O governo federal concluiu, nesta segunda-feira (19/7), a etapa de investimentos em infraestrutura para a Copa do Mundo 2014. Em cerimônia no Palácio Itamaraty, em Brasília, com participação dos governadores e prefeitos das cidades-sede da competição internacional foram anunciados investimentos de R$ 5,15 bilhões para obras em 13 aeroportos e mais R$ 740 milhões para sete portos brasileiros. Com isso, conclui-se a etapa de infraestrutura para o campeonato. Na mesma solenidade, o presidente Lula assinou medida provisória que permite aos municípios obterem linhas de crédito para obras relativas à Copa do Mundo até o limite de 120% das respectivas receitas.
O ministro do Esporte, Orlando Silva, explicou em entrevista coletiva que os preparativos para a Copa do Mundo 2014 seguem no ritmo normal. Ele espera equacionar, ainda esta semana, a situação do estádio de São Paulo que irá receber alguns jogos. “O nosso interesse é que haja definição de forma mais rápida”, afirmou Silva.
Até o momento, os recursos a serem empregados na Copa compreendem R$ 23,14 bilhões, sendo R$ 11,5 bilhões no setor de transportes (mobilidade urbana), R$ 4,8 bilhões para obras nos estádios, R$ 1 bilhão para o parque hoteleiro (recursos colocado à disposição pelo BNDES), R$ 5,1 bilhões para aeroportos e R$ 740 milhões para os portos. No entanto, o ministro afirmou que o governo ainda não pode prevê o volume total dos investimentos para a Copa do Mundo. A próxima etapa será concluir os planos nas áreas de segurança e infraestrutura de comunicação.
O presidente Lula respondeu nesta segunda-feira (19/7) às críticas de que o Brasil está atrasado nas preparações para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, durante assinatura de Medida Provisória para cidades-sede dos dois eventos realizada em Brasília. O presidente lembrou todo o procedimento de escolha das 12 cidades-sede, que levou mais de um ano, e disse essas pessoas que estão reclamando querem comer “o mingau antes dele estar pronto”.
As pessoas ficam querendo que a gente coma o mingau antes dele estar pronto. Quem não sabe comer mingau, precisa saber que quando a gente coloca o fubá no fogo e fica mexendo, tem gente muita ‘borbulha’, fica mexendo até o mingau ficar pronto. Essa medida que assinamos hoje significa que o mingau está pronto. Agora a gente vai poder comer o mingau.
Lula disse ainda durante a solenidade que gostaria de ajudar para que São Paulo não ficasse fora da Copa do Mundo. “Estou disposto a entrar nessa conversa”, afirmou, ao ver o presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio, na plateia.
Além de estabelecer um caráter excepcional para limites de endividamente de alguns municípios, para que possam investir em obras, a MP também prevê a transferência de imóveis da União, como os da zona portuária do Rio que serão transferidos para a Companhia Docas do Rio de Janeiro, ajudando assim na revitalização da região.
Lula disse que quer evitar com isso que se repita o que aconteceu nos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007, em que não houve um pacto entre os governos federal, estadual e municipal, e com isso o governo federal teve que triplicar o total de recursos para a competição, “porque ia sobrar para o Brasil, o nome do Brasil ia ficar sujo na praça e nós então resolvemos colocar o dinheiro que faltou ser colocado pelas autoridades municipais e estaduais naquela ocasião”, lembrou o presidente.
Lula recebe Barroso Durão no Palácio Itamaraty. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula afirmou, nesta quarta-feira (14/7), durante entrevista coletiva no Palácio Itamaraty, em Brasília, que citou o nome da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, na cerimônia de lançamento do edital para a construção Trem de Alta Velocidade (TAV) realizada ontem (13/7), como ”reconhecimento histórico” por seu trabalho para tornar viável o projeto do trem-bala interligando o Rio de Janeiro a Campinas (SP). Ele explicou que tinha expectativa de que na ocasião uma outra autoridade fizesse o reconhecimento em público e, como isso não ocorreu, tomou a iniciativa.
“O dado concreto é que você sabe que foi ela quem fez todo o trabalho. Há dois meses as críticas eram que ninguém tinha interese no projeto”, afirmou Lula ao explicar que não teve interesse, com a iniciativa, de desafiar a Justiça eleitoral. Em seguida disse ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que quando ele estiver no Brasil para a Copa do Mundo 2014 vai poder viajar num dos trechos do trem-bala.
Na entrevista, Lula também comemorou a decisão de Cuba em libertar presos políticos. O acordo com o governo de Raúl Castro foi intermediado pela Igreja Católica.
“Com relação aos presos de Cuba, fiquei tão feliz quanto fiquei quando fui solto da cadeia em maio de 1980″, afirmou o presidente brasileiro. Ele afirmou que sempre que houver oportunidade para interceder em favor de cidadãos que estejam encarcerados irá fazê-lo. Contou o exemplo da cidadã francesa que estava presa em Teerã (Irã) e que conseguiu libertá-la num acordo com o governo iraniano.
José Manuel Durão também louvou a decisão cubana. Em seguida, o líder da União Europeia explicou seu otimismo em relação a acordos que envolvam produtos agrícolas do Mercosul. O mesmo posicionamento foi colocado pelo presidente Lula.
Aliás, a reunião Brasil-União Europeia, conforme destacou o presidente brasileiro, teve por finalidade produzir ajustes em 21 áreas de comum interese entre as nações. Após a reunião que contou com a participação do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, ocoreram asinaturas de atos nos setores de aviação civil, bioenergia e diplomático.
Depois, Lula, Durão e Rompuy fizeram pronunciamento à imprensa seguida de entrevista. Na declaração, o presidente Lula detalhou os acordos firmados.
Já estamos colhendo resultados. Concluímos as negociações do Acordo Brasil-EURATOM em matéria de fusão nuclear, que permitirá avanços na realização de pesquisas conjuntas em área energética do futuro. A celebração de acordo sobre segurança da aviação abrirá os céus da Europa para produtos aeronáuticos brasileiros e – tenho certeza – para projetos conjuntos nesse setor estratégico. Queremos construir uma aliança para combater a pobreza na América Latina e na África.
Leia aqui a íntegra da declaração à imprensa do presidente Lula.
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