Em sua primeira viagem internacional após posse, presidenta Dilma Rousseff vai à Argentina e é recepcionada pela presidenta Cristina Kircher na Casa Rosada. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A política externa no governo Dilma Rousseff será marcada pela forte presença em organismos multilaterais, pela defesa aos Direitos Humanos e à estabilidade democrática e pelo fortalecimento da América Latina. O balanço, feito pelo assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidenta da República, Marco Aurélio Garcia, compõe a série “Relações Exteriores”, que o Blog do Planalto traz durante esta semana. Para ver os outros posts da série, clique no selinho ao lado.
Marco Aurélio afirmou que, ao mesmo tempo em que o governo dará continuidade a iniciativas de fortalecimento da América Latina e África, terá como foco a preservação e o desenvolvimento do relacionamento com os Estados Unidos, a União Europeia e “uma intervenção muito clara nas esferas multilaterais – nas Nações Unidas, na Organização Mundial do Comércio e no G20”.
“Enfim, em todas aquelas instâncias nas quais de alguma maneira se está esboçando um novo formato geopolítico e geoeconômico”, completou.
Em discurso durante entrega de Mensagem ao Congresso Nacional proferido ontem (2/2), a presidenta Dilma Rousseff endossou essa posição ao afirmar que “nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo. Nossa participação nas forças da ONU – especialmente na Missão para a Estabilização do Haiti – é emblemática do nosso compromisso com a paz e a estabilidade democrática”.
“O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao da América do Sul. Se geografia é destino, como se diz na geopolítica, estamos muito felizes com o nosso destino. Juntamente com nossos vizinhos sul-americanos, poderemos transformar nossa região, que vemos como um espaço de paz e crescente cooperação, em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul”, disse a presidenta aos membros do Congresso Nacional.
Marco Aurélio comentou, ainda, afirmação da presidenta Dilma durante viagem à Argentina na segunda-feira (31/1), em que ela disse que o século XXI seria o “Século da América Latina”. Segundo ele, “significa concretamente que está havendo transformações em nossa região que vão nos habilitar a ter uma presença mais forte no mundo de hoje”.
“No passado mais distante, a região era colonizada; posteriormente foi submetida a formas de dominação econômica muito intensas, que eram também reproduzidas internamente. No entanto, o que nós estamos assistindo na última década é um processo muito forte de afirmação não só nacional de alguns países, mas um desejo de integração bastante grande”, disse.
Confira os principais trechos da entrevista
Viagem à Argentina
A aliança entre a Argentina e o Brasil não vai esgotar a problemática da integração sul-americana, latino americana, mas sem essa aliança não haverá uma integração consistente.
Venezuela no Mercosul
Traz para o Mercosul um mercado importante. A Venezuela é um país com mais de 25 milhões de habitantes, é um país extremamente rico em matéria de petróleo, o que interessa à região, e é um país no qual hoje tem sido feitos muitos investimentos brasileiros, tem aumentado bastante o nosso comércio exterior e dos outros países da região também. Com o ingresso da Venezuela e a eliminação de certas restrições de ordem alfandegária, nós vamos ter sem dúvida nenhuma uma expansão bastante consistente do comércio da região.
Colômbia
Se a Colômbia fizesse uma opção pelo Mercosul seria um aspecto extremamente importante. O Mercosul mudaria de perfil se a Colômbia efetivamente abrisse negociações com os outros quatro ou cinco países para seu ingresso.
Ao fazer uma avaliação pessoal para os jornalistas que cobrem o dia a dia da Presidência da República, em encontro realizado na manhã desta segunda-feira (27/12), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), o presidente Lula disse que é resultado “de uma sociedade em processo de efervescência”, fruto de diversos movimentos que marcaram a história recente do País. O presidente fez questão de lembrar aos convidados que sua gestão foi marcada pelo diálogo com os diversos setores da sociedade brasileira:
“Eu mudei as relações do Estado com a sociedade e do Governo com os movimentos sociais.”
O presidente fez uma avaliação preliminar dos oito anos de seu governo e garantiu que o Brasil está preparado para se transformar na quinta economia mundial, sendo necessário para isso manter o ritmo dos investimentos. Disse ainda que só poderá fazer uma avaliação dos erros e acertos da administração em seis meses ou um ano. “Deixo a Presidência da República com a sensação do dever cumprido”, afirmou.
