Em sua primeira entrevista coletiva após tomar posse no cargo de ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o deputado João Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS) disse que como é um homem do serviço público sabe que a política e a gestão são fundamentais, e prometeu conduzir a pasta dialogando com todos os setores. Segundo Mendes Ribeiro, “o importante é coordenar o anseio da sociedade com as diretrizes do ministério”. Durante a conversa com os jornalistas, o novo ministro assegurou que não tomará qualquer medida precipitada e revelou que estava bastante emocionado com a presença de grande número de parlamentares na cerimônia de posse.
“Vou me preocupar em ter recursos para a agricultura. Estou chegando e vou ter toda cautela para agir. E vou agir se preciso.”
O ministro disse que terá uma reunião, nesta terça-feira, com o presidente da Embrapa, Pedro Arraes, e garantiu que a empresa terá todo o apoio necessário para continuar com os avanços nas pesquisas. Segundo Mendes Ribeiro, trata-se de uma recomendação da presidenta Dilma Rousseff. O ministro contou também sobre como atuará na Conab, autarquia vinculada ao ministério e sob investigação de irregularidades a cargo da Controladoria Geral da União (CGU):
“O ministro Jorge Hage (CGU) disse que teria 30 dias para completar a tarefa. Até lá vou entrar na Conab consciente do grupo técnico que se encontra lá. A Conab é muito importante para a agricultura brasileira. Eu vou conversar e, se tiver que mudar, eu vou mudar.”
Mendes Ribeiro disse também que técnicos do ministério estão empenhados na negociação com autoridades da Rússia referente à exportação da carne produzida no Brasil para aquele país. Embora considere que o mercado russo é bem diferenciado, o ministro aposta numa solução para acabar com o impasse.
Com relação ao último levantamento, realizado em fevereiro, a produção cresceu 0,7%, o que representa 1,1 milhão de toneladas. A área cultivada também registrou um aumento de 3,1%, chegando a 48,9 milhões de hectares.
O motivo do crescimento, segundo as informações levantadas pela Conab, é a ampliação de áreas de cultivo do algodão, do feijão 1ª e 2ª safras, da soja e do arroz, aliada à boa influência do clima no desenvolvimento das culturas. Entre elas, o algodão apresenta o maior crescimento percentual em área, com cerca de 56% a mais que no ano passado (835,7 mil ha). Esse resultado pode levar a uma produção de 1,9 milhão de toneladas de pluma, ou seja, 756 mil t a mais que na safra passada, que registrou 1,2 milhão de toneladas.
Ainda segundo a companhia, área do feijão total deve crescer 7,7%, chegando a 3,9 milhões de hectares. Comparada à safra passada, a produção aumentou 11,8%, e pode alcançar 3,7 milhões de toneladas. A área do feijão 1ª safra deve chegar a 1,5 milhão de hectares, e a do feijão 2ª safra, 1,6 milhão de hectares.
Enquanto isso, a área plantada com soja teve uma ampliação de 2,4%, e alcançou 24 milhões de hectares. A produção, por sua vez, cresceu 2,3%, chegando a 70,3 milhões de toneladas. A colheita do grão começou no Rio Grande do Sul e continua nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.
Com relação ao arroz, o aumento da área foi de 3,7%, elevando-se para 2,9 milhões de hectares. A produção deve apresentar um aumento de 12,6%, o que representa 13,1 milhões de toneladas a mais em relação à safra anterior, que foi de 11,7 milhões de toneladas.
No milho total, a produção estimada é de 55 milhões de toneladas, 1,7% a menos que na safra passada, que atingiu 56 milhões de toneladas. A queda teve origem no milho 1ª safra, que será menor em um milhão de toneladas, devido à diminuição em 33,6 mil hectares (0,4%) da área plantada, que totaliza 7,7 milhões de hectares. Para o milho 2ª safra, cujo plantio ainda continua, a estimativa é de uma área de 5,45 milhões de ha, ou seja, um aumento de 4,5%, em comparação com a safra anterior, e com uma produção prevista de 21,96 milhões de toneladas.
A pesquisa foi realizada por 68 técnicos da Conab, no período de 21 a 24 de fevereiro. Foram ouvidos representantes de cooperativas e sindicatos rurais, de órgãos públicos e privados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de parte das regiões Norte e Nordeste.
A coluna semanal “Conversa com a Presidenta”, da presidenta Dilma Rousseff, que estreia nesta terça-feira (8/2), distribuída para publicação em cerca de 170 jornais, aborda os temas alimentação familiar, a situação das famílias dos militares mortos no terremoto que devastou parte do Haiti e a situação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A primeira questão foi apresentada pelo líder comunitário Alberto Estevão da Silva, do município de Arcoverde (PE). Ele indagou se a presidenta “irá fortalecer os projetos referentes à alimentação familiar” e “ampliar o trabalho realizado entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e as associações comunitárias, que recebem alimentos para doar”. Como será essa parceria a partir de agora?, quis saber o líder comunitário.
“Essa parceria, que tem dado ótimos resultados, será fortalecida e ampliada. Nosso governo tem como prioridade absoluta a erradicação da extrema pobreza, o que inclui garantir segurança alimentar. O Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA) desembolsou no ano passado R$ 800 milhões na compra de 540 mil toneladas de alimentos. Este ano, estamos planejando gastar R$ 2 bilhões, o que representa um aumento de 150%. A Conab compra e encaminha os alimentos – entre outros canais, através das associações comunitárias – aos que vivem em situação de insegurança alimentar. As entidades vão contar com uma quantidade maior de produtos e poderão atender muito mais pessoas. Os alimentos são distribuídos também aos 89 Restaurantes Populares e às 406 Cozinhas Comunitárias, que cobram, em média, R$ 1,50 por refeição. Os produtos são usados ainda para recompor os estoques estratégicos de segurança alimentar e nutricional. Nesse processo, que envolve vários ministérios e órgãos governamentais, contamos também com a participação das prefeituras em vários aspectos, incluindo identificação dos beneficiários finais, planejamento da compra e distribuição, conservação, educação alimentar e nutricional, etc. Na verdade, essa é uma tarefa que exige a participação de todos nós, do governo e da sociedade.”
