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Quatro anos de mandato presidencial é muito pouco para se fazer uma obra estruturante no País e, por isso, o presidente Lula mudou de opinião em relação à reeleição e hoje a defende. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, publicada nesta quarta-feira (21/4), Lula fala também sobre as eleições presidenciais e estaduais deste ano, o aniversário de 50 anos de Brasília, a atual situação institucional e política da capital federal, obras de saneamento e dragagem na periferia das grandes cidades, PAC 2 e ONU, entre outros temas.

Selecionamos alguns trechos principais da entrevista:

REELEIÇÃO

Olha, eu era contra a reeleição. Agora, eu quero que tenha a reeleição, mesmo se você ganhar, porque em quatro anos você não consegue fazer nenhuma obra estruturante neste país. Nenhuma, nenhuma. Entre você pensar uma grande obra, fazer projeto básico, projeto executivo, tirar licença ambiental, enfrentar o Poder Judiciário, enfrentar o Tribunal de Contas da União e vencer todos esses obstáculos, termina o teu mandato e você não começa a obra.

SUCESSÃO

Não é uma questão de honra. Porque em política a gente nunca coloca questão de honra porque fica muito difícil. É uma questão de pragmatismo político. E você tem razão. Eu estou muito mais animado com a campanha da Dilma do que com a minha. Porque eu passei muito tempo relutando com o segundo mandato. Quem me conhece, quem conviveu comigo, sabe que eu tinha muitas preocupações com o segundo mandato. O PAC surgiu exatamente por conta da minha preocupação com o segundo mandato. Qual era a minha preocupação? Se eu chegar ao segundo mandato, ficar como alguns que só iam trabalhar de tarde, e repetir a mesmice do primeiro mandato, seria uma coisa enfadonhosa. Então, eu pensei o PAC em outubro de 2006 e não utilizei ele naquela campanha porque chegamos a conclusão que não era necessário utilizar na campanha. Então nós lançamos o PAC em fevereiro de 2007. Ele é que me deu o gás todo de ver as coisas, de andar pelo Brasil. A Dilma é a possibilidade. O meu governo já foi avaliado com a minha reeleição. Agora, ele será bi-reavaliado se eleger a Dilma. Daí porque a minha responsabilidade com a eleição da Dilma. É que ela será a continuidade do nosso governo aperfeiçoando, fazendo mais, fazendo melhor, fazendo coisas novas. Então, por isso que eu estou entusiasmado. Estou entusiasmado e acho que… vamos para as cabeças. Sempre respeitando o adversário, sempre sabendo que eleição a gente não ganha na véspera, ganha no dia. Até porque eu tenho muita experiência em eleição.

Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

Para ouvir o áudio da entrevista, clique aqui:

50 ANOS DE BRASÍLIA E A CRISE POLÍTICA

Estou convencido que o povo de Brasília tem que comemorar os 50 anos de Brasília. Não pode ser misturado o significado de Brasília para a sociedade brasileira, o significado de Brasília como capital da República, não pode ser confundido com os administradores que cometeram o absurdo de cometerem erros. Ou seja, muitas vezes os erros são cometidos porque as pessoas acham que são impunes, ou seja, são… não tem… ninguém vai saber.

E eu acho que Brasília, de um lado, tem que estar de luto, porque aconteceu essa barbaridade que aconteceu mas, ao mesmo tempo, tem que ter orgulho de Brasília. Brasília é uma cidade extraordinária, é uma cidade que tem crescido muito acima daquilo que foi previsto por Oscar Niemeyer, que foi previsto por Juscelino. E ela cresceu, eu diria, quase que um pouco desordenada, ou seja, acho que houve irresponsabilidade em alguns momentos da história de Brasília, em tentar trazer para cá, de forma desordenada, gente para morar em condições inadequadas, ou seja, se Brasília tivesse crescido como se pensou no início, ela seria muito mais humana. Porque Brasília é isso, Brasília tem um lado humano, que é o Plano Piloto, que são os centros das cidades-satélites, e tem o lado desumano, que são os entornos, onde as pessoas moram em situações totalmente adversas. Mas, ainda assim, eu acho que o povo tem que comemorar, porque foi uma epopeia o nosso Juscelino cumprir uma coisa que tinha sido pensada em 1823, e ele ter coragem de fazer. Porque não era fácil tirar a capital do Rio de Janeiro.