Lula está contente com a equipe montada pela presidente eleita Dilma Rousseff e manifestou confiança no desempenho de sua sucessora. Para o presidente, “Dilma vai ter uma vida mais facilitada” pois conhece todas as questões do governo.
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
Na conversa, o presidente comentou também sobre a solidão do poder. Disse que por escolha própria preferiu manter-se distante de festas e que nos fins de semana em Brasília permaneceu apenas na companhia da primeira dama Marisa Letícia. Ele argumentou que em função de equipamentos mais modernos, como os celulares, “em qualquer lugar que você vá tem alguém filmando”.
Ao deixar o Palácio do Planalto, Lula disse que pretende descansar por um período e depois voltar a fazer política. O presidente assegurou que a refroma política deve ser uma de suas bandeiras e que o PT deve levar a proposta adiante. Ele assegurou também que sentirá falta “da relação de amizade” que fez nestes oito anos.
O presidente tomou como exemplo o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que durante o período mantido no poder recebia inúmeras críticas e com o passar do tempo é merecedor do reconhecimento pela gestão no governo federal. “Depois de tanto tempo se reconheceu a importância dele”, disse ao explicar que pretende construir um memorial para que as pessoas possam analisar a sua gestão. Lula também conversou com os jornalistas sobre a relação dos Estados Unidos com os países latino-americanos, a necessidade de reforma da ONU e o estado de saúde do vice-presidente José Alencar. Lula se disse orgulhoso de ter um vice como ele.
O Blog do Planalto esteve nesta quarta-feira (22/12) na ExpoCatadores 2010, que está sendo realizada em São Paulo (SP), para conhecer a evolução que a categoria de catadores de material reciclável teve nos últimos anos no País. O evento, montado no Mart Center, zona norte da capital paulista, reúne desde ontem cerca de 1.500 catadores de todo o País e de sete países latino-americanos (Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Uruguai, Peru e Bolívia) e também África do Sul. Além de palestras, seminários e workshops, os participantes podem conferir as novidades trazidas por dezenas de expositores, entre fabricantes de equipamentos da indústria de reciclagem, cooperativas de catadores de todo o Brasil, universidades e ONGs. A página oficial do evento está transmitindo ao vivo as atividades, confira aqui.
O presidente Lula, juntamente com a presidente eleita Dilma Rousseff e a ministra Márcia Lopes (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), participarão, nesta quinta-feira (23/12), do Natal da Vida e Cidadania dos Catadores e da População em Situação de Rua, no espaço onde está sendo realizada a ExpoCatadores, em São Paulo (SP).
Na ExpoCatadores 2010 conhecemos Severino Lima Jr., representante da Articulação Nacional do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, que percorreu os corredores do centro de exposição com o Blog do Planalto e explicou um pouco dos avanços obtidos pela categoria nos últimos anos e como os catadores podem contribuir para colocar o Brasil entre os maiores recicladores de resíduos sólidos do mundo, exportando know-how para outros países, e ajudar outros catadores ao redor do mundo a se organizarem e obter as mesmas vitórias.
Severino, que é de Natal (RN) e atua como catador desde os 12 anos, nos explicou que poucas prefeituras no País apóiam os catadores e registram o material coletado por eles, o que deixa os números brasileiros ainda baixos. “Se forem contabilizados de maneira formal, com os catadores, esses números vão triplicar, quintuplicar até”, diz ele. O Brasil já é campeão mundial na reciclagem de latas de alumínio, graças aos catadores, e essa posição brasileira só é possível porque esses números são registrados oficialmente.
Severino está otimista com o potencial da ExpoCatadores, que tem sua segunda edição este ano, e diz que o evento fortalece a categoria, graças à troca de informações e experiências que ela promove. “O problema que cada estado tem começa a ser dividido”, diz. O Brasil hoje é referência mundial em termos de organização dos catadores, afirma Severino, por seu modelo de articulação. Esse modelo está sendo exportado não só para países latino-americanos mas também africanos e asiáticos, como a Índia, que tem uma situação muito pior do que a brasileira, e a experiência brasileira pode ajudar a todos melhorarem de vida.
