Presidente Lula assina medida provisória que incentiva indústria nacional. Foto Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula assinou, nesta terça-feira (27/7), medida provisória que assegura desonerações tributárias em diversos segmentos da indústria brasileira. Um dos primeiros impactos se dará na inovação tecnológica. A medida permite que as empresas busquem recursos junto à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) por meio de subvenções econômicas sem que incidam tributos como IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Com isso, a financiadora lança em agosto deste ano edital no montante de R$ 500 milhões tendo por foco programas mobilizadores do Plano de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI).
A mesma MP reduz de 6% para 1% a carga de impostos da indústria da construção civil em imóveis avaliados em até R$ 75 mil. Antes, a medida abrangia habitações avaliadas em até R$ 60 mil. A medida irá alavancar, na avaliação do governo, moradias contratadas no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida. Outra novidade é a redução do redutor de Imposto de Importação (II) para autopeças. Hoje, as peças importadas pagam 40% a menos de II e, no dia 1º de maio de 2011, este redutor deixa de existir. Neste caso, o objetivo do governo é incrementar a fabricação nacional de autopeças.
No mesmo documento, o governo cria a drawback isenção, medida que permitirá ajustes de algumas distorções nas exportações de produtos, beneficiando indústrias que operam a motagem de equipamentos, como por exemplo, laptops. Isso representa a isenção de impostos sobre os insumos conforme explicou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, em entrevista coletiva após a reunião do presidente Lula com os empresários. Segundo Barbosa, em 2010, somente o volume de desoneração tributária para o segmento de inovação tecnológica será de R$ 67 milhões.
A medida também contempla a construção dos estádios de futebol para a Copa do Mundo Fifa 2014. Nelson Barbosa informou que as aliquotas de PIS, Cofins e II para estas obras terão alíquota zero. A decisão permitirá que os estados também isentem as indústrias do ICMS. Isso resultará num montante de R$ 350 milhões até 2014. Em 2010, o valor chega a R$ 35 milhões.
Reunião no CCBB
Para a cerimônia de assinatura da MP das desonerações o governo promoveu uma reunião no salão oval do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O presidente Lula colocou a assinatura na proposta e abriu a reunião para que o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, explicasse aos empresários a abrangência da decisão. Rezende informou que o governo atende uma das principais reivindicações da indústria que busca recursos com subvenção econômica. Agora, o dinheiro que sobrar para o ano fiscal seguinte não terá incidência de tributação.
Os R$ 500 milhões ofertados pela Finep dentro deste regime abrigam temas em TIC, Energia, Nanotecnologia/Biotecnologia, Saúde (Fármacos), Defesa e Desenvolvimento Social. Numa outra frente, serão colocados para o mercado R$ 100 milhões, sendo R$ 50 milhões para entidades e federações empresariais que desejam implantar Núcleos de Apoio à Gestão da Inovação e outros R$ 50 milhões – recursos do Sebrae nacional e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – para implantação dos planos de inovação nas Micro e Pequenas Empresas (MPEs).
Durante a reunião, o presidente Lula insistiu em que o setor empresarial invista mais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Lula mostrou uma transparência preparada pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, onde mapeia os recursos públicos e privados em diversos países. Enquanto no Brasil, os investimentos públicos chegaram a 0,59% do PIB em 2008, os investimentos empresariais ficaram em 0,50% do PIB naquele mesmo ano. Na outra ponta deste cenário, as indústrias do Japão correspondem com 2,62% do PIB em recursos privados e 0,55% do PIB governo.
O presidente pediu uma mobilização que permita a abrangência dos centros de inovação. Uma mapa apresentado pelo ministro Rezende mostra que em oito estados inexistem estes centros do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec). O esforço é para que se instalem centros no Acre, Amapá, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima.
O presidente Lula sanciona, nesta terça-feira (27/7), às 11h30, projeto que altera o Estatuto do Torcedor. A cerimônia, que acontecerá no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), é um dos compromissos da agenda de trabalho do presidente. O dia de Lula teve início com despachos internos com auxiliares do gabinete da Presidência da República. Em seguida, Lula recebe o chefe de gabinete-adjunto de Agenda do Gabinete Pessoal, Cezar Alvarez.
