Presidenta Dilma Rousseff teve longa conversa com chanceler português Luís Amado observada pelo ministro Antonio Patriota. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Uma reunião Brasil-Portugal a se realizar ainda em 2011 foi um dos temas do encontro do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, com a presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta-feira (18/2), no Palácio do Planalto. A informação foi transmitida pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em entrevista coletiva, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Além disso, Amado tratou de temas como crise no Oriente Médio e perspectiva da retomada do crescimento econômico global.
“A reunião deu ênfase, por razões evidentes, à União Europeia, ao Euro, perspectivas de retomada do crescimento, além, um pouco também, de análise do que está se passando no Mundo Árabe. Em sequência tivemos um almoço aqui no Itamaraty, e pudemos examinar assuntos da agenda bilateral. Esse ano deveremos ter uma cimeira, como se diz em Portugal, uma cúpula, como dizemos aqui, Brasil e Portugal, e esperamos que seja no Brasil. A data ainda não foi marcada”, disse Patriota.
Amado afirmou que via “com muita satisfação” o fato de ter sido recebido pela presidenta Dilma e o ministro Patriota. Lembrou também que os dois países participam atualmente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, por tal motivo, buscam tratar “uma agenda ambiciosa” com o desenvolvimento de diálogo político. O chanceler português deu ênfase também ao fato de Portugal ser o quarto principal investidor no Brasil e frisou interesse de manter este nível de investimento no país.
O ministro português reconheceu que a situação é bastante crítica no Oriente Médio e também em Guiné-Bissau, país da África equatorial, e destacou a necessidade de as Nações Unidas darem uma “resposta articulada” em relação aos conflitos no mundo árabe e islâmico.
Patriota contou que conversou com o colega português sobre os problemas que estão acontecendo naquela região.
“Estávamos conversando também agora sobre a intensificação da cooperação na área educacional. Além disso examinávamos um pouco as possibilidades de coordenação mais intensa que já ocorre até espontaneamente, mas agora com a circunstância fortuita adicional de estarmos Brasil e Portugal no Conselho de Segurança, durante o ano de 2011 (…).”
E continuou: “conversamos um pouco sobre temas da agenda do Conselho de Segurança, como a questão do Haiti, como a situação Israel-Palestina. Hoje é um dia muito importante para o Conselho, pois está em exame a perspectiva, a possibilidade de voto de uma resolução apresentada pelo grupo árabe sobre assentamentos israelenses. Ainda não está certo se essa resolução será colocada em voto ou não, mas mantivemos pontos de coordenação sobre esse tema, sobre o tema mais amplo da situação no Egito e no mundo árabe, assim como a situação em Guiné-Bissau, e outras, direitos humanos, etc.”
Na entrevista o ministro brasileiro foi indagado sobre o fato de a China ser atualmente o principal investidor no país, assunto tratado pelo chanceler no programa Bom Dia Ministro, transmitido em rede nacional de rádio, hoje pela manhã. Patriota disse que a presidenta Dilma visitará a China em março, ocasião que participará do encontro dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), oportunidade para o debate do tema.
As reuniões realizadas na semana passada com líderes da Rússia, China, Índia e África do Sul (Ibas e Bric) foram muito importantes para o Brasil por permitir aprimorar a relação estratégica entre esses países, avaliou o presidente Lula em seu programa de rádio Café com o Presidente desta segunda-feira (19/4). Segundo ele, há muita similaridade entre os quatro países e suas necessidades (desenvolvimento, geração de empregos, distribuição de renda) e os resultados dos encontros realizados em Brasília na última quinta-feira (15/4) serão constatados nos próximos meses. “Porque política internacional é assim: você planta e demora para você começar a colher”, afirmou Lula.
Eu acho que os resultados foram extraordinários. Veja, primeiro, porque nós assinamos muitos documentos com a Rússia, assinamos documentos com a China, assinamos documentos com a Índia, e assinamos documentos com a África do Sul. Segundo, porque nós definimos um plano de atuação estratégica no G-20, porque todos esses países também fazem parte do G-20 Político, do G-20 Econômico. E isso é muito importante, porque nós vamos ter em junho uma reunião do G-20 no Canadá, e nós queremos discutir o FMI, queremos discutir o Banco Mundial, queremos discutir o financiamento, queremos discutir o crédito, queremos discutir os paraísos fiscais. E se você chega em uma reunião com um pensamento único – China, Índia, Brasil, Rússia e África do Sul – você tem meio caminho andado para você convencer outros países que se colocam do nosso lado, como a França, como a Argentina, como o México. Portanto, há uma boa possibilidade de a gente fazer um grande avanço para o Brasil na área internacional.
O presidente avaliou ainda o recorde na geração de empregos verificada em março, como sendo um êxito da economia brasileira:
Nós saímos da crise muito forte, a economia mundial tem saído mais lentamente, mas os países emergentes saíram mais rapidamente. É só ver o que aconteceu na economia da China, o que está acontecendo na economia da Índia, o que está acontecendo na economia do Brasil. Ou seja, nós geramos 266 mil novos empregos no mês de março. É a maior quantidade de empregos gerada no mês de março desde que foi criado o Caged, e isso me deixa otimista, porque nós poderemos terminar o ano com 2 milhões de empregos criados ou até um pouco mais.