Presidente Lula em sua intervenção na sessão plenária da XX Cúpula Ibero-Americana realizada em Mar del Plata, na Argentina. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Apesar de todas as campanhas feitas nos últimos anos para enfraquecer os governos dos países latino-americanos, a democracia na região está consolidada e a América Latina já não é tratada no mundo como se fosse menor, enalteceu o presidente Lula em discurso feito na sessão plenária da XX Cúpula Ibero-Americana realizada neste sábado em Mar del Plata, na Argentina. Mas Lula alertou: é preciso ficar alerta para não permitir que aconteça o que tentou-se fazer no Equador em setembro passado, quando o presidente Rafael Correa enfrentou uma violenta onda de insurreição por parte da polícia equatoriana, e também o que aconteceu no Brasil em 2005 quando, segundo Lula, houve “uma sórdida campanha que tinha como objetivo enfraquecer o governo para provar que um trabalhador não poderia governar”.
Nós estamos aprendendo a construir esse mundo extraordinário que se transformará numa grande nação. Acho que o exemplo que Kirchner deixa para nós é que o corpo se vai, mas as ideias não. Elas estão aí a adentrar na cabeça dos estudantes, dos trabalhadores, das mulheres, e dos companheiros presidentes.
Em suas duas intervenções durante a sessão plenária, Lula fez sua homenagem ao ex-presidente argentino Nestor Kirchner, morto em outubro passado, afirmando que ele é um dos responsáveis pela melhora nas relações Brasil-Argentina, bem como na mudança de comportamento dos empresários, diplomatas e governos de ambos os países. Para Lula, Kirchner foi fundamental para recuperar o Mercosul, derrotar a Alca na América do Sul e criar a Unasul. Era um conciliador, afirmou o presidente brasileiro, que recuperou a economia argentina e também a autoestima de seu povo.
Eu acho que da mesma forma que coube a mim recuperar a autoestima do povo brasileiro, voltar a fazer o povo brasileiro gostar do Brasil, eu acho que o Kirchner conseguiu fazer na Argentina. Era o Maradona no futebol e o Kirchner na política, era quase uma unanimidade, mesmo os que não gostavam tinham que respeitar a ousadia.
Lula reafirmou ainda a importância dos países latino-americanos atuarem mais em conjunto, mantendo estreitos laços políticos e comerciais, para fortalecer a região. Se o Brasil cresce, disse, os demais países do continente também crescem. É preciso fazer um esforço para explorar a totalidade do potencial que existe entre os países latino-americanos, afirmou. Como exemplo, citou a melhora nas relações econômicas entre Brasil e Argentina, que tinham uma balança comercial de apenas US$ 7 bilhões em 2003 e hoje têm de quase US$ 35 bilhões. “Hoje nós temos consciência o quanto a Argentina é importante para o Brasil, e a Argentina tem a consciencia de quanto o Brasil é importante para a Argentina”, frisou Lula.
Ouça aqui a primeira intervenção do presidente Lula na sessão plenária da XX Cúpula Ibero-Americana de Mar de Plata:
Segunda intervenção do presidente Lula na reunião:
O Brasil está determinado a trabalhar pela convergência dos processos de integração política e econômica da América do Sul, América Central e Caribe e prioriza, em sua política externa, uma relação baseada na diplomacia da solidariedade e do entendimento entre iguais. Essa foi a tônica do discurso do presidente Lula nesta quinta-feira (25/11), em Georgetown, durante cerimônia em que foi condecorado com a Ordem de Excelência, a mais alta distinção guianesa.
Sempre uso a imagem de que não é possível o Brasil desenvolver-se sem que seus vizinhos também encontrem o caminho da paz e da prosperidade. Nossa empreitada é um trabalho comum. Esse espírito de fraternidade é a base indispensável de uma América do Sul mais unida, próspera e justa.
Os presidentes Lula e Bharrat Jagdeo, da Guiana, em cerimônia realizada em Georgetown que homenageou o presidente brasileiro. Foto: Ricardos Stuckert/PR
O presidente brasileiro fez questão de enfatizar o esforço do Brasil em consolidar “o destino continental da Guiana”, lembrando o avanço dos dois países na relação bilateral. Como exemplo, citou a criação do Comitê de Fronteira, o acordo “Regime Especial Fronteiriço e de Transporte para as Localidades de Bonfim e Lethem”, que será implantado em breve, e a inauguração da ponte sobre o rio Tacutu, primeira ligação física entre os dois países.