Às 15h, Lula concede audiência ao ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, e em seguida o presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. Após as audiências, o presidente Lula participa da cerimônia de lançamento de medidas de estímulo à inovação tecnológica.
O último compromisso da agenda previsto até o momento é audiência ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, marcada para 16h45.
Esta sexta-feira teve um sentido muito especial para o presidente Lula que retornou à região de Garanhuns, terra natal, em Pernambuco. Ele contou que deixou a localidade de Vargem Comprida, atualmente município de Caetés, em 1952, numa viagem de pau de arara até São Paulo, com dona Lindu -- sua mãe -- e os seus irmãos. Hoje, como presidente da República explicou que decidiu lançar o Programa Um Computador por Aluno (ProUCA) como forma de trazer benefícios os meninos e meninas que são seus conterrâneos. E quando um auxiliar indagou sobre qual explicação daria para a escolha do município, Lula disse: “Fale que foi o critério Lula.”
O presidente acrescentou que com o lap top “essas crianças vão ter muito mais oportunidades”. Lula disse que chegou a temer pelo lançamento do programa pois durante muito tempo acreditava que ao dar um equipamento para o aluno ele deixaria de conversar com as pessoas e viveria apenas no mundo cibernético. Porém, ao visitar o município de Piraí, no Estado do Rio, conheceu um programa semelhante feito pelo vice-governador fluminense Luiz Fernando Pezão. Antes da chegada do computador, a evasão escolar beirava 30%. Quando o equipamento foi instalado na escola, o ano letivo termina com 100% de alunos nas salas de aula.
Hoje eles aprendem muito mais. Têm informações daquilo que acontecem no mundo. Nós estamos fazendo um programa piloto. Estamos distribuindo 150 mil computadores para 300 cidades no Brasil.
Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula em Caetés.
Lula explicou que desde 2004 tem promovido reuniões com auxiliares para que o governo estabelecesse mecanismo para baratear o preço dos computadores. Segundo ele, o objetivo era permitir que a população mais carente tivesse condições de adquirir o equipamento “que virou uma paixão sobretudo entre as crianças e adolescentes”. E isso foi conseguido com o passar dos últimos anos.
Agora, o governo vai atuar nas escolas com a oferta de serviços de banda larga, que permite uma internet com mais velocidade, e ampliar a oferta de computadores de maneira a assegurar laboratórios de informática nas escolas brasileiras. No discurso, o presidente Lula contou também sobre a revolução que o seu governo vem fazendo na área da educação com a construção de 214 institutos federais e criação de 14 novas universidades. E ele disse que estes avanços acontecem na gestão dele e do vice-presidente José Alencar “que não temos curso superior”.
Lula disse que ficou emocionado quando se reuniu com cerca de 400 jovens que se formaram em Medicina por meio do ProUni, programa que assegura bolsas de estudos para alunos carentes em faculdades particulares, e que jamais teriam condições financeiras fazer tal curso superior. O presidente defendeu uma mudança de postura no Brasil, ou seja, que deixe de ser um exportador de matéria-prima e passe a exportar produtos acabados. Isso será possível por meio do conhecimento. Ou seja, com os mecanismos colocados à disposição da sociedade será possível um amplo desenvolvimento e, deste modo, em vez de exportar por exemplo minério de ferro, o país exporte chips.
Reunião ampliada Brasil e Kuaite realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A busca da paz no Oriente Médio e as oportunidades de investimentos entre empresas do Brasil e do Kuaite marcaram a reunião, nesta quinta-feira (22/7), entre o presidente Lula e o primeiro-ministro kuaitiano, Xeque Nasser al Sabah, em Brasília. Na reunião ampliada, que contou também com a participação de ministros dos dois países, o presidente Lula enfatizou que “o Brasil não vai desistir, junto com a Turquia, de construir a paz” naquela região do planeta.
Eu continuo convencido de que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) erraram e um dia vão reconhecer isso publicamente.
