
O presidente Lula está na Bahia. Lula desembarcou à noite no aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus. Agora pela manhã, ele concede entrevista as rádios Difusora, de Itabuna (BA), e Santa Cruz, de Ilhéus, num hotel da cidade. Depois, cumpre agenda em Itabuna, na cerimônia de inauguração do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene).
À tarde, em Ilhéus, o presidente participa de cerimônia de lançamento dos editais para licitação da Ferrovia Oeste-Leste e assinatura de contratos no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida para municípios da Bahia,
À noite, Lula embarca para São Paulo. Ele permanece o fim de semana em São Bernardo do Campo.
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O presidente Lula foi veemente ao negar que vai se licenciar do cargo para participar da campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, à sua sucessão. “Não há hipótese de acontecer”, disse, em entrevista às emissoras rádio Rural AM e Juazeiro AM, nesta sexta-feira (5/3). Lula está em Juazeiro para inauguração das obras do projeto de irrigação Salitre, na zona rural da cidade baiana. Nessa etapa, serão destinados 255 pequenos lotes para agricultores familiares e 68 lotes para médias empresas. O projeto conta com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na ordem de R$ 251,5 milhões, entre 2007 e 2010. O valor do investimento total no projeto é de R$ 900 milhões.
A informação de que pretendia se licenciar, entre os meses de agosto e setembro, e que o presidente do Senado, José Sarney, assumiria temporariamente seu cargo foi publicada pelo jornal O Globo, na edição de ontem (4/3).
“Ficarei na Presidência da República até o dia 31 de dezembro. À meia-noite, ainda dormirei presidente do Brasil”, afirma Lula na entrevista.
Ouça aqui a íntegra da entrevista.
Ao analisar a possibilidade, Lula disse que “seria uma coisa vista de forma irresponsável com o mandato”. E prosseguiu: “Até porque, achar que eu me afastando posso ajudar mais um candidato, seria também diminuir o mandato. Se fosse assim, quem tem o mandato teria mais força política do que eu”.
“A ministra Dilma, quando chegar no mês de abril, vai se afastar para concorrer às eleições, cumprindo a legislação eleitoral. E eu ficarei na Presidência da República até o dia 31 de dezembro, à meia-noite, ainda dormirei presidente, e então eu passarei o mandato para quem for eleito presidente da República”.
Lula disse ainda que “neste país a democracia reina em todos os quadrantes e, dentre um dos pilares da democracia, a liberdade de imprensa tem sido praticada como em nenhum outro lugar do mundo, a ponto de alguém contar uma mentira, numa manchete de um jornal importante”.
O presidente Lula, em entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio, de Porto Alegre (RS), publicada nesta sexta-feira (5/2), afirmou que o seu governo passou “a cuidar dos dois terços da população que nunca eram levados em conta na hora de se formular as políticas públicas”. Segundo o presidente, “governos anteriores estavam voltados apenas para um terço dos brasileiros, os da faixa superior de renda”. No entendimento de Lula, “é possível combinar crescimento econômico com distribuição de renda, ou seja, com a redução das desigualdades sociais”.
“Os êxitos que o Brasil vem colecionando nesse campo [cenário internacional] são a maior demonstração de que estabilidade macroeconômica, crescimento e combate à pobreza são mais do que compatíveis. Na verdade, elas se reforçam mutuamente. Em nosso governo, passamos a cuidar dos dois terços da população que nunca eram levados em conta na hora de se formular as políticas públicas. Governos anteriores estavam voltados apenas para um terço dos brasileiros, os da faixa superior de renda, e se lixavam para o restante. Ao ampliar a renda e, portanto, o poder aquisitivo dos segmentos mais pobres da sociedade, não estamos apenas fazendo justiça social e estendendo os direitos básicos de cidadania a todos os brasileiros. Estamos também simultaneamente ampliando o mercado consumidor para a produção nacional. A demanda resultante do maior poder aquisitivo da população movimentou o comércio de bens e serviços no País. Estamos trabalhando nos marcos do sistema dentro do qual fomos eleitos e comprovando, pela primeira vez, que é perfeitamente possível combinar crescimento econômico com distribuição de renda, ou seja, com a redução das desigualdades sociais.”
Leia aqui a íntegra da entrevista.
Lula também respondeu à questões sobre o tamanho da dívida pública brasileira, a política econômica adotada pelo governo, a inserção de milhões de cidadãos aos mercados de trabalho e de consumo, bem como a aquisição de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB):
“Eu penso que o resultado do enfrentamento da crise mostra que tomamos as decisões corretas. No ano mais agudo da crise, 2009, tivemos a criação de quase 1 milhão de novos empregos com carteira assinada, enquanto vários outros países perderam postos de trabalho. Aliás, quando a crise chegou, nós já estávamos mais bem preparados, com um sistema bancário sólido, um excelente volume de reservas e um mercado interno forte, proporcionado pelas nossas políticas sociais. Mesmo nessa situação confortável, tomamos várias medidas adicionais, centradas em três linhas. Em primeiro lugar, trabalhamos para reduzir o impacto da retração do crédito, com várias medidas: aumentamos em R$ 100 bilhões o volume de recursos do BNDES para empréstimos, diminuímos os compulsórios dos bancos, reduzimos os juros dos bancos públicos, promovemos a redução da alíquota do Imposto de Renda e do IPI de vários setores da economia. Em segundo lugar, em vez de reduzir os investimentos nas obras do PAC, nós ampliamos o volume de recursos de R$ 504 bilhões para R$ 646 bilhões até 2010. Além do volume inédito de recursos que estamos injetando na economia, ainda estamos eliminando os gargalos de infraestrutura que atravancavam o desenvolvimento. Em terceiro lugar, procuramos aprimorar as políticas sociais, mantendo e ampliando o Bolsa Família que hoje beneficia 12,4 milhões de famílias brasileiras, além de continuar com a política de valorização do salário mínimo, que já cresceu mais de 60% acima da inflação, desde 2003. E, por sabermos que num cenário de crise, o fator psicológico tem um grande peso, nós trabalhamos para evitar o pânico, injetando confiança nos atores econômicos e estimulando a população a continuar consumindo. E o povo brasileiro reagiu de forma espetacular. Não se deixou levar pelos alarmistas e manteve a roda da economia girando. Como os resultados foram mais do que satisfatórios, tanto para as empresas quanto para os trabalhadores, temos aí um roteiro pronto do que fazer diante de uma crise.”
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