Ao presidente guianense, Bharrat Jagdeo, Lula ratificou que é necessário somar esforços e continuar estabelecendo “sólidas pontes de diálogo e cooperação”, para enfrentar com maior êxito os desafios da integração regional. Segundo ele, os dois países devem trabalhar juntos para o fortalecimento da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica e a posição dos países amazônicos nas negociações sobre mudança do clima.
Nesse sentido devemos impulsionar juntos o projeto de integração não só da América do Sul, mas também da América Latina e Caribe. Esperamos contar com apoio da Guiana para iniciar as negociações Mercosul-Caricom, tão logo o bloco caribenho esteja pronto.
Após a cerimônia, o presidente Lula foi homenageado com uma apresentação cultural local e, em seguida, participa de um jantar com os chefes de Estado da Unasul.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula durante a cerimônia:
Presidente Lula durante entrevista coletiva com blogueiros no Palácio do Planalto, ouvindo pergunta feita online diretamente de São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Quatro meses após transmitir a faixa e o cargo de Presidente da República a Dilma Rousseff -- tempo que avalia como necessário para “desencarnar” -- Lula deverá se dedicar à blogosfera. A promessa foi feita por Lula nesta quarta-feira (24/11) na sua primeira entrevista coletiva a blogueiros, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília. O presidente pretende utilizar o espaço na rede mundial de computadores para debater questões como o caso “mensalão” e o trabalho que pretende realizar em países da América Latina, Caribe e África.
Durante mais de duas horas de entrevista, que envolveu 11 blogueiros (10 estavam presentes no Palácio, uma online pela webcam) e as pessoas que acompanhavam pelo twitter, Lula conversou sobre eleições, justiça, imprensa, banda larga e projetos de governo, entre outros. Revelou que o pior momento de seus oito anos de governo foi o acidente em 2007 com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, deixando um saldo de 199 mortos. Lula informou que no início recebeu informações desencontradas, mas quando ligou o aparelho de tv, no gabinete do Palácio do Planalto, pode visualizar o tamanho da tragédia e perceber o tamanho do peso que carregaria em seus ombros.
“O dia em que sofri mais foi no acidente do avião da TAM em Congonhas. Nunca vi tanta leviandade”, disse, criticando os comentários e afirmações de setores da imprensa que acusavam o governo pelo acidente -- as apurações do caso apontaram erro humano dos pilotos como causa do acidente. “Foi o dia mais nervoso da minha vida. Não quero que isso se repita.”
Ouça aqui a íntegra da entrevista:
Para ler a transcrição da entrevista, clique aqui.
Lula iniciou a entrevista respondendo a indagação de Renato Rovai, do Blog do Rovai, sobre os avanços de seu governo no setor de comunicações. O presidente disse que no ano passado o governo federal levou a cabo a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), apesar da resistência de setores da mídia nacional. Segundo ele, o documento proposto a partir da conferência resultará em projeto a ser encaminhado ao Congresso Nacional. “Estamos preparando agora o caminho que vai permitir a aprovação de um texto básico”, afirmou.
O presidente disse ainda que somente quando deixar a Presidência da República -- o que classificou como “desencarnar” (termo utilizado em diversos momentos da entrevista) -- poderá ter a exata dimensão daquilo que a iniciativa significou para a sociedade brasileira. Uma das providências será registrar em cartório todas as ações desenvolvidas nos dois mandatos para que o documento fique num acervo para ser consultado posteriormente.
A segunda intervenção veio por webcam. A blogueira Conceição Oliveira (blog Maria Frô) levantou de São Paulo a questão das quotas nas escolas públicas. Como a imagem mostrou a educadora fumando, antes de respondê-la, Lula disse que havia parado de fumar há um ano e que recomendava a ela a mesma atitude. Retornando ao tema levantado, Lula explicou que no ProUni -- por exemplo -- 40% dos alunos são negros. Além disso, será inaugurada em Redenção, no Ceará, a Universidade Federal de Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), que terá cinco mil alunos brasileiros e outros cinco mil estudantes de países africanos que integram a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
O jornalista Leandro Fortes, do blog Brasília, Eu Vi, colocou a polêmica do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) na discussão e deu foco às investigações sobre os brasileiros mortos pelo regime militar na região do Araguaia. Fortes questionou o fato de o Brasil, dentre as nações da América do Sul, não ter punido os autores ou mandantes de tais crimes. O presidente disse que o tema foi tratado a exaustão em seu governo. Disse que por determinação dele foi promovida ampla investigação, inclusive com utilização de anúncios na mídia com pedidos de informações sobre o assunto. O objetivo foi descobrir ossadas humanas.