ELEIÇÕES EM SÃO PAULO

Eu disse ao Aloizio Mercadante: Como é que nós vamos ganhar São Paulo? Como é que nós vamos ganhar São Paulo? O PT não precisa provar para ninguém que tem 30% de votos em São Paulo. Agora, nós precisamos arrumar os outros 20 que faltam. Eu disse para o Aloizio Mercadante: “É preciso que você arrume o teu Zé Alencar”. Porque o Zé Alencar, para mim, teve uma importância que… Não era a importância da quantidade de votos que ele trouxe, só. A importância da quantidade de preconceito que ele quebrou. Porque ficava explícito: como é que um empresário que tinha mais de 15 mil trabalhadores na sua fábrica, a maior empresa têxtil do país, estava sendo o meu vice, e um cidadão que tinha dois empregados, e se achava o grande empregador do mundo, tinha medo do Lula?

Então, o discurso do José Alencar quebrou barragem maior do que Itaipu. De vez em quando eu falo para o Zé, ele muitas vezes não se dá conta disso. Ele quebrou barreiras imensas, preconceitos que vão sendo construídos e vão ficando que nem marisco, incrustados assim, na pedra. Ele quebrou. Então, eu acho que o PT de São Paulo precisa arrumar esse Zé Alencar. Ou seja, nós temos que ter um vice que não seja mais da esquerda do que o PT.

DILMA

A Dilma, primeiro, ela tem o cartão de crédito de oito anos de administração bem sucedida no Brasil, da qual ela foi uma gerente excepcional. Vocês, quando conversarem com a Dilma, vocês vão ter a mesma surpresa que eu tive com a Dilma.

Vocês vão ter a mesma surpresa. A Dilma virou minha ministra de Minas e Energia em uma reunião. E olha que eu tinha companheiros que trabalhavam comigo há dez anos. Alguns já tinham sido ministros paralelos do meu governo quando eu montei o governo paralelo. E em uma reunião eu conheci a Dilma. O Zé Dirceu já tinha, inclusive, feito acordo com o PMDB. Eu disse ao Zé Dirceu: “Zé Dirceu, o ministério de Minas e Energia, acabei de encontrar a minha ministra”. Pela objetividade com que ela se comportou na reunião e pela seriedade de tratar os assuntos. Então, a Dilma vai ter esse cacife. Obviamente que as pessoas estão sempre botando defeito, não é?

TEMER VICE

O Temer, eu acho que dá segurança de um homem que tem um a vida pública já de muito tempo, tem uma seriedade comprovada no Congresso Nacional, hoje está mais fortalecido dentro do PMDB e nós trabalhamos olhando também o pós-eleição. É melhor você construir a regra do jogo antes do que você deixá-la pra construir depois. Então eu acho que o Temer, se for ele o indicado pelo PMDB, se for ele o vice, ele dará à Dilma a tranquilidade de que nós não teremos problemas de governabilidade no país, que é sempre uma coisa de muita tensão.

AÉCIO VICE

Eu acho que o Aécio está qualificado politicamente para ser o que ele quiser ser. Agora, se ele for vice, ele vai se desgastar muito.

Porque é só pegar o que o Estado de Minas escreveu, das divergências do Aécio com o Serra, só pegar os discursos todos feitos quando o Virgílio Guimarães era candidato à presidência da Câmara para a gente perceber que o Aécio vai colocar muita dúvida na cabeça do povo mineiro. Quem é o Aécio que quer ser vice?

Agora de qualquer forma, gente, eu também falo essas coisas, mas o Aécio tem cacife para ser o que ele quiser. Tem cacife e são do mesmo partido.

