
Presidente Lula cumprimenta o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Itamaraty, em Brasília. Foto Ricardo Stuckert/PR
A paz entre as nações foi o tema central dos discursos dos presidente Lula e Daniel Ortega, nesta quarta-feira (28/&0, durante visita do presidente da Nicarágua ao Brasil. Após reunião com Ortega, Lula fez saudação onde enfatizou que “a ONU deve interessar-se mais pelas transformações em curso na região”. O presidente nicaraguense lembrou da luta de Lula em prol da paz, seja na América Latina, Caribe ou no Oriente Médio. O presidente brasileiro defendeu uma profunda reforma na ONU.
Ela própria [ONU] deve reformar-se com vistas a superar flagrante desequilíbrio na representação entre Estados em seu Conselho, responsável pela paz e segurança coletiva. Nesse sentido, foi grande a contribuição dada pela Nicarágua ao fortalecimento do multilateralismo de cunho democrático, social e humanitário, representado na forte liderança exercida pelo Padre Miguel d´Escoto durante sua presidência da 63ª Assembleia-Geral da ONU.
Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula no almoço oferecido ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
Depois, o presidente Lula explicou as ações de seu governo onde passou a enfrentar grande questões sociais com políticas públicas. Estas questões, segundo assinalou, impediam o desenvolvimento equilibrado do Brasil. Lula disse do desejo de partilhar as experiências de seu governo com a Nicarágua. Ele citou como exemplo o setor de alimentos, não somente para o combate à fome, “mas também para o aumento da capacidade exportadora do país”. A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] já tem projetos no Panamá, país vizinho à Nicarágua.
Sem descuidar da segurança alimentar, queremos oferecer à Nicarágua a experiência brasileira em produção de biocombustíveis. Sei do empenho da Nicarágua em combater a pobreza, a fome e a marginalidade. Por isso felicitamos o país pela implementação do “Hambre Cero”, programa irmão do nosso “Fome Zero”. No âmbito da missão da OEA, militares brasileiros cumpriram importante função no trabalho de desminagem do território fronteiriço nicaraguense, recentemente concluído. Aquela área está hoje habilitada para a agricultura e outras atividades civis.
O presidente Lula propôs o aumento do fluxo comercial entre os dois países com propósito de equilibrar a balança comercial Brasil-Nicarágua. Um dos pontos para que isso ocorra, segundo Lula, seria um acordo abrangente entre o MERCOSUL e o SICA (Sistema de Integração Centro-Americano). Lula destacou a participação de empresas brasileiras em projetos na Nicarágua, como a instalação de fábrica de calçados no Parque Industrial de Saratoga, que poderá gerar quase 2000 empregos, e a construção da hidrelétrica de Tumarín, que receberá financiamento do BNDES de mais de US$ 300 milhões.
Essa obra responderá pelo fornecimento de quase 30% da energia elétrica da Nicarágua, substituindo combustíveis fósseis importados. O Brasil dispõe-se a apoiar investimentos similares, como o da hidrelétrica de Brito, e deseja conhecer melhor o projeto de corredor interoceânico que inclui o porto de Monkey Point.
A obra Tumarim foi destacada por Daniel Ortega, No discurso, ele explicou que a hidrelétrica irá aumentar a capacidade de geração de energia elétrica por sistema hídrico naquele país. Segundo explicou, o país enfrentou dificuldades na geração de energia, vindo a recuperar-se a partir de 2006. Ainda no discursos, o presidente da Nicarágua disse da importância de se manter a paz entre os países da América Latina e Caribe. Ele citou como exemplos o golpe que ocorreu em Honduras e o conflito atualmente entre a Colômbia e a Venezuela.