Depois, em discurso por ocasião de almoço oferecido ao primeiro-ministro do Kuaite, o presidente brasileiro voltou a enfatizar o tema. Segundo ele, o Brasil tem muito a colaborar na pacificação dos povos. Lula aposta no diálogo como instrumento para construir a paz.
Devo dizer que os interesses brasileiros no Oriente Médio vão muito além dos aspectos comerciais. Encontram-se legitimamente fundamentados em nosso desejo de paz e estabilidade regional. Para a consecução desse fim, o Brasil tem a oferecer sua capacidade de contribuição construtiva. O bom diálogo que mantemos com ambos os lados do conflito e a numerosa comunidade de descendentes árabes no Brasil são importantes ativos de que dispomos para ajudar nas negociações.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Lula deu ênfase também aos laços comerciais entre Brasil e Kuaite. Segundo ele, o comércio bilateral deu um salto significativo passando de US$ 87 milhões, em 2002, para US$ 650 milhões em 2008. O presidente destacou ainda o empenho do governo brasileiro na promoção da Cúpula América do Sul e Países Árabes (ASPA), onde o comércio no âmbito destes dois blocos econômicos já alcança os US$ 20 bilhões. Por isso, Lula informou que em outubro uma missão de empresários brasileiros, sob liderança do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, visitará o Kuiaite como forma de
ampliar os negócios entre os dois países.
O presidente abriu caminho para que empresas kuaitianas invistam no Brasil, sobretudo, nos empreedimentos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na Copa do Mundo 2014, nos Jogos Olímpicos em 2016 e na exploração do petróleo no pré-sal.
As companhias brasileiras terão interesse em explorar com empresas kuaitianas as oportunidades criadas pelo programa “Kuwait Vision 2035”. Queremos que saiba, por outro lado, que os investimentos kuaitianos encontrarão segurança jurídica e estímulo adequado no meu país. O Brasil é e continuará sendo um grande canteiro de obras nos próximos anos. O Programa de Aceleração do Crescimento, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 oferecem novas oportunidades de investimento e parcerias que devem ser aproveitadas em benefício mútuo.
Instigadas pelo presidente Lula a atuarem no mercado africano, as indústrias brasileiras estão fincando pé ou colhendo os melhores negócios na viagem por seis países da África. Da última sexta-feira (2/7), quando o presidente brasileiro iniciou o périplo, empresários nacionais participaram de seminários na Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e encerram a rodada de comércio hoje (9/7), na África do Sul, último país a ser visitado por Lula nesta 27ª visita ao continente africano.
E nesta negociação com os empresários ou governo locais, a Vale e a Embraer já revelaram resultados importantes. O diretor de Marketing e Vendas da Embraer, Antonio Carlos Neubarth, informou ao Blog do Planalto que dentro de dois meses uma delegação da Guiné Euqatorial desembarcará no Brasil para conhecer a fábrica da empresa, em São José dos Campos (SP). A pedido do presidente Lula, Neubarth apresentou ao presidente da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, o avião Embraer 190, que integra a frota da Força Aérea Brasileira (FAB).
“O presidente Lula tem um papel fundamental no incentivo às empresas brasileiras. Isso é muito importante. Se os presidentes de outros países, como por exemplo, Estados Unidos fazem o mesmo, temos no presidente brasileiro um incentivador do produto nacional”, contou Neubarth.
Além dos negócios abertos na Guiné Equatorial, o diretor da Embraer conseguiu fechar outro pacote na visita ao Quênia. Em Nairóbi, capital queniana, 22 aviões F-5 passarão por processo de substituição de equipamentos eletrônicos feitos pela Embraer. Neubarth aposta em concluir a viagem na África do Sul com a abertura de mais oportunidades para a companhia.
Equanto isso, a Vale que já deve iniciar, em janeiro de 2011, a operação do carvão siderúrgico em Moçambique, conforme disse ao Blog do Planalto o presidente da empresa, Roger Agnelli, anunciou investimentos de US$ 400 milhões na ampliação da mina na Zâmbia. No mesmo país, a Marcopolo irá instalar um centro de manutenção de ônibus.