REAJUSTE PARA APOSENTADOS

Deixa eu contar uma coisa. É que eu acho que as pessoas começam a ter um comportamento um pouco estranho achando que a gente pode banalizar o mandato da gente, seja do Presidente, seja dos deputados, votando 7[%], 7,5[%], que isso vai fazer uma… sabe o que acontece? Você tem que conversar com o povo a realidade. A realidade, nua e crua, é que nós tínhamos feito um acordo com as Centrais Sindicais de dar seis ponto alguma coisa, 6,85[%], alguma coisa toda. Depois, as próprias Centrais Sindicais em um acordo lá, o pessoal achava que poderia ser 7[%]. Eu também não via grande diferença. Mas aí as pessoas acham que se aprovar 7,7[%] vai ser o máximo, que todo mundo vai ser reeleito. É bobagem. É bobagem. Nós temos que olhar, primeiro, as contas da Previdência. Aquele dinheiro não é individualmente de ninguém. Ele é coletivamente do povo trabalhador brasileiro e que, portanto, você tem que trabalhar com ele de forma adequada para você garantir que as pessoas tenham o que receber, sempre. E de que você não pode, você não pode entender que os aposentados podem, a vida inteira, ter aumento real de salário. Isso não existe no mundo.

(…) Então, vamos esperar o Congresso decidir. Quando decidir, virá para minha mesa. Eu vou analisar…

Veja, deixa chegar à minha mesa. Deixa chegar à minha mesa. Tem muita gente discutindo isso. Eu acho que 0,7% nem quebra a Previdência nem enriquece nenhum aposentado. Então, também não é um trauma, nem contra nem a favor. Deixa chegar na minha mesa que eu vou ver as contas direitinho. Vou ver o que é possível fazer. Eu tenho muita relação com o povo para conversar francamente com ele. Então se alguém pensa que é um problema para mim, está enganado.

BELO MONTE

Belo Monte, veja, há 30 anos nós estamos esperando para fazer Belo Monte. Depois que nós cumprimos todas as etapas, fizemos todas as audiências públicas possíveis, fizemos tudo, aparece mais uma liminar, dizendo que não foi debatido. Ora, se a gente for atender os que não querem que a gente construa… Sabe, o que é importante era a gente estar discutindo, nesse momento, qual o compromisso social que Belo Monte vai ter, porque essa é a grande discussão: qual é a contrapartida que o povo da região vai ter. Porque nós já diminuímos Belo Monte em 1/3. Hoje, o lago é 40% do lago… Que estava previsto originalmente.

REFORMA POLÍTICA

Eu acho que nós temos que fazer a reforma política. Ela não depende do governo federal. Na verdade, o governo federal tinha que ser o indutor. Mas o que eu noto é que os partidos políticos não querem. Nem o meu demonstra interesse, sabe? Parece que as pessoas preferem do que está aí. Eu acho que tem que fazer reforma política no país. Acho que tem que fazer reforma tributária. Eu mandei dois projetos de reforma tributária e nenhum foi votado no Congresso Nacional.

Então, eu penso que se a gente tivesse reforma política. Se a gente tivesse os partidos funcionando mais corretamente, se a gente tivesse uns partidos que decidissem e a base cumprisse com fidelidade partidária, a gente teria mais chance de fazer acordo entre os partidos e aprovar as coisas. Mas agora não, agora já não são mais os partidos, já não são mais as lideranças, agora são os grupos dentro de cada bancada. Então, essa é uma coisa que eu tenho frustração de não ter feito, a reforma política. Tem duas propostas nossas no Congresso Nacional, mas essa é uma coisa que depende do partido.

Uma coisa eu digo: quando eu deixar a Presidência eu vou, sabe, vou ser uma pedra no calcanhar do PT para que o PT coloque a reforma política como prioridade sua, 365 dias por ano falando de reforma política, procurando aliados para a gente fazer. Porque não é possível, sabe. E sobretudo porque eu acho que o fundo público para financiar as eleições e com a proibição de dinheiro privado seria uma possibilidade que a gente teria de moralizar o país.

REFORMA DA ONU

Esse negócio da ONU… vamos ter claro o seguinte: a ONU não pode ter, como secretário-geral, um político. Ela tem que ter um burocrata do sistema ONU. É, porque senão você entra em confronto com os outros presidentes. Quem manda na ONU são os presidentes representados na Assembleia da ONU. De repente, se você colocar um político… sabe? Você imagina se um presidente americano deixar a Presidência e quiser ser Secretário-Geral da ONU. Isso não é uma coisa…?