Aborto foi outro tema que envolveu a indagação de Fortes. Lula afirmou que pessoalmente é contrário, mas como chefe de Estado considera a questão como sendo de saúde pública. Isso porque tem certeza que muitas jovens -- de famílias mais carentes -- se submetem a técnicas pouco convencionais para a retirada de fetos, como uso de agulha de crochê ou a ingestão de chás de abacate e azeitona, colocando em risco suas vidas.
Lula abordou temas como a indicação de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), as eleições no Acre, o controle dos meios de comunicação, as reformas trabalhista e política, a banda larga, a reforma da ONU, dentre outros. Ele explicou que jamais indicou um ministro para o Supremo pensando em se beneficiar de decisões do indicado. O presidente avaliou um por um os ministros que receberam indicações dele. Sobre o nome para a vaga de Eros Grau, o presidente explicou que deverá ter uma análise sem pressa e admitiu a possibilidade de fazer a indicação em conjunto com a presidente eleita Dilma Rousseff.
“O indicado terá pelo menos três grandes questões pela frente. A lei da Ficha Suja, o julgamento do mensalão e a decisão sobre o processo de extradição do Batisti (Cesare Battisti, italiano preso pela Polícia Federal e acusado de assassinatos na Itália”, ponderou.
Em sua última intervenção na entrevista, o presidente Lula afirmou que o ex-candidato José Serra, que disputou as eleições presidenciais deste ano contra a Dilma Rousseff, deve desculpas à população por ter encenado uma agressão durante passeata no Rio de Janeiro, em que foi atingido por uma bolinha de papel. Lula queixou-se também da tentativa de setores da mídia em favorecer o candidato tucano com este fato.
Ao término da entrevista, Lula se posicionou com o grupo de blogueiros para as fotos. Ele se furtou em fazer comentários sobre a importância do trabalho dos blogueiros na rede mundial de computadores e recebeu convite para participar do II Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Participaram a entrevista Renato Rovai (Blog do Rovai), Leandro Fortes (Brasília, eu vi), Altino Machado (Blog do Altino Machado), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Altamiro Borges (Blog do Miro), José Augusto (Os Amigos do Presidente Lula), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), William Barros (Cloaca News), Túlio Vianna (blog do Túlio Vianna) e Pierre Lucena (Acerto de Contas).
Presidente Lula recebe o prêmio Personalidade do Ano 2010 da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Seja no campo agrícola ou tecnológico, o Brasil tem um amplo leque de oportunidades a oferecer a empresários portugueses, que podem se valer dos históricos laços político, econômico, cultural e linguístico para saírem na frente em relação a investidores de outros países. E ambos os países podem ainda unir forças para explorarem as oportunidades que se apresentam também na África e na América Latina. “Nós não temos tempo a perder”, afirmou o presidente Lula em discurso realizado nesta segunda-feira (22/11) no jantar comemorativo dos 98 anos da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, realizado na Hípica Paulista, em São Paulo, em que recebeu o Prêmio Especial Personalidade do Ano 2010.
Pouco antes de discursar, o presidente Lula acompanhou uma apresentação da atleta olímpica de hipismo, Luiza Tavares de Almeida, que agradeceu o apoio do governo aos esportistas que representam o País em competições olímpicas mundo afora.
Os avanços da agricultura e da indústria petrolífera brasileira, entre outros, têm que ser olhados na perspectiva dos próximos 20 ou 30 anos, afirmou Lula, para darem a exata noção do amplo campo de oportunidades que as novas tecnologias agrícolas e o Pré-sal oferecem, bem como as áreas de software, infraestrutura e energias renováveis.
Sabemos todos que a intenção de ambos os países é aumentar os investimentos e intercâmbios econômicos e comerciais. Um bom caminho nesse sentido será a realização conjunta de encontros entre empresários e investidores portugueses e brasileiros, especialmente nas áreas de software e infraestrutura.
