Trabalho de divulgação das propostas defendidas pelo governo na 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), realizada em Copenhague, Dinamarca, deu à área internacional da Secom o prêmio na categoria Relações com a Mídia.
A Secom contou com o apoio da CDN (Companhia de Notícias) para a interface com a mídia nacional e internacional. Foi criado um hotsite com as informações sobre a posição brasileira defendida na conferência de Copenhague – ver aqui.
O blog criado pela Petrobras também foi premiado. A página foi criada para a defesa da empresa no período em que se articulou, no Congresso Nacional, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI).
A cerimônia de premiação está prevista para acontecer em 5 e novembro, em Istambul, Turquia.
Nem os países do norte são tão grandes quando imaginavam, nem os países do sul são tão pequenos. O mapa mundi está mais igual e o Brasil vem conquistando cada vez mais espaço nas decisões globais. Isso cria ciumes em muita gente, mas para os novos diplomatas brasileiros, formandos da turma 2007/2009 do Instituto Rio Branco, deve gerar é muito orgulho, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (20/4) durante cerimônia realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.
O Brasil, afirmou Lula, não é mais coadjuvante nas decisões globais, o País cresceu e ganhou importância no cenário internacional, o que pode ser comprovado pela atuação brasileira em grandes eventos como as reuniões do G8, G20 e COP 15, entre outras. O presidente brasileiro fez questão de elogiar muito o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), “o melhor diplomata em ação que conheço”.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
Lula reafirmou a importância da diversificação da relação do Brasil com outros países e disse que se o País é mais respeitado hoje é porque “está colocando o pé em espaços que outrora não colocava” e porque tem políticas importantes. Aconselhou aos formandos do Itamaraty que mantenham em alta não só a excelência da diplomacia brasileira mais também a sua autoestima perante os negociadores dos países europeus e americanos. “Eles podem ser mais ricos do que a gente, mas a nossa terra é tão importante quanto a deles.”
Para ilustrar o novo comportamento do Brasil no exterior, o presidente Lula contou algumas histórias aos novos diplomatas, como as da reunião do G8 realizada em Evian, na Suíça, em 2003, quando acabara de assumir o cargo no Brasil, e da reunião da ONU em Copenhague (COP 15), em dezembro de 2009, mostrando que o Brasil não precisa e não pode mais baixar a cabeça -- e justamente por adotar essa nova postura, vem sendo mais respeitado no mundo. Lula falou também das críticas que o País sofreu por preferir negociar com seus vizinhos em questões delicadas, como o gás natural da Bolívia ou o pagamento ao Paraguai pela energia de Itaipu, do que impor decisões à força.
“O Brasil precisa ser mais generoso, que estende a mão, que ajuda”, disse Lula. “Temos que tratar melhor os nossos vizinhos. O nosso crescimento tem que servir para eles crescerem também.”
Presidente Lula em reunião com o rei Carl Gustaf e delegação de empresários suecos realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Com iniciativas inovadoras em energia renovável, como o acordo de cooperação em bioenergia assinado nesta quarta-feira (24/3) em Brasília, Brasil e Suécia podem ter um papel fundamental na próxima reunião da ONU sobre clima (COP 16), que será realizada no final deste ano na Cidade do México, afirmou o presidente Lula em discurso durante encontro com o rei Carl Gustaf, da Suécia, no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Segundo Lula, ficou claro na última conferência, realizada em Copenhague (dezembro de 2009), que “a comunidade internacional está longe de um consenso para responder ao desafio da mudança do clima”.
Estou convencido de que Suécia e Brasil têm um papel decisivo a desempenhar na COP 16 no México, ainda este ano. Com iniciativas inovadoras em energia renovável, limpa e eficiente, estamos apontando a direção a seguir. Assim como o Brasil, a Suécia está adotando medidas concretas para reduzir de forma drástica e sustentável sua dependência dos combustíveis fósseis.
Não temos tempo a perder. Nosso acordo sobre cooperação em bioenergia abre caminho para ações de grande impacto. Contamos com a Suécia como nosso maior aliado para liberalizar o mercado de etanol da União Européia e ajudar a criar trabalho, renda e oportunidades para países na África, América Latina e Caribe.