Então, eu acho que vamos melhorar a ONU, queremos a reforma, mas eu acho que a burocracia tem que continuar existindo nas Nações Unidas, para manter uma certa harmonia.

FIM DE GOVERNO

Não, não. Gente, eu só quero pensar agora em terminar o meu mandato. Eu tenho muita coisa para fazer. A minha preocupação é animar os meus ministros, porque vai chegando o final do mandato e, sabe aquele negócio? Vai dando duas horas da manhã, você está em um baile, já começa a procurar cadeira para sentar, já não quer mais dançar. Então, eu quero que todo mundo continue animado, que todo mundo continue dançando, porque nós temos que terminar muito bem, no dia 31 de dezembro. A imagem que eu quero deixar, minha, no governo, é a de que nós trabalhamos até a véspera do minuto que vai significar o dia primeiro. E, depois, sair tranquilo. Eu vou sair do governo com a consciência tranquila, vou continuar andando pelo Brasil muito, vou continuar andando pelo Brasil muito, vou continuar visitando os lugares deste país, vou ver o que eu fiz, o que eu não fiz, sabe?

(…) Eu vou mostrar, eu vou mostrar que um ex-presidente não pode ser mesquinho, não pode ficar torcendo pelo fracasso do outro, não pode ficar dando palpite, ou seja, tem que deixar… sabe? Saiu da Presidência, saiu…

PAC 2

O PAC 2 não foi lançado para a gente começar a fazer neste governo. Alguma coisa pode começar. Por que nós fizemos o PAC 2, gente? Porque se… E o PAC 2, eu estava vendo algum governador dizer, até o Aécio disse: “As obras prioridade de Minas, eu vou passar para o Serra”.

Veja, as obras prioritárias que nós vamos fazer em cada estado, elas são definidas pelo estado. Não é o governo federal que vai decidir qual é a rodovia, qual é a ferrovia que vai fazer. Por que eu tive que fazer o PAC 2? Para facilitar a vida de quem entrar depois de mim. Ou seja, se a pessoa não quiser fazer, não faça. Foi eleito presidente, tem o direito de pegar todo papel e falar: “Não vou fazer”. Mas o que eu quero?

Agora, eu quero deixar uma prateleira de projetos que eu não recebi. Eu quero deixar um conjunto de obras, sobretudo investimentos nas grandes periferias do país, que eu não recebi. Ora, se a pessoa entrar e quiser continuar, ótimo. Se a pessoa… Inclusive, algum dinheiro já vai estar no orçamento. Porque nós temos Copa do Mundo, nós temos Olimpíadas. Essas coisas você não pensa na véspera. Então, o que eu quis deixar foi a estrutura semeada. Quem entrar pode falar: “Bom, isso aqui é do governo passado, não me interessa mais, vou tirar tudo fora aqui, vou fazer novo”. Vai perder um ano e meio. O mandato é curto. Quatro anos é muito curto. Quatro anos é muito para a oposição, mas para a situação passa rapidinho.

OBRAS E CHUVAS

Nós vamos colocar mais dinheiro na periferia do que já foi colocado, para evitar essas coisas que aconteceram no Rio de Janeiro. Porque a gente fica culpando a chuva, mas quem era administrador há 20 anos atrás, há 30, quando deixou as pessoas irem morar no lixão? Quem eram os senhores governantes deste país, que deixaram as pessoas construírem suas casas à beira de córregos, nas encostas de morros? Então, a gente culpa a chuva… Obviamente que, se não fosse a chuva, a gente não veria isso. Mas o dado concreto é que todo mundo sabe que alguém que está morando na beira de um córrego vai sofrer uma enchente se chover demais. Alguém que está na beira do morro, vai ter desbarrancamento. Será que ninguém viu isso?