O governo brasileiro também busca fechar com os países africanos a implantação do modelo nipo-brasileiro de tv digital. André Barbosa Filho, assessor da Casa Civil, disse ao Blog do Planalto que além das conversas com o governo da Guiné Equatorial, manteve conversas com representates dos governos dos demais países visitados pela comitiva brasileira. Além disso, a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] tem diversos acordos com os governos africanos para desenvolvimento de produtos na região denominada savana africana.
Clique na bandeira para ver todos os posts da viagem à África do Sul.
Presidente Lula se diverte com o presente oferecido pelo presidente sul-africano Jacob Zuma. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Os governos de Brasil e África do Sul realizaram nesta sexta-feira (09/07), em Johannesburgo, um seminário empresarial com cerca de 160 empresários para tentar incrementar uma relação comercial que, embora crescente e pautada em produtos manufaturados, de maior valor agregado, ainda orbita pelo patamar de US$ 2 bilhões anuais, menos de 1% do fluxo brasileiro.
Ao participar da sessão de encerramento do Fórum, o presidente Lula defendeu que haja dois novos encontros empresariais, um em cada país, para que os parceiros potenciais possam conhecer o que o outro tem a oferecer como oportunidade de negócio. “A África do Sul não deve ter medo do empresário brasileiro”, afirmou Lula. Segundo ele, da parte do Brasil, já acabou o tempo em que “uma elite subserviente achava que só devíamos fazer negócio com a Europa rica e com os EUA.”
O ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, que participou do seminário, ficou otimista com o resultado. “Esse encontro certamente vai ajudar Brasil e África do Sul tanto no comércio bilateral, quanto nos investimentos”, declarou. Segundo ele, a tendência é que o incremento se dê em torno do setor que já caracteriza a relação bilateral. “Nosso comércio com eles é de boa qualidade, preponderantemente de manufaturados.”
Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula no evento:
No discurso no encerramento do Fórum, o presidente também se comprometeu a trabalhar para corrigir uma situação que chamou de “uma vergonha” e que atrapalha o aumento do comércio do Brasil com todo o continente africano: a falta de linhas aéreas regulares do Brasil para o continente africano operadas por empresas brasileiras.
No evento, Lula aproveitou a chance para, mais uma vez, defender a retomada de negociações comerciais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), a chamada Rodada Doha. Para ele, a conclusão da rodada ajudaria muito os países mais pobres, que encontram mais dificuldades de abrir mercado nos países ricos do que o contrário. Ele entende que, no século XXI, o mundo em desenvolvimento tem de comprar brigas que não comprou no século passado.
Clique na bandeira para ver todos os posts da viagem à África do Sul.
O presidente Lula aposta que a Copa de 2014 será um “cartão postal” para o mundo enxergar o Brasil “como uma grande economia”. Dizendo-se feliz porque o país “vive um momento excepcional”, com crescimento econômico, do emprego e da renda, o presidente espera que em 2014 aconteça com o Brasil o que ele entende que ocorreu com o anfitrião da Copa deste ano. Para ele, a África do Sul encantou o mundo e deixa uma imagem positiva, de um povo alegre, criativo e, ao contrário do muita gente pensava, com grande capacidade de organização.
Na visita oficial que faz à África do Sul, Lula foi convidado pelo presidente Jacob Zuma a ir à final da Copa no próximo domingo. Depois da reunião deles, em pronunciamento conjunto à imprensa, o brasileiro contou aos jornalistas que explicou a Zuma porque não irá. Disse que está há dez dias fora do Brasil em visita a seis países africanos e que “problemas graves” no Brasil, como as enchentes em Pernambuco e Alagoas, que le acompanhou por telefone mesmo durante a viagem.
Sobre o jogo entre Holanda e Espanha, Lula não demonstrou entusiasmo – “não diria que são os melhores” -, nem arriscou palpite. Para ele, a Espanha, apesar de ter um bom time, talvez o melhor da história daquele país, não apresentou um futebol convincente nos seis jogos anteriores. Já a Holanda, que “todo mundo sabia que ia longe”, não empolgou também.