Ao reafirmar sua convicção “no extraordinário potencial do relacionamento entre os dois países”, o presidente brasileiro disse que tem orgulho de ter incentivado empresas brasileiras e portuguesas a investirem nos respectivos países, porque Brasil e Portugal “podem muito mais do que seu tamanho”. Aproveitou para citar o sucesso de empresas como Petrobras, Embraer, Camargo Correa e Votorantin em terras portuguesas, e que há hoje mais de 600 empresas brasileiras com capitais portugueses.
Aquilo que parecia um obstáculo entre Brasil e Portugal, que eram oito ou 10 mil quilômetros de oceano (na época do Descobrimento), na verdade hoje significa um caminho, uma ponte, uma oportunidade, basta que o Brasil compreenda que ele não tem que ter relação com quem é o maior, ele tem que ter relação com quem é o melhor para nós, e Portugal é um país importante e estratégico para o Brasil manter uma relação importante e a língua é a vantagem comparativa.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula no evento:
A eleição de Néstor Kirchner como presidente da Argentina permitiu que seu país e o Brasil conseguissem superar muitas das barreiras que criavam dificuldades entre as relações de ambos, acabando com o preconceito diplomático e empresarial, afirmou o presidente Lula após prestigiar o velório de Kirchner em Buenos Aires. O ex-presidente argentino morreu na quarta-feira (27/10) vítima de um ataque cardíaco.
O preconceito, às vezes diplomático, o preconceito empresarial, a preocupação que existia na relação entre Argentina e Brasil deixou de existir na medida em que Brasil e Argentina, através do presidente Kirchner e através da minha presidência, descobriram que não eram adversários, a não se no futebol. Que na economia e na política a gente se completava e que Brasil e Argentina tinham um papel extraordinário na integração da América do Sul e da América Latina.
Ouça a íntegra da declaração do presidente Lula feita ontem em Buenos Aires:
Lula ressaltou ainda que o relacionamento entre os dois países, estreitado no governo de Kirchner, foi um “jogo vitorioso”, que resultou na construção da Unasul, do Conselho de Defesa e do Conselho de Combate ao Narcotráfico e que “a relação Brasil e Argentina é a melhor de todos os tempos”.
O presidente brasileiro afirmou que Néstor Kirchner continua governando com a presidente Cristina Kirchner e com povo argentino e a Argentina continuará trilhando o caminho de desenvolvimento e de recuperação de suas políticas sociais:
Eu dizia à companheira Cristina que um homem morre, mas as ideias permanecem. E eu acho que Kirchner foi uma figura que construiu ideias aqui na Argentina e que o legado mais importante que o Kirchner conseguiu foi recuperar a autoestima do povo argentino, o orgulho do povo argentino, o emprego do povo argentino, coisa que estava há duas décadas e meia praticamente perdida… Eu saio daqui triste porque o Kirchner se foi, mas saio daqui feliz porque senti o povo argentino cumprimentando a Cristina com muito orgulho, com muita força e com muito reconhecimento.
O corpo do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner será levado a Río Gallegos, na província sulista de Santa Cruz, onde ele nasceu e começou sua carreira política, para ser enterrado. A expectativa é que o enterro ocorra por volta do meio dia – 13h de Brasília – desta sexta-feira (29/10), em uma cerimônia privada da família.
O presidente Lula, em entrevista após cerimônia de inauguração da República Terapêutica e do Consultório de Rua para Dependentes Químicos e outras ações relacionadas ao Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, comentou sobre rebelião ocorrida no Equador nas últimas horas, nesta sexta-feira (1º/10), em São Bernardo do Campo. Segundo Lula “é melhor as pessoas discutirem, fazerem acordo, mas um presidente eleito precisa ser respeitado”. O presidente brasileiro disse que Rafael Correa é um grande presidente e que precisa ser respeitado.
“Não é possível que as pessoas não entendam que esse tipo de tentativa não é correta. Policiais jogarem bomba em um presidente é menos correto ainda. Então eu acho que todos nós da América Latina e do mundo, todos nós democratas precisamos condenar da forma mais veemente possível essa tentativa de golpe no Equador e apoiar o presidente Rafael Correa. Eu acho que hoje os golpistas já se deram conta da burrice que fizeram. E nós, todos os presidentes da América do Sul, sem nenhuma restrição, apoiamos a democracia no Equador e a manutenção do presidente Rafael Correa”, disse.
