O diretor científico do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), Marcos Silveira Buckeridge, explica ao Blog do Planalto, o processo tecnológico de produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e o que isso representa para a matriz energética brasileira e o esforço do País para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa e proteger o clima.
O CTBE foi inaugurado na última sexta-feira em Campinas (SP) pelo presidente Lula (ver aqui).
O mundo não chegará a um acordo climático com meias palavras e barganhas, com a assinatura de qualquer documento, sem um compromisso forte com metas de redução de emissões de CO2 e a garantia do direito das nações mais pobres de se desenvolverem. Ao ser chamado nesta sexta-feira (18/12) pela segunda vez para falar na sessão plenária final da 15ª Conferência da ONU sobre Clima (COP 15), em Copenhague (Dinamarca), o presidente Lula afirmou que, se necessário, o Brasil pode até fazer um sacrifício a mais e contribuir com o fundo para financiamento de países mais pobres, mas lembrou que dinheiro apenas não resolveu o problema no passado, não está resolvendo no presente, nem resolverá no futuro.
Em seu discurso na plenária da 15a. Conferência da ONU sobre Clima, em Copenhague, o presidente Lula fez veemente defesa do direito das nações mais pobres se desenvolverem e afirmou que o Brasil não veio ao encontro 'barganhar metas'. Foto: Ricardo Stuckert/PR
No discurso improvisado que fez, bastante aplaudido pelos chefes de Estado presentes à plenária, Lula lembrou de sua posse em 2003, quando assumiu o compromisso de garantir que cada brasileiro pudesse tomar café da manhã, almoçar e jantar. Algo que para o mundo desenvolvido é coisa do passado, mas para países africanos, latino-americanos e muitos asiáticos, ainda é coisa do futuro:
E isso está ligado à discussão que estamos fazendo aqui, porque não é discutir apenas a questão do clima. É discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países.
Veja trecho do discurso:
Para ver mais trechos do discurso, clique aqui. Para baixar um arquivo de vídeo, clique aqui.
Mais do que apenas dinheiro, disse o presidente, é preciso garantir o direito dos países mais pobres se desenvolverem e protegerem o meio ambiente e suas florestas. Disse ainda que o dinheiro colocado na mesa de negociações pelos países desenvolvidos não é favor nem esmola:
Os países pobres precisam de dinheiro para manter seu desenvolvimento. É importante que nós, os países em desenvolvimento e os países ricos, quando pensarmos em dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, dando uma esmola. O dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gases de efeito estufa por quem teve por dois séculos o privilégio de se industrializar primeiro. Não é uma barganha de quem tem ou não dinheiro. É um compromisso mais sério (…) Quem tem mais recursos e mais possibilidades precisa garantir a contribuição para proteger os mais necessitados.
O presidente Lula afirmou estar um pouco frustrado com as negociações até aqui e cobrou respeito aos princípios do Protocolo de Kyoto e da Convenção do Clima. Lembrou que o Brasil apresentou uma proposta ousada de redução de emissões, baseada em ações na agricultura, siderurgia, aprimoramento da matriz energética e redução do desmatamento na Amazônia em 80% até 2020, e que esse compromisso foi transformado em lei pelo Congresso Nacional. O Brasil, afirmou Lula, não veio a Copenhague barganhar suas metas:
O Brasil não veio barganhar. As nossas metas não precisam de dinheiro externo. Nós iremos fazer com os nossos recursos, mas estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício.
Lula afirmou que, por ser religioso, acredita em milagre e que, em algum momento, “um anjo ou sábio vai colocar em nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora”. Segundo ele, é preciso sim preservar o futuro do planeta, mas isso não pode ser feito com o sacrifício de homens, mulheres e crianças.
Os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy (França) durante Cúpula dos Países Amazônicos e França sobre Mudança do Clima, realizada em Manaus. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Os países sul-americanos que integram a região amazônica, mais a França, vão discutir a questão climática na Conferência da ONU (COP 15) marcada para dezembro em Copenhague (Dinamarca) balizados pelo documento aprovado na Cúpula dos Países Amazônicos e França sobre Mudança do Clima, realizada nesta quinta-feira (26/11) em Manaus (AM), afirmou o presidente Lula em entrevista coletiva conjunta com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, após o encontro.
A Declaração de Manaus cobra metas dos países desenvolvidos para redução de suas emissões de gases do efeito estufa e recursos para que os países em desenvolvimento cresçam sustentavelmente, sem prejudicar o clima.
Segundo Lula, a ausência de alguns presidentes na Cúpula não esvaziou de forma alguma o encontro e muito menos diminuiu a validade e importância do documento final, que já vem sendo negociado há tempos e poderá inclusive ajudar no acordo global na reunião da ONU na Dinamarca -- veja aqui.