Nós estamos fazendo, com todo o dinheiro que nós estamos… E falo isso de coração para vocês. Peguem qualquer presidente que passou por este país, ou juntem todos, e vejam a somatória de dinheiro que eles investiram em dragagem e saneamento básico, se chega a 10% do que nós estamos fazendo.
Então, eu acho que nós estamos fazendo um processo de reparação neste país. Reparação da irresponsabilidade administrativa que foi feita no país. Deixar o povo, de forma desordenada, ocupar lugares inadequados, que todo mundo sabia que era inadequado. Só o coitado que foi morar lá que não sabia. Então, eu acho que nós estamos colocando muito dinheiro no PAC 2 para consertar isso. E vai demorar, eu diria, 20 anos para a gente poder consertar tudo. Porque, em alguns casos, é quase refazer. Uma coisa é você tirar dez famílias; outra coisa é você tirar 150 mil. Aí, é uma coisa maluca. Mas tem que fazer. Então, nós estamos começando.

DESPOLUIÇÃO DO RIO TIETÊ E DA BAÍA DE GUANABARA

Há quantos anos a gente ouve falar na despoluição do rio Tietê? Há quantos anos a gente ouve falar na despoluição da Baía de Guanabara? Agora, seria importante se vocês pudessem ir comigo fazer uma viagem na Baixada Fluminense, para ver o que a gente está fazendo lá. Você só vai consertar a Baía da Guanabara quando você consertar a Baixada Fluminense. Você tem que fazer coleta de esgoto, tratamento de esgoto. Aquele rio da Baixada Fluminense está negro, parece petróleo.

Aquilo está há dezenas, há décadas, ninguém nunca colocou um centavo lá. E ficavam prometendo: despoluir a Baía da Guanabara, despoluir o rio Tietê, e nunca fizeram. Então, nós estamos começando a fazer. E eu queria que vocês pegassem para ver quanto dinheiro nós passamos para São Paulo, para obras de saneamento básico. Não tem coloração partidária não. Nós queremos tentar resolver esse problema. E o governo federal, se Deus quiser, nos próximos 20 anos, quem vier e for colocando dinheiro, a gente pode sonhar com uma nova metrópole, nos próximos anos.

IMPRENSA

Eu acho que a imprensa brasileira, ela vai ter que tomar consciência de que o eleitor é o único que pode fazer julgamento, de que o telespectador é o único que pode fazer julgamento e de que o ouvinte é o único que pode fazer julgamento. Portanto, quando a gente escreve, fala, na televisão e no rádio, a gente tem que saber que tem alguém do lado de lá que tem inteligência e que essa pessoa vai perceber se a gente está sendo honesto, ou se não está sendo honesto. Essas pessoas percebem quando um jornal ou uma televisão carrega na tinta contra um e não contra o outro.


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Lula discursa durante III Cúpula Brasil-União Européia, em Estocolmo. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula discursa durante III Cúpula Brasil-União Européia, em Estocolmo. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A proposta do Brasil de reduzir em 80% o desmatamento no Brasil até 2020 foi bastante elogiada nesta terça-feira, em Estocolmo, pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. Para os dois, o plano brasileiro é ambicioso e deveria ser adotado como modelo por outros países. Reinfeldt afirmou ainda que seria importante discutir a proposta brasileira, que faz parte do Plano Nacional para Mudanças Climáticas, durante a reunião da ONU sobre clima (COP 15) que será realizada em dezembro, em Copenhague.

Lula, Reinfeldt e Barroso participaram nesta terça-feira do encerramento da III Cúpula Brasil-União Européia e, durante o encontro, o presidente brasileiro explicou alguns detalhes da proposta que o Brasil deve levar a Copenhague no final do ano.

Confira:

Abaixo, a íntegra do discurso do presidente durante o encontro em Estocolmo:

Em entrevista coletiva concedida após a Cúpula, Lula afirmou que cada país tem que chegar à reunião da ONU sobre clima em Copenhague apresentando números concretos de quanto emite de gás do efeito estufa. Tratar o tema de forma genérica, jogando a culpa um no outro, não vai levar a lugar algum, afirmou Lula, que pede ainda “bom senso e maturidade” aos líderes mundiais para que seja possível encontrar uma solução viável para o problema das mudanças climáticas.

O presidente Lula afirmou ainda que a meta de desmatamento zero é impossível de ser assumida e explicou o motivo:

O presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, defendeu a proposta brasileira para o desmatamento:

Para ler a íntegra da entrevista coletiva concedida por Lula, Reinfeldt e Barroso, clique aqui.