As reuniões realizadas na semana passada com líderes da Rússia, China, Índia e África do Sul (Ibas e Bric) foram muito importantes para o Brasil por permitir aprimorar a relação estratégica entre esses países, avaliou o presidente Lula em seu programa de rádio Café com o Presidente desta segunda-feira (19/4). Segundo ele, há muita similaridade entre os quatro países e suas necessidades (desenvolvimento, geração de empregos, distribuição de renda) e os resultados dos encontros realizados em Brasília na última quinta-feira (15/4) serão constatados nos próximos meses. “Porque política internacional é assim: você planta e demora para você começar a colher”, afirmou Lula.
Eu acho que os resultados foram extraordinários. Veja, primeiro, porque nós assinamos muitos documentos com a Rússia, assinamos documentos com a China, assinamos documentos com a Índia, e assinamos documentos com a África do Sul. Segundo, porque nós definimos um plano de atuação estratégica no G-20, porque todos esses países também fazem parte do G-20 Político, do G-20 Econômico. E isso é muito importante, porque nós vamos ter em junho uma reunião do G-20 no Canadá, e nós queremos discutir o FMI, queremos discutir o Banco Mundial, queremos discutir o financiamento, queremos discutir o crédito, queremos discutir os paraísos fiscais. E se você chega em uma reunião com um pensamento único -- China, Índia, Brasil, Rússia e África do Sul -- você tem meio caminho andado para você convencer outros países que se colocam do nosso lado, como a França, como a Argentina, como o México. Portanto, há uma boa possibilidade de a gente fazer um grande avanço para o Brasil na área internacional.
O presidente avaliou ainda o recorde na geração de empregos verificada em março, como sendo um êxito da economia brasileira:
Nós saímos da crise muito forte, a economia mundial tem saído mais lentamente, mas os países emergentes saíram mais rapidamente. É só ver o que aconteceu na economia da China, o que está acontecendo na economia da Índia, o que está acontecendo na economia do Brasil. Ou seja, nós geramos 266 mil novos empregos no mês de março. É a maior quantidade de empregos gerada no mês de março desde que foi criado o Caged, e isso me deixa otimista, porque nós poderemos terminar o ano com 2 milhões de empregos criados ou até um pouco mais.
O presidente Lula defendeu a governança global mais representativa e transparente no artigo intitulado “Os BRIC: Pensando o Futuro”, publicado hoje (16/04), no Jornal O Estado de São Paulo.
“O grupo BRIC nasceu há dez anos como uma mera sigla. Identificava um grupo de países que começava a transformar a realidade global.
Essas mudanças começam pelo fato de que, juntos, Brasil, Rússia, Índia e China já contribuem com 15% do PIB mundial. Somos países onde tudo é em grande escala. Representamos quase metade da população mundial, 20% da superfície terrestre e possuímos recursos naturais abundantes.
Somos, sobretudo, nações conscientes de nosso potencial como agentes de renovação. Por isso, os BRIC já não são apenas um conjunto de letras. São uma referência incontornável na tomada das principais decisões internacionais. Estamos unindo esforços e coordenando posições para propor uma discussão mais transparente e democrática dos desafios que defrontam a humanidade como um todo.”
No texto, também foram abordados temas globais, como segurança alimentar, energia e mudança climática.
“Em nenhum tema o impasse negociador é tão grave quanto na questão ambiental. Por isso, os BRIC estão empenhados em ajudar a fechar o acordo que faltou em Copenhague. Reduzir os gases de efeito estufa e manter o crescimento robusto nos países em desenvolvimento requer que todos façam sua parte, como vêm demonstrando o BRIC com iniciativas ambiciosas para mitigar suas emissões.
Por isso, os grandes poluidores históricos têm um encargo especial. O equilíbrio que o Protocolo de Quioto estabelece é indispensável para podermos avançar juntos.
(…)
Dependemos cada vez mais uns dos outros. É imprescindível forjar uma governança global mais representativa e transparente, capaz de inspirar unidade de propósito e revitalizar a vontade coletiva em busca de soluções consensuais. Os BRIC cumprirão com suas responsabilidades nessa caminhada.”
Presidente Dmitri Medvedev (Rússia), presidente Lula, presidente Hu Jintao (China) e primeiro-ministro Manmohan Singh (Índia) durante a II Cúpula Brasil-Rússia-Índia-China (Bric) realizada em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em sua declaração à imprensa feita na abertura da II Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Brasil, Rússia, Índia e China (Bric), hoje à noite em Brasília, o presidente Lula afirmou que o grupo tem um papel fundamental na construção de uma nova ordem internacional, “mais justa, representativa e segura”. Antes de iniciar seu discurso, Lula se solidarizou com os líderes russo e chinês pelas tragédias que recentemente atingiram os respectivos países – ataque terrorista na Rússia e terremoto na China.
