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Conversa com a Presidenta

A coluna semanal “Conversa com a Presidenta” publicada em jornais e revistas no Brasil e exterior nesta terça-feira (24/5) aborda temas como qualificação de mão de obra, os problemas de acesso ao porto de Santos e aposentadoria para donas de casa. Morador em Palmas (TO), o administrador Robinson de Almeira Schneider diz que percebe que “muitos empresários falam que o problema na hora de contratar é em relação à mão de obra, que não é qualificada”. Schneider indagou sobre o que a presidenta Dilma Rousseff pensa sobre o assunto.

“Esse é um problema que realmente existe e nós já estamos tomando várias iniciativas para resolver. Mas é um problema que só veio à tona por causa da geração recorde de postos de trabalho que vem desde o governo passado. Só este ano, até o final de abril, já criamos 880 mil novos empregos com carteira assinada. Cresceu tanto a procura por profissionais com boa formação, que mesmo com a criação, desde 2003, de 16 novas universidades, 126 campus universitários, 260 novas escolas técnicas e programas de bolsas de estudos, ainda falta mão de obra qualificada. Mas é só por enquanto, porque nós lançamos há menos de um mês o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).”

Ainda na resposta, a presidenta Dilma diz tratar-se “de um megaprograma de concessão de bolsas para o ensino profissionalizante e cursos de qualificação, que vai beneficiar 8 milhões de estudantes de nível médio e trabalhadores até 2014″. Decidimos, prosseguiu, também construir mais 200 escolas técnicas nos próximos quatro anos e financiar a expansão do ensino do Sistema “S”, formado pelo Senai, Senac, Sesi, Sesc, entre outros.

“Essas iniciativas se combinam com outra muito importante, que vai fornecer bolsas de estudo para 75 mil jovens. Os beneficiados vão se capacitar nas melhores universidades do mundo. Com essas medidas, acreditamos que os trabalhadores vão ter todas as condições de aproveitar as oportunidades geradas pelo crescimento sustentado da economia brasileira.”

O comerciante Ricardo Alexandre Alves, de Cubatão (SP), afirmou que “a Baixada Santista, no entorno do porto de Santos, sofre com o caos no sistema rodoviário e ferroviário de acesso ao porto”. Por este motivo, Ricardo Alves perguntou quais providências o governo federal pode tomar fazer para resolver o problema.

A presidenta Dilma informou que “o governo federal está trabalhando intensamente para melhorar o acesso ao Porto de Santos e desafogar o trânsito do entorno”. No PAC 1, disse ela, concluímos a primeira fase das obras da Av. Perimetral da Margem Direita. No PAC 2, faremos as obras da Av. Perimetral da Margem Esquerda e continuaremos a realizar melhorias na margem direita, o que inclui a construção do mergulhão na região do Valongo.

“O objetivo é eliminar os cruzamentos em nível dos sistemas rodoviário e ferroviário. Com essas e outras obras, estamos criando as condições para aumentar em muito a participação das ferrovias no transporte dos produtos e, com isso, reduzir a circulação pelas rodovias e ruas das cidades da Baixada Santista. Estamos também adotando medidas importantes de gestão, como o uso de planilhas eletrônicas para controlar o tráfego diário e evitar um afluxo de carga acima da capacidade de armazenagem do Porto.”

Já Celanir Aguiar de Oliveira, dona de casa de Maringá (PR), apresentou a questão sobre a aposentadoria para donas de casa com idade superior a 60 anos.

Na resposta, a presidenta informou que “é uma medida de justiça para com as mulheres que dedicaram suas vidas a dar assistência a suas famílias”. Segundo a presidenta, a Previdência Social permite que as donas de casa se filiem ao sistema previdenciário na categoria de segurado facultativo, que engloba pessoas com mais de 16 anos e sem renda própria.

“Com isso, elas conquistam o direito à aposentadoria e às demais proteções da Previdência. Em relação às donas de casa de baixa renda, destaco que em 2006 foi criado, pela Lei Complementar nº 123, o Plano Simplificado de Inclusão Previdenciária. As contribuições são de 11% do salário mínimo, ou seja, bem mais baixas do que para os trabalhadores em geral. Com a inclusão, elas adquirem o direito ao salário-maternidade, depois de dez meses de contribuição; a auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, após 12 meses; e direito à aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo, após 180 contribuições. As donas de casa que nunca contribuíram, e que têm renda familiar por pessoa inferior a um quarto do salário mínimo, não foram esquecidas. Depois dos 65 anos, elas podem receber o Benefício Assistencial da Lei Orgânica de Assistência Social. O valor é também de um salário mínimo.”