O presidente Lula deixou claro que espera ver chefes de Estado no encontro sobre clima marcado para Copenhague e defendeu que a ONU assuma a responsabilidade de qualificar e criar um orgão exclusivo para as questões ambientais que sirva de referência única para assuntos do meio-ambiente. Assim, acaba com a confusão existente hoje, em que cada país trabalha com seu número, cada departamento de energia com um número:

O presidente disse ainda que não adianta procurar culpados, mas que é preciso criar regras para que cada país comece a se responsabilizar pelos estragos que de fato já causou ao planeta. No trecho abaixo, Lula também fornece dados da matriz energética brasileira, reconhecidamente limpa, e fala dos biocombustíveis:


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A crise econômica mundial e a crise política em Honduras foram os temas principais da entrevista exclusiva concedida pelo presidente Lula à PBS, rede pública de TV americana, esta semana. Lula elogiou o presidente americano Barack Obama pela decisão tomada de condenar o golpe em Honduras e reafirmou que o atual governo no país centroamericano é “ilegítimo”.

“Acho que, junto com a OEA, todo mundo condenou o golpe e todo mundo está reivindicando que o presidente Zelaya volte ao exercício da Presidência, convoque as eleições e faça as eleições. É isso que nós queremos”.

O presidente brasileiro disse, ainda, esperar que não haja qualquer violação à embaixada brasileira em Honduras.

Leia aqui a íntegra da entrevista ou ouça abaixo:

Em relação à crise econômica e seus efeitos no Brasil, Lula destacou que o País tem um sistema financeiro bastante regulado, que os bancos públicos brasileiros são fortes e garantem investimentos. Ele ressaltou a importância do PAC para assegurar a estabilidade do País:

“Nós investimos US$ 254 bilhões para fazer obras públicas. Quando veio a crise, o Brasil já estava em uma fase boa. Nós colocamos mais US$ 100 bilhões de dólares para ajudar na infraestrutura, passamos mais US$ 50 bilhões para o nosso banco de investimento. O Banco do Brasil comprou alguns bancos privados para poder ter mais dinheiro para financiar carros, por exemplo, carro usado. Porque o crédito desapareceu, no mundo inteiro e no Brasil também”.

Ele voltou a responsabilizar os países ricos pela crise e defendeu a regulação do sistema financeiro e um maior reconhecimento dos países emergentes:

“Eu penso que é muito difícil no mundo de hoje você continuar com o G-8 sem levar em conta a importância do Brasil, da China e da Índia, sobretudo na economia mundial. Porque nós somos grandes consumidores e estamos virando grandes produtores e também porque nós estávamos mais preparados do que os países ricos. Eu penso que não há nenhuma razão de existir G-8 ou qualquer outro G. É garantir que o G-20 passe a ser um fórum importante para discutir as questões econômicas do mundo”.


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A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha, afirmou o presidente Lula em discurso na abertura da 64ª Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Assista o vídeo desse trecho da fala do presidente na ONU:

Clique aqui para a íntegra do texto.

Lula também reiterou a importância de se reconhecer que vivemos hoje em um mundo multipolar, que ao mesmo tempo demanda e pode ajudar na revitalização da ONU. “Não é possivel que as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança sejam regidos hoje pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial”, disse o presidente, lembrando que caminhamos para um mundo multilateral e multipolar, citando a experiência de integração regional que ocorre na América do Sul, com a criação da Unasul.

Lula afirmou, por fim, que sem vontade política para a mudança, persistirão anacronismos como o embargo contra Cuba e continuarão a acontecer golpes de estado como o ocorrido em Honduras.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula na Assembléia-Geral da ONU, em Nova York:


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Em entrevista coletiva concedida hoje à imprensa internacional no Hotel Intercontal Barclay, em Nova York, o presidente Lula foi categórico em sua defesa do direito do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, a ser reconduzido a seu cargo, em nome da democracia.

O presidente ressaltou a importância do posicionamento da comunidade internacional frente ao golpe em Honduras:

O presidente informou ainda que, em conversa com José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, o ministro das relações exteriores brasileiro Celso Amorim pediu que a organização vá a Honduras para ajudar na mediação da crise.


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