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Um País plural, multi-étnico, renovado, com economia sólida, US$ 250 bilhões de reservas e muitos investimentos em infraestrutura em andamento está de portas abertas para os investimentos de empresários europeus. “Nem os ingleses estão fazendo a quantidade de ferrovias que estamos fazendo no País”, afirmou o presidente Lula no encerramento do IV Fórum Empresarial Brasil-União Europeia, realizado nesta quarta-feira (14/7) em Brasília, que contou com a participação também de Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, e José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia.

Lula convidou os empresários europeus a aproveitarem as muitas oportunidades de negócio que o Brasil oferece, reafirmando sua satisfação com a parceria estratégica que há hoje entre as economias brasileira e da União Européia. “Temos um potencial extraordinário de crescimento, temos muitas afinidades”, disse.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:

Lula começou seu discurso lembrando do início de sua vida política, quando brigava e negociava com empresários europeus que tinham fábricas no Grande ABC paulista, na década de 1970, e das viagens que fez para países europeus para negociar acordos sindicais. O presidente brasileiro disse ter a exata noção da importância do investimento do capital europeu no Brasil e no Mercosul e acha que essa relação pode ser ampliada e aprofundada.

Lula explicou aos presentes detalhes do bom momento que o Brasil vive atualmente – que aliás poucos acreditaram que fosse possível, observou – e também a importância dos programas sociais, como o Luz para Todos, para o desenvolvimento da micro economia brasileira, que vem revolucionando o País. São essas políticas de transferência de renda, afirmou o presidente brasileiro, que têm ajudado as classes mais baixas consumirem mais, o que só beneficia o Brasil. “Dê um pouquinho a quem não tem nada que esse pouquinho vira um prato de comida, uma meia, um sapato, um tênis”, disse Lula, que fez uma provocação aos presentes: perguntou se eles sabiam qual unidade da lanchonete MacDonald’s que mais vendia no mundo. “Não é a de Nova York, de Londres ou de Frankfurt, é a de Itaquera, na zona leste de São Paulo!”, respondeu ele mesmo. As políticas sociais de seu governo ajudaram a fazer o dinheiro circular pela economia, disse.


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Lula recebe Barroso Durão no Palácio Itamaraty. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula afirmou, nesta quarta-feira (14/7), durante entrevista coletiva no Palácio Itamaraty, em Brasília, que citou o nome da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, na cerimônia de lançamento do edital para a construção Trem de Alta Velocidade (TAV) realizada ontem (13/7), como ”reconhecimento histórico” por seu trabalho para tornar viável o projeto do trem-bala interligando o Rio de Janeiro a Campinas (SP). Ele explicou que tinha expectativa de que na ocasião uma outra autoridade fizesse o reconhecimento em público e, como isso não ocorreu, tomou a iniciativa.

“O dado concreto é que você sabe que foi ela quem fez todo o trabalho. Há dois meses as críticas eram que ninguém tinha interese no projeto”, afirmou Lula ao explicar que não teve interesse, com a iniciativa, de desafiar a Justiça eleitoral. Em seguida disse ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que quando ele estiver no Brasil para a Copa do Mundo 2014 vai poder viajar num dos trechos do trem-bala.

Na entrevista, Lula também comemorou a decisão de Cuba em libertar presos políticos. O acordo com o governo de Raúl Castro foi intermediado pela Igreja Católica.

“Com relação aos presos de Cuba, fiquei tão feliz quanto fiquei quando fui solto da cadeia em maio de 1980″, afirmou o presidente brasileiro. Ele afirmou que sempre que houver oportunidade para interceder em favor de cidadãos que estejam encarcerados irá fazê-lo. Contou o exemplo da cidadã francesa que estava presa em Teerã (Irã) e que conseguiu libertá-la num acordo com o governo iraniano.

José Manuel Durão também louvou a decisão cubana. Em seguida, o líder da União Europeia explicou seu otimismo em relação a acordos que envolvam produtos agrícolas do Mercosul. O mesmo posicionamento foi colocado pelo presidente Lula.

Aliás, a reunião Brasil-União Europeia, conforme destacou o presidente brasileiro, teve por finalidade produzir ajustes em 21 áreas de comum interese entre as nações. Após a reunião que contou com a participação do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, ocoreram asinaturas de atos nos setores de aviação civil, bioenergia e diplomático.

Depois, Lula, Durão e Rompuy fizeram pronunciamento à imprensa seguida de entrevista. Na declaração, o presidente Lula detalhou os acordos firmados.

Já estamos colhendo resultados. Concluímos as negociações do Acordo Brasil-EURATOM em matéria de fusão nuclear, que permitirá avanços na realização de pesquisas conjuntas em área energética do futuro. A celebração de acordo sobre segurança da aviação abrirá os céus da Europa para produtos aeronáuticos brasileiros e – tenho certeza – para projetos conjuntos nesse setor estratégico. Queremos construir uma aliança para combater a pobreza na América Latina e na África.

Leia aqui a íntegra da declaração à imprensa do presidente Lula.


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Lula discursa durante III Cúpula Brasil-União Européia, em Estocolmo. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula discursa durante III Cúpula Brasil-União Européia, em Estocolmo. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A proposta do Brasil de reduzir em 80% o desmatamento no Brasil até 2020 foi bastante elogiada nesta terça-feira, em Estocolmo, pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt. Para os dois, o plano brasileiro é ambicioso e deveria ser adotado como modelo por outros países. Reinfeldt afirmou ainda que seria importante discutir a proposta brasileira, que faz parte do Plano Nacional para Mudanças Climáticas, durante a reunião da ONU sobre clima (COP 15) que será realizada em dezembro, em Copenhague.

Lula, Reinfeldt e Barroso participaram nesta terça-feira do encerramento da III Cúpula Brasil-União Européia e, durante o encontro, o presidente brasileiro explicou alguns detalhes da proposta que o Brasil deve levar a Copenhague no final do ano.

Confira:

Abaixo, a íntegra do discurso do presidente durante o encontro em Estocolmo:

Em entrevista coletiva concedida após a Cúpula, Lula afirmou que cada país tem que chegar à reunião da ONU sobre clima em Copenhague apresentando números concretos de quanto emite de gás do efeito estufa. Tratar o tema de forma genérica, jogando a culpa um no outro, não vai levar a lugar algum, afirmou Lula, que pede ainda “bom senso e maturidade” aos líderes mundiais para que seja possível encontrar uma solução viável para o problema das mudanças climáticas.

O presidente Lula afirmou ainda que a meta de desmatamento zero é impossível de ser assumida e explicou o motivo:

O presidente da Comissão Européia, João Manuel Durão Barroso, defendeu a proposta brasileira para o desmatamento:

Para ler a íntegra da entrevista coletiva concedida por Lula, Reinfeldt e Barroso, clique aqui.

O presidente Lula deixou claro que espera ver chefes de Estado no encontro sobre clima marcado para Copenhague e defendeu que a ONU assuma a responsabilidade de qualificar e criar um orgão exclusivo para as questões ambientais que sirva de referência única para assuntos do meio-ambiente. Assim, acaba com a confusão existente hoje, em que cada país trabalha com seu número, cada departamento de energia com um número:

O presidente disse ainda que não adianta procurar culpados, mas que é preciso criar regras para que cada país comece a se responsabilizar pelos estragos que de fato já causou ao planeta. No trecho abaixo, Lula também fornece dados da matriz energética brasileira, reconhecidamente limpa, e fala dos biocombustíveis:


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