Lula manifestou mais uma vez decepção com a eliminação do Brasil, contra a Holanda. Para ele, na derrota de virada por dois a um, o time teve falhas individuais do volante Felipe Melo e do goleiro Julio Cesar, no primeiro gol, e da defesa como um todo no segundo. Contudo, não há motivo para procurar culpados. Nem o técnico Dunga, bastante criticado. “Mas 2010 já faz parte do passado. Já estou pensando na Copa de 2014 e para o Brasil não fazer o fiasco de 1950”, disse.
Clique na bandeira para ver todos os posts da viagem à África do Sul.
Cerimônia oficial realizada na chegada do presidente Lula a Pretória, na África do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Na visita de Estado à África do Sul, que encerra uma jornada que começou por Cabo Verde e passou por seis países africanos no total, o presidente Lula declarou nesta sexta-feira (09/07) que o continente “é mostrado ao mundo com uma carga de preconceito incomensurável”, mas que está quebrando esse mesmo preconceito. Falando à imprensa ao lado do presidente sul-africano, Jacob Zuma, Lula fez questão de dizer que o Brasil tem hoje uma política externa que reconhece a importância do continente, e que não foi por outra razão que ele já visitou 27 nações da região, durante seu mandato, mais do que todos os outros presidentes brasileiros juntos.
A atual política externa brasileira, que estimula a relação no hemisfério sul, afirmou o presidente, não vira as costas para a África e não quer dependência dos países ricos. Um sinal da importância do diálogo Sul-Sul para o Brasil foi assinatura, na visita oficial de Lula ao Union Buildings, a sede do Poder Executivo sul-africano, de uma declaração na qual os dois países estabelecem uma “parceria estratégica”. O documento foi assinado pelos ministros das relações exteriores dos dois países.
Presidente Jacob Zuma recebe o presidente Lula em Pretória, na África do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR
“Com essa declaração, nós dizemos que não podemos mais perder tempo. Brasil e África do Sul podem ser economias complementares, podem trocar experiências”, disse Lula. Para Zuma, as relações entre os dois países estão se reforçando e, com a parceria, “há grande potencial para continuar crescendo”.
Ouça a íntegra da declaração à imprensa feita pelo presidente Lula:
O acordo contém um plano de ações envolvendo áreas como ciência e tecnologia, direitos humanos, saúde, educação, cultura e diplomacia, entre outros. Lula citou dois exemplos de negócios que podem ser decorrentes da nova relação com a África do Sul. Na agricultura, há possibilidade de contribuição da Embrapa, que já possui um escritório no continente. E na área de defesa e tecnologia, o presidente mostrou interesse em aviões não tripulados produzidos na África do Sul, que poderiam ser usados para defender o Pré-sal na costa brasileira.
Lula afirmou ainda que gostaria que a África do Sul adotasse o padrão brasileiro de TV digital – neste momento, o governo local está debatendo o assunto internamente para decidir qual tecnologia adotará. O presidente propôs que neste ano ou no próximo haja uma reunião de empresários brasileiros e sul-africanos em cada país, para descobrir mais possibilidades de negócios entre os dois lados Atlântico Sul.
Presidente Lula coloca flores no memorial a personalidades africanas que lutaram pela liberdade. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Depois da reunião no Union Building, Lula, acompanhado de Zuma, fez uma rápida visita a um memorial a personalidades africanas que lutaram pela liberdade, chamado Freedom Park.
Clique na bandeira para ver todos os posts da viagem à África do Sul.
O presidente Lula desembarcou nesta quinta-feira (8/07) na África do Sul para uma visita de Estado que encerrará uma jornada por seis países africanos. E se o continente tem tido importância crescente na política externa brasileira – como mostra, além deste giro, o aumento de 16 para 34 embaixadas na região desde 2003 -, a África do Sul terá ainda mais daqui em diante.
“É a porta de entrada da África para as empresas brasileiras”, afirmou José Vicente Pimentel, embaixador brasileiro na África do Sul, em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto. “Qualquer presidente do Brasil terá de dar uma atenção especial à África em sua política externa porque a verdade é que o Brasil é o maior país africano fora da África”, explicou.