Confira aqui a íntegra, em áudio:
O tema de proteção ao clima não é mais, disse Lula, uma questão ambientalista ou da comunidade científica, mas sim política, o que exige cada vez mais a articulação de todos os líderes políticos do planeta. O fato de vários países estarem apresentando números recentemente, como a China e Estados Unidos, mostra segundo o presidente brasileiro, que o assunto entrou na ordem do dia e não pode ser mais ignorado por quem quer que seja -- menos ainda pelos chefes de Estado. Por isso é importante que todos os líderes do mundo estejam em Copenhague em dezembro.
Lula fez questão de destacar ainda que nenhum país sul-americano estará abrindo mão de sua soberania para assumir os compromissos de combate às mudanças climáticas na reunião de Copenhague. afirmou, estabelecendo responsabilidades diferenciadas, porque alguns tem mais responsabilidade do que outros. Os países mais pobres, disse Lula, precisam receber ajuda financeira e novas tecnologias para se desenvolver e ter o mesmo padrão de vida que os mais desenvolvidos, sem que isso prejudique o clima.
Os empresários que têm termelétricas na região de Manaus e fornecem energia para a cidade agora não tem desculpa: com a inauguração nesta quinta-feira (26/11) do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, eles têm que cumprir o acordo firmado de trocar o óleo combustível de suas usinas pelo gás natural até setembro de 2010. O recado foi dado pelo presidente Lula durante a cerimônia de inauguração:
O fornecimento de gás vai permitir, afirmou o presidente, que a matriz energética da região fique menos poluente e vai levar mais desenvolvimento e empregos para Manaus. Segundo Lula, essa troca do óleo combustível nas usinas termelétricas por gás é um interesse estratégico do Estado brasileiro e está de acordo com o compromisso que o governo levará para a reunião da ONU sobre clima (COP 15) em Copenhague, em dezembro, para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
O gasoduto também contribui, afirmou Lula, para evitar obras como a da hidrelétrica de Balbina, que tanto estrago fez na região -- veja aqui -- e representa uma vitória sobre aqueles “que apostam no retrocesso neste País”, que não se conformam em ver uma obra importante ser inaugurada.
No Café com o Presidente desta segunda-feira (16/11), gravado em Roma (Itália), o presidente Lula falou da importância do programa Arco Verde Terra Legal na redução do desmatamento na Amazônia, da decisão do governo de propor uma redução entre 36% e 28,9% das emissões de gases do efeito estufa do País e da participação brasileira na reunião da ONU sobre clima que acontece agora em dezembro em Copenhague (Dinamarca).
Lula também comentou sobre o blecaute que atingiu 18 estados brasileiros na semana passada, explicando o contexto do incidente, que nada tem a ver com os problemas de geração de energia e nas linhas de transmissão que levaram à crise energética no País em 2001.
Lula discursa durante III Cúpula Brasil-União Européia, em Estocolmo. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A proposta do Brasil de reduzir em 80% o desmatamento no Brasil até 2020 foi bastante elogiada nesta terça-feira, em Estocolmo, pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. Para os dois, o plano brasileiro é ambicioso e deveria ser adotado como modelo por outros países. Reinfeldt afirmou ainda que seria importante discutir a proposta brasileira, que faz parte do Plano Nacional para Mudanças Climáticas, durante a reunião da ONU sobre clima (COP 15) que será realizada em dezembro, em Copenhague.
Lula, Reinfeldt e Barroso participaram nesta terça-feira do encerramento da III Cúpula Brasil-União Européia e, durante o encontro, o presidente brasileiro explicou alguns detalhes da proposta que o Brasil deve levar a Copenhague no final do ano.
Confira:
Abaixo, a íntegra do discurso do presidente durante o encontro em Estocolmo:
Em entrevista coletiva concedida após a Cúpula, Lula afirmou que cada país tem que chegar à reunião da ONU sobre clima em Copenhague apresentando números concretos de quanto emite de gás do efeito estufa. Tratar o tema de forma genérica, jogando a culpa um no outro, não vai levar a lugar algum, afirmou Lula, que pede ainda “bom senso e maturidade” aos líderes mundiais para que seja possível encontrar uma solução viável para o problema das mudanças climáticas.
O presidente Lula afirmou ainda que a meta de desmatamento zero é impossível de ser assumida e explicou o motivo:
O presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, defendeu a proposta brasileira para o desmatamento:
Para ler a íntegra da entrevista coletiva concedida por Lula, Reinfeldt e Barroso, clique aqui.
O presidente Lula deixou claro que espera ver chefes de Estado no encontro sobre clima marcado para Copenhague e defendeu que a ONU assuma a responsabilidade de qualificar e criar um orgão exclusivo para as questões ambientais que sirva de referência única para assuntos do meio-ambiente. Assim, acaba com a confusão existente hoje, em que cada país trabalha com seu número, cada departamento de energia com um número:
O presidente disse ainda que não adianta procurar culpados, mas que é preciso criar regras para que cada país comece a se responsabilizar pelos estragos que de fato já causou ao planeta. No trecho abaixo, Lula também fornece dados da matriz energética brasileira, reconhecidamente limpa, e fala dos biocombustíveis:
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