Moradora em São Paulo, a professora Isadora M. Bueno lembrou que por ocasião de um ano do terremoto que devastou Porto Príncipe, capital do Haiti, o governo prestou homenagem aos 18 militares brasileiros que morreram naquele país. A professora perguntou sobre como está a situação das famílias dos militares e se elas contam com “algum apoito do governo”.
“Isadora, o Brasil jamais deixaria de amparar as famílias dos 18 militares vítimas do terremoto mais devastador dos últimos 100 anos. Eles estavam no Haiti contribuindo para pacificar as forças em conflito e prestando solidariedade a um povo que, mesmo antes da tragédia, já vivia uma situação de extrema gravidade. Em 31 de dezembro, o governo passado liberou a quantia de R$ 500 mil para cada família, atendendo ao que dispõe a Lei 12.257, encaminhada ao Congresso pelo então presidente Lula.”
E prosseguiu: “Em relação às 16 crianças e adolescentes dependentes dos militares mortos, notificamos todas as famílias de que estamos concedendo bolsas de estudos no valor de R$ 510,00 mensais para cada uma. Para receber o benefício, as famílias devem procurar a unidade militar onde servia o titular e comprovar a matrícula, frequência e rendimento escolar até a conclusão dos ensinos fundamental e médio. Quanto aos que prosseguirem com os estudos, ingressando em curso superior, o benefício será estendido até os 24 anos de idade. O valor das bolsas será atualizado nas datas e de acordo com os mesmos índices dos benefícios do regime geral da Previdência Social.”
Coube a Márcio Rogério Godoy Nóbrega, funcionário dos Correios de Bauru (SP), indagar sobre a possibilidade da privatização dos Correios. “Pois a empresa está se tornando S/A. Nós, funcionários, não queremos que a empresa seja privatizada. No governo do PT ela corre esse risco?”, perguntou.
“Não, Márcio, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) não será privatizada. Aliás, essa medida nem está em cogitação. O que nós buscamos é o fortalecimento da ECT como instituição pública importante para o desenvolvimento do Brasil. Assim, você e os mais de 100 mil empregados que compõem o quadro dos Correios podem ficar tranquilos, pois as iniciativas para modernizar a empresa não passam por sua privatização. Ao contrário, buscam tornar a empresa ainda mais forte. A logística para a execução do serviço postal, que inclui infraestrutura, processos adequados, tecnologia de ponta e pessoal qualificado, é a chave do sucesso dos Correios. Além de enfrentar os novos desafios que se apresentam, a empresa se prepara para aproveitar as oportunidades de ampliação dos negócios, especialmente em segmentos como de logística integrada, serviços financeiros postais e correio digital. Essas oportunidades são potencializadas pela ampla rede de atendimento da empresa, pela confiança da população na instituição e pela capacidade empreendedora dos seus recursos humanos.”
Veja aqui a íntegra da coluna Conversa com a Presidenta.
Presidente Lula visita as instalações de armazém graneleiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Uberlândia. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A capacidade de armazenamento de alimentos é fator determinante para garantir a soberania do País e o Brasil está se preparando para subsidiar a população em caso de situações adversas, afirmou o presidente Lula durante inauguração, nesta quarta-feira (8/9), de novo armazém graneleiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Uberlândia (MG).
O Brasil aumentou muito a capacidade de armazenamento. Saímos de 90 milhões de toneladas para 135 milhões de toneladas. Eu não queria deixar o governo sem inaugurar um armazém que passa a ser um símbolo da recuperação da Conab e da valorização da soberania do país. Nós vamos continuar com a política de armazenamento.
Lula lembrou da importância de se ter um estoque regulador, que permite garantir à população acesso a alimentos em casos emergenciais. Não basta, afirmou o presidente, o Brasil produzir uma quantidade de alimentos para o consumo de sua população. É preciso também, frisou, ter uma reserva. “Por isso é importante a existência da Conab, a questão do preço mínimo e a regulação”, disse.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
O novo armazém graneleiro tem capacidade para 100 mil toneladas e atenderá a demanda de produtores da região do Triângulo Mineiro para formação de estoques reguladores de milho, soja, trigo e arroz oriundos das regiões de maior produção, principalmente dos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.
Foi criado um novo estacionamento, além dos dois inicialmente projetados, todos com pavimentação asfáltica, ampliando a capacidade total para aproximadamente 250 veículos do tipo bitrens e espaço para veículos leves.
A solidariedade brasileira chegará nas próximas semanas a 12 países da América Latina, África e Ásia, por meio de doações de alimentos. O presidente Lula assinou nesta quarta-feira (10/2) medida provisória liberando a ajuda ao Haiti, El Salvador, Guatemala, Bolívia, Zimbábue, Palestina, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe. A MP será publicada na edição desta quinta-feira (11/02) do Diário Oficial da União.
Serão doadas até 100 mil toneladas de feijão, até 100 mil toneladas de milho ou equivalente industrializado, até 50 mil toneladas de arroz em casca ou equivalente e até 10 mil toneladas de leite em pó. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ficará responsável pela disponibilização dos produtos para os navios que seguirão para seus destinos pelos portos do Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio Grande (RS).
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