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Presidente Lula com operários da UTE Euzébio Rocha, inaugurada nesta quarta-feira (10/3), em Cubatão (SP). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula com operários da UTE Euzébio Rocha, inaugurada nesta quarta-feira (10/3), em Cubatão (SP). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Num palanque montado no interior da Usina Termelétrica Euzébio Rocha (UTE), em Cubatão (SP), o presidente Lula conclamou aos investidores para que mantenham seus negócios no Brasil, pois o país terá energia suficiente para permitir o funcionamento do parque industrial brasileiro. A térmica inaugurada por Lula, segundo ele destacou, deveria estar funcionando há anos. Com investimentos da Petrobras, a unidade situada na Baixada Santista é prova que o país possui recursos energéticos para que as máquinas sigam no ritmo acelerado de produção. Conforme o presidente, tal fato reforça a tese de que o Brasil vive “um momento de quase estado de graça”.

O presidente frisou ainda que o marco regulatório do setor de petróleo e gás, inclusive com a exploração na camada do pré-sal, permitirá a obtenção de recursos suficientes para investimentos no desenvolvimento do país. E a produção extraída das águas profundas resultará em combustível com elevado valor agregado, permitindo como consequência, mais divisas aos cofres públicos.

“O Brasil está vivendo esse momento em que a Petrobras descobre o pre-sal. Só no Campo de Tupi teremos quantidade de reserva igual a que tínhamos antes. Porém, não queremos vender óleo cru. Queremos colocar valor agregado para que possamos ter mais dinheiro para investir na educação. Esse petróleo é para dar ao povo brasileiro aquilo que o Brasil deveria ter dado há muito tempo”, afirmou.

Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Lula.

Ouça a íntegra do discurso:


Lula explicou que as novas diretrizes do governo permitirão que as companhias que vierem a explorar os blocos de petróleo e gás tenham que repassar parcelas dos lucros aos cofres da União. Para administrar estes recursos, segundo sinalizou, o governo cria “uma empresa enxuta”. Numa outra linha de ação, conforme disse, o governo vem alavancando o setor da construção naval e assegurando produção suficiente de energia elétrica.

“Esse país não quer ser exportador de ferro, soja e suco de laranja. Estamos sinalizando para os investidores que podem vir fazer investimento no Brasil, pois vamos ter energia suficiente. Em 2001, tínhamos água sobrando no Sul e não tínhamos linha de transmissão. Agora, temos linha de tansmissão. Nunca mais a gente vai ter apagão. A não ser se houver as intempéries. Aí, com a zanga de Deus a gente baixa a cabeça e faz a coisa certa para não errar outra vez”, explicou.

No discurso, o presidente destacou também o fato de o país ter ficado, por mais de 20 anos, sem investimentos e os engenheiros que se formavam no Brasil buscavam trabalho no mercado financeiro. Lula lamentou que durante muito tempo as empresas não fixavam placas com ofertas de vagas para tais profissionais. Lula também questionou o fato de, nas últimas décadas, os governos e segmentos da sociedade defenderam e, em várias casos, conseguiram as privatizações de empresas estatais dos setores de telecomunicações, energia, siderurgia, portos e ferrovias. O presidente utilizou como exemplo a tentativa de se vender a Petrobras.

Lula lembrou também o período em que o país era subserviente ao FMI. Segundo ele, o cenário mudou. O país passou a ser credor do FMI e conta com reservas financeiras em dólar suficientes que permitiram atravessar a fase mais aguda da crise mundial de 2009. “Só chegamos ao dia de hoje porque em alguns momentos a gente teve coragem. Hoje não devemos nada ao FMI e eles nos devem US$ 14 bilhões e o Brasil tem reservas cambiais de US$ 241 bilhões. É por isso que vamos gerar mais dois milhões de empregos em 2010. E vamos fazer três refinarias. E a indústria automobilística faz mais carros e vende mais carro”, sinalizou.


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