O presidente brasileiro agradeceu “de coração” a atenção dedicada pelos líderes russo, indiano e chinês ao encontro, consolidando assim a parceria iniciada em Ecaterimburgo, na Rússia, em 2009. Lula afirmou ainda que o grupo decidiu aprofundar a cooperação, e a declaração conjunta reflete justamente o “amplo leque de interesses comuns” que une os países nas áreas política, financeira, comercial, ambiental, energética, agrícola e de segurança. Lembrou ainda a importância do acordo de cooperação entre os bancos de desenvolvimento dos quatro países, que vai permitir “ampliar as atividades de fomento a projetos de infraestrutura”, e a interação entre as cooperativas de cada país, estimulando os setores produtivos.
Ouça aqui a íntegra do pronunciamento do presidente Lula:
A pedido do governo chinês, a II Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Brasil, Rússia, Índia e China (Bric), que seria realizada amanhã (sexta-feira – 16/4), em Brasília, foi antecipada para hoje (15/4). O Itamaraty teve assim que comprimir toda a agenda de hoje da IV Cúpula de chefes de Estado e de Governo do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas).
O presidente da China, Hu Jintao, pediu a antecipação da reunião em Brasília para poder voltar o quanto antes para seu país, que sofreu um forte terremoto ontem na região noroeste, provocando centenas de mortes.
Após despachos internos no Palácio Itamaraty, em Brasília, a partir das 9 horas da manhã, o presidente Lula dá seqüência à sua agenda desta quinta-feira (15/4) com uma reunião de trabalho bilateral com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, com quem também almoça (12 horas). Em seguida, Lula concede audiência ao presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Às 15 horas, participa da IV Cúpula de chefes de Estado e de Governo do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas).
Após a foto oficial da Cúpula do Ibas (às 16 horas), o presidente Lula participa de sessão plenária do encontro, ainda no Palácio Itamaraty. Às 17h30, será realizada cerimônia de assinatura de atos e, depois, haverá declaração à imprensa.
Presidente Lula em encontro com a presidenta da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Brasil tem confiança inabalável na África e na extraordinária perspectiva de crescimento do continente, e a Libéria é hoje símbolo das conquistas como construção da paz e consolidação da democracia, afirmou o presidente Lula nesta quarta-feira (7/4) em almoço com a presidenta do país africano, Ellen Johnson Sirleaf (primeira mulher a exercer o cargo de chefe de Estado de um país na África), realizado no Palácio Itamaraty em Brasília.
Como a presidenta gosta de dizer, “a Libéria não tem problemas, a Libéria tem desafios”. O Brasil quer ser parceiro na solução desses desafios. O Acordo de Cooperação Técnica que assinamos em 2009 mostra o caminho a seguir. O intercâmbio de equipes técnicas nas áreas de fortalecimento institucional e de saúde aponta o quanto podemos realizar juntos.
O presidente brasileiro lembrou que Brasil e Libéria têm estratégias comuns de combate à fome e à pobreza, com os programas Estratégia Liberiana de Redução da Pobreza e o Fome Zero, e elas devem ser compartilhadas.
Queremos levar para toda a África nosso compromisso de fazer do bem-estar o ponto de partida do desenvolvimento solidário.
Lula citou a construção de fábrica de anti-retrovirais em Moçambique e a ajuda da Embrapa ao pequeno agricultor liberiano como exemplos de cooperação desejada. Defendeu ainda a produção de biocombustíveis na Libéria, que pode ajudar o país africano a multiplicar a geração de renda e empregos.
Essas são as armas dos países em desenvolvimento para vencer uma crise financeira global que golpeou sobretudo os mais vulneráveis. Fazer a economia mundial voltar a crescer, mas de forma sustentável, significa recolocar o tema do desenvolvimento no foco da agenda global. Gerar empregos e derrotar a fome são tarefas inadiáveis num mundo cada vez mais interdependente.
Lula reafirmou sua convicção na necessidade de reforma de organismos internacionais como Banco Mundial e FMI, para que “os países em desenvolvimento possam ter voz ativa na definição de seu futuro”. É esse o compromisso que os países do Bric renovarão em seu encontro em Brasília, semana que vem, e que o Brasil levará às próximas reuniões do G20, lembrou Lula.
A manutenção dos programas de estímulo a economia, a reforma do sistema financeiro internacional e a maior participação dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI) são algumas das propostas que devem ser apresentadas por Brasil, Rússia, Índia e China, países do bloco conhecido como BRIC, na próxima reunião dos líderes do G20 nos próximos dias 24 e 25 de setembro, em Pittsburgh (EUA), afirmou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A informação foi passada ao presidente Lula durante a reunião de coordenação política realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) na manhã desta terça-feira.
Mantega revelou que as propostas foram discutidas em encontro dos ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do Brasil, Rússia, India e China (os BRICs) -- e em seguida, com os do G20 -- na última sexta-feira (4/9), em Londres. Confira:
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