Lula recebe a visita do rei Carl Gustaf e da rainha Silvia, além de empresários suecos, num momento em que o Brasil se prepara para decidir sobre a aquisição de caças para as Forças Armadas. Aliás, o tema esteve na pauta da reunião entre as autoridades brasileiras e suecas antes do almoço no Palácio Itamaraty.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula:
Não foi à toa que o Brasil ganhou o respeito do mundo e a dianteira nas discussões sobre combate às mudanças climáticas durante a Conferência da ONU realizada em dezembro de 2009 em Copenhague (COP 15). Nos últimos anos o País promoveu ações que reduzir significativamente o desmatamento na Amazônia, puniu desmatadores, ofereceu um modelo sustentável de desenvolvimento na região e vem conseguindo manter limpa a sua geração de energia. “O mundo viu que o Brasil tinha uma posição corajosa”, afirmou o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, no décimo programa da série 7 Anos em 7 Minutos que o Blog do Planalto publica nesta quinta-feira (11/3).
Minc lembra algumas das grandes vitórias obtidas em favor do meio ambiente, como a redução recorde do desmatamento na Amazônia em 2009, de 18 mil quilômetros quadrados para 7 mil. “Salvamos 700 mil árvores. Mas ainda é muito, inaceitável. Por isso, em 2010, vamos reforçar ações com Ibama, Polícia Federal, Rodoviária, as polícias estaduais e a Força Nacional”, afirmou o ministro, que está confiante em ver a redução inicialmente planejada de 80% para 2020 ser superada.
O ministro também falou sobre o trabalho feito para garantir alternativas sustentáveis para os trabalhadores que vivem na região amazônica, para que possam conseguir seu sustento com a floresta em pé.
Por isso o governo criou a operação Arco Verde, que atende a mais de 200 mil pessoas nos 43 municípios que mais desmatavam na Amazônia. Catorze ministérios, vários órgãos, levaram a essa região cidadania, respeito à floresta, atividades sustentáveis que impediam a destruição.
Em Copenhague, durante a COP 15, o Brasil apresentou metas ousadas de redução de emissões de CO2 (até 39% até 2020) e transformou o compromisso em lei, que está sendo regulamentada setor por setor e contará com recursos do Fundo de Mudanças Climáticas para se tornar realidade.
Para que a economia entre no clima, vários mecanismos economicos tem que ser postos em marcha. O Brasil é um pais que tem um potencial enorme para a energia eolica, para a energia solar, a biomassa. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo -- a maior parte de nossa energia vem da água, das hidrelétricas. Temos que ampliar a participação das fontes limpas nessa matriz. Vamos ampliar o biocombustível, o etanol, nós podemos dar uma contribuicao para o mundo gerando empregos verdes e ajudando a salvar o planeta.
O presidente Lula falou com o coração. E colocou o sentimento de vitória a toda a população que acompanhou pela televisão a entrega do prêmio Brasil Olímpico 2009, transmitido direto do ginásio do Maracanãzinho, no Rio. Num discurso de improviso, Lula chamou a atenção das empresas privadas, dos clubes, das prefeituras e dos governos estaduais para que invistam mais no esporte amador. De acordo com o presidente, somente desta forma o Brasil irá realizar “a mais extraordinária olimpíada do mundo” em 2016, no Rio.
Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula.
Lula recebeu troféu pelo empenho dedicado à campanha do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos. Bastante a vontade, o presidente contou os momentos que antecederam o anúncio, em Copenhague (Dinamarca), da vitória carioca. Ele explicou que foi para a capital dinamarquesa com um pouco de receio, pois até aquele momento o Brasil tinha se candidatado em duas outras oportunidades, mas não conseguiu a vitória junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Nos meses que antecederam a cerimônia de anúncio da sede, ainda de acordo com Lula, foram feitas diversas reuniões com chefes de Estado ou de governo, sempre em favor da candidatura do Rio.
“Quando cheguei lá, estava visivelmente emocionado. Tínhamos que convencer um grupo de cem pessoas que o Brasil e o Rio tinham condições. Foi uma sensação muito estranha. Mas, estava confiante, pois havíamos feito a melhor apresentação”, contou.
E o presidente entremeou o pronunciamento com a revelação de alguns casos. Fatos de bastidores, como o estado emocional do governador Sérgio Cabral. Lula contou que pediu ao médico que o acompanhava na comitiva que cuidasse do governador do Rio, Sergio Cabral, pois tinha receio “dele ter um piripaque”. Causopu risos na platéia quando dise que não se incomodava com os discursos em língua estrangeira ou com os atletas e demais integrantes da comissão brasileira discursando em inglês e se bobeasse falavam até em mandarim.
Agora, segundo Lula, após a vitória, é preciso mais investimentos na formação de futuros atletas. À platéia, o presidente afirmou estar disposto a buscar recursos para a formação de atletas. Ele lembrou que concluirá o mandato em 31 de dezembro de 2010, mas engrossará fileiras com os governantes locais para ajudar o Rio a fazer bonito.
“Nunca antes na história das olimpíadas um país venceu com mais de 40 votos de diferença. Nós ganhamos e agora precisamos começar a prestar contas dos compromissos que assumimos. O Brasil só vai se transformar numa potência olímpica se trabalhar com o mesmo desepenho que fez para conquistar a indicação para sediar os jogos”, enfatizou.
Após a cerimônia de premiação, Lula participou de jantar oferecido pela Apex-Brasil a empresários do setor de comércio exterior em Copacabana, Zona Sul do Rio.
O programa Café com o Presidente, transmitido em cadeia de rádio nesta segunda-feira (21/12) abordou a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15), realizada na semana passada, em Copenhague (Dinamarca). Na conversa, o presidente Lula disse que o sentimento que fica da reunião “é o sentimento de que os governantes do mundo inteiro vão ter que ter esse tema sempre como prioritário, para que a gente encontre uma solução definitiva e possa garantir a manutenção e a existência do planeta Terra, permitindo que a espécie humana sobreviva”.
Ouça a íntegra do programa
Segundo Lula, “todo mundo sabe que os maiores culpados são os países mais industrializados, ou seja, eles começaram a poluir muito tempo antes do Brasil, da China, da Índia e de outros países, porque há 200 anos eles já são industrializados. O que se discute agora é quais as medidas que nós vamos tomar para que a gente comece a desaquecer o Planeta e a diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Então, eu acho que isso foi uma coisa que ficou clara para todo mundo, mesmo aqueles que concordaram e que não concordaram”.
E o Brasil teve uma participação bem destacada na COP15. De acordo com o presidente, o País estabeleceu meta de redução de emissão de gases de efeito estufa, até 2020, de 36,1% a 38,9%, ao mesmo tempo em que propôs reduzir o desmatamento na Amazônia em 80%, também até 2020.
“E nós também resolvemos mais três coisas importantes: diminuir o desmatamento no cerrado; o setor siderúrgico nosso, nós vamos trabalhar para que ele utilize carvão vegetal e não carvão mineral, para também diminuir a emissão de gases de efeito estufa; e a nossa matriz energética, que já é a mais limpa do mundo, do ponto de vista da energia elétrica, nós temos 85% de energia elétrica limpa. Portanto, o Brasil estava totalmente à vontade. O Brasil foi considerado, durante todo o encontro, como o país que apresentou a melhor proposta, como o país que trabalhou isso corretamente. E, graças a Deus, a decisão do governo que nós enviamos ao Congresso Nacional foi aprovada, e agora é lei. Portanto, já não é mais a vontade do presidente Lula. Agora, quem quer que governe este país, vai ter que cumprir”, disse.
A 15a. Conferência da ONU sobre Clima terminou oficialmente neste sábado (19/12), com a elaboração do “Acordo de Copenhague” após negociação entre líderes dos países do grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) e dos Estados Unidos e da União Européia, realizada na noite de sexta-feira (18/12). O acordo foi aceito oficialmente pela ONU mas não teve aprovação unânime – em seu anexo haverá lista com os países contrários ao acordo.
O primeiro-ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen se mostrou satisfeito com desfecho, mas seu otimismo não é compartilhado por outros líderes. O presidente Lula deixou clara sua frustração no discurso que fez na sessão plenária da conferência – veja aqui.
De acordo com o texto, os países ricos se comprometeram a doar US$ 30 bilhões nos próximos três anos (até 2012) para um fundo de luta contra o aquecimento global. O valor é menor do que os US$ 16,6 bilhões anuais que o Brasil deverá gastar para atingir sua meta de redução nas emissões de gases do efeito estufa.
O “Acordo de Copenhague” diz ainda que os países desenvolvidos se comprometeram em cortar 80% de suas emissões até 2050. Já para 2020, eles apresentaram uma proposta de reduzir até 20% das emissões, o que está abaixo do recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que sugere uma redução entre 25% e 40% até 2020.
Principais pontos do Acordo de Copenhague:
O acordo é de caráter não vinculativo, mas uma proposta adjunta ao acordo pede para que seja fixado um acordo legalmente vinculante até o fim do próximo ano.
Considera o aumento limite de temperatura de dois graus Celsius, porém não especifica qual deve ser o corte de emissões necessário para alcançar essa meta
Estabelece uma contribuição anual de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para que os países mais vulneráveis combatam os efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para a mitigação e adaptação. Parte do dinheiro, US$ 25,2 bilhões, virá de EUA, UE e Japão. Pela proposta apresentada, os EUA vão contribuir com US$ 3,6 bilhões no período de três anos, 2010-12. No mesmo período, o Japão vai contribuir com US$ 11 bilhões e a União Europeia com US$ 10,6 bilhões.