É um país africano com quem nós podemos construir satélites juntos, a Embraer pode construir um avião junto com a África do Sul. Podemos tranquilamente trazer para cá o nosso modelo de TV digital, podemos fazer coisas importantes em termos de ciência e tecnologia com esse país.
Na visita de Lula, os governos brasileiro e sul-africano vão assinar uma declaração que elevará formalmente a relação entre os dois países ao nível de “parceria estratégica”. No documento, as nações reconhecem a existência de valores democráticos e sociedades multiétnicas e multiculturais comuns e, diante disso, decidem intensificar e aprofundar as relações bilaterais em áreas como comércio, tecnologia, educação e agricultura.
A declaração também diz que os dois países vão buscar adotar posições comuns em questões regionais e globais. No texto, já defendem, por exemplo, a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), para que o organismo reflita a realidade internacional do século 21, tenha mais membros permanentes e aumente a participação dos países em desenvolvimento.
A parceria estratégica será firmada nesta sexta-feira (9/07) no Union Buildings, a sede do governo sul-africano, que se localiza na capital Pretória – o país tem outras duas capitais: Johannesburgo, onde fica o parlamento, e Bloemfonteim, que abriga a sede do Poder Judiciário. Haverá ainda a assinatura de um memorando de entendimento pelo qual os dois países vão estabelecer uma cooperação específica na área de relações intergovernamentais. Depois da visita oficial ao Union Buildings, o presidente Lula vai para Johannesburgo, onde participa, à tarde, de um seminário com empresários brasileiros e sul-africanos e do lançamento de uma campanha internacional de promoção do Brasil no exterior, chamada “O Brasil te chama. Celebre a vida aqui”, produzida pelo cineasta Fernando
Meirelles.
À noite, Lula retorna a Pretória, onde o presidente Jacob Zuma lhe oferecerá um jantar, no Presidential Guest House.
Clique na bandeira para ver todos os posts da viagem à África do Sul.
Os presidentes Lula e Jakaya Mrisho Kikwete (Tanzânia) conheceram nesta quarta-feira o projeto Moatize, da Vale. Implementado em Moçambique, onde a empresa começa a produzir carvão a partir de janeiro de 2011, o projeto tem como objetivo suprir o mercado siderúrgico brasileiro com a matéria-prima.
Em entrevista exclusiva ao Blog do Planalto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, que integra a comitiva do governo brasileiro, afirmou que a África é uma oportunidade enorme para os empresários brasileiros:
Em 10 anos será um continente diferente. O mundo vai precisar da África. A África está no meio dos dois mundos. Oriente e Ocidente. As empresas brasileiras têm que vir para cá e investir. A África é o futuro em recursos naturais, assim como o Brasil e a América do Sul são o presente.
Agnelli afirmou ainda que a participação do presidente Lula no incentivo para que grupos brasileiros invistam no mercado africano tem sido de enorme importância. Ele citou como exemplo o fato de o presidente brasileiro ter intercedido junto ao governo da Tanzânia para que a Vale possa explorar uma mina de ferro que será colocada em licitação. A Vale também irá ampliar seus negócios na Zâmbia.
O projeto Moatize teve início em 2009. Num primeiro momento, segundo Agnelli, a empresa retirou os moradores do local onde existe a mina e os abrigou numa vila especialmente construída pela Vale. O projeto prevê investimentos no valor de US$ 1,3 bilhão e, quando estiver em operação, terá capacidade de produzir 11 milhões de toneladas de carvão por ano.
Este é o maior investimento em carvão da empresa no mundo e deve gerar cerca de três mil empregos em Moçambique na fase de construção, a maioria de trabalhadores locais, e 1,5 mil postos de trabalho quando começar a operar.
Clique na bandeira para ver todos os posts da viagem à Tanzânia.
Todo o conteúdo desse blog é originalmente do Blog do Planalto e está licenciado sob a CC-by-sa-2.5, exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes.