O relatório final do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre as causas do desligamento de linhas de transmissão que deixaram às escuras 18 estados e mais o Distrito Federal no último dia 10 de novembro será divulgado na próxima semana, informou hoje o diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, após reunião com o presidente Lula em Brasília. Também participaram do encontro, que discutiu também o andamento das obras do PAC do setor elétrico, os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Carlos Minc (Meio Ambiente), e representantes da Casa Civil, Eletrobrás e Aneel.
Hermes Chipps informou ainda que o relatório será encaminhado ao comitê de monitoramento montado pelo governo para apurar as causas do blecaute. Ele reafirmou que as causas da interrupção no fornecimento de energia podem estar diretamente ligada à descarga elétrica, provocando assim o curto-circuito.
Sobre sua participação, amanhã (19/11), na audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, o diretor do ONS afirmou que evitará o debate político sobre o blecaute, se atendo aos aspectos técnicos. Ele explicou que o ONS procura uma solução para evitar novas ocorrências de desligamento de linhas de transmissão e usinas no sistema interligado. Mas Chipps adiantou que acha pouco econômico investir em novos sistemas de transmissão. Segundo sua avaliação, o custo de novos equipamentos encareceria muito a energia elétrica para o consumidor.
No Café com o Presidente desta segunda-feira (16/11), gravado em Roma (Itália), o presidente Lula falou da importância do programa Arco Verde Terra Legal na redução do desmatamento na Amazônia, da decisão do governo de propor uma redução entre 36% e 28,9% das emissões de gases do efeito estufa do País e da participação brasileira na reunião da ONU sobre clima que acontece agora em dezembro em Copenhague (Dinamarca).
Lula também comentou sobre o blecaute que atingiu 18 estados brasileiros na semana passada, explicando o contexto do incidente, que nada tem a ver com os problemas de geração de energia e nas linhas de transmissão que levaram à crise energética no País em 2001.
Primeiro vem a turma do “eu acho”. Depois, vem o pessoal do “acreditamos”. E por fim, tem os do “parece que foi isso, parece que foi aquilo”. Mas um assunto tão sério e complicado como o blecaute de terça-feira que interrompeu o fornecimento de energia para 18 estados brasileiros, é importante primeiro ouvir as pessoas que cuidam do assunto: o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), entre outros. Ao comentar em São Paulo o blecaute de terça-feira, o presidente Lula afirmou que não vai ficar especulando sobre as causas e culpados do problema: só vai trabalhar com informações técnicas que os órgãos responsáveis produzirem após um processo de investigação.
Lula descartou qualquer hipótese de sabotagem e reafirmou que o sistema elétrico brasileiro é confiável e robusto, e tem funcionado corretamente. “Quando terminar a fase do ‘achismo’, nós vamos entrar na fase mais objetiva que são os resultados concretos de toda a investigação.”
O professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas escreveu um artigo sobre o blecaute da última terça-feira que atingiu 18 estados brasileiros. Ele afirma que a causa do incidente é completamente diferente da que levou ao racionamento obrigatório de energia elétrica em 2001, quando faltou energia para atender as demandas do Brasil por falta de investimentos.
O artigo foi publicado no jornal Folha de S.Paulo de hoje. Leia a íntegra do artigo abaixo. Se for assinante da Folha ou do UOL, também pode conferir aqui.
Ainda pairam algumas dúvidas sobre o blecaute que atingiu vários Estados brasileiros, mais drasticamente São Paulo e Rio de Janeiro. É preciso esclarecer, porém, que o ocorrido na terça-feira foi totalmente diferente do chamado apagão de 2001, quando o governo decretou um racionamento obrigatório de energia elétrica para toda a população, sob pena de desligamento de residência ou empresa por alguns dias caso não fosse cumprido o corte no consumo.
Naquela ocasião, havia falta de energia para atender a demanda, pois esta vinha crescendo mais rapidamente do que a capacidade instalada no país. Enquanto houve chuvas suficientes para a geração hidrelétrica, o sistema funcionou e o problema foi adiado. Quando as chuvas se reduziram, os reservatórios estavam vazios e faltou energia no sistema.
Alertei o então presidente Fernando Henrique Cardoso por uma carta, como coordenador do Instituto Virtual da Coppe/UFRJ, e cheguei a conversar com José Jorge, à época ministro de Minas e Energia. Naquele caso, houve falta de investimento. As estatais elétricas, a começar pela Eletrobrás, reduziram seus investimentos, pois aguardavam a privatização. Já as empresas privatizadas, a maioria delas distribuidoras nos Estados, pouco investiram.
O problema da última terça-feira tem mais semelhança com o blecaute de 1999, que também desligou São Paulo e muitas outras cidades, algumas por muito mais horas do que o recente incidente. Aquele problema se originou em uma subestação de transformadores em Bauru (SP), causado por uma sobretensão elétrica supostamente devida a um raio que atingiu a linha de transmissão a muitos quilômetros de distância e se propagou até a subestação -que deveria estar protegida. Como não estava, o sistema falhou.
O que ocorreu nesta semana foi a interrupção de três linhas que trazem a energia de Itaipu ao Sudeste, acarretando o desligamento de todas as turbinas da usina e causando o desligamento de várias outras linhas em cascata. Daí a propagação do blecaute ter atingido tantas cidades. O efeito é como uma série de pedras de dominó que caem uma por cima da outra.
O desligamento das linhas em sobretensão é correto, pois as protege e evita danos a equipamentos e perdas de transformadores por sobrecarga. Portanto, o desligamento automático das linhas de transmissão é inevitável em certos casos críticos como o de agora. Os efeitos seriam muito piores se o desligamento não ocorresse.
No entanto, algumas questões ainda precisam ser respondias. A primeira delas é o que causou a sobrecarga. Uma hipótese aventada é que raios tenham causado tudo isso. Três linhas sofreram colapso, embora todas sejam protegidas por para-raios, que são fios paralelos ao longo das linhas. Talvez uma delas tenha sido atingida, a sobretensão tenha se propagado indevidamente para dentro da subestação em que as outras também tenham sido afetadas. É uma hipótese.
Como evitar a repetição de blecautes? Não há sistema tecnológico com 0% de falhas. O que pode ser feito é minimizá-las, tanto na frequência de ocorrências desse tipo como na gravidade delas. Eliminar o uso da transmissão de longa distância seria uma bobagem, pois o Brasil é uma Arábia Saudita hidrelétrica. Integrando em um longo tempo a energia que se pode obter do potencial hidrelétrico brasileiro, o resultado é maior que a energia do petróleo do pré-sal. O sistema interligado é inteligente, pois otimiza o uso da geração hidrelétrica, complementada por outras fontes.
Uma proposta que tem sido recentemente estudada em todo o mundo é o de redes elétricas inteligentes, ou seja, fazer uma gestão melhor das redes para diminuir incertezas, evitar problemas de pico de tensão e falhas, com um sistema de controle ponto a ponto ao longo das redes.
Nos Estados Unidos, Nova York sofreu um blecaute em 2003 que, sob certos aspectos, foi mais grave. Há poucos meses, o professor Pravin Varaiya, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, esteve no Programa de Planejamento Energético da Coppe para participar de um seminário sobre essas redes inteligentes de energia elétrica. Mas os estudos ainda precisam avançar, inclusive para prevenir vulnerabilidades como o acesso indevido à rede por hackers.
O que se mostrou vulnerável aqui no nosso caso foi a enorme extensão da área atingida e a grande população que sofreu as consequências, pois não se conseguiu ilhar a propagação do efeito para circunscrever suas consequências a uma região menor. É necessário apurar os fatos para corrigir as falhas e aperfeiçoar o sistema.
Após participar da cerimônia do programa Arco Verde-Terra Legal no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef concedeu entrevista coletiva para falar sobre o blecaute que atingiu 18 estados na última terça-feira. Ela reafirmou que o episódio não pode ser comparado com o que aconteceu em 2001, pois a queda no fornecimento de energia ocorrida na noite de terça-feira não foi provocada por falta de planejamento do setor, mas por fatores climáticos -- veja aqui explicação dada pelo ministro Edison Lobão, de Minas e Energia.
A ministra reafirmou que o sistema elétrico brasileiro está entre os melhores do mundo e que ainda assim o presidente Lula pediu a todos os órgãos governamentais do setor que busquem formas de aprimorá-lo. Confira trecho da entrevista de Dilma:
O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, afirmou ao Blog do Planalto que o órgão ainda não tem uma posição oficial sobre o assunto e revelou que as análises dos dados de seu sistema de detecção de raios ainda não foram concluídas. Um relatório será enviado ao Operador Nacional do Sistema (ONS) para comparar com os dados levantados pela rede de transmissão do ONS e só então o Inpe se pronunciará oficialmente sobre o caso. Veja:
O sistema elétrico brasileiro é bom e episódios como a interrupção do fornecimento de energia que aconteceu na noite de terça-feira (10/11) em parte do território brasileiro, são raríssimos. Quem garante é o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que conversou com o Blog do Planalto. Confira:
Dica: se algum eletrodoméstico da sua casa queimou por causa de alguma variação de energia, você pode procurar a companhia de distribuição de energia da sua cidade e pedir o ressarcimento do bem perdido. Se ficar comprovado que o dano no objeto foi causado pelo incidente, você terá seu dinheiro de volta. Para mais informações, ligue para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo telefone 136.
Uma concentração de fortes descargas atmosféricas (raios), chuvas e ventos provocou um curto-circuito em três circuitos de Itaberá (SP), que recebem energia de Itaipu, resultando no desligamento pelo sistema de proteção do sistema de 15 linhas de transmissão. Esta foi a causa da interrupção do fornecimento de energia a várias regiões do País na noite de terça-feira (10/11). A conclusão foi divulgada hoje após varredura feita por todos os órgãos ligados ao Ministério de Minas e Energia (MME) para descobrir as causas do problema.
Em entrevista coletiva concedida no início da noite desta quarta-feira (11/11) na sede do Centro Nacional de Operação do Sistema Elétrico (CNOS), em Brasília, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão afirmou que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmou a existência da concentração atmosférica muito grande na região de Itaberá (SP) e lembrou que o Brasil é um dos países do mundo em que há a maior concentração desses fenômenos de descargas atmosféricas (raios) -- ainda mais no local onde se originou o blecaute de terça-feira.
Veja aqui mapa com a incidência de descargas atmosféricas pelo Brasil.
O ministro reafirmou que o sistema brasileiro de geração e transmissão de energia é robusto e confiável, mas que nem ele é capaz de resistir a casos extraordinários como o ocorrido terça-feira. Lembrou ainda os muitos investimentos feitos pelo governo no setor desde 2003 e destacou a rápida restauração do sistema em praticamente todo o País, que reestabeleceu a energia em quatro horas (em média), enquanto que em outros países há casos de cidades que ficaram até quatro dias sem energia.
O ministro Lobão também explicou o que o governo tem feito para aumentar a segurança do sistema brasileiro de geração e distribuição de energia elétrica:
Também participaram da entrevista o secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann; o diretor de Operações de Furnas, César Zani; o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nélson Hubner; e o diretor de Operações do CNOS, Luiz Antônio Barata.
(Trecho da entrevista coletiva concedida pelo presidente Lula após encontro com o presidente de Israel, Shimon Peres, no Palácio Itamaraty.)
O governo ainda não tem um retrato fiel do que aconteceu na noite desta terça-feira, quando parte da distribuição de energia no País foi interrompida durante algumas horas, mas segundo o presidente Lula, duas coisas são claras e certas: não faltou geração de energia e o problema não foi causado por falta de linha para interligar o sistema elétrico brasileiro. Por isso não cabe comparar o que aconteceu ontem à noite com o ocorrido em 2001:
O que aconteceu em 2001 é que a gente não produzia energia suficiente. Além de não produzir o suficiente, a gente não tinha linhas de transmissão para interligar todo o sistema elétrico brasileiro. Hoje nós estamos com o sistema elétrico brasileiro todo interligado. Nesses últimos sete anos, o que nós fizemos de linhas de transmissão no Brasil equivale aproximadamente a 30% de tudo que foi feito em 123 anos no País. Nós fizemos não apenas um forte investimento no setor de transmissão de energia, como fizemos um forte investimento na modernização do sistema energético brasileiro.
É importante que a gente não faça de uma coisa dessa nenhuma tese. Que a gente constate o fato e com o fato a gente possa melhor informar a sociedade brasileira. Eu sinceramente não posso dizer que foi um raio, não posso dizer que foi um vento, não posso dizer que foi erro humano enquanto eu não tiver a informação concreta e objetivo do que aconteceu. (…) Além disso, se eu falar, estarei chutando, e eu não vou chutar nesse assunto.
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