O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (17/6) ter orgulho da relação que tem com os movimentos sociais e incentivou a todos a continuarem reivindicando, porque a cada conquista, o Brasil avança e a vida da população melhora. “Tenho orgulho dessa relação com os movimentos sociais, uma coisa sincera, verdadeira”, disse o presidente durante a abertura da 7ª Feira Nacional de Agricultura Familiar, em Brasília. “E continuem trabalhando, porque se vocês não trabalharem, não reivindicarem, muitas vezes o governo não enxerga vocês.”
Numa caminhada, a gente vai dando passo a passo, porque senão a gente pode cair e não prosseguir a nossa caminhada. Estamos num momento primoroso e de muito orgulho em nosso País. Finalmente parece que valeu conquistar nossa independência em 1822. Depois de tantos anos, estamos nos tornando mais cidadãos, os mais pobres começam a ser tratados com mais respeito, como sempre deveriam ser tratados.
Um dos bons reflexos do sucesso das políticas públicas implementadas no País, após discussão com a sociedade por meio de dezenas de conferências realizadas nos últimos anos, foi a diminuição do êxodo rural, afirmou o presidente, com as pessoas preferindo hoje ficar no campo e produzir, fortalecendo a agricultura familiar -- como fica evidente para quem visita a Feira Nacional realizada em Brasília.
Lula também defendeu um novo papel para as reservas florestais, lembrando que nenhum governo criou tantas delas como o seu. Mas a grande questão é como usá-las em benefício das populações locais, que podem ajudar a protegê-las.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Lula voltou a elogiar a integração do governo com a sociedade, sindicalistas e movimentos sociais, por meio das 68 conferências nacionais realizadas em oito anos, que ajudaram a fazer leis, decretos e políticas públicas, “melhorando a vida de cada um de vocês”, observou. Mas o presidente disse ainda não estar satisfeito. Ele quer mais e entende que todos devem ter o mesmo espírito de desejar cada vez mais. “Eu não me incomodo com reivindicações”, disse, sempre deixando claro que nem todas elas serão atendidas.
Ao se despedir, Lula afirmou que pretende visitar a Feira no domingo, juntamente com a primeira-dama Marisa Letícia, “não como presidente, mas como cidadão” e poder assim aproveitar o que ela tem de bom.
Durante a cerimônia de abertura da 7ª Feira Nacional de Agricultura Familiar o presidente aproveitou para anunciar a destinação de R$ 16 bilhões para financiamentos de agriculturoes, em linhas de custeio, investimento e comercialização, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O volume de recursos do Plano Safra foi ampliado em mais de 500%, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, e os principais destaques da edição deste ano do Plano são os novos limites de financiamento para linhas de crédito como Pronaf Jovem, Agroindústria, Semi-Árido e apoio à reconversão produtiva dos produtores de fumo.
A atenção dedicada pelo presidente Lula ao Nordeste na semana passada, com agendas em Fortaleza, Natal, Maceió, Aracaju e Salvador, foi tema do programa Café com o Presidente desta segunda-feira (14/6). Segundo o presidente, o desenvolvimento da região deve-se principalmente ao crédito oferecido aos mais pobres. “Qual é o significado do milagre? É que o povo mais pobre, o pequeno produto, está tendo acesso a um crédito que até então lhe era negado”, afirmou. Lula fez referência ao microcrédito rural Agroamigo, programa de ajuda ao pequeno produtor do Banco do Nordeste Brasileiro (BNB), que tem um dos menores índices de inadimplência do País – apenas 3%. Para o presidente Lula, isso é “uma demonstração de que vale aquela máxima que dizia que o pobre é bom pagador porque ele tem como patrimônio maior o seu nome e a sua cara”.
Com relação à Fortaleza, onde participou da aula inaugural do programa ProJovem Urbano, Lula destacou o fato de 60% dos 153 mil jovens integrantes este ano serem mulheres -- das quais 60% são mães.
Eu fiquei emocionado, porque eu nunca vi tanto brilho de esperança como eu vi nos olhos daquelas mulheres e daqueles jovens que estavam lá. Estavam os jovens de, praticamente, todo o estado do Ceará. É um programa muito exitoso e nós, certamente, haveremos de ver o Brasil colocando mais dinheiro, nos próximos anos, para que a gente possa recuperar esses jovens para o mercado de trabalho, para a escola e, ao mesmo tempo, transformar esses jovens em cidadãos brasileiros de primeira classe.
Em Alagoas e Sergipe, o presidente participou também da cerimônia de assinatura de ordens de serviço de duplicação da BR-101, que estará completa, este ano, na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Essa estrada vai ser importante porque os turistas, sejam brasileiros, sejam estrangeiros, vão poder andar todo o Nordeste brasileiro por uma estrada duplicada – uma parte dela, que é a que estamos fazendo, de concreto – para ninguém botar defeito. É uma estrada de primeiríssima qualidade e eu acho que ela vai simbolizar muito o desenvolvimento do Nordeste, carregando os produtos produzidos no Nordeste, mas, sobretudo, carregando o turista para ver a alegria do povo brasileiro e ver as mais belas praias do mundo.
Mais do que o forte aumento do PIB brasileiro, o que mais chamou a atenção do presidente Lula no anúncio feito terça-feira (8/6) pelo IBGE foi outro número: o crescimento de 26% do investimento no País no primeiro trimestre do ano. Esse é um claro sinal de que a crise econômica que arrasou Estados Unidos e Europa no ano passado foi mesmo uma ‘marolinha’, afirmou Lula em discurso nesta quarta-feira (9/6) em Maceió (Alagoas), durante solenidade em que deu ordem de início às obras de duplicação da rodovia BR-101 no estado.
“Eu não sou mágico, não fiz mágica na economia, apenas trabalhei com seriedade”, afirmou o presidente, lembrando que quem salvou o Brasil da crise foi o povo mais pobre, que assumiu a responsabilidade de consumir e não deixar que a economia do País esfriasse. É justamente esse povo que vem sendo mais beneficiado pelas políticas de governo que investe pesado no desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste do País, com programas como o microcrédito AgroAmigo, do Banco do Nordeste Brasileiro (BNB) – com foco no pequeno agricultor familiar -, o Luz para Todos e o Bolsa Família. Eles estão turbinando a economia e permitindo que os mais pobres possam consumir mais alimentos e produtos básicos de higiene e limpeza – mais até do que as classes A e B (ainda segundo dados do IBGE de abril).
São esses programas que a imprensa brasileira esquece de analisar com mais cuidado para perceber que eles dão suporte ao crescimento verificado pelo IBGE. “Somos tão brasileiros como qualquer outro”, disse o presidente, afirmando que os nordestinos não querem ir para o Sudeste apenas para trabalhar de pedreiro, mas querem também ir à passeio ou para conseguir empregos de médicos, engenheiros, pesquisadores.
Os investimentos feitos pelo governo em estados nordestinos também visam fortalecer a infraestrutura local, para garantir a presença de indústrias e gerar empregos de qualidade. A rodovia BR 101, que vai até o Rio Grande do Sul, é um bom exemplo disso. Outras obras importantes, lembrou, são os canais do Sertão e do Rio São Francisco e a ferrovia Transnordestina. “O Nordeste não quer mais ser tratado diferente, somos cidadãos brasileiros também.”
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