O texto do acordo também estabelece que os países deverão providenciar “informações nacionais” sobre de que forma estão combatendo o aquecimento global, por meio de “consultas internacionais e análises feitas sob padrões claramente definidos”.
O texto diz: “Os países desenvolvidos deverão promover de maneira adequada (…) recursos financeiros , tecnologia e capacitação para que se implemente a adaptação dos países em desenvolvimento”
Detalhes dos planos de mitigação estão em dois anexos do Acordo de Copenhague, um com os objetivos do mundo desenvolvido e outro com os compromissos voluntários de importantes países em desenvolvimento, como o Brasil.
O acordo “reconhece a importância de reduzir as emissões produzidas pelo desmatamento e degradação das florestas” e concorda promover “incentivos positivos” para financiar tais ações com recursos do mundo desenvolvido.
Mercado de Carbono: “Decidimos seguir vários enfoques, incluindo as oportunidades de usar is mercados para melhorar a relação custo-rendimento e para promover ações de mitigação.
Clique aqui para ler a íntegra do acordo (texto em inglês).
Por iniciativa do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, os chefes de Estado que participam da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP15), em Copenhague (Dinamarca), estão sendo convidados a permanecerem mais 24 horas naquele país. Ki-moon quer tentar, a todo custo, que as potências mundiais fechem um acordo sobre o clima, meta não alcançada até o momento.
No entanto, nenhuma resposta positiva foi prestada pelos governantes. No aeroporto da capital dinamarquesa começa a se intensificar a mobilização de aeronaves que devem decolar com outras autoridades políticas e representantes de Organizações Não Govenamentais (ONGs) que estiveram ligados à conferência. Muitos documentos preliminares circularam entre os jornalistas, mas até o momento nada de oficial sobre as conclusões da conferência.
O presidente Lula, que está no Centro de Convenções Bella Center, se reuniu com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, após o encerramento da plenária. No início da noite em Copenhague (três horas a mais em relação a Brasília), iniciou encontro com os líderes da África do Sul, Índia e China.
Os presidentes Lula e Barack Obama (Estados Unidos) participam de reunião com líderes de África do Sul, Índia e China em última tentativa de se costurar um acordo climático global em Copenhague (Dinamarca). Foto: Ricardo Stuckert/PR
ATUALIZAÇÃO: O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou um pouco depois de iniciada a reunião do grupo conhecido como Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) e pediu licença para também participar. Fez questão de sentar ao lado do presidente Lula e ajudou a costurar um documento que foi levado aos demais líderes presentes à COP 15.
O presidente Lula retornou ao Brasil no início da noite de sexta-feira.
O mundo não chegará a um acordo climático com meias palavras e barganhas, com a assinatura de qualquer documento, sem um compromisso forte com metas de redução de emissões de CO2 e a garantia do direito das nações mais pobres de se desenvolverem. Ao ser chamado nesta sexta-feira (18/12) pela segunda vez para falar na sessão plenária final da 15ª Conferência da ONU sobre Clima (COP 15), em Copenhague (Dinamarca), o presidente Lula afirmou que, se necessário, o Brasil pode até fazer um sacrifício a mais e contribuir com o fundo para financiamento de países mais pobres, mas lembrou que dinheiro apenas não resolveu o problema no passado, não está resolvendo no presente, nem resolverá no futuro.
Em seu discurso na plenária da 15a. Conferência da ONU sobre Clima, em Copenhague, o presidente Lula fez veemente defesa do direito das nações mais pobres se desenvolverem e afirmou que o Brasil não veio ao encontro 'barganhar metas'. Foto: Ricardo Stuckert/PR
No discurso improvisado que fez, bastante aplaudido pelos chefes de Estado presentes à plenária, Lula lembrou de sua posse em 2003, quando assumiu o compromisso de garantir que cada brasileiro pudesse tomar café da manhã, almoçar e jantar. Algo que para o mundo desenvolvido é coisa do passado, mas para países africanos, latino-americanos e muitos asiáticos, ainda é coisa do futuro:
E isso está ligado à discussão que estamos fazendo aqui, porque não é discutir apenas a questão do clima. É discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países.
Veja trecho do discurso:
Para ver mais trechos do discurso, clique aqui. Para baixar um arquivo de vídeo, clique aqui.
