegurados com o BNDES pararam, porque ninguém sabia o que ia acontecer. Ora, quando isso aconteceu, o que nós fizemos? Nós resolvemos tomar as decisões que tínhamos que tomar aqui. Fizemos as desonerações que tínhamos que fazer, fizemos a liberação do financiamento, o Meirelles colocou dinheiro da nossa reserva para facilitar os nossos exportadores e depois nós descobrimos uma outra coisa grave, que eram os derivativos feitos por algumas empresas que não pareciam que faziam derivativos. E aí foi um outro problema que nós tivemos que conversar com empresa por empresa, cuidar de discutir como financiar, como evitar que algumas empresas quebrassem e colocamos o BNDES em ação.
Eleições 2010
Olha, não estava em discussão quem era PT mais puro-sangue ou menos puro-sangue. Não era uma questão de sanguinidade que estava sendo discutida, era uma questão de viabilidade política. Porque a Dilma é, na minha opinião, a mais competente gerente que o Estado brasileiro já teve. A capacidade de trabalho da Dilma, a competência dela e o passado político dela e o presente, me fazem garantir que a Dilma é uma excepcional candidata a presidente da República. A Dilma, além de ser uma extraordinária gestora, a Dilma é um extraordinário quadro político. Ela é um quadro político excepcional, tem firmeza ideológica, tem compromisso, tem lealdade, sabe o lado em que está. Por isso ela foi escolhida. Muito preparada para presidir o Brasil, muito preparada. E hoje conhece o Brasil como ninguém.
Deixe-me falar uma coisa. Porque uma mulher que tem a personalidade que a Dilma tem, e eu conheço bem a personalidade dela, vai exigir que eu tenha o bom senso que eu tive quando elegi o Meneguelli presidente do Sindicato de São Bernardo e quando elegi o Zé Dirceu presidente do PT: rei morto, rei posto. A Dilma, no governo, ela tem que criar a cara dela, o estilo dela e o jeito dela governar. Rei morto, rei posto, meu filho.
(…) Mas eu vou dizer para você uma coisa: a Dilma vai surpreender este país. Quem pensa que a Dilma é uma mulher grosseira, uma mulher dura, depende… Se você, na sua casa, for com uma gracinha que desgoste a sua mulher, ela vai te dar um tranco; mas se a conversa for séria, ela não vai dar. E a Dilma tem toda a clareza disso.
Amadurecimento
A pessoa aprimora. Eu vou te contar um detalhe: naquela campanha, por exemplo, eu passava o tempo inteiro falando, a minha vida inteira, vou fazer reforma agrária radical, ampla e radical sob o controle dos trabalhadores. Nós fizemos uma pesquisa e 85% do povo achava que a reforma agrária tinha que ser pacífica. Eu levei mais de 15 dias para que a minha boca pudesse proferir a palavra reforma agrária tranquila e pacífica. Essas mudanças têm que ter.
Crise no Senado
O PT teve um candidato ao Senado, que foi derrotado. Eu não entendia por que os mesmos que elegeram o Sarney, um mês depois queriam derrotá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era uma questão de segurança institucional. Você viu que o Senado está calmo, está funcionando. Porque muitas vezes, Kennedy, é preciso que a gente trabalhe com juízo. O que eu acho importante em um presidente da República é que ele… Qualquer cidadão, você, o Franklin Martins, um empresário, qualquer um pode perder a cabeça. Um presidente da República não pode perder a cabeça.
Eu acho que se o Sarney caísse… porque teve muita coisa estranha, que eu não vou entrar em detalhes, porque isso acabou. Mas é engraçado, é que o DEM governou a Casa durante 14 anos, na Primeira Secretaria, isso não aparecia. Obviamente que a queda do Sarney era o único espaço de poder que a nossa oposição tinha. E aí iriam querer fazer, em vez de governabilidade, um inferno neste país. Então, eu acho que foi correta a decisão de manter o Sarney no Senado.
É que eu acho que ninguém… é verdade que ninguém está acima da lei. Mas também é importante que a gente não permita a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. O Sarney foi presidente deste país, e eu acho que os ex-presidentes precisariam ser tratados como ex-presidentes, respeitados, porque essas pessoas foram instituições brasileiras. E eu achava que você não poderia banalizar a figura de um ex-presidente, porque a negação da política, Kennedy, o resultado, o que vem depois da negação da política que é pior do que o que a gente tinha. O mundo está cheio de exemplos para a gente poder.
(…) Mas eu estou querendo dizer que a relação com a política é que tem que ser uma coisa mais séria. Não adianta a gente ficar falando mal do Congresso Nacional. O Congresso Nacional é a cara do povo que foi votar no dia 3 de outubro. O que é importante é que a democracia garante que a cada quatro anos você troque.