Ouça abaixo a íntegra da entrevista do presidente Lula.
Lula afirmou que ainda não conseguiu falar com Correa, mas que tem expectativa de contatar o presidente equatoriano ainda hoje. Disse ainda que o Brasil, o Mercosul e a Unasul vão prestar toda a ajuda necessária e que as pessoas têm que saber que não existe no mundo ninguém que concorde com o golpe.
“Ontem eu mandei o Patriota (Antonio Patriota, ministro interino das Relações Exteriores) ir a Buenos Aires. Ontem, quando eu liguei para falar com o Chávez, o Rafael estava no hospital. Eu pedi para o embaixador brasileiro em Quito ir até o hospital onde ele estava, ele não conseguiu chegar lá. Hoje, possivelmente, eu ligo para o Rafael Correa”.
Questionado se a democracia na América Latina estaria fragilizada, Lula disse que a democracia não sofre mais perigo e citou como exemplo as recentes eleições na Venezuela.
“Eu acho que a democracia na América Latina não corre mais perigo. Acho que a eleição na Venezuela é a consolidação definitiva do processo democrático. Quem contestava não pode mais contestar porque houve uma eleição livre e democrática e tem um resultado”, defendeu.
Em relação às eleições brasileiras, que acontecem no próximo domingo (3/10), Lula disse ter consciência de que o povo vai dar um exemplo de consolidação do processo democrático.
“Acho que o povo brasileiro já demonstrou isso várias vezes e vai continuar demonstrando que para nós a democracia é um bem fundamental, e daí porque o que nós vamos fazer no domingo é uma demonstração para qualquer golpista do Equador”, afirmou.
Mais do que cumprir seu papel acadêmico, o que se espera da nova Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) é que ela seja uma caixa de ressonância dos anseios dos povos da América Latina, sendo ouvida e respeitada como um centro avançado de referência da inteligência dos países da região, afirmou o presidente Lula durante a aula inaugural que deu na instituição, em Foz do Iguaçu (PR). Citando o economista Celso Furtado, Lula disse aos alunos da primeira turma da Unila que a integração regional tem que criar novas estruturas para funcionarem como alavancas de uma nova lógica de desenvolvimento. “Esse é o espírito que deve orientar a Unila”, afirmou Lula. “Esse é o protagonismo estratégico que esperamos dela, como caixa de ressonância de um novo e auspicioso capítulo da unidade regional.”
Na primeira parte de sua fala, o presidente Lula leu um discurso em que falou da importância de se desenvolver a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, oferecendo crescimento econômico, empregos, educação, saúde, lazer e urbanismo, para garantir a segurança da região, porque toda fronteira é na verdade uma grande sala de visitas de um país para o outro. Não há segurança sem cidadania, frisou o presidente brasileiro.
“Quem acha possível haver segurança sem cidadania esquece que as fronteiras representam também o espaço onde começa um país. Ela forma de fato uma espécie de sala de visita da sociedade, a síntese daquilo que somos, daquilo que estamos construído, daquilo que queremos ser. (…) Para que as nossas fronteiras possam representar dignamente o país, com respeito a nossos vizinhos e a nós mesmos, estamos assinando hoje o decreto de criação da Comissão Permanente de Desenvolvimento e Integração da Faixa da Fronteira.”
Reafirmou o compromisso brasileiro em promover a integração latino-americana em que todos os países tenham chances iguais de se desenvolver e em que a solidariedade fale mais alto do que as duras normas do comércio exterior. “Uma integração efetiva não se faz apenas com trocas comerciais”, observou.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
A segunda parte de sua apresentação foi dedicada às lembranças de sua trajetória política, os movimentos latino-americanos de esquerda e o longo caminho que percorreram até chegarem ao poder em diversos países da região. O presidente falou, por exemplo, sobre sua desilusão com a política após ter ficado em terceiro lugar nas eleições para governador de São Paulo, em 1982, e lembrou que foi o então presidente de Cuba, Fidel Castro, que o reanimou em 1985, ao perguntar: “Você conhece, na história da humanidade, algum operário que tenha recebido 1 milhão e 250 mil votos?”
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