Mais do que apenas dinheiro, disse o presidente, é preciso garantir o direito dos países mais pobres se desenvolverem e protegerem o meio ambiente e suas florestas. Disse ainda que o dinheiro colocado na mesa de negociações pelos países desenvolvidos não é favor nem esmola:
Os países pobres precisam de dinheiro para manter seu desenvolvimento. É importante que nós, os países em desenvolvimento e os países ricos, quando pensarmos em dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, dando uma esmola. O dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gases de efeito estufa por quem teve por dois séculos o privilégio de se industrializar primeiro. Não é uma barganha de quem tem ou não dinheiro. É um compromisso mais sério (…) Quem tem mais recursos e mais possibilidades precisa garantir a contribuição para proteger os mais necessitados.
O presidente Lula afirmou estar um pouco frustrado com as negociações até aqui e cobrou respeito aos princípios do Protocolo de Kyoto e da Convenção do Clima. Lembrou que o Brasil apresentou uma proposta ousada de redução de emissões, baseada em ações na agricultura, siderurgia, aprimoramento da matriz energética e redução do desmatamento na Amazônia em 80% até 2020, e que esse compromisso foi transformado em lei pelo Congresso Nacional. O Brasil, afirmou Lula, não veio a Copenhague barganhar suas metas:
O Brasil não veio barganhar. As nossas metas não precisam de dinheiro externo. Nós iremos fazer com os nossos recursos, mas estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício.
Lula afirmou que, por ser religioso, acredita em milagre e que, em algum momento, “um anjo ou sábio vai colocar em nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora”. Segundo ele, é preciso sim preservar o futuro do planeta, mas isso não pode ser feito com o sacrifício de homens, mulheres e crianças.
O papel do Brasil de liderança entre os países em desenvolvimento, a reunião das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o combate à pobreza, o desmatamento na Amazônia, a exploração do petróleo na camada pré-sal e a diferença de estilos entres o presidentes Lula e Hugo Chávez (Venezuela) foram alguns pontos da entrevista exclusiva, concedida por escrito, pelo presidente Lula aos jornais Politiken (Dinamarca) e Dagbladet (Noruega), publicada nesta quinta-feira (17/12).
Lula diz-se muito feliz em participar da conferência em Copenhague. Ele retorna à cidade dinamarquesa após a vitória brasileira na reunião do COI que escolheu o Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos em 2016.
“Copenhague para mim é sinônimo de felicidade, porque foi aí que vivi um dos momentos mais emocionantes de toda a minha vida, com a escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Mas o momento de euforia já passou e há várias semanas começamos o trabalho de preparação para receber os Jogos. A questão do combate ao narcotráfico e ao crime organizado na cidade, que não é um problema exclusivo do Rio ou do Brasil, está entre os temas que merecem nossa atenção. Sempre reconhecemos a existência dele ao longo da campanha, e o Comitê Olímpico Internacional aprovou as formas inovadoras que o governo do Rio está adotando para enfrentar a violência. Essas formas, que têm o apoio do governo federal, não se limitam à repressão policial, e procuram levar cidadania e serviços públicos aos moradores das comunidades pobres ameaçadas pelo narcotráfico. As Olimpíadas darão outro impulso a esse esforço porque têm um apelo poderoso que motivará a juventude a buscar a inclusão social também por meio do esporte.”
A entrevista enfocou também questões políticas como, por exemplo, a capacidade de Lula transferir votos para a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à sucedê-lo na Presidência da República. “Acredito que venceremos as eleições porque temos uma candidata de grande qualidade. Ela conhece muito bem o governo, tem sensibilidade social, grande capacidade de liderança e de gestão da máquina pública, contará com uma aliança de partidos forte em todos os estados, e na campanha vai demonstrar que é a mais preparada para governar o País. Por isso, vejo as perspectivas eleitorais com muito otimismo, e recebo com alegria, mas com os pés no chão, os índices de aprovação da população”, afirmou.
E Lula prosseguiu: “Na política, a questão de transferência de votos é sempre motivo de polêmica, não é ciência exata. Mas o fato é que este governo tem um conjunto de realizações que mudou para melhor a vida da maioria dos brasileiros, que tem credibilidade e um projeto claro capaz de ampliar ainda mais essas conquistas. Por isso, nas próximas eleições, estou convencido de que não será nada fácil a tarefa dos candidatos de oposição, até porque os partidos de alguns deles governaram o Brasil até 2002 e os resultados que têm para mostrar deixam muito a desejar.”
Enquanto isso, o Christian Science Monitor e o Huffington Post, dos EUA, publicaram, na quarta-feira (16/12), artigo do presidente Lula. O texto tem o título: É hora de “arrumar a casa” em Copenhague. Lula enfatiza que “o momento de agir é agora. Não podemos desperdiçar de novo a chance oferecida por Copenhague. O custo de qualquer novo atraso apenas aumentará ainda mais um legado que já é trágico, e que precisa ser enfrentado sem demora”.
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