Política internacional
Muito pelo contrário, eu não estou preocupado, sabe, nem com os judeus, nem com os árabes nesse negócio. Eu estou preocupado é com a relação do Estado Brasileiro com o Estado Iraniano. Nós temos uma relação comercial, queremos ter relação política e eu disse ao Presidente Obama, disse ao Presidente Sarkozy, disse à Primeira Ministra Angela Merkel, que a gente não vai trazer o Irã para boas causas, se a gente vai ficar encurralando ele na parede. É preciso criar espaço para conversar.
(…) Não, eu não quero me opor a Washington. Pelo contrário, pelo contrário. Quando eu propus a criação do Conselho de Defesa e quando eu propus a criação do Conselho de Combate ao Narcotráfico, Kennedy, é porque eu tinha duas coisas na cabeça: primeiro, nós precisamos nos transformar em uma zona de paz, efetivamente. Segundo, é preciso que a gente assuma a responsabilidade, enquanto América do Sul, de combater o narcotráfico, porque aí a gente vai permitir que os países consumidores cuidem dos seus consumidores.
Imprensa brasileira
(…) Estou convencido de que a imprensa nacional conhece melhor o País, até porque tem obrigação de conhecer. Mas às vezes eu vejo o comportamento de algum setor da imprensa muito ideologizado. Eu, Kennedy, você sabe que eu sou amante da democracia e sou amante da liberdade de imprensa. A maior alegria que eu tenho é que os leitores, os telespectadores e os ouvintes são os únicos censores, censuradores, que eu admito para os meios de comunicação. Eu acho que o papel da imprensa não é fiscalizar, o papel da imprensa é informar, informar.
Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, tem a Corregedoria, tem um monte de coisas. A imprensa tem que ser o grande órgão informador da opinião pública. E essa informação, essa informação, pode ser de elogio ao governo, pode ser de denúncia ao governo, pode ser de neutralidade, pode ser de outros assuntos que não seja o governo. A única coisa que eu peço a Deus é que a imprensa informe da forma mais isenta possível. E, aí, as posições políticas sejam colocadas nos editoriais.
Presidente Lula apresenta Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petrobras (à direita), ao presidente da China, Hu Jintao (à esquerda). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Na visita que fez em maio deste ano à China, o presidente Lula quebrou o protocolo para apresentar ao presidente Hu Jintao não um funcionário do primeiro escalão do governo, mas um geólogo que hoje é diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella. Lula explicou ao colega chinês que Estrella era o responsável pela Petrobras ter descoberto as reservas de petróleo do Pré-sal e por isso merecia todo o destaque.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta quarta-feira, o executivo da estatal brasileira reafirmou a importância estratégica da descoberta para o País e defendeu o papel da Petrobras como única operadora na exploração das reservas:
O que está em jogo são reservas mundiais. Em 2030 mais da metade do óleo a ser consumido não foi descoberto ainda. As grandes petrolíferas mundiais, inclusive a Petrobras, lidam com esse desafio de manter suas reservas(…) O simples fato da grande empresa ter acesso a uma reserva já é uma garantia. É um bem, um patrimônio estratégico importantíssimo. Francamente, não acredito que vejam a legislação como uma redução das oportunidades no Brasil. Essa oportunidade é única. Um país grande, num mercado excepcional, economicamente estável, numa democracia… E no Atlântico, onde se tem os grandes consumidores da Europa e dos EUA com acesso por navio.
Segundo Estrella, a Petrobras tem um compromisso com o desenvolvimento nacional, que deve ser aproveitado do ponto de vista tecnológico. O executivo explicou que é missão da Petrobras, como empresa controlada pelo governo, participar do aproveitamento dessa grande riqueza que é o Pré-sal e construir estratégias para ajudar no desenvolvimento da indústria petrolífera brasileira, determinando o ritmo de produção dos campos recém-descobertos.
A escala para uma indústria petrolífera é muito importante até pelos custos gigantescos envolvidos. Sermos operadores de toda a área nos dá uma grande tranquilidade de aproveitarmos essa escala e, através disso, sermos um fator e uma ferramenta de desenvolvimento da indústria brasileira. São dezenas, às vezes centenas, de equipamentos que são hoje importados. Com essa dimensão e escala, pode-se tomar decisões de construir estratégias voltadas ao desenvolvimento da indústria nacional.
Guilherme Estrella refutou as críticas de que a indústria fornecedora internacional não viria para o Brasil por causa da dependência de um único comprador – no caso, a Petrobras. Segundo o diretor da empresa, muitas indústrias estrangeiras já demonstraram interesse em participar do Pré-sal e instalar fábricas no País.
Por conta do grande potencial petrolífero do Brasil, Estrella pede uma reflexão por parte da sociedade brasileira sobre como vamos lidar com o novo papel do Brasil na geopolítica internacional e como isso vai ser recebido pelas nações hoje hegemônicas no mundo. Segundo o executivo da Petrobras, os grandes países devem estar pensando:
Tem um cara grande aí no sul que tem água, tem sol, mal ou bem tem uma democracia, tem uma economia crescente, agora descobre a expectativa de uma baita reserva de petróleo. Este cara vai nos incomodar.
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